sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

As águas-marinhas de Marambaia MG

As águas-marinhas de Marambaia MG

 Em destaque uma das riquezas minerais de Minas Gerais, abundante no pequeno distrito de Marambaia, no nordeste do estado.


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 A água-marinha é uma pedra do grupo mineral do berilo. Era considerada a pedra da sorte (talismã) de todas as pessoas que viviam do mar. Seu nome deriva do latim, significando água do mar, devido à semelhança de sua cor com esta. Suas cores vão desde um azul bem claro, azul esverdeado, azul celeste, até um azul escuro profundo. Normalmente, quanto mais azul e escura a pedra, mais valiosa esta será.
O Brasil é hoje o principal e mais importante país produtor de águas-marinhas, onde estas são encontradas principalmente em Minas Gerais .
Pessoas fãs de jóias grandes têm na água-marinha uma excelente opção : pedras grandes são relativamente comuns de serem encontradas. A maior de todas as águas-marinhas encontradas no Brasil, foi em Marambaia (Minas Gerais) no ano de 1920, e tinha 48,5 cm de comprimento, 42 cm de diâmetro e pesava nada mais nada menos do que 109 quilos!
 Jóias da rainha elizabeth II, feitas com águas-marinhas brasileiras e recebidas de presente do governo brasileiro. 


Martha Rocha
O artigo "Saudades dos olhos da miss" publicado na  Revista Globo Rural, edição 264, em outubro de 2007, relata: "Lembra de Martha Rocha? De seu sorriso? Do rosto? Dos olhos azuis de nossa eterna miss? Os mais novos, talvez não, mas os mais velhos... Martha provocou comoção nacional em 1954 ao perder o título de Miss Universo por duas polegadas a mais nos quadris. Em 1957, o garimpeiro Tibúrcio José do Santos fez um achado extraordinário ao cavucar a terra em Marambaia, distrito de Teófilo Otoni, considerada a “capital mundial das pedras preciosas”, situada a 450 quilômetros de Belo Horizonte. Ele topou com uma água-marinha de 35 quilos (175 mil quilates), azulada – um azul tendendo para o verde, da cor dos olhos da miss . Justamente uma água-marinha, gema da família dos berilos, tida como a pedra do amor e da felicidade, protetora das sereias – o historiador romano Plínio colocava-a dentro d’água, na praia, para checar sua pureza. Se “desaparecesse” na mão, confundindo-se com a água do mar, então era verdadeira. Batizada Martarrocha, é a mais famosa das gemas coradas brasileiras – gema corada é o nome que a indústria de jóias, bijuterias, folhados e artefatos de pedras dá às pedras preciosas em geral, especialmente as coloridas. Desde então, foram encontradas água-marinhas de maior tamanho mas nenhuma tão bonita (tão perfeita) quanto ela.
Passados tantos anos, Martha continua linda. Mora em Volta Redonda, RJ, e dedica parte do dia à pintura – dizem que seus azuis são incomparáveis. A água-marinha que levou seu nome foi vendida, revendida e mais tarde cortada em várias pedras menores. Para Tibúrcio, porém, a coisa ficou feia. Aos 83 anos, pobre, adoentado, passa o dia inteiro na cama, aos cuidados dos filhos – teve 12, quatro dos quais “particulares”, ou seja, nascidos fora do casamento oficial. Ele não lembra em nada o garimpeiro forte e sacudido dos tempos de glória. Na ocasião, apareceu em jornais e revistas de todo o país, dando entrevistas ou mostrando a pedra. Ficou famoso, mas não chegou a bamburrar. Metade do dinheiro obtido com a venda foi rateado entre os sócios Irineu de Oliveira e Lindolfo Capivara, fornecedor da quicaia – conjunto de ferramentas indispensáveis, tais como lebanca (espécie de alavanca), picareta, enxada, bateias, peneiras, cacumbu (um tipo de machado) e calumbés (gamelas cônicas, na quais o cascalho que vai ser lavado nas catas de ouro ou diamante é conduzido). Da outra metade, 20%, pelo menos, ficaram com o fazendeiro Antônio Galvão, dono da terra. Do que lhe coube ao final da partilha (cerca de 200 mil contos – um dinheirão, na época), Tibúrcio gastou quase tudo em terras, carro e farras. Hoje, restam-lhe somente um sítio improdutivo em Novo Oriente de Minas e 48 hectares em São Juliano, onde outros filhos tentam ganhar a vida com roça e gado." 

As pedras multicoloridas são e serão sempre um deleite para nossos olhos.

As pedras multicoloridas são e serão sempre um deleite para nossos olhos.

