segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A influência gravitacional nos terremotos

A influência gravitacional nos terremotos




 

Nos últimos dias venho recebendo vários questionamentos de nossos usuários sobre os terremotos que parecem estar se intensificando. Muitos estão preocupados com o fato e querem saber se realmente existe uma maior incidência de terremotos e se o Brasil está, de alguma forma, em risco. Outros vão mais longe e querem saber se isso não é um presságio do fim do mundo...

O motivo do medo generalizado decorre do assustador terremoto de magnitude 8.4  na escala Richter, que ocorreu no dia 16 de setembro no Chile que para muitos é um sinal de que os sismos estão se intensificando.

Some-se a estes eventos as notícias de tsunamis, vulcões, aquecimento global e até mesmo dos pequenos sismos Brasileiros registrados recentemente no Nordeste e está configurado, para alguns, o cenário do fim do mundo.
A resposta que eu tenho, como um geólogo e estudioso do assunto é que terremotos são muito mais comuns do que a maioria das pessoas acredita e que estes acontecimentos náo caracterizam este cenário do Armagedon.

Veja os pontos abaixo e tire suas próprias conclusões:

A cada ano existem milhões de terremotos, de várias proporções, que afetam o nosso Planeta. A Terra é muito dinâmica e os movimentos ininterruptos das grandes placas tectônicas são os grandes causadores destes sismos.
Milhares de terremotos são contabilizados todos os dias, mas a maioria não são sentidos pelas pessoas (somente os acima de 2.0 são percebidos). No momento que escrevo este artigo um terremoto de 6.6 ocorreu a 80km da cidade de Fukushima na porção central do Japão. Não houve perdas humanas.

Sismos de grandes proporções, acima de 6.0, são mais raros, e quando próximos a cidades populosas, causam desastres, mortes e destruição.

Como a maioria da superfície terrestre é coberta por águas, gelo e por áreas despovoadas o número de sismos com perdas de vidas humanas é, relativamente, pequeno quando comparado ao número total de terremotos.

O que causa as grandes tragédias é a combinação dos seguintes fatos:
  • Magnitude do terremoto, medida na escala Richter. Trata-se de uma escala logarítmica: a cada ponto existe um multiplicador de 10. Ou seja: um terremoto de 8.0 é dez vezes mais forte do que um de 7.0.
  • Tipo de rocha afetada pelo terremoto. A devastação causada por um terremoto tem grande correlação com o tipo de rocha onde os prédios foram construídos. Se a rocha for sólida a tendência é de um menor número de problemas. Já no caso de construções sobre areias inconsolidadas, sedimentos aluvionares e deltaicos como foi o caso das áreas mais afetadas no terremoto de 1906 de S. Francisco (7.8), os efeitos são devastadores. Nestes casos é comum a liquefação do solo. Trata-se de um fenômeno onde os tremores induzem o solo rico em areias e água a se comportar como um líquido o que causa o afundamento dos prédios, pontes, viadutos, estradas etc... causando um grande número de mortes e prejuízos materiais.
  • Proximidade e profundidade do epicentro. A proximidade do epicentro de um terremoto das zonas urbanas é um dos principais motivos de destruição. O terremoto do Haiti, de 7.0, teve o seu epicentro a poucos quilômetros da Capital Port-au-Prince o que causou as grandes perdas de vidas, ao contrário do Chile onde o epicentro era profundo e localizado mais de 300km de Santiago.
  • Tipos de ondas de propagação: as ondas mais destrutivas de um terremoto são as denominadas ondas superficiais que trafegam na superfície e são relativamente mais lentas. Devido a sua baixa frequência essas ondas tem longa duração e maior amplitude causando as maiores destruições , danos e mortes. Ondas superficiais são análogas as ondas da água.  A propagação das ondas sísmicas varia com a densidade das rochas afetadas sendo elevada no manto (>13Km/s) e menores na crosta, onde variam entre 3 a 8km/s. É por intermédio de cálculos baseados na velocidade de propagação destas ondas que são calculadas as distâncias e profundidades dos epicentros.
  • Qualidade das construções afetadas: um dos pontos de maior influência no número de vítimas é o que se refere à qualidade das construções atingidas pelo terremoto. Observa-se que os terremotos que afetam o interior de países pobres como a China são, sempre, os mais devastadores. Esta devastação se relaciona, principalmente, a baixa qualidade das construções afetadas. A medida que novas normas de construção foram criadas nos países mais afetados por terremotos o número de mortes diminuiu consideravelmente. O Japão, após o sismo de Kobe, é o que mais leva a sério o assunto investindo enormes somas tanto na construção de novos prédios e obras de engenharia como nos planos e estratégias de resgate e salvamento de vítimas em áreas atingidas.

