sábado, 19 de setembro de 2015

Coríndon é um mineral à base de óxido de alumínio (Al2O3), que representa valor 9 em dureza, na escala de Mohs.

Coríndon é um mineral à base de óxido de alumínio (Al2O3), que representa valor 9 em dureza, na escala de Mohs. Naturalmente transparente e pode ter cores diferentes de acordo com impurezas que estejam incorporadas à sua matriz. Os espécimes translúcidos são usados como joias, o de coloração vermelha é chamado de rubi, ocorrendo outras variações: amarelo, rosa, púrpura, verde e cinzento; o azul é chamado de safira.
A sua Composição química é Trióxido de Alumínio, com 52.9% de Alumínio e 47.1% de Oxigénio.
O nome coríndon tem sua origem na palavra proveniente do tâmil Kurudam (uma das línguas dravídicas faladas no sul da Índia) cujo significado é Rubi. O coríndon foi pela primeira vez identificado na Índia, Cunha (2008), é conhecido desde o início dos tempos, e sua presença sempre foi marcante em todas as civilizações, seja pela utilização como gema ou por seu uso industrial.
É Moçambique o coríndon foi conhecido desde os tempos coloniais portuguesas, Afonso, R.S. et al, (1998) e Lächelt, S. (2004).
Jazigos Minerais Tema: Coríndon Curso de Engenharia Geológica e de Minas Universidade de Wutivi (Unitiva)
Autores: Marta Luísa, Salina Lázaro & Sheila Olga4
2. OBJECTIVOS Para o presente trabalho foi traçado seguintes objectivos:
2.1.Objectivo geral
O presente trabalho tem como objectivo geral estudo do mineral coríndon, no que concerne ao estudo do seu processo de formação/génese, caracterização geológica, a sua aplicação na indústria e seus locais de ocorrência.
2.2.Objectivos específicos Para poder-se alcançar o objectivo geral, foram definidos seguintes objectivos específicos:
Estudar a génese/processos da formação do mineral coríndon;
Caracterizar entremos geológicos os depósitos de coríndon existente em Moçambique;
Debruçar-se da aplicação industrial das gemas do mineral coríndon.
3.METODOLOGIA
Para reedição do presente trabalho baseou-se fundamentalmente na pesquisa bibliográfica, que consistiu na consulta de livros, artigos científicos, monografias e dissertações. Com intuito de puder alcançar os objectivos traçados, e também com a finalidade de enriquecer a compreensão e o conhecimento da matéria em estudo.
4.CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA DO MINERAL CORÍNDON
O mineral coríndon pode ser gerado por processos magmáticos e metamórficos. E é um mineral típico das rochas metamórficas, isto é, das que se formam a partir de rochas preexistentes quando submetidas a altas pressões e temperaturas. Também pode ser encontrado em rochas formadas pela consolidação de magmas profundos pobres em sílica.
Também pode ser produzido artificialmente por aquecimento de alumina acima de 450ºC. Pelo processo Verneuil, são produzidas gemas sintéticas, adicionando-se pequenas quantidades de Ferro, Crómio, Vanádio ou Titânio para dar a cor apropriada, Campos (1999).
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Autores: Marta Luísa, Salina Lázaro & Sheila Olga5
Também a sua origem pode estar associada aos eluviões, coluviões e aluviões dos rios, como é o caso de Moçambique e Brasil. No Brasil, com ocorrências no Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, (Cunha, 2008).
4.1.As variedades do mineral coríndon
Das gemas, as variedades mais conhecidas são o rubi de cor vermelha e as safiras, azul carregado (safira propriamente dita), incolor (leucossafira), amarela (topázio oriental), verde (esmeralda oriental), roxa (ametista oriental) ou rósea. O coríndon é a única substância natural de dureza 9, na escala de Mohs.
4.1.1.Rubi
Do ponto de vista químico, o rubi é um óxido de alumínio (Al2O3), com pequenas quantidades de Crómio, em substituição do alumínio, cuja cor é causada principalmente pela presença de Crómio.
4.1.1.1.Génese do rubi
A maioria dos rubis aparece em mármores, rochas metamórficas formadas a temperaturas e pressões muito altas. No entanto, esta pedra não é extraída directamente da rocha mãe em que se forma, mas sim de depósitos de cascalhos e areões aluviais, “pláceres” resultantes da erosão da rocha mãe, é o caso dos rubis extraídos no Distrito de Montepuez,
4.1.1.2.Ocorrência do rubi
O rubi é minerado na África, Ásia e na Austrália. Eles são mais comuns em Myanmar, no Sri Lanka e na Tailândia, porém também são encontrados em Montana e na Carolina do Sul nos Estados Unidos.
4.1.2.Safiras
É uma variedade da forma monocristalina de óxido de alumínio, (Al2O3), um mineral chamado coríndon, com pequenas quantidades de ferro e titânio, em substituição do alumínio.
Pode ser encontrada na natureza sob a forma de gemas ou produzida de forma sintética para uma infinidade de aplicações.
4.1.2.1.Génese da safira
As safiras têm geralmente origem em rochas metamórficas. O tipo de depósito mais comum é o sedimentar, formado por cascalhos e areias aluviais.
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Autores: Marta Luísa, Salina Lázaro & Sheila Olga6
4.1.2.2.Ocorrência
Os depósitos mais conhecidos são as da Sri Lanka, extraordinárias e ainda hoje muito produtivas, justamente consideradas como “cofre” natural. Outros depósitos importantes são as da Birmânia (Myanmar), na região gemífera de Mogok (as safiras de Mogok são muito apreciadas comercialmente), na zona Tailandesa de Chantaburi e as do Cambodja, região de Pailin.
5.OCORRÊNCIA DE CORÍNDON EM MOÇAMBIQUE
5.1.Ocorrência em Moçambique
O coríndon em Moçambique ocorre no Norte de Moçambique, concretamente nas Províncias de Niassa e Cabo Delgado. Três depósitos ocorrem na Província de Niassa e um em Cabo Delgado, no Distrito de Montepuez. Também esse mineral ocorre na Província de Tete, correctamente nos Distritos de Changara, Mutarara e Tsangano.
Afonso e Marques (1998), também indicaram possível ocorrência de coríndon no Revue, Cancheira, Monte Chissindo e os Montes Pandibuè-Congune
5.2.Caracterização geológica dos depósitos de coríndon de Moçambique
5.2.1.Caracterização geológica dos depósitos do Coríndon da Província de Niassa (depósito de Ruambeze, M’sawize e Ngauma)
O mineral coríndon encontrado nos depósitos da Província de Niassa, a sua origem está associado a formações rochosas e nas aluviões dos rios, como é o caso do coríndon que ocorre no Rio Lugenda, que está associado com rochas básicas e calcários cristalinos (skarn) em aluviões que se acumulam em torno desses depósitos.
