quinta-feira, 19 de junho de 2014

POTENCIAL GEOLÓGICO

A geologia do território brasileiro é pouco conhecida quando comparada a quantidade e qualidade das avaliações geológicas de outros países com tradição minerária como o Canadá, a Austrália e os Estados Unidos.
A despeito dessa carência de informações básicas, o Brasil destaca-se internacionalmente pela diversidade de ambientes geológicos, pelo volume de reservas minerais já identificadas, bem como pela variedade dos bens minerais presentes nas províncias e distritos minerais do país, como mostra o mapa abaixo.
Apesar das dimensões continentais e das notórias reservas do país, o potencial mineral brasileiro é subaproveitado, o que faz o mercado brasileiro ser praticamente inexplorado. Segundo o IBRAM, estima-se que menos de 30% do território brasileiro tenha sido mapeado geologicamente em escala apropriada.
Em 2009 e 2010, a participação do Brasil no total mundial de investimentos em exploração mineral alcançou tímidos 3%, taxa bem abaixo das obtidas pelos líderes do setor - Canadá (18%) e Austrália (13%) - e inferior aos apresentados por países sem a mesma tradição no segmento e extensão territorial, como Peru (4%) e Colômbia (2%).
A falta de estudos permite à All Ore considerar alta a probabilidade de que sejam encontradas novas reservas minerais de boa qualidade quanto mais investimentos em prospecção forem conduzidos.

O depósito aurífero de Antônio Pereira, Quadrilátero Ferrífero

O depósito aurífero de Antônio Pereira, Quadrilátero Ferrífero: condições p-t e natureza dos fluidos mineralizadores

O depósito de Antônio Pereira integra o contexto geológico do distrito aurífero de Mariana, o qual inclui ainda outros importantes depósitos auríferos que se distribuem ao longo do traço NW do anticlinal de Mariana, na porção central do Quadrilátero Ferrífero. Os depósitos encontram-se hospedados preferencialmente na interface estrutural (zona de cisalhamento Fundão-Cambotas) que envolvem as unidades Gandarela, Cauê (Supergrupo Minas) e Nova Lima (greenstone belt Rio das Velhas). Os veios quartzo-carbonáticos auríferos ocorrem em fraturas P e T de um sistema deformativo não-coaxial, que se associam a extensões controladas por processos de deslizamento interestratal normal e boudinagem das encaixantes dolomíticas. Estes veios exibem alteração hidrotermal localizada, diagnosticada principalmente por cloritização, silicificação, turmalinização e sulfetação das encaixantes. O ouro ocorre como inclusões e/ou em espços intragranulares na arsenopirita. Estudos microtermométricos de inclusões fluidas indicam que os fluidos trapeados durante a formação dos veios auríferos são áquo-carbônicos heterogêneos, com médias de XCO2 entre 0,44 e 0,99, tendo contribuições de traços de N2 e H2S na fase gasosa, com valores baixos a moderados de salinidade. Isócoras calculadas para o sistema hidrotermal forneceram valores de pressão compatíveis com profundidades crustais <10 km. Aheterogeneidade do grau de preenchimento das inclusões fluidas é indicativa de um processo de precipitação supostamente por mistura de fluidos, envolvendo fluidos metamórficos, com XCO2 elevada e baixa salinidade, e fluidos magmáticos (subordinados), tendo XCO2 mais baixo e salinidade moderada. Geotermômetros de clorita e carbonatos destes mesmos veios auríferos mostram que a temperatura de estabilização da paragênese hidrotermal e, por conseqüência, de precipitação do fluido mineralizador ocorreu por volta de 319±45°C. Semelhanças em termos de mineralogia, composição química do ouro, alteração hidrotermal das encaixantes e geometria de veios auríferos, permitem uma correlação genética entre as depósitos auríferos de Antônio Pereira e Passagem de Mariana.