O terremoto com o maior número de vítimas ocorreu na China em Shaanxi em 23 de janeiro de 1556. O número de mortos deve ter superado o milhão. Foram contabilizadas 830.000 mortes e a destruição atingiu mais de 400km. Apesar da gigantesca proporção o USGS calcula que o sismo teve uma magnitude entre 8 e 9 na escala Richter. A incidência de ondas superficiais sobre construções antigas e despreparadas para enfrentar um terremoto desta magnitude foi o fator determinante na tragédia.
Já o terremoto de maior magnitude medida, ocorreu em 22 de maio de 1960 no Chile próximo a Valdívia a sul de Santiago, não muito distante deste terremoto de 27 de fevereiro. O terremoto de Valdívia teve sua magnitude medida em 9.5 na escala Richter e ocasionou a morte de mais de 6.000 pessoas, um número baixo se comparado à magnitude. O tsunami gerado na costa do Chile atravessou o oceano matando no Hawaii e no Japão a dezenas de milhares de quilômetros.

A influência das forças gravitacionais da Lua e do Sol em terremotos:

Um ponto que me parece nunca ter sido adequadamente discutido, na literatura técnica , é a correlação entre terremotos e o efeito gravitacional da Lua e do Sol sobre a Terra. Todos sabemos que a conjunção Lua-Sol tem enormes influências gravitacionais no nosso planeta causando marés de grandes proporções e, as menos conhecidas marés terrestres.

Por incrível que pareça a crosta terrestre, assim como os oceanos, também  é afetada pela força gravitacional da lua em conjunção com o Sol: a isso se chama maré terrestre. No equador a crosta pode ser deslocada 55cm pela influência gravitacional da Lua e Sol.
Trata-se de uma força significativa que, no nosso entender,  deve facilitar a ruptura de falhas ativas que causam os terremotos.

A força gravitacional causada pela massa do Sol e da Lua é enorme, elevando o nível dos mares a mais de 15 metros em certas regiões, como em Burntcoat Head no Canadá, durante a Lua nova, cheia e nos equinócios (Março e Setembro) quando o Sol cruza o plano equatorial terrestre.
Não podemos desprezar a imensa atração gravitacional no fenômeno dos terremotos.

No meu entender sempre me pareceu lógico que existisse uma correlação direta entre terremotos e a força gravitacional destes astros.

Desta forma, na tabela abaixo, é possível ver os 109 terremotos mais destrutivos desde 1900, juntamente com dados importantes como a localização, magnitude, número de mortes e, novidade, a fase da lua quando o terremoto ocorreu.

Surpresa!!

Este estudo preliminar que fiz mostra que a grande maioria dos terremotos ocorreram durante o equinócio (Março e Setembro) quando a Lua era Nova (35%)  ou Cheia (29%). Os números mostram que 64% dos 100 terremotos mais mortais desde 1900 estão relacionados a Luas nova e cheia. Trata-se de um número matematicamente significativo que corrobora a influência gravitacional como um fator importante na previsão dos terremotos.

O mês de março, onde ocorre o equinócio e as maiores marés,  é o que teve o maior número de grandes terremotos, 15, sendo que o dia 28 de março teve 3 grandes terremotos com vítimas.

