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domingo, 22 de janeiro de 2017

Caçadores de esmeraldas


Caçadores de esmeraldas


Montanhas de beleza rara, vales que parecem não ter fim, rios que se espremem nos corredores de pedras. O conjunto de monumentos impressionantes foi criado pela natureza há 400 milhões de anos, quando a Terra ainda era criança. No coração da Bahia, as águas do inverno saltam dos pontos mais altos do Nordeste. Um espetáculo exuberante. A Queda d'Água da Fumaça, de quase 400 metros, parece que começa nas nuvens.Na Chapada Diamantina, a trilha das águas mostra o caminho das pedras. Pedras preciosas, que contam a história de muitos aventureiros. Carnaíba, norte da chapada. O vilarejo com cara de cidade atrai milhares de garimpeiros. As serras da região concentram a maior reserva de esmeralda do Brasil.
O empresário Alcides Araújo vive perseguindo a sorte há mais de 20 anos. Ele é um dos grandes investidores na extração da valiosa pedra verde. Alcides diz que ainda não encontrou a sorte grande. Do garimpo dele só saíram pedras de segunda. Mesmo assim não dá para reclamar.
"Já ganhei um dinheiro razoável no garimpo, produzi quase quatro mil quilos. Se tivesse essas pedras hoje, valeria R$ 300, R$ 200 o grama. Já ganhei mais de R$ 3 milhões", revela o empresário.
Boa parte desse dinheiro está enterrada na jazida que Alcides explora. O Globo Repórter foi ver como os garimpeiros vão atrás da esmeralda. Uma aventura que requer, além de sorte, muita coragem.

Na maior mina da região, a equipe foi a 280 metros de profundidade. Para chegar lá embaixo, o equipamento é um cinto de borracha conhecido como cavalo. Confira esse desafio em vídeo.Os garimpeiros são mesmo corajosos. No abismo dos garimpos, a vida anda por um fio. O operador da máquina que faz descer e subir o cabo-de-aço não pode vacilar. A água que cai do teto vem do lençol freático que o túnel corta. Parece uma viagem ao centro da Terra. Mas será que vale mesmo a pena correr tanto risco?
Foram quase seis minutos só de descida. Seis minutos de arrepios. A 280 metros a equipe chegou a um corredor estreito. No rastro da esmeralda, os garimpeiros abrem quilômetros de galerias. Calor, pouco ar, oito, dez horas por dia no estranho mundo subterrâneo. Esses homens vivem como tatus-humanos.
Alegria mesmo é quando o verde começa a surgir na rocha. Sinal de que pode estar por perto o que eles tanto procuram. É preciso detonar a rocha para ver se é mesmo esmeralda. O desejo de enriquecer é mais forte que o medo do perigo. Sem nenhuma segurança, eles enchem com dinamite os buracos abertos pela perfuratriz.
“Costumamos fazer até quatro detonações por dia. A cada detonação, são disparados de dez a quinze tiros", conta o fiscal de garimpo Klebson de Araújo.
Muita pedra desceu do teto da galeria. O trabalho agora era levar tudo lá para cima e examinar direito as pedras. E o dono do garimpo? Será que ele confia nos seus garimpeiros?
"Eles encontram e a gente fiscaliza. Se facilitar uma coisinha, eles botam dentro do bolso”, diz o garimpeiro Manoel.
“Tem várias formas de levar. Uns dizem que estão com sede, pedem uma melancia para chupar. Partem um pedacinho, colocam as pedrinhas lá dentro e levam a melancia”, denuncia Alcides.
Escondida ou não, esmeralda na mão é dinheiro no bolso. Nos fins de semana, a praça principal da cidade de Campo Formoso vira um mercado movimentado de pedras preciosas. No local, o que menos importa é a procedência. A esperteza sempre prevalece. Esmeralda de qualidade nunca é vendida na praça. Negócio com pedras valiosas é fechado dentro de casa, por medo de assalto.Os minérios da Chapada Diamantina fizeram fortunas e produziram histórias. Histórias como a de Herodílio Moreira que já viveu dias de glória.
“Já ganhei muito dinheiro com esmeralda. De comprar mercadoria e ganhar cinco carros de uma vez, de lucro. Hoje esses carros acabaram. Estou querendo dinheiro para comprar uma bicicleta velha”, conta o garimpeiro.
No mundo desses aventureiros, pobreza e riqueza dividem o mesmo espaço. O garimpeiro José Gomes, de 70 anos, também já viveu as duas situações, mas nunca perdeu a esperança.
“Quando vejo na joalheria uma esmeralda em forma de jóia, analiso o que perdi. Vejo as pedras nas lojas valendo milhões de dólares e eu sem nada", diz ele.

