sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Para entender o mercado, confira como está o ouro

Para entender o mercado, confira como está o ouro

As pessoas compram ouro quando estão com medo do futuro. Elas compram ações no momento oposto, quando estão esperançosas. Hoje, apesar das preocupações com China, Grécia, com um provável aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve e uma perspectiva incerta para os balanços corporativos, o mercado de ouro está dando um sinal claro: os investidores, em geral, não estão muito assustados.
A última vez que o ouro atingiu um preço recorde foi em 1980. No fechamento de sexta-feira, ele ficou 57% abaixo do seu pico de 1980, no dado ajustado pela inflação. O Dow Jones Industrial Average, também ajustado para a inflação, atingiu seu último recorde em 19 de maio. Na sexta-feira, ficou 3,7% abaixo daquele nível.
Os investidores estão nervosos o suficiente para não levar as ações a novos recordes, mas não estão estressados o suficiente para vender fortemente ou comprar ouro.
“Nós vemos o ouro como um ativo para um cenário Armageddon”, explica Jim McDonald, estrategista-chefe de investimentos do Northern Trust Corp. Tal cenário não está entre suas preocupações hoje.
Recentemente, em setembro de 2012, a situação era diferente. Em meio a temores sobre o sistema financeiro, a Northern Trust tinha US$ 2,9 bilhões aplicados em um fundo de ouro negociado em bolsa. Mais tarde, a empresa começou a incentivar os clientes a vender e a maioria aceitou seu conselho. Hoje, Northern Trust tem US$ 58 milhões nesse fundo. “O mundo parecia estar começando a ficar melhor”, diz McDonald.
Esta é uma percepção contra a qual John Hathaway luta com a cada dia. Ele dirige a Gold Fund Tocqueville e estudou mais sobre ouro do que a maioria dos investidores. Seu fundo, que detém ações de empresas de mineração de ouro, bem como de metais preciosos, foi avaliado em mais de US$ 3 bilhões em 2011. Hoje, conta com pouco mais de US$ 900 milhões, em parte devido aos saques, mas principalmente por conta dos preços em queda livre de metais preciosos e de ações de empresas de mineração de ouro, disse.
“Eu penso comigo mesmo: O que é que iria reacender o interesse pelo ouro?”, diz Hathaway. “Um mercado ‘bear’ (pessimista) ou um período de adversidade do mercado financeiro”, responde a si mesmo.
Com os bancos centrais bombardeando economias e mercados financeiros com dinheiro barato, Hathaway diz que outra crise financeira ou uma recessão não é improvável.
“Muito do que o Federal Reserve tem feito para melhor ou pior é fazer com que o capital flua para ativos mais arriscados. Se essa tática parar de funcionar, se as pessoas perderem a confiança nesses ativos financeiros, você teria automaticamente uma perda de confiança nos dirigentes dos bancos centrais e em tudo que eles têm feito”, afirma.
Mas até que algo assim aconteça, acrescenta, o ouro pode continuar a sofrer.
As pessoas que concordam com ele dizem que os investidores tornaram-se complacentes e estão caminhando para uma derrocada. A maioria das pessoas, no entanto, está mais preocupada com novas quedas de ouro do que com uma crise financeira. A confiança desses investidores reflete uma lição aprendida nos últimos anos: os esforços da autoridade monetária para estabilizar os mercados em todo o mundo têm funcionado, pelo menos até agora. A confiança nos bancos centrais é alta.
“Parece que o ouro está em um declínio que não vai parar a qualquer momento em breve”, diz Kristina Hooper, estrategista de investimento dos EUA da Allianz Global Investors, que gere US$ 488 bilhões. A Allianz está pedindo aos clientes que se desfaçam do ouro, a menos que tenham um horizonte de investimento de muito longo prazo.
A companhia de investimentos recomenda uma única matéria-prima: água. A gestora gosta de empresas que purificam a água, distribuem água e produzem água para venda. “Nós podemos chegar a um dia, nos próximos anos, em que um galão de água custará mais do que um galão de petróleo”, diz Kristina Hooper.