Coincidência?
Acredito que não. Trata-se de uma ""ajuda extra"" causada pela atração gravitacional sobre a crosta facilitando o movimento das falhas e dos terremotos. Quando uma falha está próxima do rompimento a atração gravitacional criada por uma importante conjunção astral é o "catalizador" que faltava para que o terremoto venha a ocorrer. Como sabemos pelas leis da física é necessário uma grande energia para tirar um corpo do repouso. Mas, depois que esse corpo está em movimento a energia necessária para mantê-lo em movimento é muitas vezes menor.
Os terremotos vão continuar a existir enquanto houver placas tectônicas em movimento ou, em outras palavras, enquanto houver um gradiente de temperatura na Terra. Ou seja...por muito, muito tempo.
Quando a Terra for um planeta morto, gelado, com a superfície completamente aplainada pela erosão, somente então os terremotos deixarão de existir.
Data Fase da Lua Lugar  Mortes  Magnitude
28/12/1908 0 Messina & Reggio Calabria, Italy             70 7.2
26/12/2004 cheia  Sumatra, Indonesia   230.210 8.9
26/12/1939 cheia Erzincan, Turkey           327 7.8
25/12/1932 nova Gansu, China             70 7.6
20/12/1942 cheia Erbaa, Tokat, Turkey        3.000 7,0
16/12/1920 0 Ningxia-Gansu, China           200 8.6
13/12/1982 nova Dhamar, North Yemen         2.000 6,0
12/12/1946 0  Kinki-Shikoku  Japan           133 8.1
07/12/1944 0  Kinki  Japan        1.223 8.1
26/11/1943 nova Ladik, Samsun, Turkey        4.000 7.4
24/11/1976 nova Muradiye, Van, Turkey        3.840 7.5
23/11/1980 cheia Irpinia, Southern Italy        2.735 6.8
12/11/1999 nova Düzce, Turkey           894 7.2
10/11/1922 0 Atacama Region, Chile           100 8.5
30/10/1983 0 Erzurum, Turkey        1.155 6.9
28/10/2008 nova  Pakistan           215 6.4
11/10/1918 0 Puerto Rico, USA           116 7.5
08/10/2005 0 Kashmir, Pakistan             79 7.6
05/10/2008 0 Eastern Kyrgyzstan             75 6.6
04/10/1914 nova Burdur, Turkey           300 6.9
01/10/1995 0 Dinar, Afyon, Turkey             90 6.1
30/09/2009 0  Sumatra, Indonesia        1.115 7.6
29/09/1993 0 Latur-Killari, India        9.748 6.2
29/09/2009 0 Samoa Islands           189 8.1
19/09/1985 nova Michoacán, Mexico             95 8.0
08/09/1905 cheia Calabria, Italy        5.000 7.9
06/09/1975 nova Lice, Diyarbakır, Turkey        2.385 6.6
02/09/1992 0 Nicaragua           116 7.7
02/09/2009 cheia Java, Indonesia             79 7.0
01/09/1923 0   Great Kantō            143 7.9
31/08/1970 nova Iran     12.001 7.4
19/08/1966 nova Varto, Muş, Turkey        2.396 6.7
17/08/1999 0 İzmit, Turkey     17.118 7.6
17/08/1949 0 Karlıova, Bingöl, Turkey           450 6.8
15/08/1950 nova Assam-Tibet        1.526 8.6
15/08/2007 nova  Chincha Alta, Peru           519 8,0
09/08/1912 nova Mürefte Tekirdağ, Turkey           216 7.3
08/08/1953 nova Kefalonia, Greece           476 7.2
04/08/1946 0 Dominican Republic           100 8.0
29/07/1967 0 Caracas, Venezuela           236 6.5
27/07/1976 nova Tangshan, China   242.419 7.6
26/07/1963 0 Skopje, Republic of Macedonia        1.100 6.1
22/07/1967 cheia Mudurnu, Adapazarı, Turkey             89 7.2
17/07/1998 0 New Guinea, Papua New Guinea        2.183 7,0