8 casos de famílias ricas, influentes – e amaldiçoadas

8 casos de famílias ricas, influentes – e amaldiçoadas

Nascer rico nem sempre é uma bênção. Especialmente se você carrega sobrenomes como Kennedy, Onassis, Getty ou Brando


FAMÍLIA KENNEDY
A história desse rico e poderoso clã remonta ao patriarca Joseph Patrick Kennedy (1888-1969), um bem-sucedido empresário e embaixador dos EUA no Reino Unido entre 1938 e 1940. Ele se casou com Rose Elizabeth Fitzgerald, que já era da elite, e juntos deram origem a uma dinastia misteriosamente trágica. Confira algumas das tragédias que se abateram sobre seus descendentes:
Joseph Patrick Kennedy Jr.: primeiro dos nove filhos de Joseph, morreu em 1944, aos 29 anos, durante uma batalha como piloto na 2ª Guerra Mundial.
Rosemary Kennedy: Outra filha de Joseph, foi internada em 1941 em um manicômio, onde sofreu lobotomia aos 23 anos. Morreu em 2005.
Kathleen Agnes Kennedy: Pouco depois de ficar viúva, a quarta filha de Joseph morreu em 1948, junto com o amante, em um acidente de avião na França. Tinha só 28 anos.
Ted Kennedy: O caçula de Joseph, originalmente batizado como Edward Moore, escapou da morte três vezes: em 1964, num acidente aéreo, em 1969, quando seu carro caiu num rio, e em 2006, quando um raio atingiu o avião em que estava. Eleito senador sete vezes nos EUA, morreu em 2009, de câncer no cérebro.
John Fitzgerald Kennedy (JFK): Realizou um sonho do pai: foi eleito presidente dos EUA em 1960. Três anos depois, foi misteriosamente assassinado em Dallas.
Bobby Kennedy: Irmão de JFK, Robert Francis também teve sucesso na política. Eleito senador em 1965, foi assassinado em 1968, quando disputava a presidência.
David Anthony Kennedy: Um dos 11 filhos de Robert Kennedy e Ethel Skakel. Em 1984, aos 28 anos, foi encontrado morto por overdose de cocaína em um hotel na Flórida.
Michael LeMoyne Kennedy: Outro filho de Robert Kennedy, com destino igualmente trágico. Morreu em 1997 em um acidente de esqui nas montanhas de Aspen (EUA).
Joseph Patrick Kennedy II: Também filho de Bobby. Em 1972, esteve em um voo sequestrado por terroristas e, em 1973, sofreu um acidente de jipe que deixou uma passageira paralítica.
Edward Moore Kennedy Jr.: O filho de Ted Kennedy sentiu a sina da família logo cedo. Aos 12 anos, sofreu um câncer ósseo e teve de amputar a perna direita.


