quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Brasileiro descobre pedra rara no quintal de casa

Brasileiro descobre pedra rara no quintal de casa

Uma só formação reúne seis variações de cristais. Peça, de duas toneladas, tem qualidade jamais vista, segundo geólogo.


De um lado, uma ponte inacabada. Do outro, uma estradinha empoeirada de terra – único acesso até uma cidade simples e tranquila. Mas embaixo da terra está escondido um tesouro: a maior jazida do mundo de ametista, uma pedra preciosa.

O município de Ametista do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul, é o maior produtor mundial da pedra que, na região, está por toda parte: nas lojas, nas paredes da igreja e, principalmente, nos sonhos dos moradores.

No friozinho gaúcho, a família Tressi está de pé logo cedo. No fogão a lenha, a artesã Claraci Tressi prepara o café da manhã. O garimpeiro Miguel Tressi, marido dela, revela o que pensa quando acorda: "Geralmente, penso em garimpar e achar uma pedra que renda bem". Volta e meia, ele acha uma. Cada pedra é um cômodo a mais na casa.

"A história da cozinha é assim: eu achei uma pedra, fui à loja e comprei o material. Eu mesmo construí", conta o garimpeiro. Quanto mais ele acha pedras, maior a casa fica.

E a igreja também vai ficando cada vez mais abençoada, graças aos fiéis que tiram o sustento nas minas. Por fora, a Paróquia de São Gabriel, padroeiro da cidade, é uma construção como outra qualquer. Mas, por dentro, a decoração deve ser a única do planeta. As paredes são cobertas de ametistas. São 40 toneladas de pedras. A pia de batismo é uma concha de ametista gigante. A campanha para revestir a igreja durou cinco anos.

"Era algo emocionante. Muitas vezes, via aquelas mãos calejadas, de pessoas sofridas, mas que traziam com amor e alegria. Diziam que era pouco, mas de coração, para colocar na parede da igreja", lembra o padre Gilberto Giacomoni.

Tanta fé e disposição sustentam a pequena cidade gaúcha. Ao todo, 95% da economia giram em torno da pedra preciosa. O garimpo dá o sustento. Em compensação, arrasta os jovens para os subterrâneos da cidade. Andrei Tressi, filho de Miguel e Claraci, acaba de completar 18 anos e já entrou na profissão. Para a mãe, uma mistura de preocupação e orgulho.

A mina fica a poucos minutos da casa da família Tressi. É um buraco na encosta da montanha. A galeria começou a ser aberta há 22 anos. Os garimpeiros só conseguem avançar de dois a três metros por mês. Hoje ela já tem 350 metros de profundidade. É lá que está enterrada a esperança de Miguel. O trabalho deles é encontrar a pedra que a natureza escondeu há milhões de anos.

O garimpeiro conta que um ventilador joga ar limpo para dentro da mina. Mesmo assim, o ar é meio pesado. "A gente já não estranha mais", diz Miguel. Quanto mais avançamos, mais vai ficando abafado e perigoso, porque é um labirinto de antigas jazidas já exploradas.

No túnel apertado, carrinhos levam para fora a parte que não interessa: uma montanha de pedras nada preciosas e muito pesadas. Trabalho duro, resolvido na broca e no braço. Para vencer a rocha, Miguel fura e enche o buraco de pólvora. É o momento mais tenso e perigoso. Antes de explodir, Miguel tira o capacete. Tempo de pedir proteção. Logo depois da explosão, ele mostra os geodos encontrados. Geodo é a parte oca da rocha com o cristal de ametista dentro. É o que eles tanto procuram. Deram sorte.

"Foi um tiro de sorte", avalia Miguel. Mas o jovem filho dele não parece tão animado. "O trabalho é perigoso. O cara sempre tem um pouco de medo. Eu queria ver se conseguia outra profissão, trabalhar em uma firma. Queria deixar o garimpo", conta Andrei.

Mas, mesmo na terra do tesouro, não existem muitas opções, e a necessidade fala mais alto. Em outra mina, ali perto, os garimpeiros acabam de descobrir uma ametista gigante. É um casulo de um 1,8 metro, do tamanho de um homem. Os três trabalharam mais de oito horas. A pedra já havia sido cortada e estava quase solta.

O geodo de ametista visto por fora chega a ser feio, ainda mais coberto de lama. A beleza só aparece quando a pedra é cortada ao meio. Do garimpo, a pedra vai para uma oficina. No fundo da mina, o cheiro de óleo diesel do carrinho torna o trabalho ainda mais penoso.

