segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Gold Hits $1,200 Monday And Analysts See Potential For Higher Prices

Gold Hits $1,200 Monday And Analysts See Potential For Higher Prices

(Kitco News) - Momentum in the gold market has reached almost parabolic proportion Monday, as a major target at $1,200 was reached in intra-day trading.
Defying all expectations, Comex April gold futures have started the week on a strong note, surging more than 3.5% to hit an intra-day high of $1,201.40 an ounce. Prices have managed to hold on to most of the gains, with April gold settling the session at $1,197.90 an ounce.
The question is just how high can prices go?
“Right now it is all about the U.S. dollar,” said Bill Baruch, senior commodity broker at iitrader.com. “The U.S. dollar is falling, U.S. treasury yields are falling that that is making gold an attractive investment.”
Baruch added, that with gold blowing through the important technical level of $1,180 an ounce, is an indication that the market is seeing significant momentum and there is potential for prices to run to $1,230 an ounce in the near-term.
However, Baruch added that investors should be cautious about chasing the market higher. He added there should be other opportunities to get into the gold market.
“We are testing some overbought levels but after a move like we have seen today, in this market, you just can’t pick a top,” he said. ““At this points $1,140 represents a tremendous support level. Any pull back to above $1,140 could be seen as a buying opportunity.”
Sean Lusk, director of commercial hedging at Walsh Trading, said that he sees potential for gold to hit his target at $1,228 an ounce in the near-term. He noted that Monday’s move was accompanied by higher open interest and higher volume. “It appears that nobody is worried about buying at higher prices today,” he said.
But the market is not without its risks. Lusk said that Fed Chair Janet Yellen will be testifying before Congress Wednesday and Thursday, which represents significant risk for the market.
“If [Yellen] comes out and is clearly dovish, I think equity markets could stabilize and that could deflate this gold rally,” he said. “If her statement is unclear then I think more money will pour into gold.”
Jim Wyckoff, senior technical analyst at Kitco.com said that he sees potential for gold to test resistance at $1,208 an ounce and a break of that could lead to a push towards $1,132 an ounce.
Phil Streible, senior market strategist at RJO Futures, sees a lot of potential in the market, with $1,300 an ounce as an achievable target in the near-term, “especially if equity markets continue to fall.” However, he also warned that the gold market can be extremely volatility.
“There is a saying that markets fall 3-times faster than they rise, so this could mean we could see a $50 fall in gold if this rally fades,” he said.
Streible suggested investors could use a put option to help hedge against lower prices at these levels.
Streible isn’t the only one that sees the potential for $1,300 gold in the near-term. Daren Newsom, senior analyst at Telvent DTN, said that if gold can close above $1,200 an ounce on a monthly basis then his next target for gold would be $1,338, which is a significant Fibonacci retracement level from the September 2011 peak to the multi-year low seen in December.
By Neils Christensen of Kitco News; nchristensen@kitco.com
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Rondônia: Índios e garimpeiros 'reabrem' garimpo de diamantes na reserva Roosevelt

Rondônia: Índios e garimpeiros 'reabrem' garimpo de diamantes na reserva Roosevelt
Há dez anos, 29 garimpeiros foram assassinados na região em meio a desentendimentos com os índios


Fotos Ilustrativas
 
Numa porção da floresta Amazônica onde pode estar uma importante jazida de diamantes, índios e garimpeiros refizeram uma lucrativa parceria para extrair e vender as pedras de maneira ilegal.

A atividade foi retomada no fim do ano passado na Terra Indígena Roosevelt, uma área que se estende por Rondônia e Mato Grosso.  Há dez anos, 29 garimpeiros foram assassinados na região em meio a desentendimentos com os índios por causa do tesouro que aflora nessas terras.

O que sai da região tem um destino conhecido de autoridades: o comércio internacional ilegal de diamantes.  As suspeitas são de que as pedras de Roosevelt acabem chegando às mãos de compradores na Bélgica, Emirados Árabes Unidos, EUA, Índia e Israel, centros de lapidação e comércio de diamantes.  É uma longa cadeia ilícita, da qual em geral participam doleiros, contrabandistas, empresas de fachada e, por vezes, agentes da lei.