Espalhando-se por toda vastidão de nosso pequeno orbe chamado Terra, a natureza demonstra sua incrível variabilidade e infalibilidade. Pedras de todas as cores ocultam-se dos olhos curiosos e impressionáveis dos Homens. Quem sabe se nos confins escuros do universo, outras e ainda mais estranhas pedras multicoloridas jazem, enterradas ou expostas, dormindo seus sonos sem sonhos a espera dos olhares incrédulos da humanidade. Mais que um exercício criativo da natureza, mais que uma demonstração da espetacularidade dos elementos, as pedras multicoloridas são e serão sempre um deleite para nossos olhos.

1- Opala

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Seria um pecado começar um post sobre pedras multicoloridas sem mencionar a Opala. A Opala é um mineral que não é cristal e talvez seja o material multicolorido mais bonito do mundo. As duas maiores minas de opala no mundo estão no Brasil, no Piauí e na Austrália.
A opala brilha de cores variadas conforme a incidência da luz.
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Amolita arco-íris

Aqui está uma pedra colorida que certamente você nunca ouviu falar. Olha como ela é curiosa:
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Um observador incauto poderia ver e pensar que ela foi pintada de diversas cores. Na verdade, o processo pelo qual a amolita arco-íris brilha com variado espectro de cores é similar ao fenômeno da opala, chamado “opalescência”. Ela é quase que uma “irmã” da opala verdadeira.
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A ammolite (seu nome em inglês), é uma pedra preciosa de natureza orgânica encontrada principalmente ao longo das encostas orientais das Montanhas Rochosas da América do Norte. Ela é feita das conchas amonites fossilizadas, que por sua vez são compostos principalmente de aragonita, o mesmo mineral contida no nácar o material que reveste as conchas e compõe as pérolas.
Esta é uma das pouquíssimas pedras preciosas chamadas “biogênicas”. Outros membros do grupinho seleto são o âmbar e as pérolas. Só em 1981, a amolita foi oficialmente reconhecida como pedra preciosa pela confederação mundial de joalheiros (CIBJO), e no mesmo ano a mineração comercial da amolita começou.

3-Turmalina multicolorida

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Os minerais do grupo da turmalina constituem um dos mais complexos grupos de silicato quanto à sua composição química, sendo todos eles ciclossilicatos.Trata-se de um grupo de silicatos de boro e alumínio, cuja composição é muito variável devido às substituições isomórficas (em solução sólida) que podem ocorrer na sua estrutura. Os elementos que mais comumente participam nestas substituições são o ferro, o magnésio, o sódio, o cálcio e o lítio existindo outros elementos que podem também ocorrer. A palavra turmalina é uma corruptela da palavra turamali do cingalês para pedra que atrai a cinza (uma referência às suas propriedades piroeléctricas).
Uma das mais famosas regiões extratoras de Turmalinas de todas as cores é Minas Gerais e algumas minas da Bahia.
Existe turmailinas em uma ampla gama de cores e dependendo da jazida não é impossível achar algumas pedras com varias cores de uma só vez:
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4-Bismuto

Não só é super colorido, como o bismuto tem uma das cristalizações mais “alienígenas” do nosso planeta, tornando este mineral um célebre candidato a aparecer nesta lista.
A forma cristalina do bismuto é uma coisa excepcionalmente maneira. Baba aí:
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Como se não bastasse ser tão legal com essa precisão matemática de linhas e desenhos, ele é multicolorido e ainda queima com uma chama azul, dando um look bem sci-fi no material. O bismuto (do alemão “Wismut”, “massa branca”) é um elemento químico de símbolo Bi , de número atômico 83 (83 prótons e 83 elétrons), de massa atómica igual a 208,9 u, encontrado no grupo 15 (VA) da classificação periódica dos elementos químicos. À temperatura ambiente, o bismuto encontra-se no estado sólido.
Este elemento é pesado, frágil , trivalente, cristalino, de coloração rosácea que se assemelha quimicamente ao arsênio e ao antimônio. É o mais diamagnético de todos os metais, e com a condutividade térmica mais baixa entre todos os elementos, exceto do mercúrio. De todos os metais, é o que menos conduz corrente elétrica e por isso vem sendo muito usado em equipamentos de alta tecnologia. Ligas metálicas com bismuto são utilizados em soldas, fabricação de termopares e dispositivos para detectar fogo. Compostos de bismuto, livres de chumbo, são usados em cosméticos e em procedimentos médicos. A existência deste metal foi demonstrado em 1753 pelo francês Claude Geoffroy Junine. O seu mineral mais importante é a bismutinita.
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Ele é muito usado, na área de cosméticos e até mesmo nas usinas nucleares! O bismuto de grande pureza pode formar diferentes cristais coloridos. A maior parte destes cristais são produzidos em laboratório e vendidos aos aficionados.

