quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Jaguar obtém até 27 g/t de ouro em Caeté

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A Jaguar Mining informou hoje  que identificou várias interseções de alto teor na mina de ouro Pilar, que faz parte do Complexo Caeté, em Minas Gerais. A empresa canadense destacou o furo PPL302, que encontrou interseção de 7,4 metros com teor de 18,22 gramas de ouro por tonelada, incluindo 4,3 metros com 27,19 gramas de ouro por tonelada.
Pilar é uma das duas minas subterrâneas que fornecem minério para o Complexo Caeté. Essas minas representam aproximadamente dois terços da quantidade de onças de ouro produzida pelo ativo. As informações são de comunicado enviado ao mercado..
A campanha de sondagem na mina teve início no terceiro trimestre do ano passado e visa testar potenciais extensões e profundidades da mineralização abaixo dos atuais níveis em que a atividade de mineração é realizada. A Jaguar disse que todos os furos interceptaram mineralização de alto teor, confirmando a extensão de um sistema mineralizado em profundidade na mina Pilar.
A mineradora identificou também mineralização de alto teor na lapa do principal corpo mineral, chamado de AB, oferecendo a oportunidade para adicionar novos recursos minerais em extensão e profundidade na mina Pilar.
“As interseções dos furos de sondagem confirmam o potencial para expandir as reservas e recursos de Pilar, aumentando portanto potencialmente a vida útil da mina e o perfil de produção. Com esses resultados, nós reiniciamos as atividades de planejamento da mina visando considerar o recomeço das atividades primárias e secundárias de desenvolvimento em Caeté”, disse George Bee, CEO da Jaguar.
O executivo disse, porém, que qualquer decisão de recomeçar essas atividades não será tomada “até que o atual programa de exploração esteja completo, o planejamento e custeamento da mina concluídos e que os resultados econômicos positivos de uma possível retomada no desenvolvimento estejam evidentes”.
Os resultados dos furos de sondagem no corpo mineral AB de Pilar incluem interseção de 8,7 metros com teor de 14 gramas de ouro por tonelada (g/t); 6,1 metros com teor de 8,48 g/t; 13,6 metros com teor de 10,63 g/t; sete metros com 9,22 g/t; 3,7 metros com 20,98 g/t; 5,1 metros com teor de 9,34 g/t; e 3,5 metros com 5,56 g/t.
A campanha de sondagem em Pilar também incluiu o corpo mineral C, que teve cinco furos. Os principais resultados são interseção de 4,3 metros com 41,99 gramas de ouro por tonelada, incluindo 0,6 metro com 82,42 g/t; e interseção de 6,6 metros com teor de 10,95 g/t, incluindo 24,86 g/t.
A Jaguar opera no Brasil por meio de três empresas, a Mineração Serras do Oeste (MSOL), a Mineração Turmalina (MTL) e a MCT Mineração. A mineradora canadense possui ainda as minas de ouro Turmalina e Paciência, também em Minas Gerais, o projeto Gurupi, no Maranhão, e o projeto greenfield Pedra Branca, no Ceará.

Empresário: “Região do Tapajós já explorou 800 toneladas de ouro”

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DIRCEU FREDERICO SOBRINHO, presidente da ANORO, diz que já chegou a hora de se implantar um novo modelo de exploração.

