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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O marco da enrolação

O marco da enrolação




De comissão em comissão, de promessa em promessa, de reunião em reunião os anos passam e nada acontece, mas o Marco da Mineração permanece “em debate”.

Pelo menos agora, cinco anos depois que um grupo de neófitos ligados ao MME elaborou uma das piores peças da mineração moderna, existe o debate. O mesmo debate que fomos privados e que só ocorreu nos últimos dois anos.

Foi na era Quintão que a geologia e a mineração, assim como a sociedade brasileira e seus representantes, tiveram a oportunidade de emitir o seu descontentamento sobre esse mal redigido Marco Regulatório da Mineração.

Até então não havíamos sido convidados a opinar sobre o “nosso marco”, o Marco da Mineração... Um paradoxo que só poderia ocorrer em um país à beira do caos como o nosso.

Mas a era Quintão passou e o MRM continua sendo debatido...

Agora teremos seis das sete audiências públicas que deverão ventilar e dirimir dúvidas , mais uma vez, sobre um assunto que já está caduco. Uma lei que sofreu tantas modificações, retalhos e cirurgias que ninguém mais neste país pode se arvorar em conhecer.

Na primeira audiência, das sete, foram ouvidos especialistas do setor mineral.

O que vimos foi mais um overkill da ignorância do sistema, afinal todos os especialistas presentes já haviam se manifestado através de inúmeras entrevistas, ações e matérias publicadas na mídia contra vários pontos do natimorto projeto.

Mesmo assim os “especialistas” foram ouvidos novamente e, obviamente, manifestaram o seu profundo desagrado.

Por que será que não estamos surpresos?

O MRM, da forma como está redigido, é um atraso. Ele se tornou mais palatável após as modificações sugeridas por Quintão, mas continua não agradando gregos e troianos.

Muito pior do que o atraso são as consequências desta incerteza.

Para o mundo o Brasil rasgou os contratos e a legislação e a pesquisa mineral brasileira foi jogada no lixo, sucateada e absolutamente abandonada pelo Governo e seus Ministros de Minas e Energia.

Nunca ouvimos, sequer a voz daqueles que tem por função fomentar a pesquisa mineral no país...

Com esse descaso total, frio e absoluto, como atrair o capital necessário?

Os investimentos secaram, os investidores abandonaram o país e, hoje, o desemprego e a desesperança é o que permanece no nosso setor.

Enquanto isso o MRM permanece um monumento à ineficiência de um Governo: um verdadeiro marco da enrolação.

E o Governo finge que não vê...

Como poderia?

Fique tranquilo, sei que não serve de consolo, mas não estamos sozinhos neste abandono. Existem outros 204 milhões que também sofrem as consequências do descaso e do péssimo gerenciamento de um país que priorizou a corrupção ao invés do progresso.

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