No depósito de M'sawize, rubi parece estar confinado dentro do Meta-Gabro e Gnaisse Gabroico. E o coríndon (rubi) é extraído a partir de dois tipos de depósitos:
Um de solo rico em rubi aluvionar que é encontrado entre Um à Dois metros de espessura, que corresponde com a meteorização do depósito em rubi no local, e são encontrados em associação com granadas vermelhos;
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No depósito primário, o rubi é encontrado em associação com feldspato branco e uma anfíbola verde-escura, em estreita associação com mica, como ilustra a figura 1, Pardieu, V. et al., (2009).
Figura 1: Foto que ilustra associação de Rubi com feldspato branco (anortite) e anfíbola verde-escura (actinolite). Fonte: Pardieu, V. et al, (2009).
Também pode ser encontrado em diferentes tipos de depósitos como, por exemplo, nos calcários cristalinos, micaxistos e gnaisses, Deer et al,. (1966).
5.2.1.1.Minerais associados
Nestes depósitos da Província de Niassa o mineral coríndon aparece associado com Feldspato branco, Anfíbola verde-escura e com estreita associação com micas. Onde o feldspato branco aparece como anortite, anfíbola verde-escura aparece como actinolite, como mostra a figura anterior.
5.2.1.2.A era das rochas
As rochas que foram encontradas nesses depósitos pertencem ao Complexo de M’sawize, e são da era Neoproterozóico.
5.2.1.3.Métodos de extração
O método extração nesses depósitos é o método de poços ou artesanais, que consiste em abrir uma cova com uma profundidade que varia entre Seis a Sete metros de profundidade, como a finalidade de extrair rocha ou minério, usando equipamentos manuais, como mostra a figura 2.
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Figura 2: Poço de mineração, que ilustra uma pequena galeria que foi escavado na parte inferior do poço. Fonte: Pardieu, V. et al, (2009).
Segundo Pardieu, V. et al, (2009), os depósitos da Província de Niassa, produzem coríndon que varia de cor vermelho-escuro (rubi) e que aparece as vezes alaranjado ou acastanhado, material de qualidade polida que às vezes é adequada para o tratamento de vidro de chumbo, e também com grandes cristais azuis-escuros (safira) com muitas fendas e planos individuais, que é vendido em alguns mercados de Tailândia como material de escultura, como mostra a figura 3.
Figura 3: Foto de variedade de coríndon produzido nas minas da Província de Niassa. Fonte: Pardieu, V. et al, (2009).
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5.2.2.Caracterização geológica do depósito do coríndon da Província de Cabo Delgado, no Distrito de Montepuez (Namahumbire e Namahaca)
O depósito de rubi de Montepuez está localizada na unidade tectónica do Complexo de Montepuez (veja a Figura 4).
Esta unidade é composta principalmente de gnaisse fortemente deformado e quartzito, com algumas lentes de mármore, Boyd et al., (2010).
Figura 4: Mapa geológico da região Norte de Moçambique. O depósito do rubi de Montepuez está localizada no Complexo de Montepuez. Modificado a partir do Mapa geológico de Moçambique, por Boyd (2010). Fonte: Pardieu, V. et al, (2009).
Segundo Boyd et al., (2010), graças as observações de campo, foram capazes de encontrar e estudar um depósito primário em que a rochas hospedeira é composta por anfíbola verde com pequenas lentes ricas em feldspato branco, como ilustra a figura 5 e 6. Boyd et al., (2010).
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Figura 5: As áreas verdes escuras são compostas principalmente de anfibólio enquanto os veios brancos são ricos em feldspato. Os rubis são encontrados principalmente no interior ou nas proximidades dos veios ricos em feldspato. Fonte: Pardieu, V. et al. (2009b).
Figura 6: Vista detalhada dos rubis encontrado no local associado com anfibólio (verde escuro), mica (amarelada) e feldspato (branco) na parede do poço mostrado na foto anterior. É interessante notar que feldspato branco circunda a maioria dos rubis. Fonte: Pardieu, V. et al. (2009b).
Segundo o mesmo autor encontram rubis em dois tipos de depósitos:
1) Alguns foram encontrados associados com cascalhos no depósito aluvial/detrito que cobre o depósito primário. Neste depósito as pedras encontradas no solo perto do leito do rio em Namahaca são diferentes daquelas encontradas em Namahumbire. Pois
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neste depósito obviamente o quartzo e rubi foram transportados pela água, como mostra como mostra a figura 7.
2) Enquanto outros foram encontrados in situ em associação com estes lentes.
Figura 7: Ilustra depósito aluvial/ detrítico, perto do leito do rio em Namahaca. Onde o quartzo e rubi encontrado nesse depósito obviamente foram transportados pela água. Fonte: Pardieu, V. et al, (2009).
Segundo Boyd et al., (2010), ao longo das suas actividades de exploração constatou que os rubis são hospedados por material aluvial, e a base consiste no Complexo de Montepuez, um conjunto de rochas sedimentares metamorfoseadas (Xistos Anfibólicos e Gnaisses) da era Neoproterozóico, que foram intrudidas por Granito, Granodiorito e Tonalito.
5.2.3.1.Minerais associados
O rubi encontrado nesse depósito aparece comumente associado com alguns feldspato esbranquiçado, mica amarelado ou anfíbola esverdeada, como mostra a figura 6.
5.2.3.2.A era das rochas
As rochas encontradas nesse depósito pertencem ao Complexo de Montepuez, e são da era Neoproterozóico.
5.2.3.3.Método de extração no depósito de Montepuez (Namahumbire e Namahaca)
O método de extração nesses depósitos é o método Open cast e do poço. A extração da rocha ou minério é geralmente realizada a céu aberto com o auxílio de retroescavadoras, como mostra a figura 8.
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Figura 8: foto da mina Open cast e alguns equipamentos pesados trabalhando o depósito rubi perto Namahumbire. Fonte: Pardieu, V. et al., (2009c).
O coríndon (rubi) produzido no depósito de Montepuez variam de vermelho levemente arroxeado ao vermelho, como mostra a figura 9. A maioria do material produzido em Montepuez parece ser ligeiramente leitosa ou seda, Pardieu, V. et al., (2009c). As pedras de Montepuez são geralmente mais planas e exibem muito mais inclusões minerais em comparação com as pedras do Niassa.
Figura 9: Foto de rubi produzindo no depósito de Namahumbire e Namahaca. Fonte: Pardieu, V. et al., (2009).


