domingo, 13 de julho de 2014

MINA DE DIAMANTE DE CATOCA- ANGOLA

MINA DE DIAMANTE DE CATOCA- ANGOLA

MISSÃO, VISÃO E VALORESSurgida da iniciativa do governo angolano de desenvolver o primeiro kimberlito nacional, Catoca tem como: Missão:• Recuperar de forma sustentável reservas diamantíferas, assegurando que os nossos produtos se distingam internacionalmente pelo seu valor e elevada qualidade, promovendo o desenvolvimento, a responsabilidade socioambiental e um clima organizacional positivo, assente em práticas seguras, valores e princípios éticos.Visão:• Estar entre as 3 maiores Empresas diamantíferas do Mundo em facturação• Aprofundar a cadeia de valor e diversificar a actividade (subproduto)• Inovar as tecnologias e técnicas produtivas, de forma a aumentar a produção e produtividade• Expandir a área de actuação para além do território angolano Valores:• Crença• Ética• Respeito• Confiança• Segurança• Disciplina• Solidariedade• Comprometimento• Excelência• Inovação• Competitividade
Uma Complexa EstruturaA estrutura geológica da mina de Catoca é complexa e o corpo mineralizado subdivide-se em três partes bem diferentes. A parte central, até os 200m de profundidade, é composta por rochas vulcanogêneo-sedimentares (kimberlito tufístico). A parte que circunda as paredes da chaminé tem forma de anel e é composta por kimberlitos e rochas derivadas dos mesmos – representa o principal minério industrial (kimberlito porfírico). A parte central do corpo mineralizado, abaixo de 260m, é composta por brechas kimberlíticas autolíticas. Até uma profundidade de 100m, o teor médio dos diamantes (soma de kimberlitos porfírico e tufístico) está distribuído desigualmente. Sendo a parte ocidental mais rica que a oriental. As propriedades físicas das rochas encaixantes são constituídas por gneisses – friáveis na parte superior. Já na profundidade de 65 a 75m, estas rochas são representadas por várias espécies de material monolítico sólido. As propriedades físicas e mecânicas dos kimberlitos nos níveis superiores revelam sua baixa resistência, fácil trituração e elevada autodesintegração.
As reservas estão resumidas abaixo:

Os dados geológicos e a capacidade de produção e tratamento mostram uma capacidade de exploração da mina de mais de 40 anos.

Endereço:
HISTORIAL DA MINA DE CATOCAA exploração do kimberlito de Catoca teve inicio aos 11 de Fevereiro de 1997 com um tempo de vida inicialmente previsto para 40 anos até a profundidade de 400 m. A Chaminé Kimberlítica ocupa uma área de 64 hectares (990x915m). , devendo a Mina atingir no seu limite final um diâmetro aproximado de 1650x1650 m. Em 2011 foi elaborado novo projecto para optimização das condições técnicas-económicas de aproveitamento do jazigo, tendo como resultado os seguintes principais parâmetros: ESTRUTURA ORGÂNICA DO DEMO Departamento de Exploração Mineira agrega 6 sectores, nomeadamente: Trabalhos Preparatórios, Explosivos,Toografia e Geodesia, Planeamento Mineiro, Terraplanagem e Operações Mineiras que agrega quatro (4) Equipas que laboram em turnos rotativos. O Chefe de Departamento é coadjuvado por dois adjuntos, sendo um para as Operações Mineiras e outro para o Planeamento Mineiro.OBJECTIVOS DO DEPARTAMENTO DE MINERAÇÃO “DMIN”O DMIN é a estrutura na empresa focada no desenvolvimento das actividades de mineração, com base em regras e princípios específicos, para garantir remoção do estéril e a extracção racional e optimizada do minério da chaminé kimberlítica e seu respectivo fornecimento as Centrais de Tratamento. SISTEMA DE MINERAÇÃOA chaminé kimberlitica de Catoca é explorada a Céu Aberto, utilizando o sistema de mineração com escavação por avanço e transporte rodoviário. O “Flowsheet” tecnológico inclui o desmonte directo do maciço de estéril, com a particularidade das rochas duras serem submetidas ao desmonte com explosivos e posterior carregamento com escavadeiras para as pilhas de estéril. A extracção do minério é feito com recurso a escavação directa precedida de escarificação com tratores de esteiras. PLANEAMENTO E OPERAÇÕESO design e o planeamento da sequência das operações mineiras, a monotorização em tempo real, assim como o estudo e análise dos principais indicadores da Mina é assegurado pelo Sector de Planeamento Mineiro, que mantém uma forte interação com os demais Sectores do DMIN.O disign e o planeamento é feito com recurso ao software Datamine e o monitoramento das operações pelo software SmartMine “Sistema que permite uma gestão integral e em tempo real dos activos na Mina”, bem como o processamento automático da produção.Até 2012 foram removidos 97,2 milhões de m3 de estéril e extraídos 48,1 milhões de m3 de minério, totalizando 145,3 milhões de m3 de massa mineira.EQUIPAMENTOS UTILIZADOS - Camiões rigidos de 100 toneladas de capacidade, 29 unidades;- Escavadeiras de 4,5 - 5 m3 de capacidade, 6 unidades;- Escavadeiras de 7 – 18 m3 de capacidade, 19 unidades;- Pás-Carregadeiras de 4 a 7 m3 de capacidade, 9 unidades;- Equipamentos Auxiliares, 20 unidades.- Mais de 5 km de correia transportadora e 1 sistema de formação de escombreira de última geração.COMPLEXIDADESA existência de rochas de grande dureza, bem como de águas subterrâneas e pluviais em vários pontos da Mina, constituem entre outras, as grandes complexidades para o processamento normal das operações. O desmonte com explosivos em detrimentro do arranque mecânico (com escavadeira) e métodos combinados de drenagem e bombeamento das águas, são aplicados para mitigar o problema no geral e preservar a estabilidade dos taludes, cuja complexidade aumenta com o aumento da profundidade da Mina, e que, constitue o grande desafio para os técnicos do Departamento de Mineração.DESAFIOS DO DMIN• Melhorar a eficiência operacional da Mina em todos os níveis; • Diagnosticar os principais factores com impacto na produção e produtividade, implementar medidas correctivas e acções tendentes a melhorar a eficiência operacional;• Mapear os principais indicadores técnico-económicos da Mina, com enfoque na estrutura de custos;• Promover acções tendentes a elevar o desenvolvimento humano no Departamento;