17/07/2006 0  Indonesia           665 7.7
16/07/1990 cheia Philippines        1.621 7.9
09/07/1997 nova Cariaco, Venezuela             81 6.9
08/07/1971 cheia Illapel, Chile             85 7.5
27/06/1998 nova Ceyhan, Adana, Turkey           146 6.2
23/06/2001 nova  Peru             75 8.4
22/06/2002 cheia Qazvin Province, Iran           261 6.5
20/06/1943 cheia Hendek, Adapazarı, Turkey           336 6.6
31/05/1970 0 Peru             66 7.9
27/05/2006 nova Java, Indonesia        6.234 6.3
22/05/1971 nova Bingol, Turkey        1.000 6.9
21/05/2003 0 Boumerdès, Algeria        2.266 6.8
12/05/2008 0 Sichuan  China     69.197 7.9
06/05/1976 0 Friuli-Venezia Giulia, Italy           989 6.4
01/05/2003 nova Bingöl, Turkey           177 6.4
29/04/1903 nova Malazgirt, Muş, Turkey           600 6.7
25/04/1957 nova Fethiye, Muğla, Turkey             67 7.1
21/04/1935 0 Shinchiku-Taichū, Taiwan        3.279 7.1
19/04/1938 cheia Kırşehir, Turkey           160 6.6
15/04/1979 nova Herceg Novi, Dubrovnik, Montenegro, Croatia           136 7,0
06/04/2009 cheia Near L'Aquila, Abruzzo, Italy           294 6.3
01/04/1946 nova Unimak Island, Alaska, USA           165 7.3
31/03/1983 cheia Popayan, Cauca Department, Colombia           197 5.5
28/03/2005 cheia Nias region, Indonesia        1.303 8.6
28/03/1970 0 Gediz, Kütahya, Turkey        1.086 7.2
28/03/1965 0 La Ligua, Chile           280 7.4
25/03/2002 cheia Hindu Kush Region, Afghanistan           150 7.4
18/03/1953 nova Yenice, Çanakkale, Turkey           265 7.2
18/03/1964 cheia Prince William Sound, Alaska, USA           125 9.2
11/03/1933 cheia Long Beach, California, USA           115 6.4
07/03/1927 nova  Kyoto  Kinki region, Japan           302 7.6
06/03/1987 0 Napo Province, Ecuador        1.000 6.9
06/03/2007 cheia Sumatra, Indonesia             67 6.4
04/03/1977 cheia Bucharest, Romania        1.500 7.5
03/03/1985 cheia Valparaiso, Chile           177 7.8
02/03/1933 0  Iwate  Tōhoku  Japan           299 8.4
27/02/2010 cheia  Maule, Chile           796 8.8
24/02/2004 nova  Gibraltar           628 6.4
24/02/2003 0 Maralbexi  Xinjiang, China           261 6.3
22/02/2005 cheia Zarand, Iran           612 6.4
21/02/1963 nova Al Marj, Al Marj District, Libya           300 5.6
13/02/2001 cheia El Salvador           315 6.6
03/02/1931 cheia Napier, New Zealand           258 7.9
01/02/1944 0 Gerede, Bolu, Turkey        3.959 7.5
26/01/2001 nova Gujarat, India     20.085 7.7
25/01/1999 0 Quindio And Risaralda, Colombia        1.185 6.2
23/01/1981 cheia Sichuan, China           150 6.8
17/01/1995 cheia Southern Hyōgo , Japan        5.502 6.9
17/01/1994 0 Reseda, Los Angeles, California, USA             72 6.7
15/01/1944 cheia San Juan, Argentina     10.000 7.8
15/01/1934 nova Bihar, India           107 8.1
14/01/1907 nova Kingston, Jamaica        1.000 6.5
13/01/2001 cheia El Salvador           944 7.7
04/01/1970 nova China     15.000 7.7
02/01/2010 nova Haiti            233 7,0
27/02/2010 cheia Chile 507 8.8
12/01/2010 nova Haiti 316.000 7.0
11/03/2011 0 Japão 20.896 9.0
06/02/2012 cheia Filipinas 113 6.7
24/09/2013 0 Paquistão 825 7.7
01/04/2014 nova Chile 7 8.2
07/07/2014 0 Mexico/Guatemala

