quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ouro: vendedor misterioso coloca mais de US$2,6 bilhões à venda e faz ouro cair

Ouro: vendedor misterioso coloca mais de US$2,6 bilhões à venda e faz ouro cair
Grandes vendas de ouro fizeram a onça do metal despencar de US$1345 para US$1298.

Somente ontem a ordem de venda foi superior a 1,3 bilhões de dólares o que assustou, mais ainda, o mercado que já anda sobressaltado...

Para piorar as coisas, a ordem de venda a futuro, colocada hoje, foi de 2,3 bilhões de dólares.

Ninguém ainda sabe quem é o misterioso vendedor, mas acredita-se que seja somente um. Talvez um banco europeu tentando salvar o Banco Espírito Santo de Portugal que está correndo sérios riscos de quebra? Talvez um grande investidor realizando lucros...

Não se sabe o que vai acontecer amanhã...,mas se novas vendas de grande volume ocorrerem talvez o ouro perca a “gordura” acumulada no período e volte aos US$1250/Oz.

terça-feira, 15 de julho de 2014

BHP vende níquel, manganês e alumínio e concentra no ferro

BHP vende níquel, manganês e alumínio e concentra no ferro
A BHP está literalmente fechando uma página de sua história. Ela se prepara para vender quase todos os ativos que foram trazidos pela Billiton na fusão que ocorreu em 2001. São  operações de níquel alumínio e manganês que já não fazem mais sentido econômico na estrutura da megamineradora. Esses ativos correspondem a menos de 10% da BHP-Billiton atual.

A BHP vem vendendo ativos “non-core” há bastante tempo. No entanto o que está havendo parece ser uma volta às raízes que pode implicar na saída da bolsa de Londres com uma concentração estratégica nos ativos de minério de ferro, energia e cobre, e até uma mudança de nome.

O processo de venda vai ser longo e difícil. A venda dos ativos Nickel West, por exemplo, onde a BHP pensava obter US$800 milhões está se mostrando bem mais difícil do que imaginado. Hoje a Glencore, uma das possíveis compradoras se retirou do processo deixando a Trafigura a Sherrit e a chinesa MMG ainda na contenda. Com a saída da Glencore Xtrata acredita-se que a venda seja depreciada e o valor fique em torno de US$500 milhões...

Prepare-se! Os chineses estão chegando

Prepare-se! Os chineses estão chegando
Entre os pontos que serão debatidos no encontro dos BRICS estarão possíveis investimentos na infraestrutura brasileira. Será uma excelente oportunidade de revitalizar a infraestrutura e reativar projetos do PAC que morreram por falta de financiamento do Governo.

O que nós, do Portal do Geólogo sabemos, é que assim que a reunião política terminar chegarão ao Brasil as comitivas chinesas para, junto com os empresários locais, discutir grandes projetos de infraestrutura e joint venture com empresas chinesas. Essas JV estarão sendo financiadas por importantes bancos chineses (ainda não é o Banco Brics).

Nesta fase inicial veremos os investimentos se concentrarem em portos, ferrovias, carvão, petróleo e gás. Um pouco mais tarde, será a hora da mineração de cobre, manganês, cromo e estanho.

Minério de ferro retornando aos US$100/t

Minério de ferro retornando aos US$100/t
Depois de ter sido negociado a US$89/t o minério de 62% Fe volta a subir e se aproxima dos US$100/t, em parte alavancado pelo aquecimento do aço no mercado futuro. É a maior alta em quase dois meses.

O aço futuro, por sua vez, está subindo graças às políticas governamentais que fortalecem a infraestrutura colocando a enorme máquina chinesa de volta aos trilhos.

O minério de ferro estocado nos portos chineses totaliza 113 milhões de toneladas, número próximo do recorde de 113,7Mt de uma semana atrás.

Exploração mineral: como fazer um erro de bilhões de dólares?


Exploração mineral: como fazer um erro de bilhões de dólares?
O Geólogo de exploração e sua equipe são os principais responsáveis por trilhões de dólares de retorno para as suas empresas e para os países onde elas trabalham. São eles os descobridores dos jazimentos, que podem ser pequenos ou gigantescos, que irão alimentar a indústria e praticamente todos os segmentos da economia, criando milhões de empregos e, muitas vezes, mudando completamente a economia e o rumo do país.

Imagine um Brasil sem Carajás, ou uma África do Sul sem platina e diamantes, os Emirados Árabes sem o petróleo, um Chile sem o cobre ou os Estados Unidos sem o ferro...

A importância dos minerais no cotidiano de todos nós é tão grande que é praticamente impossível pensar em qualquer coisa que nos cerca que não tenha sido originado em uma mina ou cuja existência não esteja diretamente ligada aos produtos minerais extraídos. Até os produtos orgânicos como a madeira, os tecidos e o próprio papel não seriam usados intensivamente se não fosse a mineração.

Mas, como sempre, existe o outro lado da moeda. O mesmo geólogo de exploração que descobre riquezas pode ser o responsável direto por prejuízos imensos.

Talvez você se pergunte como isso é possível.

Na maioria das vezes o erro bilionário, como todo o erro,  só será percebido e quantificado muito tempo depois de ter sido feito.

É o caso de Argyle, que uso para ilustrar o ponto.

