sábado, 26 de abril de 2014

Rodonita e rodocrosita

Rodonita e rodocrosita são duas gemas que se assemelham em diversos aspectos, não apenas no nome.
Em grego, rhodon significa rosa, daí o nome da rodonita, que tem uma cor rosa-avermelhada, semelhante à da carne vermelha. Rodocrosita é um nome formado pelo mesmo prefixo grego, mais o sufixo khrosis, também grego, que significa colorido. Sua cor geralmente é um rosa mais claro que o da rodonita.
Esse mesmo prefixo aparece ainda nos nomes de outras gemas, como a rodizita (também chamada de rodozita) e a rodolita. Na rodizita, porém, a cor rosa não aparece no mineral e sim na chama do maçarico quando sobre ele incide.
RODOCROSITA
A rodonita freqüentemente mostra manchas ou veios pretos de óxido de manganês, ausentes na rodocrosita.
Tanto uma quanto outra devem sua cor à presença do manganês. Mas, aí já surge uma diferença: a rodocrosita é um carbonato de manganês - MnCO3 - enquanto a rodonita é um silicato de manganês e outros metais, com fórmula química (Mn, Fe, Mg, Ca) SiO3. O teor desse metal é semelhante: 47,6% na rodocrosita e 39 % a 42% na rodonita.
Outra semelhança é o hábito (aparência externa), pois ambas são encontradas geralmente com aspecto maciço, sendo raros os cristais bem desenvolvidos. Tanto uma como outra são geralmente translúcidas e ambas podem ser usadas como fonte de manganês, embora outros minerais sejam mais importantes que elas nesse aspecto.
RODONITA
As durezas são muito semelhantes (entre 3,4 e 3,7) e nenhuma delas mostra pleocroísmo. Já a fluorescência, ausente na rodonita, pode aparecer, embora fraca, na rodocrosita, em cor vermelha.
O índice de refração varia menos na rodonita (1,660 a 1,740) do que na rodocrosita (1,600 a 1,820).
As duas gemas são encontradas no Brasil, principalmente em Minas Gerais. A rodonita ocorre também na Bahia em Urandi. O principal produtor mundial de rodocrosita é a Argentina, mas informações verbais que nos foram fornecidas por um minerador daquele país dão conta de que essa gema já é rara lá. A rodonita é abundante nos EUA e na Rússia.

A TURQUESA

Uma das gemas mais tradicionais, a turquesa é um fosfato hidratado de cobre e alumínio.
É reconhecida principalmente por sua cor, tão característica que se fala com muita freqüência em azul-turquesa. A cor, na verdade, varia do azul-celeste, a mais valiosa, ao verde-azulado ou verde-amarelado. Os tons azuis são devidos ao cobre e os verdes, à presença de pequenas quantidades de ferro.
Ao contrário da maioria das gemas, a turquesa não tem brilho vítreo, e sim porcelânico. Tampouco mostra transparência, sendo translúcida a opaca.
Além de ter uma cor clara, ela é porosa, o que facilita a acumulação de sujeira. Some-se a isso o fato de ser fácil de quebrar, sensível à luz solar, suor, cosméticos e calor para se ver o quão frágil é essa gema.
Apesar da cor e brilho característicos, nem sempre é fácil identificar a turquesa. Existem outras gemas que podem se assemelhar a ela, como a amazonita, a crisocola e variscita; turquesas sintéticas, muito semelhantes às naturais, e imitações feitas com vidro e outros materiais, em alguns casos também muito semelhantes às gemas verdadeiras. Além disso, existe a turquesa reconstituída, obtida com gema natural pulverizada, misturada a uma cola e prensada, de modo a ficar compacta o suficiente para poder ser lapidada.
As turquesas mais valiosas provêm, do Irã. No Brasil, a produçào é muito pequena.

AMETISTA

Uma das pedras preciosas mais conhecidas e apreciadas, a ametista é uma variedade de quartzo de cor roxa, devida à presença de ferro como impureza. Essa cor varia de um roxo bem claro até o bem escuro, e quanto mais escura a cor mais valiosa é a ametista. Exposta ao Sol por tempo prolongado, o colorido da ametista enfraquece.

Geodo de ametista com 35 cm de altura, serrado ao meio.
Acervo do Museu de Geologia. (Foto: P. M. Branco)
Aquecida a uma temperatura adequada, em torno de 475 ºC, esta gema adquire cor amarela ou alaranjada, excepcionalmente vermelha, transformando-se, assim, em citrino, outra pedra preciosa muito apreciada (ver fotos ao lado e abaixo). O citrino, porém, pode ser encontrado também na natureza e deve-se alertar que, seja natural ou produto de tratamento térmico da ametista, seu preço de mercado é o mesmo.




A ametista é em geral transparente, às vezes semitransparente, com brilho vítreo. Não tem clivagem, o que facilita sua lapidação.
Ocorre em cavidades de rochas vulcânicas e em pegmatitos. Seu maior produtor mundial é o Brasil (Rio Grande do Sul e Bahia, principalmente), seguindo-se Rússia (Sibéria), Sri Lanka, Índia, Madagascar, Uruguai, Paraguai e México.
Os geodos com cristais de ametista extraídos no norte do Rio Grande do Sul podem atingir 2 m de comprimento, e já se encontrou um medindo 10 x 5 x 3 m, com 35 t. No Museu Britânico, há um cristal com cerca de 250 kg. Na coleção particular de Dom Pedro II, Imperador do Brasil, havia um cristal de 80 x 30 cm procedente do Rio Grande do Sul.

