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domingo, 23 de abril de 2017

A desconhecida Gemologia

A desconhecida Gemologia

Muito antes do tempo dos Faraós, o homem já descobrira métodos, bem elaborados, de substituir a pedra preciosa e o ouro por imitações que, para a época, eram consideradas perfeitas. Com o passar dos séculos, tornou-se uma praxe necessária reis e conquistadores de impérios terem sempre em seus fabulosos reinos um mago alquimista que possuísse poderes e detivesse a sabedoria da ciência para que, com seus complicados métodos científicos, fosse capaz de desvendar as mais complicadas reações da natureza e distinguir, dentre os tesouros conquistados, o que realmente era precioso.
Para termos idéia da incansável busca do homem pela fórmula capaz de dominar a natureza, ou de pelo menos tentar reproduzi-la, Auguste Louis Verneuil em 1894, observou que fundindo óxido de alumínio (Al2O3) em temperatura elevada, similar à exercida pela terra em seu subsolo, poderia daí obter um resultado extraordinário – O Corindon Sintético – que seria a notícia mais revolucionária da época para o setor joalheiro. O sistema conhecido como "fusion", até os meados dos anos 40, era a mais perfeita "imitação" do rubi, capaz de passar desapercebido aos olhos dos mais experientes joalheiros europeus. Com isso, o mercado de jóias e pedras preciosas na Europa entrou em pânico, obrigando o setor a tomar algumas atitudes, que se tornaram praxe do mercado joalheiro, até pouco tempo, de adquirir qualquer tipo de gema apenas dos comerciantes tradicionais que estavam  estabelecidos e conhecidos pelas suas "idas e vindas" das minas das pedras preciosas. Isso não foi o suficiente para conter a grande desconfiança que assolava o mercado joalheiro internacional, sendo criada então na Inglaterra, na década de 20, pelo British Goldsmith Union (Sindicato dos Ourives e Joalheiros da Inglaterra), a primeira escola de Gemologia. O efeito produzido no mercado por esses gemólogos – "magos", se comparados àqueles dos tempos medievais – foi o antídoto perfeito que se espalhou por outros países como os Estados Unidos (1931), onde foi criado o GIA – Gemological Institute of America – com seu revolucionário método de ensino à distância, difundindo a ciência da Gemologia para centenas de milhares de "magos" de diversas nações. Em seguida foi a vez da Alemanha, URSS, Hong Kong, Japão, Bélgica, entre outros.
Hoje, mais de 100 anos depois de Verneuil, as coisas se complicaram bastante para nós gemólogos, pois ao contrário daquele rubi sintético produzido de forma muito rudimentar e de fácil identificação, os russos, suíços, japoneses e americanos desenvolveram, utilizando a mais alta tecnologia, rubis, safiras, esmeraldas, diamantes, quartzos de todas as cores imagináveis, sem contarmos com os materiais denominados "de imitação" tornando-se assim cada vez mais complexas as técnicas exigidas para separar o "joio do trigo".
A Gemologia, contudo, é um instrumento fabuloso para manter a segurança e a confiança exigida pelo mercado joalheiro, porém, no Brasil, poucos ainda detêm o conhecimento necessário para se intitularem "gemólogos". O mercado deve ficar atento com aqueles que, através de farta assimilação literária, assim se intitulam, principalmente no meio daqueles que possuem carência e insegurança de informações mercadológicas.
Os gemólogos devem possuir, além de aparelhos técnicos (e saber manejá-los com destreza), grande experiência de mercado, pois somente a árdua manipulação diária de centenas de pedras naturais, sintéticas e imitações poderão dar subsídio e conhecimento necessário para o diagnóstico de uma gema sintética ou natural, em apenas alguns minutos. Aos olhos do leitor, talvez a inexperiência do profissional não pareça de suma importância, porém, no momento de identificar e assegurar ao cliente através de um documento (certificado) que tal gema não é o diamante, ou rubi, ou safira, ou esmeralda, ou alexandrita de US$80.000 que parecia ser e sim uma Moissanita, ou outro material qualquer de apenas US$1.500, teremos que recorrer – além da experiência prática - a todos os nossos embasamentos conceituais e tecnológicos disponíveis, pois por qualquer deslize, o prejuízo de uma das partes poderá ser imensurável.
Antigamente - voltando aos tempos medievais - se os magos emitiam uma opinião errada que levava a sua Majestade a assumir prejuízos, eram condenados à decapitação. E hoje? O que aconteceria?? Ao gemólogo, na melhor das hipóteses, caberia interpretação do poder judiciário. Quanto ao cliente, a certeza de ter sido lesado, assumindo provavelmente um prejuízo milionário, que talvez fosse descoberto somente muitos anos mais tarde...

