domingo, 8 de setembro de 2013

sulfetos maciços de minérios econômicos


Gossan, segundo a definição original é o produto do intemperismo  sobre sulfetos maciços de minérios econômicos. Um sulfeto maciço, por sua vez  tem que ter mais de 50% do peso em sulfetos... Esta é a definição inicial, que  está sendo abandonada. Hoje, a visão dos Geólogos de Exploração sobre  os gossans evoluiu: gossans são produtos de intemperismo de rochas sulfetadas não  necessariamente maciças e não necessariamente derivados de sulfetos  economicamente interessantes. Eles são também chamados de chapéus de ferro  (Francês). Em alguns casos são chamados de gossans os ironstones derivados do  intemperismo sobre carbonatos ricos em ferro como a siderita.
Os principais minerais de um gossan são a goethita e  hematita. Outros hidróxidos de ferro comuns são geralmente agrupados como limonitas.  Estes óxidos  conferem à rocha a sua característica ferruginosa com cores fortes, ocre  vermelho-amareladas. A rocha encontra-se na superfície podendo ou não estar em  cima dos sulfetos originais. Gossans podem ser transportados. Neste caso os  óxidos migraram e se precipitaram longe dos sulfetos de orígem.
Em geral um gossan é poroso e pulverulento. Seus  minerais são formados pela decomposição dos sulfetos com formação de ácido  sulfúrico. O ácido acelera sobremaneira a decomposição dos minerais, lixiviando  parcial ou totalmente os elementos solúveis. A lixiviação pode ser tão intensa  que os elementos solúveis como zinco ou até mesmo o cobre podem não mais estar  presentes no gossan. Portanto a simples avaliação química de um deve levar em  conta, também, aqueles elementos traços menos móveis que talvez estejam ainda  presentes e que possam caracterizar a rocha como interessante. Esses estudos de  fingerprinting são fundamentais quando o assunto é gossan.
Durante o processo de decomposição é comum que a textura  original dos sulfetos se mantenha de uma forma reliquial: as chamadas boxwork  textures. Texturas boxworks são entendidas por um pequeno e seleto grupo de  geólogos. Elas indicam, em um grande número de casos, qual foi o sulfeto  original. Em muitos gossans os boxworks só podem ser vistos ao microscópio  petrográfico.
Foi essa correlação entre textura boxwork e o sulfeto  original que gerou trabalhos clássicos sobre gossans, como o do pioneiro Ronald Blanchard ou o do colega Ross Andrew, possivelmente inexistentes  nas bibliotecas das escolas de geologia. A determinação dos sulfetos a partir  das texturas é uma arte que está sendo perdida nos nossos dias e tende a  desaparecer com a chegada dos equipamentos de raio x portáteis.
Gossan Blocks Gossan pirita Carbonato Gold em gossan Opaline Gossan  Calcopirita gossan 
Blocos de gossan
 calcopirita
Gossan sobre pirita
boxworks cúbicos
Pseudo gossan sobre carbonatos Ouro em gossan Gossan silicoso (opaline  gossan)
Cu-Ni 
Gossan sobre calcopirita  maciça
