quinta-feira, 19 de junho de 2014

O depósito aurífero de Antônio Pereira, Quadrilátero Ferrífero

O depósito aurífero de Antônio Pereira, Quadrilátero Ferrífero: condições p-t e natureza dos fluidos mineralizadores

O depósito de Antônio Pereira integra o contexto geológico do distrito aurífero de Mariana, o qual inclui ainda outros importantes depósitos auríferos que se distribuem ao longo do traço NW do anticlinal de Mariana, na porção central do Quadrilátero Ferrífero. Os depósitos encontram-se hospedados preferencialmente na interface estrutural (zona de cisalhamento Fundão-Cambotas) que envolvem as unidades Gandarela, Cauê (Supergrupo Minas) e Nova Lima (greenstone belt Rio das Velhas). Os veios quartzo-carbonáticos auríferos ocorrem em fraturas P e T de um sistema deformativo não-coaxial, que se associam a extensões controladas por processos de deslizamento interestratal normal e boudinagem das encaixantes dolomíticas. Estes veios exibem alteração hidrotermal localizada, diagnosticada principalmente por cloritização, silicificação, turmalinização e sulfetação das encaixantes. O ouro ocorre como inclusões e/ou em espços intragranulares na arsenopirita. Estudos microtermométricos de inclusões fluidas indicam que os fluidos trapeados durante a formação dos veios auríferos são áquo-carbônicos heterogêneos, com médias de XCO2 entre 0,44 e 0,99, tendo contribuições de traços de N2 e H2S na fase gasosa, com valores baixos a moderados de salinidade. Isócoras calculadas para o sistema hidrotermal forneceram valores de pressão compatíveis com profundidades crustais <10 km. Aheterogeneidade do grau de preenchimento das inclusões fluidas é indicativa de um processo de precipitação supostamente por mistura de fluidos, envolvendo fluidos metamórficos, com XCO2 elevada e baixa salinidade, e fluidos magmáticos (subordinados), tendo XCO2 mais baixo e salinidade moderada. Geotermômetros de clorita e carbonatos destes mesmos veios auríferos mostram que a temperatura de estabilização da paragênese hidrotermal e, por conseqüência, de precipitação do fluido mineralizador ocorreu por volta de 319±45°C. Semelhanças em termos de mineralogia, composição química do ouro, alteração hidrotermal das encaixantes e geometria de veios auríferos, permitem uma correlação genética entre as depósitos auríferos de Antônio Pereira e Passagem de Mariana.

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