BENEFICIAMENTO DE DIAMANTES

BENEFICIAMENTO DE DIAMANTES



O comportamento do carbono na natureza sempre foi um assunto fascinante e desafiador para os estudiosos da Ciência Físico-Química.
Esse elemento químico se apresenta sob as formas, amorfas, lamelares e cristalinas, dependendo das condições de pressão, de temperatura e da presença, ou não, do oxigênio no momento de sua estruturação molecular.
O grande fascínio para humanidade é a forma cristalina - o enigmático e fascinante diamante, formado nas profundezas da terra, sob alta pressão, temperaturas elevadas e tempo de residência ou, melhor dizendo, tempo de permanência naquelas condições para estruturação das várias formas cristalinas. A maior ou menor pureza do cristal depende da composição química do magma vulcânico que envolve o cristal de diamante em formação e do tempo de exposição do mesmo àquelas condições.
As principais formações cristalinas do carbono são encontradas nos cones vulcânicos - os Kimberlitos, que, com o passar dos milênios, submetidos à erosão e metamosfismos diversos, liberam os cristais de diamante para as áreas circunvizinhas, concentrando-os, por ação da gravidade, nos leitos dos rios e cavidades rochosas.
O grande desafio para os pesquisadores foi a criação em laboratório das condições idênticas da formação dos cristais de diamante na natureza, sem deixar seqüelas, isto é, pistas capazes de denunciar a intervenção do homem.
Após anos de pesquisas conseguimos criar em laboratório essas condições, reproduzindo fielmente as condições do magma vulcânico, no interior do Kimberlito, durante a formação do cristal. Reproduzimos as condições físicas e químicas do interior do vulcão mas, logicamente, o fator tempo de contato (tempo de exposição entre o magma e o diamante) é importantíssimo e não temos condições de suprir esse detalhe, por isso criamos um ambiente químico capaz de acelerar as reações, entrando em ação a cinética química, a aceleração das reações química para compensar o fator tempo.
Aí entram em ação os reagentes químicos especialmente sintetizados para esse fim.
Esses reagentes irão compensar o exíguo tempo de exposição, catalisando e acelerando as reações físicas e químicas, criando condições de limpeza e purificação dos cristais e, muito importante, a perda em peso, quando acontece, é da ordem da terceira casa decimal do quilate. (Praticamente não há).
Entretanto, os resultados do beneficiamento são sempre imprevisíveis, dependem do sistema cristalino, da formação e da origem da pedra, do tipo de pigmento e das inclusões na rede cristalina formadora do cristal.
Nossa experiência tem demonstrado que cada pedra fornece um resultado diferente, como se o diamante tivesse características próprias, pedra a pedra.
Diríamos que não existem dois cristais de diamante capazes de fornecer resultados idênticos.
Cada pedra é uma pedra, uma caixa preta cujo resultado ou rendimento do tratamento é imprevisível. Porém, sempre se observa valor econômico agregado ao diamante após a operação de tratamento, com a vantagem da impossibilidade de detecção em laboratório de qualquer alteração do diamante provocada pelo homem, exatamente por o processo utilizado imitar a ação da natureza, havendo apenas uma diferenciação no fator tempo para purificação do diamante. O diamante industrial da região de Juina, por exemplo, após tratamento, passa à fazenda fina com uma valorização em torno de 1.000% (mil por cento).

