domingo, 29 de junho de 2014

UM QUARTZO DIFERENTE

UM QUARTZO DIFERENTE



                  Normalmente, quando um cristal contém muitas inclusões ele é pouco ou nada transparente. As próprias inclusões impedem a livre passagem da luz, deixando o cristal opaco ou, no máximo, translúcido.
          Meu amigo Harilton Vasconcellos trouxe, porém, do Afeganistão uns cristais de quartzo muito interessantes porque são, ao mesmo tempo, muito transparentes e muito cheios de inclusões.  O que acontece é que as inclusões são grandes e de contornos bem definidos, de modo que as porções sem inclusões são muito límpidas e permitem ver os defeitos do cristal de modo bem nítido. Além disso, os cristais são euédricos, isto é, têm todas as faces (são biterminados), o que os torna ainda mais atraentes.

            Eles não são grandes, medindo em torno de 3 cm.
            As inclusões podem ser filamentos alaranjados a amarelos, manchas escuras ou, o que é muito mais interessante, cavidades contendo líquido. 

        Essas cavidades, como as demais imperfeições, são vistas com muita nitidez e, ao se mover o cristal, percebe-se claramente quando o líquido se desloca.

    Observar esses cristais de quartzo numa lupa binocular, mesmo que seja com apenas dez aumentos, é uma atividade muito prazerosa, e nela se pode ficar muito tempo, sempre descobrindo novos e interessantes detalhes. 


OS BELOS E INTRIGANTES DENDRITOS

OS BELOS E INTRIGANTES DENDRITOS



Há algumas estruturas naturais que lembram muito animais ou plantas fossilizadas, mas que têm origem inorgânica, sendo, por isso, classificadas como pseudofósseis.

            Entre esses pseudofósseis, os dendritos talvez sejam os mais notáveis, tanto pela frequência com que são encontrados quanto pelo seu aspecto.

Dendron, em grego, significa árvore. O nome – muitas vezes confundido com detrito - é muito apropriado, porque a forma dos dendritos realmente assemelha-se muito à de uma planta, arborescente, com numerosas ramificações.




          Dendritos formados sobre rochas vulcânicas 
                        da Formação Serra Geral (Rio Grande do Sul)

 Os dendritos ocorrem principalmente em fraturas de algumas rochas ou entre duas camadas sucessivas delas. Eles são particularmente abundantes nas rochas vulcânicas da Formação Serra Geral, do Rio Grande do Sul, comercialmente chamadas de basaltos, embora sejam principalmente riodacitos. Em muitos locais, essas rochas mostram-se em estratos horizontais, limitados por superfícies bem planas, o que as torna muito adequadas para uso na pavimentação de calçadas. Com isso, nas cidades do Rio Grande do Sul é fácil encontrar calçadas com belos dendritos, como os que ilustram este artigo, quase todos de calçadas de Porto Alegre ou de Capão Novo (Capão da Canoa, RS).

A água que penetra nos espaços vazios da rocha pode trazer manganês dissolvido. Quando encontra uma fenda horizontal, escoa nessa direção e, com isso, perde velocidade. Essa perda de velocidade permite que o manganês dissolvido precipite na forma de óxido. O dendrito, portanto, não se formou junto com a rocha, mas depois que ela já existia.

  Dendritos formados em ambos  os lados de um pequeno sulco  em riodacito do Rio Grande do Sul (Acervo do Museu de Geologia da CPRM)

 Apesar de seu aspecto tão delicado, ele é bastante resistente, resistindo surpreendentemente bem ao atrito dos calçados.
Outra rocha que pode mostrar dendritos são os quartzitos micáceo, aquela rocha usualmente colocada em torno das piscinas.

