terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Garimpo no rio Grande abasteceu tráfico de diamantes

Garimpo no rio Grande abasteceu tráfico de diamantes



Edvaldo Santos
Balsas apreendidas pela Polícia Ambiental em garimpo do rio Grande, entre Paulo de Faria e Itapagipe (MG), em novembro de 2008: área é controlada por Antônio Marques da Silva, o Marquinhos
O empresário Antônio Marques da Silva, 54 anos, ex-presidente da Coopergrande (Cooperativa dos Garimpeiros do Baixo Vale do rio Grande), com sede em Frutal (MG), é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o principal fornecedor de diamantes para uma rede internacional de tráfico de pedras preciosas. Investigação de dois anos da Polícia Federal revelou que diamantes extraídos ilegalmente pelo empresário eram enviados para países da América do Sul, Europa e Ásia.

As informações constam de relatórios da PF e do MPF, a que o Diário teve acesso com exclusividade. A Operação Quilate, desencadeada no dia 12 de agosto deste ano, prendeu 11 pessoas. No total, 25 envolvidos, sete deles estrangeiros, foram denunciados à Justiça Federal por formação de quadrilha, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A denúncia foi aceita pelo juiz da 6ª Vara Federal em São Paulo, Fausto Martin de Sanctis.

“Desvendou-se o caminho percorrido pelas pedras preciosas obtidas por intermédio da sistemática e persistente extração em lavras garimpeiras localizadas, sobretudo, na represa formada pela usina hidrelétrica de Marimbondo (entre Guaraci e Frutal). (...) As pedras preciosas, sem qualquer controle, eram vendidas a intermediários, que desenvolviam um amplo comércio, com conexões internacionais”, escreve a procuradora Daniela Pereira Batista Poppi.

Essa área pertence a Marquinhos em associação a João de Deus Braga, 58 anos, outro denunciado pelo MPF. Nela, centenas de balsas extraíram diamantes ilegalmente durante dez anos. De acordo com a denúncia, cabia a Marquinhos e João de Deus oferecer as pedras a atravessadores de Franca (SP) e Uberlândia (MG) ligados a Jorge Khabbaz, empresário de Franca e líder de todo o esquema.

Por ele, os diamantes do rio Grande ganhavam o mundo escondidos no corpo de “mulas”. As pedras eram levadas de avião para a Itália, Líbano, Bélgica, Suíça, Estados Unidos, Chile, Israel e Guiana. Parte do dinheiro arrecadado voltava para o Brasil por meio de operações cambiais ilícitas como o dólar-cabo, em que o doleiro tem contas bancárias nos países de origem e destino do dinheiro - a soma é depositada na conta dele no exterior, e o doleiro deposita a mesma quantia na conta do interessado no Brasil, ou vice-versa.

Além disso, segundo a PF, Khabbaz mantinha duas offshores em Dubai e no Panamá, onde supostamente depositava parte do lucro com as pedras. Para a procuradora do MPF, a estratégia visa a “dissimular a origem ilícita dos valores obtidos com as práticas criminosas”. Há indícios no processo judicial de que os diamantes negociados por Marquinhos e João de Deus alcançassem cifras milionárias. Na casa de João de Deus, os policiais federais apreenderam uma mensagem em que um homem de Goiânia oferece a ele um diamante de US$ 4 milhões, que estaria guardado em um banco de São Paulo.

Em julho deste ano, em diálogo interceptado pela PF, Marquinhos telefona para um atravessador e oferece uma pedra. Mozair pergunta se ela é “branquinha, purinha”. Marquinhos responde: “Linda de morrer”. Três meses antes, outro traficante diz a um interlocutor que comprou uma pedra de 2,3 quilates “da balsa do Marquinhos” - ele não informa o valor do negócio.

O empresário de Frutal também negociou pedras com o belga George Sztajnfeld. No escritório dele, em Uberlândia, a PF apreendeu notas fiscais da Coopergrande, que Marquinhos presidia. Em março, outra ligação tratando de um diamante de Marquinhos, que seria comercializado em Paris, é interceptada pela PF.

