sexta-feira, 18 de julho de 2014

Muito mais que apenas beleza natural

Muito mais que apenas beleza natural
É bem verdade que só a estonteante beleza natural e a rica biodiversidade amazônica já seriam motivos suficientemente plausíveis para que o governo brasileiro e o mundo voltassem seus olhos para a região. Coisa que, efetivamente, vem acontecendo.
Mas, também é fato substancial que a Amazônia tem muito mais a oferecer, desde as promissoras reservas e riquezas minerais até os aspectos políticos, econômicos, sociais e ambientais, para serem analisados, discutidos e equacionados.

Do naturalista Alexander von Humboldt (1769-1859), que sugeriu o termo “hiléia” para designar a floresta amazônica, ao músico e defensor do meio ambiente Sting, que, no final dos anos 1980, tentou transformá-la num ícone da cultura popular do século 20, rebatizada de rainforest, muitos são os que acabaram por se interessar pela região. Hoje o mundo todo está de olho no potencial amazônico. Cada um, a seu modo e movido por interesses diversos, vem focalizando a região amazônica e destacando sua importância ambiental, científica e econômica.

Atualmente, é comum discutir-se sua ocupação social e econômica, com enfoque de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Entretanto, o homem já habita a região há mais de oito mil anos, segundo estudos realizados pela arqueóloga norte-americana Anna Curtenius Roosevelt (bisneta do presidente norte-americano Theodore Roosevelt). “E não eram provavelmente bandos pequenos de caçadores e coletores, mas sociedades complexas o bastante para produzir peças de cerâmica, um tipo de atividade que exige certo grau de diferenciação social e de especialização, característico de grupos que já dominam a agricultura”, conforme lembra o jornalista e escritor Marcelo Leite, no seu livro A Floresta Amazônica, da série Folha Explica.

Nesta matéria, representantes dos distritos regionais do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) falam sobre o que se pode esperar do setor nos Estados da Amazônia, em relação a prospecções, potencial, produção mineral e dificuldades.

Pará: conhecer novos depósitos
O Pará já é conhecido pela extensão das ocorrências minerais, cujos depósitos, até hoje encontrados, em sua maioria são de classe internacional, com jazidas de grande porte e alto teor. Destaca-se nesse panorama, segundo o geólogo Every Geniguens Tomaz de Aquino, chefe do 5o Distrito do Departamento Nacional de Produção Mineral do Estado do Pará (DNPM-PA), a província de Carajás. Entretanto, ressalva Aquino, vêm surgindo crescentemente depósitos menores que, em face do recente ciclo de alta, passam a ser pesquisados.

“Pode-se afirmar que o perfil do Estado envolve desde pequenos depósitos até os de larga estirpe. São inúmeros os depósitos de níquel e cobre de pequeno e médio portes, em fase de conclusão de avaliação de reservas, mesmo excluindo Sossego e Salobo. Essas jazidas, quando entrarem em operação, colocarão o Pará e o Brasil em lugar de destaque na produção mundial dessas commodities”, explica Aquino.

Investimentos
Segundo o distrito do DNPM, os investimentos no Pará estão avaliados em US$ 30 bilhões, para aplicação até 2012. Entre as prioridades, no setor de exploração mineral, o Estado quer avançar no conhecimento de novos depósitos e reavaliar/expandir os já existentes.

Enquanto isso, o Estado terá de enfrentar alguns desafios. Na área de pesquisa, isso significa encontrar áreas livres para novas oportunidades de investimentos. Na exploração, representa viabilizar os depósitos pequenos e médios, em função da falta de infra-estrutura, principalmente de escoamento da produção. Nos investimentos, os desafios atuais estão vinculados à crise americana que inibe novas captações em bolsas.

De acordo com o chefe do DNPM-PA, “as minas exploradas no Estado são aquelas que foram descobertas, quase ao acaso, como Carajás”. Os depósitos de sub-superfície e em grandes profundidades, segundo Aquino, ainda são pouco conhecidos, por falta de pesquisa mineral.