Missão comercial espera atrair R$ 500 mi em investimentos de canadenses na mineração de Mato Grosso

Missão comercial espera atrair R$ 500 mi em investimentos de canadenses na mineração de Mato Grosso


Foto: Reprodução/Internet/Ilustração
Missão comercial espera atrair R$ 500 mi em investimentos de canadenses na mineração de Mato Grosso
Mato Grosso espera atrair R$ 500 milhões em investimentos durante a Prospectors and Developers Association of Canada (PDAC), em Toronto (Canadá), entre os dias 04 e 08 de março. A feira é considerada uma das maiores do segmento de mineração do mundo. A perspectiva de empresários do setor é que haja uma interação com novos parceiros que proporcione a entrada de novas tecnologias no mercado de extração de minerais, como é o caso do ouro.

Aproximadamente 35 pessoas compõe a Missão Comercial para o Canadá que visa apresentar o potencial mineral de Mato Grosso, entre representantes do Governo do Estado, empresários e prefeitos. A caravana é realizada por meio de uma parceria da Desenvolve MT (antiga MT Fomento) com a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

O Prospectors and Developers Association of Canada (PDAC) representa os interesses da indústria canadense de desenvolvimento.

Presidente da Desenvolve MT, Mario Milton Mendes. (Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto)

“O objetivo da Missão Comercial é a prospecção de projetos, que é uma das metas da Desenvolve MT. Cada um, seja prefeito, empresário ou nós mesmos do governo de Mato Grosso, irá apresentar o seu potencial”, pontua o presidente da Desenvolve MT, Mario Milton Mendes.

Para o prefeito de Alta Floresta, Aziel Bezerra, a Missão Comercial pode atrair investimentos para o município cuja economia gira 80% em torno, aproximadamente, da agropecuária e prestação de serviço. Segundo Bezerra, a mineração representa apenas 2% da economia do município.

“Alta Floresta tem ainda cerca de 80% do ouro em profundidade para ser explorado. Além disso, há jazidas de manganês, cassiterita, por exemplo, que também podem ser exploradas no município. A vinda de investimentos pode elevar para 50% a participação da mineração na economia do município”, comenta ao Agro Olhar o prefeito Aziel Bezerra.

 Gilson Camboim representante da Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto.
(Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto)

Novas tecnologias

A região de Peixoto de Azevedo é hoje considerada uma das maiores produtoras de ouro do país. Em 2016 foram captadas 7 toneladas de ouro, enquanto em 2015 haviam sido cerca de 4 toneladas, conforme Gilson Camboim, um dos representantes da Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto.

“A Missão Comercial no Canadá para nós significa uma oportunidade de buscar parceiros que proporcionem novas tecnologias para a extração, além de melhorar o trabalho de pesquisa”,  afirma Camboim. Questionado sobre o aumento de ouro captado na região de Peixoto de Azevedo ele comenta que o crescimento decorreu ao melhoramento de alguns equipamentos utilizados, bem como a campanha de legalidade da atividade.

Mato Grosso produz 87,2% do diamante brasileiro e quer implantar escola de design de joias

Mato Grosso produz 87,2% do diamante brasileiro e quer implantar escola de design de joias



Foto: Reprodução/Internet/Ilustração
Mato Grosso produz 87,2% do diamante brasileiro e quer implantar escola de design de joias
Responsável por 87,2% da produção nacional de diamantes, Mato Grosso deve implantar escola de design e ourivesaria em 2018. De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), o Estado possui garimpos e minas com exploração contínua há cerca de dez anos nos distritos diamantíferos de Juína, Alto Araguaia e Chapada dos Guimarães.


Dados mais recentes do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) revelam que Mato Grosso em 2014 foram produzidos 49.637 quilates (cts), o equivalente a 87,2% dos 56.923 quilates produzidos no Brasil.