             Como foi dito no início, esses pseudofósseis têm origem inorgânica. Eles são minerais, principalmente óxidos de manganês. Como a pirolusita é o mais importante dos óxidos de manganês e a principal fonte desse metal, geralmente se acredita que os dendritos sejam formados por esse mineral. No entanto em pesquisa feita por Potter & Rossman em 1979, foram analisadas dendritos e películas manganesíferas procedentes de vários ambientes e nenhuma das amostras examinadas mostrou presença de pirolusita.
 Além das rochas, também alguns minerais podem mostrar dendritos, alojados em fraturas. São exemplos a opala e algumas variedades de quartzo como ágata e cristal de rocha.  A foto abaixo mostra um belo quartzo lapidado, com inclusão de dendrito, que pode ser usado para confecção de uma joia muito original. 

Dendrito em quartzo lapidado
Coleção Pércio M. Branco


Neste caso, o dendrito forma-se numa fratura ou fissura do mineral. Isso permite que ali penetrem também outras substâncias, de modo que não é fácil encontrar um dendrito tão perfeito como o que se vê na foto acima.
 A foto seguinte mostra um tipo intrigante de dendrito.  Ele é claro, num fundo escuro, dando a impressão de que houve deposição de óxido de manganês na forma de manchas contínuas (isso acontece) e depois penetração de uma substância que dissolveu esse manganês lentamente, à medida que penetrava, formando ela então os dendritos. 


Enviei fotos desse tipo de dendrito por e-mail a centenas de geólogos, perguntando como, em seu entender, havia se dado a sua formação. Recebi oito respostas, cada uma delas com uma explicação diferente das demais e diferente da minha. Outros três geólogos responderam, considerando esses dendritos claros muito interessantes, mas sem arriscar um palpite sobre o processo de formação.

Vejam as explicações aventadas, na linguagem informal em que me foram enviadas:

1.     Como mera especulação, parece que eram dendritos de minerais escuros que foram posteriormente “lavados” e redepositados ao redor dos dendritos primitivos, que ficaram assim descoloridos e rodeados por manchas escuras dos óxidos deles removidos. É apenas um chute...

2.     A formação das dendrites deu-se de maneira normal, só que houve a formação de bolhas de fluidos e a evaporação deu-se do bordo para dentro da bolha de fluido, no seu conjunto as bolhas não entraram em contacto umas com as outras! Daí o aspecto não usual!  Formaram-se bolhas com a solução aquosa, a água evaporou precipitando o manganês!

3.    Os dendrites são as agulhas escuras e não as brancas.Não levanto hipóteses baseando-me numa foto. Somente darei uma opinião com o original. Olhei mais uma vez o foto e na foto não tem diferencias entre a parte escura e clara. Assim foi simplesmente uma sugestão em cima do que é possível ver na foto. O foto não é muito nítida e tem n possibilidades.

4. Mapeando o Serra Geral no Paraná, vi dendritos deste tipo em uma ou outra pedreira. Acho que se trata de produto de cristalização a partir de líquidos com dois ou mais compostos misturados. Chutando, porque não me dei o trabalho de amostrar para fazer análises detalhadas:carbonato no dendrito propriamente dito de cor branca e óxido de Mn nas bordas. Algo assim. O que chama atenção é que o dendrito mesmo é o clarinho no centro e que a borda é mais amebóide.

5. Representam marcas (folhas samam-baias), mas devem ser marcas de outra substância que penetrou ou atacou localmente.

6.   Irei dar um chute, mas não tenho certeza se acertarei o gol ou a trave. Pode ser, também, que passe longe do gol. Vai lá. Acho que a parte negra se trata de óxidos ou hidróxidos de manganês e a parte branca, deveria ter sido de óxidos ou hidróxidos de ferro, que, por qualquer motivo químico foi removida, deixando os relictos brancos. O Mn tem outro ciclo de dissolução química.

7. Pode ser alteração hidrotermal dos plagioclásios, passando para zeólitas. Também já vi alteração de plagioclásio por escapolita, num projeto de cobre que trabalhei na área de Carajás. Mas neste último caso, o hábito é arredondado. Eu chutaria que são zeólitas. Pode ser também o próprio riodacito, num processo de digestão de um magma pelo outro.

8.   Tenho pra mim que estes “pórfiros” são de vidro natural (obsidiana) e que os “dendritos” são na verdade resultantes de um processo de devitrificação, formando possivelmente cristobalita?

