domingo, 31 de maio de 2015

O pedido de pesquisa não é mina


O pedido de pesquisa não é mina



O título, desta matéria, para nós da geologia e mineração pode parecer meio estapafúrdio. Afinal nós sabemos muito bem as diferenças entre uma mina e um pedido de pesquisa.

Mas, é simplesmente assustador ver a mídia nacional e internacional repetindo frases de efeito criadas por neófitos que nada entendem de mineração. A mais recente é de um grupo de ingleses e brasileiros que propagam, mundo afora, que o novo código mineral brasileiro coloca em risco a posição do Brasil como “líder ambiental”.

O Código de Mineração pode ser acusado de muitas coisas, como ser mal redigido e de ter sido criado de forma unilateral por quem pouco entende do assunto, sem a concordância da grande maioria dos mineradores e da sociedade.

Mas, dizer que o código coloca em risco o meio ambiente e as áreas protegidas incluindo as reservas indígenas é um exagero grosseiro.

Na realidade, tanto a mineração moderna como o novo Código Mineral estão alinhados na defesa do meio ambiente e das comunidades.

O que o pessoal não entende é que a área ocupada por um requerimento de pesquisa não é o mesmo que a área ocupada pela lavra. O pedido de pesquisa não é a mina...

Uma área coberta por um pedido de pesquisa ou alvará é, na realidade, uma área estrategicamente requerida, com potencial de abrigar uma jazida.

É a área que será pesquisada e, em raríssimos casos,  lavrada.

Esta é a verdade!

A taxa de sucesso da pesquisa mineral é baixíssima, o que faz alguns mineradores requerer áreas maiores para maximizar a sua chance de sucesso. Existem dezenas de milhares de pedidos de pesquisa e de alvarás no Brasil. O que poucos sabem é que mais de 99% deles não terão, dentro de seu perímetro, uma jazida econômica.

É isso mesmo.

Talvez você não saiba, mas grande parte do território brasileiro está requerida por alguma empresa de mineração ou algum investidor privado. Se você entrar nos sites especializados e olhar o mapa do Brasil vai ver que o nosso território está praticamente todo coberto por pedidos de pesquisa.

Mas isso não faz do Brasil o maior país minerador do planeta faz?

Para entender a dimensão do que eu estou falando é simples: lembre-se de todas as minas que você conhece e das áreas que elas ocupam. Depois compare com toda a área, que você consegue lembrar, onde não existe uma mineração.

A disparidade é simplesmente enorme. A área ocupada pelas minas é infinitamente menor do que a área sem nenhuma lavra. Como a maioria das áreas estão cobertas por pedidos de pesquisa fica óbvio que pedido de pesquisa não é mina...

É uma pena que muitos ainda não consigam entender essa pequena verdade.

Mesmo no caso de sucesso, quando uma jazida é encontrada e se transforma em uma mina, a área a ser utilizada sempre será uma fração da área original do requerimento.

O que esses nobres e galantes protetores do meio ambiente não conseguem entender é que as jazidas são concentrações minerais raríssimas e ocupam, com honrosas exceções, áreas muito pequenas. Até as nossas megajazidas como as de Carajás ocupam uma área razoavelmente pequena, significativamente menor do que uma fazenda de porte médio.

As jazidas e minas são tão raras que, para nós geólogos de exploração, é sempre motivo de enorme alegria e distinção participar da descoberta de uma...

Os autores dos trabalhos e frases que penalizam a mineração deveriam entender um pouco mais do assunto antes de caluniar a mineração como um todo. A mineração tem um impacto ambiental muitíssimo menor do que o da agricultura, da pecuária e até dos grandes projetos como hidroelétricas e projetos industriais de classe mundial.

Para ilustrar o assunto eu coloco a imagem de satélite, que mostra a região de Carajás.

Nesta imagem tudo o que está em lilás é área devastada.

A simples inspeção da imagem mostra, claramente, que quem devasta são as fazendas e não a mineração.

 No centro da imagem, em verde é a área de preservação da Vale, uma floresta natural ainda virgem, no meio da qual existem alguns dos maiores jazimentos minerais do planeta, como Carajás, Salobo, Azul, Sossego e a imensa jazida S11D (Serra Sul).

Se não fosse pela mineração, que proibiu a entrada dos fazendeiros, essa região teria sido totalmente transformada em pasto. Cercando a zona verde, onde a floresta está mantida, existe um mar lilás que são as áreas onde os fazendeiros desmataram.

A imagem não pode ser mais explícita. A área ocupada pelas imensas jazidas, onde houve supressão vegetal, é quase nada quando comparada com aquela ocupada pelas fazendas.

O que vemos é, ao contrário do que muitos propagam, que a mineração protege o meio ambiente deixando uma área mínima sem a cobertura vegetal, que será recuperada no final do empreendimento.

O mesmo não ocorre nas áreas cobertas por fazendas onde a agricultura e a pecuária destruíram quase que totalmente a floresta amazônica.

É muito difícil contrapor esses fatos não é?

