sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A Rota da Seda e a mineração

A Rota da Seda e a mineração




O que a mineração tem a ver com a Rota da Seda?

Aparentemente tudo.

Pelo menos é o que pensa Si Xinbo o VP do Silk Road Fund Co. Segundo Xinbo o fundo poderá cooperar e até financiar aquisições e o desenvolvimento de minas ao longo da Rota da Seda.

A Silk Road ou Rota da Seda é uma rota ancestral que levava o comércio de vários países à China ao mesmo tempo em que difundia a cultura chinesa. Esta rota estabeleceu, por mais de mil anos, um importante elo, ao longo de mais de 6.000km, entre a Ásia e a Europa, incluindo a Pérsia, Arábia, Egito e norte da África.

Após a era Mongol a Rota da Seda desapareceu.

Mais tarde, com a ferrovia China Cazaquistão, Mongólia e Rússia a Silk Road teve um novo alento que agora, o Governo Chinês está reativando e ampliando.

Daí a criação do gigantesco Silk Road Fund Co um fundo com um orçamento de US$40 bilhões que pode mudar a geografia do comércio mundial.

Segundo o fundo a Rota da Seda irá criar grandes oportunidades para a mineração já que ele tem capacidade de financiar desde a exploração mineral até a lavra e aquisição de infraestrutura e CAPEX em regiões que sem a Rota da Seda continuariam isoladas e pobres.

Se você acha que a Rota da Seda vai continuar com o mesmo formato como o da foto que mostra parte da rota no Passo do Taldyk, pode esquecer.

Segundo os chineses a nova rota da Seda vai englobar estradas, ferrovias e hidrovias, reativando a marinha mercante chinesa. Ela vai atingir mais de 40 países e criará um comércio de mais de US$2,5 trilhões eclipsando tudo o que conhecemos até então.

Vai ser mais um gigantesco passo no sentido da consolidação da economia global chinesa e a mineração terá uma importante contribuição a dar.
Prepare-se!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sondagem identifica interseções de alto teor em mina de ouro da Serabi

Sondagem identifica interseções de alto teor em mina de ouro da Serabi



A Serabi Gold publicou, nesta quarta-feira (21), os primeiros resultados da campanha de sondagem de superfície da mina de ouro São Chico, em Tapajós, no Pará. A mineradora identificou várias interseções de alto teor de ouro, que apontaram o potencial em profundidade do veio principal da mina, com resultados incluindo um metro com 242,68 gramas de ouro por tonelada.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Dona Lia e seu Marão

Dona Lia e seu Marão
Passagens da história do velho garimpeiro e de sua inseparável esposa com a qual ele enfrentou a dura lida da vida, visitas de onça e tentações assombrosas 

Seu Marão é um diamante. À primeira vista é bruto como a pedra. Bastam, no entanto, alguns segundos de convívio para a impressão se desfazer rio abaixo. É um homem carismático, atencioso, muito, muito engraçado. Gosta de visitas. Adora conversar, contar histórias de onça e assombração. Seus olhos brilham quando lembra da noite em que uma “pé-fofo” cheirou-lhe os pés na loca onde dormia (leia O caso da onça, abaixo) e das aventuras com dona Lia, por quem se apaixonou quando menino. Tinha 11 anos. O pai era conservador, não dava folga à filha. Namorar, nem pensar. Conversavam com os olhos – adivinhavam um ao outro. 

Mário cresceu e virou garimpeiro. Filho de agricultor, preferiu a pedra à planta. “O diamante é mais ligeiro”, alega. Em meados do século passado, o garimpo entrou em baixa e ele pegou a estrada para São Paulo. Voltou dez anos depois – cansara da cidade grande e morria de saudades da menina, então moça formosa. Homem feito, alto, “reforçado”, com fama de valente, impressionava as mulheres. Assim, casou com Lia, discreta, miudinha, uma figura – finge que não presta atenção mas não perde uma palavra do marido. “Ela bicou pra mim”, diz ele, às gargalhadas. Dona Lia o ajudava na lavra, fazia café, “quentava” a bóia, cuidava da loca onde passavam as noites. “Foi de lá que ele veio”, conta, cabeça baixa, voz sumida, referindo-se a Zé Mário, herdeiro da paixão do pai pelas pedras. “Sabe tudo”, diz Maria Luiza, falando do irmão. 