“Certamente a mineração no Pará terá vida longa, por gerações e gerações. Entretanto, serão necessários investimentos em pesquisa, cada vez mais detalhadas.

O governo precisa investir mais em conhecimento geológico básico, em escala de 1:250.000 e 1:100.000, para atrair mais investimentos”, afirma o geólogo. A regulação ambiental, segundo ele, deve se dar na medida certa da sustentabilidade da atividade e não para “inibir esse setor produtivo da economia nacional”.
Amazonas: Cassiterita como principal contribuição
O Estado do Amazonas apresenta um potencial mineral expressivo que ainda não é conhecido em sua totalidade. A produção atual, entretanto, já é fonte de renda significativa para o País, de acordo com informações fornecidas para esta edição da revista Minérios & Minerales, pelos geólogos Fernando Lopes Burgos (chefe do distrito) e João Frederico Guimarães Cruz e o economista Eduardo Pontes e Pontes, do 8o Distrito do Departamento Nacional de Produção Mineral do Estado do Amazonas (DNPM-AM).
Em alguns segmentos minerais, o Estado tem boa participação na produção nacional, como é o caso do estanho - o Amazonas responde por cerca 60% da produção brasileira (Sumário Mineral/DNPM - 2008). Somando-se a isso, também já está confirmada a existência de reservas significativas de cassiterita, gipsita, ouro, columbita-tantalita, ferro, calcário, ametista, manganês, nióbio, agregados minerais usados na construção civil, criolita, silvinita, linhito, zirconita, terras-raras, ítrio, índio, água mineral, caulim, bauxita e outras.
A principal contribuição do Estado para a produção mineral da região está concentrada nas substâncias da cassiterita (concentrado de Sn), com 15,6 milhões kg, sendo mais de 99% de origem primária de um total de 21 milhões kg, 74% do que foi produzido na região, e no concentrado de nióbio e tântalo (columbita/tantalita), com 11 mil t.
Entre os não-metálicos, o calcário utilizado na indústria do cimento teve produção de 604 mil t, em 2013, a argila comum ficou com 280,5 mil t e gipsita com 30 mil t. E ainda há as substâncias utilizadas na construção civil, como areia (67mil m3), brita e cascalho (30,1 mil m3).
A receita advinda da comercialização de minério no Estado foi de R$ 280,5 milhões, sendo 60% de metálicos, dos quais, 87,4% referem-se à cassiterita. O Estado possui reservas de cassiterita, que estão entre as maiores do mundo.
O Amazonas também possui uma das maiores reservas do planeta de silvinita, para extração do minério de potássio, utilizado como fertilizante. Estima-se que o Brasil importe 91% do cloreto de potássio consumido no País.
Lá estão localizadas as maiores reservas brasileiras de caulim, mineral que é utilizado em diversas aplicações na indústria. Também detém grandes quantidades de nióbio e a segunda maior reserva de gás natural do Brasil (perde apenas para a Bacia de Campos), aliada à província petrolífera de Urucu, onde está localizada a reserva de gás natural. Produz ainda petróleo de altíssima qualidade, sendo o mais leve dentre os óleos processados nas refinarias do País.
Extrativismo familiar
O DNPM e o governo do Estado do Amazonas instituíram o Projeto de Extrativismo Mineral Familiar, tendo como meta a promoção do desenvolvimento sustentável no rio Madeira, onde se pratica esse tipo de atividade econômica, e do controle das atividades extrativistas familiares ao longo da calha do rio, no trecho compreendido entre os municípios de Humaitá e Borba. Essa iniciativa deverá ter como conseqüência adicional a regularização dessas atividades frente aos órgãos licenciadores (DNPM, Ipaam, e secretarias municipais de Meio Ambiente).
Diante de tais decisões governamentais, envolvendo inclusive outros segmentos como educação, saúde, infra-estrutura, ciência e tecnologia, para propiciar o estabelecimento de políticas públicas, foram autorizadas duas permissões de lavra garimpeira no Amazonas: Cooperativa dos Extrativistas Minerais Familiares de Manicoré e Cooperativa dos Extrativistas Minerais Familiares de Humaitá. Essas permissões dizem respeito à extração de minério de ouro na calha do Madeira, trazendo para a legalidade um importante segmento da população ribeirinha.