A situação de Roosevelt é delicada para o Brasil.  O país é participante do Sistema de Certificação do Processo Kimberley, que regulamenta, com a chancela da ONU, o comércio internacional dos diamantes brutos e exige de seus signatários medidas para garantir que suas pedras sejam extraídas somente de áreas legalizadas.  Diamantes brutos só podem sair do país com certificado Kimberley, emitidos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).  Se forem de áreas não legalizadas, não são, em tese, certificados.

Autoridades brasileiras veem Roosevelt com dupla preocupação.  Primeiro porque mineração em terra indígenas é proibida no país e o caso expõe a dificuldade do Estado de evitar que parte dos diamantes brasileiros continue sendo extraída e comercializados de maneira ilícita.  A segunda preocupação é com a segurança.

"O momento é o pior possível.  Talvez até pior do que era há dez anos, no auge do garimpo", disse na sede do Ministério Público Federal em Porto Velho o procurador da República em Rondônia, Reginaldo Pereira Trindade.

"O contexto de violência em Roosevelt ainda está presente como naquela época das mortes, mas como a questão parece ter esfriado o governo está muito mais desinteressado".  Para ele, o risco é de novos conflitos levarem índios e garimpeiros a se matarem por causa dos diamantes.  "Basta que alguém risque um palito de fósforo para que esse barril de pólvora, que está aí latente, exploda."

Um intermediário na venda de diamantes contou à reportagem, sob a condição de não ter seu nome divulgado, que viu em janeiro no garimpo, índios armados e um ambiente hostil com os garimpeiros que trabalham e dormem no garimpo.  "O clima estava estranho", definiu ele.

Desde 2004 - quando em abril os 29 corpos foram encontrados -, a Polícia Federal mantém vigilância no entorno de Roosevelt para evitar a entrada de máquinas e garimpeiros e para garantir a paz na terra indígena e nas cidades próximas.  Em dez anos, a Operação Roosevelt reduziu, mas nunca barrou de vez a extração ilegal de diamantes na região.

A Terra Indígena Roosevelt é uma das quatro áreas reservadas aos índios cinta-larga entre o sudeste de Rondônia e o noroeste do Mato Grosso.  Roosevelt tem 230,8 mil hectares.  Todo o território cinta-larga, 2,7 milhões de hectares - o equivalente ao Estado de Sergipe.  São entre 2.000 a 2.500 índios.  A Operação Roosevelt tem menos de 60 homens e seis bases no entorno da terra.

O Valor esteve na última semana de janeiro em uma das principais aldeias dos cinta-larga: a aldeia Roosevelt.  De Cacoal, no sudeste de Rondônia, até lá são quatro horas de viagem.  O cacique é Daniel Rondon, quase 50 anos, sisudo e com português carregado de sotaque de sua língua materna, o tupi mondé.


A corrida aos diamantes de Roosevelt começou em 1999.  Entre 2003 e 2004, de 4 mil e 5 mil homens trabalharam na clareira


"A cada 15 a 20 dias, cada família [que controla um pedaço de terra nas margens do igarapé Lajes, onde está a clareira do garimpo ] recebe R$ 10 mil, R$ 15 mil.  É mais ou menos 20% das vendas", explicou ele na varanda de um casa de alvenaria espaçosa e muito simples a poucos metros das margens do Rio Roosevelt.

De 20% a 25% sobre a venda dos diamantes são o que, em geral, os índios têm recebido por "liberar" a mineração em Roosevelt para garimpeiros, segundo Rondon e outros cinta-larga.

A aldeia Roosevelt parece um pequeno e pobre bairro rural.  Não tem ocas, mas 40 casas padronizadas com paredes pintadas de branco e manchadas de terra e outras poucas construções.  Tudo com verba do governo federal.  Nas cidades próximas à Roosevelt, o relato frequente é que algumas poucas lideranças ficam com o grosso do dinheiro dos diamantes e que o desperdiçam em noitadas, bebida, prostitutas e motos e carros.

Em 2010, a Fundação Nacional do Índio (Funai) firmou uma parceria com os cinta-larga para encerrar a atividade garimpeira.  À Funai caberia reforçar as ações de ajuda à população de Roosevelt além de pagar a cada família que atuasse como polícia indígena, para impedir o garimpo.  O valor pago a cada indígena pelo Projeto Lajes chegou a R$ 1.500 por mês.  Com o acordo, o garimpo foi "oficialmente" fechado pelos índios em 2010.  Em 2012, houve um repique e a PF destruiu com explosivos máquinas no garimpo.

