sábado, 16 de janeiro de 2016

Os tesouros dos Czares nos Estados Unidos

Os tesouros dos Czares nos Estados Unidos

Museu Internacional da Flórida exibe, até junho, 250 peças pertencentes aos czares da dinastia Romanov, que reinaram na Rússia por 300 anos, de 1613 até a revolução comunista, em 1917. Na exposição, você vede perto muitos objetos que jamais saíram dos subterrâneos do Museu do Kremlin, em Moscou. Como a tampa de prata e pedras preciosas do sarcófago do príncipe Dimitri, filho caçula de Ivan, o Terrível, que morreu misteriosamente aos 9 anos de idade, em 1591. Sete anos depois, a dinastia Rurik chegava ao fim, com a morte do czar Fiodorn, e entravam em cena os Romanovo Outras curiosidades da mostra são: a preciosa coroa usada por Pedro, o Grande, em 1682, e o ovo Fabergé, uma jóia que o último czar, Nicolau n, deu à sua esposa Alexandra, na Páscoa 1913.

Algumas sensacionais pedras na cor azul

 Algumas  sensacionais pedras na cor azul

1- O topázio Azul

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O topázio é uma das mais lindas pedras azuis que existem na natureza. O topázio é uma pedra semi-preciosa. Ele vale pela versatilidade. Tem de diversas cores. Seu nome real é  nesossilicato de flúor e alumínio.
O Topázio azul é a pedra preciosa estado do estado americano do Texas.  A ocorrência natural do topázio azul é bastante raro. Tipicamente, o material incolor, cinzento ou amarelo pálido é tratado com calor e irradiado para produzir uma pedra com tom de azul mais escuro. 
O azul é o preferido de muitos designers de jóias. Sua coloração intensa e transparência dão ao Topázio uma chance efetiva de ser a mais linda pedra azul que existe. Mas sabemos que não será uma disputa fácil, e você perceberá isso no decorrer deste post!

2- Labradorite

Esse é maneiro, olha só:
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A Labradorite é um mineral do grupo dos feldspatos, sendo um dos membros cálcicos intermédios da série da plagioclase. São frequentes os cristais maclados. Tal como todos os membros da série da plagioclase, cristaliza no sistema triclínico e possui três direções de clivagem duas das quais formam prismas quase retos.
Se você não entendeu nada, tudo bem. O que você precisa saber mesmo é que esta pedra é lindamente azul e iridescente, isso é, seu brilho muda de acordo com o ângulo da luz que atinge a pedra. Isso a torna tão legal que seria uma boa pedra para ganhar de presente de um Elfo na terra Média.
Essa pedra ocorre em sob a forma de grãos de cor branca a cinza em rochas ígneas máficas, sendo um feldspato comum em basaltos, gabros e anortositos. A sua característica mais facilmente reconhecível são as sua reflexões superficiais com aspecto de mancha de óleo.

3-Azurita azul

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Pensa só numa pedra de alto teor de cor azul. Ela tem uma cristalização belíssima até em estado bruto. Uma coisa interessante deste mineral é que ele está entre os raros minerais que você vai achar nas pinturas antigas! Sim, porque antigamente, não rolava ir comprar uma tinta azul na loja. O cara que precisasse de azul para pintar, necessitava obter a tinta em forma de pó, que era o corante, no qual ele iria misturar um líquido qualquer (geralmente clara de ovo) para gerar uma tinta. O nome azurita tem origem na palavra árabe para azul. Desde há muito tempo usada como pigmento mineral azul. Usada também em jóias; os melhores espécimes são apreciados por colecionadores de minerais.
Muitas vezes, a azurita está misturada com a malaquita, e isso nos dá duas cores azuis pelo preço de uma!
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4- Água-Marinha