Depois de milhões de anos escondido pela natureza, o cristal brilha pela primeira vez. Quanto mais escuro o tom de lilás mais valiosa a ametista.

As ametistas e outros tipos de cristais se formaram há cerca de 120 milhões de anos, quando uma intensa atividade vulcânica cobriu de lavas uma extensa área no sul do Brasil. Quando esfriou, a lava endureceu e deu origem ao basalto, uma rocha escura. No interior de alguns tipos de basaltos ficaram aprisionadas bolhas gasosas, que deram origem aos geodos em suas várias formas.

Os garimpeiros calculam que a ametista vá render R$ 5 mil para eles. É pouco, diante de tanto trabalho, e quase nada, se comparado com o valor da pedra nas joias vendidas no mundo inteiro.

Foi-se o tempo em que esposa de garimpeiro ficava em casa ou trabalhava na roça. Há três anos, a Cooperativa Ametista Solidária é uma opção de renda na cidade, com pouca chance de emprego.

A cooperativa trabalha quase sempre com pedras desprezadas pelos garimpeiros. São pedras que eles encontram, mas acabam jogando fora. É o talento dos artesãos que transforma lascas e cascalhos quase sem valor comercial em joias. A artesã Claraci Tressi, mulher de Miguel, faz colar. "A gente plantava milho, feijão, soja. Lá o serviço era pesado e agora é bem leve. Só é difícil fazer a montagem e o acabamento da joia", conta.

A artesã Shaina Winques vem de uma família de garimpeiros. Ela se emociona ao falar do pai, que trabalha nas minas desde os 12 anos. "Eu tenho orgulho de dar acabamento nas pedras que meu pai encontra. Ele faz um trabalho duro, e dar um retorno para ele é uma satisfação muito grande", diz.

A cooperativa também emprega ex-garimpeiros, vítimas da silicose, uma doença causada pela poeira aspirada no trabalho das minas. A silicose diminui a elasticidade dos pulmões, por isso, é conhecida popularmente como pulmão de pedra.

"Na realidade, a gente adquire silicose no garimpo por falta de informação. No meu caso, foi isso", conta o presidente da cooperativa, Alcione Batista.

A doença chegou a atingir 20% dos garimpeiros da cidade. O Ministério do Trabalho apertou a fiscalização e exigiu que as minas se modernizassem, principalmente no sistema de ventilação e no uso de água nas brocas, para evitar o pó. Muitos garimpos estão interditados, até que cumpram as normas. Outro problema é para o meio ambiente.

"Em alguns casos, o rejeito da mineração chega a fechar córregos. Mas nosso trabalho junto à cooperativa e aos proprietários de garimpo é para que isso não ocorra", explica o engenheiro de minas Anderson Oliveira.

Existem dois projetos de reaproveitamento do rejeito. "O primeiro é usar o rejeito para encascalhar estradas de chão vicinais ao município. O segundo é aproveitar o rejeito moído para remineralizar o solo, jogando em alguns cultivos como parreiras, cítricos, milho, soja", adianta Anderson Oliveira.

A cidade onde a riqueza aparece do nada está construída sobre uma imensa rede de túneis. As escavações do garimpo avançam quilômetros por baixo da terra. Bem embaixo dos pés, pode ser que algum garimpeiro esteja trabalhando. É comum ouvir o barulho e até sentir em casa o tremor das explosões, mas ninguém reclama. No fundo, todo mundo tem a esperança de um dia encontrar um tesouro no quintal. E isso já aconteceu, bem na casa do comerciante Alcedir dos Santos.

O homem de sorte mostra o local exato da descoberta. Alcedir guarda em casa a peça especial: duas toneladas, 13 cabeças e seis variações de cristais. São todos os minerais encontrados em Ametista do Sul em uma só formação.

"Eu quero R$ 500 mil por essa peça. Depois que cair nas mãos de alguém com um certo interesse, não sabemos quanto pode valer. É única, jamais foi encontrada uma peça desse porte na região", diz Alcedir.