"No primeiro momento a gente avançou, mas depois a gente passou a não ter mais estrutura, dinheiro", disse Urariwe Suruí coordenador regional da Funai em Cacoal.  Houve também, disse, problemas entre os cinta-larga por conta de quem as lideranças escolhiam ou deixavam de escolher para a função remunerada a cada mês do Projeto Lajes.  "[O projeto] acabou em outubro passado.  Eles disseram que não queriam mais.  E aí o garimpo voltou com tudo", diz o jovem suruí.

Líderes cinta-larga usam um único argumento para justificar a extração ilegal de diamantes: o governo não os ajuda a ter projetos agrícolas rentáveis e sustentáveis e as famílias cinta-larga se envolvem com o garimpo para comprar alimentos, remédios, roupas, carros para transporte de doentes, combustível e também TV com canais por assinatura, celular, moto e tudo o que aprenderam a consumir desde os primeiros contatos com o mundo exterior nos anos 60.

"O que acontece é que tem tanta reunião, reivindicação e o governo demora para atender.  Aí os índios falam 'não vamos esperar mais o governo, não'", resume Nacoça Pio Cinta-Larga, de 55 anos, um dos líderes locais, ao falar da reabertura do garimpo.

Os garimpeiros usam resumidoras, um tipo de esteira para bater o cascalho, e bombas de água.  Rondon diz que o movimento no garimpo caiu um pouco.  "Tinha 30 máquinas e agora, 19."

A reportagem não chegou ao garimpo do Lajes, o principal de Roosevelt, que fica numa clareira que de ponta a ponta, segundo a PF, tem quatro quilômetros.  Uma ilha de lama no meio da floresta.  Da aldeia até lá são mais quatro horas.  Lideranças cinta-larga na aldeia não permitiram a visita da reportagem sob a alegação de que a estrada estava intrasitável.

A corrida aos diamantes de Roosevelt começou a ser notada em 1999.  Entre 2003 e 2004, de 4 mil e 5 mil homens trabalharam na clareira, segundo a Polícia Federal.  "Naquela época era muita gente.  Hoje, se tiver, são 100 e poucas pessoas", diz Marcelo Cinta-Larga, de 33 anos, citando um número sem confirmação de autoridades.  Rondon fala em menos de 100.


A Terra Indígena Roosevelt é uma das quatro áreas reservadas aos índios cinta-larga entre o sudeste de Rondônia e o noroeste do Mato Grosso.  Atualmente, os garimpeiros usam resumidoras, um tipo de esteira para bater o cascalho, e bombas de água.


Assim como Rondon e Pio, Marcelo diz que a relação com os garimpeiros que estão novamente em suas terras está tranquila.  Rondon diz os garimpeiros foram mortos porque estavam ameaçando de morte os índios.  Segundo a PF, desde 2007 não há mortes relacionadas aos diamantes.  Além dos 29, a polícia computa 20 assassinatos ocorridos antes e depois de 2004.

Ao falar sobre a venda das pedras, Rondon narra assim a rotina do negócio: "Tem um barracão lá no garimpo e os caras que compram vão lá para avaliar e comprar.  De 15 em 15 dias eles vêm comprar".  E acrescenta: "A gente não sabe quem é o comprador forte."  Ele e outros dizem que no passado tinham negócios com compradores de Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo.  Usando a palavra em tupi mondé que significa pedra branca e também diamante, Rondon diz que o "ikaxirá" mais caro que viu nos últimos tempos foi um de 8 quilates vendido por R$ 80 mil.

Um conhecedor do mercado de diamantes falou de uma pedra bem mais valiosa.  À reportagem, por telefone, ele afirmou que há quatro meses apareceu na mão de um comprador de Juína (MT) uma pedra recém-extraída de Roosevelt de 90 quilates vendida por R$ 450 mil.  E que há poucos dias, surgiu na cidade outra, também de Roosevelt, de 30 quilates.  Um quilate é o equivalente e 200 miligramas.

"Os diamantes de Roosevelt são totalmente distintos de qualquer diamante do Brasil.  São predominantemente pedras brancas, têm várias formas, mas muitas octaédricas [o que permite cortes valorizados na fase de lapidação], são pedras de alto teor de pureza, muito bonitas e grandes.  Eu já vi diamantes de lá de 50, 70, 80 quilates", disse, de Brasília, o geólogo do Serviço Geológico do Brasil, Valdir Silveira, que lidera um projeto para mapear áreas diamantíferas, o Projeto Diamante Brasil.

