terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Vale: é hora de comprar!


Vale: é hora de comprar!

Por Pedro Jacobi  
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Sabemos que em momento de crise o dinheiro anda escasso e guardado a sete chaves em investimentos de pouco risco. Apesar dos riscos inerentes à bolsa achamos que é hora de sair da casca e, para variar, ganhar um retorno positivo nos próximos dias. Veja o que nós acreditamos que pode ocorrer. Ou melhor, por que eu estou colocando minhas fichas na Vale.
 Nos últimos meses a Vale vendeu ativos, cortou custos, demitiu, fechou, pagou dívidas, mudou estratégias, fez tudo certo e...nada aconteceu. As suas ações despencam desde novembro do ano passado. Eu sei que você vai argumentar e tentar explicar o motivo desta queda. Mas, a verdade é que o motivo não é técnico, mas sim humano.
A mesma situação aconteceu com as suas grande rivais, BHP Billiton e Rio Tinto, mas, com elas o mercado reagiu de forma menos emocional e essas empresas mostram um desempenho muito superior ao da Vale neste período.
O mercado é assim mesmo. É emocional. O efeito manada é, frequentemente, mais importantes do que o hard data, do que os números frios. Se o mercado fosse controlado por computadores, prevê-lo seria a coisa mais fácil do mundo. Basta olhar as tendências e os balanços e, voilà: o lucro seria certo. Mas não é assim que as coisas andam.
Ocorre, que quando o comprador e vendedor são seres humanos, outros parâmetros entram em jogo e, então, a previsão vira uma coisa do outro mundo. Até um gato consegue prever melhor do que os experts, como vimos em matéria publicada aqui no Portal do Geólogo. A complexidade é tamanha que torna a previsão da bolsa, na maioria dos momentos, um exercício aleatório. Existem, literalmente, milhares de trabalhos científicos e até prêmio Nobel calcados em algoritmos e gráficos que nos ajudam a prever o desempenho de uma ação no futuro. Os matemáticos usam probabilidades, a teoria do caos, os efeitos bullwipp, efeitos borboleta e muitos outros. Tudo fica fácil quando a explicação é o passado. Mas prever o futuro é para poucos, muito poucos. Mesmo assim existem momentos em que tudo conspira para um único resultado.
É o caso da Vale. Ela tem que subir e subir nos próximos dias.
A ação da Vale está valendo hoje $26,68: um preço irresistível. É claro que ela pode ainda cair, mas não vai cair muito mais.
Tudo leva a crer que veremos o efeito W acontecendo em poucos dias. Ou seja, prepare-se para uma subida rápida e persistente que deve ocorrer já nas próximas duas semanas. Essa subida irá reverter as quedas dos últimos meses. Ou seja, vai dar para ganhar algum dinheiro com a Vale.
Por que acreditamos nisso?  Vamos recapitular:
-Preço da ação muito baixo, empresa sólida e fazendo o dever de casa, o mundo em crescimento com as grandes potências, todas, recuperando-se da prolongada crise. Em cima dessa argumentação coloque a China, que está investindo maciçamente em urbanização e deve continuar comprando minério de ferro como em 2013. Essa conjuntura deve manter os preços do minério de ferro dentro de um patamar estável o que vai viabilizar a maioria dos grandes investimentos que estão sendo feitos hoje. 
Não é a toa que vemos com muito otimismo o futuro do minério de ferro nos próximos anos e com ele o futuro da Vale, que está colocando a Serra Sul e suas 90 milhões de toneladas adicionais de minério de ferro no mercado por ano. Tudo isso com um dos menores custos operacionais por tonelada do mundo. Acredite, quando o assunto é ferro a Vale é um animal!
Essas vendas adicionais irão causar uma enorme alavancagem nas finanças da empresa. Mesmo com o níquel e Simandou a perigo a mineradora vai decolar em 2014. Se você não é avesso a risco está aí uma boa aposta para 2014.
Portanto, prepare-se para mais um rally. Aperte o cinto, sucessos e bons lucros.

O mercúrio do Tapajós: qual o risco de contaminação atual?


O mercúrio do Tapajós: qual o risco de contaminação atual?

Por Pedro Jacobi  
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Há 30 anos o Tapajós foi assombrado por notícias sobre uma possível contaminação  por mercúrio. Na época muito se falou e o nome Minamata era uma constante. O  desastre da Baia de Minamata foi causado por contaminação de mercúrio orgânico,  a partir de indústrias que lançaram líquidos contaminados no mar. Foi o  metilmercúrio, assimilado pelos peixes que envenenou e matou centenas de  pescadores.