Real fraco faz Vale bater recorde em custo de produção do minério de ferro

Real fraco faz Vale bater recorde em custo de produção do minério de ferro



Publicado em: 26/10/2015 

A crise brasileira é péssima para muitos, mas pode sorrir para poucos.

É o caso dos exportadores de commodities que recebem em dólar e pagam os custos em real.

É o caso da Vale.

Neste último ano o real perdeu mais de 60% em relação ao dólar. Para a Vale isto significou uma queda substancial dos custos operacionais das minas brasileiras, quando convertidos em dólares.

É graças a essa enorme desvalorização que a mineradora celebra uma tonelada de minério de ferro com o menor custo operacional do mundo: US$12.7.

Com esse custo, que deve cair ainda mais com a entrada do S11D, a Vale é a mineradora mais competitiva do mundo.

O outro lado desta moeda é que a dívida da Vale, cotada em dólar, ampliou o prejuízo da empresa, que atingiu R$6,7 bilhões no trimestre.

A Vale continua, agora mais do que nunca, acelerando a sua produção. Com isso a mineradora pretende conquistar o espaço perdido pelas suas principais competidoras, que não estão mortas: o dólar australiano também sofreu uma forte depreciação em relação ao dólar americano e isso ajudou as mineradoras locais a reduzirem, também, os seus custos operacionais.

No trimestre a mineradora brasileira bateu todos os recordes de produção atingindo 88,225 milhões de toneladas de minério de ferro.

Polícia Federal prende 4 homens com R$ 460 mil em garimpo ilegal de MT

Polícia Federal prende 4 homens com R$ 460 mil em garimpo ilegal de MT

Ao todo, seis pessoas já foram detidas na região da Serra da Borda.
Exploração de ouro na área foi decretada ilegal pela Justiça Federal.


A Polícia Federal (PF) prendeu na tarde desta sexta-feira (23) mais quatro homens suspeitos de exploração ilegal do garimpo da Serra da Borda, localizado na região do município de Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá. Eles foram presos em posse de R$ 460 mil, dinheiro que teria relação com comercialização e extração ilegal de ouro encontrado na jazida. Os quatro deverão responder por crime ambiental e crime contra a ordem econômica, segundo o delegado Jesse James de Freitas.
O garimpo na Serra da Borda passou a ser explorado há aproximadamente dois meses, mas aJustiça Federal determinou o fim da extração de ouro no local na última segunda-feira (19)por não existir a devida autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Segundo a Justiça, a área deve ser evacuada, inclusive com uso de força policial, caso preciso.
O prazo dado pela polícia para que todos deixassem a área expirou na quarta-feira (21). Agora, os governos estadual e federal planejam uma operação para a retirada dos garimpeiros, mas acessos à região já foram fechados por policiais, resultando na diminuição significativa do número de garimpeiros na serra.
Ao todo, seis pessoas já foram presas no garimpo ilegal (Foto: Reprodução / TVCA)Ao todo, seis pessoas já foram presas no garimpo
ilegal (Foto: Reprodução / TVCA)
Contando com os quatro presos na tarde desta sexta-feira, até o momento a PF prendeu seis pessoas na região. Na quinta-feira (22), um homem foi preso com 33 gramas de ouro e encaminhado para a Cadeia Pública deCáceres, a 250 km da capital. Já na manhã desta sexta-feira, um outro homem foi detido com sete gramas de ouro. Ele foi encaminhado para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) de Pontes e Lacerda.
A PF e a Polícia Rodoviária Federal têm feito patrulhas na região para monitorar o movimento de pessoas e inibir a entrada no garimpo, bem como para instruir os garimpeiros já presentes a desocuparem a área voluntariamente. Entretanto, ainda há registro da chegada de pessoas à região da Serra da Borda. Nesta sexta-feira, cinco pessoas do estado do Amazonas desembarcaram no local e mais dois grupos daquele estado também são esperados.
Enquanto isso, os governos federal e estadual estão preparando uma operação de retirada do contingente de garimpeiros, estimado nesta sexta-feira entre 350 e mil pessoas. O governadorPedro Taques (PSDB) solicitou ao governo federal a presença da Força Nacional de Segurança. Ainda não há confirmação da chegada dos militares nem uma data para o início da operação. O estado deverá atuar na operação com suporte à ação federal e também devido aos desdobramentos da situação nos aspectos de segurança pública, ambiental e social.
Garimpeiros ainda insistem em chegar à região da Serra da Borda (Foto: Reprodução / TVCA)Garimpeiros ainda insistem em chegar à região
da Serra da Borda (Foto: Reprodução / TVCA)
Exploração regularizada
Em reunião realizada na quarta-feira (21) entre garimpeiros e o prefeito de Pontes e Lacerda, Donizete Barbosa (PSDB), foi solicitada a implantação de algum modelo - como uma cooperativa - para a exploração regularizada do ouro na Serra da Borda.

Uma comissão especial foi formada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso(ALMT) para averiguar a situação do garimpo in loco nos próximos 120 dias e estudar a viabilidade da autorização e/ou concessão, por parte da União Federal, para exploração das jazidas auríferas no garimpo. Paralelamente, o prefeito já está em conversação com o DNPM a respeito da licença de exploração aurífera na região.