FAMÍLIA ONASSIS
Graças ao casamento entre JFK e Jacqueline Kennedy (e o posterior casamento dela com o milionário Aristoteles Onassis), A maldição da família Kennedy se entrelaça com a dos Onassis. O grego Aristoteles (1906-1975) refugiou-se aos 21 anos na Argentina, onde começou um negócio de importação de tabaco da Grécia. A riqueza veio quando construiu uma frota de petroleiros e baleeiros. Depois, investiu em aviação e chegou a ser considerado um dos homens mais ricos do mundo. Mas nada impediu que sua família sofresse todo tipo de revés.
Jacqueline Lee Bouvier Kennedy Onassis: Casou-se com JFK em 1953. Em 1955, sofreu um aborto espontâneo e, em 1956, deu à luz uma filha morta. Mas conseguiu dar três filhos ao marido. Cinco anos depois de ficar viúva, casou-se com o milionário Aristoteles Onassis.
Aristóteles Onassis: Casou-se com Athina Livanos em 1946 e com Jackie Kennedy, viúva de JFK, em 1968. Faleceu em 1975, aos 69 anos, com a saúde debilitada devido a uma doença neuromuscular.
Athina Onassis: Primeira esposa de Aristóteles. Separou-se quando o flagrou com a cantora Maria Callas, em 1960. Casou-se outras duas vezes e morreu em 1974, em Paris, por overdose.
Alexander Onassis: Único filho de Athina e Aristóteles. Morreu em 1973, num acidente de avião, aos 24 anos. Especula-se que foi ele quem incentivou o meio-irmão, John Kennedy Jr., a pilotar aviões – causando assim, indiretamente, sua morte (veja abaixo).
Christina Onassis: Deprimida pela morte do irmão e dos pais, teve problemas com álcool e medicamentos. Em 1988, morreu aos 38 anos, numa banheira em Buenos Aires.
Patrick Bouvier Kennedy: Um dos três filhos de JFK e Jackie. Morreu ainda bebê, em agosto de 1963, de síndrome da angústia respiratória do recém-nascido (SARRN).
John Fitzgerald Kennedy Jr.: Filho de JFK e Jackie, foi o mais playboy dos Kennedy. Morreu em 1999,  em um acidente de avião no Oceano Atlântico que também matou sua esposa e sua cunhada

Grana preta
1) FAMÍLIA GRIMALDI
Há 700 anos, a dinastia dos Grimaldi domina o Principado de Mônaco e coleciona tragédias. A fase mais recente: em 1982, a atriz norte-americana Grace Kelly, casada com o príncipe Ranier III, morreu em um acidente de carro em Monte Carlo. Especulou-se que sua filha mais rebelde, Stéphanie, então com 17 anos, estava na direção do veículo. Em 1990, o marido da princesa Carolina, irmã de Stéphanie, morreu em outro acidente, de lancha

2) FAMÍLIA GETTY
Um dos homens mais ricos do mundo nos anos 60, o barão do petróleo Jean Paul Getty teve uma vida pessoal difícil. Em 1958, seu filho Timothy, de 12 anos, faleceu em uma cirurgia no cérebro. Em 1973, o mais velho, George, morreu de overdose. No mesmo ano, John Paul Getty III, com 16 anos, foi sequestrado pela máfia e teve a orelha cortada. O resgate custou US$ 3,4 milhões. Getty III ainda se viciou em drogas e teve um derrame em 1981 que o deixou paraplégico e quase cego.

3) FAMÍLIA AGNELLI
Gianni Agnelli tornou-se presidente da Fiat em 1968. Mas seu único filho, Edoardo, não tinha interesse nos negócios. Foi preso no Quênia em 1990 por tráfico de drogas e, em 2000, pulou de uma ponte em Turim, na Itália. O sobrinho de Gianni, Giovannino, que estava sendo treinado para assumir a Fiat, morreu de câncer em 1997. Gianni morreu em 2003. Desde então, seus herdeiros brigam pela herança.

Grana preta

4) FAMÍLIA BRANDO
A sina do ator Marlon Brando, vencedor do Oscar por O Poderoso Chefão, foi ver seus entes queridos se perderem no vício. Seus pais eram alcoólatras. Sua esposa, Anna, e seu filho, Christian, viraram dependentes químicos. Christian matou o noivo da irmã, Cheyenne, em 1990, amargou seis anos de prisão e torrou a grana da família em advogados. Cheyenne, em depressão, se matou em 1995.

5) FAMÍLIA LEE
O astro das artes marciais Bruce Lee teve sua brilhante carreira como ator, roteirista e produtor abreviada por um estranho edema cerebral, em 1973, aos 32 anos. A causa? Um inocente analgésico para dor de cabeça. Exatos 20 anos depois, foi a vez de seu filho: durante as filmagens de O Corvo, Brandon Lee foi alvejado por uma arma que deveria conter balas de festim.


6) FAMÍLIA HEMINGWAY
Em 1929, logo quando a carreira de Ernest Hemingway decolava com a publicação de Adeus às Armas, seu pai se deu um tiro. A mãe do escritor, que tinha uma personalidade difícil, enviou a arma usada no suicídio paraHemingway. Selou seu destino: em 1961, Hemingway se matou. Cinco anos depois, foi a vez da irmã, Ursula. Em 1982, foi o irmão. E, em 1996, a neta, com uma overdose.

