sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Curiosidades

Curiosidades

GPS
Já faz tempo que o relógio de pulso deixou de marcar apenas as horas. Hoje alguns modelos incluem até medidor de pressão arterial. E a CASIO já lançou no Japão um modelo com GPS, sigla em inglês para Sistema de Posicionamento Global. O relógio tem uma superantena conectada a uma rede de 27 satélites que mostrará a posição exata do usuário. Tem a vantagem de ser 60% mais leve e menor do que os GPS convencionáis. Preço sugerido pela Casio U$ 490. 


 
Por que se usa IIII e não IV nos relógios ? -    Há muito anos, em uma estação ferroviaria, uma pequena confusão causou um terrivel acidente.   O funcionário da estação, encarregado de liberar a saída dos trens, olhou distraidamente para o relógio e viu que ele marcava 5 horas (V) e autorizou que um trem saísse.   Acontece, porém, que o ponteiro das horas estava bem em cima do I, do algarismo IV.   Eram 4 horas e não 5!   Nesse mesmo momento, um outro trem estava chegando e os dois colidiram gravemente.   Por causa do ocorrido, houve uma convenção em Genebra onde ficou estabelecido que todo o numeral IV seria escrito em relógios assim: IIII


Quartzo -    A descoberta das propriedades do quartzo para a medição do tempo com absoluta precisão, abriu as portas à era da relojoaria eletrônica. Muitos Cientistas, particularmente, suiços, americanos e japoneses, empenharam-se para a sua concretização. Os primeiros relógios desse gênero foram apresentados em 1967. O quartzo, também conhecido como cristal de rocha, é um mineral duro, normalmente vítreo, com qualidades piezo-elétricas. O quartzo perfeitamente cortado em lâminas, lapidado e completado com elétrodos, quando sujeito a uma corrente elétrica vibra com tal estabilidade que se presta admiravelmente como órgão regulador de um relógio, só sendo superado em precisão pelo relógio atômico. Atualmente se utiliza cristais de quartzo sintéticos nos relógios.


Você sabia que...   na antiguidade os orientais ingeriam ouro em pó, por acreditarem em seu poder de cura ? Atualmente, eles utilizam lâminas de ouro finíssimas como ingredientes de pratos e bebidas sofisticadas.

 
... a primeira nave espacial a pousar na Lua tinha sua base feita de ouro? Isso porque o nobre metal é resistente a sais e ácidos, permanecendo sempre puro.

 
... o contato com o mercúrio pode danificar sua jóia de ouro ? Se a superficie afetada for pequema, um bom polimento poderá recupera-la, caso contrário, será preciso derreter a peça, separando o ouro do mercúrio. Por isso, fique atento quando manusear termômetros e outros instrumentos que tenham o componente químico. 


 
O que são minerais ?   Mineral é um constituinte natural, inorgânico e sólido da crosta da terra. A maioria dos minerais também tem formas definidas de cristais. Mineralogia é a ciência dos minerais.

 
O que são cristais ?   Um cristal é um corpo uniforme com um retículo geométrico. As estruturas variadas dos retículos são as causas das propriedades físicas variadas dos cristais e, portanto, também dos minerais e gemas. Cristalografia é a ciência dos cristais.

 
Esmeralda -    Pedra pertencente ao grupodo berilo, de dureza 7,5 ou 8 na escala de Mohs. Apresenta-se nas cores verde esmeralda, verde claro ou verde escuro. A substância corante é o vanádio. Somente as qualidades mais finas são transparentes. Freqüentemente, a esmeralda aparece turvada por inclusões (fluidos, bolhas de ar, outros cristais, etc). Tais inclusões, se forem moderadas, não são consideradas como defeitos e sim provas de autenticidade da gema. Isto confere às esmeraldas um privilégio: mesmo contendo fraturas, inclusões, jaças, as esmeraldas são sempre valiosas. E quando surge uma esmeralda absolutamente translúcida, imediatamente ela cai na suspeita de ser uma gema sintética. 