Os principais distritos diamantíferos de Mato Grosso, segundo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), estão localizados nas regiões de Juína, Chapada dos Guimarães, Paranatinga, Nortelândia/Diamantino, Poxoréo, Alto Araguaia, além do Rio das Garças (seu curso percorre municípios como Alto Garças, Guiratinga, Tesouro, General Carneiro, Pontal do Araguaia e Barra do Garças).

Ainda conforme a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), existem 156 garimpos /minas de diamantes de Mato Grosso cadastrados por meio do Projeto Diamante Brasil, além de quatro campos kimberlíticos e 117 corpos kimberlíticos.

“Além de sermos o maior produtor de diamantes, temos potencial enorme de crescimento. Ao contrário de Minas Gerais, por exemplo, nós temos ainda um limite de exploração muito grande. Hoje, produzimos 49 mil quilates, mas já chegamos a produzir 500 mil quilates”, comenta o presidente da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), Marcos Vinícius Paes de Barros.

Marcos Vinícius comenta que há um projeto para montar em 2018 uma Escola de Design e Ourivesaria. “Na parte de mineração das gemas, como diamante, ametista e quartzo, por exemplo, nós temos uma escola de gemologia, ou seja, lapidação e estamos tentando implantar uma de ourivesaria e design. Seria uma etapa seguinte ao processo de transformação da pedra, agregando muito mais valor a ela”.

O presidente da Metamat comenta que já foram formados 120 lapidários. “São Paulo é o Estado que mais concentra produção de joias do Brasil, gerando 45 mil empregos formais. Mato Grosso produz a pedra e não a joia, ou seja, é o oposto de São Paulo, o que faz com que o produto final volte para nós consumidores com um valor agregado ainda maior”.

O geólogo da Metamat, Wanderlei Magalhães, comenta que há previsão de em 2017 abrir uma turma para qualificar 30 pessoas para transformar gemas em artesanato. Hoje, em Mato Grosso, além do diamante e do ouro, são encontradas gemas como ametista, quartzo, granada, ágata, jaspe e topázio.

Brasilianita

Brasilianita


      

Uma pedra preciosa de brasilianita proveniente do município de Conselheiro Pena (MG)
A brasilianita ou brasilianite é um fosfato básico de sódio e alumínio, de fórmula química NaAl3(PO4)2(OH)4.[1] Cristaliza na classe prismática do sistema monoclínico, em exemplares de hábito prismático de cor amarelo-esverdeada, às vezes transparentes ou translúcidos.[ Forma-se em pegmatitos graníticos. Utiliza-se como gema. As principais jazidas são as do estado brasileiro de Minas Gerais, de Palermo Mine e de Smith Mine, no estado norte-americano de New Hampshire.


Amazonita

Amazonita


   
    
Feldspato (amazonita)
Amazonita (chamado às vezes de "pedra Amazonas") é uma variedade verde do feldspato microclina . O nome é tirado do rio Amazonas, do qual determinadas pedras verdes foram obtidas anteriormente, mas é duvidoso se o verde Feldspato ocorre na área do Amazonas.


Coreia do Norte detém terceiro cidadão dos Estados Unidos, diz agência Yonhap

Coreia do Norte detém terceiro cidadão dos Estados Unidos, diz agência Yonhap

domingo, 23 de abril de 2017
 


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(Reuters) - A Coreia do Norte prendeu um cidadão dos Estados Unidos na sexta-feira, informou a agência de notícias sul-coreana, elevando para três o número total de americanos detidos pelo país isolado. O homem, um coreano-americano de 50 anos identificado apenas pelo sobrenome Kim, esteve na Coreia do Norte há um mês, informou a Yonhap no domingo. Ele foi preso no Aeroporto Internacional de Pyongyang quando tentava deixar o país. O homem era ex-professor na Universidade Yanbian de Ciência e Tecnologia (YUST), informou a Yonhap, citando fontes anônimas. Um funcionário do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul disse que não estava ciente da detenção relatada. A Coreia do Norte mantém detidos dois norte-americanos. Otto Warmbier, um estudante de 22 anos, foi detido em janeiro do ano passado e condenado a 15 anos de trabalho duro por um tribunal norte-coreano ao tentar roubar uma bandeira de propaganda. Em março de 2016, o coreano-americano Kim Dong Chul, 62, foi condenado a 10 anos de trabalho duro por subversão. O missionário norte-americano Kenneth Bae foi preso em 2012 e condenado a 15 anos de trabalho duro por crimes contra o Estado. Ele foi libertado dois anos depois.
 