FONTES Revistas Business WeekTime, VEJA e Época; jornais The Sun,Washington Post e O Estado de S. Paulo; sites PowerballTerraLiveScience,Luxistmaristpoll.marist.edu e royal.gov.uk; e livros Felicidade S.A., de Alexandre Teixeira, e The Mystery of the Hope Diamond, de Henry Leyford Gates

A vida secreta de Walt Disney

A vida secreta de Walt Disney

Ele criou um mundo mágico. Mas muitas especulações pintam uma vida infeliz, com brigas em família, desavenças no estúdio, vícios, preconceitos e segredos


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Maltratado como Cinderela
Na infância, o pai de Walt Disney lhe dava tantas surras de chicote que o garoto chegou a duvidar que ele era mesmo seu pai. Há rumores de que o menino foi adotado e era fruto de um caso extraconjugal entre a lavadeira espanhola Isabelle Zamora e um médico. Aí, há divergências: algumas fontes dizem que o homem era José Guirao; outras, que ele se chamava Ginés Carillo.

Explosivo como Donald
No trabalho, Walt era um carrasco. Funcionários eram demitidos se falassem palavrão – mesmo que fosse só “inferno”. Nos corredores, era chamado de tirano. Para piorar, há quem diga que ele era um artista medíocre, o que explica por que teria se apossado de méritos alheios. Foi o caso do Mickey Mouse – seu cocriador, Ub Iwerks, acabou como mero subalterno de Walt.

Alterado como Alice
Embora proibisse álcool nos estúdios, vários biógrafos dizem que Walt era alcoólatra. Seu café da manhã favorito seriam roscas frescas molhadas no uísque. Várias vezes, a bebedeira teria afetado o casamento com Lilian Bounds. Também fumava quatro maços por dia e, à noite, só dormia com sedativos e goles de scotch. O mix comprometia sua fala, seus movimentos e seu temperamento.
Gelado como Elsa
Nos 41 anos de relação com Lilian, as discussões podiam ser ouvidasadistância pelos vizinhos (e há boatos de que uma briga terminou com ela de queixo quebrado). Um dos motivos poderia ser sua suposta infertilidade ou impotência – eles levaram oito anos para conseguir ter filhos. Um dos tratamentos exigia manter gelo nos órgãos genitais por várias horas seguidas.

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Cruel como a Madrasta
Walt sempre quis um filho homem, mas não conseguiu. Isso explicaria, por exemplo, seu desprezo por Sharon Mae, adotada por pressão de Lilian em 1936. Ignorava os choros da criança e preferia passar as noites no estúdio. Na primogênita, Diane, deu um tapa quando ela disse que iria se tornar católica. E, quando morreu, não deixou o estúdio para nenhuma das duas filhas.

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Ambíguo como Mickey
Há outra teoria para seus dramas no casamento: sua orientação sexual. Algumas biografias sugerem que, na infância, ele gostava de se vestir com as roupas da mãe. Adulto, teria tido casos com os atores Spencer Tracy e James Dean. Mesmo assim, usava ofensas homofóbicas. Durante aprodução de Fantasia, teria chamado o desenhista Arthur Babbitt de “bicha”.

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Traidor como Jafar
Durante 25 anos, Walt trabalhou como informante do FBI em Hollywood, espionando colegas e denunciando atividades “subversivas”, comoaorganização de sindicatos. Dedurou até animadores de seu estúdio, por liderarem reivindicações por melhores condições de trabalho. Chegouaexigir que o nome de um deles fosse apagado dos créditos de todos os seus filmes.

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Totalitarista como Scar
Controvérsia pesada: Walt teria frequentado reuniões e comícios do Partido Nazista Americano. Uma das evidências seria o convite, em 1938, para que Leni Riefenstahl, cineasta oficial de Adolf Hitler, conhecesse seus estúdios. Também recebeu críticas da comunidade judaica por ter disfarçado o Lobo Mau de Os Três Porquinhos como um estereótipo de vendedor ambulante judeu.