A quase histeria coletiva da época, no Brasil, se devia, inicialmente, a  elevados índices de concentração de mercúrio obtidos em análises químicas de  sedimentos do Tapajós.
Posteriormente ficamos sabendo que muitas interpretações estavam calcadas em  erros laboratoriais. O mercúrio analisado era o mercúrio total (metálico somado ao orgânico somado  ao mercúrio inorgânico). Ora, todo o bom entendedor sabe que uma geologia como a  do Tapajós deve ter uma quantidade natural de mercúrio inorgânico, que não é  venenoso, e ocorre em rochas associadas ao ouro. Em certos locais esse mercúrio  pode atingir concentrações elevadíssimas de vários ppm, que se fossem de  mercúrio orgânico poderiam, realmente, causar uma outra Minamata.  Consequentemente, qualquer estudo a ser considerado deve ser focado no mercúrio  danoso, o metilmercúrio que deve ser discriminado nas análises efetuadas.
A contaminação pelo mercúrio ocorre quando os garimpeiros perdem o mercúrio  metálico usado na recuperação do ouro dos garimpos. Parte do mercúrio é  vaporizado quando o garimpeiro tenta concentrar o ouro a partir do amálgama (veja as fotos).

Acredito que foi esse vapor de mercúrio o principal agente contaminador em toda  a região do Tapajós.  O vapor de mercúrio foi espalhado pelo vento sendo aspirado por praticamente todos que estavam  nas proximidades, ou seja: a maioria das centenas de milhares, talvez milhões de  garimpeiros e demais habitantes do Tapajós desde a descoberta do ouro em 1958.  No início Santarém foi o principal centro do ouro e da contaminação por vapor.  Depois, gradativamente Santarém foi substituída por Itaituba que se tornou o  polo comprador e fundidor de ouro de todo o Tapajós. Bem mais tarde as cidades  do norte do Mato Grosso passaram também a ter o ar poluído pela queima do ouro  amalgamado nos garimpos.
No  garimpo o mercúrio metálico vaporizado é, eventualmente precipitado e arrastado para as drenagens  onde pode ser  transformado em mercúrio orgânico, solúvel, e, então ser assimilado por peixes que  irão contaminar as pessoas que os consumirem. O mesmo ocorre com o mercúrio  perdido na lavra do ouro em processos obsoletos de garimpagem.
Esses peixes podem levar a  contaminação a distâncias consideráveis dos centros garimpeiros e devem ser  adequadamente estudados para que tenhamos a correta extensão do fato.
Estudos sobre os níveis de mercúrio em peixes da bacia do Tapajós, que foram  conduzidos na década de 90 mostraram que, nas regiões próximas aos garimpos, os  peixes tinham uma concentração elevada do metal. Em alguns casos peixes  coletados a centenas de quilômetros também se mostraram anômalos para mercúrio.

É importante lembrar que praticamente toda a população do Tapajós já foi  exposta, várias vezes na sua vida, aos vapores de mercúrio derivados da queima  do ouro em garimpos, nas vilas e nas grandes cidades da região como Itaituba e  Santarém.
Quem não se lembra do cheiro característico da queima do ouro?
Se esse for o seu caso, como é o meu, tenha certeza que você sofreu algum grau  de contaminação por vapor de mercúrio no passado.
Em vilas e cidades como Itaituba e Santarém onde toneladas e toneladas de ouro  amalgamado foram compradas, processadas, queimadas e fundidas em centenas de lojas de compra e  laboratórios clandestinos é de se esperar que uma boa parte da população, que  vivia ou ainda vive nas proximidades, foi ou está sendo contaminada pelos vapores de mercúrio. Itaituba, por  exemplo, tinha inúmeras compras de ouro espalhadas pelo centro e subúrbios onde os maçaricos  jamais paravam de queimar o ouro amalgamado despejando toneladas de mercúrio  vaporizado no ar da cidade. Sem perceber milhares de pessoas foram contaminadas.
Quantas vezes foram feitas inspeções por agentes da saúde especializados no  assunto nestas lojas e fundidoras? Será que elas não continuam despejando o  vapor tóxico no ar da cidade?
fundição em Itaituba
Acima Uma fundição de ouro dentro de um bairro  residencial de Itaituba. Muitas dessas estiveram funcionando por décadas  sem o mínimo de controle.

Essa contaminação pode ser constatada em análises das unhas, cabelos e sangue. O  mercúrio ficará com a pessoa até a sua morte. Ou seja: não adianta tentar  interpretar a contaminação do meio ambiente pelo mercúrio contido nas pessoas  pois essas podem ter sido contaminadas a milhares de quilômetros de ondem vivem.
Se quisermos entender o risco das pessoas e do meio ambiente o caminho  é analisar os peixes pois esses serão os vetores da contaminação. Dizer que um  cidadão de Itaituba ou Santarém com mercúrio elevado nos fios de cabelo é  decorrente de uma contaminação por peixes é, muito provavelmente, uma afirmativa errada.
Os novos estudos, se existirem, devem ser focados nos peixes da região pois serão  esses que irão mostrar o nível de poluição que está afetando o habitante do  Tapajós hoje.