Caboclo que viveu na cidade teria enterrado objeto na Estrada Real.

Caboclo que viveu na cidade teria enterrado objeto na Estrada Real.

figura1
Paradeiro de tesouro do século 18 intriga parte da população de Pitangui, na Região Central do estado. Caboclo que viveu na cidade teria enterrado objeto na Estrada Real
Toda vez que o escritor e compositor Jorge Mendes Guerra Brasil passa pelo trecho da quase tricentenária Estrada Real, que ligava o Centro-Oeste de Minas Gerais a Goiás, ele se lembra da saga de um tal João Antônio, caboclo cuja tradição relata que viveu no fim do século 18 na área rural da cidade histórica de Pitangui, fundada em 1715, a 130 quilômetros de Belo Horizonte. Por aquelas bandas, muita gente sonha em encontrar a garrafa abarrotada de ouro em pó que João enterrou num pedaço de barranco da antiga estrada.
“Lá se foram mais de 200 anos e não há confirmação de que a garrafa foi encontrada”, conta Jorge Mendes, que ganhou boa parte da vida como pedreiro antes de se dedicar à literatura e à música. Já o tal João, dizem aqueles que conhecem a saga do caboclo, sustentou a família com o que ganhava no garimpo. Faz sentido: Pitangui, com cerca de 25 mil moradores, foi fundada por bandeirantes paulistas que chegaram naquela terra depois de perderem a Guerra dos Emboabas (1707-1709) e migrarem para o interior atrás de pepitas do metal precioso.
Várias delas foram retiradas dos morros e ribeirões de Pitangui. João conhecia cada canto daquela região como as palmas de suas mãos. Dizem, inclusive, que ele escambava o ouro encontrado em feiras do Centro-Oeste mineiro. Mas nem tudo que o garimpeiro retirava do solo era trocado por alimentos, roupas e outras mercadorias. Quem conta é Jorge: “Ele trocava parte do ouro na feira, mas guardava uma quantidade numa garrafa, para garantir o futuro da família”
.
A garrafa de João, um dia, ficou cheia. “A história é a que o caboclo não sabia guardar segredo. Certa noite, numa roda de amigos, ele abriu o bico a respeito de seus planos e teria dito mais ou menos assim: ‘É gente, já tô com a garrafa cheia d’oro. Amanhã vô pra cidade vendê a mercadoria e, com o dinheiro, dá rumo na vida’. Dito e feito, no dia seguinte, João se pôs a caminho da cidade para cumprir o plano.”
Mas o garimpeiro, que morava na área rural, não chegou à feira de Pitangui. O caboclo percebeu que dois homens o seguiam e decidiu se esconder na vegetação às margens da estrada real. Talvez ele tenha se agachado nos arbustos ou até mesmo se escondido atrás do tronco de um jequitibá-rosa (cariniana legalis), o qual, garantem moradores da região, é a árvore mais antiga do Centro-Oeste mineiro, com cerca de 250 anos. A espécie pode chegar a 50 metros de altura, e há relatos de árvores cujo tronco mede quase 20 metros. O jequitibá-rosa mais antigo do Brasil está no parque estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro (SP), e tem aproximadamente 3 mil anos.
“Será que o João se escondeu atrás do jequitibá às margens da estrada real?”, questiona Jorge. O certo, continua o escritor, é que, de onde João estava, ele ouviu a conversa entre os dois sujeitos que o seguiam. “A dupla tramava um plano que deve ter arrepiado os cabelos do João. Queriam matá-lo para ficar com o tesouro. Ocorre que João enterrou a garrafa nesse trecho da estrada e os dois homens não conseguiram colocar o plano em prática. A intenção do garimpeiro foi deixar o ouro em pó enterrado por alguns dias até que pudesse retirá-lo em segurança. Dias se passaram, e o caboclo voltou lá, mas não encontrou o seu tesouro”, acrescenta Jorge.
MISTÉRIO Ninguém sabe se algum sujeito surrupiou a garrafa ou se João, temeroso com a possibilidade de ser morto e assaltado, ter se esquecido do lugar exato em que escondeu sua riqueza. É importante lembrar que aquele pedaço de chão era um caminho percorrido por muita gente, como tropeiros, pois era uma das principais estradas reais do Brasil colônia. Estrada real era todo caminho autorizado pela coroa portuguesa para o transporte de cargas. Em Minas, havia a estrada real que ligava Diamantina a Paraty (RJ) e ao Rio de Janeiro, a que ligava o Norte de Minas à Bahia, a que ligava Pitangui a Paracatu, entre outras.
Poucos trechos desses caminhos estão tão preservados quanto a que corta a cidade histórica do Centro-Oeste mineiro. O pequeno caminho continua com as mesmas características daquela época: chão batido e vasta vegetação no entorno. Alguns troncos atravessam a estreita estrada: “Quando passo por aqui observo atentamente os barrancos onde suponho que o tesouro esteja enterrado”, deseja Jorge, que gosta tanto da história que a publicou na obra Assim conta o mineiro, lançada no início do mês e que reúne causos e lendas da região, onde, ainda hoje, há quem procura ouro.
Poupança virou um bom negócio
Guardar pó de ouro em garrafas era algo comum na época em que João Antônio garimpava a vida na área rural de Pitangui, pois a rede bancária no Brasil colônia era bem diferente da atual, e a circulação de moedas era deficitária nos rincões do país. Pouca gente sabe, mas uma garrafa de ouro deu origem a uma das lojas mais tradicionais do comércio de Belo Horizonte.
Trata-se da Casa Salles, que funciona na esquina da Caetés com a São Paulo, no Centro da capital, e é especializada em armas e artigos para pescaria. A empresa foi inaugurada em 1881, antes da fundação de Belo Horizonte (1897), em Ouro Preto. Com a transferência da capital do estado da cidade histórica para o antigo arraial do Curral del-Rei, o então dono da loja, João Salles, optou pela mudança de endereço.
João Salles, antes de se transformar num empresário bem-sucedido, era funcionário de um comerciante na antiga Vila Rica. Quando seu patrão morreu, ele revelou um segredo à família do comerciante: João contou que o rapaz escondia três garrafas com pó de ouro no estabelecimento. Em agradecimento, a família do comerciante o presenteou com uma carta de crédito. E foi com esse recurso que João montou a Casa Salles (PHL).

