quarta-feira, 30 de julho de 2014

Analistas esperam queda de 30% nos ganhos da Vale

Analistas esperam queda de 30% nos ganhos da Vale
Os analistas de mercado não fizeram as pazes com a Vale. Eles estão prevendo queda de 4% no faturamento da mineradora.

A Vale vem enfrentando quedas nos seus ganhos, que afugentam os investidores e fazem as ações cair levando consigo o seu valor de mercado, que é US$74,1 bilhões, bem menor do que há pouco tempo atrás...

No último trimestre as vendas caíram 14% em relação a 2013. O balancete da Vale será entregue amanhã e os analistas estimam uma queda de 30% nos ganhos totais da empresa.

O mercado parece acreditar nas más notícias, e as ações da Vale continuam afundando. Elas já caíram hoje 2,57%. 

Fed mantém taxas e reduz apoio monetário

Fed mantém taxas e reduz apoio monetário

Fed decidiu cortar em 10 bilhões de dólares suas compras de bônus do Tesouro e de títulos hipotecários destinados a sustentar a atividade econômica

Reunião de Política Monetária do FED
Reunião de Política Monetária do FED: banco central americano decidiu manter sua taxa básica de juros
Washington - Após as notícias do forte crescimento no segundo trimestre, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) decidiu nesta quarta-feira reduzir suas injeções de liquidez no sistema financeiro e manter as taxas básicas de juros.

Depois de uma reunião de dois dias em Washington, o Comitê de Política Monetária (FOMC) do Fed decidiu sem surpresas cortar em 10 bilhões de dólares suas compras de bônus do Tesouro e de títulos hipotecários destinados a sustentar a atividade econômica, para reduzir o total das compras de ativos a 25 bilhões de dólares mensais.
O FOMC não alterou as taxas de juros básicas, próximas de zero desde o final de 2008. O Comitê ressaltou que a inflação se aproxima da meta de 2%.

Vale deverá lucrar R$ 5 bilhões no 2º trimestre, entre preços em baixa e produção em alta

Vale deverá lucrar R$ 5 bilhões no 2º trimestre, entre preços em baixa e produção em alta

Entre otimismo e pessimismo, analistas destacam preço do minério no resultado da mineradora, que divulgará seus números amanhã antes da abertura do mercado
SÃO PAULO - A temporada de resultados do segundo trimestre esquenta e o destaque da próxima sessão será a divulgação dos números da Vale (VALE3;VALE5), que divulgará seus números antes de abrir o mercado. De acordo com as estimativas médias compiladas pela Bloomberg, a expectativa é de que o lucro líquido ajustado da companhia atinja os R$ 5,1 bilhões, ante um resultado de R$ 5,909 bilhões registrado no primeiro trimestre deste ano e com forte alta ante o lucro de R$ 831 milhões no mesmo período de 2013.
Porém, também há aqueles que estão mais pessimistas. De acordo com o Santander, a mineradora deve ter de um lucro líquido ajustado de R$ 2,10 bilhões, com uma queda de 8% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) na comparação trimestral, devido à queda do preço do minério de ferro.
"Realmente, os preços do minério de ferro caíram, passando de US$ 120 a tonelada nos três primeiros meses do ano para US$ 103 a tonelada no segundo trimestre de 2014. Também esperamos que a Vale anuncie um desconto acentuado nos preços realizados do minério de ferro contra os preços no mercado à vista, pois acreditamos que os clientes asiáticos continuaram a optar por um pagamento mais à frente. No lado positivo, nossa expectativa é de expansão nos volumes de vendas do minério de ferro e de preços sólidos para o níquel (+29% na comparação trimestral), compensando apenas parcialmente o enfraquecimento do minério de ferro", destaca Felipe Reis, do Santander.
Vale deve registrar um lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões, segundo média compilada pelos analistas da Bloomberg (Agência Vale)
Vale deve registrar um lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões, segundo média compilada pelos analistas da Bloomberg (Agência Vale)
A equipe de análise do Citi também acredita que os resultados devem ser influenciados pela queda do preço do minério de ferro, mas que devem ser compensados por volumes maiores e preços mais altos do níquel. Assim, o foco deve permanecer na relação entre o preço do minério de ferro e os custos. Enquanto isso, a equipe do Itaú BBA vê um resultado mais fraco, sendo que os volumes de níquel não devem conseguir compensar a queda do preço do minério de ferro.
Por outro lado, os analistas acreditam que o resultado financeiro deve ser positivo devido à efeito da valorização real sobre dívida denominada em dólares. "Tem havido uma visível dualidade entre as questões específicas da companhia - isoladamente mais favoráveis - e a deterioração do quadro conjuntural internacional", afirma o analista da Ágora Corretora, Aloísio Lemos. Ele ainda completa dizendo que mantém uma visão otimista para a mineradora considerando uma ótica de longo prazo, enquanto no curto prazo há uma ausência de direcionadores claros.
"A situação atual exige uma atenção especial à movimentação da ação, sendo necessário um monitoramento constante das principais variáveis que interferem no papel, sobretudo de quaisquer sinais de desaceleração da demanda chinesa por minério de ferro", complementa Lemos. Segundo dados da Bloomberg, as ações preferenciais da Vale atualmente têm 14 recomendações de compra, 1 para manter, nenhuma de venda.
(Com Bloomberg)