 
Rubi -    É encontrado na cor vermelha variável, a dureza na escala Mohs é 09. Pode ser opaco, translúcido ou transparente. A substância corante do rubi é o cromo. Peretence ao grupo do coridon. Para diferenciar um rubi natural do sintético é preciso observar : 1- As inclusões, que são corpos estranhos encontrados dentro dos cristais. 2- Os rubis sintéticos permitem a passagem de luz ultravioleta de ondas curtas. 3- Na pedra natural, a cor varia nas diferentes facetas, na sintética a cor é sempre uniforme. 

 
Titânio -    O titânio foi descoberto como o metal perfeito para uma nova geração de relógios, por ser ele o único material que reúne leveza, força e delicadeza no contato com a pele e ainda por ser antialérgico. Descoberto há dois séculos, o Titânio é um elemento metálico abundante no espaço sideral e na terra, sendo 0,62% da crosta terrestre constituida por Titânio. É mais resistente do que o aço e muito mais leve, possuindo aproximadamente 60% do seu peso. Comparado com o aço e o alumínio, o Titânio pode suportar um calor extremo de 1.200 C. Também pode resistir a ácidos que dissolvem a platina e o ouro. A água do mar leva 1000 anos para corroer o Titânio em apenas 0,25 mm. Por essas razões o Titânio é a escolha certa para sua próxima aquisição em relógio.

O MERCADO DE RELÓGIOS ANTIGOS

O MERCADO DE RELÓGIOS ANTIGOS



O interesse por relógios antigos está crescendo no Brasil e há muito tempo no exterior. Trata-se de um mercado de apaixonados que são fiéis aos mecanismos e que jamais irão fazer uso de peças modernas, fazendo movimentar um comércio de itens usados e serviços de restaurações (mostradores, polimento, reparos de relojoaria e ourivesaria...).modelo Gondolo, da Patek PhilippeObserva-se no Brasil um aumento na demanda por peças de qualidade, infelizmente já há muito tempo comerciantes do exterior vem aportando nas principais cidades brasileiras, adquirindo importantes peças que eram facilmente vistas no passado, fazendo extinguir certos modelos de nosso mercado - como exemplo o modelo Gondolo da Patek Philippe que era basicamente encontrado no Brasil . O mercado apresenta-se ainda imaturo quanto à cotação real das peças: encontra-se peças valorizadas em demasia e verdadeiras barganhas. No atual momento observa-se uma desvalorização dos relógios de bolso e uma constante valorização dos cronógrafos de pulso.
Os colecionadores experientes sempre irão observar a compra de peças em excelente estado (com pouco ou sem uso) e em sua condição original (mostrador, mecanismo...) que podem apresentar um preço várias vezes maior que uma peça "judiada".
Os cuidados na Compra
Uma compra sempre deve ser feita com muito cuidado, com muita paciência. Uma peça pode aparentar ser interessante, mas ao analisar com cuidado pode-se descobrir grandes problemas.
- Deve-se observar que relógios de qualidade possuem marcas do fabricante no mostrador, mecanismo, coroa e caixa, e é comum encontrar peças "casadas", onde o mecanismo não possui uma caixa original;
- Testar o mecanismo, o acerto das horas, a corda, calendário e outras funções e verificar se o mecanismo opera em posições diferentes (mostrador para baixo, de pé...). Certos "vícios" mecânicos podem ser de difícil solução e custar caro;
- Observar a originalidade do mostrador: hoje em dia é difícil constatar uma restauração, deve-se observar se há falhas na serigrafia e, no caso de mostradores de porcelana, deve-se estar atento se o mesmo está fixo corretamente pelos pinos de fixação (em alguns modelos é observado pelo mecanismo).
- Ter cautela máxima com réplicas.
- Deve-se ter uma referência de preço como catálogos de preço, ou observar o preço de venda de similares na internet.

Sem dúvida a experiência sempre irá contar!
Avaliação
O valor de um relógio depende da marca, do material empregado na caixa, do estado de conservação (arranhões, peças originais...), de sua raridade e tipo/estilo (militar, cronógrafo, alarme, não usual...).