Descoberto em 1979, Argyle é um olivina lamproito que se tornou o maior produtor individual de diamantes do planeta, famoso por ser, também, a fonte dos melhores e mais caros diamantes rosa do mundo.

Em 1994 a mina de Argyle produziu  42 milhões de quilates de diamantes, o equivalente a uma carga completa de um caminhão...

Pois essa mina, que gerou e vai gerar bilhões de dólares à sua dona a Rio Tinto, poderia ter uma história muito diferente se não fosse um erro crasso feito pela equipe de exploração mineral da De Beers, algum tempo antes da descoberta...

Segundo a história oficial, o diamante de Argyle foi descoberto por uma equipe de geólogos de uma associação entre a CRA Ltd (Rio Tinto) e a australiana Ashton Mining Ltd. A descoberta ocorreu durante um follow-up em uma anomalia de diamante descoberta em sedimentos de corrente coletados na drenagem Smoke Creek, durante um programa de prospecção regional.

Os geólogos estavam coletando amostras de sedimento de corrente e rochas, durante o follow-up, quando foi avistado um diamante em um formigueiro... A drenagem de Smoke Creek nasce em uma estrutura onde está encaixado o lamproito de Argyle (imagem).

O achado acelerou o processo e, em 1983, foi tomada a decisão de implantar uma gigantesca mina a céu aberto.

Até aí essa é a história que todos conhecem. O que ainda está para ser contado é o que aconteceu antes da descoberta oficial.

Décadas depois do início da mina, o amigo John Collier, que era o General Manager da  CRA na época da descoberta e, mais tarde, o responsável pela exploração mundial da Rio Tinto, me confirmou que a história do diamante no formigueiro era real. Mas, o que eu fiquei sabendo, contado pelo próprio geólogo do projeto, Warren Atkinson, foi tremendamente interessante e cria uma nova versão à descoberta, ao mesmo tempo em que desvenda um dos grandes erros da exploração mineral mundial.

Bem antes da CRA e Aston coletarem as duas amostras com diamantes nas drenagens de Smoke Creek, uma outra mineradora, a gigante Sul-Africana De Beers, considerada por muitos como a única empresa  no mundo a dominar a prospecção de kimberlitos, havia também trabalhado e amostrado a região de Argyle.

O que levou os geólogos da De Beers a perder a maior jazida aflorante de diamantes do mundo?  Uma jazida cujos diamantes formavam um halo de dispersão de dezenas de quilômetros drenagem abaixo: uma das amostras da CRA, com diamante, foi coletada a 20km de distância do corpo...

Muitos dirão que a De Beers tropeçou na sua própria fama.

A empresa havia desenvolvido uma metodologia de prospecção que usava os minerais satélites de kimberlitos, extraídos de sedimentos de corrente, cuidadosamente coletados. Através dos estudos desses minerais, principalmente das olivinas tipo piropo, ilmenitas e cromo-diopsídios a De Beers conseguia perceber, com grande dose de precisão, a proximidade de um corpo kimberlítico. Esse método exploratório funcionou muito bem na África e até no Brasil. No entanto, na Austrália, tudo deu errado e a maior jazida de diamantes do mundo foi, simplesmente, perdida.

É que Argyle não é um kimberlito, mas sim um lamproito, uma rocha diferente, com minerais satélites distintos. O lamproito de Argyle praticamente não tem granadas, poucas ilmenitas e raros cromo-diopsídios.

O melhor satélite do lamproito de Argyle, como você já deve ter imaginado, é o próprio diamante e, secundariamente, a cromita. Se a De Beers tivesse analisado as suas amostras para micro diamantes, diamantes com diâmetro menor que 0,5mm, ela teria encontrado Argyle antes de qualquer outra empresa.

Aí a realidade seria muito diferente da de hoje...


satélites do diamante
Na imagem acima granadas piropo e um microdiamante recuperados em programa de prospecção para fontes primárias de diamantes.

É irônico, mas algumas amostras de sedimentos de corrente coletadas pela De Beers, isso só foi constatado após Argyle, continham micro e, também, macro diamantes.

O erro foi grave, afinal quando pesquisamos um mineral ou elemento a primeira análise deve ser direcionada para o próprio, coisa que a prepotência da De Beers, que achava que tudo sabia da exploração mineral para diamante, a fez errar.

Não foi só Argyle que a De Beers perdeu.

Ela perdeu todas as demais jazidas diamantíferas da região, como Ellendale 4 e todas as jazidas, incluindo as canadenses descobertas posteriormente pela Rio Tinto que, fortaleceu-se com Argyle, tornando-se uma feroz e poderosa competidora.

Mais ainda, a De Beers viu o seu cartel, o CSO (Central Selling Organization), ruir. Era o CSO, que regulava os preços e controlava com mão de ferro 90% das vendas de diamantes no mundo.  A Rio Tinto foi a primeira mineradora, fora do Cartel, a contestar a De Beers e estabelecer uma operação de venda, em 1996, na Antuérpia, o que ajudou a desmontar a CSO.

O prejuízo da De Beers, por não ter tratado adequadamente as amostras coletadas, foi simplesmente imenso, da ordem de muitos bilhões de dólares e repercute até hoje.

A responsabilidade do geólogo de exploração é enorme. Lembre-se disso quando fizer o seu trabalho de pesquisa mineral.

Nada supera a qualidade!