Petróleo e gás natural podem não ser fósseis

Petróleo e gás natural podem não ser fósseis


Petróleo e gás natural podem não ser fósseis
Bigorna de diamante, usada para reproduzir as gigantescas pressões existentes abaixo da crosta terrestre
Teorias famosas
O Universo originou-se de uma descomunal explosão, conhecida como Big Bang. O petróleo e o gás natural são combustíveis fósseis. Estas são provavelmente as duas teorias científicas mais disseminadas, de maior conhecimento do público e algumas das que alcançaram maior sucesso em toda a história da ciência.
Elas são tão populares que é fácil esquecer que são exatamente isto - teorias científicas, e não descrições de fatos testemunhados pela história. Mesmo porque as duas oferecem explicações para eventos que se sucederam muito antes do surgimento do homem na Terra.
Teoria dos combustíveis fósseis
Segundo a teoria dos combustíveis fósseis, que é a mais aceita atualmente sobre a origem do petróleo e do gás natural, organismos vivos morreram, foram enterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas até originar o petróleo e o gás natural.
É com base nesta teoria que chamamos as principais fontes de energia do mundo moderno de "combustíveis fósseis" - porque seriam resultado de restos modificados de seres vivos.
Teoria do petróleo abiótico
Muito menos disseminado é o fato de que esta não é a única teoria para explicar o surgimento do petróleo. Na verdade, esta teoria hegemônica vem sendo cada vez mais questionada por um grande número de cientistas, que defendem que o petróleo tem uma origem abiótica, ou abiogênica - sem relação com formas de vida.
Os defensores da teoria abiótica do petróleo têm inúmeros argumentos. Por exemplo, a inexistência de fenômenos geológicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsistência das hipóteses de uma deposição do carbono livre na atmosfera no período jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas.
A deposição lenta, como registrada por todos os fósseis, não parece se aplicar, uma vez que as camadas geológicas apresentam variações muito claras, o que permite sua datação com bastante precisão. Já os depósitos petrolíferos praticamente não apresentam alterações químicas variáveis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biológica em toda a sua extensão.
Além disso, os organismos vivos têm mais de 90% de água e mesmo que a totalidade de sua massa sólida fosse convertida em petróleo não haveria como explicar a quantidade de petróleo que já foi extraída até hoje.
Outros fenômenos geológicos, para explicar uma eventual deposição quase "instantânea," deveriam ocorrer de forma disseminada - para explicar a grande distribuição das reservas petrolíferas ao longo do planeta - e em grande intensidade - suficiente para explicar os gigantescos volumes de petróleo já localizados e extraídos.
Carbono do interior da Terra
Por essas e por outras razões, vários pesquisadores afirmam que nem petróleo, nem gás natural e nem mesmo o carvão, são combustíveis fósseis. Para isso, afirmam eles, o ciclo do carbono na Terra deveria ser um ciclo fechado, restrito à crosta superficial do planeta, sem nenhuma troca com o interior da Terra. E não há razões para se acreditar em tal hipótese.
Na verdade, aí está, segundo a teoria dos combustíveis abióticos, a origem do petróleo, do gás natural e do carvão: eles se originam do carbono que é "bombeado" continuamente pelas altíssimas pressões do interior da Terra em direção à superfície.
É possível sintetizar hidrocarbonetos a partir de matéria orgânica, e estes experimentos foram, por muitos anos, o principal sustentáculo da teoria dos combustíveis fósseis.
Mas agora, pela primeira vez, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar experimentalmente a síntese do etano e de outros hidrocarbonetos pesados em condições não-biológicas. O experimento reproduz as condições de pressão e temperatura existentes no manto superior, a camada da Terra abaixo da crosta.
Metano e etano abióticos
A pesquisa foi feita por cientistas do Laboratório de Geofísica da Instituição Carnegie, nos Estados Unidos, em conjunto com colegas da Suécia e da Rússia, onde a teoria do petróleo abiótico surgiu e tem muito mais aceitação acadêmica do que em outras partes do mundo.
O metano (CH4) é o principal constituinte do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima petroquímica. Esses dois hidrocarbonetos, juntamente com outros associados aos combustíveis de origem geológica, são chamados de hidrocarbonetos saturados porque eles têm ligações únicas e simples, saturadas com hidrogênio.
Utilizando uma célula de pressão, conhecida como bigorna de diamante, e uma fonte de calor a laser, os cientistas começaram o experimento submetendo o metano a pressões mais de 20 mil vezes maiores do que a pressão atmosférica ao nível do mar, e a temperaturas variando de 700° C a mais de 1.200° C. Estas condições de temperatura e pressão reproduzem as condições ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quilômetros de profundidade.
No interior da célula de pressão, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrogênio molecular e grafite. Os cientistas então submeteram o etano às mesmas condições e o resultado foi a formação de metano. Ou seja, as reações são reversíveis.
Essas reações fornecem evidências de que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razoável supor a existência de matéria orgânica soterrada.
Reações reversíveis
Outro resultado importante da pesquisa é que a reversibilidade das reações implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não exige a presença de matéria orgânica.
"Nós ficamos intrigados por experiências anteriores e previsões teóricas," afirma Alexander Goncharov, um dos autores da pesquisa. "Experimentos feitos há alguns anos submeteram o metano a altas pressões e temperaturas, demonstrando que hidrocarbonetos mais pesados se formam a partir do metano sob condições de temperatura e pressão muito similares. Entretanto, as moléculas não puderam ser identificadas e era provável que houvesse uma distribuição."
"Nós superamos esse problema com nossa técnica aprimorada de aquecimento a laser, que nos permitiu aquecer um volume maior de maneira mais uniforme. Com isso, descobrimos que o metano pode ser produzido a partir do etano", declarou Goncharov.
Hidrocarbonetos gerados no interior da Terra
"A ideia de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta terrestre e contribuem para a formação dos reservatórios de óleo e gás foi levantada na Rússia e na Ucrânia muito anos atrás. A síntese e a estabilidade dos compostos estudados aqui, assim como a presença dos hidrocarbonetos pesados ao longo de todas as condições no interior do manto da Terra agora precisarão ser exploradas," explica outro autor da pesquisa, professor Anton Kolesnikov.
"Além disso, a extensão na qual esse carbono 'reduzido' sobrevive à migração até a crosta, sem se oxidar em CO2, precisa ser descoberta. Essas e outras questões relacionadas demonstram a necessidade de um programa de novos estudos teóricos e experimentais para estudar o destino do carbono nas profundezas da Terra," conclui o pesquisador.