A boa notícia é que, nos últimos anos, muito se fez para evitar a contaminação do mercúrio. Capelas  foram instaladas em quase todas as compras de ouro e garimpos o que reduz  significativamente a contaminação. A maioria dos garimpos de balsas foi banida  dos grandes rios e houve, também, uma retração dos demais garimpos de ouro na  região com as quedas dos preços do metal. Esses fatos, em conjunto com a maior  conscientização dos garimpeiros, que hoje estão mais protegidos, devem ter  contribuído para uma queda significativa na contaminação regional.

Na semana passada, um grupo de cidadãos do Tapajós encaminhou uma petição ao  Governador do Pará para iniciar mais uma pesquisa que possa comprovar o real  risco de contaminação que eles estão sendo submetidos.
Essa pesquisa, no nosso entender, deveria ser feita sistematicamente nos  pescados que alimentam Itaituba e Santarém e outras vilas importantes da região,  sem nenhuma interrupção enquanto existirem os garimpos de ouro, com os  resultados sendo constantemente divulgados em um site apropriado. Isso deve ser  um trabalho de monitoramento feito pela saúde pública.
Da mesma forma deve ser monitorado, constantemente, as instalações de compra e  fundição de ouro em todas as regiões com ênfase nas áreas urbanas e populosas  como Itaituba e Santarém pois elas, provavelmente, serão os principais vetores  da contaminação dos cidadãos hoje. esses estudos devem ser expandidos para todas  as regiões produtoras de ouro do Brasil.

A doença DE Minamata é causada pelo envenenamento pelo mercúrio e pode ser muito perigosa levando à morte. Em alguns casos a doença demora décadas para se manifestar.
Os principais sintomas da doença de Minamata são:
-falta de coordenação muscular
-problemas ao andar
-problemas na visão
-problemas auditivos
-tremores
-fraqueza muscular -movimento não intencional dos olhos

Busca por vida abaixo da capa de gelo na Antártica é paralisada

Busca por vida abaixo da capa de gelo na Antártica é paralisada
Os glaciologistas da Antártica tiveram, neste final de ano, uma péssima notícia. O projeto de sondagem em andamento no lago subglacial Ellsworth foi paralisado graças a problemas na sondagem. A tecnologia de sondagem utilizada, que usa água quente para penetrar no gelo, não permitiu atravessar a espessa camada de gelo que capeia o lago subglacial. Acredita-se que demorará anos até que eles tenham um equipamento capaz de atravessar o gelo e coletar as amostras de água do lago.
O Lago Ellsworth é um dos muitos lagos totalmente cobertos por gelo, que estão isolados a milhões de anos da superfície. Os geólogos e cientistas acreditam que eles devem abrigar formas de vida ainda desconhecidas do homem. O projeto foi planejado por uma década e custou 12 milhões de dólares e, agora, teve que ser paralisado para desgraça dos pesquisadores. Durante a fase inicial foram feitos estudos de radar que mostram um lago de 15km com 156m de profundidade coberto por uma camada de gelo de 3.000m de espessura.
Mas nem tudo está perdido.
Em 2012, cientistas russos conseguiram sondar e amostrar a água do Lago Vostok, também coberto pelo gelo, usando uma sonda a querosene. No entanto, as amostras foram contaminadas por bactérias superficiais e os estudos feitos pela equipe russa estão sendo contestados e desmerecidos por cientistas ocidentais. Ocorre que nem tudo recuperado pela sondagem foi de vida microbiana e, com certeza, os seres multicelulares não foram introduzidos por contaminação.
O Lago Vostok, (veja o diagrama) que foi selado pelo gelo a 15 milhões de anos, se mantém líquido por atividade geotérmica na sua porção mais profunda. As amostras coletadas durante a sondagem mostram vários organismos, que ainda estão sendo estudados, como fungos, bactérias, artrópodes, pulgas dágua e moluscos. Os cientistas russos acreditam que ainda existem peixes vivos no lago coberto por 3.700m de gelo.
Diagrama por: Shtarkman et al.

Será que a Coréia do Norte vai virar, de cabeça para baixo, o mercado mundial de terras-raras?