Por outro lado…

Pontos da biografia do cineasta contradizem as principais acusações

– Sua “origem espanhola” foi inventada pelo diretor do FBI, J. Edgar Hoover, para manipular sua lealdade.
– Walt também sabia ser generoso com sua equipe. Quando Branca de Neve e os Sete Anões se tornou um grande sucesso, distribuiu US$ 750 mil entre os empregados. Esse tipo de bônus era praticamente inexistente em Hollywood.
– Em 1942, Walt lançou o curta animado A Face do Führer, em que Donald zomba abertamente do líder nazista Adolf Hitler.
– Alguns biógrafos indicam que Walt participou das reuniões do Partido Nazista apenas para tentar reverter a proibição da exibição de seus filmes nos países controlados por Hitler.
– No início dos anos 1950, Walt admitiu, pela primeira vez, que nunca havia desenhado Mickey. Sua genialidade não era técnica, e sim artística, na criação do conceito dos personagens, na condução das tramas e na estética geral das animações. Isso sem falar, claro, no tino comercial e na habilidade marqueteira.
– Quando recebeu o prêmio Milestone, em 1957, fez questão de dividir os holofotes com o irmão Roy, com quem havia brigado.
– Ainda faltam evidências contundentes que provem que ele fosse homossexual. As alegações ainda estão no terreno da especulação.

FONTES Livros Walt Disney – O Príncipe Sombrio de Hollywood, de Marc Eliot, Walt Disney, Prazer em Conhecê-Lo, de Ginha Nader, e Walt Disney – O Triunfo da Imaginação Americana, de Neal Gabler; site The Guardian

Os diamantes são eternos?

Os diamantes são eternos?

O curioso é que, segundo os astrônomos, a Terra de fato deverá entrar no Sol daqui a 7,5 bilhões de anos, quando a estrela estiver próxima da morte.

Por incrível que pareça, o pequeno diamante encrustado no anel que você deu a sua esposa provavelmente durará, sim, para sempre – pelo menos enquanto a Terra existir. “Como são os minerais mais resistentes do planeta, eles só podem ser derretidos quando expostos a uma temperatura de 5.500 ºC”, diz o mineralogista Rainer Guttler, professor da Universidade de São Paulo. O problema é que, segundo ele, a atmosfera terrestre nunca chegará nessas condições, mesmo que um enorme meteoro se chocasse contra o nosso planeta e eliminasse todas as formas de vida. “Eles só seriam derretidos se, um dia, a Terra entrasse literalmente dentro do Sol, que tem a temperatura de 5.800 ºC”, diz Rainer. O curioso é que, segundo os astrônomos, a Terra de fato deverá entrar dentro do Sol daqui a 7,5 bilhões de anos, quando a estrela estiver próximo da morte.
Mesmo assim, quem apostar que, nessa época, os diamantes serão, enfim, aniquilados, pode perder a aposta. “É que quando isso ocorrer, a temperatura do Sol terá baixado para cerca de 3.000 ºC”, diz o astrônomo Enos Picazzio, da USP. Ou seja: mesmo quando a Terra chegar a ter uma atmosfera tão densa e quente quanto a de Mercúrio, alguns pequenos diamantes poderão ser encontrados por lá.

Diamantes para toda obra

Diamantes para toda obra

Do espaço ao fundo da Terra, o diamante entra em cena quando nenhum outro material agüenta trabalho pesado ou executado em condições adversas. Incorporado à eletrônica, ele promete revolucionar o mundo dos computadores


