sexta-feira, 26 de outubro de 2018


Vale aprova US$1,1 bi para mina de cobre e mais US$ 428 mi projeto de ferro


A mineradora Vale (BOV:VALE3) informou nesta quarta-feira que aprovou investimentos de US$ 1,1 bilhão para a expansão da mina de cobre Salobo, no Pará, em movimento que busca ampliar a produção do metal em meio a expectativas de maior demanda com o desenvolvimento de baterias para carros elétricos no futuro. “Com base em nossa rigorosa estratégia de alocação de capital, acabamos de aprovar o investimento… de alto retorno”, disse a empresa, que busca diversificar suas atividades.
O projeto engloba um terceiro concentrador e utilizará a infraestrutura existente de Salobo, disse a Vale em relatório com resultados do terceiro trimestre. Segundo a mineradora, Salobo III produzirá, em média, aproximadamente 50 mil toneladas/ano de cobre nos primeiros cinco anos, 42 mil toneladas/ano nos primeiros dez anos e 33 mil toneladas/ano durante toda a vida útil da mina.
O início da operação de Salobo III está previsto para primeiro semestre de 2022, assim como um “ramp-up” de 15 meses. No início do mês, a Reuters informou, com base em fontes com conhecimento da situação, que o Conselho da Vale aprovaria a expansão do projeto Salobo. Maior produtora global de minério de ferro e níquel, a Vale informou anteriormente ter intenção de elevar a participação dos metais básicos em seus resultados, especialmente o níquel e cobre.
A Vale ressaltou ainda que receberá da Wheaton Precious Metals um bônus variando de aproximadamente US$ 600 milhões a US$ 700 milhões, depois de atingir determinadas metas de produção –anteriormente, a empresa assinou acordo para vender fluxos de ouro contido no concentrado de cobre produzido em Salobo.
Segundo a Vale, Salobo III antecipará a produção de cobre e ouro do plano de mina original, encurtando assim a vida útil da mina de 2067 para 2052.
A mina Salobo começou suas operações em 2012 e produz cerca de 200 mil toneladas anualmente.

FERRO

A empresa afirmou ainda que aprovou investimento de manutenção de US$ 428 milhões no projeto Gelado, que recuperará aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano de finos de minério de ferro da barragem de rejeitos de Carajás até 2031, a fim de alimentar a usina de pelotização de São Luís (MA), recentemente reiniciada.
Os rejeitos da barragem têm em média 64,3% de teor de ferro, 2% de sílica e 1,65% de alumina.
“A viabilidade econômica do projeto é robusta, pois este irá: permitir a produção de 9,7 Mtpa de minério de ferro com zero distância de transporte e sem uso de caminhões, reduzindo assim os custos e despesas operacionais; reduzir a taxa de mineração na mina de Carajás, evitando investimento de manutenção na substituição de caminhões”, disse a Vale.
Além disso, ressaltou a mineradora, “o projeto também demonstra a flexibilidade dos recursos da Vale –onde até mesmo o rejeito é melhor do que o produto padrão da indústria”.
Gelado começará suas operações no segundo semestre de 2021.

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

A Vale informou que programa de Transformação Digital continuou sua evolução, com a diretoria aprovando sua extensão às operações de metais básicos, no Canadá.
Um adicional de 116 milhões de dólares no investimento corrente plurianual compreenderá a implantação de 15 carteiras de projetos para as operações de Sudbury, disse a empresa.
O programa de Transformação Digital engloba mais de 120 projetos nos segmentos de Minerais Ferrosos e Metais Básicos, totalizando US$ 467 milhões já aprovados para serem gastos até 2023.

S11D

O projeto S11D (incluindo mina, usina e logística associada – CLN S11D) alcançou 98% de avanço físico consolidado das obras no último trimestre, sendo composto pela conclusão da mina e 96% de avanço na logística.
Segundo a Vale, a duplicação da ferrovia alcançou 93% de avanço físico com todos os 63 segmentos da ferrovia duplicados e 53% dos pátios renovados.
O progresso do projeto junto com o ramp-up da mina e planta do S11D, permitiram que os volumes de produção do último trimestre alcançassem um recorde de produção de minério de ferro para um trimestre.
Fonte: Reuters

