sábado, 9 de janeiro de 2016
Pólos de Gemas e Jóias do Estado de Minas Gerais
Pólos de Gemas e Jóias do Estado de Minas Gerais
• VALES DO JEQUETINHONHA, MUCURI E RIO DOCE
INTRODUÇÃO
Sobre as características da região do Vale do Jequitinhonha (Araçuaí e Coronel
Murta), Mucuri (Teó.lo Otoni) e Rio Doce (Governador Valadares), o Diagnóstico
Setorial de Gemas e Jóias do Nordeste de Minas Gerais assinala que: “assentada
numa das maiores províncias gemológicas do mundo, dada sua extensãoe a
diversidade de gemas que vão desde o diamante até a ametista e o citrino, tendo
ainda dentro de suas fronteiras a produção de ouro aluvionar, além de diversos
minerais industriais, esta região se constitui no maior paradoxo econômico-social, pois
é a região mais pobre do Estado de Minas Gerais.”
As principais gemas produzidas na área são: água-marinha, alexandrita,
amazonita, ametista, berilo, citrino, crisoberilo, diamante, granada, quartzo rosa,
topázio e turmalina, dentre outras. A região vem sendo explorada há mais de 50 anos
e, ainda hoje, não há conhecimento detalhado sobre a geologia das áreas produtoras
de gemas. Assim, alguns garimpos abandonados, em função da inexistência de um
plano de trabalho que oriente a extração, ou por estarem voltados para a busca de
determinada gema, são retomados, tempos depois, e tornam-se produtivos. Tal prática
tem representado desperdícios, gastos desnecessários e baixa produtividade.
Além de produtora de gemas, a região tem no segmento de lapidação e
comercialização de pedras uma de suas mais importantes atividades. Os principais
Pólos são Governador Valadares e Teó.lo Otoni. Segundo levantamento realizado pelo
MCT/CT, existem cerca de 300 microempresas nas áreas de lapidação e
comercialização, além de 2.700 de lapidações informais, 1.500 corretores e um
número desconhecido de garimpeiros. Estima –se que, em toda a cadeia, as pessoas,
direta ou indiretamente envolvidas, ocupem 100 mil postos de trabalho (Arranjos
Produtivos de Base Mineral e Demanda Mineral Significativa no Brasil, 28 – Gemas
nas Regiões de Governador Valadares e Teó.lo Otoni).
É forte a concorrência da atividade informal, tanto quando se trata de
brasileiros quanto de estrangeiros. Tal concorrência gera competição desleal e
predatória para os devidamente estabelecidos. A maioria dos empresários negocia a
mercadoria disponível no momento, notadamente o produto bruto, que pouco contribui
para melhorar as condições sócio-econômicas e a realidade da região. A indústria de
lapidação local sente-se desestimulada a crescer diante da forte concorrência de
outros países, como a China e a Índia. Por outro lado, a insuficiente tecnologia e a
reduzida escala para produção de pedras calibradas reduz, para esse importante
segmento a competitividade do Brasil no mercado internacional. As pedras brutas são
comercializadas para lapidação e como mineral de coleção. É importante ressaltar que
a região é visitada diariamente por comerciantes da Europa, Ásia e América do Norte.
Grande parte da produção – estimada em mais de 80% do seu volume – destina-se
aos centros de lapidação localizados no exterior.
Aspecto relevante a ser assinalado é que a matéria-prima da região tem se
apresentado escassa para a indústria de lapidação nacional. Isso ocorre em função
dos problemas decorrentes da exploração e da desorganização do processo
extrativista nos últimos dez anos, bem como a intensificação de importadores no
próprio garimpo. Tal assertiva foi confirmada em entrevistas realizadas junto a
diversos empresários da região.
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