Além dos dendritos, as rochas vulcânicas da Formação Serra Geral podem mostrar outra feição talvez de origem e composição semelhantes. São figuras que, em vez de formato arborescente, têm forma de curvas mais ou menos concêntricas (foto abaixo). São também formadas por óxido de manganês? Estou inclinado a achar que sim. Mas, se são, por que assumiram esta forma e não a forma de dendritos?  Terá sido porque a solução penetrou com mais velocidade? Com a palavra quem sabe mais que o quase nada que eu sei sobre o assunto.



Estas feições podem aparecer junto com dendritos (ver abaixo). Neste caso, quem se formou primeiro?  Não sei. Como eu disse, essas fotos são de lajotas de calçadas, não permitindo um exame mais acurado, com lupa por exemplo.  

 Embora os dendritos sejam geralmente óxidos de manganês, vários outros minerais podem cristalizar dessa maneira, com hábito dendritíco, como se diz em Geologia. Um deles é o ouro. A foto abaixo (autor ignorado) mostra um cristal dendrítico desse metal.


Numa mina de ouro de Jacobina (BA), obtive um fragmento de quartzo com cerca de 4 cm, contendo um dendrito de ouro na superfície.

O cobre e a prata podem também cristalizar com hábito dendrítico.

Por fim, uma advertência: assim com o dendrito é um pseudofóssil, há também pseudodendritos.  A foto a seguir mostra um cristal de quartzo incolor (cristal de rocha) lapidado contendo no interior cristais aciculares de turmalina preta (schorlita).  Em várias lojas do Rio de Janeiro vi vendedores chamar essa associação de dendrito, o que está totalmente errado.


                                     Turmalina em quartzo lapidado

UMA GEMA RARA MAS NÃO TANTO

UMA GEMA RARA MAS NÃO TANTO

      
            Se você nunca ouviu falar numa pedra preciosa chamada larimar, não se surpreenda.  Ela raramente é vista no Brasil e mesmo nos livros de Gemologia.
            Até hoje essa gema só foi encontrada e, portanto, só é produzida na República Dominicana. Bem, pensará você, isso então explica por que ela é tão pouco conhecida.  Era o que eu pensava também.  Mas, já não penso assim.
            No mês passado, descobri que peças de adorno pessoal feitas com larimar são muito abundantes nos países do Caribe, nas lojas existentes nos navios de turismo que por ali navegam e até mesmo no Havaí, lá do outro lado da América do Norte. Portanto, se a larimar é pouco conhecida por aqui é porque nossos joalheiros e designers de joias ainda não a descobriram.
            Vi muita oferta dessa pedra em Philipsburg (St. Martin), onde uma placa polida de 5 x 3 x 4 cm custa 30 dólares; em San Juan (Porto Rico); Basseterre (São Cristóvão e Nevis) e Labadee (Haiti).
Larimar bruta
            Larimar é uma variedade azul-clara de pectolita. Não é transparente, daí ser usualmente lapidada em cabuchão ou na forma de objetos decorativos.
            A pectolita é um silicato básico de sódio e cál­cio – NaCa2Si3O8(OH) – que forma massas fibrosas compactas, de fibras paralelas ou não, cinzentas ou esbranquiçadas, podendo ser também incolores e rosadas. Ela tem brilho sedoso e costuma ser translúcida. Excetuando a variedade de que falamos acima, raramente é usada como gema.  

COLEÇÃO DE MINERAIS, UM ASSUNTO SÉRIO

COLEÇÃO DE MINERAIS, UM ASSUNTO SÉRIO




Colecionar coisas faz parte da natureza humana e é normal que a gente colecione alguma coisa ou tenha feito isso em alguma fase da nossa vida, ainda que sem método e sem muita dedicação. Moedas, selos, miniaturas de caros, discos, etc. são algumas das muitas coisas que se coleciona mundo afora.