Coreia do Norte diz que está pronta para atacar porta-aviões dos EUA

Coreia do Norte diz que está pronta para atacar porta-aviões dos EUA

domingo, 23 de abril de 2017 10:36 BRT
 

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(Reuters) - A Coreia do Norte disse neste domingo que estava pronta para atacar um porta-aviões dos Estados Unidos para demonstrar seu poderio militar, em um momento em que dois navios da marinha japonesa se juntaram a um grupo norte-americanos para realizar exercícios no Pacífico Ocidental. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou ao porta-aviões USS Carl Vinson que navegue para as águas da península coreana em resposta à crescente tensão sobre os testes nucleares e de mísseis do Norte e as ameaças de atacar os Estados Unidos e seus aliados asiáticos. Os Estados Unidos não especificaram onde está o porta-aviões. O vice-presidente americano Mike Pence disse no sábado que chegaria "dentro de dias", mas não deu mais detalhes. "Nossas forças revolucionárias estão prontas para combater o porta-aviões nuclear com um único ataque", disse em um comentário o Rodong Sinmun, jornal do Partido dos Trabalhadores do Norte. O jornal comparou o porta-aviões a um "animal grosseiro" e disse que um ataque seria "um exemplo real para mostrar a força de nossos militares". O comentário foi realizado na página três do jornal, depois de um artigo de duas páginas sobre a inspeção do líder Kim Jong em uma fazenda de porcos.

sábado, 22 de abril de 2017

O OURO DO RIO XINGÚ

O OURO DO RIO XINGÚ


ESSES ALVARÁS DA MINERAÇÃO BELO SUN ERAM MEUS, DA MINHA FAMÍLIA...

Marcos Szuecs

O ouro do rio Xingu

O ouro do rio Xingu

O ouro do rio Xingu

A mineradora canadense Belo Sun quer extrair 60 toneladas do metal precioso das margens do rio e, para isso, vai investir US$ 1 bilhão. Mas os imensos riscos sociais e ambientais levantam dúvidas sobre a viabilidade do negócio no coração da Amazônia

O ouro do rio Xingu
Eldorado: a Volta Grande do Rio Xingu, onde está localizada a mina de ouro. Para Mauro Barros (detalhe), diretor-geral da Belo Sun, o projeto trará desenvolvimento para a região

O garimpo, assim como os jogos de azar, é um vício. Para muitos moradores da Vila Ressaca, uma pequena comunidade localizada às margens do Rio Xingu, no Pará, só isso explica alguém se arriscar a descer dezenas de metros em um buraco instável, preso a um cabo de aço, dia após dia, ano após ano. “Dá para ganhar muito dinheiro no garimpo”, afirma Eguinaldo Silva, o Naldo, morador da Ressaca, ex-garimpeiro e hoje piloto de lancha, ou “voadeira”. “Só que, do jeito que se ganha, se gasta.” Pelas ruas de terra da vila, enlameadas nessa época do ano por conta das chuvas constantes, as histórias dos tempos de glória dessa corrida do ouro se repetem.
No bar do Gilson, um bêbado proclama os números do negócio, em altos brados. “Hoje, quem consegue dois gramas de ouro tem sorte”, afirma o ébrio, resoluto. No posto de saúde, a recepcionista Luciene Silva confirma a derrocada da atividade. “Meu marido trazia para casa 120, 130 gramas por semana. Hoje, quando sobram duas é muito”, diz a moradora, resignada. Mata adentro, no entanto, as precárias operações mineradoras são tão comuns quanto os agrupamentos de bois a se movimentar lentamente pelas pastagens, vegetação que, há algum tempo, substituiu as densas florestas amazônicas como a paisagem predominante na região.
Acontece que o ouro rareou, mas não acabou. Ao contrário. Ele só está incorporado em rocha dura, ou sã, como dizem os geólogos, na camada logo abaixo do solo mais raso, o saprólito, inalcançável pelos métodos rudimentares dos garimpeiros. Para extraí-lo é necessário profissionalizar. O modo de vida crédulo do local, que confia a própria sorte na manipulação a mãos limpas do mercúrio, metal pesado, altamente tóxico e capaz de separar o ouro do solo, precisa dar lugar aos engenheiros e seus equipamentos pesados. É aí que entra a mineradora canadense Belo Sun.