“Inquestionável era sua ciência quanto à irregularidade do comércio empreendido, uma vez que é pessoa renitente na prática de lavra e extração mineral ilícita, conhecendo bem o funcionamento da mercância de pedras preciosas”, escreve a procuradora do MPF na denúncia à Justiça.

Fazendas

Marquinhos plantava abacaxis em Frutal quando, nos anos 90, descobriu o garimpo. Comprou uma área no meio do rio Grande e montou balsas para a extração de diamantes do leito do rio. Logo atraiu garimpeiros de todo o Brasil, que trabalhavam na área em troca de um percentual sobre cada diamante encontrado. Hoje, é dono de duas fazendas em Frutal, onde cria gado leiteiro.

No fim de 2007, chegou a fazer lobby em Brasília pela legalização do garimpo. Não conseguiu. Mesmo após sucessivas blitze do Ibama e da Polícia Ambiental no garimpo em Guaraci, ainda mantém cinco balsas em Paulo de Faria. Marquinhos e João de Deus foram denunciados pelo MPF por formação de quadrilha e receptação qualificada.
Guilherme Baffi/Colaboração/Samir Alouan
Policiais fazem blitz em garimpo; no detalhe, o empresário Marquinhos
Receita cobra R$ 10 milhões de empresários

A Receita Federal cobra dos empresários Antônio Marques da Silva, o Marquinhos, e João de Deus Braga, donos de área no garimpo do rio Grande, o total de R$ 10 milhões em impostos não declarados, segundo o advogado de ambos, Augusto Lopes. Isso porque, ainda conforme o advogado, no início da década os dois teriam movimentado R$ 80 mil por semana, em média, em uma conta bancária conjunta, valor que não teria sido inteiramente declarado ao Fisco. O advogado não soube informar o percentual desse dinheiro que se refere ao comércio de diamantes.

Contra João de Deus pesa um processo por crime contra a ordem tributária, que tramita na Justiça Federal de Uberaba. No caso de Marquinhos, a cobrança ainda ocorre na esfera administrativa da Receita. Por incentivarem a extração de diamantes no rio Grande, com balsas próprias ou de outros garimpeiros, João de Deus e Marquinhos colecionam 36 processos na Justiça Federal de Rio Preto e Ribeirão Preto por crime ambiental. Em um deles, ambos foram condenados a pagar dez salários mínimos em agosto deste ano por usurpação de bens da União, crime previsto na lei 8.176, de 1991.

Dano ambiental

Há ainda o estrago ambiental. Sob a presidência de Marquinhos, a Coopergrande, cooperativa dos garimpeiros do rio Grande, foi multada em mais de R$ 9 milhões pelo Ibama. As dragas utilizadas para extrair o cascalho do fundo do rio danificam o chamado ambiente bentônico, a flora e a fauna do fundo do Grande.

De acordo com o relato de pescadores locais, a extração acaba com as locas - cavidades no fundo do rio que servem de abrigo e de esconderijo para espécies de peixes como o jaú. Outro dano ambiental ocorre quando o cascalho que é “lavado” pelos garimpeiros na balsa em busca do diamante é jogado de volta ao rio. Como as balsas ficam ancoradas em um ponto só do rio, acompanhando o nível da água, o cascalho é jogado em apenas um ponto do Grande, chegando a formar ilhas visíveis nas estiagens, quando o nível do rio abaixa.

O dano ao meio ambiente se repetiu em terra firme. Por um mês em 2008, Vicente Paulo do Couto retirou cerca de 100 toneladas de terra todos os dias de uma área de quatro hectares (equivalente a cinco campos de futebol) em busca de diamantes no garimpo do Bandeira, à beira de um córrego, em Frutal. Tudo sem autorização legal. O empreendimento foi lacrado pelo Ibama após reportagem do Diário.