Fatos & Boatos a respeito dos "Tesouros" de Pitangui

Fatos & Boatos a respeito dos "Tesouros" de Pitangui

Dos sentimentos humanos talvez o mais transformador seja o da cobiça, a história da humanidade nos traz inúmeros exemplos do que o homem já foi capaz de fazer para satisfazer seu desejo de riqueza e poder. A própria história de Pitangui tem seus exemplos, seja nos conflitos do século XVIII ou nas disputas políticas nos fins do século XIX. Foram disputas por algo concreto, lutou-se por um objetivo sabido e factível. Mas o que dizer de empenhar esforços atrás de um “tesouro” do qual praticamente nada se sabe, muito menos se realmente existe?

Nas minhas pesquisas em busca das diversas minas abandonadas de Pitangui, onde quero deixar claro que sempre busquei a riqueza histórica do município nunca me iludindo com a possibilidade de riqueza material, me deparei com um relato um tanto quanto curioso, a existência de uma carta que traria informações a respeito de um tesouro guardado em uma antiga mina. Diz a tradição oral que tal “tesouro” seria o espólio de um rico minerador que, estando enfermo, resolve partir para Portugal atrás de melhores recursos e sentindo que não teria condições de regresso, resolve escrever uma carta ao filho onde através de informações codificadas define o local exato da mina onde teria guardado toda a sua fortuna composta de cerca de 10 arrobas de ouro! Se considerarmos a grama do ouro a R$70,00 este “tesouro” representaria hoje o total de R$ 10.500.000,00 (dez milhões e quinhentos mil reais).

Esta carta teria chegado a Pitangui mas o herdeiro não teria sido encontrado. Por volta de 1920 esta carta estava nas mãos de um tal Joaquim Cesar da fazenda do Saco (esta fazenda realmente existiu) que a mostrou a um tal Juquinha Cecílio que era ferreiro e uma espécie de conselheiro local, estando presente naquele momento o Sr. João Moreno, este leu a carta e em 1969 teria registrado em cartório aquilo que seria o resumo do relato, sendo este resumo o que chegou aos nossos dias pois a carta na íntegra teria sido passada ao Sr. Oscar Aleixo que se mudou para Belo Horizonte onde veio a falecer. Não se soube mais desta carta.

