sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Se o ouro é naturalmente amarelo, como é que o ouro branco é feito?

Se o ouro é naturalmente amarelo, como é que o ouro branco é feito?


Uma das características mais marcantes do ouro é, sem dúvida, sua coloração naturalmente amarela. No entanto, se esse elemento ocorre na natureza com essa tonalidade, então, como é que as joias de ouro branco são produzidas? E mais: se esse material também é ouro, por que é que ele passa a ter um matiz prateado?
uem explica essas questões é Sarah Stone, do site Today I Found Out, mas, antes de conferir as respostas, que tal conhecer o ouro um pouco melhor e descobrir como ele é empregado pelos ourives? Em sua forma mais pura, esse elemento é conhecido como ouro 24 quilates — que, por sinal, apesar de ser valioso, é maleável demais para ser utilizado na fabricação de joias
 
Coroa dinamarquesa
Por esse motivo, para produzir anéis, correntes e outras peças, é necessário criar uma liga metálica com outros materiais para torná-lo mais resistentes. Assim, considerando que o ouro 24 quilates é o mais puro — e que ele é composto por 24 partes do elemento —, quando falamos em uma joia de 18 quilates, por exemplo, nos referimos a uma peça que consiste em 18 partes de ouro e seis partes de outro material, e o mesmo se aplica a joias de 14 quilates.

Ligas metálicas

Segundo Sarah, a escolha dos materiais que serão utilizados para criar as ligas metálicas depende do resultado que o ourives deseja conseguir. Então, para joias que terão coloração dourada, é bastante comum que sejam empregados metais como o zinco e o cobre. Agora, como você já deve ter deduzido, chegamos à questão do ouro branco.
Para fabricar joias de ouro branco, os ourives normalmente empregam metais como o manganês, a prata e o paládio. O níquel, que sempre foi muito utilizado devido ao seu baixo custo, começou a cair em desuso por ser um material que pode provocar reações alérgicas. Entretanto, apesar de as peças produzidas com esses materiais terem coloração puxada para o prata, seu brilho não é tão vibrante assim, e elas ainda trazem um leve tom amarelado.
Ródio
Assim, para conseguir as joias vistosas que conhecemos, os ourives banham as peças com uma camada de ródio, um elemento do mesmo grupo da platina que, além de possuir um belo brilho prateado, é extremamente durável. Com o uso, esse material acaba se desgastando e, dependendo da composição da liga utilizada na fabricação da joia, o tom amarelado da peça começa a aparecer novamente — o que pode ser facilmente resolvido com outro banho de ródio.

Curiosidades

Sim... o carrinho acima é de ouro branco!
De acordo com Sarah, assim como é possível fabricar joias de ouro amarelo e branco, também existe a possibilidade de produzir peças de outras cores. Portanto, para fazer um brinco de ouro rosado, por exemplo, basta aumentar a proporção de cobre na liga metálica. No entanto, se a intenção é conseguir uma tonalidade esverdeada, é só adicionar mais zinco, prata e cobre à mistura.
Já para conseguir uma peça de ouro azulado, basta acrescentar um pouco de índio ou gálio, e, segundo Sarah, inclusive é possível fabricar joias feitas de ouro escuro, banhando as peças com ródio negro..

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Bahia tem a maior mina de diamantes do Brasil