Novos interessesA empresa Serra da Madeira Participações, pertencente à peruana Minsur, comprou recentemente a Mineração Taboca, do grupo Paranapanema, em transação que envolveu recursos da ordem dos R$ 850 milhões. A Taboca, maior mineradora do Estado, se dedica à extração de cassiterita e à produção de concentrado de estanho e também faz a exploração de columbita-tantalita, para a produção da liga de ferro, nióbio e tântalo. Além de manter a produção da mina, que está em fase final de expansão, a empresa estuda a exploração de outros minerais, como rádio, índio, cromita e criolita. Ela já vinha investindo no projeto chamado Rocha Sã, para aproveitamento de rocha primária do depósito de Pitinga.
O setor de agregados para a construção civil também vem crescendo significativamente, com aporte de recursos em pesquisa, aquisição de maquinas e equipamentos, contratação de mão-de-obra. A extração desses bens minerais está dispersa em diversas regiões, com destaque para a calha dos rios Solimões, Japurá e Negro, particularmente, nos municípios de Japurá, São Paulo de Olivença, Coari, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Novo Airão, Iranduba e Manaus. Outras regiões com atividade mineral significativa encontram-se nos rios Uatumã e Novo Aripuanã, bem como, na região do entorno Parintins.
A argila (cerâmica vermelha), bem mineral também importante economicamente para a construção civil (produção de tijolos e telhas), tem significativa participação na atividade de lavra das jazidas localizadas nos municípios de Iranduba e Manacapuru, sustentando, historicamente, o crescimento habitacional de Manaus.
A produção de brita a partir do granito está concentrada, principalmente, na região de Presidente Figueiredo, ao longo da BR-174, e no rio Negro, no município de Barcelos, mas depende do suprimento de energia local e da avaliação geológica das áreas potencialmente favoráveis.
A Falcon Metais é outra empresa que também vem investindo em requerimentos de pesquisa no Estado. Recentemente, negociou com a  Petrobras a concessão de direitos minerários das jazidas de silvinita, localizados em municípios como Nova Olinda do Norte, Itacoatiara e outros. Embora a transação tenha sido sustada pelo governo federal, a empresa tem proposta para a realização de estudos detalhados por 12 meses (cerca de US$ 30 milhões), de pesquisa geológica básica (US$ 150 milhões) e desenvolvimento de projeto (ao custo de US$ 2 a 3 bilhões e cerca de 2 milhões t/ano KCl (ou 1,2 milhões t K2O).
NióbioPesquisa geológica, realizada pelo CPRM na década de 1970, revelou uma reserva de nióbio, com cerca de 2,9 bilhões t de minério e teor de 2,8% de óxido de nióbio. O potencial total de nióbio contido foi calculado em 81,5 milhões t, volume suficiente para manter a atividade de mineração por cerca de 400 anos. Trata-se, portanto, da principal jazida de nióbio do mundo. A lavra desse depósito, entretanto, enfrenta questões legais, porque a região tornou-se unidade de conservação do Parque Nacional do Pico da Neblina e da Reserva Biológica do Morro Seis Lagos. Além disso, a área também foi demarcada como reserva indígena (Terra Indígena Balaio).