Em 12 anos, a mina vai gerar 60 milhões de toneladas de resíduos, que serão armazenados em uma barragem
Em 12 anos, a mina vai gerar 60 milhões de toneladas de resíduos, que serão armazenados em uma barragem
Listada na bolsa de Toronto, principal praça de comércio da mineração mundial, a empresa está instalando no município de Senador José Porfírio, onde fica a Ressaca, uma operação de grande porte, que consumirá investimentos de US$ 1 bilhão. A meta é extrair 60 toneladas de ouro no período de 12 anos, o suficiente para mais do que duplicar o valor aportado e colocar a mina entre as cinco maiores do País. “É uma região com grande potencial”, afirma Mauro Barros, diretor-geral da companhia no Brasil. Os planos são de começar a produzir em 2019. Mas, para isso, a Belo Sun terá de superar disputas jurídicas e desconfianças.
Em uma área altamente desgastada pela construção da Usina de Belo Monte, a mina de ouro aparece como a nova grande ameaça ao meio ambiente a aos modos de vida ribeirinho e indígena. Os canadenses têm ao seu lado o Governo do Pará, que já autorizou a instalação, e uma lógica econômica que promete gerar milhares de empregos e milhões de reais em impostos. Os números do mercado e o histórico de projetos na região, no entanto, levantam dúvidas sobre os benefícios dessa exploração. O projeto está em fase avançada. Em fevereiro deste ano, a Belo Sun obteve a licença de instalação do empreendimento. Mas, pouco depois, a Defensoria Pública do Estado obteve uma liminar suspendendo a operação.
A alegação era de que a mineradora não colocou em prática os planos de remoção da população que será atingida pelo empreendimento, além de ter adquirido terras federais que, na verdade, haviam sido destinadas à reforma agrária, ainda nos anos 1980. Na terça-feira 21, a desembargadora Célia Regina de Lima Pinheiro, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, caçou a liminar, mas condicionou o início da operação à retirada das famílias da área de influência da mina. Se conseguir superar a pendenga jurídica, a Belo Sun terá 12 anos, a partir do início da mineração, para retirar o máximo de ouro que conseguir do local.
Após esse período, ela ficará responsável por recuperar e monitorar os efeitos da sua operação por oito anos. Considerando que o projeto foi iniciado em 2010, com as atividades de prospecção e análise, serão 31 anos de trabalhos, para um faturamento estimado em mais de R$ 6 bilhões. Tudo o que envolve o projeto é polêmico. A começar pela questão ambiental. O ouro, como é de se imaginar, não é muito fácil de extrair. O processo industrial em grande escala, apesar de mais organizado, não é muito diferente do garimpo. Primeiro, cava-se o solo.


