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domingo, 5 de janeiro de 2020
A cidade da Alemanha construída com 72 mil toneladas de diamantes
A cidade da Alemanha construída com 72 mil toneladas de diamantes
Matthew VickeryBBC Travel
Direito de imagemISTOCK
Enquanto subo as estreitas escadas da torre da igreja gótica de Nördlingen, no sul da Alemanha, os degraus de pedra parecem brilhar ao sol, fazendo inesperados raios de luz iluminarem o que deveria ser uma subida escura.
"Isso é porque a torre inteira é feita de pedras com pequenos diamantes dentro delas", diz Horst Lenner, um entusiasmado guarda do prédio. "Por sorte (os diamantes) são muito, muito pequenos, senão acho que a torre já teria sido derrubada há muito tempo", brinca, com um amplo sorriso no rosto.
Lenner fala de brincadeira, mas diz uma verdade: durante a construção do povoado, que nos registros aparece como datada do século 9, seus moradores não perceberam que as pedras eram formadas por milhões de pequenos diamantes - é uma concentração sem igual.
Do alto da torre, essa pequena cidade alemã - de 19 mil habitantes - é um cartão postal de tranquilidade.
Mas foi um evento violento o responsável por essa inusitada característica de Nördlingen: o impacto de um asteroide com a Terra há 15 milhões de anos.
Direito de imagemISTOCKPedras brilhantes
Viajando a uma velocidade estimada de 25 km por segundo, o asteroide de 1 km de comprimento bateu no solo com força, formando uma cratera de 26 km de diâmetro. É nesse ponto que fica o povoado de Nördlingen.
O impacto submeteu o solo rochoso a tanto calor e a tanta pressão que bolhas de carbono dentro das pedras se converteram em pequenos diamantes - todos com menos de 0,2 milímetros, quase invisíveis ao olho humano.
Como não sabiam que a pedra, chamada suevita, estava salpicada de diamantes, os moradores construíram edifícios quase que completamente com essa rocha, fazendo de Nördlingen um povoado sem igual em quase todo o planeta.
"Tudo o que está dentro dos muros da cidade foi feito com a rocha que foi impactada pelo asteroide", conta Roswitha Feil, moradora da cidade.

Mas ainda mais estranho é o fato de que os moradores só descobriram recentemente a origem da cratera onde foi erguida a cidade onde vivem.
Como nunca haviam pensado seriamente sobre o brilho proveniente de suas casas, eles estavam convencidos de que o povoado havia sido construído na cratera de um vulcão extinto. A história só mudou quando os geólogos americanos Eugense Shoemaker e Edward Chao visitaram a cidade, na década de 1960.
Depois de estudar a paisagem à distância, os cientistas notaram que a cratera não cumpria os critérios próprios de uma vulcão. Então eles viajaram até o local para provar sua tese: a de que o buraco havia se formado de cima para baixo.
A dupla não precisou de muito tempo para confirmar a hipótese: ao explorar o muro da igreja de Nördlingen, imediatamente descobriu o acúmulo de pedras preciosas.
Direito de imagemGETTY IMAGES
"Na escola, nos ensinaram que nossa terra é assim por causa de um vulcão", lembra Feil. "Mas depois que se descobriu que era por causa de um asteroide, todos os livros de história foram mudados", conta.
Pouco depois da visita dos americanos, geólogos locais estimaram que os muros e prédios da cidade continham aproximadamente 72 mil toneladas de diamantes.
Lugar único
A suevita pode ser encontrada em outras partes do mundo, onde ocorreram impactos semelhantes, mas não há nenhum lugar com concentração tão grande de pedras preciosas como Nördlingen.
E caminhando pelas ruas tranquilas depois de descer da torre, protegido do frio pelas casas coloridas de seu centro histórico e do muro que rodeia Nördlingen, posso ver como as paredes brilham toda vez que os raios de sol passam por entre as nuvens.
"É algo único", me diz Stefan Hölzl, geólogo e diretor do museu RiesKrater. Abrigado em um estábulo do século 16, o espaço educa seus visitantes sobre como o impacto do asteroide mudou o futuro da cidade. Em seis locais há vitrines com pedaços do meteorito.
Direito de imagemISTOCK
"Há lugares no mundo onde esse tipo de material foi usado em construções, mas nunca na mesma proporção daqui", diz Hölzl, enquanto vemos as vitrines. "Aqui se utilizou as pedras em toda a cidade", acrescenta.
E não são apenas os prédios que refletem eventos de milhões de anos atrás.
Além do muro da cidade, florestas de pinheiros e coníferas que lembram o período Jurássico rodeiam a cratera, alimentadas pelo solo extremamente fértil da região atingida pelo asteroide. Pedreiras e minas de suevita estão distribuídas pela paisagem.