‘Eles serão inocentados’

O advogado Augusto Lopes, que defende Antônio Marques dos Santos, o Marquinhos, e Vicente Paulo do Couto no processo judicial decorrente da Operação Quilate, negou o envolvimento de ambos no esquema de tráfico internacional de diamantes. “Em todas as ligações telefônicas captadas pela PF não há uma em que a venda (de diamantes) tenha sido comprovada. O que há são ofertas de compra e venda, apenas isso”, diz. Para ele, esse foi o motivo pelo qual a PF não solicitou à Justiça a prisão preventiva de Marquinhos e João de Deus.

Lopes confirma que a dupla tem uma área no rio Grande e que negocia diamantes, mas garante que é em pouca quantidade. “Os caras (atravessadores) pedem diamante de 200 mil (reais), e eles nunca têm mais de 20 mil (reais) em pedras”, afirma. “Tenho certeza absoluta de que serão inocentados.” O advogado disse desconhecer o documento apreendido na casa de João de Deus em que um atravessador de Goiânia oferece a ele um diamante de US$ 4 milhões. “Essa informação eu não vi nos autos.”

Sobre os processos por crime ambiental e usurpação de bens da União, Lopes disse que ambos foram inocentados em todos - na sexta-feira, o Diário constatou que a maioria deles ainda tramita nas respectivas varas judiciais, sem julgamento. Na versão do advogado, durante as blitze da Polícia Ambiental os garimpeiros “corriam” com as balsas para a área de Marquinhos, que, segundo Lopes, tinha alvará de pesquisa para extrair uma pequena quantidade de diamantes - informação desmentida pelo Ministério Público Federal. “Por isso ele tem tanta ação na Justiça”, explica o advogado.

A respeito das irregularidades na declaração tributária da dupla, Lopes criticou o valor cobrado e rebateu as argumentações da Receita. “Movimentação financeira não é renda. Vem e vai na conta”, argumenta. João de Deus não quis falar com a reportagem sobre as acusações da PF e do MPF. Já Marquinhos estava viajando na última semana, e não foi localizado até a noite de sexta-feira. A advogada de Vicente Paulo do Couto, Íris da Mata, rebate as acusações de crime ambiental. “O distrito do Bandeira depende do garimpo. Depois que fecharam tudo, as pessoas estão passando fome lá.”

Rio-pretense ofereceu pedra por R$ 200 mil

Os grampos da Polícia Federal captados com autorização judicial na Operação Quilate revelam a movimentação intensa do comerciante de joias em Rio Preto Fauzi Ahmad Farhat, 45 anos, no comércio ilícito de diamantes. Ele oferece diamante por R$ 200 mil e recebe a proposta de compra de outra pedra por US$ 700 mil. Conforme as escutas da PF, Fauzi mantinha contato estreito com Jorge Khabbaz, líder do esquema. Segundo o relatório do delegado Felipe Eduardo Hideo Hayashi, que chefiou a operação, há indícios de que Fauzi também atue como doleiro.

Nascido no Líbano, Fauzi mudou-se para Rio Preto há 20 anos. Aqui casou-se e teve três filhos - mora no Parque Celeste, zona sul da cidade. Muçulmano, tem um irmão na Bélgica e outro no Líbano. Especializou-se no comércio de joias e, até agosto, quando foi deflagrada a operação, mantinha um escritório na Galeria Bassitt, Centro, onde comprava e vendia ouro e pedras preciosas - tinha fama de vender joia barata.

A maioria das conversas de Fauzi captadas é de março deste ano. Em uma delas, Fauzi oferece a Khabbaz um diamante por R$ 200 mil. Jorge se propõe a levar a pedra até a Itália, onde seria vendida pelo dobro do valor - Fauzi ficaria com R$ 300 mil, e Khabbaz com o restante. Mas, até agosto, quando a operação da PF foi deflagrada, o comprador não havia pago a pedra, e Khabbaz fica em dívida com Fauzi.