5.3. Principais produtores de gemas do mineral coríndon no mundo
Neste sob capítulo falaremos, basicamente, de alguns países do mundo que produzem as gemas naturais do mineral coríndon (rubi e safira).
Os principais produtores de rubis são na Ásia: Birmânia, Sri Lanka, Tailândia e Cambodja. Em África, no norte da Tanzânia, também encontram-se rubis opacos, mas bem coloridos e de grandes dimensões.
Na Birmânia em Mogok, ela é explorado desde o século XV°. E é sempre no norte da ex- Birmânia (o actual Myanmar), onde se situam os principais centros de produção. Os rubis cristalizados, produzidos nesse depósito são alóctone, que foram transportados pelos rios, que são levados pelos aluviões e depositado na superfície. E rubi nesse depósito é extraído a partir dos poços, Basílio (1999).
Na Tailândia, o rubi é extraído a partir dos poços de Oito à Dez metros de profundidade, em depósito aluvial, constituído por cascalhos argilosos da região de Chanthaburi, ao sudeste de Bangkok, e produzem pedras de cor tendendo para o castanho ou violeta, Epstein et al. (1994).
Na Ilha de Sri Lanka, o rubi é extraído a partir do poço, em depósito aluvionar, nos cascalhos dos rios da região de Ratnapura, no sudoeste da Ilha de Sri Lanka, onde as pedras produzidas nesse depósito são vermelho-claro à vermelho-framboesa. Também a parte superior do rio Umba, na Tanzânia, produzem rubi castanho vermelho,

Corindon Rubi Safira em Minas Ge­rais

Corindon
Rubi
Safira




Resumo: Rubis e safiras de quatro depositos , denominados Sapucaia, Indaia e Palmeiras, na re­giao de Caratinga­Manhuacu, e Malacacheta, mais ao norte, foram caracterizados em termos geologicos, gemo­logicos, quimicos e espectroscopicos, com o objetivo de interpretar causas de cor, genese, bem como analisar o potencial economico dos depositos. Resultados de ana­lises quimicas e espectroscopia UV­visivel mostram que a provavel causa da cor azul e transferencia de cargas entre Fe2+ e Ti4+, enquanto CrH+ causa tonalidades violeta e pfrpura, efeito alexandrita e fluorescencia. A ausencia de Ce e La e o teor relativamente mais alto de Ga distin­guem as amostras de Malacacheta das demais. Alem de sugerir particularidades geneticas, a diferenca em termos de elementos­tracos, pode ser utilizada como indicador de proveniencia das gemas. Inclusoes de um polimorfo de Al2Si05 e indicios de campo sugerem que o corindon deve ter sido gerado por processos metamorficos regio­nais, o que expande as possibilidades para a descoberta de novas ocorrencias de rubi e safiras nos terrenos de alto grau metamorfico do leste de Minas Gerais. __________________________________________________________________________________________
ABSTRACT: Rubies and sapphires from four deposits in Minas Gerais named Sapucaia, Indaia and Palmeiras, in the region of Caratinga-Manhuacu, and Malacacheta, farther north, were characterized in terms of geology, gemology, chemistry and spectroscopy in order to interpret causes of color and genesis. The economical potential of the deposits was also analyzed. Chemical analyses and UV-visible spectroscopy reveal that the probable cause of the blue color is a charge transfer between e2+ e Ti4+, while Cr3+ causes violet and purplish tints, alexandrite effect and fluorescence. Absence of Ce and La and relatively higher Ga-contents distinguish the Malacacheta samples from the others. Besides suggesting genetic particularities, the difference in terms of trace elements might be used as a provenience indicator for the gems. Inclusions of an Al2Si05 polimorph and field evidences suggest that the origin of corundum might be due to regional metamorphic processes, thus expanding the possibilities for the discovery of new occurrences of ruby and sapphires in the high grade metamorphic terrain in eastern Minas Gerais.

CORÍNDON - RUBI E SAFIRA NO BRASIL...