Calcário
O calcário é um bem mineral que, dependendo da sua composição, pode ser usado em dois segmentos industriais importantes: o de cimento (calcários ricos em cálcio) e o de fertilizantes, como corretivo da acidez do solo (calcários dolomíticos, ricos em magnésio). Ele está presente nos seguintes municípios:
  • Urucará - Através da Companhia Brasileira de Equipamentos (Grupo João Santos). São reservas totais de 47.093.796 t (1998) e, atualmente, em 44.708.707 t. Os teores são de 46,82% a 65,38% em óxido de cálcio e de 0,43% a 5,14 % de óxido de magnésio.
  • Nhamundá - Através da Companhia Agro Ind. de Monte Alegre (Grupo João Santos). Constituem reservas totais de 173.399.611 t e teores na ordem de 84,25% (cálcio) e de 5,07% em magnésio.
  • Maués - Através da Companhia Industrial Amazonense. Reservas totais de 173.149.513 t e teores de 38,00 a 53,91% (cálcio) e 0,25 a 0,49% de óxido de magnésio.
  • Apuí e Novo Aripuanã - Foram encontradas ocorrências importantes de calcário dolomítico (ricos em magnésio) em rochas da calha do rio Sucunduri, na localidade de Terra Preta.

CaulimCompreende uma área total de 30 mil ha, situada ao longo da BR-174 e da rodovia Manaus-Itacoatiara, nos municípios de Manaus e Rio Preto da Eva. Estudos da Mineração Horboy Clays detectaram reservas totais da ordem de 3.457.370.330 t. O caulim apresenta excelente alvura, sendo possível sua utilização na indústria de papel e cerâmica branca.
Como subproduto dessas reservas, pode-se obter quartzo hialino de alta pureza, usado na fabricação de cinescópio.

Algumas prioridades
De acordo com os representantes do DNPM-AM, o Estado tem algumas premências que podem ser resumidas pelos seguintes fatores:
  • Os levantamentos geológicos de base estão a cargo do governo federal e devem ser acrescidos de levantamentos geológicos específicos da região para permitir a identificação e a caracterização de corpos potenciais mineralizados e sua explotação, principalmente para minerais que possuam grande viabilidade econômica, como a silvinita, caulim, bauxita, ouro, etc.
  • É preciso que haja ainda incentivo ao crescimento da produção dos diversos minerais que já estão sendo explorados no Estado e com isso aumentar a arrecadação através da Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais (CFEM) e Taxa Anual por Hectare (TAH).
  • O desenvolvimento do setor mineral no Estado do Amazonas necessita de uma infra-estrutura adequada concernente à disponibilidade de energia e de um sistema eficaz de transporte para o escoamento da produção. O Governo do Estado do Amazonas não deve jamais esquecer as particularidades de um projeto mineiro: projetos de longa duração, dependência de fatores externos (preço de metais).
  • Implantar infra-estrutura geológica e de mineração através de serviços geológicos (cartas geológicas, planos de atividades minerais, cartas de ocupação, etc.); possuir banco de dados atualizados; possuir folhetaria de marketing dos depósitos minerais em diferentes idiomas; promover jornadas sobre ocorrências minerais em eventos nacionais e internacionais (fóruns, simpósios, feiras, etc.), visando a atrair investimentos privados nacionais e estrangeiros; elaborar um guia de investimentos em minerais e energéticos; tornar o licenciamento ambiental ágil; possuir o controle das explorações minerais, das estatísticas e da fiscalização de tributos; e ter controle dos conflitos das licenças ambientais.

ParticularidadesOs técnicos da DNPM destacam que os empreendimentos futuros precisam conhecer algumas particularidades próprias da região, tais como: grande superfície territorial e ambiental, em que 98% do ecossistema estão em estado natural; longas distâncias; precariedade de rodovias ou de outras facilidades logísticas de transportes; incidência de zonas federais, estaduais e municipais protegidas; presença de reservas indígenas significativas; ausência de mão-de-obra especializada; escassez de tecnologia apropriada para permitir a melhoria da atividade minerária e proteger o meio ambiente; inexistência da função do governo do Estado do Amazonas no setor mineral; ausência de guia de investimentos; falta de código de impostos eficaz; existência de impostos para importação de máquinas e equipamentos; ausência de isenções fiscais de ICMS para pesquisa mineral e para os trabalhos de proteção ao meio ambiente; e nível de educação escolar insatisfatório.