Preços de frete marítimo global despencam com guerra comercial entre EUA e China


Preços de frete marítimo global despencam com guerra comercial entre EUA e China



O custo de contratação de navios de contêineres despencou 24 por cento ante o pico de vários anos, enquanto as taxas cobradas por navios de matérias-primas recuaram 10 por cento ante máximas em cinco anos, em novos sinais de desaceleração do comércio global com implicações. Enquanto o mundo segue concentrado nas perdas dos mercados acionários nesta semana, a queda nas taxas de fretes, que ocorre em meio à guerra comercial travada pelos Estados Unidos contra a China, além da desvalorização de moedas de mercados emergentes e condições mais restritas de crédito, é um presságio de desaceleração do crescimento econômico global.
No início das cadeias de fornecimento, os navios graneleiros transportam as matérias-primas, como carvão e minério de ferro, das minas para as fundidoras, enquanto os navios de contêineres completam o ciclo transportando a grande maioria dos bens manufaturados globais das fábricas para os consumidores. Os fretes de navios graneleiros e de contêineres subiram para picos em vários anos mais cedo neste ano, mas despencaram desde a guerra comercial entre os Estados Unidos e China se agravou, com ambos os lados impondo altas tarifas de importação sobre centenas de produtos.
“O achatamento do índice de fretes de graneis secos no Báltico e do índice de contêineres sinalizam com certeza para uma desaceleração da economia global”, disse Ashok Sharma, diretor da contratadora de cargas BRS Baxi, em Cingapura. Frederic Neumann, codiretor da Asia Economic Research do HSBC em Hong Kong, afirmou que o “comércio global está esfriando depois de um forte desempenho nos últimos dois anos”.
Ele afirmou que a desaceleração da demanda na Europa e China, dificuldades nos mercados emergentes, bem como as tensões comerciais entre EUA e China estão contribuindo para a desaceleração e acrescentou que “o efeito completo disso ainda não foi sentido”. O índice Harpex Container, que acompanha mudanças semanais nos preços de frete de navios de contêineres, caiu em quase 25 por cento desde junho, quando estava em um pico de sete anos, para 516 pontos.
Já o Freightos Baltic Index, um índice global de contêineres lançado em Cingapura em 2017, subiu para um recorde em agosto, mas desde então caiu 5,4 por cento, para 1.583 pontos.
Os movimentos no mercado de contêineres tendem a refletir mudanças nas economias desenvolvidas enquanto no caso dos navios de granéis sólidos representam mais países emergentes, afirmam analistas de logística. O Baltic Dry Index, que mede custos de frete para navios que transportam minério de ferro, carvão e outros minerais, caiu 13 por cento depois de atingir o maior pico desde janeiro de 2014. Leszczynski afirmou que a queda nos fretes de granéis secos está mais relacionada a tendências nos mercados emergentes, onde as moedas de países como a Índia, Indonésia e Paquistão despencaram contra o dólar este ano, reduzindo a capacidade de pagamento de importações.
Por outro lado, os fretes de petroleiros estão se segurando, conforme companhias tentam comprar o maior volume possível de petróleo antes da reimposição de sanções dos Estados Unidos contra as exportações do Irã, em 4 de novembro. Porém, o sinal de risco para a economia global continua. “O frete de petroleiros tipicamente tem uma defasagem de alguns trimestres em relação ao índice de granéis sólidos”, disse Sharma, do BRS Baxi.
Fonte: Reuters


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Punida pelo Ibama, mineradora Norsk Hydro tem crescimento do lucro