5-Fluorita

Essa pedra é uma das mais versáties em cor na natureza. Não sei se ela aparece em todos os posts de pedras aqui do blog, mas acho que aparece na maioria, porque a maldita consegue ter diversas cores, além de claro, ter versões com todas elas duma só vez!
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A fluorita não só tem diversas cores como ela também tem “poderes” como o de acender sob a luz negra, e brilhar quando aquecida.
A fluorita é um mineral cujo nome provém do latim fluere devido a sua fácil fusão; é composto basicamente de fluoreto de cálcio (CaF2) usualmente encontrada em cristais cúbicos (sendo frequente também o hábito octaédrico), transparentes a translúcidos, de cor muito variável, com clivagem perfeita. Apresenta brilho vítreo, densidade relativa 3.18. É o quarto termo da Escala de Mohs de dureza.
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6-Labradorita

Esta pedra tem um brilho parecido com o da superfície de um CD.

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A labradorita é um mineral do grupo dos feldspatos, sendo um dos membros cálcicos intermédios da série da plagioclase. O índice de refracção varia de 1.555 a 1.575. São frequentes os cristais maclados. Tal como todos os membros da série da plagioclase, cristaliza no sistema triclínico e possui três direções de clivagem duas das quais formam prismas quase retos. Ocorre em sob a forma de grãos de cor branca a cinza em rochas ígneas máficas, sendo um feldspato comum em basaltos, gabros e anortositos. A sua característica mais facilmente reconhecível são as sua reflexões superficiais com aspecto de mancha de óleo.
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A ocorrência tipo da labradorite é a Ilha de Paul perto da localidade de Nain, em Labrador, Canadá, região que deu origem à sua designação. Ocorre em grandes massas cristalinas em anortosito exibindo iridescência ou jogo de cores. A iridescência é resultado de intercrescimentos lamelares como consequência de mudança de fase ocorrida durante o arrefecimento. As variedades gemológicas de labradorite que exibem um alto grau de iridescência são designadas espectrolites.

7-Ágata

Se tem uma pedra que nós podemos dizer que é tão colorida que chega a ser “carnavalesca” é a Ágata.
Se tem uma pedra que nós podemos dizer que é tão colorida que chega a ser “carnavalesca” é a Ágata.
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Ágata é uma subvariedade de Calcedônia, ou seja, é um tipo de quartzo. Caracteriza-se pela variedade de cores, geralmente dispostas em faixas paralelas.
De acordo com Teofrasto a ágata (achates) foi nomeada do rio Achates, agora o Drillo, na Sicília, onde o mineral foi primeiramente encontrado.
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A maioria das ágatas ocorre como nódulos em rochas eruptivas, ou antigas lavas, onde preenchem as cavidades produzidas originalmente pela desagregação do vapor na massa derretida, e então preenchido, completamente ou parcialmente, pela matéria silicosa depositada em camadas regulares em cima das paredes. Tais ágatas, quando cortadas transversalmente, exibem uma sucessão de linhas paralelas, frequentemente de extrema tenuidade, dando uma aparência unida à seção, e por isso tais minerais são conhecidas como ágata unida e ágata listrada.
Na formação de uma ágata ordinária, é provável que as águas que contêm sílica dissolvida – derivada, talvez, da decomposição de alguns dos silicatos presentes na própria lava – infiltraram-se através da rocha, depositando um revestimento silicioso no interior das vesículas produzidas por vapor. As variações no caráter da solução, ou nas condições de deposição, podem causar variações correspondentes nas camadas sucessivas, de modo que as faixas de calcedônia frequentemente alternam com camadas de quartzo cristalino. Muitas ágatas lembram fractais:
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Várias vesículas de vapor podem unir-se enquanto a rocha for viscosa, e assim dar forma a uma cavidade grande que possa se transformar em receptáculo de uma ágata de tamanho excepcional; assim um geode brasileiro, revestido de ametista, pesando 35 toneladas, foi exibido na Exposição de Dusseldorf de 1902.
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O primeiro depósito na parede de uma cavidade, dando forma à “pele” da ágata, é geralmente uma substância mineral esverdeada escura, como celadonite, delessite ou “terra verde,” os quais são ricos em ferro, derivado provavelmente da decomposição de augite na rocha-mãe. Este silicato verde pode dar origem, por alteração, a um óxido marrom do ferro (limonite), produzindo uma aparência oxidada na parte externa do nódulo de ágata. A superfície exterior de uma ágata, liberta da sua matriz, é frequentemente áspera, aparentemente na conseqüência da remoção do revestimento original. A primeira camada depositada sobre a parede da cavidade é por alguns chamada de “iniciador,” e em cima desta base os minerais zeolíticos podem ser depositados.
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Muitas vezes a ágata pode possuir faixas ou partes iridescentes, parecidas com a Opala.
Muitas ágatas são ocas, uma vez que a deposição não prosseguiu pelo tempo suficiente para encher a cavidade, e nesses casos o último depósito consiste geralmente de quartzo, frequentemente ametista, tendo os ápices dos cristais dirigidos para o espaço livre, formando uma cavidade, uma drusa ou um geodo revestido por cristais.
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8-hematita, o diamante negro