Segundo ele, há indicações seguras de que a terra dos cinta-larga está sobre corpos kimberlíticos com alto potencial diamantífero.  Mas por ser terra indígena, nunca nenhuma empresa prospectou nem lavrou a região.

O comércio mundial de diamantes brutos é afunilado em poucas cidades, entre elas Antuérpia, Dubai, Nova York, Mumbai e Tel-Aviv.  São centros de comércio e de lapidação de padrão internacional.  O preço de um diamante bruto pode ser multiplicado alguma vezes após lapidado.  Em tese, esses mercados movimentam apenas diamantes com origem legal.  Mas no setor, são ainda frequentes relatos sobre caminhos ilícitos para 'esquentar' pedras de áreas proibidas.  Para Valdir Silveira, esse é o caso dos diamantes de Roosevelt.

"O destino é ilegal, não tem como não ser, porque a produção de diamante lá é ilegal", diz.  "Com certeza, os diamantes de Roosevelt estão saindo do Brasil de forma clandestina, eles estão indo para a Venezuela ou Guiana ou outro país da região."  São rotas conhecidas onde os contrabandistas obteriam certificados Kimberley de forma mais fácil do que no Brasil.  Outra opção seria misturar pedras de Roosevelt em lotes de áreas regulares ou recorrer a pessoas que levam para o exterior pedras na roupa ou dentro do corpo.

Em sua sala na sede da Operação Roosevelt, em Pimenta Bueno (RO), o delegado Alexandre de Andrade Silva, chefe da base central da operação, diz que PF faz patrulhas nas estradas que dão acesso à terra indígena, mantém equipes nas seis bases no entorno da terra e eventualmente sobrevoa a região.  "O desafio da PF é chegar a quem está comprando, ao grande comprador, ao grande financiador."

Em 2010, a equipe de Silva junto com a PF no Mato Grosso tentaram ir além.  "A gente ficou um ano investigando tentando pegar a ponta, tentando alargar a teia para de repente pegar um cara que está lá na Rússia, Bélgica ou em Israel.  Mas não se evidenciou", disse o delegado.  "A PF continua empenhada em tentar chegar aos compradores finais.  Não desistimos, de jeito nenhum."

Em março de 2010, um homem foi detido no Aeroporto Internacional de Confins (MG), com um diamante de 28 quilates que policiais afirmaram ter saído de Roosevelt.  A pedra foi avaliada em R$ 200 mil.  Em abril do mesmo ano, um lote com 20 pedras, avaliado em R$ 100 mil, também da terra cinta-larga, segundo a PF, foi apanhado com outro homem em Confins.  Em 2004 e 2005, a PF já havia desmantelado dois esquemas de venda ilegal das pedras de Roosevelt para o exterior.

O Brasil exportou legalmente em 2013 US$ 6,1 milhões em diamantes brutos, 44,3 mil quilates, segundo dados preliminares do DNPM.  É insignificante para o mercado internacional.  Mas a produção vem aumentando desde 2009, quando encolheu pela crise financeira internacional.  Em 2009, a exportação brasileira foi de US$ 2 milhões, 35,9 mil quilates.  Minas e Mato Grosso são alguns exportadores.  Em Rondônia, segundo dados da superintendência local, havia em janeiro, 161 pedidos de pesquisa ou lavra de diamantes.  Legalmente, não há nenhum quilate sendo extraído no Estado.

Mato Grosso é campeão na produção de ouro e diamante

Mato Grosso é campeão na produção de ouro e diamante

Mato Grosso ocupa a primeira posição no ranking de exportação e extração de diamante no Brasil, segundo dados do relatório anual de lavra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM-MT), e primeiro lugar na produção de ouro destinado ao mercado financeiro.

 matogrosso campeao ouro diamante

O Estado comercializou em 2014 um total de R$ 360.357.086, o que equivale a 38.895 quilates de diamante e 9,93 toneladas de ouro, segundo Metamat – Companhia Mato-grossense de Mineração. Desse montante, mais de 50% são provenientes dos garimpos, o restante foi extraído por mineradoras.