Foi através da descoberta de gossans na superfície que  foram descobertas a maioria das jazidas de níquel sulfetado tipo Kambalda na  Austrália na década de 60 e 70. Nesta época, a capacidade do Geólogo de  distinguir entre gossans derivados de sulfetos de Cu-Ni dos derivados de  sulfetos estéreis como a pirita e pirrotita foi o diferencial entre os bem  sucedidos e os losers. Foi nesta época que se desenvolveu a microscopia de  gossans pois, como dissemos acima, muitos gossans tiveram seus elementos  econômicos lixiviados quase que totalmente restando somente o estudo de boxworks  para a identificação dos sulfetos originais.
A determinação e estudo de gossans e de boxwork textures   levou à descoberta de inúmeros porphyry coppers como muitos dos gigantescos  depósitos de Cu-Au-Mo dos Estados Unidos, Andes e mesmo na Ásia.
No Brasil é clássico o gossan de Igarapé Bahia, que foi  lavrado por anos a céu aberto como um minério de ouro apenas...até a descoberta  de calcopirita (Depósito Alemão) associada a magnetita, em profundidades de 100m. Se os Geólogos da  Vale entendessem de gossans, naquela época, a descoberta do Alemão não seria  feita por geofísica com décadas de atraso como foi o caso.
Mesmo descobertas como o depósito de Cobre de alto teor  Mountain City em Nevada, 1919, foi uma decorrência de um estudo feito por um  prospector de 68 anos chamado Hunt em um gossan tido como estéril. O gossan, que  não tinha traços de cobre, jazia poucos metros acima de um rico manto de  calcocita...O Hunt não sabia o que era um gossan mas acreditava que a rocha era  um leached cap ou um produto de lixiviação de sulfetos. Ele tinha o feeling,  coisa que todo o Geólogo de Exploração deve ter.  Exemplos como estes devem  bastar para que você se convença da importância dos gossans na pesquisa mineral.
A foto do gossan silicoso é um excelente exemplo. Eu  coletei essa amostra exatamente sobre um sulfeto maciço de Cu-Ni no Limpopo Belt  em Botswana (Mina de Selebi Phikwee) minutos antes do gossan ser lavrado. O  gossan estava 5 metros acima do sulfeto fresco...Neste caso o gossan é  constituído quase que exclusivamente por sílica (calcedônia) de baixa densidade  (devido aos poros microscópicos). Até o ferro foi remobilizado desta amostra. A  cor amarelada da amostra se mesclava com cores avermelhadas no afloramento. Somente ao microscópio que aparecem os  boxworks de calcopirita e de pirrotita e pentlandita. Selebi-Phikwe em produção  desde 1966 deverá ser fechada ainda este ano.
Com certeza esse foi o último opaline gossan  de Selebi-Phikwe. O mais interessante é que as análises que eu fiz no Brasil  mostraram cobre abaixo de 100ppm e níquel em torno de 150ppm. Em outras palavras  qualquer um que coletar uma amostra em ambiente ultramáfico que analise 70 ppm  de Cu e 150ppm de Ni não vai soltar foguetes. Vai simplesmente desconsiderar a  amostra e partir para outra. Ele poderá estar perdendo uma oportunidade  extraordinária por desconhecer o que um gossan.
Se você ainda não está convencido da importância dos  gossans entre no Google e pesquise duas palavras: gossan discovery. O Google vai  listar milhares de papers sobre descobertas minerais feitas a partir de um  afloramento de gossan.