Punida pelo Ibama, mineradora Norsk Hydro tem crescimento do lucro

O lucro da mineradora norueguesa Norsk Hydro no terceiro trimestre, divulgado nesta quarta-feira, superou as previsões e atingiu 1,18 bilhão de reais, puxado pelo aumento dos preços dos metais. A empresa produtora de alumínio, no entanto, ainda não tem previsão de quando usina de alumina, localizada no Pará, poderá retomar sua produção total.
O lucro da empresa antes de juros e impostos (Ebit) ficou em 1,18 bilhão de reais, contra 0,8 bilhão de reais esperados pelo mercado. No terceiro trimestre de 2017, o Ebit da companhia ficou 1,06 bilhão de reais.
A empresa obteve permissões do Ibama no início deste mês para reiniciar as operações com metade da capacidade em sua refinaria de alumina Alunorte, a maior do mundo.
A retomada foi a mais recente reviravolta em uma disputa ambiental de meses com as autoridades brasileiras, depois que a fabricante de metais admitiu ter feito descartes não autorizadas de água não tratada durante chuvas severas em fevereiro. Na ocasião, o Ibama aplicou uma multa de 20 milhões de reais à companhia. “O mercado de alumínio está apertando, e esperamos que o mercado primário global de 2018 seja deficitário”, disse o presidente-executivo da companhia, Svein Richard Brandtzaeg, em comunicado. “Continuamos o diálogo com as autoridades com o objetivo de retomar a produção plena na Alunorte, mas o momento permanece incerto”, acrescentou.
Fonte: Veja


Randgold e Barrick criam a maior mineradora de ouro do mundo

Randgold e Barrick criam a maior mineradora de ouro do mundo




A compra de 75% das ações da britânica Randgold Resources pela canadense Barrick Gold cria a maior mineradora de ouro do mundo. O negócio é avaliado em US$ 18 bilhões, de acordo com informações do mercado.
Ambas empresas fazem extração de aproximadamente 182 milhões de quilos do metal por ano. A Barrick e a Randgold esperam que a fusão lhes permita reduzir custos e aumentar as margens de lucro, em um ano que a queda do preço de ouro tem sido constante.
As minas da Barrick estão localizadas nas Américas. Já os ativos da Randgold, na África – e considerados em locais de maior risco.
Fonte: Revista Minérios