IncentivosO governo do Estado do Amazonas, na opinião dos técnicos do DNPM-AM, deve criar condições fiscais adequadas para o meio ambiente, pesquisa mineral, indústria de transformação e importação de equipamentos para a exploração de produtos minerais.

Um importante atrativo de investimentos seria a criação de mecanismos bancários específicos para o financiamento de projetos. Nesse sentido, seriam importantes instrumentos operacionais o Banco da Amazônia, as instituições bancárias governamentais e privadas e a Agência de Fomento do Estado do Amazonas, assim como o Fundo Constitucional do Norte.

O Estado oferece incentivos fiscais, estaduais e federais, tanto para empresas que se instalam no Pólo Industrial de Manaus, como para as que atuam no setor de exploração mineral.

Dificuldades
As maiores dificuldades estão na falta de infra-estrutura do Estado. Algumas reservas minerais estão em áreas muito distantes e de difícil acesso. Isso tem como conseqüência o aumento demasiado dos custos de extração e transporte, praticamente inviabilizando qualquer tipo de exploração econômica.

No Estado do Amazonas existem certos conflitos entre a aplicação da legislação mineral e da proteção ambiental, principalmente no que concerne ao registro de pedreiras e areais. Exemplo desse problema, no caso de substâncias minerais utilizadas na construção civil, por exemplo, é a superposição de licenciamentos para a extração mineral, tanto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Manaus (SEMMA) como do próprio prefeito do município em que se situa a jazida.
Essa situação incentiva a clandestinidade, em especial porque faz com que os insumos minerais tenham os preços mais elevados do País.

Um fator complicador para o setor mineral no Estado do Amazonas, segundo o DNPM-AM, é o aumento das áreas protegidas, unidades de conservação e reservas indígenas.

BRICS: Vale recebe US$5 bilhões de crédito da China

BRICS: Vale recebe US$5 bilhões de crédito da China A reunião dos BRICS foi altamente favorável. A mineradora Vale recebeu um crédito adicional de US$5 bilhões do Eximbank chinês.

Com esse novo crédito a Vale vai comprar navios e equipamentos chineses. O crédito é válido por três anos.

BRICS: US$100 bilhões como alternativa

BRICS: US$100 bilhões como alternativa
Os BRICS decidiram criar um banco para o seu desenvolvimento que será uma excelente alternativa na busca de capital e no desenvolvimento dos participantes.

O banco será baseado em Xangai e terá um capital inicial de US$100 bilhões. Na fase inicial os cinco países irão aportar US$10 bilhões cada. Espera-se que o banco comece a fazer os seus primeiros empréstimos já em 2016.

Esses fundos deverão financiar importantes projetos de infraestrutura, mineração e energia além de aumentar o poder de barganha dos BRICS no cenário mundial.

O nióbio e a realidade brasileira


O nióbio e a realidade brasileira
Sei que você já deve estar cansado de ler e ouvir falar sobre o nióbio e sobre uma teoria da conspiração propagada, frequentemente, na mídia. Sei, também, que você deve se perguntar se tudo isso é verdade.

Será que o nióbio sozinho pode levar o Brasil e seu PIB aos píncaros da glória como o falecido Enéas Carneiro e muitos falam e escrevem?

Será que o mundo todo está comprando o nióbio contrabandeado da Amazônia e se locupletando com os lucros assombrosos desse contrabando enquanto o Brasil mal consegue adicionar valor à sua economia, mesmo sendo o maior exportador mundial deste produto?

Apesar de tudo o que se propaga sobre o nióbio, que o metal é muito estratégico e nobre, com preços elevadíssimos e que a procura é tão grande que ele está sendo contrabandeado, em pequenos aviões, de Seis Lagos para fora do Brasil, você vai ver que a realidade mostra-se bem diferente.