A entrevista especial dessa semana é com o empresário e minerador Dirceu Frederico Sobrinho, presidente da Associação Nacional do Ouro (ANORO), com larga experiência e vivência de mineração, fruto de suas atividades comerciais nestas mais de duas décadas morando em Itaituba. O empresário aborda vários temas relacionados à nossa economia e ao desenvolvimento da região considerada por ele promissora. Iniciando pelo advento dos portos, o empresário acredita que esse investimento vai ajudar muito na logística da região no que concerne a geração de empregos diretos, pois aposta também que isso trará fábricas de ração, esmagadoras de grãos a médio prazo, tendo em vista que o preço do combustível aumentou consideravelmente com a implantação de vários postos e obviamente trazendo receitas ao Município através dos impostos como ICMS, ISS e outros, com esse fluxo tributário se refletindo positivamente no FPM.
Para as hidrelétricas o presidente da Anoro acredita que em 2017 Itaituba e região virarão um canteiro de obras, embora analise que essa onda de corrupção no País com o escândalo do Lava jato possa arrefecer investimentos, mas por se tratar de uma obra de grande envergadura em sua licitação estarão presentes grandes empresas, inclusive empresas da China com norrau nesse segmento. Já em relação à economia local, o empresário não tem qualquer dúvida que o pilar, a base ainda é a produção aurífera, atividade garimpeira que tem atraído projetos de pesquisas de empresas de mineração, entre elas mina do Palito, (Serabi) São Chico e também a Tocantinzinho que já está efetuando exploração em grande profundidade do ouro primário, com a rocha pesquisada, moída que exige alto investimento em pesquisa e projetos, mas que compensa.
Apesar do País está falando muito de crise, o empresário avalia com otimismo nossa região, enfatizando que Itaituba ainda é o Oásis do Brasil, mesmo numa época de inflação e desemprego, a alta do dólar valoriza ainda mais o ouro. Mas, além do ouro, Dirceu também defende seu ponto de vista vendo também na exploração da madeira uma excelente fonte de receita e ressalta, por exemplo, que em Moraes Almeida há dois grandes projetos licitados em produção devendo gerar volume suficiente para movimentar 10 serrarias com previsão de suas atividades para o próximo ano, já que se trata de um eixo econômico com madeira explorada em florestas através de licitações públicas.
PECUÁRIA: Dirceu Frederico que também investe em fazenda, disse que a pecuária vem crescendo muito em nossa região em termos de quantidade e qualidade, apostando nessa economia como sendo para Itaituba a terceira opção para fomentar e ajudar a aquecer nossa economia. Mas, sobre distribuição de rendas o empresário elege o ouro como principal economia, já que o que circula com a venda do ouro beneficia vários outros segmentos econômicos, lembrando que, por exemplo, uma fazenda gera quatro empregos enquanto que um quilo de ouro costuma envolver de 4 a cinco pessoas em sua produção.
Mas, para minimizar as ações repressoras no âmbito das leis ambientais, o presidente da Associação Nacional de Ouro (ANORO) não tem dúvidas que a legalização da atividade garimpeira é a única saída para que assim sejam evitados prejuízos para aquela que é a principal fonte de renda de Itaituba, já que a exploração aurífera de fato e de direito é a maior fonte de rendas do Tapajós, historicamente em mais de meia década.
Dirceu nos repassou nesta entrevista um dado importante, um dado oficial quando afirma que nestes 64 anos de garimpagem já se produziu cerca de 800 toneladas de ouro, restando ainda mais de duas mil toneladas a ser exploradas, considerando que somente uma tonelada equivale a 37 milhões de dólares, aumenta consideravelmente esse valor para 100 bilhões e setecentos mil dólares, somente na exploração de 100 toneladas, o que mostra o fantástico potencial econômico gerado pelo ouro, acreditando que isso ainda poderá atingir uma exploração na ordem de mais de 300 bilhões de dólares. Com base nesses números estratosféricos o empresário lembra que o ordenamento do setor também é gigantesco.