Novo fundo chinês para a compra de minas de ouro pode desequilibrar o mercado


Novo fundo chinês para a compra de minas de ouro pode desequilibrar o mercado



Depois de “amarrar” o mercado de minério de ferro os chineses, agora, preparam uma nova ofensiva cujo alvo final é o ouro.

Terminou aquela época em que os chineses mantinham os seus trilhões de dólares nas contas poupanças.

Agora eles estão usando o seu poder econômico como verdadeiros capitalistas. É hora de ir às compras.

De olho no ouro a China criou um novo fundo de US$16 bilhões que serão aplicados na compra de minas, projetos e empresas de ouro.

Eles não estão querendo qualquer ativo.

O principal objetivo são aqueles projetos de ouro próximos ao traçado da “Estrada da Seda”, que agrega estradas e rotas importantes para o desenvolvimento da Ásia, ligando a China, a Índia a África e o Mediterrâneo.

Na fase inicial o fundo estará focando nas áreas do Cazaquistão, Uzbequistão Irã e Turquia.

O ouro produzido será negociado na Bolsa de Xangai. Os chineses são os maiores importadores de ouro do mundo e deverão praticamente controlar o metal caso o fundo seja bem sucedido...

Almahata Sitta: os diamantes que vieram do espaço


Almahata Sitta: os diamantes que vieram do espaço





Quando o carbono é submetido a imensas pressões e temperaturas elevadas ele pode se transformar em diamante. É assim no nosso planeta, em profundidades maiores que 120km de crosta quando as condições para a formação dos diamantes existem. É o chamado campo de estabilidade do diamante (veja o gráfico).

Esses diamantes são trazidos à superfície por rochas vulcânicas formadas a grandes profundidades: os kimberlitos e os lamproitos.


Campo de estabilidade do diamante
Aqui na Terra a quantidade de diamantes formada em profundidade é relativamente pequena, o que é confirmado pelos teores achados nos kimberlitos que geralmente são medidos em poucos quilates em cada cem toneladas de rochas.

No entanto, ao contrário da Terra, os astrônomos acreditam que alguns corpos celestes possam ter um núcleo formado quase que exclusivamente de diamante.

Em caso de explosão ou choque esses corpos poderiam “semear” meteoritos a base de diamantes por todo o sistema solar.

Imagine só encontrar um meteorito de diamante maciço...

A possibilidade da existência desses meteoritos diamantíferos é elevada e alimenta algumas empresas como a Planetary Resources, que planejam lavrá-los no espaço.

De volta a Terra, os geólogos sabem que diamantes podem, também, ser formados no impacto de meteoritos contra a superfície do planeta. Esses diamantes são extremamente pequenos e, muitas vezes são descritos como micro ou nanodiamantes.

Existem uns agregados de diamantes de baixa qualidade chamados carbonados que, por não terem associação com kimberlitos ou lamproitos podem ter uma origem extraterrena. Os carbonados encontrados na Bahia são os maiores agregados de diamantes jamais encontrados, atingindo mais de 3.000 quilates.

Era assim que os cientistas contavam a história dos diamantes vindos ou não do espaço: até a queda do meteorito Almahata Sitta em 7 de outubro de 2008.

Este meteorito foi o primeiro a ser detectado antes do choque e caiu no deserto do Sudão causando uma explosão cuja luz foi vista a 1.400km de distância.

As buscas foram intensas e os pesquisadores acharam centenas de fragmentos de um acondrito ureilítico com grãos carbonosos, espalhados em quilômetros de deserto (veja a foto).

Almahata Sitta o meteorito
Até então o Almahata Sitta era uma história corriqueira: mais um meteorito descoberto. Foi quando descobriram que os fragmentos do meteorito continham diamantes.

Não eram os tradicionais nanodiamantes, mas diamantes muito maiores do que os encontrados em meteoritos. A explicação genética para esses diamantes aponta para uma formação similar aos dos nossos diamantes terrestres: em grandes profundidades dentro de um corpo planetário (planetesimal) que se fragmentou nos primórdios do sistema solar.

Os resultados do estudo feito na Universidade de Hiroshima no Japão mostra que os diamantes foram fraturados em cristais menores que estão orientados da mesma maneira. Ou seja os diamantes eram parte de pedras maiores fraturadas no impacto.

A descoberta deste meteorito aumenta as expectativas das novas empresas de mineração espacial que, no momento, buscam financiamentos para serem lançadas.

Em breve veremos mais uma emocionante etapa da exploração mineral: a do espaço sideral.

O Dia do Geólogo


O Dia do Geólogo





Dia 30 de maio é o dia do Geólogo., uma das profissões mais extraordinárias e belas entre todas.

É óbvio que eu, um Geólogo com mais de 44 anos de experiência, sou absolutamente tendencioso quando faço essas afirmativas.

Mas fique tranquilo, pois eu não estou só.

Um estudo feito entre 220.000 estudantes universitários do Reino Unido mostrou que 95% dos estudantes de Geologia estavam totalmente satisfeitos com o curso de Geologia.

Esta estatística é repetida em quase todos os lugares do mundo, pois nós Geólogos adoramos a Geologia!