"PEDRAS PRECIOSAS: UMA COLHEITA QUE JAMAIS SE REPETE"

"OS GARIMPEIROS SÃO SERES INCOMPARÁVEIS. SÃO HOMENS QUE FOGEM DA VIDA REAL EM BUSCA DO IMAGINÁRIO, NÃO MEDINDO CONSEQUÊNCIAS FINANCEIRAS OU DE SAÚDE, DISPOSTOS A NEM COMER O PÃO QUE O DIABO AMASSOU, E A DAR SANGUE, SUOR, PULMÃO, FÍGADO..., PARA ENRIQUECER DO DIA PRA NOITE."
(Carvalho, Fábio L. 2001)
"PEDRAS PRECIOSAS: UMA COLHEITA QUE JAMAIS SE REPETE"
( Sauer, Jules Roger 1982)
"A VERDADEIRA CONSTITUIÇÃO DAS COISAS GOSTA DE OCULTAR-SE"
(Éfeso, C. 500 a.C.)

Sonhando Acordado
Água, muita água se desprendia das nuvens naquela noite quente e poluída de São Paulo. Estático e cabisbaixo sob o teto barulhento de um posto de gasolina, eu viajava em pensamentos profundos, acompanhando no reflexo de uma poça d`água suja, a mudança de cores de um sinaleiro. As cores se embaralhavam de tal forma com o arco-íris formado por resíduos de petróleo que acabei esquecendo por um instante que estava estressado. Estava totalmente exausto pelo ano inteiro de estudo e trabalho na pesada metrópole. Se há uma coisa que eu detesto de verdade, é cidade grande. Por mim, preferiria mil vezes ter nascido há cem anos, o que seria bem menos doloroso. Não sei por que cargas d’água me puseram no mundo bem na beirada do século vinte e um. Tem gente que acha isso uma dádiva de Deus, poder ver os maiores avanços industriais e tecnológicos que a humanidade já presenciou. Grande merda. Mais máquinas e menos amigos. Mais trabalho e menos tempo para pensarmos e fazermos coisas que vêm na telha. Fui então me aproximando vagarosamente até pisar na poça. O reflexo de minha imagem foi ficando assombroso. Podia ver, ao invés da imagem de um garoto saudável, um velho corcunda. Sentia que tinha um piano em cima de meus ombros e o meu maxilar parecia tão rígido que se alguém encaixasse um diamante entre meus dentes seria esmigalhado em fração de segundos. Minha vontade momentânea era de chupar com um canudo toda aquela água colorida pela goela abaixo para ver se a droga da minha vida dava uma guinada sei lá pra onde. Esse pensamento fez-me rir e com a risada caí verdadeiramente na real de que aquele turbilhão de carros e caminhões estava prestes a sumir de minha vista. Iria sair de viagem naquele momento. Mas mesmo assim não estava conseguindo relaxar. Não tinha escoado definitivamente do mundaréu de concreto da terceira maior cidade do planeta. Comecei a olhar de um lado para o outro, praguejando baixo, com medo de algum ladrão ou outra coisa qualquer. Foi quando ouvi a firme voz de Rodolfo ecoar pelo posto:
--- Let`s go to Bahia!
Nem acreditava que de um dia para o outro tinha mudado completamente os meus planos e ao invés de estar indo para o Guarujá novamente, rumava para o norte do Brasil. A vida tem dessas coisas, e com essas e outras indefinições é que fazem dela um delicioso mistério. Nunca se sabe o que virá amanhã e o que importa é deixar ser levado para cada surpresa. Afinal de contas já tinha ido o ano inteiro para o litoral paulista, e no final de ano é um martírio ainda maior - pegar trânsito e praias poluídas. Mas dessa vez quando soube que dois amigos trilhariam o asfalto cinzento até a Bahia entrei um tanto de penetra na viagem sem pensar muito no assunto. Garantido que para eles era até melhor. Mais uma cabeça para rachar os gastos do combustível, sem contar a companhia de mais um paulista estressado na trupe.
Porta-malas abarrotado, tanque do carro repleto de combustível e muita esperança em passar o Reveillón do ano de 2000 em pleno sossego no litoral baiano, precisamente em Itacaré.
Deixamos São Paulo na luxuosa caminhonete de Rodolfo num dia abafado e chuvoso de final de dezembro. Me lembro como se fosse hoje. Enquanto ia deitado folgadão no banco traseiro, Renato trabalhava de co-piloto na frente, pois já era madrugada e tudo o que mantivesse o motorista acordado e atento tinha imenso valor. Os dois puseram-se a conversar animadamente. Não paravam um só instante de falar a respeito de um garimpo em algum lugar da Bahia em que seus pais tinham a posse de uma mina. Enquanto tentava pegar no sono, estirado no espaçoso banco de couro, ouvia antenado o papo deles. Eles estavam com planos de prosseguir a viagem, após a passagem do ano, até tal garimpo para verificarem como as coisas estavam andando por lá. Rodolfo era o mais empolgado:
--- Renato, você deve estar sabendo que eles estão quase lá. O buraco já está com 70 metros de profundidade. Régis telefonou ontem para o meu pai e disse que já acharam indícios e isto significa que as esmeraldas brotarão muito em breve.
--- Eu sei Rodolfo. Estamos indo para a Bahia em boa hora. - respondeu o co-piloto, com a voz mais sonolenta do que a de um bêbado na sarjeta. 