Hematita ou hematite é um mineral de fórmula química óxido de ferro III, (Fe2O3), um dos diversos óxidos de ferro. O mineral contém, às vezes, pequenas quantidades de titânio. Pode ser usada como gema (variedade especularita) e quando recebe lapidação facetada é frequentemente chamada de diamante-negro.
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É um mineral muito comum, possui brilho metálico e coloração preta, cinza, marrom, marrom avermelhado ou vermelho.
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As variedades são: “bloodstone”, ferro rosa, minério do Kidney, martita (pseudomorfose por oxidação da Magnetita), pintura (hematita com brilho especular), hematita irisada e titano-hematita. Que é esta aqui do post:
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9-Chalcopirita

A chalcopirita é encontrada com variações de cores fenomenais. Algumas dessas pedras chegam a lembrar nebulosas espaciais.
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A chacolpirita é um minério derivado do cobre. Apresenta uma variedade iridescente de cores e interessantes características de cristalização. As cores podem tender mais para um determinado espectro do que outro, e isso varia de jazida para jazida.
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10-Pietersita

A Pietersita tem este nome porque foi descoberta por Sid Pieters em 1962, enquanto ele estava prospecção algumas terras na Namíbia, África. Depois de sua descoberta, ele registrou o achado nos registros minerais de Grã-Bretanha. Sua descoberta foi publicada em 1964, e o material foi nomeado Pietersita. Atualmente, existem apenas duas fontes conhecidas de Pietersita: africana e chinesa. A pietersita é considerada um tipo de olho de tigre, com as mesmas propriedades da pedra olho de tigre, mas com padrões diferentes, devido à sua formação.
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A estrutura fibrosa na Pietersita foi dobrada, salientada, mesmo fraturada e / ou quebrada através de processos geológicos da Terra. Os materiais fibrosos foram depois reformados e naturalmente reunidos no quartzo. Pedras e cristais que passam por este processo são referidos como brechação, criando um produto acabado com várias cores, tons e soberbo efeito da luz. Enquanto a pietersita tem a beleza comparável ao olho de tigre, não é encontrada em bandas continuamente estruturadas. Pelo contrário, pode formar-se em redemoinhos, faixas e segmentos fibrosos (às vezes lineares). Assim, a estrutura das estrias fibrosas na Pietersita podem aparecer caótica, e pode fluir ou existir em muitas direções lado-a-lado, como pinceladas de um artista.
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A pietersita africana é a mais procurada devido à sua vasta gama de cores. Elas incluem vários azuis, dourados e vermelhos, que podem aparecer em conjunto ou isoladamente. Azul é a cor mais rara, seguido de vermelho. O tons de azul variam de um azul bebê ao azul meia-noite escuro. Os dourados podem ser leves a muito profundos e ricos, às vezes com um tom avermelhado. Todas as variações de cor fibrosos terá um acatassolamento excelente e surpreendente, o brilho luminoso e a capacidade sutil de mudar de cor, que se move ao longo da superfície de uma pedra, uma vez que é visto a partir de diferentes ângulos.
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Você sabe onde está guardado o gigantesco acervo coletado pelas centenas de empresas de mineração?

Você sabe onde está guardado o gigantesco acervo coletado pelas centenas de empresas de mineração?





Você sabe onde está guardado o gigantesco acervo coletado pelas centenas de empresas de mineração, que investiram bilhões ao longo de décadas em pesquisa mineral no Brasil?

Estou falando de um tesouro de informações valiosíssimas: da geologia, geoquímica, testemunhos de sondagens, análises químicas, dados geofísicos e muitos outros trabalhos técnicos executados no nosso país.

Onde foi parar esse patrimônio, cujo valor é medido em bilhões de dólares e que pode (e deve) ser disponibilizado para os trabalhos de exploração mineral futuros?

Um patrimônio que nos irá propiciar novas riquezas, se disponibilizado aos pesquisadores minerais que atuam no País.

O que eu estou falando não é pouca coisa...

Tratam-se de milhões de metros de testemunhos de sondagem, centenas de milhões de análises químicas, incontáveis relatórios técnicos, centenas de milhares de mapas geológicos, milhões de quilômetros quadrados cobertos por geofísica terrestre e aérea além de incontáveis investimentos feitos em exploração mineral no Brasil.

A resposta, como alguns já devem imaginar, é assustadora!

A maioria deste acervo de imenso valor está, simplesmente, perdido.

O motivo deste desastre é o desinteresse do governo e a falta de uma legislação clara sobre o assunto.

No Brasil as empresas de pesquisa mineral não são obrigadas a fornecer, obrigatoriamente, ao Governo os dados da pesquisa geocodificados, após um período de carência.

O que fica da pesquisa mineral, neste país, são os relatórios entregues ao DNPM, geralmente mal feitos, cheios de copy paste e generalidades: a chacota de muitos que os veem.