Ações da Paranapanema sobem com notícia de uma nova planta

Ações da Paranapanema sobem com notícia de uma nova planta
A Paranapanema já é a dona da maior metalurgia de cobre do Brasil, mas as suas ações começaram a atingir a maior alta em 3 meses após as notícias de expansão. A Paranapanema, que já tem uma das melhores performances do ano entre as mineradoras,  pretende instalar uma nova planta de refino de cobre em Santo André/SP. A ideia é importar a planta da Polônia e montá-la no Brasil. Os investimentos previstos estão na ordem de $520 milhões.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Empresas chinesas invadem garimpos de cristal no Brasil

Empresas chinesas invadem garimpos de cristal no Brasil
Segundo garimpeiros, chineses compram o cristal bruto sem nota fiscal, e legalização é feita por empresas brasileiras
Mesmo com a barreira do idioma, asiáticos ficam com 80% da produção das pedras em estado bruto e ditam as regras do comércio


Victor Schwaner/Agência Nitro
Filho de empresário chinês diante de cristal no jardim de sua casa, em MG


ELVIRA LOBATO
ENVIADA ESPECIAL A CURVELO E CORINTO (MG)

No refeitório do Bom Hotel, de Curvelo (a 160 Km de Belo Horizonte), cartazes avisam em chinês que é proibido cuspir no chão. Há quatro anos, compradores provenientes da China continental -onde é comum cuspir no chão, mesmo dentro de casa- descobriram o acesso aos garimpos de cristal de Minas Gerais, Bahia, Tocantins e Pará e, gradualmente, dominaram o mercado.
Eles absorvem 80% da produção e ditam as regras no comércio. As pedras saem em estado bruto para serem lapidadas na China e de lá são recolocadas no mercado internacional -inclusive no Brasil-, na forma de jóias semipreciosas, de bijuterias e de artigos para decoração, esoterismo ou medicina oriental.
Com mão-de-obra e maquinários baratos, a China se tornou imbatível na industrialização de pedras semipreciosas de menor valor, como o cristal, e tomou conta do mercado mundial nesse segmento. Os lapidários de Minas Gerais entraram em declínio, com a valorização do real (que encarece o produto brasileiro no exterior) e a concorrência chinesa.
Alguns empresários abandonaram a lapidação e passaram a vender pedras brutas para os rivais asiáticos, que pagam em dinheiro e à vista. Outros terceirizaram a lapidação e passaram a contratar o serviços de fundo de quintal para reduzir custos.
""Recuamos aos tempos coloniais e voltamos a ser exportadores de matéria-prima e importadores do produto industrializado", queixa-se José Jesus Facuri, presidente da Associação Mineral do Centro de Minas e dono da empresa Quartzo Rosa, de Curvelo. Das 14 máquinas de lapidação que possui, 10 estão ociosas.
Sílvio Aparecido de Almeida, 31, dono da Sílvio Pedras do Brasil, também de Curvelo, percebeu o impacto da entrada dos chineses com antecedência e mudou de ramo: desativou a lapidação -que chegou a empregar 40 pessoas- em 2005 e passou apenas a intermediar a venda de cristal bruto. ""Das minhas vendas, 80% são para a China", diz ele, que está de viagem marcada para aquele país, a convite de importadores.
Chien Chiu Sheng, de Taiwan, um dos maiores compradores de cristal do país, faz coro com os brasileiros na queixa contra a competição da China comunista. Diz que sua empresa, a IAS do Brasil, sediada em Curvelo, chegou a empregar 140 pessoas, que trabalhavam na classificação e no beneficiamento de cristal exportado para a matriz, em Taiwan. Ele diz que já reduziu o número de empregados para 35 e que outros 20 estão sendo demitidos.
""Não dá para concorrer. A jornada de trabalho na China continental é de nove horas diárias, com um dia de folga por mês. Um empregado de lapidação custa o equivalente a US$ 230 por mês na China, semelhante ao custo no Brasil, mas não há os encargos trabalhistas daqui, e o maquinário custa 80% menos do que no Brasil."
Chien disse que sua empresa decidiu fazer a lapidação de cristal na China continental.

Sem nota
Segundo garimpeiros, os chineses compram o cristal bruto sem nota fiscal, diretamente nos garimpos, ou de intermediários. A legalização da mercadoria é feita por empresas brasileiras, que exportam o produto para empresas indicadas pelos chineses.
O que chama a atenção na ação dos chineses é a rapidez com que descobriram os canais de acesso aos garimpos, apesar da barreira da língua.
Segundo os comerciantes de cristal, a China tem reservas próprias, mas elas estão localizadas no norte do país, nas áreas mais geladas, e só ficam ativas poucos meses por ano. Os compradores de cristal são enviados pela indústria de lapidação chinesa.

EM BUSCA DOS DIAMANTES

EM BUSCA DOS DIAMANTES
Ex-garimpeiro garante que o rio Pardo ainda tem pedras e pensa em lançar um livro