Minha cabeça girava como uma centrífuga. Não tinha noção de qual seria meu destino quando fossem para lá. Voltaria de avião ou de carona com algum idiota conhecido que encontrasse em Itacaré. Era isso o que imaginava. Tinha uma importante reunião de trabalho já agendada para o começo de janeiro e não podia largar de uma hora para outra o meu trabalho numa empresa de Internet bem conceituada de São Paulo. Mas ao mesmo tempo tinha muita vontade de conhecer um garimpo de verdade. Sempre foi um sonho de infância andar livremente pelas galerias de uma mina, seja lá de que minério fosse. Queria apenas sentir o prazer de procurar um tesouro. Mesmo não encontrando-o não iria ficar chateado. Só de estar próximo dele, sonhando todos os dias com ele, já seria uma satisfação. Pelo menos era o que achava. Esse dilema foi remexendo de tal forma minha mente que consegui ir arrastando na viagem somente um sono superficial.
Não bastou algumas horas de marcha para a educada e séria Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro mandar o nosso veículo encostar. Levantei a cabeça assustado achando que algo de pior havia acontecido. O relógio digital do carro já reluzia duas horas da manhã. Os meus dentes ainda estavam tão grudados de tensão que me escondi pensando que o policial poderia imaginar que eu estava rindo de sua cara. Foi apenas mais uma investigação corriqueira que os guardas fazem quando visualizam algo de anormal nos veículos. Isso estava ocorrendo somente devido ao chamariz que carregávamos no rack da caminhonete: uma prancha de surf. Culpa daquele paradigma besta de que todo surfista é maconheiro. Não passou de um susto. Eles revistaram bolsas e bolsos, cheiraram os dedos de todo mundo, mas ficou só nisso. Não demorou mais que 15 minutos para o paspalho do guarda carioca dizer com aquela feição ainda desconfiada: Boa viagem!
Depois de muita estrada esburacada e sem acostamento chegamos em Porto Seguro para descansarmos um pouco de uma viagem desgastante e interrupta. Assim como fez Pedro Álvares Cabral, encostamos nossa embarcação naquele local para o primeiro contato com o ambiente baiano. Quem disse que dá para ficar no hotel em uma noite quente de janeiro em Porto Seguro? Acabamos varando a noite em claro com direito a vários drinks de capeta em Arraial d´Ajuda!
Passada a ressaca dos viajantes prosseguimos para Itacaré para desfrutar alguns dias do final do ano em paz. Foi tudo uma maravilha, melhor do que esperávamos, pois não faltaram boas surpresas. Foi lá em Itacaré que ocorreram três fatos marcantes.
O primeiro foi o convite de um professor que nasceu lá, mas lecionava em São Paulo para minha sala de faculdade. Sempre no final de ano voltava para a casa para visitar os pais e irmãos que sobreviviam pescando no verde mar baiano. E eu sabia que iria encontrá-lo numa cidade praiana tão pequena como Itacaré e não deu outra. O convite foi para um banquete de bacana após a noitada do dia 29 de dezembro na qual nos encontramos no forró. Eram seis e vinte da manhã quando entramos em sua acanhada casa. Parece loucura mas a essa hora da manhã sua mãe costumava encostar a barriga no fogão. Não acreditei - era peixe ensopado, pirão, cuscuz, muita pimenta, farinha da boa... Tudo ao ar livre no verdejante quintal, ao som dos passarinhos que estavam acordando e arriscando suas primeiras melodias matinais. Tive ali a primeira real impressão de que o povo baiano é especial. Eles conseguem fazer sentirmos totalmente em casa naquela terrinha!
O segundo fato foi encontrar e passar o Reveillón com uma menina show de bola. Era uma paulista. Uma princesa sem frescuras. Muito diferente de uma paulista convencional. Não ligava em estar de chinelos, com o pé na lama, roupas desgastadas, sem chamar a atenção de todos. O que importava eram seus olhos azuis, uma tatuagem de um índio no braço e um sorriso eterno. Muita pena que estava acompanhada do namorado. Talvez ela tenha sentido algo, pois eu senti. E senti que ela sentiu. Nossos olhares se cruzavam quase a todo o momento em que estávamos próximos. Foi um lance meio diferente e tive que respeitá-la por estar com o namorado. Sei que a vida é curta. Mas sei também, que o mundo é pequeno. Um dia hei de encontrá-la novamente, solteira da silva, pela força do bondoso destino! Mas, também, se não encontrá-la... ou se encontrá-la acompanhada novamente, não será para o meu bico naquele momento. Destinos! - foi o que pensei.
O terceiro fato foi o mais maluco. Recebemos a fabulosa notícia de que as pedras verdes haviam sido encontradas pelos operários no dia 30 de dezembro. E a mina ficaria fechada apenas aguardando os meus dois amigos para o início da garimpagem. Em plena euforia Rodolfo me convidou para conhecer a mina, dizendo que eu tinha o perfeito perfil para atuar como fiscal. As poucas palavras que ouvi fizeram com que minha coluna cervical congelasse. No fundo, se já estava pensando em conhecer um garimpo, imaginem sabendo que a mina estaria produzindo esmeraldas! Num piscar de olhos, eu aceitei.
Bem quando já estava me divorciando dos últimos resquícios da sensação do stress voltei a macetar uns dentes aos outros. Nunca irei esquecer esse dia. Eram duas horas da tarde. Estávamos na areia quente da praia da Tiririca descansando a vista no imenso mar. Meninas bronzeadas passando pra lá e pra cá. E nós, cada qual com um copo de cerveja, a beliscar uma mega tigela de camarões, feito três Gremlins. Em cima da mesa branca de plástico também haviam algumas ferramentas necessárias para a ocasião: um maço de cigarro de Renato, meus óculos de natação e o telefone celular de Rodolfo. Bem quando Rodolfo espetou o camarão mais sarado da tigela o telefone rugiu. Brrrrrrr, brrrrrr... .
--- Rapaz, é meu pai. Será que ele está de olho gordo no meu camarão? Esse desgraçado nunca me liga! - disse Rodolfo, observando os números de casa no visor do aparelho.
Renato no mesmo
Até a maldita hora de virar o ano o tempo passou inexoravelmente. Não conseguia mais beber cerveja e não me concentrava mais para acabar de ler um livro, mesmo sabendo que faltavam apenas vinte páginas. História nenhuma tinha mais graça. Só pensava na caça ao tesouro e matutava no que iria dizer para o meu chefe. O desgraçado acharia, indubitavelmente, que eu estava completamente louco ou embriagado. Tinha a plena convicção de que se me arrependesse mais tarde do garimpo seriam poucas as chances dele me aceitar novamente. Ficaria com a fama de desertor e, além disso, a minha total desatualização do mundo tecnológico, decretaria o meu fim naquela empresa.
Nunca vi dois dias demorarem tanto para passar. Nem mesmo a princesa sem frescuras fazia-me esquecer do novo desafio. Após a alucinante lentidão das horas colocávamos finalmente os pés na areia, na última noite do ano de 1999. Quando alguns rojões começaram a iluminar o céu da pacata praia a qual estávamos, ao redor de uma fogueira, em frente de um aconchegante bar improvisado por uma moçada mineira, eu, Rodolfo e Renato nos abraçamos e juntamos nossas cabeças, arrancando do fundo de nossas mentes um positive vibration para o incerto ano que estava por vir. Exatamente, quando os relógios batiam meia noite, pronunciei baixinho uma sábia frase de Raul Seixas que ele mesmo batizou-a de Prelúdio – (Raul Seixas)
"Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade"

