sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

CIRCUITO DOS DIAMANTES





Com a descoberta do primeiro diamante nas lavras de ouro no Arraial do Tijuco (atual Diamantina), em 1714, essa região cresceu significativamente, a ponto de ser considerada um Estado dentro de outro Estado. Tamanha riqueza gerou fabuloso patrimônio histórico-cultural. Hoje, o roteiro reúne belezas arquitetônicas, arte e passeios ecológicos. Tudo isso embalado ao som de clássicos barrocos, serestas e 'vesperatas'.

A magia da escrava Chica da Silva e a musicalidade de JK dotaram não só Diamantina, Patrimônio Mundial da Humanidade, como todo o Circuito de encantamento sem igual. A contemplação das obras do homem e da natureza leva ao equilíbrio.

Compõem este percurso os municípios de Couto de Magalhães de Minas, Datas, Diamantina, Felício dos Santos, Gouveia, Presidente Kubitschek, Santo Antônio do Itambé, São Gonçalo do Rio Preto, Senador Modestino Gonçalves e Serro.





DIAMANTINA
Lisboa está em festa, os sinos tocam, Te-Deums são celebrados, congratulações chegam dos vários reinos europeus, incluindo os cumprimentos do Santo Padre. Qual a razão para tanto júbilo? São  as pequenas pedras de carbono puro que foram encontradas na distante colônia.
 Diamantes! Extremamente valorizados na Europa, eram de suma importância para  aumentar a riqueza do Reinado de  D.João V. 
Tendo como referência  o Pico do Itambé, diversas bandeiras cortam a região do Jequitinhonha em busca dos metais preciosos. 
Entre as serras de Santo Antônio e São Francisco havia um local  formado pelo pequeno afluente do Rio Grande, o  Vale do Tijuco, que revelou-se como um excelente local para mineração do ouro.
 O pequeno arraial  que acabou  surgindo, por volta de 1713, com a bandeira de Jerônimo Gouvêa, no local  conhecido como Burgalhau, não se diferenciava  das centenas de povoados que surgiram no início do século XVIII, na Capitania das Minas. A população se dedicava à mineração do ouro.

Os primeiros diamantes que transformariam radicalmente a vida do arraial somente foram encontrados no período de 1719 a 1722. Autoridades locais não  noticiaram de imediato a fabulosa descoberta  à Coroa Portuguesa. Quase 10 anos haviam se passado e, só após a insistência de alguns mineradores de participarem  os achados, é que o Governador D.Lourenço de Almeida fez o comunicado de que as preciosas pedrinhas tinham sido encontradas. Diamantes! 

Passadas as celebrações, a resposta  de Lisboa veio de imediato: a Coroa impôs as primeiras medidas de controle sobre a região dos diamantes, através de Regimento datado de 26 de junho de 1730, com a instituição da cobrança do quinto, o lançamento da capitação sobre cada escravo empregado na mineração diamantífera, a anulação das concessões de datas e a proibição  da exploração do ouro da região, precauções essas que visavam garantir o poder real sobre a nova riqueza. (Barroco 16). Esse era o começo de uma administração totalmente inédita  na colônia. Em 1734, foi criada a Intendência dos Diamantes que, com um regime próprio, altamente fiscalizador, rígido, arbitrário e r epressivo,  isolou  a área do restante da capitania.



Na década de 40 inicia-se o Sistema de Contratos que vigorou até 1771. Foi o período de maior produtividade do Distrito. Em 31 anos, os números oficiais atingem a soma de 1.666.569 quilates. Em 1771 o Marquês de Pombal  designa  para o distrito um novo tipo de administração: a Real Extração. O diamante, a partir de então, seria explorado pela própria  Coroa Portuguesa. Para isso, foi criada uma junta administrativa  com poderes absolutos  que tinha seus atos respaldados por  um  instrumento legal - o Livro da Capa Verde. Esse nome é devido ao regulamento ter sua encadernação em couro marroquino verde. O Livro era tão  abominado pela população Tijucana que, quando fundou a Real Extração, já no Segundo Império, o documento foi queimado em praça pública.