É raro ver outro grupo de profissionais, que por opção própria, só fala naquele jargão hermético da Geologia, sobre um único assunto: Geologia.

Não porque o Geólogo seja um chato de galochas.

Assim como a maioria não consegue desligar o seu smartphone o Geólogo não consegue facilmente desligar da Geologia. A Geologia de tão interessante, vasta e complexa é viciante.

Será por que se trata de uma Ciência abrangente e extraordinária que lida com a Terra e com o Universo?

Ou o que nos move é que no final de um dia de trabalho intenso, mergulhado na natureza, após subir morros, atravessar matas, tomar banhos em córregos, sempre vai existir aquele papo interessante regado a muita cerveja gelada?

Ser Geólogo é ser curioso.

É ter a natureza como seu escritório e fazer do seu dia a dia a aventura que tantos almejam, mas quase nunca irão conseguir.

É olhar para as rochas (um Geólogo nunca fala em pedras) com um olhar cúmplice que só outro Geólogo, que também conhece, poderá entender.

É falar com propriedade em bilhões de anos como se fossem dias, em mares que já se foram, em ambientes que não mais existem.

É entender a pequenez do ser humano.

É usar a mais alta tecnologia para trabalhar uma microscópica parte de um mineral da mesma forma como ele estuda os processos geológicos que fazem a Terra ser o que é.

Ser Geólogo é ser criativo.

É se emocionar com a descoberta. É ter um martelo, uma lupa, um gps e mudar a história econômica da região e do país.

É ter a certeza de sua importância na sociedade e ver que quase tudo que nos cerca, sem exceção, tem o dedo de um colega Geólogo.

Ser Geólogo é ser Global.

O Universo é a nossa ostra. Podemos atuar em qualquer lugar deste ou de outro planeta ao contrário de tantas outras profissões.

Ser Geólogo é estar feliz com a profissão e não precisar celebrá-la em apenas um dia, mas curti-la ao longo dos 365 dias do ano.

DPA: a volta do cartel dos diamantes?


DPA: a volta do cartel dos diamantes?




DPA é o acrônimo de Diamond Producer´s Association, a nova entidade internacional que congrega nada menos do que as sete maiores produtoras de diamante do mundo.

O mercado de diamantes era controlado, até pouco tempo atrás, pela CSO (Central Selling Organization) uma obscura e misteriosa organização que dominava, com mão de ferro, os preços do diamante no mercado mundial. A CSO, que era da De Beers, perdeu força à medida que as grandes concorrentes passaram a vender os seus diamantes fora do cartel.

Em 2013, pela primeira vez em 100 anos, os preços dos diamantes foram determinados pelo mercado e não pela CSO.

Desde então os novos players como a Alrosa, Petra Diamonds, Rio Tinto, BHP, Botswana e Angola passaram a ter maior influência no mercado que perdeu a sua coesão e objetividade.

Com a falta de um direcionamento e organização o mercado perdeu o rumo.

Somente em 2015 a sul-africana Petra Diamonds teve uma queda de 41% nas vendas de seus diamantes.

Graças aos maus resultados que as principais empresas de mineração de diamantes resolveram reativar o cartel através da DPA, que vai tentar desenvolver o setor com especial atenção ao mercado.

A DPA é formada pelas sete maiores mineradoras de diamantes que respondem por 75% dos diamantes produzidos: ALROSA, De Beers, Rio Tinto, Dominion Diamond Corporation, Lucara Diamond Corporation, Petra Diamonds Ltd. e Gem Diamonds.

Assim como a CSO a DPA vai embarcar em mega campanhas publicitárias para, mais uma vez, tentar fortalecer o mercado dos diamantes.

Foi assim que a De Beers e a CSO criaram as extraordinárias frases de campanha “os diamantes são eternos” e “ o diamante é o melhor amigo da sua namorada”.

A DPA tentará aumentar o consumo mundial de diamantes naturais através do aumento da confiança do consumidor nas mineradoras, seus diamantes e na qualidade das operações a nível mundial.

Um dos grandes beneficiários da DPA será a indústria de diamantes da Índia que é a maior do mundo e exporta US$22 bilhões por ano.

Além da luta pela excelência a DPA tentará combater a ameaça, cada vez maior, dos diamantes artificiais que estão, aos poucos, conquistando mercado.

Os artificiais podem ser produzidos em maiores quantidades e a preços mais baixos, o que permite a vendedores inescrupulosos repassá-los como diamantes naturais originados em minas.

Esses diamantes sintéticos ainda não são suficientemente baratos para deslocar os diamantes naturais, mas tudo leva a crer que falta pouco para que isso aconteça.

Quando isso acontecer a DPA estará com as suas campanhas na mídia tentando fortalecer o mercado dos diamantes brutos cujos preços caíram 13% em 2014.

Vai ser uma guerra.

No final os preços dos diamantes sintéticos deverão cair muito, o que vai acabar fortalecendo o preço dos naturais. Assim como ocorre hoje com outras pedras sintéticas que são tratadas como bijuterias pelo mercado.