Sabíamos que sem forças interiores unidas não seria nada fácil encarar os perigos de uma mina de esmeraldas, de um garimpo e principalmente da gentalha que o cerca. Ainda não tinha a menor idéia de como seria fiscalizar os garimpeiros para não roubarem nada. Chegaria lá como uma espécie de inimigo! Isso seria outro desafio, bem mais complicado do que apenas estar nesse trabalho de risco. Mas que empreitada perigosa! São essas aventuras da vida que filhos e netos irão gostar de ouvir, pensei orgulhoso.
instante cuspiu na areia uma casca de camarão e fez uma cara de apreensão olhando fixamente as reações do amigo.
--- Pai, você tá brincando, pai? Rapaz do céu! É lógico! Fique tranqüilo. E de resto, o Palmeiras contratou alguém?
Rodolfo mesmo antes de desligar ergueu uma das mãos e apontou para o céu. Renato desde que soube que a ligação era da casa de Rodolfo já presumia do que se tratava a conversa e acompanhando as boas reações de Rodolfo levantou da cadeira aos pinotes. Eu permaneci sentado simplesmente por que ainda não tinha sido convidado para ir para lá e principalmente por que minhas pernas tremiam demais. A comprovação da magnífica surpresa veio logo em seguida pelas palavras entusiasmadas de Rodolfo:
--- Hoje de manhã, deram de cara com muita esmeralda! Dispensaram os garimpeiros até o início do ano, trancafiaram a boca da mina e daremos linha para lá somente depois do Reveillon. Alguém quer uma notícia melhor? Um brinde ao tesouro! Estão vendo aquela lanchinha branca ancorada ali? Então, aguardem! 