Falar em pedra azul sem citar a fabulosa água-marinha é praticamente um crime hediondo! A pedra tem este nome porque ela parece uma água magicamente endurecida. Sua transparência e tonalidade de azul claro contrasta com as rochas adjacentes, como nesta acachapante cristalização com turmalina negra e albita branca.
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A água-marinha é uma variedade do berilo, com uma composição química de silicato de alumínio e berílio. A cor da água-marinha varia do verde-azul a azul-claro. O Brasil é o maior produtor do mundo, mas esta gema é encontrada um pouco por todo o mundo. No Brasil existem cerca 10000 variedades de águas-marinhas que assim como os animais também estão entrando em extinção nas minas de Rondônia e Rio Grande do Norte onde são encontradas as melhores pedras do país. A Rainha da Inglaterra possui várias gemas daqui, que lhe foram dadas de presente quando ela esteve em visita no Brasil.
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A pedra da morte:
Na década 50 foi encontrada em Resplendor, Minas Gerais, a maior água-marinha do mundo que, devido à sua beleza, foi denominada “Martha Rocha”, a Miss Universo da época. Foi também motivo de muitas brigas e mortes na região. A mais pesada tinha 110 kg, e suas dimensões eram de 48,5 cm de comprimento e 42 cm de diâmetro. Tem fractura desigual e clivagem imperfeita. A sua cor varia desde o azul-claro ao azul-esverdeado ou até mesmo tende aos tons escuros. São raros os exemplares com um azul intenso e sem tons esverdeados, uma vez que a maioria das águas-marinhas com um azul perfeito foram sujeitas a tratamentos especiais, o sendo o principal o aquecimento da gema. Este tratamento elimina os tons esverdeados fazendo com que a gema fique com um aspecto mais impressionante. Contudo, nem sempre as pessoas preferiram assim, algumas pessoas preferem os tons naturais por ser mais parecido com o “azul do mar” que lhe deu o nome.

5-Cristais de Clinoclase


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Muitas vezes, a grandiosidade de uma pedra azul não está exatamente em sua cor ou transparência, mas em sua sensacional cristalização. Com cristais que lembram belos ouriços azuis, a Clinoclase garante seu lugar nesta lista. Clinoclase, é um mineral, composto de arsenato de cobre.

6-Kianite Água Aura 

É quase um nome de filme. Com um titulo pomposo desses, não podemos esperar nada menos que um espetáculo natural de colar nosso queixo no chão. E o melhor: éééééé do Brasiiiiil!
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cianite ou cianita cujo nome deriva do grego kyanos, que significa azul, é um silicato tipicamente azul, mas que pode ser também incolor, verde ou castanho. É geralmente encontrada em pegmatitos metamórficos ourochas sedimentares ricos em alumínio.
É também chamada de distênio (ou distena) , que significa duas forças (do gr. sthenos) , porque tem durezas bem diferentes conforme a face considerada.
A cianite é um polimorfo da andaluzita e da sillimanita. É um mineral fortemente anisotrópico, ou seja, muda de cor de acordo com o ângulo da luz.

7-Chacantita

Outra pedra de incrível azul e cristalização impressionante chama-se chacantita, que por sua vez é a versão pura do sulfato de cobre encontrada na natureza.
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A cor é de tirar o fôlego! E graças a sua composição química, essa pedra causa irritação na pele e mucosas. Se não estou enganado, dá pra fazer essa pedra em laboratório!
Muitas vezes, ela pode aparecer dando aquele toque de genialidade que torna um cristal “Ok” numa pura obra de arte da natureza:
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8-Cavansite

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Na foto acima podemos ver cristais pequenos de cavansite impregnando cristais maiores de Stilbite, encontrada na Índia.
A Cavansite , cujo nome é derivado de sua composição química, (ca lcium van adium si lica te) , é uma pedra de um azul profundo, mineral de cálcio hidratado, e filosilicato de vanádio. Foi descoberta em 1967 em Malheur County , Oregon. Ele é um mineral relativamente raro. É polimórfico com o mineral mais raro ainda, pentagonite . É mais freqüentemente encontrado em Poona , Índia e nas armadilhas de Deccan , uma grande província ígnea .

9-Conichalcite

Outro que está aqui por sua cristalização que parece mais um pequeno milagre. Olha que coisa linda e delicada:
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Com tom de azul piscina, o Conichalcite está aflorando de uma grande pedra de Agardite. Esta forma de cristalização é comum e áreas de oxido de cobre e em jazidas de cobre. Conichalcite é frequentemente encontrada incrustada em pedras de cores que vão do amarelo às cores vermelhas.