Enquanto os arraiais da Capitania ganhavam título de Vila já na década de 10, do setecentos, o  Distrito Diamantino manteve-se como arraial só conseguindo o título de Vila em 1831, passando a chamar-se Diamantina. Nesse período, os intendentes já não eram tão poderosos e as lavras foram franqueadas. Mas, com a descoberta dos diamantes na África do Sul, em 1867, a decadência na mineração  foi inevitável.
A segunda metade do século XIX trouxe novos desafios e novos rumos para Diamantina. A agricultura se torna importante e o comércio, que já se mostrava desenvolvido no século XVIII devido ao isolamento do Arraial,  teve um expressivo crescimento comparado até mesmo ao do Rio de Janeiro. Diamantina passa a ser pólo comercial e centro de referência para todo o Jequitinhonha. Já havia, então, obtido o título de cidade em 1838.

Dessa trajetória, nasceu um extraordinário patrimônio cultural que, merecidamente, hoje é  Patrimônio Cultural da Humanidade. Autêntica e  excepcional,  tanto nos atrativos histórico-culturais e naturais, quanto pelo seu povo.


Notícias do mercado: rubis

Notícias do mercado: rubis

 



 - A Gemfields anunciou os resultados do seu leilão de rubis, realizado em Singapura
As receitas do leilão foram de US$ 28,8 milhões, com o preço médio por quilate de US$ 317,92. Foram ofertados tanto rubis em bruto de qualidade superior e média, tratados e não tratados - gemas extraídas na mina Montepuez, em Moçambique. Foram vendidos 45 dos 49 lotes oferecidos e 36 empresas deram lances.
Volumes maiores de menor tamanho e gemas de preços médios foram colocados em oferta como uma resposta direta ao feedback do mercado que indicou um aumento da procura de rubis em bruto adequados para a produção de pedras preciosas calibradas. "A demanda por joias finas permanece saudável e, recentemente, tem sido apoiada por um aumento proporcional na demanda por peças de preço médio e de alta produção. Os preços alcançados neste leilão estão em linha com as expectativas da empresa", declarou Ian Harebottle, executivo-chefe da Gemfields.
Desde junho do ano passado, a empresa já promoveu cinco leilões para rubis de Montepuez.  Em um deles, realizado em dezembro de 2014, foram arrecadados 43,3 milhões de dólares, com o preço médio por quilate de US$ 689 .

A britânica Gemfields, líder mundial no fornecimento de gemas coloridas, possui participação de 75% na Montepuez Rubi Mining Ltd., em Moçambique.  Desde janeiro de 2013, a Gemfields controla a marca Fabergé, o que lhe garante uma fatia do mercado mundial de joias de luxo .
O próximo leilão, previsto para março de 2016, será de esmeraldas, predominantemente de maior qualidade, extraídas da mina Kagem, na Zâmbia.

Rubi valioso

Rubi valioso

 

 


  - Em um leilão de joias que atraiu 160 compradores de três continentes em Hong Kong, a Christie’s emplaca um novo recorde mundial com a venda do rubi Crimson Flame.
Montado em um anel de ouro com diamantes, o raro rubi birmanês, de aprox. 15,04 quilates, tem lapidação cushion antiga e a cobiçada cor “sangue de pombo”. Foi vendido por 18,3 milhões de dólares, estabelecendo o recorde mundial por quilate para um rubi (US$1,2 mi).

A profundidade de cor, denominada "sangue de pombo", combinada com uma alta nitidez e luminosidade, contribui para a beleza da joia. Um rubi natural da Birmânia deste tamanho e qualidade é muito raro e, portanto, pode ser considerado um tesouro excepcional.
O Instituto Gemológico Suíço SSEF e o Laboratório Gubellin certificam a origem da gema e indicam que o rubi ​​possui características extraordinárias que merecem destaque e valorização, por seu tamanho impressionante combinado com uma cor vermelha vívida e um estilo de lapidação atraente. As inclusões encontradas pela inspeção microscópica representam as características de minas de rubi do vale Mogok na Birmânia (Myanmar), conhecida por sua riqueza em joias desde os tempos antigos.

Belíssimas gemas, que não as de uso tradicional e consagrado.


Belíssimas gemas, que não as de uso tradicional e consagrado.