Em outra ligação, dia 21 de março, Khabbaz se mostra entusiasmado com um diamante de dez quilates oferecido a ele por um atravessador de São Paulo. “Vale setecentos, oitocentos mil dólares”, diz Khabbaz, que convida Fauzi para ir à Capital ver o diamante. “Você tem que vir pra São Paulo, porque nós temos que dar um jeito de comprar essa pedra”, diz Khabbaz. O relatório do delegado não informa se o negócio foi concretizado.

No mesmo dia, telefona novamente para Falzi e trata de novo negócio. Ele diz que está “lutando para que cada um ganhe trinta (mil) livre de custos”. O comerciante diz que precisa do dinheiro dos “fornecedores” - tem de dar 16 mil dólares na segunda em Rio Preto e o resto até o fim do mês, dando a entender que há mais atravessadores de diamantes na cidade.

Fauzi afirma ter negócios com pedras preciosas também no Exterior. Em junho deste ano, um homem identificado como César pergunta se Fauzi tem pedra de dois quilates com certificado para vender. Ele diz que sim, mas estão no Exterior e que se ele não vender lá fora vai oferecê-las no Brasil. Em outra ocasião, diz ao interlocutor que sua “mercadoria” está “tudo lá fora”.

Na Operação Quilate, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na casa e no escritório de Fauzi, mas nada foi apreendido. Em setembro, ele foi denunciado por receptação qualificada e descaminho. “Fauzi contatava e era procurado por pessoas para a compra e venda de diamantes obtidos por meio criminoso, isto é, mediante a execução de lavra e extração não autorizadas”, escreve a procuradora do MPF Daniela Pereira Batista Poppi na denúncia.

Brilhante na cueca

Não foi a primeira vez que Fauzi teve problemas com a polícia. Em fevereiro de 2008, ele foi preso em flagrante por crime contra a ordem tributária próximo à praça da Sé, no Centro de São Paulo. Segundo o delegado Edison Santi, que na época chefiava a Delegacia de Repressão a Roubo de Joias do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Fauzi foi flagrado com um anel escondido na cueca e um solitário. Como não provou a origem das joias, foi preso. “Ele disse em depoimento que trabalhava no ramo da alimentação em Rio Preto, e que vendia joias eventualmente”, disse o delegado. No dia seguinte, porém, o flagrante foi relaxado, e o libanês foi solto.

Advogada nega participação de Fauzi

Edneia Maria Gonçalves, advogada de Fauzi Ahmad Farhat, negou envolvimento do comerciante com o tráfico de diamantes. “Ele está estabelecido há muitos anos em Rio Preto, e nunca mexeu com joias de origem ilícita”, disse. Segundo ela, todas as pedras provinham de outros comerciantes rio-pretenses, e eram legalizados, com certificado de origem.

Sobre o diamante de R$ 200 mil oferecido por Fauzi a Jorge Khabbaz, Edneia afirmou que o comerciante sempre trabalhou com pedras pequenas. “Ele nunca negociou diamante acima de dois ou três quilates”, disse. Segundo a advogada, Fauzi ficou muito abalado após a operação. “Acabaram com a vida dele.” Edneia disse não saber do diálogo em que o comerciante diz ter pedras no Exterior. “Ainda não tive acesso aos autos. Vou a São Paulo na segunda-feira (amanhã) para tirar cópias do processo”, justificou.

A advogada negou que o rio-pretense estivesse com joias escondidas na cueca quando foi preso em São Paulo, no ano passado. “Esse era o João”, disse, em referência a João Carlos Teixeira, dono do escritório na Sé. Segundo ela, o inquérito ainda não foi concluído. Procurado por telefone na quinta-feira, Fauzi não quis se pronunciar. O advogado de Jorge Khabbaz não foi localizado na última semana pelo Diário.