O Globo Repórter mostrou imagens da pedra para o geólogo Jürgen Schnellrath, do Centro de Tecnologia Mineral, no Rio de Janeiro. "Realmente, é um exemplar extremamente interessante. Eu nunca tinha visto algo parecido. Já vi diversos geodos de ametista. Mas não nessa formação específica – com todos esses geodos de alguma forma interconectados, apresentando qualidades diferentes do seu preenchimento. Com certeza, nunca mais irá ser encontrada uma pedra com o mesmo tamanho e qualidade. É realmente espetacular", avalia.

"Eu acho que isso é sorte, foi um presente de Deus", comenta Alcedir, que não pretende vender a casa onde mora.

Minas criam empregos em um dos lugares mais pobres do Piauí

Minas criam empregos em um dos lugares mais pobres do Piauí

Opala muda a vida de famílias e movimenta a economia de Pedro II. Cuidado com a segurança e com o meio ambiente são novidades para os garimpeiros.


Carnaubeiras a perder de vista. Cenários naturais belíssimos. No norte do Piauí fica o município de Pedro II, mais conhecido como a cidade das opalas. As minas de tesouro mudaram o destino dos moradores.

Isso é que é pedra preciosa! A opala, rainha das cores, gera empregos, sustenta famílias e movimenta a economia de uma cidade inteira. Esse mineral que fascina joalheiros do Brasil e do mundo é encontrado, com alta qualidade, em apenas dois lugares do planeta: na Austrália e no Piauí. A riqueza era explorada no passado por grandes mineradoras, que deixaram prejuízos ambientais gigantescos.

Há quatro anos, 150 garimpeiros fundaram uma associação e legalizaram 90% dos terrenos, onde catam o que sobrou para ganhar a vida. E estão ganhando. Eles encontram opala no rejeito desprezado pelas mineradoras 40 anos atrás.

"No lixão todinho tem opala", garante um garimpeiro.

Sorte mesmo, porque muitos garimpeiros morreram cavando as minas de opalas da região. Placas sinalizam os novos tempos: "proibido morrer". O cuidado com a segurança e com o meio ambiente são novidades.

"Hoje em dia temos que trabalhar respeitando o meio ambiente. Vamos retirando o que aproveitamos e compactando para fazer reflorestamento. Não degradamos mais de maneira desordenada como era feito no passado", assegura o presidente da cooperativa dos garimpeiros, José Cícero Oliveira.

Quase todos os garimpos da região são a céu aberto. Mas não é porque as opalas aparecem na superfície. Primeiro são usados os tratores, que cavam buracos imensos, e só depois os garimpeiros começam a trabalhar. A frente de lavra, como eles chamam, tem dez metros de profundidade por cem de comprimento. Nas camadas coloridas de terra e argila, os garimpeiros usam a alavanca em busca das opalas.

"O material é sensível. Com a picareta não dá certo, porque pode quebrar tudo. Já perdemos opala por causa da picareta. Uma pedra pode mudar a vida de todo mundo, dependendo da quantidade, do tamanho. Todos estamos no garimpo atrás dela", diz o garimpeiro Ednaldo Silva.

A maior de todas as opalas foi encontrada por Raimundo Galvão, o seu Mundote, ex-garimpeiro que hoje é empresário. A opala de 4,75 quilos está no Museu de História Natural de Londres.

Há 34 anos, as opalas não tinham o valor que têm hoje. Seu Mundote vendeu barato e fiado a pedra preciosa. "Não tinha valor nenhum. Hoje eu não queria uma pedra daquela, porque não preciso daquele tanto de dinheiro. Hoje, R$ 1 milhão é pouco para aquela pedra", avalia o ex-garimpeiro.

Encontrar uma pedra grande, de muito valor, é o que move homens simples, que vivem da agricultura na época da chuva e correm pro garimpo durante a seca.

Cada garimpo tem um acampamento: uma espécie de base de apoio improvisada, onde eles fazem as refeições e também descansam nos momentos de folga. Eles levam para o acampamento o jeito de viver na roça.

Um dos pratos preparados pelo cozinheiro Antônio Freire é o baião-de-dois com ossada de boi caipira. Ele foi cozinheiro em São Paulo e voltou para trabalhar no garimpo. Melhor para os garimpeiros, que devoram o prato do dia.

Na cidade, os reflexos do garimpo: nas ruas de casas coloniais preservadas, as joalherias e oficinas se multiplicam. Nos últimos quatro anos, a produção de jóias aumentou seis vezes. Pedro II soube usar as opalas para melhorar a vida dos moradores. Jovens que antes teriam que ir embora para arrumar emprego hoje vão de moto para o trabalho.

