De carona com o ouro, prata chega ao varejo
Resíduo do metal nobre, a prata tem oferta maior e estimula Reserva Metais a vender barras a pequenas e médias empresas; demanda, no entanto, não é garantida.
Na verdade, é justamente o aumento da demanda de um que vem elevando a oferta de outro, uma vez que a matéria-prima pode ser encontrada em minas, localizadas principalmente na América do Sul, quanto ser resultante do processo de fundição do ouro, no qual são retiradas as impurezas metálicas - entre elas a prata.
Assim, na esteira do aumento da demanda pelo ouro, como porto seguro em meio à crise financeira mundial, eleva-se o volume de prata disponível.
É de olho nessa sobra de mercado que a Reserva Metais estrutura a venda de barras de prata aos clientes de varejo, bem como de paládio e platina, a partir do ano que vem.
"Percebemos que há demanda no mercado brasileiro, já que essas commodities são difíceis de serem adquiridas em pequenas quantidades e de forma legal", afirma André Luiz Nunes, diretor da empresa.
Menos nobre, a prata ainda não é vista como investimento, embora seja mais acessível ao aplicador se comparada ao ouro: está avaliada em R$ 2,96 o grama, enquanto o ouro é cotado a R$ 103,1 o grama. "A prata tem as mesmas características de proteção em ocasiões de instabilidade econômica mundial", defende Nunes.
O executivo também lembra que o investidor que apostou na prata se deu bem. Entre fevereiro de 2009 e novembro deste ano (até sexta-feira), o ouro registrou valorização de 97,3%, enquanto a prata disparou 178,7% no mesmo período de comparação.
Vale lembrar que assim como o ouro, o preço da prata é cotado em dólares por onça troy (medida equivalente a 31,1 gramas). Neste caso, o preço do ouro era de US$ 1.690 a onça na última sexta-feira, enquanto a prata estava cotada a US$ 31,77 a onça.
A Reserva Metais já fornece a commodity à indústria joalheira, de bijuteria, componentes eletrônicos, tintas, entre outros, mas será pioneira na distribuição ao varejo - na Europa sua utilização é estendida às moedas de coleção, faqueiros, bandejas e baixelas.
"Estamos em fase de formatação econômica do projeto, uma vez que há diferenças entre o mercado de ouro e prata", pondera o executivo, referindo-se, entre outros pontos, à incidência de imposto - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). "Mas nada impede de apresentar o projeto de isenção do tributo à Receita Federal", completa.
A companhia importa a maior parte da commodity que já é ofertada às grandes indústrias, tendência confirmada por Mauriciano Cavalcante, operador da OM DTVM, distribuidora com atuação relevante no mercado de ouro.
"Aproximadamente 70% da prata utilizada no mercado doméstico é importada. O metal que vem da América do Sul é mais bonito e brilhante", explica.
No entanto, Cavalcante não acredita que o mercado de prata, para fins de investimento, decole.
"A prata não tem o mesmo apelo que o ouro. Para o investidor obter um retorno significativo seria necessário aplicar um montante significativo de recursos", completa.
Se a demanda por pequenos investidores é praticamente nula hoje, grandes investidores também não fazem movimentações significativas com a matéria-prima.
Segundo Nunes, da Reserva Metais, o mercado de prata é menor, menos líquido e mais volátil se comparado à negociação de ouro. "Qualquer movimentação atípica gera oscilações fortes."
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