O resumo diz o seguinte:

“DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SR. JOÃO MORENO EM 6 DE NOVEMBRO DE 1.969.”

“Diz ele o seguinte: - Que quando veio para Pitangui, no ano de 1.920 mais ou menos, estava rapazinho e freqüentava muito a casa do Sr. Juquinha Cecílio (ferreiro), pois estava namorando a Cecília, com a qual é casado, que certo dia apareceu lá um tal de JOAQUIM CÉZAR, morador da fazenda do Saco, mostrando para seu futuro sogro uma carta, já toda amarelada pelo tempo, que depois de lida, foi passada para ele, a qual relatava mais ou menos assim: -

(A CARTA ERA DE UM PORTUGUÊS ESCREVENDO DE PORTUGAL A SEU FILHO EM PITANGUI)

Meu querido filho João.

Tenho vida para poucos dias, DESCUBRA A BOCA DA MINA, QUE ESTÁ TAPADA DE PEDRA E TERRA SOCADA, tem FERRAMENTAS DE VALORES e mais ou menos de 10 a 11 arrobas de ouro, a BOCA DA MINA ESTÁ NA PONTA DA SERRA, “OLHO DO SOL”.

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A carta acima aludida, foi entregue mais tarde ao Sr. Oscar Aleixo (falecido), que era na época Coletor Federal em Pitangui.”


Não se sabe baseado em que outra informação um número expressivo de pitanguienses, acreditando no conteúdo da carta, se embrenharam na encosta da serra da Cruz do Monte e ali a golpes de picaretas foram em busca do tesouro deixado pelo minerador. Neste ponto são agregados ao relato um sem número de situações inexplicáveis tais como empurrões sofridos sem que ninguém estivesse perto do aventureiro escavador, ventanias em dias de clima estável e apagamento espontâneo da vela daqueles que se dispunham em uma aventura noturna pelo local e houve ainda quem me afirmasse que alguns se valeram de videntes, macumbeiros, pais-de-santo e todo tipo de “receptores do além” para conseguir encontrar o tal “tesouro”.

Acreditando ser a história fantasiosa demais, solicitei a Ricardo Lobato, que já havia me passado a cópia do resumo, que me levasse ao local no que fui atendido prontamente com a maior boa vontade. Paramos o carro no entroncamento da “Estrada Real” com a estrada da Cruz do Monte, justamente no local onde se localiza a placa indicativa daquela via histórica. Entramos na mata uns 5 metros acima e após percorrermos cerca de 40 metros nos deparamos com profundos cortes no relevo da serra, uma área com cerca de 60m2 de escavações. Nos dirigimos um pouco mais para a direita, contornando os cortes, e chegamos ao local onde se diz que até um ex-prefeito do município foi atrás de sua possível independência financeira. Trata-se de um buraco junto a uma encosta rochosa com cerca de 1,5 metro de profundidade e com duas pedras grandes na base, acredita-se que a boca da mina esteja por detrás destas duas pedras. As coordenadas obtidas com o GPS são: S 190 39’ 49.1” e WO 440 54’42.7” .


É admirável o trabalho feito no local, considerando-se que se trata de um terreno pedregoso e de difícil escavação, nota-se que foram dias de trabalho árduo para se encontrar apenas pedras e provavelmente carrapatos. Conta-se que contrataram o Lução, folclórica figura pitanguiense, para remover as pedras e numa atitude mais racional que a dos seus contratantes se eximiu daquela responsabilidade, longe de seus delírios etílicos foi capaz de perceber que estava ali apenas alimentando uma lenda pitanguiense.

A única coisa que posso afirmar com absoluta certeza é que meu detector de metais, que geralmente fica paranóico com o alto teor de ferro do solo pitanguiense, não emitiu um único sinal qualquer. Teria o meu aparelho encontrado um solo absolutamente estéril ou sofrido interferência do além?

Especial agradecimento ao Sr. Ricardo Lobato pelo fornecimento da cópia da carta e pela boa vontade em me acompanhar até o local.