CORÍNDON - RUBI E SAFIRA NO BRASIL...
Nesta Tese foram estudados os depósitos de coríndon que ocorrem nas variedades rubi e safira, distribuídos nas proximidades da cidade de Barra Velha, região nordeste do Estado de Santa Catarina. O coríndon ocorre em depósitos sedimentares inconsolidados localizados ao longo da bacia de drenagem do Rio Itapocu, tendo sido detectadas ocorrências também na porção norte da bacia de drenagem do Rio ltajaí Açu, aproximadamente 40km a sul da cidade de Barra Velha. Ao todo os depósitos e suas ocorrências menores cobrem uma área de aproximadamente 80km2. A geologia regional é representada pelo Complexo Granulítico de Santa Catarina, caracterizado por um contexto essencialmente metamórfico de alto grau, onde estão presentes gnaisses granulíticos, rochas ultramáficas, quartzitos e formações ferríferas bandadas. O coríndon ocorre em depósitos coluvio aluvionares quaternários, concentrados nos flancos dos morros locais (rampas coluviais), distribuídos também nas planícies regionais. Os cascalhos são constituídos principalmente por seixos e calhaus de quartzo leitoso, quartzito e fragmentos líticos quartzo-feldspáticos, distribuídos em uma matriz areno argilosa de coloração cinza. Esses fragmentos apresentam-se angulosos sugerindo condições de sedimentação via fluxos gravitacionais de encosta, com transporte pequeno a ausente. Os minerais pesados associados são representados principalmente pelas fases magnetita, ilmenita, hematita, rutilo, zircão, monazita, hiperstênio, hornblenda e epidoto, cuja origem está relacionada aos litotipos que ocorrem na região. O coríndon ocorre na forma de cristais euédricos, subédricos e de fragmentos irregulares, principalmente na cor vermelha (rubi), e em menor freqüência nas cores branca, rósea, cinza e preta (safiras). Apresenta hábito em barrilete característico, transparência limitada e dimensões que vão desde milímetros até exemplares com 1Ocm de comprimento. Os cristais exibem partição romboédrica pronunciada em função da ocorrência de diásporo nos planos de geminação polissintética. O diásporo se forma a partir da alteração do coríndon em um processo gradual, resultando em uma associação íntima entre esses dois minerais onde o diásporo se distribui na forma de uma rede romboédrica constituída por camadas sucessivas de coríndon e diásporo. Do ponto de vista químico, o coríndon é constituído essencialmente de 'Al IND.2"O IND.3' (96 a 99% em peso) contendo impurezas de Cr2O3 (0,00 a 0,83% em peso), contendo impurezas de 'Cr IND.2"O IND.3' (0,00 a 0,83% em peso), FeO (0,12 a 1,51% em peso), e outros elementos em proporções menores. O cromo é o elemento cromóforo sendo responsável pela cor vermelha ou rósea, enquanto o ferro influi nas colorações escuras e saturação das cores observadas. O coríndon de Barra Velha hospeda um grande número de inclusões cristalinas entre as quais foram identificadas biotita, clorita, zircão, rutilo, monazita, pirita e alguns óxidos de ferro. A biotita ocorre na forma de cristais castanhos constituídos por uma mistura homogênea dos termos extremos desse grupo, sendo compatível com o fácies granulito. A clorita é rica em ferro, magnésio e alumínio e sua origem poderia estar relacionada ao metamorfismo de sedimentos pelíticos ricos em ferro. O zircão ocorre na forma de cristais arredondados sugerindo tratar-se de um mineral detrítico nos pelitos originais, que teriam sofrido metamorfismo até o fácies granulito. As outras inclusões encontradas são compatíveis com as litologias regionais. As inclusões fluidas ocorrem na forma de cristais negativos de contorno hexagonal e canais alongados sendo que em muitos casos apresentam paralelismo com as direções cristalográficas do hospedeiro. Medidas microtermométricas revelaram que as inclusões são constituídas essencialmente de 'CO IND.2', cujas temperaturas de fusão são iguais ou inferiores a -56,6ºC. As temperaturas de homogeneização do 'CO IND.2' variaram de -25 a +25°C, sendo as menores, representativas dos fluidos originais. Os histogramas construídos a partir dos dados microtermométricos apontam que as inclusões de densidades maiores são compatíveis com as condições do fácies granulito, sendo as de densidades menores indicativas dos eventos posteriores. Apesar do coríndon não ter sido encontrado ainda em sua rocha matriz, as evidências de campo e os dados obtidos em laboratório apontam por uma derivação a partir dos terrenos granulíticos subjacentes aos depósitos. Os levantamentos realizados mostraram que os gnaisses granulíticos contendo intercalações de rochas ultramáficas e quartzitos, constituem os litotipos predominantes na regiäo. A ausência de arredondamento exibida pelo coríndon e demais constituintes dos cascalhos, indicam que os depósitos originaram-se a partir dos granulitos circundantes. Os minerais pesados, representados por fases compatíveis com os granulitos reforçam essa hipótese. As inclusões sólidas identificadas no interior dos cristais de coríndon, são representadas por minerais compatíveis com o metamorfismo de sedimentos pelíticos antigos submetidos a metamorfismo de grau médio a alto. As inclusões fluidas, essencialmente carbônicas, são também compatíveis com ambiente anidro necessário para a geração das rochas granulíticas regionais. As características exibidas pelas inclusões fluidas observadas no coríndon de Barra Velha, são similares àquelas reportadas para os depósitos do Sri Lanka, onde o coríndon é derivado de granulitos regionais.