Hölzl me diz que a cratera de Nördlingen é tão particular que os astronautas das missões Apollo 14 e Apollo 16 visitaram o local antes de viajar para a Lua. A ideia era se familiarizar com as rochas que eles poderiam encontrar no espaço e saber quais deveriam trazer de volta para a Terra.
"Recebemos visitas da Nasa. Astronautas da Agência Espacial Europeia estiveram aqui há duas semanas", conta o cientista antes me levar a uma sala do museu onde se exibe uma pedra lunar, recordação de uma das missões Apollo à Lua.

Apesar de tudo, muitos habitantes parecem não dar grande importância ao fato de viverem rodeados de milhões de pequenos diamantes.
"Nós os vemos todos os dias, para a gente não é nada de especial", me diz uma mulher enquanto sai da igreja.
Para Hölzl, que vivia em Munique antes de se mudar para Nördlingen, causa surpresa a ideia de que a pessoas não se importam com a geologia única do local. "Eles não acreditam que seja algo importante, e se perguntam por que tanta gente de todo o mundo visita a cidade", diz.
Segundo ele, Nördlingen é tão importante quanto a pedra lunar exposta no museu que dirige. "A verdade é que tudo aqui está conectado com eventos que ocorreram há milhões de anos. O presente é um produto do passado."
Fonte: BBC
sábado, 4 de janeiro de 2020
Um kimberlito que não falha
Um kimberlito que não falha
Letseng é um kimberlito excepcional. A jazida está situada no montanhoso Lesotho, um enclave da África do Sul e tem uma história bastante peculiar.
Letseng é um desses kimberlitos de baixíssimo teor.
Imagine só que cem toneladas de minério produzem 3 quilates de diamante, apenas 600 miligramas.
Some a esse problema o fato de que em Letseng o tamanho médio das pedras é elevado e veremos que são necessárias milhares de toneladas para termos alguma produção de diamante.
Foi essa característica ímpar que literalmente matou vários programas de pesquisa efetuados neste kimberlito ao longo de 20 anos. Os geólogos não conseguiam entender qual seria o volume médio a ser amostrado para a obtenção de um teor médio.
Vários tentaram e somente um conseguiu.
A equipe que teve sucesso calculou que seriam necessárias, no mínimo, 1 milhão de toneladas de amostra para se ter um estudo representativo sobre os teores a qualidade e tamanho das pedras de Letseng, parâmetros fundamentais para a construção de um cash flow preciso.
Em outras palavras, o minerador teve que fazer uma lavra piloto para obter esses dados.
Foi essa percepção e enorme investimento que transformaram Letseng em uma das minas mais bem sucedidas de diamantes do mundo.
Eles descobriram que o kimberlito estatisticamente produz pedras enormes com alta qualidade. O sonho de todo o minerador.
Pois foi, mais uma vez, em Letseng que o mundo viu maravilhado a venda de mais uma pedra de grande tamanho.
A foto mostra um diamante branco com 314 quilates, de altíssima qualidade, que foi vendido nesta semana por US$19,3 milhões de dólares. Já é o segundo diamante, maior que 300 quilates, descoberto em Letseng neste ano.
Apesar da idade a mina continua a pleno vapor. Um recente programa de sondagem exploratória ampliou as reservas de Letseng até 350m de profundidade.
Kimberlito com Diamante
Fonte: Geologo.com
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