terça-feira, 25 de setembro de 2018
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Semana começa com inversão na tendência de alta das bolsas
Semana começa com inversão na tendência de alta das bolsas
No Brasil, o mercado estima uma alta no nível de preços e uma queda no PIB. O relatório Focus do Banco Central do Brasil, divulgado nesta manhã, estimou uma manutenção na tendência para os principais indicadores. A mediana das expectativas do mercado para o IPCA subiu de 4,09% para 4,28% no final de 2018; para o PIB, caiu de 1,36% para 1,35%. Em relação ao câmbio, a taxa para o fim do período subiu de R$3,83 para R$3,90. A taxa Selic continua em 6,50% ao ano.
Atividade econômica
Também hoje, a FGV divulgou o IPC-S, que registrou uma alta de 0,32%, 0,13 ponto percentual acima da última taxa divulgada. Cinco das oito classes de despesa tiveram um crescimento nesta semana, com destaque para os grupos: vestuário (0,05% para 0,64%), transportes (0,05% para 0,64%) e habitação (0,24% para 0,26%).
Nos Estados Unidos, o PMI de setembro mostrou uma desaceleração da atividade econômica. De acordo com a IHS Markit, o PMI Industrial subiu de 54,7 pontos para 55,6 pontos, contra expectativa de 55,0 pontos. Maiores taxas de produção, crescimento de novos pedidos e maior compra de insumos fundamentam a melhora da indústria no mês de setembro. No lado negativo, o PMI Serviços caiu de 54,8 pontos para 52,9 pontos, pior taxa de crescimento desde março. As firmas sofreram com pressões inflacionárias, com aumento das despesas e aumento dos serviços providos. Devido ao maior peso no setor de serviços, o PMI composto caiu de 54,7 pontos para 53,4 pontos.
Mercados acionários
Os mercados sinalizam uma inversão da tendência de alta vista na semana passada. O clima global é de cautela, e a possibilidade de uma escalada das disputas comerciais cria uma incerteza entre os agentes econômicos. Os negócios na Ásia tiveram liquidez reduzida em meio ao feriado na China. A sessão de negócios na Europa tem uma queda generalizada, com pressões negativas vindo do setor automotivo e das mineradoras (ambos fortemente expostos a uma disputa comercial). Já em Wall Street, os índices futuros sinalizam uma abertura em queda, mais expressiva no NASDAQ futuro.
No mercado de divisas, o dólar continua a mostrar um enfraquecimento em relação aos seus principais pares, acumulando queda de 1% no índice para o dólar em setembro. O euro registra leve alta em relação ao dólar. O petróleo tem forte alta, seguindo a narrativa bullish da OPEP para os preços da commodity. Neste final de semana, o cartel se posicionou contra Donald Trump, que incentiva o aumento de produção para reduzir o preço internacional do petróleo. Enquanto isso, os EUA têm mantido sua produção em níveis recordes, com uma quantidade alta de sondas em operação:
Expectativas dos agentes
A semana tem uma série de eventos chave. Nos Estados Unidos, a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla original) será o destaque internacional dos pregões na quarta-feira. Dados da inflação nos Estados Unidos e na Zona do Euro também devem chamar a atenção nesta semana, sobretudo o PCE (índice de preços favorito do Federal Reserve) na sexta-feira.
No cenário doméstico, as pesquisas eleitorais continuam a guiar as decisões dos investidores. A evolução crescente do candidato Haddad, somada a estagnação do candidato Bolsonaro, deve agir como um condutor para uma potencial correção no Ibovespa.
Chineses buscam minério de qualidade
Chineses buscam minério de qualidade
Siderúrgicas chinesas e comerciantes estão correndo para assegurar contratos de longo prazo para minério de ferro de alta qualidade antes de cortes de produção no inverno, o que tem beneficiado a principal fornecedora do produto, a gigante brasileira Vale. A China, maior consumidora global de minério de ferro, utilizado na produção de aço, precisa do produto de maior qualidade, menos poluente, para seguir a luta contra a poluição nas cidades.
A corrida por contratos do produto está ganhando ritmo conforme o país busca estabelecer limites de produção em unidades do norte pelo segundo inverno seguido. Essa demanda evidencia como a prolongada guerra à poluição da China está mexendo com os mercados globais de minério de ferro. A cidade de Tangshan, maior produtora de aço, está buscando cortar até 70% da produção das usinas com base nas emissões de carbono das unidades.
O Hebei Jingye Group, uma usina de aço de médio porte em Hebei, está em busca de um contrato com a Vale para fornecimento de minério de ferro de alto teor em 2019, disse um representante da companhia. Ela já fechou em 2018 um contrato para 1,5 milhão de toneladas por finos de minério de ferro da Vale conhecidos como Brazilian Blend, ou BRBF, com 63% de ferro.