O garimpeiro usa a própria pressão da água para "ajeitar" as pedras em um círculo perfeito“Basta ter paciência”. Essa era a receita dada pelo saudoso professor Hélio Castanho de Almeida — morto em 1995 — para quem quisesse encontrar um diamante no rio Pardo. Dez anos antes de sua morte, Castanho era enfático ao garantir que, apesar de mais de 200 garimpeiros terem explorado o Pardo na década de 50, o rio ainda guardaria pedras.
Pode até ser. Mas se encontrar o diamante já é difícil, ainda pior é achar alguém que saiba procurá-lo: um garimpeiro “de verdade”. A prática tão comum em Santa Cruz do Rio Pardo há algumas décadas perdeu-se e as novas gerações pouco ou nada sabem sobre o assunto.
É por isso que Paulo Afonso dos Santos, 70 — mineiro de Jequitaí radicado em Santa Cruz há 20 anos — quer colocar em um livro as técnicas do garimpo que aprendeu com seu pai. Junto ao sonho de escrever o livro, Paulo cultiva outro há duas décadas: encontrar, nas águas do Pardo, um diamante. “Já sonhei diversas vezes que estava achando esse diamante. Quando acordo, fico triste de ser só sonho”, conta.
Paulo, assim como apostava o professor Hélio Castanho de Almeida, tem absoluta certeza de que ainda há diamantes no rio Pardo. Certeza que brotou de um comentário de um parente, quando ele ainda morava em Minas Gerais e estava prestes a se casar com uma santa-cruzense. “Você vai para Santa Cruz do Rio Pardo? Lá tem diamante no rio”, foi a observação feita pelo familiar.
A certeza foi aumentando quando, já instalado na cidade, Paulo passou a observar o cascalho que vem na areia grossa para reformas de casas. Chegando aqui, porém, o garimpeiro começou a trabalhar no ramo de calçados e deixou adormecer, por longos anos, o sonho do diamante. Mas a vontade de encontrá-lo e a certeza dessa possibilidade brotaram novamente depois que o ex-garimpeiro realizou pesquisas no rio Pardo, recolhendo cascalho para examinar o tipo de pedra que o compõe.
Paulo Afonso dos Santos mostra a ferramenta básica de qualquer garimpeiro: a peneiraCertos tipos de pedras costumam acompanhar o diamante e o bom garimpeiro sabe “ler” essa mensagem. Paulo aprendeu a garimpar ainda menino, por volta dos oito anos, em um Estado onde praticamente todos faziam isso — em alguns locais de Minas Gerais, aliás, o garimpo ainda é freqüente. Ele já praticou os três tipos de garimpo existentes: no leito do rio, de gupiara (fora do leito do rio) e de virada — quando se constrói uma barragem para desviar o curso do rio e facilitar o garimpo. Foi no garimpo de virada em Minas Gerais que Paulo, na época com apenas 20 anos, encontrou 126 diamantes. Renderam um bom dinheiro, que foi dividido com colegas. Sua parte, porém, gastou nos anos seguintes.
O tipo de garimpo mais praticado é o de leito de rio — talvez porque nessa modalidade o garimpeiro não tenha que pagar comissão a nenhum meieiro, o que ocorre no garimpo de gupiara e de virada. Mas é uma técnica trabalhosa.
O garimpeiro deve, em primeiro lugar, localizar a concentração de cascalho do rio. Paulo explica que o rio tem “bolsas” no fundo — o que nós chamamos de “fossos” do Pardo. Há dois tipos de bolsas: a fêmea, larga na boca e cheia de cascalho, e o macho, de boca larga, mas estreito no fundo. “A melhor para pegar cascalho é a fêmea”, ensina Paulo.
Para achar as bolsas, o garimpeiro precisa ir de barco pelo rio e usar uma sonda — uma barra de ferro comprida — para “medir” a profundidade. O local da bolsa também deve ser especial — não pode ser muito fundo, já que o garimpeiro deverá retirar cerca de 50 latas de cascalho.
Depois de encontrada a bolsa, o garimpeiro deve preparar o terreiro na margem, em um local sem barrancos. É preciso limpar e socar o terreno, deixando a terra nua e bem plana. Com as próprias mãos, o garimpeiro separa as pedras grandes do cascalho — não servem para nada. O que sobra é passado no ralo, um tipo de funil quadrado feito de ferro que separa mais uma parte de pedras grandes.
O que restou deve ser peneirado, dentro da água. Primeiro na peneira grossa, de aço, especial. O tamanho dos furos impede que as pedras maiores vazem para a peneira de baixo, a mais fina. O garimpeiro descarta novamente as pedras maiores — mas tomando o cuidado de verificar se nenhum diamante “enorme” ficou lá.
No terreiro, o "resumo": pedras maiores, inclusive o diamante, ficam sempre no centro do círculoQuando a peneira fina está com a quantia certa de pedras — coisa que o garimpeiro de verdade “sente” — começa a parte mais interessante. O garimpeiro passa a rodar a peneira, chocando-a de vez em quando contra a água para fazer pressão. Ao final de algumas rodadas e outras tantas batidas, ele vira a peneira de uma só vez no terreiro preparado, para fazer o “resumo” — o exame detalhado das pedras.
No chão, forma-se um círculo de cascalho perfeitamente desenhado: nas bordas, apenas umas pedras minúsculas, que podem ser amareladas ou cinzentas. O tamanho das pedras vai aumentando gradativamente e simetricamente em direção ao centro da peneira. Bem no meio fica o “caboclo”: as pedras maiores e escuras, pretas ou marrons, que durante o processo vão se aglutinando no “fundo” da peneira. Se houver diamante, estará ali. “No meio das pedras escuras, ele salta aos olhos. Não tem como não ver”, conta Paulo. A sensação de encontrar um diamante, segundo o ex-garimpeiro, é indescritível. Uma sensação que Paulo ainda espera vivenciar no Pardo. “Acho que tudo tem seu dia e sua hora”, comenta, cheio de esperança.