A exploração do Kimberlito da Sociedade Mineira de Catoca é feita a céu aberto utilizando o sistema de mineração com escavação por avanços e transporte rodoviário. A "flowsheet" tecnológica prevê o desmonte directo do maciço do estéril e a extração do minério usando escavadeiras e camiões basculantes. O minério, então, é levado à Central de Tratamento e ao depósito de minério. E o maciço do estéril é levado para as escombreiras externas.Já a recuperação de diamantes é feita com tecnologia russa. O minério bruto é transportado por camiões até a rampa da Central de Tratamento e descarregados em três tremonhas - munidas de grelhas estacionárias com orifícios quadrados por dentro. O minério é britado nas grelhas pelo carregador até passar pelas aberturas. Os alimentadores de placa, situados debaixo das tremonhas, carregam regularmente o minério extraído nos moinhos de autodesintegração húmida. O produto dessa operação entra nos classificadores espirais que fazem a classificação hidráulica conforme a granulometria. Dos classificadores, o minério é canalizado por escoamento livre para os crivos e as lamas de granulometria inferiores à prevista vão para a bacia de rejeitados.

Diamantes da Brazil Minerals são avaliados em US$ 5,4 mil por quilate

Diamantes da Brazil Minerals são avaliados em US$ 5,4 mil por quilate


A Brazil Minerals divulgou, hoje, a avaliação do primeiro lote de diamantes lapidados e polidos que produziu em Duas Barras, Estado de Minas Gerais. Os diamantes da empresa foram avaliados em US$ 5,4 mil por quilate, seguindo a Rapaport Diamond Price List, lista de preços que serve como fonte primária para o mercado de diamante.

“Estamos lapidando e polindo os diamantes em um centro de alta habilidade no Brasil e os exportando para os Estados Unidos, onde eles têm seu teor avaliado e são certificados pelo Gemological Institute of America [GIA; em português, instituto gemológico da América”, disse Marc Fogassa, presidente do conselho e CEO da Brazil Minerals.
Os diamantes da mineradora foram 100% aceitos pelo GIA em relação à classificação do teor e à certificação. Na escala decolorless, utilizada para ordenar os diamantes por cor, as pedras preciosas da Brazil Minerals ganharam “F”, um dos maiores teores da escala. No que diz respeito à clareza e limpidez, os diamantes da mineradora foram avaliados com “VVS1”, uma das melhores classificações para clareza.
Até o momento, as receitas da mineradora vieram da produção de ouro e de diamantes brutos de Duas Barras. A Brazil Minerals negociou seus diamantes brutos a um preço médio de US$ 140 por quilate. Agora, a empresa pretende vender parte de sua produção de diamantes polidos.

A mina Duas Barras tem capacidade de processamento de 80 toneladas por hora de cascalho, para extração de diamante e ouro. O custo de construção da planta foi de aproximadamente US$ 2,5 milhões.
A Brazil Minerals é uma produtora de diamante e ouro, que desenvolve projetos de vanádio, titânio e ferro pelo Brasil. Além da mina Duas Barras, a empresa é proprietária de direitos fundiários em Borba, área com potencial de ouro no Amazonas. No Brasil, a mineradora tem como subsidiária a Mineração Duas Barras, que fica em Minas Gerais.
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A CHAPADA DOS DIAMANTES

A CHAPADA DOS DIAMANTES

Serra do Sincorá, Bahia










A SERRA

    A serra do Sincorá é uma parte da Chapada Diamantina, situada na região central do Estado da Bahia, que constitui um sítio de grande beleza paisagística devido ao modelado de suas serras, que expõem vales profundos de encostas íngremes e amplas chapadas. Essas escarpas permitem o exame da sua geologia, onde tempos atrás foram explorados diamantes e carbonados.
     A serra do Sincorá está localizada na região central do Estado da Bahia, distante da cidade de Salvador, capital do estado, cerca de 400km (figura 1). Para chegar à serra do Sincorá a partir de Salvador, deve-se seguir em direção a Feira de Santana (rodovia BR-324), continuando então para sul em direção ao Rio de Janeiro pela rodovia BR-116. Cerca de 70km a sul de Feira de Santana, à margem do rio Paraguaçu, entra-se à direita pela rodovia BR-242, em direção a Brasília. Cerca de 220km adiante, chega-se à cidade de Lençóis: ai está a serra do Sincorá, que fica dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina. O acesso por via aérea é feito por linhas regulares através do Aeroporto Cel. Horácio de Matos, situado na vila de Tanquinho (figura 1).
Figura 1 - Mapa de localização da serra do Sincorá. Legenda: 1-Região da serra; 2-Rodovia pavimentada; 3-Estrada não pavimentada; 4-Rio; 5-Cidade ou vila; 6-Aeroporto.