“Já nos arrependemos de não ter comprado mais BRBF. Mesmo que não utilizemos tudo, ainda podemos vendê-lo no mercado spot e fazer muito dinheiro, pois os preços subiram muito”, disse Jia Zhanhui, que compra matérias-primas para o grupo Jingye. A Vale disse que está ficando sem oferta imediata de alguns de seus produtos de maior teor devido à forte demanda da China. “As empresas chinesas estão buscando contratos de mais longo prazo devido à qualidade”, disse o diretor-executivo de ferrosos e carvão da Vale, Peter Poppinga.
“Nós já vendemos tudo de Carajás”, afirmou Poppinga, referindo-se a um dos projetos de minério de ferro de alta qualidade da companhia, no Pará, com cerca de 65% de ferro. “Vamos alocar Carajás de acordo com contratos de longo prazo e com oportunidades no mercado spot”, adicionou.
Gigantes
A Vale superou a fabricante de bebidas Ambev e se tornou a empresa mais valiosa da bolsa de valores paulista B3, na última semana. A companhia, que faz parte do grupo das quatro maiores mineradoras globais, deve ser a que mais vai se beneficiar da crescente mudança da China rumo a matérias-primas menos poluentes, devido a seus produtos de maior teor.
A mineradora disse na última semana que está buscando expandir seu emblemático projeto de minério de ferro S11D, no Pará, para atender à demanda chinesa. ”Se você tem um contrato de longo prazo com a Vale em mãos agora, é fácil para você vender no mercado com US$ 5,5 extras por tonelada além dos preços acertados no contrato”, disse um comerciante do Zheshang Development Group, sob anonimato. O preço do minério de ferro com teor de 65% com origem no Brasil subiu 20% desde março, para US$ 96,80 a tonelada na quinta-feira.
O prêmio sobre os finos de minério de ferro com teor de 62% atingiu um recorde de US$ 29 neste mês.
Fonte: Reuters
Estratégia de ação é adiantar 10% das indenizações da tragédia de Mariana
Estratégia de ação é adiantar 10% das indenizações da tragédia de Mariana
O escritório SPG Law, que vai acionar a BHP Billiton britânica na Justiça do Reino Unido pelo desastre do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, pretende adiantar cerca de 10% das indenizações devidas aos atingidos para que eles não se sintam fragilizados e dependentes de acordos desesperados com as mineradoras. A informação é de um dos sócios do escritório anglo-americano, Glenn Phillips, durante reunião com clientes em Mariana, encontro no qual o Estado de Minas esteve presente. “Nós fazemos isso para que as pessoas continuem tendo comida no prato, paguem suas contas, tenham gasolina para seus carros e não fiquem dependendo das migalhas que as empresas jogam em troca de acordos desvantajosos”, disse. Seguindo essa estratégia, o escritório também ganha maior poder de atuação. “Assim que passamos esses recursos, paramos de conversar com eles (BHP Billiton). Daí, dizemos: quer negociar? Só com 5 bilhões de libras sobre a mesa, ou vamos a julgamento”, disse Phillips.
Conforme o EM noticiou com exclusividade na edição de ontem, o escritório SPG Law reúne atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão e seus advogados ao longo de toda a Bacia Hidrográfica do Rio Doce para representá-los numa ação judicial contra o braço britânico da BHP Billiton, que ao lado da Vale controla a mineradora Samarco, a operadora do barramento rompido. Os custos do processo e a reunião de especialistas devem custar para o escritório em torno de US$ 20 milhões, segundo Phillips, mas o valor da causa deve superar os 5 bilhões de libras. Na reunião, o sócio norte-americano do escritório explicou como a soma surgiu, ainda que não se tenha fechado o número de atingidos e nem a gravidade dos danos morais e materiais de cada um. “Isso é porque se trata de uma soma que eles já pagaram antes. Então, não é um valor longe da realidade, mas pode ser ainda maior. Ainda temos muito trabalho a fazer reunindo o máximo de pessoas atingidas. E estamos falando aqui de indenizações de sete dígitos (na casa dos milhões de libras)”, disse.
RECEIO Para o advogado Flávio Almeida, que representa 50 clientes em Mariana, essa forma de agir pode aliviar a situação de muitos pais de família e outros profissionais que têm receio de ingressar com ações ou de cobrar com mais veemência pelos seus direitos. “Há um grande temor de os profissionais serem retaliados, principalmente entre aqueles que trabalham no ramo de mineração, que é muito forte em Mariana. Há um medo velado e até um dizer de que o empregado que é contra uma das mineradoras e entra na Justiça acaba não sendo mais contratado pelas outras empresas. Quem presta ou prestou serviço no setor tem muito esse temor”, disse o advogado.
A ação coletiva deverá ingressar nos tribunais britânicos na primeira semana de novembro, quando o desastre completa três anos. Legalmente, o prazo de prescrição ocorre em 5 de novembro. Mas, mesmo que uma pessoa perca esse prazo, teoricamente ainda poderá requerer uma indenização por meio do acordo coletivo internacional. “Pode ocorrer, neste caso, que esse atingido tenha um montante menor a receber, mas tudo vai depender das negociações ou do julgamento”, disse Phillips.