            Eu coleciono minerais. Faço isso há 45 anos, mais precisamente desde março de 1967, quando iniciei o curso de Geologia. Até então, para mim cristais eram substâncias transparentes, com brilho de vidro ou um pouco mais intenso. Quando descobri que existiam também cristais opacos e de brilho metálico, fiquei extremamente surpreso. E decidi: vou colecionar minerais.  Comecei e não parei mais.
            Como eu, acho que muitos estudantes de Geologia começam uma coleção de minerais durante o curso. Mas, poucos continuam fazendo isso quando saem da universidade. Ao longo do período universitário, a beleza e raridade dos cristais nos motivam a colecioná-los, mas, passado esse período, o interesse desaparece ou diminui, permanecendo registrado apenas na posse de algumas poucas peças.
Se são poucos os geólogos que colecionam minerais, mais raros ainda são os colecionadores entre o restante da população. De fato, os brasileiros não valorizam muito esse tipo de coleção, ao contrário do que vê em países como Estados Unidos, Canadá e Itália, por exemplo. Isso é estranho porque o Brasil tem uma fantástica diversidade em temos de pedras preciosas, minerais que se destacam pela beleza e que são avidamente procurados por colecionadores estrangeiros.
Uma consequência negativa disso é a existência de poucos museus de Mineralogia em nosso país. Por isso, acabam indo parar no exterior peças muito valiosas, quando não coleções inteiras, como aconteceu com a excepcional coleção de cristais gigantescos de Ilia Deleff, sobre a qual escrevemos neste blog em julho de 2011.
Em sentido inverso, por haver poucos museus de Mineralogia, não há estímulo para os brasileiros colecionarem minerais, e assim se estabelece um círculo vicioso.
Se pensarmos um pouco, veremos que colecionar minerais tem várias vantagens para nós, geólogos. O manuseio constante dessas substâncias, por exemplo, é a melhor maneira de aprendermos a reconhecê-las macroscopicamente.  A comparação de amostras de um mesmo mineral procedente de diferentes lugares habitua-nos às pequenas variações que a espécie pode exibir no hábito, cor, brilho, etc., o que vai consolidando nosso conhecimento sobre aquele mineral.
Outra vantagem: podemos adquirir peças para nossa coleção sem comprar ou trocar, apenas com nosso próprio trabalho de campo. Além disso, nem sempre dependeremos de um especialista para identificar um mineral adicionado à nossa coleção, ao contrário do que acontece, por exemplo, no mercado de arte, de antiguidades, etc.
Mas, colecionar minerais oferece ainda outras vantagens, seja o colecionador geólogo ou não: pode-se colecionar material procedente do mundo inteiro e até de fora da Terra, como os meteoritos. E é bom lembrar que meteoritos são valiosos não apenas pela raridade, mas também, em certos casos, pela beleza, como é o caso dos pallasitos.
Além disso, minerais são o que pode haver de mais antigo para se colecionar.  Outras coleções podem ter peças com séculos de idade ou mesmo com milhares de anos de existência. Mas, com milhões ou bilhões de anos, só mesmo  minerais, rochas ou fósseis.
Querem mais? Com algumas poucas exceções, os minerais não requerem muito cuidado em sua conservação, ao contrário de obras de arte, selos, etc.

Há, portanto, excelentes motivos para se colecionar minerais, principalmente vivendo no Brasil. Ainda assim, porém, muitas pessoas dirão que, seja como for, colecionar minerais será sempre apenas um passatempo, uma atividade para as horas de lazer. Pois eu respondo: Não necessariamente.

Em 1996, vendi 1.350 peças da minha coleção de minerais (90% do total) para o Museu de Ciências Naturais de uma universidade do Rio Grande do Sul. O professor que intermediou a compra, um geólogo que se tornou, a partir daí, meu amigo, me disse várias vezes que eu vendi barato.  Não concordo muito com ele, mas, mesmo que assim tenha sido, não me importo. O que eu quero dizer é que a venda dessa parte da minha coleção (ela já é grande de novo) me permitiu dar um carro 0 km para minha filha. E ainda sobrou um pouquinho de dinheiro.

 Então, uma coleção bem organizada, com suas peças devidamente catalogadas, pode se tornar bem mais que um passatempo.

