quarta-feira, 4 de março de 2020

Ibovespa volta a patamar pré-Carnaval; IRB Brasil perde R$8 bi em valor de mercado

Ibovespa volta a patamar pré-Carnaval; IRB Brasil perde R$8 bi em valor de mercado



Ações4 horas atrás (04.03.2020 19:03)

© Reuters. Fachada da B3, a bolsa de valores de São Paulo© Reuters. Fachada da B3, a bolsa de valores de São Paulo
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou com o Ibovespa em alta nesta quarta-feira, acompanhando Wall Street e com exportadoras entre as maiores altas diante de nova máxima do dólar ante o real, enquanto IRB Brasil (SA:IRBR3) RE despencou mais de 30% diante de uma grave crise de confiança na resseguradora.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,6%, a 107.224,22 pontos, recuperando níveis pré-Carnaval. O volume financeiro somou 29 bilhões de reais, sendo que apenas as ações do IRB Brasil RE negociaram o equivalente a 2,9 bilhões de reais.
Em Nova York, resultados de primárias que colocaram o moderado Joe Biden como potencial candidato do Partido Democrata para disputar a eleição norte-americana contra o presidente Donald Trump, republicano, trouxe ânimo aos negócios. Agentes financeiros ainda digeriram o corte de juros pelo Federal Reserve na véspera, em razão do surto do coronavírus.
"O mercado sofreu na terça-feira com o inesperado corte de juros pelo Fed, imaginando que o BC norte-americano estaria vendo uma desaceleração maior que a esperada e na expectativa do resultado da Super Terça. Hoje, já acordou mais tranquilo com o resultado e sinalização de união entre democratas", citou o gestor Ricardo Campos, sócio na Reach Capital.
Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 4,2%.
Em meio a preocupações sobre os reflexos no Brasil do surto global do novo coronavírus e com a atividade local ainda frágil, conforme mostraram dados do PIB de 2019, também repercutiu comunicado do Banco Central que destacou que monitora atentamente os impactos do coronavírus nas condições financeiras e na economia brasileira
"A nota enviada pelo Banco Central mostra uma clara mudança em relação ao último comunicado, de que pararia o ciclo de afrouxamento monetário, e ajuda a alta das ações, bem como a valorização do dólar ante o real", acrescentou Campos, da Reach.
No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta de 1,55%, a 4,5806 reais, cotação nominal recorde. No ano, o dólar spot dispara 14,15%, o que coloca o real na liderança isolada das maiores perdas entre 33 rivais da divisa dos EUA.
DESTAQUES
- IRB BRASIL RE ON afundou 31,96%, perdendo mais de 8 bilhões de reais em valor de mercado, após a Berkshire Hathaway afirmar que não é acionista da resseguradora brasileira e nem pretende ser. A notícia foi a mais recente de uma série de ruídos relacionados à companhia, incluindo a renúncia do presidente do conselho de administração e questionamentos de uma gestora sobre as informações financeiras prestadas pela empresa. No ano, o papel recua 51%.
- VALE ON (SA:VALE3) avançou 4,79%, na esteira da alta dos preços de minério de ferro na China, em meio a expectativas de estímulos para reavivar aquela economia. No setor, CSN ON (SA:CSNA3) subiu 1,23%, tendo ainda no radar resultado trimestral após o fechamento do pregão. Analistas esperam, em média, lucro líquido de 677,5 milhões de reais, segundo dados da Refinitv. USIMINAS PNA (SA:USIM5) ganhou 7% e GERDAU PN (SA:GGBR4) subiu 4,98%.
PETROBRAS PN (SA:PETR4) fechou em alta de 3,22%, enquanto PETROBRAS ON (SA:PETR3) subiu 2,62%, resistindo ao enfraquecimento dos preços do petróleo no exterior. A petrolífera também divulgou que suas exportações de petróleo superaram 690 mil barris por dia, destacando os "patamares elevados" apesar do "período desafiador para a economia global".
- BRADESCO PN (SA:BBDC4) subiu 1,1% e ITAÚ UNIBANCO PN valorizou-se 0,96%, abandonando a fraqueza do começo da sessão e endossando alta do Ibovespa, dado o peso relevante que ambos detêm na composição do índice.
- SUZANO (SA:SUZB3) PAPEL E CELULOSE saltou 9% e KLABIN UNIT (SA:KLBN11) subiu 6%, uma vez que ambas as companhias se beneficiam da alta do dólar, bem como podem ver aumento na demanda para determinados produtos em razão do surto de coronavírus, como papel tissue.

Fonte: Reuters

Comprar ações em correções do mercado funciona 82% das vezes

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Por Gustavo Kahil
04/03/2020 - 12:12
Mercados sobe e desce
Desde a máxima de 119.527 pontos do Ibovespa (IBOV) em 23 de janeiro, o índice já acumula uma desvalorização de 11,7% (Imagem: Unsplash/@hvaandres)
Os mercados globais estão em pânico sobre as incertezas trazidas pelo impacto do novo coronavírus sobre as empresas e economias. Esta forte correção dos mercados, contudo, também pode ser um enorme sinal de “compra”, indica o Credit Suisse em um relatório obtido pelo Money Times.
Desde 1990, em média, a compra de ações quando o mercado apresenta queda de 10% (a partir do pico) funcionou 82%. Os papéis tendem a subir, nos três meses seguintes, aproximadamente 5,6%.
Desempenho do S&P 500 após uma queda de 10%
Fonte: Refinitiv e Credit Suisse
Os números têm como base o índice S&P 500, o mais acompanhado em Wall Street e que também serve como uma referência global.
Desde a máxima de 119.527 pontos do Ibovespa (IBOV) em 23 de janeiro, o índice já acumula uma desvalorização de 11,7%.
O BC dos EUA realizou o primeiro corte de juro entre reuniões desde 2008 (Imagem: Reprodução/Facebook Board of Governors of the Federal Reserve System)

Incertezas

Federal Reserve, na terça-feira (3), realizou um corte emergencial de 0,5 ponto percentual no juro, levando-o a um patamar entre 1% e 1,25%.
Foi a primeira redução entre reuniões desde 2008.
Além disso, o Goldman Sachs cortou as projeções para a demanda global por petróleo. O banco prevê uma queda de 150 mil barris por dia.
Desde 1984, a demanda por petróleo tem crescido todos os anos, exceto em três ocasiões: em 2008 e 2009, durante a crise financeira global, e em 1993, quando os EUA se recuperavam de uma recessão.

Fonte: MONEY  TIMES