Em sua vasta experiência e conhecimento baseado em mais de 30 anos de região (o empresário é goiano, de Anápolis, mas consolidou sua vida familiar e empresarial toda em Itaituba) Dirceu Frederico, que é formado em Administração de Empresa, reitera que se faz necessária o quanto antes a legalização no setor, com formação de profissionais técnicos, tais como engenheiros de minas, geólogos, operadores de equipamentos, e todo suporte necessário ao conhecimento do setor para que também possam trazer riquezas à população local, já que tal processo de investimentos trará milhares de empregos e melhor qualidade de vida, nascendo assim o reconhecimento da importância do setor mineral que tem um único produto que é o ouro, mas que gera imensas riquezas, se somados a exploração do diamante, cassiterita, tantalina, minério de ferro, topázio e ferro de cobre, tornará definitivamente nossa região a de maior potencialidade econômica do País.
Mas, a reboque dessas inovações necessárias a uma nova fase da exploração garimpeira, o empresário ressalta que se faz necessário que Itaituba tenha visão administrativa, moderna e clássica, com políticos (em todas as esferas de governo) que possam direcionar esse desenvolvimento sustentável de maneira que seja capaz de fazer uma distribuição de riqueza equânime e igualitária.
ANORO: O empresário Dirceu Frederico Sobrinho hoje preside uma das entidades de maior prestigio nacional e internacional, que é a Associação Nacional do Ouro, com sede em São Paulo. E na condição de presidente, o empresário tem feito importantes intervenções técnicas-políticas visando o crescimento e modernização da garimpagem na região do Tapajós. Para Dirceu, já chegou a hora de se implantar um novo modelo de exploração e isso tudo passa pelo chamado marco regulatório que vai ampliar uma nova discussão, que segundo ele, ainda não foi votado pelo Congresso, mas que nessas novas rodadas de discussões a ANORO como as demais entidades ligadas ao segmento mineral terá importante papel para que seja dada nova viabilidade à exploração garimpeira no Brasil.
Dirceu destaca a participação da ANORO pelas propostas e subsídios que tem contribuído para que possamos ter leis modernas e avançadas, que possam colocar no devido lugar a grande importância que a mineração tem representado para a região e para o País. Outra grande contribuição que a ANORO vem dando para o setor mineral, conforme enfatiza seu presidente, é a campanha nacional de cadastramento dos garimpeiros, uma campanha que já vem sendo feita há mais de dois anos quando a entidade mostrará ao País a cara da garimpagem, porque até hoje o governo federal desconhece a quantidade de pessoas que estão ligadas diretamente a essa economia. Para isso, todas as DTVSM do País estão engajadas na campanha, no Tapajós é a D Gold no final será sistematizada a informação oficial juntando o cadastramento de todas as regiões do País numa espécie de Banco de Dados.
Com o término desse cadastramento e com o número exato e oficial de garimpeiros em atividade no País. Dirceu acredita que o governo federal irá valorizar e agilizar mais ações em forma de investimentos para uma categoria que tem sido de fundamental importância para a economia do País. Dirceu acredita que isso irá também dar visibilidade ao garimpeiro principalmente quando ele precisar de benefício previdenciário para efeito de aposentadoria tendo em vista que de fato e de direito ele já é reconhecido como um profissional respaldado no Estatuto do Garimpeiro, e hoje sendo uma classe altamente produtiva.