Garimpo no Pardo teve até pepitas de ouro

Garimpo no Pardo
teve até pepitas de ouro

MEMÓRIA — Aposentado conta ter achado pepitas, pedras semipreciosas e um diamante de cinco quilates no rio Pardo no final da década de 50


Benedito guarda pedras como o feijão preto e moedas do ImpérioThelma Yeda Roder Kai

Da Reportagem Local

Durante a década de 50, os garimpeiros que passaram pelo rio Pardo puderam achar pedras semipreciosas, diamantes e até pepitas de ouro.
O aposentado Benedito Rodrigo Monteiro, 75, o Dito Berruga, por exemplo, conta ter achado uma quantia de pepitas de ouro suficiente para encher uma caixa de fósforos. Benedito, aliás, afirma ter sido o responsável pela descoberta da maior pedra no rio Pardo: um diamante de cinco quilates. O garimpeiro achou a pedra no final de 59, mas valia tanto dinheiro que só a vendeu quatro anos depois — os possíveis compradores tentavam colocar defeitos para reduzir o preço. “Quando achei a pedra, o Fermino Rocha Contim — inspetor de alunos na Escola de Comércio — disse para levar [o diamante] para o professor Hélio Castanho ver se era de verdade”, conta Benedito. O professor passou uma lixa na pedra, examinou-o atentamente com uma lente para verificar se saía pó. “Você conhece o diamante pelo brilho, peso e dureza. O que eu achei era bom”, contou o garimpeiro.
Benedito trabalhava em uma fábrica de sapatos e garimpava por “gosto”, nas horas vagas. O diamante foi vendido na Galeria Prestes Maia, em São Paulo. Casado com Ana de Jesus Monteiro, Benedito seria pai em pouco tempo. “A pedra deu um dinheiro bom”, conta.
Benedito garimpou no Pardo até meados da década de 60. O garimpo era feito com um parceiro, João Cândido da Silva, o João Branco. Os dois praticavam o garimpo em barrancos — perto da ponte velha do rio Pardo e para cima da usina velha. Para escolher o local do garimpo, eles usavam uma sonda de ferro.
O local bom para o garimpo era o que tinha cascalho. Pedras do tamanho e peso de diamantes — como o feijão preto — indicavam a possibilidade de se achar algo precioso. Os garimpeiros tiravam o cascalho do rio com um balde. O cascalho era despejado em uma armação que tinha quatro peneiras de tamanho diferente, uma sobre a outra. A dupla encontrou muitas pedras no rio. Só para um certo João Garimpeiro, vindo de Minas Gerais, Benedito lembra-se de ter vendido cerca de 15 diamantes pequenos. “Achamos pedra verde, champanhe, cor de conhaque, xibiu de todos os tamanhos”, recorda. Muita gente passava, naquela época, pelo Pardo à procura de diamantes. “Lembro que uma caravana passou o Pardo de ponta a ponta. Limparam quase tudo de pedra que havia”, conta Benedito.
O garimpeiro também achou — e guarda até hoje — moedas do tempo do Império nas proximidades da ponte velha.