quinta-feira, 2 de abril de 2015

Executivos da mineração mundial acreditam no crescimento em 2015

Executivos da mineração mundial acreditam no crescimento em 2015

Afetados pela guerra do minério de ferro, pelo menor crescimento da economia chinesa e pela queda dos preços, os CEOs da mineração naturalmente estão reticentes sobre o futuro.

No entanto, segundo o relatório feito pela PricewaterhouseCoopers (PWC), a maioria acredita que em 2015 eles conseguirão aumentar o faturamento da empresa.

Apesar das ameaças, que 72% dos CEOs acreditam terem crescido, eles estão confiantes nos lucros futuros.

A maioria ainda olha para a China como uma solução para o crescimento da empresa, mas começa, também, a planejar com olhos nos Estados Unidos, Comunidade Europeia e Índia.

As grandes preocupações continuam a ser os impostos elevados, problemas políticos regionais, países que talvez não honrem suas dívidas e a corrupção.

A grande maioria (84%) está preocupada com mudanças nas leis da mineração que alguns países, como o Brasil, estão implementando.

Os executivos investem em novas tecnologias e pensam fazer alianças em 2015, como uma forma de reduzir os riscos. A maioria (72%) vai continuar a cortar custos e otimizar a empresa.

Mesmo sob pressão, 50% dos CEOs deverão contratar novos funcionários sendo que 60% buscam talentos que possam somar.

MMX: mais um ano negativo

MMX: mais um ano negativo



A MMX Mineração teve mais um péssimo ano. O balanço de 2014 fechou com um prejuízo de R$176 milhões, 50% menor do que o de 2013 que foi de R$354 milhões.

O Ebitda da MMX foi de menos R$190 milhões e o prejuízo consolidado atingiu, em 2014, R$2,2 bilhões.

A mineradora, que um dia foi uma estrela da bolsa, hoje está irremediavelmente quebrada.

A dívida da MMX ultrapassa os R$500 milhões e o seu valor de mercado é de apenas R$32 milhões...

Petrobras afunda na lama e no prejuízo, mesmo assim dará aumento de 13% aos diretores que irão ganhar, em média, R$207 mil por mês.

Petrobras afunda na lama e no prejuízo, mesmo assim dará aumento de 13% aos diretores que irão ganhar, em média, R$207 mil por mês.



Na próxima assembleia de acionistas, dia 29 de abril, será votado, entre outras coisas, o aumento dos salários dos diretores da Petrobras. Juntos eles irão ganhar um aumento, muito acima da inflação, de 13% totalizando R$19,91 milhões. Esse dinheiro será distribuído entre oito diretores, o que dá um ganho médio de R$207 mil por mês para cada um deles.

Já os membros do Conselho de Administração que se reúnem ocasionalmente e quase nada fazem, estes irão ganhar a bagatela de R$170 mil por mês.

Convém lembrar que esses diretores foram citados em uma causa judicial contra a Petrobras em Nova York e poderão ser réus, caso o juiz local acatar a tese do principal interessado, o fundo de pensão britânico USS.

O USS criou essa causa coletiva onde acusa esses mesmos executivos da Petrobras, que estão sendo recompensados com aumentos bem acima da inflação, de enganar os investidores ao publicar informações financeiras distorcidas.

O interessante é que os acionistas da Petrobras não terão como evitar que os diretores sejam premiados regiamente com o dinheiro, que é deles, mesmo após terem participado do maior prejuízo da história da Petrobras.

Esses diretores deviam estar sendo investigados em um processo administrativo interno e nada deveriam receber até que sejam totalmente inocentados. Mesmo inocentes não há lugar para prêmios, neste cenário escabroso que a estatal está mergulhada. Em empresas sérias eles já teriam sido demitidos há muito tempo.

Afinal qual a responsabilidade desses senhores e senhoras que ganham centenas de vezes a mais do que um trabalhador brasileiro?

O pior é que o aumento será dado antes que sejam publicados os rombos nas finanças da petroleira.

Qual será a lógica disso tudo?

Parece que, apesar da Operação Lava a Jato, a Petrobras continua sendo a “grande teta” que sustenta a tudo e a todos.

Premiar a incompetência, com o dinheiro do povo é um verdadeiro tapa na cara do trabalhador brasileiro.

Minério de ferro cai abaixo de US$50/t

Minério de ferro cai abaixo de US$50/t



Como previsto o preço da tonelada do minério de ferro com 62% de ferro despencou abaixo da barreira dos US$50. O preço praticado no Porto de Qingdao caiu 3,5% atingindo US$49,5/t.

Esse preço praticamente inviabiliza a grande maioria das minas cujos custos operacionais são historicamente superiores.

No gráfico é possível ver que poucas mineradoras, entre as quais a Vale, Rio Tinto e a BHP, ainda conseguem ter lucro com o minério de ferro posto na China.