Rua do Ouro” movimenta R$ 2,4 milhões por dia em cidade paraense

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Queima de ouro em DTVM na chamada “Rua do Ouro”, em Itaituba (PA)
“Tem ouro, sai com dinheiro”, avisa um operador da maior DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários) que atua na cidade. Na quadra da travessa 13 de Maio que concentra a maioria das operações de Itaituba, no Pará, conhecida como “Rua do Ouro”, circulam cerca de 18 quilos de ouro por dia – pela cotação desta terça-feira (3), de R$ 135,20 por grama, algo em torno dos R$ 2,43 milhões. A maior parte do montante negociada em dinheiro.
Flávio Ilha/UOL

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A “Rua do Ouro”, em Itaituba (PA), que movimenta R$ 2,4 milhões por dia
A estimativa da Anoro (Associação Nacional do Ouro) é de que em um mês saem de Itaituba entre 500 quilos e 600 quilos      de ouro, mas apenas 20% desse montante é extraído de áreas legalizadas e declarado à Receita Federal, o que provoca perda  de receita para o município.
 “Existe muita compra clandestina. Quem compra dessa forma pode pagar um ágio de até 10% sobre a cotação que ainda vai lucrar muito. O garimpeiro, sendo legal ou ilegal, vai para o lado de quem paga mais”, afirma o presidente da Anoro, Dirceu Frederico, sócio da DTVM D’Gold.
  É claro que existe muita compra clandestina. Quem compra assim pode pagar ágio de até 10%. O garimpeiro vai para o lado de quem paga mais.
(Dirceu Frederico, presidente da ANORO – Associação Nacional do Ouro.)
Frederico diz que age dentro da lei, mas admite que “está cada vez mais difícil” para as DTVMs seguirem a cadeia formal do ouro devido à alta carga tributária do segmento, que onera as operações e torna o mercado paralelo “atraente”. A tributação direta do ouro que vai abastecer o mercado de joias, por exemplo, pode chegar a 38%.
As DTVMs recorrem a notas frias para “esquentar” ouro comprado de garimpos onde não há permissão de exploração. Nas casas que negociam ouro em Itaituba, uma nota fria pode custar até 2% do valor total da venda.
Uma das entidades suspeitas de “esquentar” ouro, investigada pela Receita Federal, é a Cooperativa dos Garimpeiros, Mineradores e Produtores de Ouro do Tapajós (Coopouro), que tem licença para explorar uma área de 651 hectares no interior de Itaituba, mas de acordo com a investigação não garimpa nada. A cooperativa, porém, emite notas fiscais de uma suposta produção. A Secretaria de Meio Ambiente do Pará já suspendeu a licença de operação da lavra.
O presidente da cooperativa, Antônio Araújo Coelho, mora em Porto Velho (RO), a 1.254 km de distância da cidade. A entidade tem 80 sócios, dos quais metade não tem atividade regular no garimpo. A sede está quase sempre fechada com cadeado. “Estamos aguardando sete pedidos de licença para novas áreas, por isso ainda temos poucos associados. As acusações de lavagem não procedem”, disse Coelho por telefone.
Outras duas cooperativas com sede em Itaituba também são acusadas de esquentar ouro obtido de forma ilegal na região do Tapajós. As empresas, apesar de terem poucos sócios, monopolizam as licenças para a utilização de dragas no Tapajós – também conhecidas como chupadeiras, as balsas escariantes devastam o leito do rio com a extração de areia para a garimpagem do metal.
A Secretaria de Meio Ambiente de Itaituba estima que haja 70 dessas estruturas atuando no Tapajós – pela lei estadual, dragas de sucção não podem trabalhar a menos de 50 metros da margem. Afluentes do Tapajós, além disso, não podem ser garimpados dessa forma. Uma draga de grande porte pode custar até R$ 1 milhão.
Os compradores ilegais de ouro sempre usam dinheiro vivo, chegam a Itaituba em voos clandestinos – usando as mais de 400 pistas de pouso da região – e fazem as transações comerciais em quartos de hotéis ou pousadas, segundo a Polícia Federal. O órgão afirma que a lavagem de ouro é difícil de rastrear porque deixa poucos rastros.
Muitas fraudes, pouco dinheiro
Em 2014, Itaituba recebeu apenas R$ 998 mil da Compensação Financeira sobre Produtos Minerais (Cefem), imposto federal que prevê uma taxa de 1% sobre o valor da venda líquida do ouro antes do processo de industrialização. Quantia semelhante foi transferida pela União pelo IOF-Ouro, da qual a cidade é a maior beneficiária no país. Só de Cefem, entretanto, a prefeitura estima que deveria receber pelo menos R$ 15 milhões ao ano.
“É um dinheiro imenso, mas para isso acontecer precisa fiscalizar. Não sabemos nem sequer qual percentual desse valor se refere ao garimpo de ouro porque não temos acesso aos dados do DNPM”, diz o geólogo Jubal Cabral Filho, diretor de Meio Ambiente e Mineração de Itaituba.
A autorização oficial para a exploração de uma área de garimpo é complexa e demorada. O primeiro passo é ingressar no DNPM com um pedido de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), que só é concedida após a licença de operação ambiental pelo Ibama e depois de verificada se a área não tem outros pedidos de outorga. A autorização vale por um prazo de cinco anos, renovável por mais cinco. A lavra não pode ter mais de 50 hectares e nem é permitido estar localizada em terra indígena. Há uma fila de 4.000 processos de PLG à espera de autorização na superintendência do DNPM em Belém.
Além das notas frias, garimpeiros e comerciantes têm usado a cidade de Peixoto de Azevedo, no norte do Mato Grosso, na divisa com o Pará, como rota para legalizar o ouro extraído do Tapajós. O município foi criado em torno de uma grande jazida, que chegou a provocar uma corrida pelo ouro nos anos 1980. Com o encolhimento do filão, a produção caiu a níveis muito baixos. Mas, a partir de 2011, o volume de ouro produzido na cidade voltou a crescer, registrando um salto superior a 45 vezes. A cidade declarou em 2014 uma produção de quase 300 quilos por mês, quando dez anos antes o volume não chegava a 6 quilos. Dali, o ouro é despachado em pequenas quantidades para cidades do interior paulista.
A Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) informou que desconhece a rota de legalização do ouro pela cidade de Peixoto de Azevedo.