DESCRIÇÃO DO SÍTIO

    A serra do Sincorá está localizada na borda centro-oriental da Chapada Diamantina, aproximadamente entre as vilas de Afrânio Peixoto (antiga Estiva)  a norte e de Sincorá Velho a sul (figura 1). Sua vertente ocidental é uma escarpa quase contínua, com cerca de 300m de altura e 80km de extensão; a escarpa oriental, que domina a planície do vale do Paraguaçu (400m), atinge rapidamente a altitude de 1200m, nas primeiras cristas da serra. Assim  descreve a serra, o biólogo Roy Funch, em seu livro Um guia para o visitante da Chapada Diamantina: o Circuito do Diamante: o Parque Nacional da Chapada Diamantina; Lençóis, Palmeiras, Mucugê, Andaraí, editado em Salvador pela Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia em 1997.

Montanhas  e cachoeiras


    A serra do Sincorá compreende um conjunto de diversas serras de menor extensão com as da Cravada, do Sobrado, do Lapão, do Veneno, do Roncador ou Garapa, do Esbarrancado, do Rio Preto, entre muitas outras. Essas serras possuem picos com até 1700m de altitude e são separadas por vales íngremes e profundos como canyons
    Uma feição que se destaca na serra do Sincorá, é o morro do Pai Inácio à margem da rodovia BR-242, a norte do vale do Cercado (figura 2).


Figura 2 - Vale do Cercado, a sul  do morro do Pai Inácio, na rodovia BR-242.



    Mais ainda a norte do morro do Pai Inácio, está o morro do Camelo ou Calumbi (figura 3), e a sul, o Morrão (figura 4), cujo acesso se faz através da estrada entre a cidade de Palmeiras e a vila de Caeté Açu (figura 1).


Figura 3 - Morro do Camelo ou Calumbi


Figura 4 - Morrão

 
 
    Entre o Morrão e a vila de Caeté Açu, é cruzada a ponte sobre o rio Riachinho, onde existe um antigo garimpo de diamantes (figura 5).
 

Figura 5 - Rio Riachinho


    O principal rio desta região, é o rio Paraguaçu. Após atravessar a serra do Sincorá desde a localidade de Comércio de Fora (figura 6), ele a deixa na localidade de Passagem de Andaraí, formando a cachoeira de Donana (figura 7). Daí, o rio prossegue em busca do oceano Atlântico, na baía de Todos os Santos.



Figura 6 – Escarpa da serra do Sincorá em Comércio de Fora, a oeste da cidade de Mucugê.





Figura 7 - Cachoeira de Donana


    As rochas que afloram na serra do Sincorá, consistem essencialmente em arenitos e conglomerados. Orville A . Derby (1851-1915), geólogo norteamericano, que no início do século XX trabalhou na região, disse delas o seguinte: “ Este conglomerado representa um depósito de cascalho formado em uma época geológica remota pelo mesmo modo que se formaram, e ainda hoje se formam, os cascalhos (conglomerados incoerentes e ainda não transformados em pedra) em que os mineiros procuram os diamantes.





Figura 8 – Arenitos, isto é, rochas formadas por areias consolidadas na vila de Igatu.
 
 


Figura 9 – Conglomerados(antigos cascalhos)  intercalados com arenitos no vale do rio Combucas, a norte da cidade de Mucugê.



Diamantes

No ano de 1844, foram descobertos diamantes na serra do Sincorá, na região de Mucugê (figuras 1 e 12). A partir dessa região toda a serra foi explorada, garimpando-se diamantes desde o rio Sincorá a sul (figuras 1 e 7), até a região de Afrânio Peixoto a norte (figura 1).






Figura 10 – Como os diamantes são transportados do interior da Terra (à esquerda); Como as rochas são erodidas, liberando os diamantes, que então são garimpados nos rios (à direita).



    Esses diamantes, que deram fama e riqueza à região formaram-se em algum lugar do interior da Terra onde a crosta terrestre era bastante espessa, e foram transportados por rochas chamadas kimberlitos, que forçaram o seu caminho para a superfície (figura 10). Assim, os diamantes se comportariam como meros passageiros em uma parada de ônibus (lado esquerdo). Quando os kimberlitos que os continham alcançaram a superfície, eles sofreram processos de erosão, liberando os diamantes, que foram encontrados em areias e cascalhos de rios (lado direito). Dando uma idéia da sua raridade, Jiri (George) Strnad, geólogo canadense especialista em diamantes, estimou que em um kimberlito diamantífero exposto em uma escarpa medindo 10 x 2m, estaria contido apenas um diamante minúsculo, com um milímetro de diâmetro !