A mística e o fascínio que gemas como diamante, esmeralda, rubi e safira exercem em quase todos nós são notórios e compreensíveis. Os gemólogos costumam lamentar, no entanto, o fato de que a maior parte dos apreciadores e consumidores de jóias tenham poucas oportunidades de conhecer e lidar com outras tantas belíssimas gemas, que não as de uso tradicional e consagrado.
Ficamos intrigados pelo fato de que gemas naturais menos conhecidas e de menor valor, mas de cor ou aspecto parecido ao de outras mais valiosas, sejam ainda pouco utilizadas como alternativas mais econômicas, principalmente em cortes e formas menos usuais, ainda que grande parte delas seja produzida regularmente em nosso país.
Porque não vemos com mais freqüência a apatita azul, de tons neon e ultra-marinho, substituindo a turmalina da Paraíba e a safira ? Ou o quartzo amarelo-mel com chatoyance ao olho-de-gato ? A iolita à tanzanita ? O diopsídio à granada tsavorita ? A safira com mudança de cor à alexandrita ? A jarina ao marfim ?
Gostaríamos de ver mais andaluzitas, morganitas, heliodoros, espessartitas, kunzitas, opalas, pedras-da-lua, berilos verdes, esfênios, peridotos e muitas outras gemas menos usuais nas grandes coleções e não restritas apenas a pequenas linhas ou a peças exclusivas de designers mais inovadores.
A aceitação e popularização de tais gemas é, evidentemente, um processo lento, mas cabe a todos os segmentos envolvidos na produção de jóias contribuir para a conscientização quanto a sua existência, sobretudo agora que a disseminação da informação pela internet criou uma nova geração de consumidores dotados de mais conhecimentos (mas não necessariamente melhores) e, portanto, mais curiosos, exigentes e ávidos por novidades.
Para tanto, faz-se necessário também que os vendedores de jóias possuam um conhecimento gemológico básico, que lhes permita melhor informar e esclarecer ao público consumidor a respeito das principais características, propriedades, particularidades e cuidados no uso e conservação dessas gemas menos comuns.
Em nossa opinião, o aumento da demanda pelas gemas alternativas elevaria seus preços, estimulando um aumento nos investimentos em prospecção e lavra, assim como o desenvolvimento de novas técnicas de tratamento para intensificação de suas cores e o aprimoramento das já existentes.
Deixando um pouco de lado as gemas naturais e nos acercando às sintéticas, nos perguntamos porque estas não vêm sendo mais amplamente utilizadas como materiais alternativos, desde que devidamente revelada a sua origem, uma vez que a obtenção de gemas de igual composição, estrutura, propriedades físicas e ópticas ao de suas equivalentes naturais, a custos bastante inferiores, é uma fabulosa conquista dos laboratórios de síntese.
Estas têm a vantagem adicional de serem produzidas em larga escala, possibilitando aos fabricantes suprir confortavelmente uma provável demanda crescente, com maior uniformidade de tamanhos, cores e pureza. Além disso, é de se esperar, a médio prazo, que o avanço tecnológico na produção de cristais sintéticos de aplicação em alta tecnologia leve a uma maior compreensão e melhoria nos métodos de síntese, trazendo para o setor joalheiro gemas sintéticas de maior tamanho e qualidade, cada vez mais parecidas com as naturais e mais difíceis de serem delas diferenciadas, no que se converterá em mais um grande desafio para os gemólogos.

Estrela de Adão O valor estimado é de US $ 100 milhões de dólares.

Estrela de Adão
 O valor estimado é de US $ 100 milhões de dólares.
 



- O programa Newsday, do Serviço Mundial da BBC, divulgou, a imagem da maior safira com efeito estrela (asterismo*) já encontrada no mundo. A preciosa gema foi extraída em Ratnapura, no sul do Sri Lanka, conhecida como "Cidade das Gemas". O atual proprietário diz que o Instituto de Gemologia de Colombo certificou o peso da safira  em 1.404,49 quilates. O valor estimado é de US $ 100 milhões de dólares.
"No momento que a vi, decidi comprá-la", afirmou ao Newsday o dono da safira, que prefere ficar no anonimato. Ele batizou a pedra de Estrela de Adão, em referência à crença muçulmana de que Adão tenha chegado ao Sri Lanka após ter sido expulso do Éden.

* Um dos mais exuberantes fenômenos ópticos observados em gemas, o asterismo (termo derivado do grego áster, que significa estrela) consiste no aparecimento de uma figura com aspecto de estrela em determinadas gemas, quando corretamente lapidadas em cabochão ou em forma de esferas