Remoção: Antonia Melo, coordenadora da Xingu Vivo, que teve de deixar sua casa, em Altamira. Ao lado, amostras de rocha catalogadas pela Belo Sun
Remoção: Antonia Melo, coordenadora da Xingu Vivo, que teve de deixar sua casa, em Altamira. Ao lado, amostras de rocha catalogadas pela Belo Sun (Crédito:Divulgação)
A rocha, então, é triturada e transportada para a unidade de separação. Em vez do mercúrio, o elemento utilizado para retirar o metal do solo é o cianeto. Para cada tonelada de rocha cavada, obtém-se um grama de ouro. Os planos da mineradora são de criar duas “cavas”, a Ouro Verde e a da Grota Seca. A primeira localiza-se a 106 metros do Rio Xingu, a segunda, a um pouco mais: 427 metros. Ao lado delas, haverá o que se chama “pilha de estéril”, que é, basicamente, solo amontoado. Dois lagos de contenção acumularão água da chuva, para abastecer a planta de beneficiamento, onde se produz o ouro.
À esquerda da Ouro Verde ficará a barragem de rejeitos. Construída com a própria rocha extraída das cavas, a barragem receberá tudo o for retirado do solo e não referir-se a ouro ou outro metal de valor. Ao final do projeto, ela terá recebido 60 milhões de toneladas de lixo. Apenas 1.500 metros separam as águas do Xingu dessa lama. O risco é considerado alto. Caso a barragem se rompa e a lama escorra para o rio, os prejuízos são incalculáveis. A comparação inevitável é com a tragédia de Mariana, no Rio Doce.
Mas, apesar do volume ser o equivalente a um terço do que vazou em Minas Gerais, a região onde fica a mina de ouro, na chamada Volta Grande do Rio Xingu, é muito mais complexa e já está bastante prejudicada pela construção de Belo Monte. “Apesar dos danos serem altos, a chance de o rompimento acontecer é remota”, aposta Barros. “Multiplicando uma probabilidade pela outra, você tem o risco alto, mas é seguro.” Responsável por conceder a licença, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) afirma que está sendo prudente.
Em nota enviada à DINHEIRO, o órgão diz que estão sendo exigidos da mineradora “uma série de planos e programas de mitigação”. Segundo Barros, os impactos são inevitáveis. A questão é saber se os ganhos provenientes do projeto compensam suas alterações sociais e ambientais. “Na minha visão, compensam”, afirma o executivo. “Vamos trazer desenvolvimento para a região.” Esse desenvolvimento está ancorado em números, como os R$ 10 milhões anuais que o município de Senador José Porfírio, de 11 mil habitantes, terá à disposição para investir, graças aos impostos pagos pela mineradora. Ou os 600 empregos diretos, e mais de mil indiretos, que serão gerados pela operação.