Inócuos, com muito pouco conteúdo técnico esses “pesos de papel” são repletos de informações de pouco valor, copiadas dos livros de geologia e dos relatórios de mapeamentos geológicos feitos pelo Governo. Relatórios feitos para cumprir com as obrigações da legislação mineral.

Pouco ou nada adicionam à geologia ou à sociedade.

E, para desgraça do país, eles, praticamente nunca, contêm os bancos de dados analíticos e geofísicos que embasaram as suas conclusões.

Onde foram parar os milhões de metros de testemunhos de sondagem perfurados nas últimas décadas? Um acervo de valor geológico inestimável que certamente foi lançado no lixo por falta de armazenagem.

O DNPM , que deveria concentrar o acervo da pesquisa mineral brasileira, nada faz.

Por não agir como um verdadeiro órgão fiscalizador e certificador, fica relegado à mediocridade dos relatórios técnicos que acumula.

As milhares de toneladas de papel, acumuladas pelo DNPM, por incrível que pareça, não são disponibilizadas ao público.

É um festival da mesmice anacrônica, pois até hoje esses relatórios ainda não são digitais e nem são utilizados para embasar pesquisas minerais ou trabalhos científicos.

Onde estão os bancos de dados digitais da geoquímica e geofísica, que deveriam, obrigatoriamente fazer parte dos relatórios. As fotografias dos testemunhos de sondagem?

O que nós constatamos é que praticamente TODA a pesquisa mineral feita no Brasil está indo para o lixo.

O problema é recorrente. Somente as junior companies estavam investindo, há poucos anos, quando o país ainda fazia pesquisa mineral, bilhões de reais ao ano em exploração mineral...

Hoje a maioria das empresas de pesquisa mineral já abandonaram o país, que pouco ou nada lhes ofereceu a não ser o descaso. Os dados? Possivelmente engavetados a beira do esquecimento: a falência de um sistema sem memória.



Como geólogo fico horrorizado com a perda que o Brasil sofre, por falta de legislação e de um órgão certificador oficial.

Se o DNPM tivesse em seus quadros profissionais qualificados, aceitos internacionalmente, os Competent Persons (CPs), ele poderia fazer, não só a vistoria dos projetos, mas a primeira certificação e auditoria dos dados (o QAQC). Neste caso, como em um passe de mágica, caberia ao DNPM a confirmação de que esses dados foram obtidos dentro de uma norma brasileira (tipo JORC), aceita internacionalmente.

Então não teríamos este prejuízo bilionário e, possivelmente, não precisaríamos ter que empregar geólogos estrangeiros (Competent Persons) que nada conhecem do Brasil para certificar os nossos projetos.

O DNPM seria uma referência, não o órgão abandonado e ineficiente que se tornou.

Temos que criar uma legislação que obrigue, a todas as empresas de pesquisa mineral a fornecer os seus bancos de dados de geologia, geoquímica e geofísica, geocodificados, ao Governo e ao público, após um período de cinco anos da aquisição.

Esta informação pertence ao Brasil e como tal deve ser disponibilizada para seu benefício.

Desta forma a exploração mineral brasileira poderá usufruir de milhões de dados altamente relevantes que servirão para embasar os programas futuros.

Não seríamos o que somos: um país sem passado, que abandonou completamente a exploração mineral.

Já discuti esses pontos em várias reuniões com a participação das grandes empresas de mineração do Brasil, do DNPM e da CPRM. Mas, graças à falta de interesse de uns e da negação de outros, nunca chegamos a lugar nenhum.

Hoje quando vejo as milhares de toneladas de papéis de baixa qualidade, sem uso e fora do alcance do pesquisador, acumulados nos prédios do DNPM, percebo que erramos feio.

Somos um país sem memória e, ao permanecer no erro, negamos o futuro aos nossos jovens.

Em um mundo digital, onde o Big Data virou a fonte de tesouros inimagináveis, nós nadamos contra a corrente e nem sequer somos capazes de armazenar e disponibilizar a informação adquirida em nosso próprio solo.

Mas ainda tem tempo para mudar. ..

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Para onde vão nossos diamantes

Para onde vão nossos diamantes
Por que o Brasil deixa a maior jazida de diamantes do país, na terra dos índios cintas-largas, entregue aos contrabandistas?