SANTO ELÓI o padroeiro dos ourives

SANTO ELÓI
o padroeiro dos ourives



Santo Elói (St. Eligius)
- Dia 1º de dezembro



Santo Elói, Bispo e Confessor
(+ França, 659)
Corria o século VII quando o rei Clotário II, desejoso de possuir um trono de ouro, reuniu grande quantidade desse metal e começou a procurar algum ourives que lhe executasse o serviço. Mas todos os ourives que encontrou, sendo desonestos, lhe diziam que o ouro acumulado não era suficiente. Afinal apareceu Elói, mestre afamado de ourivesaria, e declarou que aquele ouro era suficiente para a confecção do trono. O contrato celebrado, Elói recebeu o ouro e se pôs a trabalhar. Sendo honestíssimo, aproveitou bem o ouro recebido e conseguiu com ele fazer não somente um, mas dois tronos, e os entregou ao rei. Admirado com a honestidade do artista, Clotário o nomeou guardião e administrador do tesouro real. Essas funções foram mantidas por Elói durante o reinado de Dagoberto II, filho de Clotário. Depois de muitos anos de bons serviços ao rei e ao reino, o antigo ourives foi feito bispo de Noyon, revelando-se um grande e zeloso prelado que estendeu suas atividades apostólicas muito além dos limites de sua diocese e até mesmo do reino.
Curiosidade:
O personagem principal na tela “A Goldsmith in his Shop” (1449), de autoria do holandês Petrus Christus, tradicionalmente identificado como Santo Elói (ou Eligius), o padroeiro dos ourives, é mais provável um retrato de um verdadeiro ourives do século XV. O casal está comprando um anel de casamento que está sendo pesado, enquanto a faixa que se estende sobre a bancada é mais uma alusão ao matrimônio. O espelho convexo, que liga o espaço pictórico à rua, reflete dois jovens homens com um falcão (símbolo do orgulho e da ganância) e estabelece uma comparação moral entre o mundo imperfeito do telespectador e o mundo da virtude e do equilíbrio retratado na tela

