domingo, 23 de março de 2014

CPI deverá investigar Colossos e a cooperativa de Serra Pelada

CPI deverá investigar Colossos e a cooperativa de Serra Pelada
O deputado Arnaldo Jordy conseguiu o número suficiente de assinaturas para instalar a CPI de Serra Pelada. O objetivo é investigar possível desvio de dinheiro no relacionamento, um tanto obscuro, entre a Coomigasp e a Colossus.
O Ministério da Fazenda já havia identificado irregularidades nos últimos anos, atribuídas a dirigentes da cooperativa ligados ao atual Ministro de Minas e Energia Edison Lobão.
A Colossus, que havia sido negociada na Bolsa de Toronto por $9, paralisou o desenvolvimento de sua mina em Serra Pelada graças à falta de dinheiro e, subsequentemente, foi expurgada da Bolsa após declarar falência. Agora a mineradora pode ser expulsa do negócio de Serra Pelada, caso as irregularidades sejam confirmadas. Já existe até um Projeto tramitando na Câmara para revogar a concessão de lavra de Serra Pelada.
Um caso que ainda está para ser desvendado, mas se o dito popular (aonde tem fumaça tem fogo) for verdade ainda veremos muita “lama” atingindo o ventilador...

Em futuro próximo 40% dos terras-raras poderão vir de reciclagem

Em futuro próximo 40% dos terras-raras poderão vir de reciclagem
A busca por terras-raras é intensa e, provavelmente, novas jazidas, que irão mudar o mercado, entrarão em produção nos próximos 5 anos. Enquanto isso os chineses irão preponderar, produzindo mais de 90% dos mais importantes elementos do grupo terras-raras.
Uma solução que promete amenizar essa situação, no curto prazo, é a reciclagem. A reciclagem de terras-raras não é fácil, pois os elementos estão dentro de diversos tipos de ligas e a tecnologia para recuperá-los ainda engatinha. No entanto estudos estão sendo feitos para que as soluções para uma reciclagem econômica ocorram. Até o momento o material onde a recuperação de terras-raras demonstrou a maior eficiência e economicidade é a lâmpada fluorescente.
Na Europa os consumidores devem reciclar os bulbos, pois eles contém mercúrio o que facilita o trabalho de empresas de reciclagem. Empresas como a belga Solvay já reciclou mais de 1.000 toneladas de lâmpadas fluorescentes recuperando seis elementos que são recompostos e passam a integrar componentes vendidos no mercado. Outro material que está com grande procura são os imãs de terras-raras que frequentemente são encontrados em ferros-velhos. Baterias de carros híbridos e até a água estão sendo considerados como potenciais fontes de terras-raras demonstrando que no futuro talvez os terras-raras não sejam tão escassos como hoje. 

A descoberta, por garimpeiros, do estanho da Serra Branca

A descoberta do Distrito Estanífero da Pedra Branca/GO - Brasil

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Este documento visa resgatar a história da descoberta deste distrito que já produziu centenas de milhões de dólares equivalentes em estanho. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,