"Sempre que uma grande riqueza é descoberta, um banho de sangue acontece." Essa é a frase de abertura do filme Diamante de Sangue, que colocou em evidência o tortuoso caminho percorrido pelas pedras retiradas de países em guerra até as joalherias mais finas. No cinema, o ator Leonardo DiCaprio interpreta um mercenário que troca diamantes por armas para as milícias em Serra Leoa, na África da década de 90. O filme impressiona, e até revolta, mas a tragédia dos diamantes também está do lado de cá do Atlântico. Na Amazônia, garimpeiros, contrabandistas internacionais e atravessadores - como o mercenário interpretado por DiCaprio - voltaram a explorar ilegalmente a maior jazida de diamantes do Brasil.
Desde janeiro, quatro máquinas retroescavadeiras removem a terra vermelha do garimpo do Laje, situado na terra indígena dos cintas-largas, em Rondônia. A cratera aberta pelas máquinas já possui cerca de 10 quilômetros de perímetro. A exploração de diamantes na região deveria estar suspensa desde 2004, quando o massacre de 29 garimpeiros chocou o mundo. Mas nem a presença da Polícia Federal consegue evitar novas invasões na área indígena.


RIQUEZA?
Cratera aberta pelo garimpo e criança cinta-larga com arco-e-flecha.
Os diamantes não ajudam os índios - nem o país
O que se diz da jazida de Laje lembra os antigos mitos de Eldorado amazônico. Segundo Luís Paulo Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça, pesquisas geológicas feitas por duas multinacionais da mineração indicam a presença de 15 formações rochosas vulcânicas de onde saem os diamantes, chamadas kimberlitos. Isso seria três vezes mais que as principais jazidas da África do Sul e Botsuana, os maiores produtores mundiais de diamantes. Mas todo esse potencial nacional está desperdiçado. Estima-se que o garimpo desordenado e ilegal consiga tirar cerca de R$ 100 milhões por ano de Laje. Se fosse uma mineração com recursos industriais, seria possível extrair rochas mais profundas e retirar até R$ 3 bilhões por ano.
Essa quantia seria capaz de sacudir o mercado global de diamantes, que hoje movimenta cerca de US$ 10 bilhões por ano, ou R$ 21 bilhões. O comércio mundial é dominado pela empresa multinacional De Beers, sediada na África do Sul. A De Beers, da família sul-africana Oppenheimer, possui minas em Botsuana, Zaire, Austrália e Canadá. Também compra a produção de outros países. Em seus cofres, estima-se que estejam 40% dos diamantes extraídos no mundo. Toda segunda-feira, a operadora de vendas da De Beers, a Central Selling Organization, reúne os grandes negociantes das pedras em s Londres. É ali que a De Beers avalia como está o preço internacional dos diamantes e decide quantas e quais pedras vai lançar no mercado. Sua decisão regula o valor internacional dos quilates de diamantes. Hoje, 1 quilate (equivalente a 0,2 grama) de uma pedra de boa qualidade vale US$ 1 mil. Da reserva dos cintas-largas, já saiu um raro diamante-rosa que teria sido vendido por R$ 7 milhões no mercado negro.
O Brasil já foi o maior produtor mundial de diamantes entre os séculos XVIII e XIX. Com o declínio da exploração artesanal em Minas Gerais, o país perdeu posição para os grandes produtores africanos, da De Beers. Hoje, o Brasil exporta apenas R$ 60 milhões por ano. Está fora do time dos grandes produtores: Botsuana, África do Sul, Canadá, Rússia, Índia e Austrália. A perspectiva de legalização das jazidas das terras dos cintas-largas poderia colocar o país entre os três maiores produtores mundiais.