A dura vida dos pesquisadores de diamantes primários

A dura vida dos pesquisadores de diamantes primários


A pesquisa de diamantes em fontes primárias como kimberlitos e lamproitos, não é para qualquer um. É um trabalho altamente técnico, incrivelmente caro e se não for adequadamente conduzido, há o risco de se perder uma jazida ou de investir onde não existe depósito econômico.
Quando os teores são baixos, o que é o caso da maioria dos kimberlitos, uma amostra de pequeno volume não tem nenhuma representatividade e qualquer que seja o teor obtido não deve ser considerado. Para entender essa premissa é necessário ler os próximos parágrafos.
A concentração dos diamantes na rocha fonte é, frequentemente muito pequena, de apenas algumas miligramas por tonelada. Isso obriga o pesquisador fazer verdadeiras minas piloto para obter dados fidedignos como teor, qualidade, preço e tamanho médio dos diamantes. Um bom exemplo é a mina de Letseng no Lesotho. Ela é uma das mais importantes minas de diamante primário do mundo.
No kimberlito de Letseng o teor médio é de apenas 3 quilates (600 miligramas) por tonelada de minério. Com teores tão baixos as amostras pequenas, de 50kgs, por exemplo, irão quase sempre dar resultados negativos para diamante. Se você fizer esse erro poderá simplesmente perder uma jazida de bilhões de dólares. Ou, gastar muito em um prospecto sem nenhum valor…
A pergunta que se deve fazer é: qual o tamanho mínimo de uma amostra que seja representativa do teor, qualidade, preço e tamanho do diamante de Letseng? Lembre-se que o investimento em Capex para uma mina destas pode chegar e ultrapassar a 1 bilhão de dólares, o que nos obriga a ter muita confiança nos dados obtidos na pesquisa. Na realidade antes da viabilidade econômica o nível de confiança deve estar próximo dos 97,5%, mas isso é uma outra história…
Sem entrar em cálculos estatísticos complexos a resposta mais utilizada pelos pesquisadores é que é necessário coletar um mínimo de 2.000 quilates de diamante (por amostra) para que essa tenha alguma representatividade de teor. Por este cálculo simples seria necessário uma amostra mínima de 67.000 toneladas. Ocorre que em Letseng os diamantes médios são os maiores do mundo. Este kimberlito é o que produz mais diamantes acima de 10 quilates, o que faz o preço médio do diamante de Letseng ser um dos mais elevados.
Estas características fazem com que uma amostra representativa tenha que ser, no mínimo, de 1 milhão de toneladas. Assustado? Lembre-se que dependendo do kimberlito existem imensas variações faciológicas o que vai aumentar em muito o número de amostras a serem coletadas. O pior é que cada fácie tem um teor diferente e alguns, no mesmo pipe, podem ser estéreis.
Ou seja, é necessário uma verdadeira mina para que o investidor tenha a certeza de que o projeto é viável. É por essas características da jazida que várias empresas amostraram o kimberlito e nunca conseguiram entender os teores, qualidade e tamanhos médios reais. Alguns anos atrás eu debati esse assunto com um “expert” em diamantes Sul-Africano. Ele me confidenciou que a empresa dele havia investido milhões em Letseng sem conseguir ver a viabilidade do projeto, pois nunca amostraram grandes volumes, como necessário.
Como se vê, essas particularidades fazem a pesquisa em Letseng ser caríssima. Foi por isso que entre a descoberta em 1957 e a mina se passaram 20 anos e muitos perderam dinheiro em uma das jazidas mais rentáveis da África. A sorte é que a garimpagem feita ao longo destes 20 anos produziu dezenas de milhares de quilates o que permitiu, aos mais espertos, uma avaliação preliminar dos teores, qualidade, preço e tamanho.
O histórico de produção serviu como uma mina piloto e orientou os geólogos quanto ao tamanho mínimo da amostra de Letseng.Lembre-se deste exemplo quando for avaliar os teores de um kimberlito. Talvez a resposta só seja possível se a sua empresa estiver disposta a investir dezenas de milhões na pesquisa.

