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domingo, 22 de julho de 2018

Brasil bloqueia esmeralda nos Estados Unidos

Brasil bloqueia esmeralda nos Estados Unidos



Parte da pedra preciosa de 380 quilos que teria saído do Brasil pelo Aeroporto de Viracopos em 2005
Foto: Divulgação
Parte da pedra preciosa de 380 quilos que teria saído do Brasil pelo Aeroporto de Viracopos em 2005
O Brasil conseguiu bloquear em Washington (EUA) a esmeralda Bahia, pedra gigante em estado bruto avaliada em US$ 370 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão), que saiu ilegalmente do País pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

Com cerca de 380 quilos, a esmeralda é considerada a maior do mundo e ficará sob a guarda do xerife do condado de Los Angeles até conclusão do processo penal em curso. A ação conjunta entre o Ministério Público Federal (MPF), Advocacia Geral da União (AGU) e Ministério da Justiça para repatriar a pedra preciosa é de autoria de uma procuradora de Campinas, Elaine Ribeiro de Menezes, da 9ª Vara Federal.

A esmeralda foi extraída ilegalmente em Pindaboçu, na Bahia, em 2001, e acredita-se que ela tenha saído de Viracopos em 2005.

A repatriação do mineral depende da ação penal que corre no Brasil, que envolve o garimpo clandestino de onde ela saiu, a remessa ilegal da gema ao exterior e decisões da justiça americana. O bloqueio da esmeralda foi divulgado pelo próprio MPF.

O Correio tentou contato com a procuradora, mas a assessoria de imprensa do MPF informou que ela está de férias.

O departamento internacional da AGU, que também acompanha o caso, informou que ainda não há destinação certa para a peça quando ela retornar ao Brasil.

A expectativa é que a esmeralda vá para o acervo de algum museu, ou então para estudos em universidades.

Para o secretário de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal, o procurador Vladimir Aras, a articulação dos órgãos brasileiros de persecução criminal e de cooperação internacional é fundamental para incrementar as taxas de sucesso na repatriação de ativos.

O secretário nacional de justiça, Beto Vasconcelos, declarou que a atuação articulada entre os órgãos públicos foi fundamental para a recuperação da pedra. Ele destacou ainda a “colaboração próxima com os países com os quais o Brasil vem aperfeiçoando seus instrumentos e práticas de cooperação internacional.”

Segundo Marconi Melo, do Departamento Internacional da AGU, “a decisão, ainda que cautelar, evidencia o empenho do Estado brasileiro em lutar contra a exploração irregular e o envio ilegal de pedras preciosas brasileiras, além da importância da cooperação internacional e da coordenação dos órgãos brasileiros envolvidos para a preservação do patrimônio público”.

Os donos

Em entrevista concedida ao programa Fantástico, da Rede Globo, em setembro de 2012, a polícia de Los Angeles, onde corre o processo judicial, informou que desde o aparecimento da esmeralda diversas pessoas se apresentaram afirmando serem proprietárias da pedra preciosa.

Por conta das muitas histórias que apareceram, a polícia decidiu apreender o bem para que um juiz decida seu destino. Segundo a polícia norte-americana, depois que saiu do Brasil, a esmeralda foi parar em Nova Orleans, na época do furacão Katrina, em 2005.

A tempestade que devastou a região inundou o prédio onde estava a pedra, que ficou submersa e foi resgatada por mergulhadores.

A polícia ainda afirma que, depois disso, a Esmeralda Bahia passou pela mão de muita gente, as mesmas pessoas que hoje alegam serem donas da preciosidade.

Um deles, identificado como Tony Thomas, apresentou à polícia uma foto dele com a pedra, que teria sido tirada em São Paulo. É Thomas quem afirma ter comprado a esmeralda por 60 mil dólares dos comerciantes Elson Ribeiro e Ruy Saraiva, de São Paulo.

No entanto, para a Justiça americana, a dupla teria negado a transação. Eles, inclusive, teriam despachado o objeto em Viracopos e estão sendo investigados. A AGU afirmou que os dois poderão responder por crimes como falsidade ideológica e evasão de divisas.

A AGU não informou como a pedra deixou o Brasil sem ter sido barrada na alfândega. Segundo informações, a encomenda que saiu de Campinas estava apenas identificada como “pedra”.
Fonte: DNPM

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