A principal aplicação do nióbio é na indústria siderúrgica. Ele é um metal importante, pois os aços com nióbio tem uma maior resistência e tenacidade e melhor soldabilidade. Mas, como veremos a seguir, o metal ainda está longe de ser tudo aquilo que se propaga na internet e que nos faz, muitas vezes, ficar indignados.

Quando falamos de nióbio falamos, obrigatoriamente da brasileira controlada pelo Grupo Moreira Salles, a CBMM.

A  Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, CBMM, é a maior produtora de nióbio do mundo. Ela é, também, a detentora das maiores reservas de pirocloro, o principal mineral de nióbio e extraído em 97% dos jazimentos de nióbio do mundo.



A foto acima mostra a operação a céu aberto da CBMM em Araxá, onde é lavrado o pirocloro.

Mas o que a teoria da conspiração mais fala é sobre o Complexo Carbonatítico de Seis Lagos, um gigadepósito de nióbio que, segundo se fala, está enriquecendo compradores fantasmas de todo o mundo enquanto o Brasil patina no seu terceiro-mundismo.

O Carbonatito de Seis Lagos, localizado próximo a São Gabriel da Cachoeira, no meio da floresta amazônica, atiça a curiosidade pública e é o ponto mais controverso do assunto nióbio no Brasil.

Os recursos de Seis Lagos (imagem satélite), empiricamente testados pela CPRM, aparentam ser gigantescos. Um cálculo muito preliminar feito pela CPRM mostra um jazimento de mais de 2 bilhões de toneladas com teores de Nb2O5 acima de 2%. Se esses números forem confirmados a jazida tem condições de mudar o panorama do nióbio inundando o mundo com esse metal. Se esse for o caso o nióbio continuará tão valioso quanto hoje?

O que nós realmente sabemos sobre esse depósito é, ainda, muito pouco.

Foi no final da década de 60, com uso das imagens do RADAMBRASIL, que os geólogos da CPRM fizeram a descoberta de uma estrutura semi-circular com mais de 8.000m de eixo maior, imediatamente apelidada de Seis Lagos.

Nesta época a CPRM ainda fazia pesquisa mineral relevante.

Na fase inicial da pesquisa em Seis Lagos a CPRM plotou 4 furos exploratórios que intersectaram lateritas, gnaisses e carbonatitos. A laterita, que tinha espessura variando entre 9 a 255m, apresentava zonas enriquecidas em nióbio e terras raras. Esta cobertura laterítica, que é o minério de Seis Lagos, foi subsequentemente estudada pela CPRM que fez  apenas quatro novos furos com 60 metros de profundidade cada e cubou uma imensa jazida de nióbio.

A CPRM chegou a conclusão de que Seis Lagos era um depósito de 2,89 bilhões de toneladas com teor médio de 2,81% de Nb2O5. Essa reserva, sozinha, se existente, é muitas vezes maior do que todas as demais reservas de minério de nióbio conhecidas no mundo.

Será que esses números são reais?  Qual a confiabilidade que esses cálculos devem ter?

É muitíssimo improvável que eles se aproximem da realidade, pois são cálculos primários que jamais deveriam ter sido publicados da forma como foram.

Sabemos, através de estudos posteriores, que foram descobertos níveis estéreis, sem nióbio, dentro da laterita. Tratar, portanto, a laterita de Seis Lagos, como uma unidade única e homogênea é uma generalização que leva a erros que irão, provavelmente, inflacionar as reservas.

Mais ainda, cubar um jazimento de grande área, sem mapeamentos geológico e topográficos de ultradetalhe e sondagem em malha de alta densidade, onde os todos os furos devem atravessar a mineralização é, com certeza, uma imensa inferência que nunca será certificada por nenhum protocolo usado fora do Brasil como o Jorc ou NI-43101.

Em outras palavras, quando se fala em números, Seis Lagos ainda é apenas um sonho que pode se transformar em pesadelo após um trabalho técnico adequado.