    

    Na serra do Sincorá, a fonte dos diamantes ainda é amplamente discutida. Sabe-se apenas que eles vieram do leste, mas o local exato ainda não foi definido. Os diamantes eram garimpados no cascalho produzido pela decomposição de conglomerados (figura 11), aflorantes no vale do rio Combucas (figura 12).



Figura 11 - Detalhe do conglomerado do vale do rio Combucas (figura 12), depositado por antigos rios.





Figura 12 - Rio Combucas, a norte da cidade de Mucugê, próximo à sua confluência com o rio Mucugê, local das primeiras descobertas de diamantes na serra do Sincorá.


    A cachoeira do Serrano na cidade de Lençóis (figura 13), também foi intensamente explorada. Aí, os conglomerados são formados por fragmentos de diversas rochas (figura 14). Eles foram depositados no sopé de escarpas.

Figura 13 - Cachoeira do Serrano, na cidade de Lençóis.







Figura 14 - Conglomerado da cachoeira do Serrano. Acredita-se que ele tenha sido depositado no sopé de escarpas, o que se chama de leques aluviais.


    A garimpagem também foi intensa nas regiões de Andaraí e Igatu. A figura 15 mostra os conglomerados na estrada entre essas duas localidades. O rejeito dos antigos garimpos ainda pode ser visto ao longo desta estrada, como amontoados de blocos de tamanhos e formas diversas.

Figura 15 - Conglomerados ao longo da estrada Andaraí - Igatu

    Após uma fase áurea de aproximadamente 25 anos, a garimpagem de diamantes entrou em declínio a partir de 1871. Já no século XX, houve diversas tentativas de mecanizar os garimpos, que na década de 80 foram instalados nos leitos dos rios dentro e fora do Parque Nacional. Estes garimpos, graças a uma ação conjunta de diversas autoridades ligadas à mineração e ao meio ambiente, foram fechados definitivamente em março de 1996.
     Mesmo após 150 anos de exploração dos aluviões diamantíferos, ainda existe garimpagem manual, embora em ritmo mais lento, devido à exaustão e decadência das lavras. Devido ao número ilimitado de situações geológicas e topográficas da serra, existem os seguintes tipos de garimpo manual, mencionados pelo biólogo Roy Funch, cada qual com suas peculiaridades:cascalhão, barranco, brejo, grupiara, emburrado, curriolo, engrunada, gruta, escafandro, serviço a seco, lavagem e faísca (figura 16).



Figura 16 - Representação esquemática dos tipos de garimpo manual (descrições no glossário)
    Esses fatos confirmam a afirmação de Orville A . Derby : "Quanto à riqueza mineral, a única até hoje aproveitada é a de diamantes e carbonados, e a sua constituição geológica [da serra do Sincorá] pouca esperança oferece da existência de outra...".


MEDIDAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL

    O trecho da serra do Sincorá  situado entre Cascavel e Mucugê e a rodovia BR-242, está incluído no Parque Nacional da Chapada Diamantina. A norte da rodovia BR-242, os morros do Pai Inácio e do Camelo estão dentro da APA (Área de Proteção Ambiental) de Iraquara-Marimbus.
    De acordo com informações do biólogo Roy Funch, o rio Mucugê, em cujo leito foram descobertos os primeiros diamantes, está razoavelmente bem protegido: o seu alto curso fica dentro do Parque Nacional e o baixo curso corre dentro da área do Parque Municipal de Mucugê (uma reserva com cerca de 270 hectares). Este parque ainda inclui o baixo curso do rio Combucas e vários dos seus afluentes, limitando-se com o Parque Nacional.
    Além dessas medidas, existe no município de Mucugê, o Projeto Sempre Viva. Este projeto tem os seguintes objetivos: 1) implantação de uma unidade de conservação estruturada para o ecoturismo, no Parque Municipal de Mucugê; 2) desenvolvimento de tecnologia de reprodução de plantas nativas; 3) implantação de um Sistema de InformaçõesGeográficas (SIG); e, 4) execução de um programa de educação ambiental. A sua sede, construída no estilo dos antigos abrigos de garimpeiros, é mostrada na figura 17.




Figura 17 - Parte das instalações do Projeto Sempre Viva.



Diamante: plantas com baixa recuperação, a alegria dos mineradores mais eficientes

Diamante: plantas com baixa recuperação, a alegria dos mineradores mais eficientes
A mineração de diamantes pode ser cruel. Nela a falta de qualidade de alguns, enche os cofres de outros. A baixa recuperação de diamantes de algumas plantas antigas transferiu grandes fortunas dos kimberlitos para os rejeitos...
É o que está ocorrendo na África do Sul onde a mineradora Mwana Africa está tendo um sucesso superlativo reprocessando os rejeitos de minas como a Marsfontein. Essa mina é uma operação a céu aberto sobre um kimberlito de alto teor, nas proximidades de Mokopane.
A Mwana aproveitou os defeitos da planta da Marsfontein e já recuperou 12.383 quilates somente no primeiro trimestre de 2014.
A mesma situação está sendo reportada na mina de Klipspringer onde a Mwana está trabalhando rejeitos com 0,77 quilates por tonelada: um teor muito elevado para um rejeito.
Erro de uns alegria de outros...