Ouro fecha em baixa após resultados do PIB dos EUA

Ouro fecha em baixa após resultados do PIB dos EUA

Contratos futuros do ouro negociados na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), fecharam em baixa pelo segundo pregão consecutivo


Barra de ouro
Ouro: contrato para agosto fechou em baixa de US$ 3,40, a US$ 1.294,90 a onça-troy
São Paulo - Os contratos futuros do ouro negociados na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), fecharam em baixa pelo segundo pregão consecutivo, após o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos apresentar crescimento anualizado de 4,0% no segundo trimestre, superando as expectativas dos economistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 3,0% no período.

O contrato para agosto fechou em baixa de US$ 3,40 (0,3%), a US$ 1.294,90 a onça-troy.
Apesar de o fortalecimento da economia americana reduzir a demanda por ativos seguros, as tensões geopolíticas continuam no radar dos investidores, que acompanham os desdobramentos dos conflitos entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza e os reflexos das sanções à Rússia impostas pelos EUA e pela União Europeia.

Exploração mineral: como fazer um erro de bilhões de dólares?


Exploração mineral: como fazer um erro de bilhões de dólares?
O Geólogo de exploração e sua equipe são os principais responsáveis por trilhões de dólares de retorno para as suas empresas e para os países onde elas trabalham. São eles os descobridores dos jazimentos, que podem ser pequenos ou gigantescos, que irão alimentar a indústria e praticamente todos os segmentos da economia, criando milhões de empregos e, muitas vezes, mudando completamente a economia e o rumo do país.

Imagine um Brasil sem Carajás, ou uma África do Sul sem platina e diamantes, os Emirados Árabes sem o petróleo, um Chile sem o cobre ou os Estados Unidos sem o ferro...

A importância dos minerais no cotidiano de todos nós é tão grande que é praticamente impossível pensar em qualquer coisa que nos cerca que não tenha sido originado em uma mina ou cuja existência não esteja diretamente ligada aos produtos minerais extraídos. Até os produtos orgânicos como a madeira, os tecidos e o próprio papel não seriam usados intensivamente se não fosse a mineração.

Mas, como sempre, existe o outro lado da moeda. O mesmo geólogo de exploração que descobre riquezas pode ser o responsável direto por prejuízos imensos.

Talvez você se pergunte como isso é possível.

Na maioria das vezes o erro bilionário, como todo o erro,  só será percebido e quantificado muito tempo depois de ter sido feito.

É o caso de Argyle, que uso para ilustrar o ponto.

Descoberto em 1979, Argyle é um olivina lamproito que se tornou o maior produtor individual de diamantes do planeta, famoso por ser, também, a fonte dos melhores e mais caros diamantes rosa do mundo.

Em 1994 a mina de Argyle produziu  42 milhões de quilates de diamantes, o equivalente a uma carga completa de um caminhão...

Pois essa mina, que gerou e vai gerar bilhões de dólares à sua dona a Rio Tinto, poderia ter uma história muito diferente se não fosse um erro crasso feito pela equipe de exploração mineral da De Beers, algum tempo antes da descoberta...

Segundo a história oficial, o diamante de Argyle foi descoberto por uma equipe de geólogos de uma associação entre a CRA Ltd (Rio Tinto) e a australiana Ashton Mining Ltd. A descoberta ocorreu durante um follow-up em uma anomalia de diamante descoberta em sedimentos de corrente coletados na drenagem Smoke Creek, durante um programa de prospecção regional.