10- Tanzanita

A Tanzanita deve ser o cristal mais “azulaço” que tem. Esse mineral é tão azul que dependendo da luz do ambiente pode parecer preto. Na luz do sol ele revela seu esplendor:
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A Tanzanita  é uma variedade do mineral zoisite descoberta nos Montes Meralani no norte da Tanzânia em 1967 próximo de Arusha, afirma-se que por um natural de Goa de nome Manuel de Sousa. Desde então, a gema causou grande popularidade,principalmente  nos EUA, onde a Tiffany & Co. teve um papel fundamental tanto no seu batismo, como na sua apresentação ao mercado e subsequente promoção.
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Trata-se de uma gema popular e valiosa, sobretudo por sua cor e raridade (Ela é só 10.000 vezes mais rara que o Diamante!). Digno de realce é o forte tricroísmo que apresenta (azul safira, violeta e verde dependendo da orientação do cristal). No entanto, a maior parte da tanzanite recebe tratamento térmico artificial para melhorar a sua cor, o que reduz significativamente esse tricroísmo.
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A pedra tem cor azul-safira, devida ao vanádio. A Tanzânia é ainda a única fonte conhecida dessa pedra no mundo!
E pensar que essas magníficas obras de arte da natureza já estavam aqui quando o nosso planeta nem vida possuía!

