quinta-feira, 23 de junho de 2016

Povoação às margens da Prainha começou após descoberta de ouro- Cuiabá- MT

Nos anos de 1700, a Avenida Prainha, em Cuiabá,  tinha muito ouro, que era achado na região do Morro da Luz. A extração era feita por quem chegasse com o uso de uma bateia que separava o ouro da água e da areia do córrego ou, simplesmente, com a mão. A riqueza das margens da Prainha é tema da segunda reportagem da série "Prainha, no coração de Cuiabá".
"O ouro de aluvião era solto, vinha descendo da nascente no CPA e era só catar. Isso aqui tinha muito ouro, medido em arroba, e era remetido para São Paulo", declarou o pesquisador Aníbal Alencastro. Quem descobriu toda essa riqueza foram os índios ao lado dos bandeirantes que desbravavam terras brasileiras no período colonial. Em Mato Grosso, a expedição tinha como líder, Miguel Sutil, que era paulista e foi um dos primeiros desbravadores do estado.
E essa busca desenfreada pelo ouro influenciou na forma como a cidade foi moldada. Becos, ruas estreiras, calçadas, que mal dá para passar uma pessoas. As casas são geminadas. Esse é o verdadeiro retrato de Cuiabá.Diz a história que ele mandou os índios procurarem mel por acaso e eles encontraram ouro por acaso. Miguel Sutil tomava café, mas não tinha açúcar e então adoçava com mel. Os índios chegaram com ouro enrolado em folhas. Às margens da Prainha, então, surgiram as Lavras do Sutil, a grande descoberta da época.
Uma arquitetura que não foi planejada e o objeto era trabalhar e retirar ouro. Quim Proença, um português, que dava comida para todos os garimpeiros. E essa descoberta do ouro por Miguel Sutil, na Prainha, foi importante também para a definição do mapa do Brasil. À época, quem comandavam as terras eram os portugueses e, quando descobriram o ouro em Cuiabá, para não perder o negócio, se viram forçados a assinar um tratado importante, o de Madrid, importante geograficamente e historicamente. A extração do ouro na Prainha foi até o século XIX.
Com a povoação, igrejas também começaram a ser construídas às margens do córrego. Em 1725, a Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho também foi erguida e era frequentada por fieis abastados. Ao longo dos tempos, foi demolida e passou por modificações na fachada. Ganhou uma estrutura neogótica, arquitetura em arcos, agulhas e ogivas, características do século XVIII.
Outras igrejas desse período são a Nossa Senhora do Rosário e Capela de São Benedito, a única que até hoje mantém as características do período colonial. Foi fundada por negros e pessoas pobres, criada exatamente para receber os fiéis mais pobres.
Consta na história da capital que a capela pegou fogo e nunca mais se ergueu, permanecendo uma só estrutura, mas, durante os trabalhos de restauração da igreja, se descobriu muito além. A igreja feita com taipa de pilão, composta por terra seca e esterco.
A igreja é patrimônio histórico de Cuiabá e realiza uma das festas mais tradicionais, que todos os anos recebe milhares de fiéis. Passou por restaurações e até hoje muita gente acredita que debaixo do tempo ainda exista muito ouro.
Com a descoberta do ouro, o povo começou a povoar a região. Era tanto ouro que os desbravadores usavam pepitas como munição para atirar nos índios.
As igrejas ficavam de frente para o córrego, onde os bandeirantes chegavam. Cada expedição tinha um padre.
A Prainha era navegável. Os vendedores de peixes iam até a Praça Ipiranga.

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