ESTUDO DE APROVEITAMENTO DE REJEITOS DE DIAMANTE DA REGIÃO DE POXORÉU, LESTE DO ESTADO DE MATO GROSSO

ESTUDO DE APROVEITAMENTO DE REJEITOS DE DIAMANTE DA REGIÃO DE POXORÉU, LESTE DO ESTADO DE MATO GROSSO

Study of diamond recovery tailings from Poxoréu region, east of Mato Grosso State



RESUMO
Estudos em rejeitos de garimpos de diamantes foram desenvolvidos na região de Poxoréu, visando sua aplicação como areia industrial. A região de Poxoréu está em estagnação econômica desde o declínio das atividades garimpeiras, iniciada na década de 1920, gerando grande quantidade de rejeitos disposta desordenadamente, cobrindo uma vasta porção das bacias dos rios Poxoréu e Alto Coité. Os estudos constaram da análise granulométrica e geoquímica de 11 amostras selecionadas por mostrarem boa representatividade. Os estudos granulométricos sugeriram que a maioria das amostras pode ser utilizada tanto na indústria de fundição, quanto na fabricação vidro. Os dados geoquímicos apontaram que todas as amostras podem ser utilizadas pela indústria de construção civil. Com exceção de duas amostras, cujo teor de TiO2 ultrapassa os limites das especificações ABNT, as demais podem ser utilizadas nas indústrias de vasilhame e fundição, após submissão a tratamentos para remoção de ferro e alumínio. Outra aplicação dos rejeitos analisados seria na indústria de vidro, uma vez que apresentaram baixas concentrações de titânio, magnésio, manganês, cromo, potássio, sódio e cálcio, além dos aspectos granulométricos mencionados. Pesquisas voltadas à prospecção de ouro são sugeridas, uma vez que as análises geoquímicas mostraram a presença deste elemento em quase todas as amostras.
Palavras-chave: Garimpo de diamante; Rejeitos; Poxoréu-MT; Estudos granulométricos e geoquímicos; Areia industrial.

ABSTRACT
Studies on diamond mining tailing from the region of Poxoréu, were performed, aiming their application as industrial sand. The Poxoréu region is in economic stagnation since the decline of diamond exploration, which began in the 1920s. These activities generated large amounts of tailing, which was disposed haphazardly, covering a vast portion of the basins of the Poxoréu and Alto Coité rivers. This study consisted of granulometric and geochemical analysis of 11 samples selected that showed good representation for the area. Granulometric studies suggested that most samples can be used both in the foundry industry, as in glass manufacturing. The geochemical data showed that all samples may be used by the construction industry. With the exception of two samples, whose TiO2 content exceeds the limits of the specifications ABNT, the others can be used in the industries of glass container and foundry, after undergoing treatment for removal of iron and aluminum. Another application of the material analyzed would be considered for use in glass industry, since they showed low concentrations of titanium, magnesium, manganese, chromium, potassium, sodium and calcium, outside granulometric aspect mentioned. Research focused on prospecting for gold are suggested, since the geochemical analysis showed the presence of this element in almost all samples.
Keywords: Diamond mine; Tailing; Poxoreu-MT; Granulometric and geochemical studies; Industrial sand.



INTRODUÇÃO
A atividade garimpeira na região de Poxoréo teve início na de década de 1920, de modo totalmente desordenado. Com a introdução das dragas nas décadas de 40 a 60 a desordem foi acentuada e os problemas ambientais aumentaram consideravelmente. Este fato vem se agravando até os dias atuais, pois embora as jazidas estejam praticamente exauridas, garimpos artesanais persistem e constituem uma importante fonte de renda para a população de Poxoréo e Alto Coité. Além do assoreamento de córregos e rios da região, a extração diamantífera na área gerou grandes pilhas de rejeitos intensificando os problemas de caráter ambiental. Estes rejeitos, além de causarem grandes impactos ambientais também geram impactos visuais descaracterizando a morfologia da região.
Este trabalho mostra os resultados de caracterização química e mineralógica dos rejeitos provenientes da extração de diamantes dos depósitos aluvionares da região de Poxoréu (Figura 1), visando direcioná-los a um aproveitamento econômico, principalmente na forma de matéria-prima para a produção de areia industrial.
As areias industriais recebem suas denominações em função de suas aplicações na indústria, determinadas pelas suas características e propriedades, tais como, teor de sílica, pureza, composição química, teor de óxidos de ferro, álcalis, matéria orgânica, perda ao fogo, umidade, distribuição granulométrica, forma dos grãos e teor de argila (Azevedo & Ruiz, 1990). No que diz respeito à química ideal de uma amostra, as principais especificações técnicas referem-se aos teores de: SiO2, Fe2O3, Al2O3, MnO2, MgO, CaO, TiO2 e ZrO2. Quando se trata de usos específicos, tais como esmalte, fibra de vidro e cristal os teores de Cr2O3, Na2O e K2O devem também ser considerados (Ferreira & Daitx, 2000). No Brasil, cerca de 60-65% são destinados à fabricação de vidro (incluídos cerca de 5% em cerâmica); 30% em fundição e outros usos com 5% do consumo (Luz & Lins, 2005), enquanto que, por exemplo, nos EUA, a indústria de vidro responde apenas por 38% do consumo de areia industrial, seguindo-se a fundição com 20%, fraturamento hidráulico e abrasivo com 5% cada e 32% em outros usos (USGS, 2004).