Bahia mira expansão do setor de joias

Bahia mira expansão do setor de joias


Quinto maior produtor de minerais do Brasil e segundo maior na produção de gemas e joias, a Bahia busca visibilidade internacional com a realização, em Salvador, do XV Congresso da Confederação Mundial da Joalheria (CIBJO). O evento, que se realiza pela primeira vez na América Latina, foi abertonesta segunda-feira, 4, estendendo-se até esta quarta-feira, 6, no Hotel Sheraton.
Empresários e autoridades do setor de mais de 60 países participam do congresso. “Com a realização deste evento na Bahia, a gente coloca os nossos dois pés no mercado internacional e agora é só trabalhar para fincar nossas bases”, afirmou o engenheiro Rafael Valverde, superintendente de indústria e mineração da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).
Durante o evento, a Bahia pretende expor seu portfólio na área, destacando a produção de quartzo rutilado, como é chamado o quartzo puro, popularmente conhecido como “cristal de rocha”. A pedra é produzida no município de Novo Horizonte,  na Chapada Diamantina, que esta semana deve receber a visita de uma comitiva de participantes do congresso da CIBJO. “O mercado agora passa a nos enxergar de maneira direta, e a nossa estratégia é potencializar uma futura marca das gemas da Bahia”, antecipou Valverde.
Referência
No discurso de abertura do congresso, o governador baiano Rui Costa (PT)  oficializou para os participantes as intenções do estado. “Estamos querendo estruturar a cadeia produtiva, não só ficar na extração, mas incentivar a lapidação e a criação de design, que agregue valor e renda”, disse.
“Não queremos nos destacar apenas pelo nosso parque mineral, mas queremos contar com estrutura que transforme isso em joias e design, fazendo com que a Bahia possa ser referência em não só ter as maiores minas, mas poder transformar essas pedras em joias”. Uma das ações estatais destacadas foi o Centro Gemológico instalado no Pelourinho, que orienta pequenas empresas e promove capacitação, como a de designer em joias. “A ideia é estimular a cadeia como um todo”, frisou Rui, destacando a produção em municípios, como Santa Luz, Campo Formoso e Senhor do Bonfim.
Diamantes
As atenções do setor na Bahia estão centradas, no momento, no projeto da empresa Lipari Mineração. A empresa pretende reativar a produção baiana de diamantes, explorando uma mina no município de Nordestina, na região do semiárido.
Depois de mais de cinco anos de pesquisas, a empresa anunciou investimentos de R$ 100 milhões para a produção em escala comercial. O projeto é uma das vitrines da Bahia apresentada no congresso da CIBJO.
O presidente da Confederação, Gaetano Cavalieri, destacou o sucesso da edição do evento na Bahia. “Nunca tivemos tão expressiva desde que a CIBJO se associou a Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006″, afirmou. Ele destacou a importância do setor para as economias dos países em desenvolvimento.
“Embora seja considerado um artigo de luxo, as gemas e joias geram receita, numa cadeia produtiva essencial para a economia dos países”. Representantes da ONU no e evento, Nassir Al-Nasser e Alberto Padova, frisaram a importância da produção fincada às leis trabalhistas e de sustentabilidade.

Brasil pode alcançar destaque global na produção de diamantes.

Brasil pode alcançar destaque global na produção de diamantes.


Comércio mundial de diamantes em 2014 alcançou cerca de US$ 54 bilhões, mas o Brasil exportou apenas US$ 6,7 milhões

O secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Carlos Nogueira, destacou a importância do setor de joias para o País na abertura do XV Congresso Internacional da Confederação Mundial de Joalheria (CIBJO), que aconteceu no começo deste mês na Bahia.  Nogueira explicou que a descoberta do primeiro jazimento de diamante primário no Estado poderá trazer uma produção expressiva de e colocando o Brasil em posição de destaque. “Com a entrada em operação desse projeto o País poderá vir a ser um expressivo player global em diamante”, afirmou Nogueira. Nogueira citou, como exemplo da relevância do Brasil no mercado mundial, a produção de topázio imperial e de turmalina Paraíba, gemas cobiçadas no âmbito do comércio internacional. “O Brasil é um importante player global, ocupando lugar de destaque no ranking mundial de produção, variedade e quantidade de gemas”, destacou.
Ao falar sobre a produção de joias no Brasil, o secretário informou que o ouro tem sido uma das substâncias mais pesquisadas no País, com exportações na ordem de US$ 2,4 bilhões em 2014. “O ouro e o diamante são imprescindíveis à indústria de joias”, afirmou Nogueira, ao explicar que a maior parcela da produção de gemas e uma parcela significativa da produção de diamante e ouro no Brasil são realizadas em garimpos ou por pequenas empresas e cooperativas de mineração que se distribuem em vários estados brasileiros.
Com relação às políticas para o setor, o secretário disse que para atender e fortalecer essas cadeias, o MME tem trabalhado ativamente na formulação de políticas voltadas a formalização e à consolidação de arranjos produtivos locais de base mineral (APLs). “Para viabilizar essa ação, o MME vem apoiando, desde 2004, em parceria com o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a organização de 66 APLs de Base Mineral”, comentou o secretário. Nogueira falou ainda sobre a Implantação do Plano de Normalização e Programas de Avaliação da Conformidade, que abrange 14 APLs de Gemas e Joias. Outra ação para o desenvolvimento desses APLs foi o Acordo de Cooperação Técnica com o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, que possibilitou a realização do Prêmio Melhores Práticas em APLs de Base Mineral, bem como realização de Planejamento estratégico e Workshops de Integração de APLs de Gemas e Joias.
Indústria de joias
O Brasil possui uma variedade enorme em gemas coradas, com mais de cem diferentes pedras identificadas, algumas delas raras ou únicas. Também é o décimo primeiro produtor mundial, com 80,7 mil toneladas de ouro primário. Entretanto, apesar de enorme potencial, o País possui uma produção ainda pequena de diamante. O comércio mundial de diamantes em 2014 alcançou cerca de US$ 54 bilhões, mas o Brasil exportou apenas US$ 6,7 milhões.
Já o segmento de gemas, joias e metais preciosos apresenta uma balança comercial positiva, com saldo favorável previsto superior a US$ 2 bilhões para 2015, com possibilidade de expansão. O Brasil é o 16º produtor mundial e 13º consumidor de joias de ouro, além de ser o 2º maior produtor de joias foleadas, tendo ultrapassado a Coreia em 2013.
Certificação de origem
Atualmente a indústria joalheira, organismos internacionais e países produtores têm discutido a necessidade de certificação de origem para os diamantes, o ouro e as gemas ditas de cor, visando assegurar que a exploração desses bens não seja, dentre outros, produtos oriundos de áreas de conflito, de exploração de trabalho infantil ou ilegal. Nessa linha, o secretário Carlos Nogueira citou o Processo Kimberley, que articula governos, indústria e sociedade civil com a finalidade de disciplinar o comércio de diamantes brutos e também, algumas iniciativas embrionárias, com vistas à certificação do ouro e até mesmo de gemas. Nogueira ressaltou que as Nações Unidas, em apoio às atividades de Organizações Não Governamentais, estudam a implementação de metodologia de certificação de empreendimentos de mineração de ouro em pequena escala. XV Congresso Internacional do CIBJO – promovido pela Confederação Mundial de Joalheria, é primeira vez que o evento ocorre na América Latina. O congresso reuniu representantes de mais de 50 países, incluindo designers, empresários e joalheiros, além de representes do governo.