Bahia tem a maior mina de diamantes do Brasil

IlustraçãoBahia tem a maior mina de diamantes do Brasil
Bahia tem a maior mina de diamantes do Brasil
A maior mina de diamantes do Brasil foi encontrada no último dia 19 de abril no pequeno Município de Nordestina, na Bahia. o crescimento local vai ser enorme após essa recente descoberta.
Desde 2008, a empresa Lipari Mineração (de origem canadense) iniciou pesquisas em Nordestina, mais especificamente na mina nomeada de Braúna. “Com a descoberta, a produção de diamantes no Brasil vai aumentar 495%.”, conta o prefeito. Só no primeiro, dos 22 lotes, a Lipari vai investir R$ 100 milhões para produzir 225 mil quilates por ano.
A mina Braúna fica em terras particulares e a empresa pagará pela exploração. A previsão é de sete anos de trabalhos na mina. Isso fará de Nordestina o maior produtor de diamantes brutos da América do Sul. A produção deve começar em 2016.
Licença, arrecadação e investimentos
Nordestina se localiza no semiárido da Bahia, a 359 Km da capital, Salvador. A população local é de 12,5 mil habitantes. De acordo com o prefeito, os recursos naturais não devem ser prejudicados. “Eles têm licença. Não vão agredir o meio ambiente e nem usar produtos químicos, só água. E eles já fizeram uma tubulação”, explica Wilson.
Por causa dos diamantes, Nordestina deve arrecadar R$ 5 milhões por ano de royalties mineral. “Ainda serão criados no mínimo 500 empregos diretos. Fora a arrecadação do Imposto Sobre Serviços, entre outros”, diz o gestor.
Além do aumento de receita, Nordestina deve ganhar em infraestrutura. “A empresa prometeu melhorar as estradas vicinais. E os empresários se prontificaram a melhorar o local”. Para o transporte da nova riqueza, a Lipari Mineração deve construir um aeroporto na cidade.
Os investimentos em infraestrutura são importantes, porque a descoberta deve atrair novos moradores. “Não tenho dúvida de que vai inflacionar tudo.” Wilson Araújo Matos conta que, com os novos recursos, vai potencializar a Educação, a Saúde e o Saneamento em Nordestina, que também produz ouro.
A economia local era baseada na agricultura, agora é na mineração.

Descida ao inferno à procura de turmalinas

Descida ao inferno à procura de turmalinas


Garimpeiro_turmalina
O cenário faz lembrar as fotos dantescas das minas da Serra Pelada no Brasil,  registadas magistralmente pelo fotógrafo Sebastião Salgado. Mas a areia dourada que se entranha todos os dias nos pulmões de centenas de aventureiros é em Mavuco, Moçambique,  um lugar danado e miserável onde os deserdados do futuro melhor tentam a sorte, desafiando a cada golpe de marreta e picareta os aluimentos que de imediato transformam a miragem das pedras preciosas em tumbas de morte.
Mavuco, apesar de constar dos itinerários internacionais das turmalinas paraíba, é um lugarejo perigoso e semi-selvagem, a pouco mais de 20 quilómetros de Chalaua, um posto administrativo, a meio caminho entre Nametil e Moma, na província mais populosa de Moçambique: Nampula.


Desempregados de Cabo Delgado, Zambézia e Nampula  trabalham sol a sol em escavações que às vezes ultrapassam os dez metros, qualquer coisa como um prédio de três andares. Sem andaimes ou barrotes para escorar as paredes arenosas e instáveis do garimpo a céu aberto. De vez em quando lamentam a morte dos desafortunados que foram atingidos pelos desabamentos. “Sobretudo quando chove”, contam com um encolher de ombros  traduzindo destino.

Apresar do ar desolador e inóspito do local, Augustavo Alfredo, o líder do garimpo que veio do Luabo, acha que “a situação hoje está muito melhor”. A equipa do SAVANA tentou perceber melhor as contradições e desafios neste pedaço de fim do mundo que ilustra páginas de internet com gemas esplendorosas.