Jardel Medeiros viu três irmãos partirem para tentar a vida em cidades grandes. Ele aproveitou a oportunidade e se tornou joalheiro. "Eu comecei quando não tinha nem bicicleta. Depois, comprei uma bicicleta e fui melhorando. Em seguida, comprei uma moto, casei, construí uma casinha, mobiliei. Hoje estou bem estruturado. É bastante gratificante ter essas conquistas na vida", ressalta o lapidário, que aprendeu o ofício com um mestre de mão cheia. Juscelino Araújo Souza foi lapidário. Hoje é empresário e vende joias para o país e o exterior. Ele é testemunha da transformação que aconteceu em Pedro II.

"Durante muito tempo as opalas foram extraídas no município e comercializadas em estado bruto ou algumas apenas lapidadas. A grande mudança foi quando resolvemos investir na produção de joias, na transformação de produtos para o turismo local e também para a venda em outras cidades, ganhando mercado pelo país", conta o empresário.

Mais de 1,5 mil empregos foram gerados e o dinheiro das pedras passou a circular na cidade. Outro pioneiro deu um novo uso às opalas. Benedito de Souza, o Bené do Tucum, criou joias usando um coquinho da região cravejado com as pedras preciosas. Ele virou um grande exportador. "Acima de 100 mil peças já foram feitas e comercializadas com opala e tucum", conta o empresário.

Nada se perde. Caquinhos recolhidos no garimpo se juntam em pequenos mosaicos e formam joias multicoloridas. Uma marca de Pedro II. É assim, aproveitando cada pedacinho, cada oportunidade, que o município lucra com as opalas.

Pedra brasileira vale mais que diamante

Pedra brasileira vale mais que diamante

Turmalina paraíba foi descoberta há 20 anos, em São José da Batalha (PB). Pedra tem um azul único e um brilho incomparável.


Serra da Borborema, região do cariri paraibano. A imensa cordilheira que corta a caatinga tem muito mais do que beleza. Na região foi descoberta a mais especial e rara das pedras preciosas: a turmalina paraíba. De um azul único, brilho incomparável, alcançou valores nunca imaginados. Um recorde: a turmalina brasileira superou a cotação dos diamantes.

Um caminho de terra e poeira é a ligação da cidade do tesouro com o resto do mundo. Em São José da Batalha, o berço das turmalinas, nada mudou com a descoberta das pedras tão valiosas. O povoado segue a rotina sem pressa e sem novidades. Os moradores
apenas assistiram a riqueza ser levada para bem longe do local. As turmalinas permanecem nas histórias que alimentam muitos sonhos na região.

"Muita gente teve pedras valiosas na mão", conta o ex-garimpeiro Antônio Carlos Costa.

"Uma pedrinha dessas custa de R$ 8 a R$ 10 mil. Não me desfaço dela. Fica como lembrança, para as pessoas verem o que eu faço na vida. Pelo menos fica para os netos, bisnetos, tataranetos. E a história continua", diz o ex-garimpeiro Gerlado Oliveira.

Os moradores guardam mágoa de um passado em que a riqueza esteve bem perto, ao alcance das mãos deles. Mas naquele tempo a turmalina paraíba não tinha o valor que tem hoje.

"Ninguém sabia o valor, entoa, trocava por moto, carro. E assim mandaram tudo para fora", conta Geraldo Oliveira.

E é atrás da história de persistência e obstinação que se vai ao encontro do garimpeiro José de Souza, conhecido por Deda. Dá para imaginar que o homem que ocupa uma casa tão modesta já morou na melhor casa da cidade? Ele já foi dono de caminhões, de um bom carro, de minas de garimpo. Tudo comprado com o dinheiro das turmalinas que achou. Mas hoje a cobiçada pedra azul não passa de um retrato na parede.

"Não tenho ideia de quanto a pedra valeria hoje, mas eu não entregaria a ninguém por menos de R$ 2 milhões. Tenho esperança de que vou conseguir outra", diz Deda, que vai em busca da pedra da fortuna. A caminhada é longa. São seis quilômetros até a mina. Basta seguir por um túnel.

O garimpeiro não teve dinheiro para pagar a energia e tem que trabalhar no escuro, à luz de velas. A mina tem 150 metros de extensão.

"Na realidade, dá para ver o mínimo. Mas não tem outro jeito", conta o garimpeiro, que não tem medo de perder a turmalina no meio da escuridão. "Trabalhamos de olho nela".