Por tudo isso que foi dito até aqui, acho importante que as escolas, a Sociedade Brasileira de Geologia, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia e outras entidades ligadas à Geologia incentivem os estudantes e o público em geral a colecionar minerais.  Quando eu dirigia o Museu de Geologia da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), criei um folder intitulado Como Colecionar Minerais, que era amplamente distribuído pelo museu, sobretudo nas exposições por ele promovidas. Nesse folder, ensina-se como organizar a coleção, como obter, guardar e registrar os minerais, como avaliar o acervo, etc.  É uma ferramenta de baixo custo para quem edita e distribui, e muito útil para quem deseja conhecer melhor os minerais e quer ter pelo menos uma pequena coleção.

GEMAS, UMA QUESTÃO DE CONFIANÇA

GEMAS, UMA QUESTÃO DE CONFIANÇA


O setor joalheiro é um dos poucos em que transações de alto valor são feitas com base apenas na confiança. De fato, peças de preço muito elevado são todos os dias adquiridas confiando-se que aquilo que se está comprando é de fato o que vendedor diz ser.
Isso vale, sobretudo para as gemas empregadas nas joias. Nem mesmo um experiente gemólogo pode garantir, simplesmente olhando, que uma pedra amarela é um topázio-imperial e não um citrino, que uma gema azul é uma água-marinha e não um topázio.
Se essa distinção já não é possível nessas condições, mais difícil ainda é garantir que a gema é natural e não sintética, se foi tratada ou se sua cor é aquela que a natureza lhe deu, pois para tanto também são necessários equipamentos específicos e conhecimento especializado.
O mesmo vale, talvez com menor grau de incerteza, para os metais nobres usados na confecção da joia.
Desse modo, comprar uma joia envolve sempre um grau muito elevado de confiança na palavra do vendedor. E isso vale não apenas para o consumidor em relação ao joalheiro, mas também para o joalheiro em relação ao seu fornecedor.
O consumidor tem, é verdade, a opção de solicitar um certificado de identificação no ato da compra. Mas, são poucas as joalherias que o fornecem e raros os compradores que sabem que esse tipo de documento existe.
Outra opção é levar a joia a um gemólogo para que ele confirme a identidade da gema. Mas, aí a compra já foi feita, ele terá uma despesa adicional e se criará uma situação muito desagradável ao reclamar da joalheria se a mercadoria adquirida de fato não corresponder ao que lhe diziam ser.
O tema assume contornos delicados também em outra situação. É quando o gemólogo recebe para exame uma joia antiga, que está na família do proprietário há muito tempo. Ao examiná-la, pode ele descobrir que a água-marinha que foi usada por membros de várias gerações é na verdade um espinélio. Ou que o rubi da bisavó da sua cliente é de fato rubi, mas sintético. Isso nada tem de surpreendente para o gemólogo, pois gemas sintéticas são produzidas desde 1900. Mas, há pessoas que, nessa situação, se sentem ofendidas, pois lhes parece que estão desrespeitando a memória de sua amada ancestral, como se ela fosse desonesta e não apenas mais uma das incontáveis vítimas de vendedores inescrupulosos ou desinformados.
E talvez o joalheiro que vendeu a joia muitas décadas atrás nem fosse inescrupuloso: pode ele muito bem ter informado corretamente que se tratava de uma gema sintética, mas essa informação, depois de tanto tempo, ter caído no
esquecimento, quem sabe até porque a primeira pessoa a usá-la não tinha interesse em informar isso, o que é muito compreensível.
Comprar joias numa joalheria de renome será sempre mais caro que comprar a mesma peça numa lojinha pequena e pouco conhecida e mais ainda do que comprá-la de uma vendedora que vende a domicílio. Mas, deve-se lembrar que uma empresa de renome não deve ter conquistado essa fama por acaso e que tudo fará para preservar o prestígio que adquiriu ao longo de anos de presença no mercado.
O fator confiança é, como eu disse no início, inerente a esse ramo do comércio e é importante que faça parte da história e da tradição da loja que procuramos.