MATERIAIS E MÉTODOS
Os trabalhos de campo desenvolvidos no município de Poxoréu concentraram-se em duas áreas distintas: a primeira localizada nos arredores do vilarejo de Alto Coité, denominada de área do Patrimônio e, a segunda, nos limites da Fazenda Primavera, que dista aproximadamente 10 km da primeira.
Durante os trabalhos de campo procurou-se caracterizar as pilhas de rejeito, fez-se o levantamento de um perfil e foram coletadas 22 amostras, das quais 11 foram selecionadas para os estudos granulométricos e geoquímicos (Ap-01, Ap-02, Ap-03, Ap-05, Ap-07, Ap-08, Ap-09, Ap-10, Ap-11). As amostras Ap-3 e Ap-11 foram coletas em níveis específicos do perfil levantado em campo e as demais foram coletadas aleatoriamente em pilhas de rejeito.
Os estudos de caracterização foram desenvolvidos nos laboratórios de sedimentologia e Multiusuario de Técnicas Analíticas (LAMUTA) do Departamento de Recursos Minerais de UFMT. Estes estudos constaram de análises granulométrica, macroscópica e microscópica e geoquímica com vistas ao aproveitamento desses rejeitos como areia industrial. Os estudos granulométricos envolveram desagregação, peneiramento e lavagem para remoção da argila. Nos estudos geoquímicos foram utilizadas amostras "in natura", amostras peneiradas e lavadas e amostras de argila. Estes estudos foram realizados através da fluorescência de raios-X por energia dispersiva (XRF) EDX-700HS da marca Shimadzu para determinação de elementos maiores, menores e alguns traços. As análises foram realizadas em vácuo com colimador de 10 mm, pelo método Quali-Quant FP. Utilizaram-se duas aquisições por amostra para quantificação dos elementos químicos do (i) Na e Sc e (ii) Ti e U, tendo cada aquisição duração de 5 minutos.