O termo de comparação para os garimpeiros é o que consideram “a segunda guerra de Moçambique”,  quando em Abril de 2009 uma força policial apoiada por “buldozers”  pagos pela empresa “Mozambique Gems”, atacou milhares de mineiros estacionados em Mavuco, destruindo todas as construções precárias que havia no local. “Tínhamos quase tudo aqui no meio do mato. Mercearia com azeite de oliveira, restaurante, até discoteca”. Numa área de 1000 hectares chegaram a operar mais de 3000 garimpeiros ilegais, vandalizando a concessão atribuída em 2002 à Moz Gems, numa área de 300 hectares e onde foi desde o início assinalada a existência de turmalinas da variedade paraíba, de grande valor comercial.
Moussa Konate, guineense de origem e habitualmente residente em Nova Iorque, é o fundador da Moz Gems. Ele começou a sua actividade mineira em 1987, ainda durante a guerra na zona de Macula, no Gilé, comercializando águas-marinhas (aquamarine). Tendo fundado a empresa em 1992, logo a seguir ao Acordo de Paz, movimentou-se para a zona de Chalaua quando em 2002 foram notadas as primeiras ocorrências de turmalinas paraíba, tendo feito conhecer as gemas e os seus depósitos no exterior, nomeadamente no mercado americano e tailandês. As gemas Paraíba têm o seu nome atribuído à zona no Brasil onde foram inicialmente registadas as ocorrências.
As empresas é que são
As confrontações de 2009 resultaram num “separar das águas”. O garimpo ilegal foi afastado das concessões da Mozambique Gems e da Paraíba Mozambique, empresa concorrente formada em 2006. Os aventureiros internacionais, sobretudo os “sem papéis” foram afastados do local, muitos foram presos e levados para Nampula. Habitualmente guineenses, malianos e senegaleses, verdadeiros especialistas na determinação da qualidade das gemas prospectadas na zona. Os moçambicanos foram acantonados numa zona de “baixo rendimento”, criaram uma associação, a Agurmic e vendem as pedras encontradas às duas empresas ou a intermediários oeste-africanos sedeados em Nampula. A associação tem 418 membros e tem acesso a uma senha mineira. A área do garimpo, segundo Alfredo, tem 1500 homens e mulheres a tentar a sua sorte.
Não muito longe fica o Gilé, na Zambézia, outra zona de garimpo e prospecção mineira. A dar a cara pela Moz Gems aparecem habitualmente, para além do guineense Moussa Konate, o brasileiro Saint-Clair Fonseca, mas os garimpeiros falam também de um moçambicano, Jaime António Chiba. A Paraíba foi registada em nome de José Miranda da Costa e do guineense Mamadou Dabo. Nas conversas zangadas dos garimpeiros há sempre generais “por detrás do negócio” mas ninguém soube dar ao SAVANA os nomes dos generais envolvidos no negócio das turmalinas, como é o caso de Raimundo Pachinuapa nos rubis da zona de Montepuez.
Tal como em Namanhumbir, em Cabo Delgado, a disputa entre os garimpeiros é sempre a mesma. “A população a que descobre as áreas com boas pedras, mas depois vem o governo, expulsa-nos dos melhores sítios e entregou essas terras da população a empresas que habitualmente são também de pessoas ligadas ao governo”.
João Rosário, 22 anos, 6ª. Classe feita em Mocuba, mostra uma pedra de quartzo “enorme” mas diz que não tem nenhum valor comercial. “As boas pedras estão dentro da concessão”, diz. O trabalho duro nas grandes covas de Mavuco é feito por jovens que trabalham para os “bosses” da associação. Habitualmente, os controladores do negócio empregam seis a 15 garimpeiros, fornecendo-lhes alimentação e os instrumentos de trabalho. Em troca, têm a “obrigação” de vender as pedras aos “bosses”, mas preferem fazê-lo a intermediários oeste-africanos que aparecem pela zona e pagam muito melhor. Os entendidos das pedras preferem frequentar as barracas de Chalaua, onde mais facilmente se misturam com a população local.
Adélia Cipriano, nascida na zona, há quatro anos que vende refeições aos garimpeiros. Um prato de alumínio com arroz ou chima, caril de repolho e amendoim ou peixe seco, custa 10 meticais. Cada refeição dá direito a um copo de água servida a partir dum “jerrycan” de plástico e anormalmente límpida. “Temos nascente na montanha, é por isso que sai assim”. Rosário diz que a vida é miserável porque não faz mais do que dois a três mil meticais mês. “Mas é melhor que nada”.

Malas com rodinhas 
Nas ruínas da antiga “cidade mineira” destruída pelos “buldozers” em 2009, os pequenos comércios vão aparecendo timidamente. Abdulselem Hassan, veio de Mogadíscio na Somália e foi deixado num barco junto a Palma, em Cabo Delgado. Foi preso pela polícia moçambicana quando viajava  coberto por um encerado numa carrinha de caixa aberta. Esteve seis meses preso, mas com a intervenção do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) foi liberto e viu a sua situação legalizada temporariamente através do Núcleo de Apoio aos Refugiados. Uma folha de papel A4 com fotografia garante-lhe livre circulação só para a província de Nampula e uma entrevista um dia destes.. Em Mavuco vende geradores eléctricos, motorizadas e malas executivas com rodinhas. A sua irmã Quimi, tem também a sua barraca onde oferece trens de cozinha “ a bom preço”.  Apesar dos lamentos da baixa renda do garimpo, Hassan diz que os seus produtos, tipicamente de cidade, saem com muita facilidade.
“Há noite isto parece cidade”, diz para justificar a popularidade dos geradores chineses que tem em exposição.
Não percebe muito bem o alcance da palavra xenofobia, mas diz que o entendimento com os moçambicanos é muito bom. “Guerra é onde eu venho”. “Aqui entendemo-nos todos , porque precisamos uns dos outros”. Os garimpeiros meneiam a cabeça afirmativamente e riem.
Ao longe, um polícia de motorizada e um acompanhante à paisana, acompanham a situação.