O sistema de classificação dos atingidos será feito por categorização. Dependendo dos danos morais e materiais, a pessoa entra num nível de reparação por intervalos de valor indenizatório. Dentro de cada categoria, serão especificadas subcategorias com valores específicos. Uma das dúvidas que os atingidos tinham era com relação à sua capacidade de aceitar acordos propostos pela mineradora. Tais ações poderão ser feitas por meio de procurações confiadas aos seus advogados.
Mesmo sendo levada a tribunais britânicos, a ação será julgada segundo a lei brasileira. Isso, segundo o escritório anglo-americano, não significa que as reparações ficarão restritas a valores indenizatórios já previstos pela jurisprudência nacional. “Vai depender mais daquilo que os especialistas que serão contratados e vão nos assessorar julgarem ser justo para cada atingido. Um pescador, uma pessoa que perdeu sua casa, alguém que perdeu um parente”, exemplificou.
O rompimento da Barragem do Fundão despejou cerca de 35 milhões de metros cúbicos de lama e de rejeitos de minério de ferro na Bacia Hidrográfica do Rio Doce, atingindo também a costa brasileira. Nesse que é o pior desastre socioambiental do Brasil, morreram 19 pessoas. Até hoje não foi encontrado o corpo de Edmirson José Pessoa, de 48 anos, que trabalhava para a Samarco havia 19 anos quando ocorreu o desastre. Cerca de 500 mil pessoas foram atingidas.
Resposta rápida e eficiente
Uma situação que pode transcorrer com maior reconhecimento na Justiça britânica do que na brasileira é a das pessoas que não foram diretamente impactadas, como comerciantes e empresários que não estavam no caminho da lama. “Represento casos de pessoas que fizeram acordos de divórcio num patamar de ganhos, mas perderam sua renda depois que a Samarco parou de produzir, após o acidente, e suspendeu os serviços de sua empresa terceirizada. Essa pessoa não consegue mais pagar essas pensões. Tem muita gente que está sob efeito de medicamentos, frequentando psiquiatras”, descreve o advogado Flávio Almeida.
A também advogada Maria Marta da Silva tem uma situação ainda mais dramática. Ela é nascida e criada em Bento Rodrigues, a comunidade que o rompimento simplesmente riscou do mapa. Agora, advoga pelos seus direitos e pelos dos seus pais, que ainda moravam no vilarejo e se salvaram do tsunami de lama e rejeitos de minério de ferro. “Todas as minhas memórias estavam lá: fotografias minhas de infância e dos meus ancestrais. Minhas referências eram lá. Participava com meus pais das festas, dos aniversários. Na festa do padroeiro, a banda almoçava lá em casa e por isso eu ia até Bento um dia antes para ajudar com os preparativos da celebração”, conta. Para ela, o processo no estrangeiro representa uma oportunidade de resposta mais rápida e eficiente. “Temos a expectativa de que lá fora seja mais efetiva (a Justiça). A ineficiência aqui foi muito grande. Até agora não recebi nada, só quem foi atingido diretamente. A Renova é que acabou definindo quem tinha ou não direito à reparação. Por isso tudo, esperamos que a Justiça britânica tenha uma abrangência mais justa”, espera.
Outra questão que causa insegurança aos atingidos é o fato de vários terrenos terem sido inundados para a construção do Dique S4, um dos quatro criados pela Samarco para segurar o fluxo de sedimentos da barragem que ainda está aberta, impedindo esse material de entrar nos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce. “Há terrenos que estão sendo subvalorizados. Isso está criando muitos conflitos, uma vez que são, muitas vezes, terrenos de heranças ainda não divididos pelos espólios, que podem chegar a ter mais de 10 irmãos. Assim, uma parte aceita, a outra acha pouco e não aceita. Há uma insegurança até mesmo sobre a duração do uso desse terreno como dique”, afirma Almeida.
O outro lado
A Samarco esclarece que o Dique S4, que integra o sistema de contenção de rejeitos, foi implementado após a publicação do Decreto Estadual nº 500, de setembro de 2016, que tratava da requisição administrativa dos terrenos. Antes da implementação da estrutura, a Samarco assinou, em setembro de 2016, um Termo de Transação e Ajustamento de Conduta com o Governo de Minas Gerais. Tanto a obra do dique, quanto as avaliações dos imóveis e as indenizações seguiram o que estava estabelecido nestes documentos e foram baseados nas melhoras práticas e normas técnicas aplicáveis.
A empresa afirma que prestou todos os esclarecimentos sobre o assunto ao Ministério Público de Minas Gerais e aos proprietários dos terrenos que foram requisitados administrativamente pelo Governo de Minas.
Fonte: EM
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