RESULTADOS
DESCRIÇÃO DOS DEPÓSITOS
Os trabalhos de campo permitiram constatar que as duas áreas estudadas mostram similaridades, pois ambas são constituídas por depósitos recentes, de terraço, e também de cascalheira, o que está de acordo com as descrições de Souza (1991, segundo Schobbenhaus et al., 1991) para outros depósitos da região. Ambas as áreas foram intensamente trabalhadas por garimpeiros, encontram-se muito degradadas com a presença de rejeitos empilhados aleatoriamente em diferentes porções, inclusive às margens de córregos e rios, além de depressões causadas pela remoção de material por dragas e/ou retro-escavadeiras (Prancha 1). O rejeito foi acondicionado de forma desordenada em pilhas que apresentam mistura de sedimentos de diferentes granulometrias, variando de seixos de até 50 cm de diâmetros associados a seixos menores misturados a areia e argila, caracterizando depósitos mal selecionados, com predomínio da fração areia. Os seixos são representados por fragmentos de rochas (principalmente arenitos), quartzo, sílex e outros, mostrando predominância de seixos com formas subarredondadas. As frações inferiores (areia e silte) são compostas principalmente por grãos de quartzo com pouca contribuição de feldspato e fragmentos de rocha, além de turmalina, rutilo, ilmenita, titanita, limonita, coríndon, zircão, minerais opacos e outros de rara ocorrência, como é o caso de apatita e granada.
O perfil levantado nas bordas do Rio Areia permitiu verificar, da base para o topo, um nível de areia intensamente compactado (denominado piçarra na linguagem garimpeira), de cor amarela-avermelhada, seguida por uma camada de areia/cascalho mineralizada com cerca de 1,50 m e, recobrindo este nível ocorre uma camada de cascalho de cerca de 40 cm de espessura composta por seixos de até 20 cm de diâmetros representados por fragmentos de rochas, quartzo e sílex. A maioria dos grãos são subarredondados e, subordinadamente, arredondados ou angulosos. A camada de topo apresenta cerca de 20 cm de solo e é composta por matéria orgânica e areia.
ESTUDOS GRANULOMÉTRICOS
Os estudos granulométricos visaram à caracterização do grau de arredondamento, angulosidade e selecionamento dos grãos de areia, uma vez que estes parâmetros são importantes para direcionar os rejeitos a usos específicos e apropriados.
A Tabela 1 apresenta o peso e a porcentagem de cada fração obtida nas amostras estudadas. Na Figura 2 é mostrada a distribuição granulométrica acumulada das amostras, evidenciando que nas amostras Ap2, Ap8 e Ap11 prevalecem as frações acima de 2 mm, enquanto nas demais ocorre o inverso. Observa-se também que a distribuição granulométrica concentra-se em duas modas, uma variando de 9,52 a 2,00 mm e a outra de 0,5 a 0,062 mm.
A Tabela 2 mostra os resultados do grau de arredondamento das amostras em relação à esfericidade, evidenciando a predominância das frações concentradas nos limites de alta esfericidade na maioria das amostras. A amostra Ap2 é a única a mostrar inversão quanto ao grau de esfericidade, ou seja, nesta amostra prevalecem grãos de baixa esfericidade. Na amostra Ap7 as proporções de grãos com alta e baixa esfericidade são aproximadamente iguais.
Quanto ao grau de arredondamento e selecionamento observou-se predominância dos grãos angulosos sobre os arredondados nas frações maiores, enquanto nas frações menores, abaixo de 0,125 mm, predominam grãos mais arredondados.
ESTUDOS MACROSCÓPICOS E MICROSCÓPICOS
A análise macroscópica mostrou que os depósitos aluvionares estudados são constituídos por diferentes formas de sílica (quartzo, calcedônia, opala, chert) fragmentos de rochas, óxidos (possivelmente goetita, ilmenita, limonita), raros grãos de granada e de safira.
A análise da fração areia média a grossa, realizada com lupa binocular mostrou que esta fração é composta por quartzo, opala, turmalina, rutilo, minerais opacos (ilmenita e magnetita), zircão, carbonato, topázio e feldspato, além de pequenos fragmentos de rochas. Mineralogia idêntica foi observada ao microscópio para as frações areia fina a silte. Estes estudos permitiram identificar que também que grau de arredondamento dos grãos presentes nas frações menores é maior que o observado para as frações mais grossas.
ANÁLISE GEOQUÍMICA
Uma análise extremamente importante no estudo de caracterização de areia para uso industrial é a análise química, pois para cada tipo de aplicação existem normas específicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que devem ser respeitadas.
Os resultados das análises químicas obtidos para o material in natura, fração areia (1,19 e 0,50 mm) e para a fração argila são apresentados nas Tabelas 3, 4, 5 e 6 respectivamente.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
São muitas as aplicações de areia para o uso em vários setores da indústria, dentre eles os mais relevantes no Brasil são indústrias de vidro, cerâmica, vasilhame, construção civil, etc. Para cada uso específico existem normas que regulamentam desde a faixa granulométrica, formas de grãos além de composição química e da presença de impurezas. Além das normas técnicas que regulamentam o uso das areias, vários são os trabalhos de cunho cientifico que abordam o assunto, dentre eles podem ser citados os trabalhos de Barbosa & Porphírio (1993), Zdunczyk & Linkous (1994), Nava (1997), Ferreira & Daitx (2000, 2003), Luz & Lins (2005).
Referente ao tamanho dos grãos, Ferreira & Daitx (2000), mostraram que as características típicas de areia de quartzo para a indústria cerâmica estão posicionadas nas faixas granulométricas entre 30 e 140 malhas (0,60 a 0,105 mm). O material silte-argiloso (fração inferior a 0,062 mm) é uma fonte de contaminação de alumínio, ferro e álcalis (determinados pelos ensaios geoquímicos), e, portanto sua presença é indesejável nos materiais selecionados para fabricação de areias industriais. Ainda segundo esses autores a fração sílte-argilosa pode representar no máximo 20% do minério e constitui um dos principais problemas ambiental, pois é depositada em grandes bacias de decantação ou despejada diretamente nos córregos e rios, causando assim o assoreamento dos mesmos.
As principais especificações químicas, para os diferentes usos industriais da areia referem-se aos teores de SiO2, Fe2O3, Al2O3, MnO2, MgO, CaO, TiO2 e ZrO2, além dos teores de Cr2O3, Na2O e K2O que devem ser considerados, em função da aplicabilidade da areia.
Os padrões estabelecidos para areia industrial na construção civil de acordo com a norma NBR-7200/82 são: (i) pureza, cujo teor do material na fração inferior a 0,09 mm não deve ultrapassar a 5% em peso; (ii) granulometria, areias com faixa granulométrica inferior a 0,2 mm devem representar de 10% a 25% do peso total e; (iii) forma das partículas, onde as partículas arredondadas e esféricas são mais favoráveis que os grãos achatados ou longos (Ferreira & Daixt, 2000).
Para fabricação de vidros, os grãos angulares são mais favoráveis ao processo de produção, pois a fusão se inicia nas pontas e arestas dos grãos (Nava, 1997). Em relação à química, a areia deve apresentar um teor elevado de SiO2 (98,5% - vidro comum e > 99% - vidro plano), baixo teor de Fe2O3 (0,08% para vidro plano, 0,1% para fibra de vidro e 0,3% para vasilhames de vidro colorido e de material refratário), além de um controle rígido nas percentagens de Al2O3, CaO, MgO, Na2O, K2O, TiO2, ZrO2 e Cr2O3 e elementos tais como cobre, níquel e cobalto, que mesmo em níveis de traços, são indesejáveis por produzirem cores e defeitos no vidro, tornando-o inaceitável no mercado (Harben & Kuzvart, 1996). Ferreira & Daitx (2003) acusam que a presença de zircão, ilmenita, magnetita, turmalina, além de feldspato, óxidos de ferro e manganês, etc. são os minerais que mais contribuem para o aumento do teor de contaminantes, tais como ferro, manganês e titânio para a produção de vidro.
Para a indústria de fundição a areia deve ser livre de argilas, apresentar alto teor de sílica (>98%), e baixos teores de CaO e MgO (Zdunczyk & Linkous, 1994) e a distribuição granulométrica deve ser estreita com grãos apresentando alta esfericidade. A areia usada na indústria de abrasivo e jateamento, deve apresentar cerca de 99,5% de SiO2, 0,10% de Al2O3, 0,025% de Fe2O3 e distribuição granulométrica entre 0,053 mm e 0,42 mm (Ferreira & Daitx, 2000).
Considerando os padrões estabelecidos pela indústria de fundição, ou seja, grãos com alta esfericidade e granulometria variando entre aproximadamente 1,00 e 0,07 mm, a análise dos resultados dos estudos granulométricas das amostras provenientes da região de Alto Coité e Poxoréu mostraram que as amostras Ap2, Ap8 e Ap11, não satisfazem estas exigências (Figura 02). As demais amostras podem ser utilizadas pela indústria de fundição, uma vez que a maior concentração de grãos com alta esfericidade posiciona-se na faixa granulométrica estabelecida como ideal para este fim.
As análises químicas do material in natura (Tabela 3) revelaram altos valores de SiO2, cujos teores ultrapassam 95% na maioria das amostras e baixas concentrações de Al2O3 e Fe2O3, principais contaminantes destas amostras.
As análises realizadas na fração 0,50 mm (Tabela 5) revelaram que as amostras Ap2 e Ap11 mostram menores percentagens de SiO2 e elevadas percentagens de Al2O3 e Fe2O3, comportamento este observado também na concentração de H2O, o que pode refletir a presença de maior quantidade de argilominerais provavelmente agregado aos grãos da fração areia. Na fração 1,19 mm (Tabela 4) observou-se o mesmo comportamento, que se repete também para a amostra Ap10, sendo que, nesta amostra o conteúdo de água é muito elevado. Os demais elementos analisados mostram comportamento geoquímico semelhante para todas as amostras e frações. A análise química da fração argila (Tabela 6) mostrou comportamento similar, devendo-se destacar que a amostra Ap2 apresenta alto conteúdo de Al2O3, enquanto a amostra Ap11, apresenta altas concentrações de Fe2O3, implicando na presença de argilominerais e oxido de ferro, respectivamente.
Na amostra Ap3, coletada num nível mais de topo do perfil levantado, foi observado maior conteúdo de silício e menor em ferro, potássio, manganês, magnésio e cálcio, o que pode estar relacionado à presença de menor quantidade da fração silte-argila nesse nível. Comportamento oposto é observado na amostra Ap11, coletada no nível mais basal do perfil, o que já era esperado, uma vez que esta amostra apresenta maior percentagem de material mais argiloso e de impurezas (principalmente, minerais pesados).
Considerando os resultados geoquímicos das amostras e tomando por base as especificações brasileiras apresentadas por Luz & Lins (2005), todas as amostras podem ser empregadas na construção civil.
Para o emprego do material estudado em outras finalidades deve ocorrer a remoção de ferro e alumínio (indústria de vasilhame) e alumínio (fundição) na maior parte das frações areia analisada, exceto para as amostras Ap2 e Ap11, cujo teor de TiO2 ultrapassa o teor das especificações e é de difícil remoção, impossibilitando que estas amostras sejam utilizadas nas indústrias de vasilhame e de fundição.
As análises químicas revelaram também que a matéria prima estudada se enquadra na maioria dos requisitos utilizados pela indústria de fabricação de vidro, ou seja, apresenta baixas concentrações dos elementos tidos como extremamente contaminantes, tais como titânio, magnésio, manganês, cromo, potássio, sódio e cálcio. O único fator a ser observado pela indústria de vidro é a presença de argila e de minerais pesados nos quais estão concentrados elementos contaminantes tais como ferro e alumínio. Este problema pode ser facilmente resolvido com um tratamento prévio do material para remoção de argila através de processo de peneiramento a úmido além de processos de flotação e/ou separação magnética para remoção de minerais pesados.