É apenas uma pedra, de estrutura simples, composta por átomos do elemento básico de toda forma de vida., o carbono. Raro, elaborado pela natureza há milhões de anos em camadas profundas da Terra, o diamante desde a Idade Média tem sido o ornamento mais fascinante e valioso das coroas reais e das jóias das mulheres afortunadas. Ao longo das últimas décadas ele se tornou também uma pedra preciosíssima para cientistas que pesquisam materiais.
Essa jóia, porém, não é natural nem nasce no fundo da Terra, mas em laboratórios. Como uma versão contemporânea dos alquimistas medievais, que procuravam a pedra filosofal para transformar chumbo em ouro, esses cientistas fazem diamantes a partir de substâncias tão pouco nobres como grafita ou gás metano. Longe de criar pedras para ornamentar anéis, eles buscam aperfeiçoar um material que pode se tornar o trampolim de um novo salto tecnológico, promessa mais concreta do que os badalados supercondutores cerâmicos anunciados alguns anos atrás.
Por suas propriedades, os diamantes se constituem num espécie de panacéia tecnológica, remédio para problemas em locais tão diversos quanto usinagem de metais, instrumentos medidores de radiação, computadores, naves espaciais e perfuração de petróleo. “Um diamante, seja natural ou sintético, é o material mais duro que existe”, diz o físico João Herz da Jornada, chefe do Grupo de Física de Altas Pressões da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que pesquisa a síntese de diamantes há seis anos. Isso significa que a pedra risca e penetra qualquer outro material, mas não pode ser riscada por nenhum deles. Duro mas frágil: devido ao tipo de arranjo molecular dos átomos de carbono, o diamante quebra quando leva pancadas em determinados planos. Mas sua resistência à abrasão é poderosa, o que lhes permite desgastar de cerâmicas a metais e sofrer bem pouco ataque.
Diamantes são também os melhores condutores térmicos, ou seja, dissipam calor mais rápido que qualquer outra substância, ao passo que são isolantes elétricos, impedindo a passagem de correntes elétricas. Inertes quimicamente, dificilmente reagem com outras substâncias, passando incólumes por banhos de ácido capazes de dissolver metais.Tudo isso misturado numa só pedrinha, e tem-se a receita de um material quase perfeito. Até 1955, quando nos laboratórios da General Electric americana foi produzido o primeiro diamante sintético, dependia-se apenas dos naturais que haviam se dignado a subir à superfície da Terra. Somente em 1797, o químico inglês Smithson Tennant provou que o diamante era simplesmente uma forma de carbono: queimado na presença de oxigênio, virava dióxido de carbono, como acontece com a grafita ou com o reles carvão vegetal. O século e meio seguinte foi de corrida para ver quem descobria a receita de transformar grafita em diamante, em que a GE chegou primeiro.O método desenvolvido pela GE é a técnica de alta pressão e alta temperatura. Junta-se um pouco de grafita, um catalisador (metais como ferro, cobalto e níquel), faz-se um sanduíche de várias camadas, colocando-o no centro de uma câmara de alta pressão. No Laboratório de Alta Pressão da Federal gaúcha, montado com máquinas e equipamentos totalmente projetados e construídos no Brasil (e iguais aos estrangeiros ), essa câmara é o furo central de um disco de carboneto de tungstênio. uma liga superdura. 
Colocada numa prensa de 500 toneladas, a câmara atinge a pressão de 50 000 a 60 000 atmosferas—1 atmosfera é a pressão do ar ao nível do mar. Uma corrente elétrica passa então por dentro da câmara e aquece o sanduíche na temperatura ideal de 1 500ºC. Em cinco minutos, tem-se uma mistura solidificada de diamantes pequenininhos e metal. Um banho de ácido dissolve o metal e ficam só as pedrinhas. Parece simples, mas é preciso controlar muito bem temperatura e pressão, para que o processo seja eficiente.Acima de 1 000 graus Celsius, o diamante em pressão normal se grafitiza. Isso só não acontece na câmara por causa da alta pressão, condição em que a forma estável do carbono é o diamante. Quando se quer uma pedra maior, monocristalina, um pequeno diamante é colocado na base da câmara, e ali o carbono vai se depositar, fazendo-o crescer, num processo que pode demorar uma semana.Foi assim que o laboratório da GE fabricou seu diamante ultrapuro, com 99,9% de isótopos de carbono-12 (enquanto os naturais têm 99% ), e apenas 0,1% de carbono-13, considerado uma impureza. Esse ultrapuro consegue a proeza de conduzir calor com 50% a mais de eficiência do que o diamante natural. Do diamante, costuma-se dizer que é para sempre, mas na verdade não deveria ser nem por trinta segundos. Na temperatura e pressão da superfície da Terra, a forma estável do carbono é a grafita. O diamante é a forma metaestável, ou seja, só continua existindo porque não há energia suficiente (alta temperatura) que sacuda seus átomos e o faça retornar à forma estável, a grafita.
