O depósito aurífero de Antônio Pereira, Quadrilátero Ferrífero: condições p-t e natureza dos fluidos mineralizadores
O depósito de Antônio Pereira integra o contexto geológico do
distrito aurífero de Mariana, o qual inclui ainda outros importantes
depósitos auríferos que se distribuem ao longo do traço NW do anticlinal
de Mariana, na porção central do Quadrilátero Ferrífero. Os depósitos
encontram-se hospedados preferencialmente na interface estrutural (zona
de cisalhamento Fundão-Cambotas) que envolvem as unidades Gandarela,
Cauê (Supergrupo Minas) e Nova Lima (greenstone belt Rio das Velhas). Os veios quartzo-carbonáticos auríferos ocorrem em fraturas P e T de
um sistema deformativo não-coaxial, que se associam a extensões
controladas por processos de deslizamento interestratal normal e boudinagem das
encaixantes dolomíticas. Estes veios exibem alteração hidrotermal
localizada, diagnosticada principalmente por cloritização,
silicificação, turmalinização e sulfetação das encaixantes. O ouro
ocorre como inclusões e/ou em espços intragranulares na arsenopirita.
Estudos microtermométricos de inclusões fluidas indicam que os fluidos
trapeados durante a formação dos veios auríferos são áquo-carbônicos
heterogêneos, com médias de XCO2 entre 0,44 e 0,99, tendo contribuições
de traços de N2 e H2S na fase gasosa, com valores baixos a moderados de
salinidade. Isócoras calculadas para o sistema hidrotermal forneceram
valores de pressão compatíveis com profundidades crustais <10 km.
Aheterogeneidade do grau de preenchimento das inclusões fluidas é
indicativa de um processo de precipitação supostamente por mistura de
fluidos, envolvendo fluidos metamórficos, com XCO2 elevada e baixa
salinidade, e fluidos magmáticos (subordinados), tendo XCO2 mais baixo e
salinidade moderada. Geotermômetros de clorita e carbonatos destes
mesmos veios auríferos mostram que a temperatura de estabilização da
paragênese hidrotermal e, por conseqüência, de precipitação do fluido
mineralizador ocorreu por volta de 319±45°C. Semelhanças em termos de
mineralogia, composição química do ouro, alteração hidrotermal das
encaixantes e geometria de veios auríferos, permitem uma correlação
genética entre as depósitos auríferos de Antônio Pereira e Passagem de
Mariana.
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