Eles são garimpeiros e querem seguir a lei, mas não conseguem

Eles são garimpeiros e querem seguir a lei, mas não conseguem

Comunidade tradicional e mineradora disputam área rica em ouro na floresta amazônica. Enquanto processo se estende na justiça, trabalhadores e meio ambiente são prejudicados
Antônio Ferreira da Silva tinha apenas 15 anos quando chegou na Vila de São José, em 1970. Apesar da pouca idade, ele fora atraído pelos relatos de que aquelas terras, localizadas à beira do rio Pacu, um afluente do Tapajós, no Pará, eram ricas em ouro. Foi ali, em meio aos rigores da Floresta Amazônica, que ele aprendeu a empunhar picareta e pá e cavar o chão atrás do minério. Enquanto crescia, presenciou as transformações da vila: a chegada dos primeiros garimpeiros, os anos de intensa e violenta corrida do ouro, a calmaria que se seguiu e a formação de uma comunidade estável no local. “Eu já passei por fases boas e outras difíceis aqui. O garimpeiro é assim: ele pode até sofrer, mas quando ganha dinheiro esquece de tudo”, diz Antônio, que hoje trabalha no garimpo ao lado de dois filhos.
Durante os 45 anos que viveu ali, ele nunca precisou de documento para trabalhar nas minas da região. A posse das terras era mantida apenas na palavra. Mas tudo mudou em 2010, quando a Mineradora Ouro Roxo, que tem entre seus acionistas o grupo canadense Albrook Gold Corporation, pediu ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) a autorização para explorar uma área onde centenas de garimpeiros trabalhavam. Como eles atuavam ali de maneira informal, o órgão concedeu o pedido e os ocupantes foram expulsos do local. Segundo os habitantes da vila, antes da Ouro Roxo aparecer, garimpeiros locais já haviam feito o pedido para explorar a área, mas não receberam resposta do órgão.
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Gilmar de Araújo investiu o ouro na casa e educação dos filhos. Como ele, diversos garimpeiros se instalaram na comunidade São José (Foto: Guilherme Gomes)
São muitas as diferenças entre o modo como uma grande empresa atua e os garimpeiros locais exploram a terra. O fato dos trabalhadores morarem no local é determinante para a preocupação com os impactos ambientais, já que eles bebem a água dos rios, se alimentam da fauna e flora e sentiriam na pele qualquer tipo de contaminação. Os métodos que eles usam mudaram poucos desde os anos 1970 e são menos invasivos: são poços cavados no chão, que podem chegar a 30 metros de profundidade, e poucas máquinas para processar o material retirado da terra. Isso contrasta com a atuação das grandes mineradoras, que operam usando retroescavadeiras e outros maquinários de grande porte, causando mudanças mais radicais no meio.
A proteção ao meio ambiente foi um dos fatores citados em uma decisão liminar da Justiça Federal, baseada numa ação do Ministério Público Federal, que obrigou o DNPM a suspender a concessão em nome da Ouro Roxo e a analisar o pedido de lavra garimpeira dos moradores da vila São José. A decisão foi em dezembro de 2014. Até hoje, no entanto, o pedido dos garimpeiros não foi analisado, o que deixa a comunidade em situação frágil, sem contar com a posse formal da terra.
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Os garimpeiros da comunidade extraem quantidades pequenas, usando o sistema de baldes puxados manualmente dos poços (Foto: Guilherme Gomes)
A formalização das atividades seria essencial para que os garimpeiros fossem instruídos e obrigados a cumprir as regras de preservação ambiental e de segurança do trabalho. A ausência dessas normas ameaça a própria vida dos trabalhadores. No dia 18 de setembro, quando a Repórter Brasil visitava a vila, um acidente tirou a vida de uma das principais lideranças do local. Osmar Silva, presidente da comunidade, inalou gás ao entrar em uma das minas, ficou inconsciente e caiu no fundo do poço, morrendo com o impacto. O luto parou a comunidade por dois dias. Segundo os moradores, esse tipo de acidente é raro no local. Ainda assim, ele poderia ser evitado se o garimpo fosse regularizado e os garimpeiros fossem instruídos a seguir as regras básicas de segurança do trabalho.
A regularização também é importante pelo fato de a comunidade estar localizada dentro da Área de Proteção Ambiental do Tapajós, que tem mais de 2 milhões de hectares e foi criada em 2006. Esse tipo de unidade de conservação permite presença humana maior do que os Parques e Florestas Nacionais. Ainda assim, as atividades econômicas devem ser planejadas de modo a preservar a fauna e a flora do local. Esse foi um dos fatores que norteou a ação do Ministério Público Federal, uma vez que foram constatados prejuízos ao meio ambiente no trabalho da mineradora.
O garimpo feito pelos moradores da comunidade São José é baseado em extração artesanal Foto: Guilherme Gomes
O garimpo feito pelos moradores da comunidade São José é baseado em extração artesanal (Foto: Guilherme Gomes)
Os moradores de São José denunciam, por exemplo, o uso irregular pela empresa de cianeto, um produto químico usado para tratar o rejeito do garimpo. Ele pode ser altamente tóxico se despejado no ambiente e contaminar rios e lençóis freáticos. “Eu não me agradei quando vi eles chegando aqui com as máquinas e os produtos químicos”, diz Osimar Alves Jesus, conhecido como Marcha Lenta, que era presidente da comunidade quando a mineradora começou a atuar na região. “Sempre reclamamos da falta de proteção ao usar o cianeto. Aquilo era derramado no igarapé, matava os peixinhos”.
O governo do Pará constatou irregularidades no uso do produto, incluindo rachaduras e furos no material usado para contê-lo. Na ação movida pelo Ministério Publico Federal, o órgão afirma que a empresa causa “graves impactos ao meio ambiente, à população local e, ainda, aos seus próprios colaboradores, vez que não armazena substância tóxica da forma devida.” Por não cumprir as condições ambientais, a ação pede que a licença ambiental da Ouro Roxo seja anulada. Procurada pela reportagem, a Mineradora Ouro Roxo não respondeu aos pedidos de entrevista.
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Ouro sem febre