CONCLUSÕES
Considerando que o objetivo primeiro deste trabalho visava encontrar meios alternativos para compensar a decadência econômica imposta ao município de Poxoréu, desde que a atividade garimpeira entrou em declínio, a análise dos rejeitos provenientes de antigos garimpos da região permitiu identificar a possibilidade de novas frentes de trabalho na área.
Desta forma, os estudos granulométricos sugeriram que a maioria das amostras pode ser utilizada tanto para a indústria de fundição, devido à alta esfericidade dos grãos, concentrado nas frações maiores, assim como para a fabricação vidro, nas frações menores de baixa esfericidade, tendo em vista a maior facilidade da fusão se iniciar nas arestas dos grãos.
Os resultados geoquímicos mostraram que todas as amostras podem ser utilizadas pela indústria de construção civil, tomando por base as especificações brasileiras para esse fim, e sem que sejam necessários tratamentos especiais além de peneiramento. Com exceção das amostras Ap2 e Ap11, cujo teor de TiO2 ultrapassa o teor das especificações da ABNT e é de difícil remoção, as demais podem ser utilizadas nas indústrias de vasilhame e fundição, após serem submetidas a tratamento para remoção de ferro e alumínio. Outra aplicação das areias analisadas seria para uso na indústria de vidro, uma vez que apresentaram baixas concentrações de titânio, magnésio, manganês, cromo, potássio, sódio e cálcio, precisando para isso apenas passarem por processo de remoção dos argilominerais através de peneiramento, separação magnética de alta intensidade e/ou flotação.
Estudos futuros na área devem englobar a utilização das frações mais grossas na fabricação de semijóias e peças ornamentais, bem como a viabilização de cooperativas voltadas para estes fins, uma vez que estes seriam trabalhos artesanais de baixa produção, além de pesquisas voltadas à prospecção de ouro, cuja presença deste metal foi detectada nas análises químicas na maioria das amostras.