ONU possibilita mapeamento de garimpo na região amazônica


ONU possibilita mapeamento de garimpo na região amazônica

Um diagnóstico completo sobre a região afetada pelos garimpos do município paraense de Itaituba, no rio Tapajós, será realizado através do projeto do órgão de desenvolvimento industrial da ONU.
A localidade foi escolhida para representar o Brasil nos estudos que acontecerão em mais seis países com o objetivo de desenvolver a exploração sustentável do ouro. Faz parte do projeto a elaboração de um mapa referenciado, assim como de um histórico sócio-econômico e sanitário da população.
Está garantido o investimento de US$ 10 milhões para o desenvolvimento dos estudos. Entre os objetivos da ONU está incentivar a garimpagem de ouro primário em rochas no subsolo, o que exige técnicas aprimoradas e tecnologias avançadas. A dificuldade da exploração do ouro primário, no entanto, é recompensado pela maior quantidade de ouro adquirida na garimpagem em rochas subterrâneas.
A qualidade e o preço do ouro primário são iguais ao do ouro aluvionado. Hoje, a garimpagem de ouro primário ainda é incipiente no Estado do Pará, restringindo-se a profundidades que não passam de 50 metros. Enquanto que em Minas Gerais, a mineração subterrânea chega a 2,8 mil metros de profundidade, e na África do Sul existe exploração de ouro primário em mais de dez mil metros abaixo da superfície.
Os estudos no garimpo São Francisco deverão apontar para técnicas e tecnologias exatamente adequadas às condições da região amazônica e as reservas são incalculáveis, muitos bilhões de US$.

Maior jazida de esmeraldas já mapeada no país fica em MG

Maior jazida de esmeraldas já mapeada no país fica em MG

O grupo canadense Seahawk Minerals anunciou a descoberta de uma reserva de 740 mil toneladas de esmeraldas, numa área de 312 hectares dos municípios de Itabira e Nova Era, no Vale do Aço (MG). Segundo a Seahawk, é a maior jazida de esmeraldas já mapeada no Brasil e sua exploração comercial terá início em 2016, e a reserva vale bilhões de US$. A multinacional está concluindo seu plano de desenvolvimento das minas, após três anos de pesquisas e investimento de US$ 50 milhões.
Com a descoberta, a subsidiária brasileira Piteiras Mineração Ltda. passa a ser o carro-chefe das atividades de pesquisa e desenvolvimento de minas do grupo Seahawk no mundo. Além da matriz em Montreal, a companhia mantém explorações de ouro nos Estados Unidos, Guiana Inglesa e Brasil (Rio Grande do Sul e Pará).
Segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, o mercado internacional de pedras coradas, que não inclui o diamante, é de US$ 15 bilhões por ano. O Brasil participa oficialmente com 4% desse mercado, abastecido especialmente por pequenos e médios garimpos.
O grupo Seahawk é dono de 9.5 mil hectares de alvarás de pesquisas nas regiões Sudeste, Sul e Norte do país.

Tese verifica concentração de sedimentos oriundos de garimpos em rios da região Norte


Tese verifica concentração de sedimentos oriundos de garimpos em rios da região Norte

Tese verifica concentração de sedimentos oriundos de garimpos em rios da região Norte