No imaginário brasileiro, os garimpos são terras sem lei, onde os conflitos são resolvidos a bala e o ouro desperdiçado em cachaça, jogos e prostituição. São José é o oposto dessa imagem. Uma comunidade pacata de 1.500 habitantes encravada na floresta. As casas e mercados da vila estão distribuídos em volta de um campo de futebol, que permanece vazio a maior parte do tempo e, aos domingos, sedia partidas entre times de garimpeiros. Uma escola atende 56 crianças, que brincam pelas ruas de terra quando não estão em aula.
É também ao redor do campo de futebol que se concentram os bares e bordéis em que os garimpeiros costumam gastar o ouro ganho durante a semana. Em São José, no entanto, as noitadas não têm mais a mesma intensidade de outros tempos. Em algumas noites, os cachorros da vila fazem mais barulho do que os bêbados, o que seria impensável nos anos 1980. Nessa época, quando foi garimpado muito ouro na região, os bares passaram a ficar lotados, e a violência explodiu. “Era muito comum as pessoas morrerem de facada ou de tiro. E o pessoal continuava bebendo e dançando em volta do morto, como se nada tivesse acontecido”, diz Mara, dona de um dormitório na comunidade.
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Moradores jogam futebol no campo que fica no centro da vila (Foto: Guilherme Gomes)
Com o passar dos anos a vila se acalmou. A quantidade de minério retirado das minas diminuiu e a febre do ouro abrandou. Ao mesmo tempo, os primeiros garimpeiros envelheceram, casaram-se — alguns com as prostitutas da vila — e formaram famílias. As crianças cresceram, casaram e formaram uma comunidade ligada também por laços de sangue.
Iranilda Sales, por exemplo, chegou em São José no ano de 1967, com apenas cinco meses de idade. Seus pais vieram trabalhar no garimpo. Ali, ela se casou com Antonino Ferreira, teve três filhos e um neto. São quatro gerações de sua família que viveram ali, tirando sustento diretamente do ouro explorado na região. “Eu fico muito feliz quando consigo reunir toda a família para almoçar aqui no domingo. É uma satisfação muito grande”, diz, apontando para a mesa onde a refeição é servida.
Iranilda Sales (centro) chegou com cinco meses de idade. Ela se casou com Antonino Ferreira, conhecido como Rondônia, e hoje tem neto vivendo na vila. Foto: Guilherme Gomes
Iranilda Sales chegou em São José aos cinco meses de idade. Casou-se e hoje tem filhos e neto na vila. (Foto: Guilherme Gomes)
Enquanto alguns garimpeiros desperdiçaram todo o ouro que coletaram, outros o usaram para comprar bares, lojas e investir no futuro da família. José Gilmar de Araújo, por exemplo, usa o dinheiro que ganha para pagar a mensalidades da faculdade de dois filhos que estudam fora. “Eu só sei trabalhar com garimpo. Se sair daqui, passo fome. Mas quero um futuro diferente para meus filhos”, diz.
A noção de que havia se instalado ali uma comunidade tradicional foi um dos principais argumentos usados na ação do Ministério Público Federal. As primeiras notícias de ocupação da área datam dos anos 1940, quando seringueiros exploravam a região. Com o fim do ciclo da borracha, garimpeiros começaram a atuar já nos anos 1950. Baseados em um parecer elaborado pelos pesquisadores Maurício Torres e Natalia Ribas Guerrero, os procuradores federais afirmaram que a Vila de São José tem características de uma população tradicional, que estava na região antes da empresa chegar e, por isso, teria o direito de garimpar a terra.
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 Corrida pelo título da terra