Petróleo e cobre estão longe de se esgotar

Petróleo e cobre estão longe de se esgotar, admitem cientistas


Pico do petróleo
Procure em qualquer livro-texto sobre o assunto, editado nos últimos 40 anos, e você encontrará referências ao famoso "pico da produção de petróleo".
A chamada "Teoria do Pico do Petróleo" parte do princípio de que, sendo um recurso não-renovável, sua exploração contínua chegaria a um valor máximo, quando então as reservas começariam a se esgotar e a produção começaria a diminuir.
Gráficos e previsões foram feitos à exaustão, afirmando que o começo do fim da era do petróleo estava para chegar a qualquer momento - todos falharam.
Nas últimas décadas, vários pesquisadores começaram a duvidar da teoria - afinal, uma teoria precisa produzir previsões verificáveis e corretas, o que não tem sido o caso do pico do petróleo.
Por irem contra a corrente, esses pesquisadores foram mantidos à margem da academia, considerados verdadeiros hereges - algo como um físico que duvide do Big Bang ou um ambientalista que duvide do aquecimento global.
Agora, os dados começaram a incomodar muito, e a teoria do começo do fim do petróleo parece ter chegado ao começo do seu próprio fim.
Pesquisadores das universidades de Stanford e Santa Cruz, ambas nos Estados Unidos, afirmam que a teoria está vindo abaixo porque se rompeu a histórica conexão entre crescimento econômico e uso de petróleo.
Os argumentos listados por eles incluem mudanças no padrão de consumo dos países ricos, maior eficiência dos equipamentos que consomem derivados de petróleo, combustíveis alternativos e aumento da urbanização.
Argumentos estranhos ante a explosão de vendas de automóveis em países como China, Brasil e Índia, além de vários outros em desenvolvimento, e o aumento da população mundial desde o início da exploração do petróleo.
Ou seja, os pesquisadores não dizem que a teoria estava errada, eles argumentam que ela deixou de ser válida - sem ter feito nenhuma previsão correta.
Pico do cobre
Outro alvo de preocupações similares era o cobre, que poderia acabar a qualquer momento, segundo os catastrofistas sempre a postos, devido à explosão de seu uso em eletricidade e eletrônica.
Uma equipe da Universidade Monash, na Austrália, colocou tudo na ponta do lápis e verificou que as reservas atuais de cobre poderão suprir as necessidades mundiais do metal por pelo menos um século.
Adicionando-se as minas que vão sendo descobertas ao longo do tempo, não há qualquer motivo de preocupação, afirmam eles.
"Embora nossas estimativas sejam muito maiores do que qualquer dado disponível anteriormente, elas representam um mínimo - na verdade, os números em alguns projetos de mineração já duplicaram, ou até mais do que isso, desde que terminamos nosso banco de dados," disse o Dr. Simon Jowitt, um dos autores do estudo.
Segundo os pesquisadores, o quadro geral da mineração é muito mais complexo do que parece, tornando sem validade alegações simplistas do tipo "restam x anos de suprimento" deste ou daquele bem mineral.
Eles planejam agora criar bancos de dados semelhantes para outros metais, como níquel, urânio, terras raras, cobalto e outros, a fim de pintar um quadro abrangente e mais preciso da disponibilidade de minerais em todo o mundo.