Esse enorme potencial de riqueza, até agora, só tem trazido calamidades, como ilustra a história do cacique João Bravo, que controla a área indígena onde fica o garimpo. Com 60 anos, o cacique é o que os antropólogos consideram um órfão de contato. Ele é um dos cintas-largas que perderam todos os parentes com a chegada de invasores brancos, entre os anos 60 e 70. O primeiro contato dos cintas-largas com os brancos aconteceu por meio dos garimpeiros. João Bravo conta que, antes de ser cacique, vivia na região do Rio Aripuanã, em Mato Grosso. Nessa época, os cintas-largas ainda estavam isolados na floresta. Eram exímios caçadores e temidos guerreiros canibais. De acordo com Bravo, a vida na floresta só era possível por causa de um intenso treinamento que começava aos 10 anos de idade. "Ficávamos durante toda a manhã passando frio debaixo das cachoeiras", diz. "Depois, todo mundo tinha de ir caçar ou morria de fome", afirma o cacique. Essa vida mudou com a chegada dos primeiros garimpeiros e seringueiros. "Primeiro, mataram as crianças que brincavam no rio", diz Bravo. "Depois, invadiram as aldeias atirando em todo mundo." Quase todos os caciques da região também são órfãos de contato e perderam seus pais e irmãos de forma semelhante. "Lembro de ter ficado semanas caído no chão. Estávamos tão doentes que víamos nossa família morrer e não podíamos fazer nada", afirma Oita Matina, outro dos líderes da terra indígena. As chacinas e epidemias de gripes trazidas pelos invasores reduziram a população de mais de 10 mil cintas-largas para 1.300 indivíduos. A pior matança ocorreu em 1963 e ficou conhecida como o Massacre do Paralelo Onze. O inquérito policial do caso relata que dinamites foram jogadas nas aldeias para dispersar os índios para a floresta, onde eram surpreendidos por pistoleiros. "Tudo explodia. Nós ficávamos tentando flechar os aviões", diz João Bravo. Durante o massacre, uma índia foi pendurada pelo pé e esquartejada viva.
Depois de tentar a guerra contra os brancos, os cintas-largas decidiram, na metade da década de 70, entrar em acordo com os garimpeiros e invasores. João Bravo foi um dos que visitaram as cidades próximas às aldeias para distribuir colares de presente para a população. Em 1974, a Funai demarcou o território. Em menos de 30 anos de convívio com o mundo civilizado, os cintas-largas tiveram de aprender a falar português, dirigir carros e lidar com dinheiro. Muitos ainda não dominam nenhuma dessas habilidades. Donos de um território de 2,7 milhões de hectares, grande parte das mulheres, crianças e velhos ainda compreende apenas o tupi-mondé, a língua tradicional da etnia. João Bravo fala um português limitado e sua caminhonete vive amassada por batidas. Seus filhos estudam até o ensino fundamental, mas ainda passam pelo treinamento de guerreiro - não mais para lutar com outras tribos, mas para formar a milícia que toma conta do garimpo. As meninas se casam antes dos 15 anos, geralmente com os tios, em uma teia social na qual o dono da casa exerce o papel central. Um cinta-larga poderoso chega a ter várias esposas de uma só vez. João Bravo tem cinco mulheres.
O garimpo de mais de três décadas atingiu seu auge em 1999, quando milhares de aventureiros chegaram de vários cantos do país, atraídos pela "fofoca do diamante". Os índios incorporaram o garimpo em seu modo de vida. "Decidimos controlar a área. Senão os brancos entravam e roubavam tudo", diz João Bravo. A situação saiu do controle em 2004, quando 5 mil garimpeiros circulavam no Laje. Qualquer aventureiro queria entrar na reserva. Até que a chacina de 29 garimpeiros ganhou as manchetes nacionais. Os índios são os principais acusados. Depois das mortes, mais seis pessoas foram assassinadas na região, entre índios, contrabandistas e garimpeiros. A polícia estima que outros 20 estejam desaparecidos. Para tentar conter o conflito, o governo federal interditou a região em 2004 e proibiu o garimpo em qualquer terra indígena do país.
DINHEIRO
O cacique João Bravo (à dir.) controla a terra onde estão os diamantes.
À esquerda, jipes apreendidos dos índios por dívidas e irregularidades

A Polícia Federal tem seis bases fixas na região, batizadas de Operação Roosevelt. Mas nem a intervenção do governo federal consegue conter a corrida pelos diamantes. Cerca de 500 homens - entre índios e garimpeiros - transitam no local. Jatos de água derrubam o barranco e outras máquinas separam o cascalho dos diamantes. O lucro é dividido entre os garimpeiros proprietários das máquinas e os caciques. Cerca de 6% são distribuídos entre os garimpeiros pobres, índios mais jovens e as cozinheiras dos acampamentos. A matemática seria boa, mas os índios alegam ter sido roubados com freqüência por atravessadores de diamantes. Na semana passada, um dos filhos de João Bravo, Raimundinho, acusou um suposto vendedor de levar 700 quilates de diamantes, no valor de R$ 600 mil, dos cintas-largas. Segundo a polícia, o contrabandista teria se oferecido para vender as pedras em Cuiabá e desapareceu.
A exploração industrial
em Rondônia faria do Brasil um dos maiores produtores mundiais
de diamante
Se a jazida das terras dos cintas-largas fosse legalizada, ela poderia gerar algo em torno de R$ 6 milhões por mês de impostos. Além da evasão de divisas, a situação ilegal do Laje atrai máfias internacionais. Investigações do Ministério Público e da Polícia Federal revelam que quadrilhas s do Líbano, Serra Leoa e Bélgica são responsáveis pelo contrabando dos diamantes da terra indígena. Segundo investigações do Ministério Público de Minas Gerais, os diamantes podem estar sendo usados para patrocinar tráfico de drogas e terrorismo.

Uma das conseqüências da atividade ilícita é a ligação dos índios com esse crime organizado. Devido ao contato com os atravessadores de pedras, 13 cintas-largas estão indiciados por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e contrabando. De acordo com o Estatuto do Índio e a Constituição Federal, as riquezas do subsolo podem ser extraídas pelas nações indígenas quando localizadas em suas terras homologadas. Mas, como a garimpagem em terras indígenas está suspensa pelo decreto de 2004, os índios passaram a viver uma situação marginal em seu próprio território.  O envolvimento dos índios agora é financeiro. Nos tempos do auge do diamante, em 2002, alguns caciques compraram casas na região e carros importados. Cercados por ajudantes, contratados na forma de motoristas brancos, os índios selaram amizade com os atravessadores de diamantes. Muitas máquinas de garimpo e carros foram comprados no nome desses terceiros. Mas, por causa das dívidas, a maioria perdeu todos os bens. Um depósito da Polícia Federal guarda cerca de 50 caminhonetes Toyotas apreendidas de índios cintas-largas, a maioria por dívidas não quitadas. Um levantamento do Ministério Público Federal (MPF) de Rondônia apontou que os índios devem na região cerca de R$ 700 mil.


