quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Empiricus compara momento atual ao Plano Real e vê ganhos de até 400% na bolsa


Empiricus compara momento atual ao Plano Real e vê ganhos de até 400% na bolsa

 
bolsa
Depois de prever o fim do Brasil e alertar para os impactos nefastos do governo Dilma Rousseff sobre a economia, a consultoria independente Empiricus diz que este é o melhor momento para o investidor desde 1994, comparando-o ao Plano Real, que acabou com a hiperinflação do país. A consultoria diz ainda que é possível um ganho de até 400% na bolsa brasileira.
O estudo, divulgado hoje e intitulado “Contragolpe: aquilo que ninguém quer que você saiba”, mantém o estilo alarmista típico da consultoria, usado para chamar a atenção para suas análises e atrair assinaturas, mas reúne, em 40 páginas, bons argumentos que sustentam a visão de que o país pode estar no início de um período de vacas gordas, que possibilitariam uma excelente oportunidade para o investidor, segundo Felipe Miranda, sócio fundador da Empiricus.
O título “Contragolpe” é uma alusão à teoria conspiratória da Empíricus, de que as instituições financeiras não querem que o cidadão comum perceba a virada econômica da economia e perca a oportunidade de investir, chegando por último na “festa” e comprando os papéis por preços supervalorizados.
Diferentemente do que acha a Empiricus, porém, o mais provável não é que os grandes bancos não queiram que os pequenos investidores saibam das oportunidades, mas simplesmente não estão nem um pouco preocupados em avisá-los, como já fizeram com os grandes investidores de seus private banks, tratados a pão de ló. O aumento da participação das pessoas físicas no volume da Bovespa é um sinal de que parte dos investidores já se movimenta para comprar ações depois das altas recentes, apesar de os fundos de ações continuarem apresentando resgates.
Apesar de os argumentos da Empiricus serem bons e reforçarem visões de outras casas, que também esperam melhoras para as ações, especialmente após a aprovação do impeachment da presidente Dilma, é importante lembrar que não há garantia de ganhos na renda variável e que há outros fatores, internos e externos, que podem complicar o cenário para a bolsa e para as empresas brasileiras. Por isso, o investidor que quiser surfar essa fase de otimismo não deve esquecer que há riscos, e que não se deve exagerar na concentração de investimentos em bolsa. Pode ser, porém, um bom momento para diversificação de parte dos recursos.
As dez razões para a melhora do cenário do Brasil, segundo a Empiricus, são:
1.      As expectativas para o índice de preços ao consumidor IPCA em 2017 e 2018 estão em queda livre, convergindo para a meta de 4,5%. Com o controle da inflação, os cidadãos retomam seu poder de compra, e a indústria, sua competitividade.
2.      A elevação do nível de confiança da indústria é o segundo sinal de mudança dos tempos. “O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), em bases trimestrais, registrou na medição de junho de 2016 o primeiro avanço desde o terceiro trimestre de 2013.”
3.     O indicador que mede o grau de otimismo do consumidor registrou alta de 6,2 pontos percentuais em junho. É a primeira vez, nos últimos cinco anos, que o indicador revela um sinal de inversão de tendência.
4.      A recuperação do PIB em 2017 aparece como o quarto motivo da reação do mercado de capitais. “O consenso do mercado, representado pelo relatório Focus, atualmente indica crescimentos de 1,1% para a economia brasileira no ano que vem.”
5.     A Medida Provisória 727/16 cria o Programa de Parcerias e Investimento, para tornar mais ágeis as concessões públicas federais e abrir espaço a obras de infraestrutura no País.
6.      A credibilidade da equipe econômica. “Não bastasse o background técnico e o apreço dos mercados, essa equipe goza de algo fundamental, que faltava .”
7.      O risco de Dilma voltar é muito baixo. O documento explica que uma primeira onda de valorização dos ativos brasileiros já aconteceu com o afastamento da presidente. Mas quando essa probabilidade virar certeza, haverá uma segunda onda de alta das ações.
8.     Nenhuma moeda do mundo valorizou-se mais que o real em 2016. Na comparação com as principais moedas globais, o real valorizou-se mais de 20% em relação ao dólar nos primeiros seis meses desse ano.
9.      Um grande fluxo de capitais em direção ao Brasil está em curso. Os bancos centrais de vários países estão injetando recursos em suas economias e, diante das baixas taxas de juros nos países desenvolvidos, esse dinheiro deve migrar para os emergentes.
10.    O presidente Temer tem mais governabilidade. “Em pouco tempo, conseguiu importantes vitórias no Congresso, tais como a desvinculação de receitas do orçamento, a nova meta fiscal, a proposta de teto de gastos e a lei das estatais.”
A Empiricus conclui que as pessoas não têm a dimensão do que está prestes a acontecer com a economia. Historicamente, segundo a consultoria, todos os ciclos de grande valorização da bolsa brasileira aconteceram após um período de quedas significativas e a partir de alguma ruptura estrutural.  “A maior tendência de valorização de ativos se deu na perspectiva de impeachment do Collor. Foram exatos +3.415% de lucro desde a abertura do processo até a consolidação do Plano Real”, afirma Miranda.
O relatório é, portanto, um exercício de união dos pontos: excesso de liquidez internacional, falta de rentabilidade das aplicações no restante do mundo, ativos brasileiros extremamente depreciados e economia brasileira melhorando seus fundamentos após anos de recessão. “Essa combinação de fatores pode alçar os ativos brasileiros a um novo patamar”, conclui Miranda.

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