Segundo ambos, o pai poderia ter ficado rico com o que ganhou no garimpo. No entanto, gastou quase tudo em farras e nos forrós que organizava em sua casa, debruçada no ribeirão. Suas festas ficaram famosas. A folia seguia até o nascer do sol. Vez em quando dona Lia substituía o sanfoneiro com seu “pé-debode” – sanfoninha de oito baixos – mas gostava mesmo era de dançar. Seu Marão não tolerava casais agarradinhos. Falta de modos. Respeito. Um dia, alguns jovens o confrontaram, aconchegando demais as meninas. Enfurecido, ele correu à cozinha, pegou um facão e voltou num pulo à sala, riscando o chão ao redor. Não deu outra! Um disparou porta afora, outros, pela janela, sumiram todos no breu da noite. 

O VELHO GARIMPEIRO, com sua bateia de madeira no Ribeirão Vermelho e num raro instante de seriedade, ao lembrar do passado (à direita)

Contam muitas histórias sobre ele. Dizem que atirava nos santos que não o atendiam. Certa vez, implorou a santo Antônio uma pedra grande no garimpo. Dona Lia sempre o esperava na janela – ele sempre vinha pelo rio. Naquele dia, voltou de cara amarrada e espingarda na mão. Temendo que destroçasse a imagem de sua predileção, de quase um metro de altura, com adornos dourados, ela a substituiu por outra, menor. Seu Marão foi direto ao oratório, engatilhou a espingarda mas..., refugou. Olhou, coçou a cabeça e disse: “Olhe, menino! Vá chamar seu pai que eu quero ter uma conversa com ele”. 

Valente com os homens, arrojado com os santos, ele não é o mesmo com as “coisas da noite”. Evita locais ditos assombrosos, sempre passa ao largo da gameleira sob cuja fronde, segundo ele, “o coisa-ruim concede audiência”. Seu Marão viu muita coisa estranha na vida: “Um homão torto na cabeceira da ponte, um vulto esquisito na tapera do Deodato, um menino passando por mim na direção do espantoso. Não sei o que o menino viu. Só sei que o chapéu dele inchou tanto que caiu da cabeça”. À parte o oculto, ele é respeitado pelo caráter, honestidade, coragem. 

“Meu pai passou 70 anos atrás de ouro e diamantes, mas a maior riqueza que ele nos legou foi o exemplo. Mostrou que não é preciso muito para ser feliz.” Seu Marão sabe que os tempos de garimpo já se foram, embora de vez em quando fuja de casa com a bateia na mão. É alguém que viveu intensamente. Um homem em paz consigo mesmo, com os seus e os outros. Não reclama de nada. Não trocaria a sua vida por outra. Não mudaria nada do que fez. Não quer saber de outro lugar além de Grão Mogol. É a sua terra natal, um lugar bonito, com gente hospitaleira, prédios coloniais, ruas estreitas, cortado pelo Ribeirão Vermelho. O acesso é difícil. Quando chove é um barro só e quando não, um poeirão. A cidade fica escondida no fundo do vale, ao pé da montanha. Quem chega vê mais telhados do que muros. Em todo lugar se respira pedra. Alguma coisa brilha. 