Russos da Alrosa preveem investir 1.000 ME na produção de diamantes em Angola

Russos da Alrosa preveem investir 1.000 ME na produção de diamantes em Angola

O anúncio foi feito aos jornalistas em Luanda pelo presidente do conselho de administração da Alrosa, Andrey Zharkov, à saída de uma reunião com o vice-Presidente da República de Angola, Manuel Vicente, com destaque para o projeto Tchiuzo.
Avaliada em 200 milhões de dólares (180 milhões de euros), esta exploração mineira permitirá criar cerca de 700 novos postos de trabalho na província angolana da Lunda Norte e uma produção diamantífera anual estimada em 2,5 milhões de quilates que está numa fase avançada de desenvolvimento.
Igualmente envolvendo a diamantífera estatal, Endiama, e outros parceiros, a Alrosa prevê investir mil milhões de dólares (900 milhões de euros) no projeto Luaxe, também no interior norte de Angola, que poderá garantir uma produção anual de cerca de dez milhões de quilates.
Alrosa e Endiama vão ainda investir cerca de 15 milhões de euros na prospeção de novos quimberlitos (depósitos principais de diamantes), nos próximos três anos, através da empresa participada por ambas, denominada “Kimangue”.
Isto tendo em conta que Angola apenas conhece o potencial de produção diamantífera de 40% território nacional, conforme explicou anteriormente à agência Lusa o presidente do conselho de administração da Endiama.
“Quer dizer que a probabilidade de encontramos recursos minerais nos restantes 60 por cento é elevada”, disse Carlos Sumbula.
A Alrosa está presente em Angola na Sociedade Mineira de Catoca (SMC) – detentora destas novas concessões diamantíferas -, que opera a mina de Catoca, a quarta maior do mundo.
A SMC é detida a 32,8 por cento pela Alrosa, maior produtora russa de diamantes, a mesma percentagem da estrutura acionista que é controlada pela estatal Endiama.
A mina de Catoca, na província de Lunda Sul, garante uma produção anual de seis milhões de quilates de diamantes – cerca de 75% da produção total angolana -, tendo obtido vendas de 594 milhões de dólares em 2013 (542 milhões de euros), um aumento de 2,6% face ao ano anterior, segundo dados daquela sociedade.
A mina conta com uma profundidade, a céu aberto, de 600 metros e deverá estar em operação até 2031, sendo a quarta maior do género em todo o mundo, devendo igualmente ser alvo de um novo investimento.
Do total da extração angolana no último ano, 8,75 milhões de quilates da produção industrial seguiram para exportação, avaliada em 1,308 mil milhões de dólares (1,17 mil milhões de euros).
Só os dois novos projetos em carteira pela Alrosa – Tchiuzo e Luaxe – permitiriam a Angola mais do que duplicar a atual produção de diamantes do país, a principal fonte de receita angolana depois do petróleo.
Dados da indústria diamantífera mundial apontam Angola como quinto maior produtor de diamantes, mas a sua produção representa apenas 8,1% do valor global mundial.