A descoberta, por garimpeiros, do estanho da Serra Branca, às margens do Rio Maranhão,mudou o cenário deste metal no Centro-Oeste. Esta região foi imediatamente inundada por empresas e garimpeiros impulsionados pelo sonho da riqueza fácil... ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Após ter perdido a oportunidade de descobrir este depósito (os granitos Serra da Mesa e Serra Branca foram considerados pelo consultor como "intrusões diapíricas do embasamento" e o follow-up proposto pelos geólogos de campo não foi efetuado...) o Chefe do Distrito da Docegeo Centro-Oeste, Axel de Ferran, constitui uma equipe de exploração objetivando a descoberta de outros jazimentos no Centro-Oeste. Esta "equipe", na sua fase inicial, é constituida por mim, um geólogo júnior com pouco mais de 1 ano de experiência, um auxiliar (Wilmar Siqueira) e um bateador experiente (Nilton Botelho). ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Apesar da gritante falta de experiência da gerência de exploração, este programa acabou sendo um verdadeiro exemplo de prospecção mineral bem-sucedida. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
O fase inicial constituiu-se de foto-interpretação, feita no escritório de Goiânia, em busca de alvos potenciais. Como toda a região da Serra Branca estava coberta de pedidos busquei a descoberta de algo inédito em qualquer lugar da nossa área de atuação, o Centro-Oeste. Em duas semanas estavam delineados os primeiros alvos que situavam-se a nordeste de Cavalcante/GO. Estes alvos tinham dimensões variáveis, de poucas centenas de metros até dezenas de milhares de metros como a estrutura da Pedra Branca.
A princípio eles foram recebidos com certo ceticismo e tiveram a sua prioridade reduzida, por não estarem localizados no alinhamento tectônico da Serra Branca e por ficarem a uma enorme distância deste distrito estanífero..
Apesar destes pontos negativos Axel nos dá a luz verde e em 22 de Novembro de 1973 iniciamos os trabalhos de prospecção regional. Nesta data rumamos para a vila de Terezina onde uma pequena pensão repleta de "barbeiros" nos esperava. Graças a informações passadas por geólogos da CPRM, que atuavam na vizinha Cavalcante, pudemos evitar o contágio. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Nos primeiros dias procurei concentrar o foco nos alvos próximos do trecho Terezina-Monte Alegre, a única estrada da região. De uma forma quase subliminar a descoberta do distrito é pressentida no primeiro dia de trabalho, sábado 24 de novembro de 1973, durante a amostragem de concentrados de bateia. Para minha surpresa encontramos cassiterita na quarta amostra coletada! Quando a esmola é demais... A partir deste momento, a cada afloramento estudado, ficam evidentes as manifestações hidrotermais associadas a rochas graníticas, portadoras de concentrações anômalas de cassiterita. A área prometia e a motivação do geólogo de exploração fazia a adrenalina subir. No terceiro dia de trabalho foi descoberta a cassiterita do Morro Sucuri, pequeno stock granítico com bela estrutura circular associada. Este alvo estava localizado às margens da GO-112, por onde milhares trafegavam, e só foi "descoberto", segundo o DNPM uma década depois... ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
No Sucuri foi observado um albita-granito intrusivo, equigranular, cortado por vênulas de quartzo-pirita-fluorita. Nesta fase não foram encontradas mineralizações significativas e toda a cassiterita era submilimétrica. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Dado os resultados positivos obtidos foi priorizada a grande estrutura elíptica da Pedra Branca. Esta serra estava situada a dois dias de cavalo da GO-112, na margem esquerda do Rio Paranã. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Na terça-feira, 4 de Dezembro de 1993 o nosso pequeno grupo de exploradores, agora aumentado para 5 com a adição dos locais Simplício e seu filho Nicanor se aproxima da descoberta do maior depósito de estanho do Centro-Oeste. Durante várias horas de cavalgada, ainda distante do alvo, era observada uma estranha depressão nas cabeceiras de uma drenagem.
Esta anomalia nos atraiu como um farol. No final da tarde montamos acampamento na beira do Córrego Pedra Branca que descia desta bacia de cor anomalamente clara. A curiosidade era enorme e, enquanto Simplício e Nicanor montavam o primeiro acampamento, Nilton, Wilmar e eu fomos amostrar o Pedra Branca.
Estava descoberta uma das principais jazidas aluviais da região.
A noite demorou a passar... No dia seguinte, cedo, começamos a escalada da serra, pelo vale do Pedra Branca. A cada parada era coletada uma amostra de concentrado, que, invariavelmente, dava positiva. Os grãos de cassiterita estavam mais grosseiros indicando a proximidade da fonte.
Durante a subida confirmou-se a nossa hipótese de um corpo granítico intrusivo. O augen gnaisse do embasamento apresentava um belo contato por falha (cataclasitos) com o granito a biotita.
Este granito grosseiro a biotita, passa gradualmente para uma rocha granítica intensamente alterada, sericitizada e caulinizada, cortada por várias gerações de muscovita, clorita e biotita greisens mineralizados. Nesta área os máficos foram totalmente destruidos. A cor branca, da bacia, observada durante a chegada era devido a um colúvio de quartzo leitoso que a cobre quase que totalmente.. Estava explicada a depressão e começava a descoberta dos maiores jazimentos primários de estanho do Centro-Oeste.
Os próximos dias e semanas foram dedicados a prospecção na região. Com o tempo foi possível perceber a importância e as dimensões do distrito.
Em 24 de janeiro de 1974 chegou o PT-HEZ, helicóptero de Belém que iria agilizar e intensificar o ritmo das descobertas. O helicóptero, pilotado pelo Cmdte Sayão e transportando o geólogo Octávio Ferreira da Silva, pousou em emergência com pouco menos de 3 minutos de combustível. Na época não existiam os GPS... Como o tempo estava coberto Sayão não conseguia localizar a nossa clareira, em um vale apertado as margens do Rio Paranã. O desespero era grande e o rádio de Belém gritava fazendo a ponte.
Solicitamos, via rádio que o HEZ começasse a fechar, gradualmente um grande movimento em espiral até que pudéssemos localizá-lo de alguma forma. Com alguns peões nas árvores em menos de 15 minutos pudemos orientá-lo para cima da clareira e ele, seguramente, furou o teto e pousou.
Este foi o meu primeiro contato com o Octavio, grande amigo, que estava tão branco de susto que não foi possível perceber a sua cor original...
Somente no dia 2 de março de 1974, depois da descoberta dos principais depósitos da região (Pedra Branca, Mocambo, Sucuri, Ingazeira, Mangabeiras e Mendes) que descobrimos os greisens com até 80% de cassiterita. Neste momento concentramos os esforços na descoberta destes "buchos", verdadeiras bonanzas que foram, aos poucos, descobertos às dúzias. Eram corpos mineralizados com até 2m de espessura, extremamente ricos.
Por mais que não quiséssemos as notícias espalharam-se com incrível velocidade. Afinal um pequeno bloco deste minério com 1 m3 de volume valia mais de US$30.000,00 no mercado.
Nesta época foi rasgada a primeiras estrada e construida as pontes, que mais tarde, ironicamente iriam facilitar a vida de milhares de invasores. Enquanto isso a nossa equipe se multiplicava com a chegada de Carlos "Carlão" Alberto B. Cunha, Roberto Gomes, Pedro "Caruá" Clementino, Anchieta e Orlando Placha.
A partir deste momento o trabalho entra em fase de avaliação preliminar de reservas e mapeamento de detalhe.
A descoberta me alavancou para a chefia do projeto Rio Grande do Sul e deixei a Serra.
Mas a história continua e a situação rósea, torna-se dramática e difícil.
O inevitável ocorreu. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Hordas de garimpeiros atraidos pelo vazamento de informações acamparam no flanco Sul da Serra. As noites se iluminavam com as verdadeiras "romarias" de garimpeiros com suas lanternas e candieiros a procura dos riquíssimos blocos de cassiterita quase pura. Aos poucos, pela falta de ação da Docegeo, presa em emaranhados político-legais, os garimpeiros perderam o medo e invadiram definitivamente a Serra, forçando os poucos geólogos a se retirarem. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Um triste fim para um trabalho que começou tão bem. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Em poucos meses mais de 5.000 homens povoaram o sertão da Pedra Branca extraindo milhares de toneladas de estanho. Este minério era imediatamente comprado por representantes de "sérias" empresas de mineração, que ao fazer este ato nitidamente ilegal, incentivavam a invasão e o roubo descarado do minério. O garimpo progrediu até 1976, quando mais de 15.000 pessoas trabalhavam os depósitos primários e aluviais. ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
A Docegeo nunca recuperou a enorme perda, mesmo com uma reserva remanescente de mais de 15.000t de estanho ( Padilha em 1981). ouro, cobre, molibdenita, pórfiros, exploração mineral, amazônia, brasil, geologia, consultor, áreas, garimpos, minerais, quartzo, tantalita, ametista, citrino, diamantes, tapajós,
Aqui fica o meu reconhecimento aos amigos de uma equipe vencedora cujo trabalho, bem ou mal, alimentou e empregou dezenas de milhares de pessoas por quase uma década. Fica também o meu respeito àqueles empregados que optaram pela pobreza não usufruindo dos seus conhecimentos para benefício próprio.