A redução da penetração de luz na água dos rios onde existe atividade garimpeira, provocada pelo acúmulo de sedimentos sólidos despejados, foi objeto de estudo da tese de doutorado de Felipe de Lucia Lobo, bolsista de pós-doutorado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O trabalho foi concluído este ano pela Universidade de Victoria (Canadá), sob orientação das pesquisadoras Maycira Costa e Evlyn Novo, esta da Divisão de Sensoriamento Remoto do INPE.
Os estudos se concentraram na região do rio Tapajós, no oeste do Pará. Quatro bacias sujeitas a diferentes intensidades de mineração foram analisadas: Crepori, Novo e Tocantinzinho (impactadas) e Jamanxim (não impactada).
Foi observado, em tributários com diferentes intensidades de atividade garimpeira, uma variação de concentrações de sedimentos variando entre 0,3 e 111,3 mg/L. Quando elevada, essa concentração causa a redução na penetração da luz. Em corpos d’água com baixa concentração de sedimentos, a zona eufótica (coluna de água em que há luz suficiente para a produção de fito plâncton) foi de 6,2 metros. Essa área é drasticamente reduzida para 1,2 metros em tributários com mais de 100 mg/L de concentração de sedimentos sólidos, podendo causar alterações na composição fito planctônica do rio.
A região do rio Tapajós vem sido alvo da exploração de ouro desde os anos 1950. Motivado pela alta do preço do ouro e pelo incentivo governamental de ocupação e exploração dos minérios, as atividades se intensificaram nos anos 1980, com consequências para o meio ambiente e populações locais, de maneira ainda desconhecida.
A contaminação pelo mercúrio, usado na extração do ouro, chamou a atenção internacional pelos potenciais efeitos danosos à cadeia trófica e consumidores de peixes (população ribeirinha e os próprios garimpeiros). Desde então, inúmeros trabalhos avaliaram os índices de poluição por mercúrio, mas poucos se ativeram à degradação e poluição aquática pela introdução de sedimentos oriundos margens dos rios. Por ano toneladas de sedimento foram e ainda são despejados na rede de drenagem do Rio Tapajós. As consequências para o sistema aquático ainda são desconhecidas.
O trabalho do pesquisador também incluiu a quantificação da concentração de sedimentos nos mesmos tributários a partir de imagens históricas do sistema de satélites Landsat, com o intuito de estender as informações para o período entre 1973 e 2013. Também foi mapeada a distribuição dos garimpos na região e examinado o papel do avanço da atividade garimpeira na mudança da qualidade da água, considerando as características geográficas, como tipo de solo, proximidade à rede de drenagem.
fig1Lobo Tese verifica concentração de sedimentos oriundos de garimpos em rios da região Norte
Esquema ilustrativo da pressuposição que motivou esse estudo. A introdução de sedimento nos rios pela atividade garimpeira reduz a penetração de luz na água, que por sua vez, pode atuar como fator limitante à produção primária de fito plâncton
fig2 studyarea Tese verifica concentração de sedimentos oriundos de garimpos em rios da região Norte
Área de estudo na região do rio Tapajós localizada no oeste do Pará. Quatro sub‐bacias sujeitas a diferentes intensidades de mineração foram analisadas: Crepori, Novo e Tocantinzinho (impactadas) e Jamanxim (não‐ impactada)

Local de extração ilegal de turmalinas na PB funcionava de forma precária

Local de extração ilegal de turmalinas na PB funcionava de forma precária

Policiais encontraram condições precárias de trabalho no local.
Operação da PF e MPF desarticulou esquema milionário de extração.

A Polícia Federal (PF) encontrou condições precárias de funcionamento e de trabalho nas minas onde eram realizadas as extrações ilegais de Turmalina Paraíba, no distrito de São José da Batalha, município de Salgadinhox, no Seridó paraibano. A operação "Sete Chaves", realizada pela PF e Ministério Público Federal (MPF) desarticulou o esquema milionário de extração de pedras preciosas que teria movimentado R$ 2,5 milhões.
A reportagem da TV Paraíba teve acesso ao local junto com os policiais , constatando o local fechado, com buracos encobertos apenas por tapumes, instalação elétrica feita por gambiarras e falta de equipamentos de segurança para o garimpo.
Apenas dois funcionários estavam cuidando do local e confirmaram que, além da falta de condições para funcionamento, os trabalhadores também não tinham carteira de trabalho assinada.
Resgate
O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF) resgatou todo o dinheiro que estava nas contas bancárias em nome dos investigados na Operação Sete Chaves. A determinação do sequestro foi da Justiça Federal, a pedido da Procuradoria da República em Patos. Ao todo, foram retidos R$ 100 mil.
Para o procurador da República João Raphael Lima, o baixo valor encontrado nas contas brasileiras dos investigados, comparado às cifras envolvidas na extração e comércio ilegal internacional, descobertas durante as investigações, é mais um indício de que os suspeitos mantêm o maior volume de dinheiro em contas bancárias fora do país.