Será que a Coréia do Norte vai virar, de cabeça para baixo, o mercado mundial de terras-raras?
As notícias vindas de Jongjiu na Coréia do Norte estão deixando muitos americanos de cabelo em pé. Os Estados Unidos precisam das terras-raras para a sua indústria bélica, seus smartfones, TVs, mísseis, imãs de alta performance, catalizadores e para se manter a frente da tecnologia mundial.
  A descoberta de o que está sendo chamado de o maior jazimento de terras-raras do mundo com um potencial de 6 bilhões de toneladas ou de 65 trilhões de dólares de valor pode mudar completamente o cenário das TR do mundo. Se esse depósito for confirmado ele terá seis vezes mais terras-raras do que a China que já controla 95% da produção e das reservas  mundiais.
A empresa das Ilhas Virgens a SRE Minerals Limited tem uma joint venture com o Governo da Coréia do Norte para a exploração dessas terras-raras. No momento ainda não foram feitos os estudos definitivos de cálculos de reservas que certifiquem o tamanho real dos depósitos. Portanto os números falados ainda são especulativos mas tudo leva a crer que os jazimentos de Jongju sejam fora de escala. O que a SER Minerals publica é que o alvo tem um potencial para 6,02 bilhões de toneladas de minério com 216,2 milhões de toneladas contidas de TREO (total de óxidos de terras-raras) conforme abaixo:
-664.9 Mt @ >9.00% TREO,
-634.0 Mt @ >5.70 ≤ 9.00% TREO,
-2.077 Bt @ >3.97 ≤ 5.70% TREO,
-340.4 Mt @ >1.35 ≤ 3.97% TREO,
-2.339 Bt @ ≤1.35% TREO
Um jazimento dessa proporção ainda não havia nem sido sonhado.
Em abril de 2014 começam os 96.000m de sondagem que serão seguidos por mais 120.000m da fase 2 que irão criar uma certificação no padrão Jorc, aceito internacionalmente. O interessante é que ainda existem vários outros alvos que poderão aumentar ainda mais os recursos coreanos.
Se esse jazimento for confirmado e entrar em produção é possível que a China seja fortalecida nessa equação. Afinal a China é o único país a sustentar, auxiliar e proteger a Coréia do Norte nos últimas décadas. Além disso é a China que detém a tecnologia e o mercado mundial das TR o que a Coréia do Norte, um país pobre e de baixa tecnologia, está longe de ter.
É complexa a situação da SER Minerals que ficará pressionada entre a Coreia do Norte e a China. Possivelmente a SRE Minerals Limited  e a Pacific Century serão engolidas pelas estratégias políticas que irão ditar todos os passos do projeto à distribuição das TR em Jongju.
A empresa tem a concessão por 25 anos e poderá colocar uma refinaria como parte do negócio.

Aço e o Japão: houve uma época...

Aço e o Japão: houve uma época...
Houve uma época que o Japão era um dos maiores produtores de aço do mundo e que o Brasil era o seu maior fornecedor. Foi nessa época que a Vale se estabeleceu como uma grande mineradora e exportadora de minério de ferro.
Essa época passou e hoje, para comparação, a China produziu em 2013, nada mais nada menos do que, sete vezes mais aço do que o Japão. Em 2013 o mundo todo produziu 1,6 bilhões de toneladas de aço e a China, a maior produtora, foi responsável por 48% desse montante. Foram 780 milhões de toneladas de aço produzidos em 2013, 7,2% acima da produção de 2012.
Números maiúsculos que mostram que a revolução chinesa continua em andamento.
O Chairman da Sumitomo Metal Corp  Shoji Muneoka diz que a China está aumentando a sua produção acima da demanda mundial. Enquanto isso o Japão está paralisado em 100 milhões de toneladas de aço nos últimos 20 anos uma evidente prova de que a economia japonesa já estabilizou.
Mas nem tudo está perdido na indústria do aço japonês. Apesar de uma produção equivalente a 7% do mercado mundial o aço japonês tem vantagens competitivas pela qualidade e por produtos com grande valor agregado. Essa diferença compensa, parcialmente, o não crescimento da indústria.
Os japoneses encontraram nichos onde eles tem pouca competição. Eles estão concentrando em placas de ferro especiais para a indústria automobilística e criando novas plantas na Tailândia e México, além de expandir algumas plantas antigas como a Yawata Works no Japão. É devido a essa vantagem competitiva, dentro de um nicho de mercado, que os japoneses acreditam estar livres da competição das siderúrgicas chinesas nos próximos 5 anos, afirma o Presidente da Kobe Steel Hiroya Kawasaki.
Nós achamos que o Sr. Kawasaki está um pouco otimista demais quando o assunto é aço e China. Os chineses já mostraram inúmeras vezes, que eles, quando querem, podem mudar e quebrar todos os paradigmas. Vamos aguardar.
Foto: wudli