Não importa se é dia ou noite, o caçador solitário de turmalinas cava sem parar. A maratona continua empurrando o carrinho.

De carregamento em carregamento, todo o material é retirado de dentro da mina. São toneladas de cascalho. O rejeito da mina cobriu toda a encosta do morro. Deda conta que são oito anos de suor no local. "Meu pensamento fica em Deus", diz.

Caulim é uma argila branca, onde os garimpeiros encontram as turmalinas. Na primeira mina de turmalina da região, uma galeria gigantesca está desativada. Exploração agora, só com máquinas.

"É impossível calcular, mas, pela experiência que temos, ainda não foram explorados 10% dessa mina", conta o minerador Sérgio Barbosa.

As galerias têm passagens para todos os lados e chegam a 60 metros de altura.

E pensar que a mais rara das pedras preciosas foi encontrada em uma região marcada pela aridez, em uma terra considerada pobre, que não serve para plantar. A primeira turmalina paraíba foi descoberta a sete metros de profundidade, 20 anos atrás, graças à obstinação de um homem: Heitor Barbosa, que o Globo Repórter foi conhecer em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Heitor Dimas Barbosa é o dono da mina de São José da Batalha. Todas as pedras que ele guarda vieram de lá. Com orgulho, mostra revistas estrangeiras onde é citado como o homem que descobriu a raríssima turmalina paraíba, em 1982. Era tão bonita e diferente que até comerciantes de joias achavam que não era verdadeira.

"Falavam que era sintética", lembra Heitor Barbosa, que não desistiu. Enviou amostras do mineral ao Gemological Institut of America, nos Estados Unidos, que comprovou: era uma turmalina com cobre e manganês na composição, o que dá o azul especial. Heitor Barbosa diz que não ficou rico porque vendeu as pedras por valor muito baixo e aplicou todo o dinheiro na mina de São José da Batalha, mas garante que ainda vai enriquecer. "Eu tenho uma convicção muito forte de que ainda vou encontrar uma pedra acima de três quilos", diz.

A mina do tesouro, em São José da Batalha, fica em uma região onde não existem empregos. Homens arriscam a vida diariamente nas profundezas da terra.

O local de trabalho do garimpeiro José Tadeu Taveira fica a 60 metros de profundidade. O jeito é colocar o capacete e encarar uma escada. "Não tem perigo", garante Tadeu, que enfrenta esse expediente todo dia.

Os garimpeiros trabalham sempre em dupla: um retira o caulim com a picareta e o outro recolhe com a pá. É também uma medida de segurança. Em caso de desmoronamento, um pode socorrer o outro.

"O perigo está sempre por perto", diz José Tadeu.

Mais perto do que se imagina. Durante a entrevista, uma barreira desabou.

"Na época da chuva é perigoso porque dá infiltração e começa a desabar", explica José Tadeu.

O desmoronamento foi em uma parede. Por precaução, as escavações estão suspensas nas galerias mais profundas.

O professor José Adelino Freire, do Departamento de Minas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), alerta: o garimpo de São José da Batalha é uma atividade arriscadíssima. "Quem trabalha lá corre risco de morte. Acho que a universidade deve atuar nessas áreas e orientar os garimpeiros para que eles façam uma exploração mais racional", diz o professor.

O garimpeiro Geone de Sousa escapou de morrer graças ao colega que estava com ele e foi buscar socorro. "Caiu uma barreira quando eu estava embaixo, suspendendo a bomba. Quando escutei o barulho, não deu tempo de correr. Caiu por cima de mim. Eu quebrei o fêmur em dois lugares", conta Geone, que retornou ao trabalho com oito pinos na perna e contando com a proteção divina.

Top 10 pedras preciosas mais caras do mundo

Top 10 pedras preciosas mais caras do mundo


Algo que podemos verificar com bastante facilidade, é o fato de que há uma grande quantidade de pessoas que acabam por ter interesse em obter jóias, no entanto, acabam por não entender os seus valores que são bastante elevados, e é justamente por isto que iremos citar os valores e o nome das pedras preciosas mais caras do mundo para que assim você consiga entender os valores das jóias.
Grandes magnatas e sheiks pagam uma fortuna para ter pedras raras e, claro, ter a exclusividade de ter uma jóia com uma pedra de poucas quantidades descobertas no planeta. Os valores são inestimáveis para um mineral de proporções tão pequena. Confira:
10°

Jeremejevite

Jeremejevite pedra preciosa
A pedra preciosa que ficou em décimo lugar como a mais cara do mundo é a Jeremejevite sendo que a sua pronuncia correta seria Ye-Rem-ay-Ev ite e esta seria conhecida como uma pedra céu azul ou até mesmo incolor, sendo que possui uma alta qualidade e teria vindo da Namíbia. O seu preço médio é de 2000 dólares por quilate.