Entenda o caso -
A Justiça Federal também determinou o bloqueio dos ativos financeiros existentes em nome dos investigados e a inserção de restrição de transferência de propriedade de veículos automotores em nome dos envolvidos.

O (MPF) obteve a interdição da empresa de mineração que foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a fase ostensiva da Operação Sete Chaves. Conforme a decisão da 14ª Vara da Justiça Federal, as visitas das pessoas e órgãos ao local devem ser comunicadas à Justiça. Na decisão, o juiz Claudio Girão Barreto entendeu que "a demora em se proteger a área onde houve a busca e apreensão poderá produzir efeitos extremamente danosos e eventos imprevisíveis em toda a sua extensão".
O esquema de extração ilegal da turmalina paraíba, desarticulado durante operação conjunta entre a Polícia Federal e o MPF movimentou mais de R$ 2,5 milhões entre os oito investigados. De acordo com o delegado da Polícia Federal Fabiano de Lucena Martins, o potencial exploratório da mina era de cerca de 1 bilhão de dólares.
Os detalhes da investigação, que teve início em 2009, foram divulgados em entrevista coletiva na sede da Polícia Federal, em Cabedelo. Foram apreendidos carros de luxo, uma quantia em dinheiro não divulgada e algumas pedras de turmalina. Nenhuma das prisões realizadas na operação foi feita na Paraíba, segundo a polícia.
Os suspeitos serão indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, usurpação de patrimônio da União, organização criminosa, contrabando e evasão de divisas. A operação ‘Sete Chaves’ ocorreu nas cidades paraibanas de João Pessoa, Monteiro e Salgadinho e também nos municípios de Parelhas e Natal, no Rio Grande do Norte, além de Governador Valadares (MG) e São Paulo (SP).
Esquema
Durante a entrevista coletiva, a Polícia Federal apresentou um mapa  do caminho que as pedras faziam no esquema (veja abaixo). Segundo a PF, o esquema criminoso começava com a extração da pedra no distrito de São José da Batalha, em Salgadinho (PB). Uma empresa paraibana existente no local não possuía licença para extração da pedra, mas segundo as investigações, as pedras paraibanas eram extraídas pela empresa, ilegalmente, e enviadas para uma mina na cidade de Parelhas (RN), onde ganhavam certificados legais de exploração.
Do Rio Grande do Norte, as pedras seguiam para Governador Valadares (MG), para serem lapidadas. Lá, comerciantes enviavam as gemas para o exterior, em mercados na cidade de Bangkok, na Tailândia, Hong Kong, na China e Houston e Las Vegas, nos Estados Unidos.
"As pedras paraibanas são de maior qualidade e portanto atraem maior interesse de colecionadores e dos suspeitos. As pedras eram exportadas como sendo do Rio Grande do Norte, e assim declaradas com valor inferior, e só no mercado do exterior que os comerciantes diziam a real origem da pedra paraibana e portanto vendiam com preço elevado", disse o delegado.

O delegado comentou que por causa da cor e da raridade da pedra, um quilate (0,2 gramas) da turmalina paraíba custa US$ 30 mil. Ainda de acordo com o delegado, a depender das características, o valor pode subir para US$ 800 mil. A turmalina paraíba só é encontrada em cinco minas em todo mundo, três estão na Paraíba e duas na África. As pedras extraídas na Paraíba são consideradas as mais valiosas entre as turmalinas, segundo Fabiano de Lucena Martins.
Mapa divulgado pela Polícia Federal mostra o caminho que as pedras faziam desde a extração ilegal até o destino final, no exterior (Foto: Divulgação/Polícia Federal)Mapa divulgado pela Polícia Federal mostra o caminho que as pedras faziam desde a extração ilegal até o destino final, no exterior (Foto: Divulgação/Polícia Federal)