GUERRA
DiCaprio interpreta um atravessador de diamantes em Serra Leoa. As mesmas quadrilhas atuam aqui
PRÓSPEROS Tratores retiram diamantes do território indígena, no Canadá. A exploração organizada rende empregos e participação nos lucros
Apesar dos problemas trazidos pelo garimpo ilegal, hoje não há uma estratégia realista para enfrentá-lo. A mera proibição, mesmo com a presença da Polícia Federal, não tem se mostrado eficaz. Um emaranhado de estradas clandestinas desenha um labirinto de lama na floresta. A fiscalização fica impossível. "É um jogo de gato e rato", afirma o delegado da Polícia Federal, Rodrigo Carvalho. Grande parte dos 2,7 milhões de hectares da floresta que envolvem a jazida de diamantes está praticamente intacta. Aventurar-se na região é perigoso. Onças, malária e cerca de 90 índios guerreiros armados com flechas e metralhadoras são apenas alguns dos obstáculos. Mesmo com os riscos, garimpeiros ainda sonham em colocar os pés no Laje. "Se puder entrar lá novamente, eu vou. Os diamantes compensam", diz o garimpeiro Antônio Rosa de Carvalho, o Goiano, um dos sobreviventes do massacre de 2004.



CONTRABANDO
Diamante apreendido pela polícia em 2006
Regulamentar a extração de diamantes parece ser um dos poucos caminhos possíveis para resolver o conflito na terra cinta-larga. Os índios têm direito constitucional sobre as riquezas minerais de seu subsolo. O problema é como explorar o recurso. Existem vários projetos de leis para isso. A mais antiga tentativa de regularizar a questão é um complemento do Estatuto do Índio, que aguarda desde 1991 para ser votado. Ele permitiria a exploração com repasse de parte dos lucros para os índios. Outra proposta, do senador de Roraima, Romero Jucá, foi aprovada no Senado Federal e espera apenas passar pela Câmara dos Deputados. Prevê a exploração sem pagar nada aos índios. Uma terceira proposta, criada após o massacre de 2004, é um meio-termo: prevê repasse aos índios, mas com limites. "Em março, iremos nos reunir com os representantes de várias etnias indígenas em Manaus para um acordo", diz Barreto, do Ministério da Justiça. Um exemplo de como a exploração de diamantes pode ser bem administrada, é o caso do Canadá. Em 1991, os canadenses regulamentaram a extração de diamantes no território dos povos dene e inuit. O país se tornou o terceiro maior produtor de diamantes do mundo. As comunidades indígenas que participam da iniciativa enfrentam problemas, como o aumento do consumo de drogas. Mas cerca de 40% dos índios trabalham com as mineradoras que estão na região. Alguns são geólogos ou lapidadores. E as aldeias ganham cerca de 20% do faturamento das jazidas. Essa seria a melhor opção para o Brasil. A outra opção é atolar na violência, como Serra Leoa.


 

OS EFEITOS DA EXPLORAÇÃO ILEGAL
Sobre os índios
• Massacre
Desde o início da entrada de garimpeiros na região, em 1963, doenças e chacinas reduziram a população cinta-larga a 1.300 pessoas, menos de 10% do original
• Doenças
Hoje, cerca de 30% dos índios cintas-largas estão com diabetes. A ingestão de alimentos industrializados trazidos com o garimpo é a principal causa da doença

• Corrupção de valores
A venda ilegal dos diamantes empurra os índios para a criminalidade. Treze cintas-largas estão indiciados por homicídio, formação de quadrilha e contrabando

Para o país
• Evasão de divisas
A Polícia Federal estima que R$ 100 milhões em diamantes são retirados de forma ilegal por ano
• Crime organizado
Sem opção legal, os diamantes são vendidos por quadrilhas internacionais, ligadas ao narcotráfico e até ao terrorismo. Menos de 5% são recuperados

O que poderíamos ganhar com a regularização
• Produção de riquezas
A mineração industrial dos diamantes de Rondônia poderia produzir R$ 3 bilhões por ano
• Impostos
Esse valor poderia render anualmente até R$ 6 milhões somente em tributos federais. O valor aumentaria com os tributos trabalhistas estaduais e municipais

• Distribuição de benefícios
Cerca de 2% do lucro da produção iria para as comunidades locais. Isso reduziria a pobreza na região