sábado, 22 de março de 2014

EX-REI DA SOJA ENCONTRA MINÉRIO RARO NA BAHIA










 



































EX-REI DA SOJA ENCONTRA MINÉRIO RARO NA BAHIA



Conhecido como “rei da soja” por conta do pioneirismo no plantio de soja no Centro-Oeste brasileiro, o empresário Olacyr de Moraes, da Itaoeste, anunciou ontem ao governador Jaques Wagner que encontrou na Bahia a maior reserva mundial de scandium – um mineral raro que é utilizado para a fabricação de foguetes.

A expectativa é de investimento de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 57 bilhões) na extração e no beneficiamento do minério considerado estratégico. A descoberta ainda não foi anunciada ao Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM).

“Estivemos com o governador para anunciar esta importante descoberta e para dizer a ele que o interesse do nosso grupo é o de desenvolver a cadeia do produto aqui”, explicou o diretor de negócios internacionais da Itaoeste, André Guzman.

Segundo ele, o beneficiamento do produto vai exigir um grande investimento, com um significativo impacto positivo para o Estado. “E um proieto de US$ 30 bilhões, que trará impactos a curto e médio prazos”, garante. Com uma descoberta de vanádio na região oeste, a Itaoeste estima faturar R$ 10o milhões este ano na Bahia.

