"Rei da soja" agora quer investir em minérios no Piauí
O empresário Olacyr de Moraes, 81 anos, já foi o "rei da
soja" no Brasil, mas deixou esse título no passado. Atualmente, trilha o
caminho da mineração, onde chegou por acaso, quando resolveu pesquisar
calcário para fornecimento a produtores de estados como o Piauí, onde
avança o agronegócio, que depende desse insumo para correção de solo.
Foi
graças a essa pesquisa que sua empresa, a Itaoeste, descobriu manganês,
titânio, ferro, atapulgita e argila em cidades do cerrado e semiárido
do Piauí, além da única jazida de tálio em estado puro em todo o mundo. A
mina fica em Barreiras, Oeste da Bahia. Moraes esteve ontem com o
governador Wilson Martins, a quem apresentou as intenções de investir na
exploração desses minérios.
"Queremos colocar o Piauí no mapa da
mineração brasileira", disse o empresário ao Jornal Meio Norte. "Em uma
crise global como que se vislumbra agora, tenho certeza que as
commodities minerais podem salvar o país", afirma. "Temos esperança de
que a exploração mineral no Piauí haverá de produzir bons resultados.
Mas
entre a esperança e a realidade, não podemos sonhar", vaticina o
empresário, que também pretende pesquisar e explorar calcário para
agricultura e fabricação de cimento em território piauiense. "Esse foi
nosso primeiro interesse quando começamos a fazer pesquisa mineral no
Piauí e seguimos firme com ele", diz.
Segundo relatou o
empresário, o governo do estado do Piauí se dispõe a oferecer condições
para os investimentos em mineração. Ele diz que quer uma parceria também
com os governos municipais das áreas onde sua empresa pretende atuar.
Embora
vislumbre a possibilidade de se gerar milhares de empregos diretos e
indiretos com a exploração de minérios por sua empresa, Olacy de Moraes
não fala precisamente em números. Ele cita que apenas em pesquisa, o
grupo empresarial que comanda investiu R$ 50 milhões no Piauí, Bahia e
São Paulo. Ele informa ainda que partir da pesquisa para a produção
mineral requer tempo e investimento, além de uma custosa transposição de
barreiras burocráticas, que incluem, sobretudo, licenciamentos
ambientais: "Há uma burocracia infernal no Brasil, muitas vezes
inibidora de investimentos", explica.
Mesmo
com barreiras burocráticas, Olacy de Moraes espera que até o final deste ano esteja iniciando operações de sua empresa no Piauí. "Esperamos as
primeiras licenças de exploração para o começo de 2014. A partir daí
pretendemos explorar, inclusive em associação com outras empresas",
explica.
Ele informa que os investimentos são demorados. Somente
em pesquisa se levaram quatro anos. Na exploração de minas e jazidas há
necessidade das autorizações de lavra e licenciamento ambiental, sem o
que não se pode atrair investidores. "Gostaria de fazer as coisas
acontecerem em menor tempo, mas não é possível".
O empresário diz
que tem sido sondado por investidores estrangeiros, notadamente pelos
chineses, cujas demandas por minerais é crescente. O interesse dos
investidores existe, mas ele somente se concretiza, segundo afirma o
empresário, quando se pode discutir concretamente as bases desse
investimento. "Não há como negociar sem uma autorização de lavra", diz.
Quanto
ao volume de investimentos a ser feito para passar da pesquisa à
exploração mineral. Olacyr de Moraes esclarece que não se pode estimar
valores porque não se tem sequer um modelo de negócios. "Nunca se sabe
rapidamente o que se vai fazer: se vamos explorar e vender minério
bruto, se vamos implantar uma planta industrial para beneficiário; se
vamos usar um sistema totalmente mecanizado ou com uso maciço de mão de
obra".
Ele acredita que a mineração deve gerar uma cadeia de
negócios. "O emprego com salários melhores não será gerado apenas
diretamente pela empresa mineradora, mas por toda uma rede de negócios
em torno do investimento principal", explica.
Empresário condena a especulação no Estado
Olacyr
de Moraes reconhece que existem especuladores no mercado de mineração.
Para ele, são perniciosos aqueles que, tendo uma licença de pesquisa
mineral, fazem disso um instrumento para especular.
Porém, ele diz
que agem corretamente aqueles que fazem pesquisa mineral com objetivo
de auferir ganhos. "Há trabalho na pesquisa. Entre não se fazer nada e
se fazer algo por intermédio desse pessoal (que faz pesquisa mineral)
penso que existe uma ação valida. Tudo é válido desde que haja interesse
em se descobrir (os minérios) e se bota as coisas para frente", diz o
empresário.
Ele compara investidores e empresas de pesquisa
mineral aos bandeirantes que avançaram pelo Brasil no século 18, atrás
de riquezas minerais. "Essa ação dá oportunidade para os
pequenos",afirma o empresário. Ele também afirma que não se pode pensar
em um marco regulatório que onere ainda mais o custo da mineração no
Brasil.
"Não podemos exportar ou competir com custos ainda mais
elevados", lembra. "É preciso pegar leve com os impostos. Nós temos é
que pensar na redução de custos". Olacyr de Moraes afirma que a
reivindicação dos estados por royalties minerais pode ser um risco.
"Os
estados sonham com coisas irreais. É claro que precisam de uma
participação, mas não podemos perder de vista que isso não pode ser um
elemento de ampliação dos custos na atividade mineral", diz.
Os minerais buscados por Olacyr de Moraes
As
pesquisas da empresa Itaoeste indicaram a existência de manganês e
titânio (em forma de macrocristais de rutilo) em uma área de 60,9 mil
hectares no município de Parnaguá. O manganês é usado para produção de
sulfato usado na agricultura. O titânio se aplica na fabricação de
tintas, indústria química e protetores solares. Em Porto Alegre do
Piauí, em uma área de 20,9 mil hectares, pesquisam-se titânio e um tipo
especial de ferro, altamente magnetizado.
Em Guadalupe, em
associação com a Universidade Federal do Piauí, a empresa está
pesquisando e desenvolvendo, em uma área de 10,5 mil hectares, processos
para explorar a atapulgita, mineral usado na clarificação de óleos,
perfuração de petróleo e como componente de produtos PET. Em fase de
pesquisa, mas já aguardando autorização para exploração, a empresa busca
argilas especiais em 1,1 mil hectares nas cidades de Jaicós e Conceição
do Canindé.