A posse da terra nunca foi motivo de muito debate em São José. De modo geral, ninguém era impedido de trabalhar em um pedaço de chão que já tivesse um dono, bastava ao garimpeiro pagar uma porcentagem pelo uso do local. “Aqui não tinha isso de assinar papel não, todo mundo sabia de quem a terra era. Era palavra de homem”, diz José da Costa, o Zé cabeludo, que trabalha na região desde 1978. “Foi só nos últimos anos que isso mudou, com a vinda de gente de fora.”
A prática foi alterada com a chegada da Mineração Ouro Roxo, nome inspirado num garimpo da região e da cooperativa que explorava o local. Em 2007, no entanto, a empresa dirigida por Dirceu Frederico Sobrinho comprou o direito de explorar a área da cooperativa e adotou o nome para si. Até hoje, essa compra é contestada na justiça, uma vez que apenas 14 dos cooperados receberam pelo negócio. Os outros 300 garimpeiros que atuavam no garimpo foram expulsos do local.
A maior parte dos trabalhadores expulsos passou a atuar em outros dois garimpos próximos dali: a Pimenteira e a Paxiúba. Mas foi aí que a comunidade sentiu o maior golpe. Em 2010, a mineradora também conseguiu o direito de explorar o subsolo dessas outras áreas. “Isso foi muito injusto. Todo mundo sabe que quem descobre onde tem ouro são os garimpeiros. A gente estava aqui trabalhando, mas como não tínhamos os documentos, perdemos a área”, diz Wanderley Pinheiro da Silva, presidente da Associação de Moradores de São José.
Presença do ouro é identificada manualmente pelos garimpeiros da comunidade (Foto: Guilherme Gomes)
Presença do ouro é identificada manualmente pelos garimpeiros da comunidade (Foto: Guilherme Gomes)
Em abril do mesmo ano, a Polícia Federal apareceu em São José, expulsou todos os trabalhadores que atuavam no local e apreendeu o maquinário utilizado. Como 90% dos garimpeiros da vila trabalhavam ali, a comunidade passou por sérias dificuldades durante os três anos em que as atividades ficaram paradas. O ouro sumiu das ruas e muita gente teve que ir embora para não passar fome.
O caso não atrapalhou a vida só dos garimpeiros. O ouro retirado das minas era responsável por fazer girar toda a economia local. Esterlito dos Anjos, por exemplo, é dono de um mercado na vila. Ele diz que teve um prejuízo de pelo menos 500 mil reais com a ação. “Muitos garimpeiros nunca puderam me pagar o que deviam. Essa ação foi uma barbaridade, uma brutalidade”, diz.
A balança está em todo o comércio de São José. Sem o garimpo do ouro, a vila não sobrevive (Foto: Guilherme Gomes)
A balança está em todo o comércio de São José. Sem o garimpo do ouro, a vila não sobrevive (Foto: Guilherme Gomes)
Foi aí que os moradores do local procuraram o Ministério Público Federal. Em 2013, enquanto o órgão analisava a questão, eles decidiram agir e reocupar os dois garimpos como forma de protesto. No final do ano passado a Justiça proferiu a primeira decisão sobre o caso, obrigando o DNPM a suspender a concessão de lavra à Ouro Roxo e a analisar os pedidos de permissão de lavra dos comunitários de São José.
Procurado, o DNPM diz que cumpriu a primeira parte da decisão, mas não identificou nenhum requerimento ou pedido formalizado pelos garimpeiros da Vila São José. “Portanto, legalmente, perante o DNPM quem detêm a titularidade da área é a empresa Mineradora Ouro Roxo Ltda”, afirmou o órgão em comunicado.
Segundo o advogado dos garimpeiros, isso não é verdade. Embora não haja requerimento feito em nome da comunidade como um todo, diversos moradores já deram entrada com pedidos no órgão. O Ministério Público Federal confirma ter informações sobre a existência desses requerimentos, O processo ainda está tramitando, e deve se estender por mais alguns anos até que tudo seja resolvido.
A comunidade São José fica cravada na floresta amazônica. Se o garimpo for regularizado, áreas exploradas terão que ser reflorestadas (Foto: Guilherme Gomes)
A comunidade São José fica cravada na floresta amazônica. Se o garimpo for regularizado, áreas exploradas terão que ser reflorestadas (Foto: Guilherme Gomes)
Enquanto esperam a decisão da justiça ou um acordo com a empresa, os garimpeiros não podem fazer planejamento ou investimento na área, pois correm o risco de perder a posse a qualquer momento. “Hoje dependemos da legalização para que possamos ter uma melhoria de vida. Com ela vamos poder conseguir do governo melhorias e empréstimos”, diz José de Alencar, presidente da Cooperativa de Garimpeiros que hoje atua na área.
Outro projeto que depende da regularização para ser posto em prática é o de reflorestamento de áreas já garimpadas. Segundo José de Alencar, existe um plano de criar uma cooperativa extrativista e plantar açaí e buriti em áreas de baixões que já foram explorados. “Queremos reflorestar o que nossos antepassados danificaram e assim, garantir a sobrevivência da nossa comunidade”, diz. “Nós precisamos da legalização do nosso pedaço de terra na Pimenteira e no Paxiúba. Pois essa terra foi de nossos avós, passou de geração em geração e um dia vai ser de nossos filhos.”

O tesouro da Serra de Carajás


O tesouro da Serra de Carajás

São 525 000 quilômetros quadrados com bilhões de toneladas de metais. Só a jazida de ferro vai durar 400 anos. A Província Mineral de Carajás é  uma dádiva que veio das entranhas da terra trazida por vulcões. Veja como se formou o maior tesouro controlado pela Companhia Vale do Rio Doce.