50 anos de garimpagem -ouro



50 anos de garimpagem -ouro

Relato sobre as quase cinco décadas de labuta nos garimpos do Tapajós, José Carneiro da Silva (José Come Vivo) contou como começou a extração do ouro na região. Ele encerrou falando da viagem que resolveu fazer a Belém para rever a família. Nesta segunda parte ele revela muito mais.
“Quando eu saí do garimpo para Belém já estava com malária. Foi a primeira vez que ela me pegou. Me tratei, ficando uns 15 dias em Belém. Depois disso peguei um avião da Panair do Brasil, até Santarém. Lá esperei o dia da saída do barco do velho Frasão e vim com ele até São Luis.
Nessa época em São Luis, o Suta e o Anacleto estavam com o movimento de compra de couro de gato selvagem e de jacaré e eu subi com o Suta até o São Martins, onde peguei um 10/12, que já havia por lá nesse tempo, o qual me levou até São José. Quando cheguei ao garimpo o Araújo já tinha brigado com o Inocêncio e já estava tocando serviço no Canta Galo.
A essa altura a gente já tinha muito serviço para tocar, pois já havia 22 grotas exploradas. No rancho a gente tinha muita farinha, muita munição, mas faltava muita coisa. Como já tinha 850 gramas de ouro eu falei que iria a Jacareacanga fazer compras. Mas, a mercadoria que eu encontrei lá só deu umas 350 gramas de ouro, já que não tinha tudo que a gente precisava. Assim mesmo voltei. A gente tinha o ouro, mas faltavam as coisas básicas para a gente comprar. Teve um camarada de Forlândia que começou a levar carne para o garimpo. Ele matava os bois, salgava, enchia latas de 20 quilos e vendia o quilo por três gramas de ouro. Tudo chegava muito caro. Uma caixa de óleo de cozinha, de 36 latas custava 180 gramas de ouro, ou 5 gramas de ouro a lata.
Nesse período tinham entrado uns japoneses com a disposição de tirar ouro do Tapajós. Tava um fole só no José com aquele monte de japoneses da família Okada, de Santarém e mais um bocado de japoneses que vieram de Tomé-Açu.
Foi nesse tempo que começou a exploração de ouro com maquinário, coisa que já era conhecida nos garimpos de Minas Gerais. Quem comprou o primeiro motor para mim, em São Paulo, foi o velho Zé Calegari, pois eu não entendia nada disso. Era um motor M
Mercedes e foi o primeiro a funcionar no garimpo do Tapajós. Foi construída uma balsinha de madeira, tipo duas canoas, para poder transportar o motor, as bombas, mangueiros e tudo mais até o Igarapé do Canta Galo.
Era muito difícil trabalhar com aquele equipamento; tudo era pesado demais; só o revestimento era enorme; um bocal daqueles pesava mais de 50 quilos; para trocar era muito complicado. Não exista o bico jato. A gente fazia tipo um barreiro e arrastava aquela terra com enxada.
O garimpo do Marupá (que tinha sido descoberto pelos Sudário em 1958) estourou nesse período com exploração de ouro na base do mergulho, modalidade que também começou nessa época no Tapajós. Esse ouro foi descoberto por um professor francês, conhecido por Mário Francês, de Macapá. Descendo o Rio Marupá ele viu muito ouro na areia. Ele botou uma lontona e fez 900 gramas, não sei em quantos dias. Com isso foi descoberto o ouro do leito do Marupá. Havia uma tal de madame Salomé, que gastou muito dinheiro mandando fazer uma planta no Rio de Janeiro, com a finalidade de achar o ouro com maior facilidade; existia, também, o Jacinto Pessoa, que sempre mexeu com mergulho. Como ele conhecia esse serviço e onde encontrar gente para trabalhar nele, foi até Roraima onde contratou um bocado de mergulhadores. Eles ficaram um tempo. Não deu certo porque uns começaram a roubar os outros e muitos foram embora. Isso tudo estava acontecendo na década de 1970.
A gente continuava trabalhando com aquele tipo de equipamento do qual eu já falei, quando passou um goiano conhecido por Maciel, que ao ver aquilo disse: é meu patrão, tudo vale, mas já existe bomba de sucção, pequena, com bico-jato, melhor do que isso, que dá muito mais resultado. Serviço que você gasta uma semana com isso aí, você faz num dia com o outro. Como que a gente pode fazer isso aqui, Maciel, perguntei. Ele disse que se houvesse um bom torneiro e a gente desse dinheiro para ele ir buscar umas duas carcaças velhas de bomba em Roraima, o problema estaria resolvido. O dinheiro foi dado pelo meu irmão João.
O Maciel viajou e fez o que prometeu. Voltou por Santarém, onde encomendou as adaptações ao mestre Chico, um torneiro que tinha aberto uma tornearia lá. E a bomba realmente funcionou muito bem, pegando o nome do torneiro. Ela ficou conhecida como Bomba Mestre Chico, espalhando-se por muitos garimpos. Mas, tinha um problema: depois de três ou quatro dias de trabalho a gente tinha que carregar de volta para revestir a carcaça. Foi quando entraram os engenheiros da Frankel e da Hidrojet que fizeram um estudo do material que tinha que ser processado, o que resultou em bombas resistentes. Surgiu logo depois o motor Agrale, que o Paulo da Imatec vendeu com vendeu como folha de pau. Foi nesse momento que estourou de novo, com grande intensidade, o ouro do Tapajós, no ano de 1978.