Resumo em inglês
This Thesis comprises studies on the corundum deposits-ruby and sapphire varieties-dispersed near the town of Barra Velha, northeast of Santa Catarina. Corundum, which appears in unconsolidated sedimentary deposits along the Rio ltapocu drainage basin has also been found in the northern area of the Rio ltajaí Açu drainage basin, 40 km south of Barra Velha. As a whole the deposits and their smaller occurrences cover an area of approximately 80 km2. The regional geology is represented by the Santa Catarina Granulitic Complex , characterized as of high metamorphic grade, where granulitic gneiss, ultramafic rocks, quartzites and banded iron formations are present. Corundum occurs in Quaternary alluvial colluvium deposits concentrated on the hill-sides as well as in the plains of the area. The gravel, consisted mainly of pebbles and cobbles of quartzite, milky quartz, quartz-feldsphatic lithic fragments, are embbeded in a greyish sand and silt matrix. Such fragments, displaying high degree of angularity, suggest sedimentation conditions through slope gravity flow, with little or no transportation. The associated heavy minerals are represented mostly by magnetite, ilmenite, hematite, rutile, zircon, monazite, hypersthene, hornblende and epidote phases, whose origin is related to the areas' lithotypes. Corundum occurs as euhedral and subhedral crystals and irregular fragments, primarily in red color (ruby) and less frequently in white, rose-colored, grey and black colors (sapphire). lt displays characteristic barrel habit, limited transparency and size varying from few millimeters to 10 centimeters in length. The crystals exhibit distinguished rhombohedral parting due to the presence of diaspore in the polysynthetic twinning plane. Diaspore is formed as a result of a gradual process of corundum weathering, culminating in a close relation between the two minerals, and generating a rhombohedral network of successive corundum and diaspore layers. From the chemical point of view corundum is composed essentially of 'Al IND.2"O IND.3' (96 to 99% in weight) containing impurities of 'Cr IND.2"O IND.3' (0.00 to 0.83% in weight), FeO (0.12 to 1.51% in weight) and other elements in smaller proportions. Chrome is the chromophore element responsible for the red or rose-colored color, while iron controls the dark colors and saturation. The Barra Velha corundum hosts a great number of crystalline inclusions such as biotite, chlorite, zircon, rutile, monazite, pyrite and some iron oxides. Biotite occurs as brown crystals constituted by a homogenous mixture of the extreme terms of its group, compatible to the granulite facies. Chlorite is rich in iron; the magnesium and aluminum present could have their origin related to the metamorphism of iron-rich pelyte sediments. Zircon appears as rounded crystals, suggesting to be a detrital mineral in the former pelytes which would have suffered metamorphism up to the granulite facies. Other inclusions are compatible to the regional lithologies. the fluid inclusions appear as negative crystals showing hexagonal contour and elongated channels; in many cases show a parallelism feature to the host crystallographic directions. Microthermometric measurements revealed that the inclusions are mostly constituded of 'CO IND.2' and that fusion temperatures are equal or below -56°C. The 'CO IND.2' homogenezation temperatures varied from -25 to +25°C, the low temperatures being representative of the original fluids. Histograms built based on microthermometric data indicate that the inclusions with higher density are compatible to conditions of the granulitic facies , while the lower density ones point out to late events. Field work demonstrated that the granulitic gneiss with intercalations of quartzite and ultramafic rocks are the prevailing lithotypes in the region. Notwithstanding the fact corundum so far has not been found within the source rock, field evidence and laboratory data suggest the source as the granulitic bodies underlying the deposits. The corundum and the other constituents lack of roundness as well as the heavy minerals present emphasizes this hypothesis. Solid inclusions identified within the corundum crystals, are represented by minerals compatible to metamorphism of middle to high grade underwent by the pelyte sediments. The fluid inclusions, carbonic in essence, are also compatible to an anhydrous environment necessary to generate the regional granulitic rocks. Features exhibited by fluid inclusions observed in the Barra Velha corundum, are similar to those reported on Sri Lanka deposits where corundum stems from regional granulites.

Tipos de pedras semi-preciosas

Tipos de pedras semi-preciosas


Tipos de pedras semi-preciosas
Há muitas pedras semipreciosas extraídas de peças de joia fina

Ao pensar em joias finas, a maioria das pessoas pensa em diamantes, rubis, safiras e esmeraldas. No entanto, existem muitas pedras semipreciosas que são igualmente belas e procuradas por colecionadores de joias finas. Elas não só são brilhantes e cintilantes, como também custam menos do que as quatro pedras preciosas.

Topázio

Thomas Northcut/Photodisc/Getty Images
Descoberto cerca de 2.000 anos atrás, o topázio tem várias cores, como marrom, rosa, verde, vermelho e a mais popular, azul. O topázio é utilizado como a pedra de dezembro. Acredita-se que a palavra “topázio” origina-se da antiga palavra grega “topazos”, que significa “pedra verde”. Nos últimos anos, a pedra de topázio amarelo, chamada citrino, tornou-se popular como peça de joia.

Ametista

Thomas Northcut/Photodisc/Getty Images
A ametista é membro da família do quartzo. Devido à sua ampla disponibilidade, essa pedra semipreciosa é relativamente barata. Ela pode ser extraída no México, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Rússia, Itália e Alemanha. Na verdade, a maioria dos gemólogos pode determinar quando a pedra originou-se com base nos elementos químicos menores encontrados em cada cristal regional. Ela é a pedra do mês de fevereiro.

Aquamarine

Thomas Northcut/Photodisc/Getty Images
Designada como a pedra do mês de março, a aquamarine é membro da família do cristal de berilo. Também é um presente tradicional para o 16º e 19º aniversário de casamento. A cor varia de um azul pálido a um tom verde-água. Atualmente, essa pedra semipreciosa é extraída no Brasil, Rússia, Paquistão e partes da África. Diz a lenda que os marinheiros carregavam uma pedra de aquamarine para evitar o enjoo.

Granada

Thomas Northcut/Photodisc/Getty Images
Embora possa variar a cor entre amarelo, verde, roxo e laranja, as granadas vermelhas são as mais procuradas. A palavra “granada” vem da palavra grega “garanatus”, que se refere a uma romã. As granadas foram as pedras mais usadas em joias vitorianas. Elas também são populares entre os praticantes de "New Age" (Nova Era) pelas propriedades de cura e poderes mágicos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Desenvolvimento sustentável e garimpo - o caso do Garimpo do Engenho Podre em Mariana, Minas Gerais

Desenvolvimento sustentável e garimpo - o caso do Garimpo do Engenho Podre em Mariana, Minas Gerais

(Sustainable development and garimpo - the case of the Engenho Podre Garimpo in Mariana, Minas Gerais)
 
 



RESUMO
Esse artigo avalia uma atividade garimpeira, garimpo de ouro do Engenho Podre, com base nos princípios de desenvolvimento sustentável. Esse estudo partiu da hipótese de que a implementação de um sistema de gestão ambiental, compromisso assumido pela Cooperativa dos Garimpeiros de Mariana (COOPERGAMA), na assinatura de um termo de ajuste de conduta, associado a uma melhora no desempenho técnico operacional, é possível, sendo que tal atividade pode ser levada adiante de forma sustentável com foco no tripé ambiental, econômico e social. Embora ainda marginal, do ponto de vista técnico, a COOPERGAMA adotou, durante o período de estudo, práticas ambientais e socio-econômicas em atendimento aos princípios de desenvolvimento sustentável. Entretanto aspectos administrativos, falta de investimentos e desorganização da cooperativa, entre outros fatores, ainda afetam a sustentabilidade de tais práticas a longo prazo. Esse artigo mostra que, uma vez adotadas as boas práticas ambientais e administrativas, é possível atender aos princípios de desenvolvimento sustentável numa atividade garimpeira.
Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, garimpo de ouro, meio ambiente.