Opala Preto

opala preto
A nona pedra é a Opala Preto, sendo que esta teria vindo da Austrália, e é considero como o país clássico desta pedra, sendo o maior fornecedor, no entanto o seu preço médio é de aproximadamente U$ 2.355,00 dólares o quilate da pedra.

Esmeralda Beryl Red

Beryl Red Emerald
A oitava pedra mais cara do mundo seria a Esmeralda Beryl Red , sendo que se trata de um berilo vermelho, é encontrado principalmente na Faixa de Thomas nas montanhas de Utah, e o seu preço médio seria de aproximadamente U$10 mil por quilate. O valor é estimado por se tratar de uma pedra extraída de rochas vulcânicas sob baixa pressão e alta temperatura.

Musgravite

Pedra Musgravite
Já a sétima pedra seria a Musgravite, uma das pedras mais raras do mundo, pois se trata de um mineral de silicato sendo que a sua composição seria de berilo, magnésio e também alumínio, e o seu preço médio seria de aproximadamente 35 mil dólares por quilate.

Grandidierite

Pedra Grandidierite

A sexta pedra seria a Grandidierite, um mineral verde azulado que é encontrado principalmente em Madagascar, inicialmente seria confundida com um serendibite. A pedra possui um preço aproximado de U$50 mil por quilate da pedra.

Painite

Pedra Painite
A quinta pedra seria a Painite. Ela sempre foi considerada como o mineral mais raro da terra, mesmo com os avanços nas pesquisas de hoje, apenas três pequenos cristais foram encontrados até agora, porém, claro, sempre há a esperança de explorar e encontrar uma quantidade maior. A principal motivação é o preço médio é de aproximadamente U$50.000,00 a U$60.000,00 o quilate da pedra.

Garnet Azul

Garnet blue
O quarto lugar ficou reservado para a Garnet Azul, pedra valiosíssima que pode ser encontrada em diversas cores, no entanto, a mais rara de todas seria a azul, que foi descoberta em Madagascar, o seu preço médio de venda é de U$1.5 milhão o quilate. A pedra ficou conhecida após a venda de uma jóia de 4,2 quilates por U$6,8 milhões de dólares.

Serendibite

Pedra Serendibite
O terceiro lugar é da Serendibite, uma pedra na cor turquesa originaria do Sri Lanka, e a sua composição seria de cálcio, magnésio, alumínio, sílico e boro. Foram encontrados apenas 3 cortes da raridade até os dias atuais, e claro, o valor do quilate não poderia deixar de acompanhar a quase-exclusividade de se ter uma pedra preciosa dessa. O preço por quilate é de aproximadamente 1,8 milhões de dólares.

Diamante vermelho

Red daimond diamante vermelho
O segundo lugar ficou reservado para o diamante vermelho (Red Diamonds). Por se tratar de uma preciosidade de valor inestimável, já foi produto de roubo em diversos filmes de ficção na telinha. Poucas pessoas tiveram a oportunidade de apreciar a sua beleza, o seu brilho e a cor viva do vermelho arroxeado. É considerado como o diamante mais caro do mundo, e sua extração é de origem australiana. O seu preço médio é de 2,5 milhões de dólares por quilate.

Jadeite

pedra Jadeite
E para finalizar, a pedra mais cara do mundo é a Jadeite. O titulo é em razão do histórico leilão que a vendeu em um jóia de apenas 0,5 milímetros por 9.3 milhões de dólares em Hong Kong. Ela é considerada com uma pedra misteriosa, mistica por alguns, e sua origem seria da Guatemala, mas possui diversos exemplares que vieram da Califórnia, e a suas cores seriam branco ou então acinzentado. Sendo assim, podemos verificar que o quilate da pedra pode custar aproximadamente 3 milhões de dólares.