Calcula-se em 1 bilhão de dólares anuais o mercado mundial de diamantes sintéticos, Graças a sua dureza, o diamante entra em cena na indústria toda vez que ferramentas normais não dão conta do serviço pesado. Só nos automóveis, cada um que sai da linha de montagem deixa para trás 1 quilate (0.2 grama) de diamante gasto em sua produção. Como nessa indústria trabalha-se muito com peças e ferramentas de materiais duros e abrasivos, o diamante é quem dá melhor resultado nas usinagens—retiradas de material para que as peças atinjam as dimensões exigidas— e acabamentos. como polimento de discos de freio ou dos cilindros dos motores. Quem faz esse trabalho é o chamado policristalino de diamante, ou PCD, uma das formas de aplicação do diamante industrial que nada tem a ver com as gemas vistosas incrustadas nos anéis.Quase 90% dos diamantes industriais são sintéticos. Pedrinhas minúsculas, com tamanho variável entre 1 200 e 0,25 mícrons (1 mícron é 1000 vezes menor que 1 milímetro), parecem a olho nu um punhado de purpurina extremamente brilhante. O PCD é feito com milhares de diamantes de 10 mícrons colocados sobre uma base de metal-duro, uma liga de carboneto de tungstênio com cobalto. Sob alta temperatura e pressão, o cobalto penetra nos interstícios entre os diamantes, unindo os pedacinhos num corpo agora inteiro, com formatos diversos e tamanhos de até 5 centímetros. 
Além da indústria automobilística, o PCD é usado na aeronáutica, para trabalhar os novos materiais leves e resistentes como kevlar e fibra de carbono.”No caso da fibra de carbono, é imprescindível o uso de ferramentas que sustentem o poder de corte por muito tempo, como as de diamante, pois se ficarem cegas estragam a fibra”, explica o engenheiro Luiz Carlos Caetano da Silva, da De Beers Diamantes Industriais do Brasil. Outro processo de construir ferramentas diamantadas é a sinterização, em que grãos de diamantes são misturados a ligas metálicas que aprisionam esses grãos. Essa liga cravejada de pedras pode ser posteriormente soldada a diferentes bases, formando ferramentas como rebolos, serras e limas. Uma das ferramentas mais importantes é a broca para perfuração de poços de petróleo. Com o diamante sinterizado na ponta, a broca vai perfurando várias camadas de rocha até perto de 4 000 metros de profundidade. Só o diamante consegue chegar lá inteiro—ainda que as pedras sofram desgaste no processo, ele é muito menor do que o sofrido por qualquer outro material que fosse utilizado, tornando a broca resistente por mais tempo. Segmentos sinterizados de diamantes são aplicados também em serras. Elas cortam qualquer pedra que apareça pela frente, de mármore e granito a concreto.
O método mais moderno de fabricar diamantes sintéticos é chamado CVD, sigla de Chemical Vapour Deposition, ou deposição de vapor químico, inventado por soviéticos há mais de dez anos. Os avanços científicos e técnicos nesse método, nos últimos quatro anos, transformaram- no na última moda em laboratórios de todo o mundo. “Nesse processo, não se passa de uma fase a outra, mas de uma substância a outra”. afirma o físico Rogério Pohlmann Livi, do Grupo de Altas Pressões da Federal do Rio Grande do Sul.A matéria-prima aqui não é a grafita, mas o gás metano (CH4). Numa proporção de mais de 99% de hidrogênio e menos de 1% de metano, o gás é levado a um recipiente de vidro protegido com quartzo e passa por um filamento de tungstênio, semelhante ao das lâmpadas domésticas, onde é aquecido a 2 000°C. A temperatura ativa o gás e quebra as ligações moleculares, ocorrendo a formação de radicais livres (CH3, CH2,CH, etc.). Em muitos experimentos o gás é ativado por microondas, Iaser ou até mesmo pelas reações químicas em maçaricos.Dentro do recipiente de vidro fica a base onde vai se formar o diamante, o substrato, geralmente uma plaquinha de silício mantida aquecida a 800°C. Cada molécula de CH3 se deposita sobre o substrato, deixando ali o carbono e liberando o hidrogênio. 