Cristais de ametista desenvolvidos sobre cristal de calcita.
Coleção Pércio M. Branco (Foto P. M. Branco)


Ametista Parque Museu, em Ametista do Sul (RS).
(Foto: P. M. Branco)

Ametistas sintéticas de ótima qualidade vêm sendo produzidas na Rússia, por processo hidrotermal e já são abundantes no mercado internacional.
Na lapidação, recomenda-se os estilos cabuchão, pêra ou brilhante.

Em Ametista do Sul, município responsável pela maior parte da ametista gaúcha, há um interessante museu, o Ametista Parque Museu, que, além de exibir belas gemas e outros minerais da região, permite aos visitantes entrar em galerias que foram abertas para extração daquela gema, e vê-la ainda na rocha, exatamente como ocorre na natureza.

Pirâmide na praça principal de Ametista do Sul.
(Foto: P.M. Branco)


Jóia com ametista, circundada por ametistas marteladas, (prontas para lapidar). Fonte: Brasil Paraíso das Pedras Preciosas, de Jules Sauer

Geodos de ametista com 2 m de altura, no Ametista Parque Museu

Pórtico interno do Ametista Parque Museu que leva às galerias onde houve extração de ametista

A igreja da cidade está sendo revestida internamente de ametista e no centro da praça principal, há uma grande pirâmide de vidro de cor roxa, cuja base, de alvenaria, é também parcialmente revestida por essa gema internamente.
O nome da ametista tem uma origem curiosa. Amethystos, em grego, significa não ébrio, porque se acreditava, na Idade Média, que a bebida alcoólica servida em cálice feito com essa gema não provocava embriaguez. Ametisto é forma mais correta, mas não é usada.

O HELIODORO BERILO AMARELO, IRMÃO DA ESMERALDA...

A esmeralda e a água-marinha, gemas mundialmente muito conhecidas, são variedades do mineral chamado berilo, um silicato de berílio e alumínio.
O berilo tem, entretanto, outras variedades gemológicas que, apesar de igualmente belas, são muito menos conhecidas e bem menos famosas. Uma delas é o heliodoro.
Seu nome vem do grego e significa presente (doros) do Sol (Helios). Isso porque possui uma bela cor amarelo-dourada, às vezes amarelo-amarronada ou amarelo-esverdeada. O que origina essa cor é a presença, no mineral, de uma pequena quantidade de ferro. O tom dourado talvez seja devido à presença de urânio, não de ferro.

Enciclopédia de Minerais, de Korbel & Novák

Minerais e Pedras Preciosas, Ed. Globo
Walter Schumann chama de heliodoro o berilo verde-amarelado de tonalidade clara, denominando de berilo dourado as variedades dourada e amarelo-limão. Mas, reconhece que a separação entre os dois tipos é difícil.
O heliodoro é produzido no Brasil (Santa Maria do Suaçuí, em Minas Gerais), África (Namíbia, Nigéria e Zimbábue), Ucrânia. Rússia (Sibéria), Tadjiquistão, Madagascar, Estados Unidos (Connecticut) e Sri Lanka. A Smithsonian Institution (EUA) possui, em seu Museu de História Natural, um heliodoro lapidado com nada menos de 2.054 quilates, procedente do Brasil.


Minerais e Pedras Preciosas, Ed. Globo

Enciclopédia de Minerais, de Korbel & Novák


Gemas do Mundo, de Walter Schumann
Segundo o Boletim Referencial de Preços de Diamantes e Gemas de Cor, o preço dessa gema, depois de lapidada, varia de US$ 1 a US$ 80 por quilate, para pedras entre 1 e 20 quilates.

Avaliação de descobertas de recursos petrolíferos: uma proposta de padronização


Neste artigo é apresentada uma proposta de padronização do fluxo de informações existente entre a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e as companhias concessionárias que executam atividades de exploração de hidrocarbonetos nas bacias sedimentares brasileiras, no caso da descoberta de algum recurso petrolífero potencialmente comercial dentro de suas áreas de concessão. Tendo em vista que a proposta adotada possui componentes vinculadas ao tipo de modelo regulatório vigente no Brasil, procurou-se desenvolver uma abordagem mais extensiva a qual inclui o fluxo das informações necessárias para se obter a melhoria da eficácia das avaliações e do processo decisório referente à continuidade dos trabalhos exploratórios. A proposta é orientada para o caso do modelo regulatório brasileiro de óleo e gás natural, o qual demanda das concessionárias um Plano de Avaliação de Descobertas (PAD). Através da análise de uma pequena amostra desses planos, foi possível elaborar uma rotina padronizada que permite um ganho sensível de agilidade no processo e de qualidade das informações. Esta rotina baseia-se na identificação de padrões nos seis blocos de informações existentes nos PADs: Sumário executivo; Descrição da Descoberta; Geologia e Reservatórios; Programa de Avaliação, Segurança e Meio Ambiente e Projeto de Interpretação. Resultados preliminares com uma pequena amostra de PADs permitiram detectar características que merecem um maior nível de detalhamento e de padronização das informações, com impacto substancial de ganho de qualidade na análise das informações geológicas.