Grafita no Brasil: oportunidades para programas de exploração mineral

Grafita no Brasil: oportunidades para programas de exploração mineral




O mineral grafita (ou grafite), pode ser incluído numa lista apelidada de “substâncias portadoras de futuro” onde se inclui os metais lítio, cobalto, metais do grupo da platina, molibdênio, nióbio, silício (grau solar, pureza 99.99%), tálio, tântalo, titânio e vanádio.
Grafita é uma variedade alotrópica natural do carbono; a outra é o diamante. São substâncias de mesma composição química (carbono) mas organizadas em sistemas cristalinos distintos que se reflete, entre outras coisas, nas suas propriedades físicas. É mineral não metálico muito versátil cujas características são: condutividade elétrica e térmica elevadas (superiores), inércia química (alta resistência à corrosão), excelente lubrificante natural e ponto de fusão elevado (3.650oC), entre outras.
Há dois tipos de ocorrências comuns: grafita cristalina que ocorrem em terrenos geológicos de alto grau metamórfico e grafita micro cristalina encontrada em terrenos geológicos de baixo grau metamórfico.
Nesse contexto existem três formas naturais de grafita:
  • Amorfa (conteúdo de carbono entre 65 e 85%) – pureza mais baixa, preço baixo e tendência de baixa demanda no mercado);
  • flake (conteúdo de carbono > 85%) – alta demanda, produto mais procurado pelo mercado;
  • lump ou veio (conteúdo de Carbono > 95%) – mercado específico, baixa demanda e crescimento discreto.
Segundo dados do USGS (https://minerals.usgs.gov/minerals/pubs/mcs/2018/mcs2018.pdf), em 2017 o Brasil ocupou a terceira posição no ranking dos maiores produtores globais de grafita (95.000 TM –Toneladas Métricas) atrás da China (780.000 TM) e Índia (150.000 TM). Nessa mesma publicação, o preço de importação pago pelos americanos (dólar médio por tonelada métrica no porto de origem) foi de US$ 1400/TM (flake), US$1800/TM (lump) e US$ 392/TM (amorfa).
O interesse do mercado da indústria mineral por grafita vem crescendo ultimamente em boa parte pela expectativa de produção de baterias visando a armazenar energia eólica, solar e, especialmente, para atender produção de veículos elétricos e híbridos e aparelhos eletrônicos de uso pessoal (computadores, celulares etc.).
Um aspecto que pode impactar o mercado de grafita é o fato de que o governo chinês ter políticas restritivas para controle de exportações e que deve se tornar mais severa pela “guerra comercial” (medidas protecionistas) deflagrada recentemente pelo EUA contra China.
Segundo a publicação do USGS (acima citada), não há minas de grafita em produção nos Estados Unidos e, no período entre 2013 e 2016, visando a atender demandas de suas indústrias, importaram grafita da China (37%), México (31%), Canadá (17%), Brasil (8%) e outros países (9%).
Os mercados americanos e europeus classificam o mineral grafita como “material estratégico” tanto para a indústria como para propósitos de segurança nacional.
Esse cenário favorece (cria atratividade) para desenvolvimento de programas de exploração mineral com expectativas de gerar novos depósitos, para compensar eventuais restrições do mercado chinês às exportações para atender demandas em ascensão de baterias recarregáveis para veículos elétricos.
Esse contexto estimula uma análise preliminar para avaliar terrenos geológicos com vocação para hospedar mineralizações de grafita no território brasileiro. A base de dados disponibilizadas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) permite rastrear registros de cadastramento de ocorrências minerais e dados de geologia básica, a partir da integração e processamento desses dados vetorizados em qualquer plataforma GIS.
O resultado desse processamento a partir de dados de todas as “Cartas Geológicas do Brasil ao Milionésimo” revela 266 registros de ocorrências de grafita no Brasil (classificadas, segundo critérios da CPRM em: 31 depósitos minerais, 230 ocorrências e 5 indícios de mineralização – ver círculos amarelos no mapa da figura publicada neste texto).
Para rastrear as minas de grafita em produção o melhor caminho é acessar os dados de controle de direitos minerários disponibilizados pelo DNPM (Agencia Nacional de Mineração) para todos os Estados e Distrito Federal. O resultado desse processamento (visita Sigmine em 10 setembro 2018) identifica 433 processos ativos no DNPM com substância declarada com grafita, dos quais 29 tramitam na fase de Concessão de Lavra.
O fato de uma mesma empresa ter processos contíguos na fase de concessão de lavra não permite afirmar que existem 29 minas de grafita em operação; então, o cruzamento dos dados vetoriais referentes aos polígonos que identificam as concessões de lavra com imagem Google (por exemplo) possibilita individualizar cavas/pits, usinas de processamento e barragem de rejeitos.
Todas essas concessões de lavra para grafita estão distribuídas para seis empresas das quais três delas desenvolvem operação de lavra em seis minas (ver figura) posicionadas na divisa dos estados de MG e BA (Pedra Azul/MG – Salto da Divisa/BA) e as outras 3 minas localizadas a sudoeste de Belo Horizonte (Itapecerica e Itaúna/MG).
O posicionamento das minas ativas e a distribuição das outras áreas que tramitam no DNPM em fases de Concessões de Lavra, Requerimentos de Lavra e Relatório Final de Pesquisa Positivos mostram relação com terrenos geológicos caracterizados por alto grau metamórfico (fácies Granulito e Anfibolito).
A partir dessa informação, é possível realizar filtros na base de dados vetorizados, via tabela de atributos dos shapefiles, para identificar unidades geológicas de alto grau metamórfico. O resultado desse processamento permite identificar belts granuliticos (e anfibolíticos) que, conforme mostrado acima, são alvos potenciais para prospectar mineralizações de grafita flake (ou lump) em todo território brasileiro.
Nota: A figura mostra apenas 2 símbolos de minas (triângulos vermelhos) na região de Itaúna pelo fato de as duas minas estão posicionadas muito próximas na região de Itapecerica e a escala do mapa não permite distanciar um dos símbolos.
Cabe ressaltar que o posicionamento de parte significativa das ocorrências minerais cadastradas pelo projeto da CPRM coincide com os belts de alto grau metamórfico (granulítico & anfibolítico) indicados pelo processamento (filtros) realizados.
Ocorrências de grafita posicionadas fora das faixas granulíticas, em boa parte, estão associadas a faixas de rochas caracterizadas por baixo grau metamórfico (fácies xisto verde).
Não temos dúvida de que, em razão da importância estratégica da grafita para a indústria em geral, há ambiente geológico atrativo para desenvolvimento de programas de exploração em extensas áreas com potencial prospectivo.
Justificados os orçamentos (com base em expectativas de mercado e interesse de empresas) o próximo passo é pegar o martelo, a botina e ir para campo. A chance de se alcançar resultados é real (dentro dos riscos inerentes a esse investimento).
Fonte: Revista Minérios