Eu passei quatro anos afastado do Canta Galo. Eu já era separado de minha mulher (Ivanilda Tavares da Silva, conhecida por Preta). Eu tinha as pistas de pouso do Matraca, da Nova Brasília, da Forquilha do Canta Galo e a mais antiga que era a do Canta Galo. Eu contava com a família para tocar um e outro, mas, ninguém quis nada. Minha ex-mulher começou a encrencar querendo ficar lá dentro (no Canta Galo). Eu tinha um filão, num local que a gente chamava Inferno Verde onde eu fiz uma nova base que eu fiquei usando. Mas, ela continuou arengando. Se eu arrumava um cozinheira, ela dizia que era minha mulher.
A implicância foi grande. Até que eu resolvi que iria dar uma volta nas Guianas. Se me acostumasse lá talvez nem voltasse mais. Mas, se não gostasse, nada podia me impedir de voltar. A essa altura eu já tinha feito uma pesquisa no Ouro Roxo, já tinha feito um contrato com a RTZ. Acho que foi em 1986. Algum tempo depois a RTZ saiu. Como eu queria sair eu chamei o geólogo Nelson Bueno, de Manaus, que tinha intermediado o negócio com a RTZ. Perguntei se ele queria cuidar do garimpo, oferecendo a ele 20% de qualquer negócio que ele viesse a arrumar.
Passei uma procuração para o Nelson, pessoa física, mas ele passou para o nome da empresa dele, a Matapi. Um dia ele me ligou para Paramaribo, dizendo que tinha feito negócio. Disse que ia me repassar um dinheiro. Nisso, se passaram quatro anos que eu estava lá fora, sempre mexendo com garimpo, rodando pela Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, nessa última o lugar mais complicado de todos. Depois fui para Roraima, para onde me ligaram dizendo que tinham invadido o Ouro Roxo. Invadiram o local onde a RTZ tinha pesquisado e encontrado uma mina com 36 toneladas de ouro há 400 metros de profundidade. Eu vim para Manaus para me encontrar com o Nelson, a quem disse que a gente devia ir até o garimpo, pois se eu estava pagando vigias lá, não podia ter acontecido a invasão. O Nelson tremeu nas bases e não quis ir, dizendo que tinha medo de garimpeiros o matassem. Depois disse que iria.
Passamos primeiro em Jacareacanga, onde me encontrei com o Eduardo Azevedo, que me disse que eu teria que indenizar o pessoal, se quisesse que os garimpeiros saíssem da minha área. Eu falei para ele que era muito bonito se uns invasores entrassem na fazenda dele, comessem os bois dele e ele ainda tivesse que indenizar. Dessa balada foi até Belém procurar o DNPM onde falei com o diretor, Dr. Sebastião, que me recebeu bem. Ele prometeu mandar um técnico na área e mandou para fazer um levantamento; os garimpeiros foram intimados. Havia muito ouro na área, mas infelizmente não demorou para o Dr. Sebastião ser transferido, entrando o Dr. Every Aquino no seu lugar e um outro diretor, que eu não sei se participava de umas decisões estranhas. Toda vez que era para a Polícia Federal entrar na área, saía um alvará. Não eram eles que erravam; quem errava era sempre o computador. Com alvará de um pedaço da área, de 50 hectares, de 100 hectares, a Polícia Federal não podia entrar. Isso levou dois anos e meio. Foi quando o grupo RTZ, que tinha direito de pesquisa da área concedido por mim, resolveu voltar para a mesma para retomar os trabalhos, mas, tendo que ceder um pedaço para a cooperativa. Essa é a situação atual. De acordo com o contrato, se a empresa concluir que deve explorar a área terá que me indenizar primeiro. É um contrato de risco. Por isso, embora eu não esteja lá dentro, continuo ligado ao garimpo Canta Galo até hoje.
Eu quero voltar lá atrás para não ficar nenhuma dúvida sobre quais foram os primeiros exploradores dos garimpos do Tapajós. Começou com o Nilçon, que não foi nem ele quem descobriu bastante ouro, mas o seringueiro que vendeu a área para ele, porém, quase ao mesmo tempo os Sudário descobriram o Marupá, em 1958. Eu e meus companheiros fomos a terceira turma a entrar nos garimpos do Tapajós.
Os Sudário (Bebé, Antônio, Elias e Raimundinho) eram seringueiros nas Tropas numa colocação chamada Laranjal. De lá, com a notícia de que o Nilçon estava fazendo muito ouro foi que eles vararam para o Marupá, onde encontraram ouro. Depois do Marupá veio o Porto Rico, explorado pelo Fulgêncio. A primeira pista de lá foi construída pelo comandante Camargo. Mas, do meu conhecimento, a primeira pista da região de garimpo do Tapajós foi a do Murupá, que se não me engano, foi feita em 1964, feita no braço.
Com os sinceros agradecimentos à Ouro Minas, que acreditou neste projeto e empresta sua marca consagrada como empresa parceira do mesmo, o Jornal do Comércio dará prosseguimento ao resgate da memória dos 50 anos da garimpagem de ouro no Tapajós, contando outros episódios dessa saga, trabalho que só terminará na última edição deste ano.