ABSTRACT
Based on sustainable development principles, this paper evaluates artisanal gold mining activity in Engenho Podre. This study followed the hypothesis that the implementation of environmental management according to a conduct adjustment agreement firmed by the Cooperativa dos Garimpeiros de Mariana (COOPERGAMA), associated with operational performance improvement would permit continuation of this activity in a sustainable way from the environmental, socioeconomic and cultural point of view. Although still illegal, from the technical point of view, the artisanal mining at Engenho Podre is adopting environmentally-accepted strategies to promote reasonable socioeconomic development. However, administrative issues and lack of investments still affect the sustainability of such practices in the long-term. This paper shows that when good administrative and environmental practices are adopted, it is possible to meet the sustainable development principles in an artisanal mining activity.

Keywords: Sustainable development, artisanal gold mining, Environment.




1. Desenvolvimento sustentável e mineração
A definição de desenvolvimento sustentável é multidimensional. A primeira dimensão enfatiza a sustentabilidade do ambiente natural, que inclui a qualidade ambiental e o estoque dos recursos naturais. A segunda destaca a sustentabilidade econômica dos padrões de vida da sociedade. Segundo Eggert (2000), sustentabilidade econômica, no que diz respeito às atividades de mineração, envolve a transformação de capital mineral em capital humano. A ONU adota o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que incorpora dados da renda bruta doméstica, do nível de educação, da expectativa de vida e de outros fatores relacionados com o desenvolvimento econômico. A terceira dimensão ressalta a sustentabilidade social e cultural. Mais difícil de medir, essa dimensão envolve o que é justo ou ético - conceitos sobre os quais há maior dificuldade de concordância entre as partes envolvidas. Eggert (2000) foca essa dimensão em duas questões principais - distribuição e processo. A distribuição dos benefícios e custos de uma mineração, por exemplo, pode não ser justa ou equitativa. Especificamente, os benefícios vão para os acionistas e para os governos (taxas) e, por outro lado, os custos associados são transferidos para a comunidade local na forma de rupturas sociais, riscos ambientais ou perda da identidade cultural. Processo, por outro lado, refere-se ao modo como decisões são tomadas e o papel das várias partes interessadas numa negociação. Nesse contexto, o processo de consulta e envolvimento das partes interessadas na tomada de decisão é fundamental para alcançar resultados socialmente e culturalmente sustentáveis.
Para promover o desenvolvimento sustentável, as empresas de mineração devem integrar as dimensões econômica, social e ambiental a suas atividades (Mikesell, 1994). Precisam mudar o foco de uma resposta ambiental end-of-pipe para um tratamento mais socialmente responsável. Devem forjar uma parceria com a comunidade com base no reconhecimento do potencial produtivo, social e cultural da comunidade, buscando uma melhoria do padrão de vida e de renda da comunidade envolvida, criando meios para a preservação de seus valores sociais e culturais (Epps & Brett, 2000). Finalmente, visto que as minas não duram para sempre, empresas de mineração têm sido orientadas em usar sua capacidade técnica/financeira para estimular governos locais no desenvolvimento de novos negócios não ligados à mineração (Khanna, 2000). Tal atitude, certamente, poderá propiciar aumento nos serviços de infraestrutura e maior ocupação da mão-de-obra existente, reduzindo a pressão econômica e social sobre a mina.
Cragg (1998) defende a adoção dos princípios de desenvolvimento sustentável no planejamento, operação e fechamento de uma mina como forma de tornar a atividade defensável e acreditável a longo prazo. James (2000), por sua vez, ressalta que, para a mineração atender aos princípios do desenvolvimento sustentável, seus negócios devem ser tratados com foco no tripé - preservação ambiental, crescimento econômico e social - dentro de sua estratégia de negócios.
A difusão dos princípios de desenvolvimento sustentável trouxe três grandes conseqüências para a mineração. Primeiro, levou à inclusão dos aspectos culturais, econômicos e sociais de um projeto de mineração para as comunidades locais, desde a fase de exploração, até o pós-fechamento de uma mina (Clark & Clark, 1996; Miller, 1997; Munchenberg, 1998). Atualmente, a consideração ambiental envolve não somente a preservação de um ecossistema e a garantia de segurança da comunidade. O foco mudou para uma visão mais ampla do bem-estar humano e dos direitos dos habitantes locais, passando a se preocupar com a qualidade de suas vidas e com as gerações futuras. Segundo, os princípios de desenvolvimento sustentável demandam a consideração de crescimento econômico e preservação ambiental desde o início de um projeto proposto. Terceiro, incluem a avaliação, em nível de projeto, dos valores morais e de ética, bem como levando em consideração valores subjetivos da comunidade, ao invés de apenas, enfatizar o tradicional valor econômico.
Os elementos anteriormente listados são intrinsecamente ligados e sugerem que o desenvolvimento sustentável seja avaliado numa escala mais ampla do que no nível de uma mina individual. A mineração deve, portanto, maximizar sua contribuição ao desenvolvimento sustentável numa escala maior. Em termos práticos, significa minimizar os impactos ambientais e maximizar os ganhos econômicos e sociais obtidos da explotação de um recurso mineral. A questão crítica está em se atingir um equilíbrio sustentável. Simplesmente maximizar os retornos econômicos e sociais não contribuirá para o desenvolvimento sustentável. O progresso nestes três itens varia consideravelmente, especialmente na questão social, ainda pouco desenvolvida, como exemplificado por Warhurst, Macfarlane al. (1999).