Origem secreta das Esmeraldas

Origem secreta das Esmeraldas


Uma cuidadosa análise de algumas das esmeraldas mais famosas do mundo mostrou que pedras preciosas também têm histórias secretas. Três das pedras pertencentes à coleção de uma antiga família são originárias da Colômbia, de onde teriam sido retiradas no século XVI e não teriam pertencido, como contava a lenda, a Alexandre, o Grande.
Admirado por mais de 4.000 anos, o verde profundo das esmeraldas tem sido símbolo de imortalidade e juventude. Essas gemas foram admiradas pelos egípcios e romanos: o Imperador Nero observava os gladiadores através de uma lente de esmeraldas. Mas a história de muitas das melhores gemas do mundo freqüentemente se transforma em mitos e é muito difícil de mapear. Isso levou um grupo de pesquisadores da França e da Colômbia a utilizar as mais modernas técnicas para determinar a origem de nove das mais famosas esmeraldas, que cobrem um período da ocupação romana da França até o século XVIII. O estudo envolveu a vaporização de uma porção microscópica de cada uma das pedras com um raio laser e, então, analisar os isótopos de oxigênio que foram liberados.
Composição e temperatura
Isótopos de oxigênio em gemas como as esmeraldas refletem a composição e temperatura dos fluidos que eventualmente se cristalizaram para formar a pedra, assim como a composição e temperatura das rochas que o fluido atravessou em seu caminho antes de sua consolidação como gema. Há uma estreita faixa desses isótopos para cada local onde as esmeraldas foram descobertas ao redor do mundo. Juntamente com outros aspectos mais tradicionais da gemologia, tais como propriedades óticas e a incrustração de outros materiais, os pesquisadores podem usar esses valores dos isótopos para apontar onde a esmeralda "nasceu". Os pesquisadores, liderados por Gaston Giuliani, dos Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento e o Centro de Pesquisas Petrográficas e Geoquímicas, em Vandoeuvre, na França, testaram pedras das principais minas de esmeralda de todo o mundo.
Principais surpresas
Eles descobriram que algumas esmeraldas muito antigas vêm de depósitos supostamente descobertos durante o século XX, mostrando que estas minas eram conhecidas desde o tempo dos romanos. Uma das grandes surpresas foi o número de gemas das minas colombianas. Estas esmeraldas somente foram comercializadas mundialmente após a invasão espanhola da América Latina, no século XVI. E mais, três das quatro maiores esmeraldas analisadas da coleção da família indiana Nizam, supostamente vindas de minas asiáticas perdidas, vieram realmente da Colômbia e não, como conta a lenda, de Alexandre, o Grande (ao redor do ano 300 A.C.).
Os pesquisadores agora planejam aplicar as mesmas técnicas para estudar os rubis. "Este tipo de análise era inicialmente uma pequena parte do nosso trabalho", disse Giuliani. "Mas vimos que, como geólogos trabalhando com gemas e gemólogos, nós podemos dar uma contribuição para o estudo do comércio e da história humana."