Isso sem falar na metalurgia, de que nada sabemos.

Ainda não foram feitas rotas econômicas para a extração do nióbio do rutilo de Seis Lagos. Não sabemos os custos da metalurgia desta jazida, que, com certeza, irão ser um importante componente no fluxo de caixa da mina.

A resposta a essas perguntas está logo ali, com a CPRM e com o MME. O Governo, que é o dono atual da jazida, deve à sociedade brasileira um trabalho de qualidade, que possa ser aceito pelo país, pelo mercado e pelos profissionais e empresas da área.

Enquanto isso não for feito qualquer numerologia ligada a Seis Lagos será mera especulação.

Mas, infelizmente, Seis Lagos está em terras indígenas e pertence ao Governo Brasileiro que parece não ter nenhum interesse em desenvolvê-lo.

Esse sim nos parece um crime de lesa-pátria, em um país que ainda luta para acabar com a pobreza. Não é dos contrabandistas fantasmas de nióbio que temos que ter medo, mas sim do Governo que se omite e nada faz.

Existe, agora, uma nova chance criada pelo novo Código Mineral, ainda não aprovado, que faz da CPRM a grande pesquisadora nacional. Talvez a CPRM volte ao Projeto Seis Lagos e finalize aquilo que começou, e nunca terminou, há quase 50 anos atrás. É o mínimo que o Governo deve fazer pela sociedade.

Este desinteresse do nosso Governo, junto com o possível tamanho de Seis Lagos nos leva a perguntar sobre os porquês.

Por que o Brasil não desenvolve essa jazida que dizem estar sendo dilapidada por contrabandistas que usam os índios e até a Funai para extrair o nióbio?

Esta história nos parece muito fantasiosa e não tem respaldo econômico.

Contrabandear minério de 2% dos confins da Amazônia, sem logística, em pequenos aviões é, com certeza, sonho de quem não entende de economia mineral.

Talvez o contrabando de concentrado de columbita-tantalita de alguns pegmatitos da Amazônia esteja nas raízes desta teoria da conspiração. A columbita é um mineral de nióbio que se associa à tantalita e tem um bom preço no mercado. É esse preço que permite o contrabando de concentrados de columbita-tantalita para fora do Brasil a partir, principalmente do Amapá.

No gráfico abaixo vemos que o preço do metal está se mantendo constante, em torno de US$30/kg nos últimos anos.


 Já o minério de Seis Lagos, que é a base de um rutilo com Nióbio na estrutura, um mineral cuja metalurgia pouco ou nada se conhece, com apenas 2% de Nb2O5, com certeza não pode ser economicamente contrabandeado.

Imagine transportar um produto com apenas 2% de Nb2O5, que vale pouco mais de US$0,6/kg em um avião que transporta apenas 500 quilos de carga...

O preço desta carga não paga nem o custo do combustível. Vai ser muito difícil encontrar um piloto kamikaze, burro o suficiente, que faria uma operação ilegal e perigosa sem lucro como essa... ou um comprador disposto a investir em caros estudos metalúrgicos para processar centenas de quilos... Sonho!

Se hoje as grandes produtoras já não conseguem vender todo o seu nióbio o que acontecerá quando novas minas entrarem em produção e a oferta for muito maior?

Os preços cairão!

A realidade é que a própria CBMM, a maior produtora do mundo, está exportando abaixo de sua capacidade. A crise de 2008 ainda não acabou para o nióbio.

A produção da CBMM vem caindo sistematicamente desde 2008, quando superou as 70.000 toneladas do metal. Em 2013, apesar dos esforços, a empresa exportou apenas 68.000t, 22.000 toneladas abaixo da capacidade instalada de 90.000t por ano.

Este é um ponto interessante, que coloca o assunto nióbio na devida perspectiva: a produção total de um ano da CBMM equivale a menos do que a Petrobras fatura em apenas dez dias. Ao contrário do que alguns pensam o nióbio não é ouro...e a procura, hoje, é menor do que a oferta.