Garimpo do MARUPÁ

Garimpo do MARUPÁ 

Garimpeiros que sofrem
Cobrança ilegal de percentual 10 % pela extração de ouro no Garimpo do MARUPÁ vem sendo cobrada pela família Sudário, que tem a frente o conhecido “ZÉ DO BEBE DO SUDÁRIO. Ele alega, que o garimpo pertence a família Sudário, que mesmo tendo trabalhado alguns anos e abandonado há mais de 20 anos a atividade garimpeira, inclusive não possuem nenhum documento (de posse do INCRA e Mineral do DNPM) agora, estão querendo retomar ao garimpo, expulsando centenas de garimpeiros que há mais de 20 anos estão trabalhando ali. 

Informações procedentes daquele garimpo, via telefone, dão conta que Zé do Bebe Sudário, chegou no garimpo em companhia de algumas pessoas (cerca de 6 pessoas) se titulando policiais de Santarém, que passaram a cobrar comissão de 10% da produção de cada garimpeiro, que ali está trabalhando. Com medo e ameaçados, os garimpeiros estão pagando. 
Quem não pagar, é obrigado a parar a garimpagem. As informações dão conta que mais de 2 quilos de ouro já foram arrecadados pelos falsos policiais, que não tem poder de cobrar, já que o bem mineral é da União e as pessoas que estão a frente desta ilegalidade não possuem nenhum documento e mesmo que possuíssem era para trabalhar e não para cobrar comissão. O fato já foi comunicado a policia de Itaituba, que deverá seguir até aquele garimpo para prender os aproveitadores.

GARIMPO DO SÃO DOMINGOS

GARIMPO DO SÃO DOMINGOS 

Moinho gerador: Retirado da área de conflito.
Garimpo do São Domingos, onde há uma semana a Mineradora Aurora mandou retirar vários equipamentos de extração de ouro.
A Mineradora, que é detentora de um Alvará de Pesquisa Mineral, de 5.000 hectares, usando força:

Policia Federal, SEMA ESTADUAL e a Policia Militar Ambiental retirou da área equipamentos usados pelos garimpeiros, mais de 2.000 garimpeiros que trabalham direta e indiretamente no Garimpo do São Domingos, no município de Itaituba.
Os garimpeiros alegam que trabalham ali mais de 40 anos e que o representante da empresa Mineradora Aurora acompanhado dos agentes chegaram e deram uma notificação para os garimpeiros se retirarem da área.  Entretanto, retiraram em um carro muck oito moinhos, equipamentos que serve para moer as pedras e levaram para o acampamento da empresa Aurora ali mesmo no garimpo do São Domingos. Os garimpeiros não reagiram a operação.
A NOTIFICAÇÃO entregue pela Divisão Especializada em Meio Ambiente, subordinada a Policia Civil do Estado do Pará, solicita dos garimpeiros a Licença Ambiental para trabalhar na área, o que eles não possuem, já que estão moendo pedra nas áreas requeridas pela empresa. Após notificarem vários garimpeiros e apreenderem os moinhos, os agentes se retiraram da área.
 Devido a operação, os garimpeiros, que trabalham na região, ficaram assustados e paralisaram suas atividades, com medo de terem seus equipamentos apreendidos e até destruídos.Com isso o garimpo, que começava uma nova era, está vivendo um clima tenso e duvidoso, com a possibilidade do garimpo do São Domingos, que existe desde 1960,(mais de 20 toneladas foram extraidas), fechar e seus habitantes não terem para onde ir e de que sobreviver, com grandes prejuízos para quem investiu em maquinário, combustível e que está devendo ao comércio.
A preocupação dos garimpeiros, é que a qualquer momento uma nova operação possa ser realizada. Os garimpeiros, através da Cooperativa prometem resistir e não sair do garimpo, segundo o presidente da entidade, Raimundo França. Se for preciso, vamos fazer quantos movimentos necessários para sermos respeitados e continuar trabalhando no garimpo, afirmou França.
Para o garimpeiro Valdenor dos Santos, o que mais revoltou foi que a empresa (AURORA) vivia em um clima de paz e tranqüilidade com os garimpeiros e de uma hora para outra agiu covardemente com a gente, trazendo agentes para retirar nos maquinários da terra que há anos estamos trabalhando. Em busca do sustento de nossas famílias. O garimpeiro Dejair Alves, não entende porque a empresa agiu desta maneira, já que os garimpeiros são parceiros das mineradoras. O ouro que tiramos fica bem acima do ouro que as empresas vão explorar, por isso não atrapalhamos as  mineradoras.
Ricardo Cesar tinha 40 homens trabalhando com ele e agora estes pais de famílias estão “rodados”, como é conhecido quem está desempregado no garimpo. Ricardo disse que o mais revoltante é os equipamentos apreendidos terem sido levados para o pátio da mineradora. O garimpeiro espera receber seus moinhos de volta e que a empresa possa dialogar com eles para voltarem a trabalhar.
Em decorrência da ação, a atividade garimpeira no São Domingos está praticamente parada. Os equipamentos (moinhos) continuam no pátio da Mineradora Aurora. Os garimpeiros aguardam alguém da empresa para encontrar uma solução. Eles querem continuar trabalhando no Garimpo São Domingos, como já estão há anos.