A justiça do Pará condicionou o início da operação à remoção das famílias afetadas pelo empreedimento
Impacto: como no caso de Altamira (à esq.), a população da Vila Ressaca (à dir.) terá de ser realocada para a instalação da mina – A justiça do Pará condicionou o início da operação à remoção das famílias afetadas pelo empreendimento (Crédito:Daniel Teixeira | Divulgação)
Essa lógica econômica, por outro lado, é questionável em diversos pontos. “Todo esse ouro deverá ser destinado à exportação, ficará muito pouco de imposto aqui”, afirma Écio Moraes, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). O Brasil é o 10o maior produtor de ouro do mundo, ao lado da Indonésia, com uma extração de 95 toneladas no ano passado – considerando a cotação atual do metal, de US$ 1,1 mil por onça troy, isso equivale a um faturamento de US$ 3,7 bilhões. O mercado é liderado pela China, que produziu 460 toneladas. A Austrália, segunda colocada, extraiu 271 toneladas. As cinco toneladas da Belo Sun fariam pouca diferença ao País.
O setor também não conta com uma cadeia de negócios das mais extensas. Metade do ouro extraído no mundo, o equivalente a pouco mais de 2,1 mil toneladas, se destina à produção de joias. Os demais consumidores são os investidores, que respondem por cerca de um quarto do total, os bancos centrais, e a indústria eletrônica, que comprou, no ano passado, apenas 253 toneladas. O mercado interno demanda pouco, entre 16 e 17 toneladas. A maior parte para abastecer as grandes joalherias nacionais, como H.Stern e Vivara. Elas compram, basicamente, de pequenos garimpos.
As grandes minas brasileiras, como a de Paracatu (MG), operada pela também canadense Kinross, que recentemente ampliou sua produção anual para 15 toneladas, destinam-se ao mercado externo. “O Brasil tem um grande potencial em mineração de ouro”, afirma Moraes, do IBGM. “Mas, infelizmente, a lógica por aqui ainda é a da época de colônia.” Lógica, por sinal, talvez seja a palavra mais temida na região. Há tempos que os moradores locais são reféns de racionalidades alheias, que parecem trazer pouco benefício, ou, ao contrário, condenar modelos centenários de existência ao ostracismo, em troca de ganhos econômicos duvidosos.
Maior cidade da região, com 110 mil habitantes, Altamira é um modelo perverso de como o desenvolvimento parece mais excluir do que incluir. O município foi diretamente afetado pela construção de Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, o que se reflete em seus números. De 2010 a 2014, seu PIB cresceu de R$ 842 milhões, para R$ 3,9 bilhões. A renda per capita saltou de R$ 8 mil para R$ 37 mil. Mais de 80% da população, no entanto, ganha menos de dois salários mínimos. A violência, por outro lado, explodiu. A taxa de homicídios da cidade subiu de 60,9 para 124,6 por 100 mil habitantes, entre 2010 e 2015. A remoção das pessoas em função da construção da usina teve um efeito negativo na economia local.
“Todo dia eu sofro”, afirma Maria Elena Araújo, uma das moradoras de Altamira que teve de deixar sua casa. “Antes eu morava ao lado do centro, agora preciso andar oito quilômetros.” Muitos dos RUCs, como são chamados os reassentamentos urbanos construídos pela Norte Energia para abrigar os afetados, estão longe do rio, que garantia a subsistência de boa parte dessas pessoas, que hoje se veem desocupadas. “Todos esses projetos, de Belo Monte a Carajás, estão sobre as costas do povo paraense”, afirma Antonia Melo, ativista da ONG Xingu Vivo, que defende os interesses de ribeirinhos e indígenas.
DIN1011-mina4APREENSÃO Esse risco agora paira sobre o povo da Vila Ressaca e da Vila Galo, que terão de ser removidos. Luciene Silva espera com ansiedade o momento. “É um tiro no escuro”, diz a recepcionista. O que ela gostaria era ficar perto do rio, em um lugar igual ao que mora. “Aqui é tranquilo, dá para criar os filhos soltos.” Para Marcelo Salazar, articulador da ONG Instituto Socioambiental (ISA) na região, imaginar que é possível conciliar a atividade mineradora com o modo de vida local é uma utopia. “São dois mundos que não podem existir simultaneamente. Ou é um, ou outro”, afirma Salazar.
O ISA desenvolve programas que exploram o extrativismo ambiental, de castanhas, por exemplo, com o objetivo de criar cadeias sustentáveis de negócio. É essa economia que, para Salazar, deveria estar sendo incentivada. A Belo Sun diz que entende essa realidade, e tem planos para contribuir com essa cadeia. A lógica parece correta. Mas, na prática, a história da indústria do ouro na Volta Grande do Rio Xingu vai contra esse raciocínio. A descoberta do metal por ali se deu no início do século 20. Os primeiros garimpos se instalaram na década de 1950.
Nos anos 1980 e 1990, vieram os grandes grupos, entre eles o TVX Gold, uma dos primeiros grandes empreendimentos do empresário brasileiro Eike Batista, que também naufragou. Um pouco antes, uma empresa chamada Verena Minerals passou a explorar o local. Em junho de 2010, seus acionistas se reuniram em Toronto para definir mudanças em sua estrutura acionária e rebatizar a companhia. O nome escolhido: Belo Sun. “Eu acredito que eles não vão cometer os mesmos erros de Altamira, no mesmo lugar”, afirma Luciene, exercitando a velha arte de viver da fé, talvez a maior habilidade local.
Assista ao vídeo:





https://www.jusbrasil.com.br/diarios/3525447/pg-40-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-07-12-1983