CIRCUITO DO OURO

CIRCUITO DO OURO


Cada esquina sussurra a liberdade nas 19 cidades desse importante destino turístico. O Ciclo do Ouro foi o mais rico período da história do século XVIII. O metal amarelo e tão cobiçado, revolucionou o mundo. Em todos os municípios, o patrimônio arquitetônico é testemunha desse passado histórico-cultural. Ao lado desse fabuloso acervo, a natureza oferece belezas que precisam ser conhecidas e preservadas. O Circuito do Ouro é um programa turístico desenvolvido e apoiado pela Secretaria de Estado do Turismo de Minas Gerais, que se propõe a promover o turismo, difundir cultura, preservar o ambiente natural e gerar empregos e renda para os municípios mineiros.
Compõem este percurso os municípios de Barão de Cocais, Belo Vale, Bom Jesus do Amparo, Caeté, Catas Altas, Congonhas, Itabira, Itabirito, Mariana, Nova Lima, Ouro Branco, Ouro Preto, Piranga, Raposos, Rio Acima, Sabará, Santa Bárbara, Santa Luzia e São Gonçalo do Rio Abaixo
O  Circuito do Ouro teve seu acesso facilitado ao ser desbravado pelos bandeirantes, devido à presença do Rio das Velhas, utilizado como caminho natural de penetração pelo interior. Em suas margens, foram encontradas as primeiras pepitas de ouro da região, em local denominado Sabará - buçu, onde, nos fins do século XVII, se formou o arraial de Sabará. 
O Circuito do Ouro foi palco, ainda, dos primeiros conflitos ocorridos na zona mineradora. O conflito que mais destacamos denomina-se 'Guerra dos Emboabas', cuja luta baseou-se na disputa do controle do sistema de mineração pelos paulistas que julgavam-se no direito de possuí-las, já que as haviam descoberto, conquistando assim privilégios econômicos e políticos.
Figura extremamente popular na época do descobrimento do ouro foi o 'tropeiro'. Além de sua função econômica, ele adquiriu um papel social de portador de notícias, representando, assim, um verdadeiro elo entre os grandes e os pequenos núcleos urbanos. O tropeiro era quem comprava, nos grandes centros abastecedores, gêneros de toda a espécie e os levava para o interior, ganhando, sobre as vendas, porcentagens exorbitantes. Em pouco tempo, adquiria fortuna, prestígio social e ingressava na carreira política.
A Igreja, nesta época, representou um papel relevante no processo de colonização e organização da sociedade do Circuito do Ouro. No momento em que o ouro era detectado em determinada região, iniciava-se o processo de ocupação da área. Uma das primeiras providências tomadas pelos povoadores era a construção de uma capela. Sua construção era feita em local estratégico, ou seja, à beira dos caminhos, funcionando como ponto de atração das populações diversas que, construíam suas moradias em torno do santuário, formando, assim, os primeiros núcleos urbanos.
Capela - Estrada Real -  Foto: Haroldo CarneiroO papel da Igreja, e mais especificamente dos clérigos, foi da maior importância, já que eram as únicas autoridades capazes de pôr freio aos abusos cometidos pela população, na sua maioria composta de aventureiros ávidos de riqueza fácil. Inicialmente, a capela era de construção muito pobre, mas à medida que o arraial progredia, a capela era reconstruída com material de melhor qualidade e ampliava seu tamanho. Com sua reforma, a capela era alçada à categoria de Igreja Matriz.
As sociedades locais se dividiam em Irmandades, compostas geralmente pelos homens mais categorizados do arraial. Desta maneira, formou-se a Irmandade do Santíssimo Sacramento e das Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco, ocupadas pelos homens brancos.Os homens de cor, em geral escravos, ocupando a base inferior da sociedade, formaram as Irmandades de Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e Nossa Senhora das Mercês; os mestiços e mulatos  ficaram, por sua vez, associados às Irmandades de São José, Cordão de São Francisco e Nossa Senhora do Amparo. Esta divisão justifica o número excessivo de construções religiosas nas cidades que compõem o Circuito do Ouro.
Como exemplo desta manifestação, para visitar, admirar e se exaltar, citamos a Igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição e Igreja do Carmo de Sabará, a matriz de Santo Antônio de Santa Bárbara, a matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Caeté, a matriz de Nossa Senhora da Conceição de Catas Altas, e muitas outras irmandades mais pobres como as do Rosário dos Pretos, espalhadas pelas diversas cidades que compõem o Circuito do Ouro.
A cidade de Ouro Preto é considerada o foco central desse Circuito, dada a grandeza de seu legado histórico, artístico e arquitetônico. Patrimônio Universal da Humanidade, tem como marco inicial a Igreja de Nossa Senhora de Conceição de Antônio Dias (1727), projeto de Manoel Francisco Lisboa.