Os prejuízos, no entanto, são monstruosos. Mesmo as grandes estão sofrendo muito além do antecipado, com a fuga dos investidores e com as fortes quedas do seu valor de mercado.

Essas empresas já não estão mais atraindo até o mais fiel dos investidores.

Amargando um lucro líquido negativo de R$9,3 bilhões e rebaixada pelo Santander a Vale, uma das protagonistas da guerra do minério de ferro que agora a fere mortalmente, pode não distribuir dividendos em 2016, o que vai afugentar, mais ainda, seus investidores.

domingo, 29 de março de 2015

Histórias de blefo e bamburro

Histórias de blefo e bamburro




Aonde vai, o garimpeiro Antônio Lopes tem seguidores. Sua capacidade de enxergar ouro à distância é inigualável. Não é à toa que seu apelido é Olho de Gato. Há dez anos vivendo com a mulher Leonice na província aurífera do Tapajós, no Pará, este maranhense 36 anos descobriu recentemente um filão de ouro em meio à Floresta Amazônica. De pá em punho, abriu uma clareira na mata e começou a garimpar sozinho. A notícia rapidamente se espalhou entre os garimpeiros que viviam na corrutela de São Domingos. Todos partiram em retirada seguindo os rastros de Olho de Gato. Em 15 dias, 200 peões disputavam um pedaço de terra com ele. Todos juntos desmataram a área, cavaram um buraco de sete metros de profundidade e começaram a procura. Estava formado um novo garimpo.
Batizado de Fofoca – que na linguagem do garimpeiro quer dizer notícia de descoberta de um ponto de ouro – este é o mais novo garimpo aberto na província aurífera criada em 1984 pelo então ministro das Minas e Energia, César Cals. Em 100 mil quilômetros quadrados estão espalhados 500 pontos de extração ligados pela Transgarimpeira, estrada de 180 quilômetros. Construída pela Caixa Econômica em 1986, a estrada está abandonada e sem manutenção. O abandono é o mesmo relegado ao garimpo. Nem a profissão de garimpeiro é reconhecida.
“Minha equipe e eu trabalhamos 24 horas por dia”, comenta Olho de Gato, no garimpo há duas décadas. Ele já passou por Serra Pelada, Guiana Francesa e Suriname. Rico não ficou, mas conseguiu um certo respeito no seu meio. “Olho de Gato é lerdo de manso”. Com o comentário, o nordestino Rosalino Pereira Serrano quer dizer que o colega é exímio conhecedor de seu ofício. Rosalino não atingiu o mesmo status de Olho de Gato, mas pelo menos já ganhou apelido: Boca Rica. A alcunha não poderia ser mais apropriada. Seis dos seus dentes são cobertos de ouro. “Quando fico blefado, tiro o ouro da boca e troco por dinheiro. Quando bamburro, guardo minha reserva na boca.”
Blefo e bamburro são termos que fazem parte da vida de qualquer garimpeiro. Das histórias contadas no garimpo, muitas são trágicas. É comum ouvir relatos de mortes por queda de avião nas cerca de 320 pistas próximas a Transgarimpeira. E também de roubo de ouro, prostituição, contaminação por mercúrio, reincidência de doenças como febre amarela, malária e hepatite. Mas nem só de tragédia e miséria vive o garimpeiro. Alguns poucos têm a sorte de alcançar a sonhada ascensão social.
“Já cheguei a encontrar uma média de 100 quilos por mês nos anos 80. Durante cinco anos, juntei cinco toneladas”, lembra, saudoso, o goiano Rui Barbosa de Mendonça, 59 anos. Na época, Rui era um dos dez pequenos mineradores mais ricos da região; hoje, pode se considerar, no máximo, um membro da classe média. Rui chegou a contratar dois mil garimpeiros e comprou seis aviões e um helicóptero. Independentemente de onde venham, eles têm uma característica em comum: quando bamburram, só pensam em gastar. Essa necessidade tem sua explicação. O garimpeiro fica meses trancado no mato e quando consegue algum dinheiro, corre para a cidade. Chega sem noção de preços. No garimpo, até o sexo é pago em pepitas.
Um garimpeiro mais extravagante chegou ao extremo de fazer um rabo com notas de dinheiro para passear pela cidade e ostentar a fortuna recém-adquirida. Quem presenciou a cena lembra que Chico Índio passava os dias desfilando e, de vez em quando, olhava para trás e exclamava: “Passei a vida inteira atrás de você, agora é você que vai me seguir.” Duas semanas depois, Chico morreu num acidente de carro.“Os garimpeiros estão ficando mais ordeiros. A oferta de ouro diminuiu e eles são obrigados a conter a ânsia de gastar”, avalia a vice-presidente da Associação dos Mineradores de Ouro do Tapajós, Célia Araújo Serique. A escassez do ouro na região preocupa os principais compradores do metal. A produção de Itaituba declarada entre janeiro e setembro foi de 2,16 toneladas, muito longe das 10,4 toneladas anuais produzidas no início da década.