Onze de julho de 1967. Um helicóptero sobrevoa a região central do Pará, coberta pela densa floresta, procurando jazidas de manganês. De repente, a neblina tapa a visão. O piloto desce, aflito, na primeira clareira que aparece. O recém-formado geólogo Breno dos Santos, funcionário da mineradora americana US Steel, que também estava no aparelho, só ouviu um grito: “Breno, isso aqui tá muito sujo! Olha o rabo do aparelho! Avisa se está perto das árvores que eu cuido da frente”!
O pouso foi de emergência. E deu certo. Só que a clareira não era uma qualquer. O queixo de Breno quase caiu: a vegetação estranha e rala, quase inexistente, indicava, claramente, que ali estava uma “canga”, área com grande concentração de ferro perto da superfície. O ferro “estraga” o solo e impede as árvores de crescer. Imediatamente, o geólogo lembrou-se que havia avistado, do helicóptero, outras clareiras na região. Era uma concentração absolutamente incomum.
Breno tinha acabado de descobrir, nada mais nada menos do que a mais rica reserva de minério de ferro do mundo. Mais tarde, no que depois veio a ser conhecida como a Província Mineral de Carajás, foi encontrado ouro, prata, manganês, cobre, bauxita, zinco, níquel, cromo, estanho e tungstênio. Enfim, um verdadeiro Eldorado.
Na verdade, essa história começa muito antes de o helicóptero da US Stell pousar. Tudo foi cuspido do interior da Terra por centenas de vulcões, há 2,5 bilhões de anos. “A Província Mineral de Carajás, pela diversidade de seus recursos minerais e grandeza das jazidas, é única no planeta”, diz Breno dos Santos, hoje já não tão jovem, mas presidente da Docegeo, a empresa de pesquisa da Companhia Vale do Rio Doce, que explora a região. Você vai conhecer, agora, a receita do recheio de Carajás.
Ainda falta muito para descobrir
Em outubro de 1996, os geólogos da Docegeo deram de cara com um novo depósito de ouro em Carajás, chamado Corpo Alemão. Ainda não foi possível definir seu tamanho exato, mas espera-se que tenha muito mais de 100 toneladas do metal. A maior mina de ouro do Brasil, Serra Leste (também em Carajás), tem 150 toneladas e a maior do mundo, no Uzbequistão, tem 3 000 toneladas de ouro. As pesquisas em curso mostrarão a que profundidade o metal de Corpo Alemão está. Se estiver fundo, mesmo que em grande quantidade, sai muito caro explorar. Mas, segundo as primeiras amostras retiradas do solo, deve estar a cerca de 450 metros. Isso é pouco e muito bom. Há minas, na África do Sul, a 6 000 metros.
O tesouro de Carajás não é feito só de ouro. Mas a Vale não tem estimativa segura de quanto alumínio, estanho, zinco e cromo (veja mapa ao lado) existe lá dentro. Para fazer o cálculo, é preciso investir muito em prospeção. Já foram detectados 104 pontos promissores, onde as pesquisas preliminares mostraram que deve haver metal. Seria necessário gastar 12 milhões de dólares por ano em cada um desses sítios, 1,2 bilhão anuais no total, só para avaliar o potencial desses lugares.
Mais pesquisa
Numa tentativa de diminuir a ignorância sobre Carajás, a Vale assinou, em maio, um contrato de pesquisa com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Banco vai investir 280 milhões de reais, durante cinco anos, e ficará com a metade do que a Vale descobrir nesse prazo. Em mineração as cifras são altas e o investimento arriscado. Uma área promissora, depois de pesquisada, pode desapontar. O conhecimento de uma província mineral depende também da experiência acumulada por gerações de geólogos. Carajás, com 30 anos, é nova se comparada com outras jazidas da África do Sul ou com o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, descobertas há mais de um século.
“O investimento em tecnologia, feito nos últimos anos, vêm aumentando nosso conhecimento sobre os recursos da Província”, diz o geólogo Gilberto Meneguesso, da Docegeo. Entre as novidades tecnológicas estão a prospeção feita por sensores aéreos e espaciais, os novos softwares que interpretam os dados captados pelos sensores e métodos químicos como o mobile metal ion, que detecta quantidades mínimas de metais numa amostra de solo.
A técnica mais usada é a dos sensores instalados em satélites e aviões que varrem a região enviando sinais eletromagnéticos ao solo. Ao esbarrar em uma área com metal condutor de eletricidade, o sinal retorna com maior intensidade. Feito o registro, os técnicos vão até o local e retiram amostras do solo que são levadas para um laboratório onde identifica-se a quantidade de minério nelas.
A pesquisa do Corpo Alemão está nessa fase. Foram feitos vinte furos com 300 metros de profundidade para coletar amostras. Mas será necessário multiplicar essas perfurações por, no mínimo, dez para definir o tamanho da jazida.