2. Estudo de caso
O garimpo do Engenho Podre é operado pela Cooperativa Regional Garimpeira de Mariana - COOPERGAMA, criada em 17/04/2004 para extração de ouro por draga no Rio Gualaxo do Norte (Figuras 1). Em 2005, após paralisação de suas atividades pela FEAM, a COOPERGAMA conseguiu reabrir o garimpo através de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), o qual envolveu a FEAM, o IGAM, o DNPM e o Ministério Público. O TAC incluía, entre outras medidas a serem tomados pela COOPERGAMA, a elaboração e apresentação do Relatório de Pesquisa e do Plano de Aproveitamento Econômico (PAE) ao DNPM e dos Planos de Reabilitação de Degradadas (PRAD), de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental (RCA) à FEAM. Em adição aos consultores contratados para elaboração dos referidos planos, a COOPERGAMA foi também assistida pelo Departamento de Engenharia da Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, via projetos de pesquisa financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), com base nos editais de demanda induzida para formalização de Aglomerados Produtivos Locais (APL's).
A atividade garimpeira na região existe desde a chegada dos Bandeirantes há mais de 300 anos. Intensa entre 1700 e 1750, pode-se afirmar que, desde então, o garimpo tem demonstrado sustentabilidade enquanto atividade importante para a economia e cultura da região. Embora historicamente minimizador de pressão social, o garimpo, dado ao conjunto de práticas administrativas e ambientais inadequadas, está distante de atender aos princípios de desenvolvimento sustentável. Desse modo, o presente estudo buscou avaliar a contribuição do garimpo de ouro para o desenvolvimento sócio-econômico e cultural de Monsenhor Horta (Mariana - MG) e suas implicações ambientais e tecer as relações entre Desenvolvimento Sustentável e a atividade garimpeira.

3. Metodologia
O presente trabalho consistiu em duas etapas. Uma envolveu o levantamento de dados sócio-econômicos do Garimpo do Engenho Podre, por meio de entrevistas com garimpeiros, cooperados (proprietários das dragas), visitas à Prefeitura de Mariana para coleta de informações sobre o Distrito de Monsenhor Horta, de forma a permitir uma avaliação da importância do garimpo no Distrito e seu impacto econômico e social. A outra consistiu na análise dos procedimentos operacionais e de gestão do garimpo e suas implicações no aproveitamento do recurso mineral e no meio ambiente.

4. Resultados e discussão

4.1 Diagnóstico sócio-econômico
Uma análise dos dados coletados no garimpo demonstrou:
Baixa faixa etária dos garimpeiros. A idade média de 25 anos, inferior à média nacional (33 anos), segundo BARRETO (2000). Os garimpeiros de Monsenhor Horta começam mais cedo que os do quadro nacional. A proximidade do garimpo do Distrito de Monsenhor Horta e a atratividade do ganho fácil que tal atividade desperta nos jovens do local podem se constituir na razão pelo referido fato. A outra é cultural - a atividade garimpeira faz parte da cultura local há mais de 300 anos (75% dos garimpeiros do Engenho Podre são de gerações de garimpeiros).
Baixo grau de escolaridade. Os analfabetos representam 23% do total de garimpeiros, sendo os demais distribuídos em primário (62%), médio (14%) e superior incompleto (1%). Embora Monsenhor Horta também possua ensino médio noturno, a baixa escolaridade dos garimpeiros é justificada pela dificuldade de acesso à escola (os garimpeiros passam a semana no garimpo, distante 30 km do Distrito). A baixa escolaridade, por outro lado, pode justificar a atração pelo garimpo. De um modo geral, o garimpo não requer mão-de-obra qualificada, tampouco melhor nível educacional. Mais ainda, a grande oferta de vagas geradas nas mineradoras da região tem pouca influência no garimpo, visto ser a exigência de segundo grau completo para tais vagas um ponto de corte considerável.
Renda média mensal alta dos garimpeiros. No período do estudo, a COOPERGAMA possuía 22 cooperados, que operavam 26 dragas no rio Gualaxo do Norte, com cinco a seis funcionários em cada, os quais recebem 5% da produção bruta de ouro. A produção da COOPERGAMA contabilizada de 15 de março a 15 de novembro de 2006 é apresentada na Tabela 1. A produção média mensal do Garimpo do Engenho Podre correspondeu a 9,1 kg de Au. Considerou-se, para os cálculos da receita gerada, o valor do grama de ouro em R$ 40,00 (valor de venda no garimpo). Dessa forma, pode-se chegar a uma renda líquida média de R$ 624,28 por garimpeiro por mês. Os garimpeiros pesquisados têm em média três anos na atividade, com um turno de trabalho de 8 horas e 5,5 dias de serviço por semana. Aproximadamente, 85% dos garimpeiros são responsáveis pela renda familiar e corresponde a 26% da população do distrito de Monsenhor Horta.


Pode-se, também, observar a participação da COOPERGAMA em projetos sociais via doação financeira para construção da igreja na localidade de Ponte do Gama, manutenção da ambulância do distrito, ajuda à banda local nas festividades de comemoração dos 170 anos de sua fundação e apoio aos eventos religiosos.
4.2 Diagnóstico operacional da atividade garimpeira
O processo de extração de ouro adotado no Garimpo do Engenho Podre é rudimentar e predatório, com perdas consideráveis na recuperação do ouro, decorrentes da ausência de uma pesquisa mineral sistemática, e da falta de planejamento de extração e do uso de equipamentos rudimentares e mal dimensionados (Figura 2). Estudos conduzidos no Departamento de Engenharia de Minas da UFOP demonstraram que a recuperação de ouro no garimpo varia entre 30 a 35%. Razões para a baixa recuperação incluem a utilização de equipamentos rudimentares (sluices), o baixo nível educacional dos garimpeiros, o amadorismo administrativo com implicações na disponibilidade de peças para reparo, manutenção e reposição de motores e bombas e a falta de suporte técnico. Esses aspectos implicam uma utilização predatória e não sustentável, do ponto de vista técnico e econômico da reserva mineral.




