sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Ibovespa fecha estável e mantém os 58 mil pontos; dólar e juros longos sobem


Ibovespa fecha estável e mantém os 58 mil pontos; dólar e juros longos sobem

 
bolsas
Depois de um dia alternando pequenas altas e baixas, o Índice Bovespa fechou estável, aos 58.298 pontos, com R$ 7,587 bilhões negociados, ligeiramente acima da média do ano, de R$ 7 bilhões por dia. Na semana, o índice subiu 1,1%, acumulando no mês 1,73% e, no ano, 34,49%.
A alta é sustentada em boa parte pelos investidores locais, já que os estrangeiros retiraram R$ 575 milhões da Bovespa este mês até dia 10. A participação dos estrangeiros no volume financeiro negociado caiu este mês, para 51,5%, ante 53,4% na média do ano. Já as pessoas físicas aumentaram para 20,7% em agosto, ante 16,5% no ano.
O mercado brasileiro resistiu à tendência de queda das bolsas na Europa e nos EUA, em meio a dados negativos das economias americana e chinesa, e repercutiu o resultado da Petrobras de ontem à noite. O dólar fechou em alta, de 1,4%, aos R$ 3,185 para venda no mercado comercial, contrariando a tendência do mercado internacional, de queda da moeda americana. Já os juros futuros caíram nos prazos mais curtos e subiram nos mais longos.
No Brasil, o IBC-Br mostrou ligeira recuperação da atividade econômica em julho, segundo dados do Banco Central (BC). Já o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reafirmou em discurso durante seminário em São Paulo que o BC vai fazer a inflação cair para 4,5% no ano que vem e justificou o aumento de intervenções no câmbio.
Bancos e Petrobras ajudaram a segurar o índice. O papel preferencial (PN, sem voto) do Itaú Unibanco, maior peso no indicador, ganhou 0,76%, seguido de Bradesco PN, com 0,14% e Banco do Brasil ON (papel ordinário, com voto), 2,81%. A unit (recibo de ações) do Santander teve alta de apenas 0,05%. Estudo da Economatica mostrou que a rentabilidade dos principais bancos do país é a mais baixa em 10 anos e o Deutsche acredita que os lucros bateram no piso e podem se recuperar.
Petrobras ganha e perde
Petrobras teve alta de 1,68% no papel ON e queda de 0,83% na PN, depois de apresentar lucro de R$ 370 milhões no segundo trimestre, 30% inferior ao do mesmo período do ano passado. Apesar disso, o mercado recebeu bem o fato de ser o primeiro lucro após três trimestres de prejuízos. O banco suíço UBS e a corretora Ativa recomendaram compra da ação, enquanto o BB Investimentos indicou manter o papel.
Já a Vale fechou em queda de 2,44% o papel ON e de 1,97% o PNA, repercutindo dados ruins da economia da China, apesar de o minério de ferro ter fechado em alta de 1,70%.
Americanas lidera altas e BR Malls, as quedas
As maiores altas do Ibovespa foram de Lojas Americanas PN, 4,64%, Natura ON, 3,94%, Pão de Açúcar PN, 3,78%, BB e BR Foods ON, 1,70%. Já as maiores quedas eram de BR Malls ON, 5,35%, Estácio Participações ON, 4,62%, Braskem PNA, 3,36% e Localiza ON, 2,99%.
Dados fracos na China e nos EUA
No mercado internacional, o petróleo abriu em queda, com os dados mais fracos da economia chinesa, relativos à produção industrial e ao varejo, mas depois se recuperou diante de indicadores também abaixo do esperado dos EUA, que enfraqueceram o dólar e valorizaram a commodity. As vendas no varejo de julho nos EUA ficaram estáveis em relação ao mês anterior e, excluindo automóveis, caíram 0,3%. A expectativa de analistas era de alta, de 0,5% no índice geral.
Outro indicador, os preços ao produtor (PPI) nos EUA, caíram 0,4% em julho, a maior queda desde setembro de 2015, para uma expectativa de alta de 0,1%. Sem alimentos e combustíveis, a queda foi de 0,3%. Os dados indicam menor força da recuperação da economia dos EUA, o que pode afetar o restante do mundo. O dólar caiu em relação ao euro e ao iene e os juros dos papéis de 10 anos recuaram, para 1,492% ao ano, -0,068 ponto percentual.
Bolsas caem na Europa e Estados Unidos
Com isso, as bolsas na Europa fecharam em queda com o índice Stoxx 50 recuando 0,13%. Apenas o Financial Times, de Londres, contrariou a tendência, fechando com alta de 0,02%, enquanto o DAX, de Frankfurt, perdeu 0,27%, o CAC, de Paris, 0,08% e o Ibex, de Madri, 0,04%.
Nos EUA, o Índice Dow Jones recuou 0,20%, enquanto o Standard & Poor’s 500 perdeu 0,08%. O Nasdaq ganhou, 0,09%. As baixas foram modestas e os mercados acionários americanos continuam nos maiores níveis da história. As bolsas americanas bateram recordes de pontos ontem, todas as três, coisa que não acontecia desde 1999, segundo o The Wall Street Journal, um sinal de que há espaço para alguma realização de lucros.
Petróleo reage a declarações de ministro saudita e dólar
O petróleo manteve a alta pelo segundo dia, depois de iniciar o dia em baixa. A recuperação foi ajudada pelo dólar mais fraco e pelas declarações  do ministro da Energia saudita Kahalid al-Falih, que disse que a Arábia Saudita pode trabalhar com outros países produtores para estabilizar os preços.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) marcou uma reunião extraordinária em setembro para discutir a produção na Argélia, mas analistas lembram que todas as tentativas anteriores de reduzir o volume vendido fracassaram e lembram que a própria Arábia Saudita bateu recordes de produção no mês passado.
O barril do tipo WTI subiu 2,30% em Nova York, para US$ 44,49, e o do tipo Brent, 2,02% em Londres, para US$ 46,97 o barril. O ouro perdeu força ao longo do dia e caiu 0,21%.
Juros longos sobem no Brasil
As taxas de juros projetadas pelo mercado futuro de DI caíram no curto prazo, com o contrato para janeiro de 2017 indicando 13,960%, ante 13,965% ao ano ontem. Para janeiro de 2018, a projeção subiu para 12,66%, ante 12,64% ontem e, para janeiro de 2019, ficou estável em 12,10%. Já para 2021, a projeção subiu para 11,91% ao ano, ante 11,90% ontem.
Dólar sobe com swap e Temer
No mercado de câmbio, o dólar comercial teve mais um dia de alta, contrariando a tendência do mercado internacional e reagindo ao aumento da oferta diária de leilões de swap reverso do Banco Central de US$ 500 milhões para US$ 750 milhões. A moeda reagiu às declarações do presidente interino, Michel Temer, ao Valor Econômico, afirmando que a queda da moeda americana preocupa por afetar os exportadores. Mas, segundo o especialista em câmbio da Wagner Investimentos, José Raymundo Faria Júnior, a tendência do dólar vai continuar sendo de queda se o BC não reduzir logo a taxa de juros.
O dólar comercial fechou em alta de 1,4%, vendido a R$ 3,185. Já o dólar turismo, das viagens e do varejo, subiu 1,22% para R$ 3,31 para venda.



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