A NOVA CORRIDA A SERRA PELADA

A NOVA CORRIDA A SERRA PELADA
No local onde existiu o maior garimpo do mundo, ainda há muito ouro. Em 2013, esse tesouro começará a ser explorado de forma organizada e com o uso de tecnologia moderna
Vinte e cinco anos depois do fechamento do maior garimpo do mundo, Serra Pelada voltará a produzir ouro. No lugar dos 100.000 homens de todas as partes do Brasil que se amontoaram nos terraços enlameados de uma cratera cavada no sul do Pará em busca do metal precioso, em condições precárias, haverá máquinas modernas operadas por funcionários com carteira assinada e protegidos por equipamentos de segurança.

Nos anos 80, a terra retirada no garimpo era carregada em sacos no ombro dos garimpeiros e a escavação se fazia com pás e picaretas (Foto: Luis Novaes - 1982 / Folhapress)
Nos anos 80, uma cena bíblica: a terra retirada no garimpo era carregada em sacos no ombro por milhares de garimpeiros, e a escavação se fazia com pás e picaretas (Foto: Luis Novaes – 1982 / Folhapress)
Em vez de garimpeiros agachados em frente a uma fogueirinha fervendo mercúrio em uma panela para separar as partículas de ouro da terra, serão utilizados complexos processos não poluentes de decantação, flotação e fundição para produzir barras de ouro de 25 quilos com 80% de pureza.
Nas próximas semanas, a mineradora canadense Colossus Minerals, que está investindo 700 milhões de reais em Serra Pelada, concluirá a medição da reserva ainda intocada, que escapou às escavações artesanais dos garimpeiros na década de 80.
SEM MERCÚRIO -- No processo industrial, a separação será feita com técnicas não poluentes como a decantação e a fundição -- na foto, em fase experimental (Foto: Antonio Milena / Milenar)
SEM MERCÚRIO — No processo industrial, a separação será feita com técnicas não poluentes, como a decantação e a fundição — na foto, em fase experimental (Foto: Antonio Milena / Milenar)
Em 2010, quando a cooperativa dos garimpeiros ganhou do governo federal o direito de retomar a exploração de seu tesouro, os técnicos do Ministério de Minas e Energia estimaram em 50 toneladas a quantidade de ouro ainda existente no local. Se o cálculo se confirmar, será mais do que se conseguiu extrair nos sete anos em que o garimpo funcionou, entre 1980 e 1987 (40 toneladas).
Os velhos métodos, contudo, não servem mais. O ouro remanescente encontra-se misturado em uma camada de argila, a 200 metros de profundidade, que se estende a sudoeste da cratera aberta nos anos 80.
Os garimpeiros não sabiam disso e, depois de retirar o ouro que estava mais próximo à superfície, continuaram cavando na vertical. Em vão.
Eles já não conseguiam encontrar uma quantidade significativa do minério e acabaram atingindo um lençol freático, que começou a inundar o garimpo. O governo, então, mandou interromper as atividades no local.
COM MERCÚRIO -- Na década de 80, os garimpeiros usavam metal tóxico para isolar o ouro das impurezas (Foto: Claudio Laranjeiras)
COM MERCÚRIO — Na década de 80, os garimpeiros usavam metal tóxico para isolar o ouro das impurezas (Foto: Claudio Laranjeiras)
Para retomar a exploração, a cooperativa teve de criar a Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, uma joint venture com a empresa canadense. Os 38.000 garimpeiros cooperados não precisarão fazer nada além de dividir entre si 25% dos lucros da operação.
Na Vila de Serra Pelada, situada no município de Curionópolis, há uma gameleira de 15 metros de altura que serve de ponto de encontro de homens que há trinta anos sonham com a reabertura do seu Eldorado.
A árvore ganhou o apelido de “Pau da Mentira”, por causa das histórias improváveis contadas à sua sombra, mas bem que agora poderia ter seu nome mudado para “Pau da Esperança”.
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José Mariano dos Santos, de 58 anos, acredita que a nova fase de Serra Pelada poderá garantir a ele e seus colegas uma renda mensal de 20.000 reais. No passado, Santos chegou a acumular 411 quilos de ouro, o equivalente a 47 milhões de reais em valores atuais, o que fez dele o segundo homem mais rico do garimpo.
Esbanjou tudo em festas, em viagens extravagantes e em investimentos desastrados. Hoje ele sobrevive do salário mínimo que recebe como aposentadoria.