4.3 Diagnóstico ambiental da garimpagem no rio Gualaxo do Norte
O diagnóstico ambiental possibilitou concluir que, em todo o processo de extração, separação, concentração, amalgamação e queima do amálgama, há inúmeros impactos ambientais e consideráveis riscos à segurança e à saúde dos garimpeiros. Os impactos ambientais incluem a supressão da mata ciliar, assoreamento do rio Gualaxo do Norte e aumento da turbidez decorrente do lançamento do rejeito das calhas diretamente no leito do rio, vazamento de óleo e graxas, perda de mercúrio na amalgamação e queima do amálgama ao ar livre sem utilização de retortas. A almagamação e a queima do amálgama, em adição à ausência de condições higiênicas adequadas (instalações sanitárias, bebedouros etc.), além da presença de alojamentos insalubres constituem os itens de riscos à saúde e segurança dos garimpeiros.
Mudanças no processo produtivo foram executadas durante a vigência dos projetos de pesquisa apoiados pela FAPEMIG e geraram resultados positivos, tanto na produção, como na minimização dos impactos ambientais e na redução dos riscos à saúde e à segurança. Entre essas mudanças, destacam-se a criação de um laboratório para amalgamação, a coleta seletiva de lixo, a instalação de caixas com espuma para captação de óleos e graxas, que vazavam dos motores e reservatórios e o lançamento dos rejeitos dos sluices em catas desativadas.
Tais mudanças, cujos objetivos foram amenizar os impactos ambientais e atender às solicitações constantes no TAC, foram plenamente aprovadas e adotadas no garimpo. A construção do laboratório de amalgamação buscou atender a duas solicitações. Uma ambiental, que visava a minimizar o lançamento de mercúrio nas margens do rio, e a outra visava a concentrar a produção em determinado local, de forma a melhorar o controle da produção por parte da COOPERGAMA e maximizar o recolhimento do percentual da cooperativa. Uma secretária foi contratada para esse trabalho.
As demais mudanças tiveram foco na minimização dos impactos ambientais da atividade. Vistorias ambientais posteriores, executadas pela FEAM, comprovaram o sucesso dessas medidas.
Uma alteração no processo produtivo, entretanto, faz-se necessária para aumentar a recuperação do ouro. No entendimento dos pesquisadores envolvidos, o que realmente ocorre no garimpo é uma mudança do ouro de local, uma vez que os sluices apresentavam baixa recuperação. Entretanto modificações no processo envolvem recursos financeiros para aquisição de equipamentos tecnologicamente mais adequados e treinamento dos garimpeiros. Outro projeto submetido e aprovado pela FAPEMIG, que inclui a substituição dos equipamentos, está sendo adotado no garimpo.

5. Conclusões
A atividade garimpeira é vista como degradadora do meio ambiente e do recurso mineral, por ser predatória e rudimentar, além de não dispor de um planejamento das operações de extração do minério. As instalações de tratamento/concentração são pouco eficientes, possibilitando baixa recuperação do bem mineral. O mesmo se faz sentir no Garimpo do Engenho Podre, onde, além dos problemas ambientais inerentes da operação, ocorrem perdas superiores a 40% na recuperação, segundo estudos efetuados no Departamento de Engenharia de Minas da UFOP.
Segundo Barreto (2001), os principais impactos gerados, na etapa de produção do ouro em garimpos, são: desmatamento de mata ciliar; turbidez, assoreamento dos rios, poluição por mercúrio nos solos, nos sedimentos, nas águas dos rios e no ar, com conseqüências na saúde ocupacional, na biota e na flora. Esses impactos foram verificados no Garimpo do Engenho Podre, embora a poluição por mercúrio tenha sido controlada, após a implantação de um programa de gestão ambiental, que incluiu a construção de um laboratório de amalgamação, queima do amálgama em retorta e disposição controlada do rejeito da amalgamação. O programa de gestão ambiental aplicado ao Garimpo do Engenho Podre constitui uma das etapas em busca da sustentabilidade ambiental da atividade na região.
Embora marginal, do ponto de vista técnico, a atividade garimpeira desenvolve um papel importante como geradora de emprego e aumento de renda, conforme dados econômicos apresentados. Os garimpeiros ligados à COOPERGAMA representam apenas 10% da população de Monsenhor Horta, mas, por outro lado, a atividade é forte geradora de riquezas para o distrito com grande impacto no comércio local, além do apoio financeiro da cooperativa em projetos sociais e culturais no local.
O desenvolvimento sustentável incorpora estratégias ambientalmente adequadas para promover um desenvolvimento sócio-econômico mais eqüitativo. No Garimpo do Engenho Podre, verifica-se que os funcionários envolvidos, mesmo aqueles menos alfabetizados, possuem um poder de compra alto, quando comparados com os dados do quadro nacional, onde aqueles com o mesmo nível de educação ganham apenas o correspondente a um salário mínimo.
Está em andamento um projeto, na FAPEMIG, de transferência de tecnologia, aprovado dentro do Edital de Arranjos Produtivos Locais - APL's de base mineral. Esse projeto está sob a coordenação de professores do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto e visa, além de montagem de instalações de beneficiamento mais eficientes, ao planejamento de extração do bem mineral e à implantação de um sistema de gestão ambiental.
Paralelamente, o Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa está envolvido num projeto de revegetação de mata ciliar na área do Garimpo, o qual também obteve apoio financeiro da FAPEMIG. Os projetos da UFOP e, agora, da UFV, em parceria com a COOPERGAMA, demonstram uma mudança de mentalidade dos garimpos em prol de uma atividade mais satisfatória do ponto de vista ambiental e sócio-econômico - ferramentas imprescindíveis para o desenvolvimento sustentável da atividade.