Brasil pretende retomar produção de terras-raras

Brasil pretende retomar produção de terras-raras


Os 17 elementos químicos conhecidos como terras-raras  são insumos essenciais à tecnologia de ponta.
Sem eles, o mundo talvez não tivesse, por exemplo, tablets, smartphones e aparelhos de ressonância magnética, além de catalisadores para refino de petróleo, carros híbridos e turbinas de energia eólica.
Nos últimos anos, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) voltou suas atenções para esses recursos minerais e, até 2016, deve investir R$ 11 milhões em pesquisa.
"Temos um conjunto de minerais estratégicos para o país, dentro dos quais se destacam as terras-raras, ao lado de agrominerais, lítio e silício", explica o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Alvaro Prata.
Uma audiência pública no Senado discutiu nesta semana um marco legal para esses elementos. "Cuidar das terras-raras é cuidar dos nossos minerais estratégicos e cuidar dos minerais estratégicos é cuidar da nossa riqueza mineral".
Ímãs de terras raras
Uma das possibilidades de ação é agir para tornar o Brasil um fornecedor mundial de ímãs usados na fabricação de carros elétricos e geradores de energia eólica.
Um estudo feito pelo MCTI indica pelo menos cinco aplicações estratégicas dos elementos no país.
"Para nós, hoje, a mais importante delas diz respeito aos ímãs de terras-raras, por sua utilização em vários setores industriais", adiantou o Prata. "Quando fazemos um ímã com terras-raras, conseguimos a mesma potência com geradores ou motores em volume e peso bem menores que o normal."
Além dos ímãs, o estudo sugere como estratégicas as cadeias produtivas de catalisadores, usados no refino de petróleo; ligas metálicas; fósforos luminescentes, matéria-prima de lâmpadas de última geração; e pós para polimento e fabricação de vidros e lentes.
Na opinião do secretário, também haverá espaço para aplicações ainda não dominadas. "Um exemplo é o gadolínio, que possui uma característica muito impactante, o efeito magnetocalórico gigante", disse Prata. "Isso pode ser utilizado para gerar frio e calor, ou seja, estamos falando de uma tecnologia que pode substituir os itens tradicionais da indústria de refrigeração."
Minerais estratégicos
O MCTI, em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), definiu um programa setorial para minerais estratégicos, que propõe o desenvolvimento e o estabelecimento da cadeia produtiva de terras-raras, desde a produção de óxidos até sua aplicação em componentes de produtos de alta tecnologia.
Segundo Prata, muito do desenvolvimento tecnológico nacional passa pelo grupo de minerais, distribuído por reservas de todo o país.
"Precisamos desses 17 elementos químicos em vários produtos nos quais queremos agregar tecnologia. A questão é que o Brasil, que já teve bastante competência em terras-raras, reduziu ao longo dos tempos a importância que dava a esses recursos, porque a China dominou o mercado mundial," afirmou.
Se quiser voltar ao páreo no mercado internacional, de acordo com Prata, o Brasil deve investir para dominar rotas tecnológicas da prospecção bruta ao desenvolvimento de produtos.
Óxidos de terras-raras
"O MCTI e o MME têm se preocupado neste momento com toda a cadeia produtiva, não só a mineração, mas a separação da matéria-prima de onde se obtêm os óxidos, a formação de ligas e o uso que se faz delas, seja para fazer ímãs superpotentes seja para catalisadores," declarou.
A separação se faz necessária pela característica dos elementos de se dissolverem entre outros minérios. Embora abundantes pelo planeta, as terras-raras costumam ter baixa concentração. "Na verdade, o termo leva o adjetivo 'rara' porque, quando se faz a mineração, nunca se encontram essas substâncias em abundância, mas sempre diluídas", observa o secretário.
Segundo ele, depois da mineração e da separação, a cadeia envolve os óxidos de terras-raras, que são muito instáveis, em um processo elaborado, dificultoso. "É possível utilizar os óxidos por si só, mas normalmente se quer transformá-los em ligas com as quais, por exemplo, se fazem ímãs, úteis para desenvolver geradores eólicos e motores elétricos de alto desempenho. Nota-se, então, que falamos de toda uma cadeia muito complexa".
Visões diferentes
Décadas atrás, o Brasil extraía quantidades significativas de terras-raras. Jazidas localizadas do Rio de Janeiro à Bahia forneceram matéria-prima para mantas incandescentes de lampiões produzidos na Europa e viabilizaram a fabricação de um submarino de propulsão nuclear pelos Estados Unidos.
Mas, nos anos 1980, a China previu o potencial dos elementos e investiu em pesquisa tecnológica, a ponto de tornar seus preços baixos o suficiente para desmobilizar a extração dos minerais no resto do planeta, que deixou de produzi-los e começou a importar a matéria-prima da república asiática.
"Isso aconteceu porque o país que detém as maiores reservas se tornou o maior produtor e supriu todo o mercado mundial em abundância", recordou Prata. "Hoje, 97% das terras-raras do mundo são produzidas na China".
Recentemente, o governo chinês restringiu suas exportações dos elementos e aumentou os preços do mineral bruto. "Aí se observa a questão da soberania, da visão estratégica, quer dizer, hoje, em função da importância que as terras-raras adquirem numa série de produtos tecnológicos, o Brasil e outros países percebem que não podem ficar dependentes de um único fornecedor para o suprimento de uma matéria-prima tão relevante", pondera o secretário.