Os geólogos estavam coletando amostras de sedimento de corrente e rochas, durante o follow-up, quando foi avistado um diamante em um formigueiro... A drenagem de Smoke Creek nasce em uma estrutura onde está encaixado o lamproito de Argyle (imagem).

O achado acelerou o processo e, em 1983, foi tomada a decisão de implantar uma gigantesca mina a céu aberto.

Até aí essa é a história que todos conhecem. O que ainda está para ser contado é o que aconteceu antes da descoberta oficial.

Décadas depois do início da mina, o amigo John Collier, que era o General Manager da  CRA na época da descoberta e, mais tarde, o responsável pela exploração mundial da Rio Tinto, me confirmou que a história do diamante no formigueiro era real. Mas, o que eu fiquei sabendo, contado pelo próprio geólogo do projeto, Warren Atkinson, foi tremendamente interessante e cria uma nova versão à descoberta, ao mesmo tempo em que desvenda um dos grandes erros da exploração mineral mundial.

Bem antes da CRA e Aston coletarem as duas amostras com diamantes nas drenagens de Smoke Creek, uma outra mineradora, a gigante Sul-Africana De Beers, considerada por muitos como a única empresa  no mundo a dominar a prospecção de kimberlitos, havia também trabalhado e amostrado a região de Argyle.

O que levou os geólogos da De Beers a perder a maior jazida aflorante de diamantes do mundo?  Uma jazida cujos diamantes formavam um halo de dispersão de dezenas de quilômetros drenagem abaixo: uma das amostras da CRA, com diamante, foi coletada a 20km de distância do corpo...

Muitos dirão que a De Beers tropeçou na sua própria fama.

A empresa havia desenvolvido uma metodologia de prospecção que usava os minerais satélites de kimberlitos, extraídos de sedimentos de corrente, cuidadosamente coletados. Através dos estudos desses minerais, principalmente das granadas tipo piropo, ilmenitas e cromo-diopsídios a De Beers conseguia perceber, com grande dose de precisão, a proximidade de um corpo kimberlítico. Esse método exploratório funcionou muito bem na África e até no Brasil. No entanto, na Austrália, tudo deu errado e a maior jazida de diamantes do mundo foi, simplesmente, perdida.

É que Argyle não é um kimberlito, mas sim um lamproito, uma rocha diferente, com minerais satélites distintos. O lamproito de Argyle praticamente não tem granadas, poucas ilmenitas e raros cromo-diopsídios.

O melhor satélite do lamproito de Argyle, como você já deve ter imaginado, é o próprio diamante e, secundariamente, a cromita. Se a De Beers tivesse analisado as suas amostras para micro diamantes, diamantes com diâmetro menor que 0,5mm, ela teria encontrado Argyle antes de qualquer outra empresa.

Aí a realidade seria muito diferente da de hoje...


satélites do diamante
Na imagem acima granadas piropo e um microdiamante recuperados em programa de prospecção para fontes primárias de diamantes.

É irônico, mas algumas amostras de sedimentos de corrente coletadas pela De Beers, isso só foi constatado após Argyle, continham micro e, também, macro diamantes.

O erro foi grave, afinal quando pesquisamos um mineral ou elemento a primeira análise deve ser direcionada para o próprio, coisa que a prepotência da De Beers, que achava que tudo sabia da exploração mineral para diamante, a fez errar.

Não foi só Argyle que a De Beers perdeu.

Ela perdeu todas as demais jazidas diamantíferas da região, como Ellendale 4 e todas as jazidas, incluindo as canadenses descobertas posteriormente pela Rio Tinto que, fortaleceu-se com Argyle, tornando-se uma feroz e poderosa competidora.

Mais ainda, a De Beers viu o seu cartel, o CSO (Central Selling Organization), ruir. Era o CSO, que regulava os preços e controlava com mão de ferro 90% das vendas de diamantes no mundo.  A Rio Tinto foi a primeira mineradora, fora do Cartel, a contestar a De Beers e estabelecer uma operação de venda, em 1996, na Antuérpia, o que ajudou a desmontar a CSO.

O prejuízo da De Beers, por não ter tratado adequadamente as amostras coletadas, foi simplesmente imenso, da ordem de muitos bilhões de dólares e repercute até hoje.

A responsabilidade do geólogo de exploração é enorme. Lembre-se disso quando fizer o seu trabalho de pesquisa mineral.

Nada supera a qualidade!