FEIRA LIVRE em Teófilo Otoni





FEIRA LIVRE em Teófilo Otoni: ao invés de frutas e hortaliças, mais de 100 barracas com pedras preciosas, bijuterias e artefatos variados
Nem tudo são flores (pedras), porém. A cidade onde Markham agora mora ainda é o principal centro lapidário do país, mas já foi maior. Há 20 anos, abrigava 2,7 mil oficinas. Hoje, restam 359. Havia cerca de 30 mil garimpeiros em atividade. Atualmente não passam de 500, segundo Robson de Andrade, presidente da Accompedras – Associação dos Corretores do Comércio de Pedras Preciosas de Teófilo Otoni. “Estamos caindo em rabo de égua”, diz ele, tratando logo de esclarecer a frase: “Rabo de égua só vai pra baixo”. São números significativos, segundo ele, considerando, também, o de vagas abertas no mercado: “São pelo menos dez empregos gerados por cada garimpeiro”, justifica, relacionando entre eles o lapidador, o serrador, o encanetador (“caneta” é um tubo em cuja ponta o especialista fixa a pedra que será lapidada em discos abrasivos), o polidor, o corretor (intermediário entre o garimpeiro e o comprador), o desenhista de jóias e o joalheiro além dos demais envolvidos na cadeia produtiva. 

Robson também reclama da legislação por favorecer, indiretamente, a “máfia do GPS” – expressão com a qual se designa os que usam aparelhos de GPS (sistema de posicionamento global via satélite) para “marcar” terrenos potencialmente produtivos em terras alheias e reivindicar o direito de explorá-los, adiantando-se ao proprietário da terra. A propósito, o subsolo brasileiro é propriedade da União. A concessão é dada a quem a peça primeiro e demonstre condições de exploração, desde que cumpra uma série de exigências (leia O que fazer, na última página). 

Robson aponta outra distorção no setor, de resto recorrente no país: exportar matéria-prima ao invés de produtos acabados, como ocorre com o café, o ferro, a soja, etc. Segundo ele, dá-se o mesmo com as gemas: o Brasil é responsável por 30% da produção mundial de gemas coradas (excetuando-se o diamante, que corre à parte), embora participe com apenas 4% do mercado internacional, que movimenta cerca de 1,5 bilhão de reais anualmente. “Israel não produz esmeraldas mas tá no topo do ranking mundial dos exportadores. Sabe como? Eles (os israelenses) vêm aqui, compram pedras brutas das mãos dos garimpeiros ou intermediários, lapidam e vendem as gemas (e jóias)”. (NR: ao eclodir a segunda guerra mundial, muitos ourives europeus de origem judaica emigraram para o Brasil. Com a recessão no mercado joalheiro internacional no pós-guerra, mudaram- se para o recém criado Estado de Israel. Lá, ajudaram a construir uma das maiores indústrias de lapidação do mundo, em grande parte com pedras brutas brasileiras. Eles falavam português. Tinham contatos aqui. Sabiam o caminho das pedras). 

O presidente do IBGM – Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, Écio Moraes, concorda com Robson nesse ponto. “Se um alemão, por exemplo, chega em Teófilo Otoni ou Valadares (Governador Valadares, palco da Brazil Gem Show, outra grande feira comercial de caráter internacional) e compra uma pedra bruta, ele sai do país com imposto de exportação zero. Se eu trago essa mesma pedra para lapidar (agregar valor) em São Paulo, pago 12% de ICMS”, compara. Em sua opinião, a tributação excessiva é o principal entrave ao desenvolvimento do setor – chega a 53%. Além de restrições de natureza tributária, Écio reclama da burocracia, capaz, segundo ele, de fomentar a informalidade, cujo índice ultrapassa 50% atualmente. Ou seja, mais da metade da produção e da comercialização de pedras preciosas no Brasil é feita por baixo do pano. Não se sabe ao certo quanto se tira do subsolo nem quanto se vende, muito menos o montante real nas transações. Problemas à parte, as exportações vêm crescendo 20% ao ano, de acordo com o IBGM – uma espécie de confederação de associações estaduais e empresas do setor. 

O mapa do tesouro

O mapa do tesouro

Principais áreas de ocorrência de pedras preciosas e metais nobres do Brasil. A sobreposição de cores identifica regiões potencialmente explosivas. Segundo levantamento, há mais de 200 garimpos em reservas indígenas