Os átomos de carbono se arranjam então na forma de diamante, microscópicos cristais nascendo ao longo do substrato, num processo chamado nucleação. Os pequenos cristais de diamante espalhados pela superfície crescem até se tocarem, formando uma camada continua. O resultado do CVD, portanto, é um filme de diamante policristalino, ou seja, formado por milhares de infinitesimais cristais de diamantes agregados.A invenção do CVD foi um achado. É certo que ele ainda custa muito mais do que o de alta pressão—calcula-se em 100 dólares por quilate—, pois são necessárias cerca de dez horas de um consumo extraordinário de energia para fabricar um 1 filme de 1.5 cm x 1.5 cm com até 10 mícrons de espessura. Apesar do preço ainda elevado, essa nova técnica permite o revestimento de diamante em superfícies relativamente extensas (atualmente mais de 100 centímetros quadrados) e com formas complexas, o que viabiliza um grande número de novas aplicações.Por outro lado, para campos tão diferentes como revestimentos antiabrasivos, ferramentas de corte e microeletrônica, apenas camadas muito finas—e portanto baratas—são necessárias. Estima-se que a introdução do processo CVD irá ampliar consideravelmente o mercado do diamante sintético, dos atuais 1 bilhão de dólares por ano para algo em torno de 7 bilhões de dólares por ano. Imune a radiações, o diamante daria um ótimo passageiro a bordo de naves espaciais, já que passaria ileso pelo mar de raios lá em cima, como os ultravioleta e os raios X. 
É uma janela perfeita também para aparelhos de raios laser. Isso tudo, se ainda não é uma realidade comercial, já é viável tecnologicamente. Porém, um dos grandes desafios pelos quais fervilham os laboratórios que pesquisam materiais em todo o mundo é aprender a usar o potencial do diamante como semicondutor, na fabricação de chips com características muito melhores do que os existentes hoje, baseados no silício.Melhor dissipador de calor já nascido ou inventado, e transportando impulsos elétricos a velocidades muito superiores à do silício o diamante poderia fazer maravilhas dentro de um computador. Os chips de silício, que fazem o trabalho de processar informação, já pedem água por tanto esforço que fazem. A movimentação dos elétrons dentro deles produz calor—assim, quanto mais informação passa mais ele fica quente—, e acima de 200 ou 300°C o chip está destruído. A 1 50°C ele já não funciona direito, um problema sério para computadores a bordo de automóveis, veículos militares e mísseis, que nem sempre trabalham sob sombra e água fresca, como aconteceu recentemente na Guerra do Golfo Pérsico. Supercomputadores, não fossem seus eficientes sistemas de refrigeração, simplesmente não poderiam funcionar.
Embora seja isolante elétrico, o diamante, tal e qual o silício, vira um semicondutor quando dopado (adicionado de impurezas) com outra substância, nesse caso o boro. Só que a confecção de chips de diamante para computadores e outros equipamentos eletrônicos, pelas mesmas tecnologias existentes para o silício, esbarra na inabilidade em se produzirem camadas finas monocristalinas do material. Por enquanto, só se consegue fazer crescer filmes policristalinos (um aglomerado de monocristais).Por isso, em dezenas de laboratórios do mundo, existe hoje uma corrida louca atrás do crescimento epitaxial (com a mesma orientação cristalina) de diamante sobre silício e outros materiais, tendo como resultado as duas camadas monocristalinas. “Mesmo que isso seja conseguido, existem muitos outros problemas a serem resolvidos para a fabricação de chips comerciais, como contatos elétricos, dopagern seletiva, adesão de camadas e temperatura de funcionamento”, adverte João Herz da Jornada. De qualquer forma, protótipos de diodos e transistores—peças básicas dos chips —feitos de diamante já provaram seu funcionamento em laboratório. Fazê- los trabalhar no mundo real parece ser uma questão de tempo e de desenvolvimento tecnológico. Quando esse dia chegar, os computadores verão o futuro mais brilhante.
Caixa de reflexos
Antes de ser lapidado, um diamante natural tem a aparência de uma pedra qualquer. É nos cortes sofridos durante a lapidação que ele se transforma numa verdadeira caixa refletora de luz. Qualquer que seja o formato, de circular a quadrado, o importante é dar ao diamante a proporção correta. Assim, a luz, ao entrar pela pane de cima da pedra, reflete e sai também por cima, causando aos olhos a impressão de brilho. Se a pedra ficar com um cone muito profundo, a luz reflete uma vez e escapa para o lado. Num diamante raso demais, a luz passa direto e o atravessa, sem refletir.Quando passa pelo processo de lapidação, um diamante perde metade de seu peso original. É necessário extrair cerca de 250 toneladas dos veios de kimberlito, a rocha que abriga os diamantes formados a 160 quilômetros de profundidade numa temperatura de cerca de 1 700° C, para se conseguir uma gema—uma pedra com pouca ou quase nenhuma impureza, e de tamanho suficiente para ser cortada.