Os representantes da mineradora se preocupam com as expectativas dos seus sócios brasileiros. “Não temos dúvida de que esta mina tem potencial para se tornar uma das mais produtivas do mundo, mas infelizmente não será capaz de enriquecer esses 38.000 homens”, diz a canadense Ann Wilkinson, vice-presidente da Colossus.
ALAGADA -- Na cratera escavada nos anos 80, os garimpeiros que eram donos de "barrancos" contratavam outros homens para ajudá-los a retirar a terra com ouro. O lago que se formou no local tem uma área equivalente à de dois estádios do Maracanã (Foto: Antonio Milena / Milenar)
ALAGADA — Na gigantesca, impressionante cratera escavada nos anos 80, os garimpeiros que eram donos de “barrancos” contratavam outros homens para ajudá-los a retirar a terra com ouro. O lago que se formou no local tem uma área equivalente à de dois estádios do Maracanã (Foto: Antonio Milena / Milenar)
Para atender à remuneração sonhada pelos garimpeiros, a mineradora teria de atingir uma média de extração anual dez vezes a das principais minas do mundo. Isso é impossível, mesmo com a alta concentração de ouro que os técnicos estão encontrando em Serra Pelada.
A média confirmada até agora é de 20 gramas de ouro por tonelada de terra. Em comparação, a média na maior mina em operação no Brasil, em Paracatu, em Minas Gerais, é de 0,45 grama por tonelada.
Durante a fase de prospecção, os geólogos descobriram que as imagens de enormes pepitas de ouro, que ajudaram a fomentar a corrida a Serra Pelada nos anos 80, não se repetirão. Essas pedras já eram raras naquele tempo, e, agora, mais ainda.
Cada terraço retangular é um "barranco", medida de propriedade dos garimpeiros na década de 80 (Foto:  Grislaine Morel / Gamma)
Cada terraço retangular é um “barranco”, medida de propriedade dos garimpeiros na década de 80 (Foto: Grislaine Morel / Gamma)
O ouro em pó que sobrou está diluído no solo argiloso. Para que se chegue aos pontos de maior concentração do metal, foi construído um túnel de 1 600 metros de extensão e 5 metros de largura.
Mesmo que haja alguma pepita em meio às 150 toneladas de terra que serão recolhidas diariamente por pequenas escavadeiras, ela acabará triturada no processo mecânico de separação do metal.
A dificuldade técnica e o alto custo da extração na “nova” Serra Pelada são compensados de duas formas. Primeiro, o ouro não é o único tesouro do local.
Há quantidades significativas de platina e paládio, metais de grande valor industrial e para a confecção de joias. “Só são conhecidas outras duas minas no mundo onde o ouro vem acompanhado desses metais”, diz o presidente da Colossus, o canadense Claudio Mancuso.
NOVA ILUSÃO -- O garimpeiro José Mariano dos Santos, o Índio, achou 411 quilos de ouro, tornando-se um dos homens mais ricos de Serra Pelada (no detalhe, no auge). Perdeu tudo. Ele sonha em receber 20.000 reais mensais com a parcela que lhe cabe na repartição dos lucros da mineradora com a cooperativa dos garimpeiros
NOVA ILUSÃO — O garimpeiro José Mariano dos Santos, o Índio, achou 411 quilos de ouro, tornando-se um dos homens mais ricos de Serra Pelada (no detalhe, no auge). Perdeu tudo. Ele sonha em receber 20.000 reais mensais com a parcela que lhe cabe na repartição dos lucros da mineradora com a cooperativa dos garimpeiros
A segunda compensação é a crescente demanda pelo ouro, motivada pela desvalorização do dólar e pela instabilidade nas bolsas de valores. No ano passado, o metal acumulou uma alta de 16%, enquanto o índice Bovespa caiu na mesma proporção, e os bancos centrais compraram 440 toneladas de ouro, quase seis vezes mais do que em 2010.
O aumento da procura fez o preço da onça troy (equivalente a 31 gramas) saltar de 300 dólares, em 1998, para 1 310 dólares, na semana passada, com o dólar a mais de 4 reais o ouro aqui no Brasil explodiu, está valendo 160,00 reais, ou seja um kilo 160 mil reais, nada mau começar a garimpar.
Da preferência dos investidores do século XXI à febre que levou milhares de brasileiros a abandonar a família para tentar a sorte em Serra Pelada nos anos 80, o ouro é desejado por uma razão simples. Ele é raro. Todo o ouro já extraído no planeta, 160.000 toneladas, caberia em apenas 64 piscinas olímpicas.