sábado, 6 de agosto de 2016

Australiana Rio Tinto prevê nova queda nos preços das commodities

Australiana Rio Tinto prevê nova queda nos preços das commodities

O novo diretor-presidente da mineradora Rio Tinto PLC, Jean-Sébastien Jacques, é o mais novo executivo do setor a afirmar que a recuperação dos preços das commodities deste ano não deve se sustentar. Ele fez a declaração ontem, depois que a empresa divulgou o seu pior lucro subjacente para um primeiro semestre em 12 anos. De acordo com ele, a alta dos preços dos metais e commodities neste ano, que foi impulsionada pelo setor de construção na China e financiada com dívida, pode não ter continuidade. Ao mesmo tempo, o excesso de oferta de minério de ferro está pressionando a divisão responsável por quase todo o lucro da empresa.
“O crescimento na China se estabilizou, mas ela está em um longo caminho de transição para uma expansão mais lenta e menos dependente das commodities”, afirmou a Rio Tinto. “Ao mesmo tempo, a economia global parece presa a um padrão de crescimento moderado de baixa produtividade que indica a necessidade da continuidade de cautela no segundo semestre de 2016.”
A Rio Tinto divulgou que o lucro subjacente, que exclui itens não recorrentes, caiu 47%, para US$ 1,56 bilhão, na primeira metade do ano, em linha com a estimativa mediana de sete analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal.
Mas a mineradora anglo-australiana informou que o lucro líquido do primeiro semestre ficou em US$ 1,71 bilhão, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado, quando baixas contábeis e perdas cambiais e com derivativos derrubaram os ganhos para US$ 806 milhões.
A Rio Tinto cortou seu dividendo provisório para US$ 0,45 por ação, ante US$ 1,075 há um ano.
Os preços de commodities como carvão, minério de ferro e minerais industriais subiram nos últimos meses, alguns se recuperando de mínimas de vários anos, à medida que desacelerou o ritmo do crescimento da mineração, o apetite da China por importados continuou forte e os investidores voltaram aos mercados.
O Índice S&P GSCI de Metais Industriais subiu cerca de 8% durante o primeiro semestre e o minério de ferro foi negociado acima de US$ 50 por tonelada na maior parte do tempo ante uma mínima de US$ 37 em dezembro. O minério de ferro foi sustentado por uma forte produção de aço na China, mesmo depois de o país prometer reduzir o excesso de produção.
Ainda assim, os preços permaneceram bem abaixo daqueles registrados no auge do boom das commodities alimentado pela China.
Na semana passada, o diretor-presidente da Anglo American PLC, Mark Cutifani, alertou que o setor de mineração provavelmente enfrentará um mercado mais difícil no segundo semestre. Ele se mostrou pessimista sobre o mercado de minério de ferro devido ao aumento da oferta.
O Fundo Monetário Internacional reduziu em julho sua previsão de crescimento global para este ano e o próximo. Ele afirmou que a decisão do Reino Unido para sair da União Europeia pesaria sobre a economia mundial e alertou que uma série de ameaças, como turbulência geopolítica, aumento do protecionismo e ataques terroristas, poderia tornar o crescimento mais difícil.
Na China, dados recentes oferecem interpretações diferentes sobre a sua economia. Uma pesquisa do governo revelou que a manufatura registrou contração pela primeira vez em cinco meses em julho, enquanto um cálculo do setor privado da atividade fabril apontou para sua primeira expansão em 17 meses.
Economistas têm recomendado que a China mantenha uma política de afrouxamento monetário e gastos elevados em infraestrutura para atingir a meta anual de crescimento de 6,5% a 7% devido ao enfraquecimento das exportações, queda na demanda e desaquecimento do mercado imobiliário.
A China é o principal comprador da maioria das commodities e metais. A divisão de minério de ferro da Rio Tinto, que registrou uma queda de 17% nos lucros subjacentes, está exposta a qualquer desaceleração na economia da China.
Além disso, o início na operação de novas minas e os aumentos dos embarques de minério de ferro da própria Rio Tinto estão contribuindo para turvar o cenário de preços.
Embora o Citigroup tenha elevado em julho sua estimativa de preço do minério de ferro para os próximos 18 meses, ele também projetou que a commodity iria cair para os menores níveis em 10 anos em 2017. O Morgan Stanley prevê que um excedente no mercado internacional continuará a crescer pelo menos até o fim desta década.
Para enfrentar o cenário de incerteza para os preços de commodities, a Rio Tinto vem cortando custos e pagando suas dívidas. Ela reduziu seus custos em US$ 580 milhões no primeiro semestre e pretende cortar mais US$ 1,42 bilhão até o fim de 2017. Sua dívida líquida caiu 6% durante o período de seis meses, para US$ 12,90 bilhões.
A Rio Tinto também abandonou a política de manter o pagamento de dividendos estável ou elevá-los todos os anos. A empresa informou em fevereiro que não iria mais seguir esse compromisso quando o cenário econômico global piorasse e que os dividendos futuros seriam mais vinculados às condições do mercado.
Mesmo assim, a empresa está planejando novas minas, visando estar na dianteira quando os mercados globais de commodities se recuperarem.
Os projetos da Rio Tinto incluem uma mina de cobre subterrânea na Mongólia e uma mina de bauxita na Austrália. Esta semana, a empresa aprovou também um projeto de US$ 338 milhões para concluir o desenvolvimento de sua mina de minério de ferro de Silvergrass, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental.
“Alguém pode dizer que o conjunto de resultados foi um tédio”, afirmou o banco Goldman Sachs em nota sobre o lucro da Rio Tinto. “Mas, nesse momento, o tédio é positivo.”
Fonte: WSJ

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