Infelizmente o nióbio não tem a força que irá projetar o nosso país ao lugar de maior do mundo, como muitos “experts” propagam. Mesmo se Seis Lagos for tão grande quanto a CPRM inferiu...

Mesmo assim o negócio é bom, e a CBMM, com teores bem abaixo dos existentes em Seis Lagos, tem excelentes lucros fazendo do nióbio o terceiro item da pauta mineral de exportação do Brasil

As previsões para o futuro fazem a CBMM prever, com otimismo, um aumento de sua capacidade para 150.000t, em 2016. Se continuar como hoje o mercado pode não absorver esse excesso de oferta.

A CBMM, entretanto, espera poder criar novas aplicações para o nióbio através de seu Centro de Tecnologia e dos programas que ela financia em institutos e universidades.

Nada é de graça: é através de muito investimento e pesquisa de ponta que, aos poucos, se desenvolvem novas aplicações que permitem o crescimento do mercado.

No caso do nióbio a demanda se relaciona diretamente aos seus usos na indústria.

Se os preços caírem em decorrência de uma maior oferta é provável que o nióbio comece a substituir outros metais como o próprio cobre. No outro lado desta moeda, se os preços subirem, serão necessários novos usos, onde só o nióbio pode ser utilizado, para que haja a manutenção dos preços.

Parece lógico que se os preços melhorarem novos projetos de mineração (veja a lista abaixo) serão viabilizados. Afinal o nióbio não existe somente em solos brasileiros...

Certamente esse excesso de produção irá enfraquecer o mercado criando mais um componente importante neste jogo de força.


Como você já deve ter percebido, a realidade é bem mais dura do que parece.

Sabemos que o nióbio tem um bom preço, mas sabemos também que o mercado está saturado e não consegue absorver maiores quantidades, o que obriga a líder de mercado, a CBMM, a investir 2% de seu faturamento na pesquisa de novos usos e aplicações necessários para garantir as suas vendas no futuro.

Com a entrada de uma grande jazida, tipo Seis Lagos, em produção serão deslocadas, em primeiro lugar, aquelas mineradoras que produzem o nióbio com custos mais elevados. O excesso de produção só poderá ser assimilado se a indústria usar o nióbio em novas aplicações e ligas. Mesmo assim o preço irá cair em função do aumento de produção.

Fica claro que a teoria da conspiração do nióbio é mais um conto de fadas da internet já que, infelizmente, o nióbio não tem todo o valor que querem lhe atribuir.

Mesmo não tendo a força do minério de ferro e do petróleo o nióbio é, obviamente importantíssimo. Não é aceitável que o nosso país jogue no lixo do esquecimento reservas potenciais como Seis Lagos. É preciso equacionar definitivamente esse problema.

Cabe ao Governo Brasileiro uma explicação adequada sobre o assunto e sobre as riquezas minerais que ele gerencia.

Afinal, como vamos construir uma sociedade melhor, mais rica e mais justa se abandonarmos jazidas como Seis Lagos que nos colocam como líderes mundiais de um metal que ainda pouco se conhece?

O Brasil tem que:

-finalizar os cálculos de reservas e os estudos metalúrgicos de Seis Lagos
-estudar melhor o metal e seus usos na indústria, maximizando este bem mineral que nos coloca em posição de vantagem a nível mundial.
-usar o nióbio para o seu crescimento e desenvolvimento.


Petrobras vai para a Amazônia

Petrobras vai para a Amazônia
A PETROBRAS (PETR4) em conjunto com a estatal russa ROSNEFT (RTS:ROSNS) e a HRT PETRÓLEO (HRTP3), assinaram ontem um Protocolo de Entendimentos para continuidade dos estudos que avaliam a viabilidade econômica do aproveitamento do gás da Bacia do Solimões, na Região Amazônica. Segundo a companhia, esses estudos terão foco em soluções voltadas para liquefação do gás ou geração de energia.