As cooperativas são grandes responsáveis por esses números e estão cada dia mais organizadas e preparadas para aumentar sua participação. Está localizada em Mato Grosso a segunda maior cooperativa em produção de ouro do país, a Cooperativa de Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe), com quase quatro mil cooperados. "Ano passados nossos cooperados produziram 2,4 toneladas de ouro e este ano não vai ser diferente", ressalta o representante do Ramo Mineral do Sistema OCB/MT, Gilson Camboim, e presidente da Coogavepe. Ele disse que "as cooperativas atuam fortemente na produção diamantes e representam cerca de 80% no garimpo de produção de ouro, mas infelizmente hoje ainda não temos como mensurar de forma concreta".

O número de cooperativas atuando no setor é um emaranhado que precisa ser resolvido. Estão registradas no Sistema OCB/MT 6 cooperativas do ramo Mineral e uma filial de outro estado, no entanto, foram localizadas 19 Cooperativas atuando no Ramo Mineral sem registro, e junto ao DNPM, 26 cooperativas possuem áreas para exploração de mineral. "Há uma falta de sintonia entre as diversas instituições e órgãos que atuam e regulamentam as atividades das cooperativas de mineração. Isso mostra um descompasso que reflete de forma negativa no setor", disse o representante da Metamat – Companhia Mato-grossense de Mineração, Antônio João Paes de Barros. Ele ressalta que "as cooperativas na atividade garimpeira são importantíssimas e poderiam ser muito mais, principalmente para o estado que poderia tem um desempenho sócio e econômico muito maior do que é hoje e isso é gerado por falta de conhecimento".

A Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Mato Grosso – Sistema OCB/MT, através do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Mato Grosso – Sescoop-MT - realizou no dia 15 de dezembro o Fórum Mato-grossense de Cooperativas de Mineral para discutir os gargalos, as ações para o desenvolvimento e fortalecimento do setor. "O Sistema OCB/MT está fazendo um diagnóstico e traçando o perfil socioeconômico de todas as cooperativas do Ramo Mineral. Assim vamos planejar ações direcionadas para aparar as principais deficiências, incluindo a atuação junto aos organismos que regulam as atividades do setor", disse o superintendente, Adair Mazzotti.

O coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Mineral, Sérgio Pagnan, que também participou do Fórum, disse que Mato Grosso é o Estado mais organizado no Ramo Mineral e as "demandas do setor serão levadas para serem discutidas no Conselho". Ele anunciou que será feito um diagnóstico nacional do ramo Mineral "para que possamos conhecer a participação no mercado, sua abrangência e gargalos". Ele ainda disse que a equipe do Sistema OCB Nacional analisou 372 emendas, apresentou 17 propostas, sendo que 10 foram aprovadas, beneficiando todas cooperativas da atividade mineral.

A analista técnica econômica da OCB Nacional, Flávia Zerbinato Martins, disse aos presidentes e cooperados presentes no Fórum, do trabalho que é feito em Brasília, principalmente no Congresso Nacional e as metas de 2016.

"Entre as prioridades está o acompanhamento do processo do Novo Código de Mineração Brasileiro (PL 5.807/2013), de autoria do Poder Executivo, que está em tramitação no Congresso Nacional, e irá substituir a legislação em vigor desde 1967, e afeta diretamente as 86 cooperativas de mineração existentes no país", disse Flávia Zerbinato Martins.

Do Fórum saiu uma pré-agenda para 2016: acompanhar a tramitação do novo Marco Regulatório Mineral, trabalhar a gestão assistida, a padronização da contabilidade, do marco tributário/fiscal nas cooperativas e trabalhar junto às instituições gerando um protocolo de entendimento entre as instituições que atuam e regulamentam as atividades das cooperativas do ramo Mineral.

Garimpeiro acha diamante na porta de casa

Garimpeiro acha diamante na porta de casa

André Fontes encontrou o diamante no dia 6 de dezembro
O garimpeiro André Martins Fontes, 70 anos, teve uma surpresa no dia 6 de dezembro do ano passado, em Estrela do Sul, a cerca de 100 quilômetros de Uberlândia. Ele estava sentado na calçada em frente à sua casa, na avenida Manoel Coelho de Resende, no bairro Mato Grosso, quando percebeu uma pequena pedra cair aos seus pés, devido ao vento formado por um caminhão que tinha acabado de passar. Como a pedra brilhou, o garimpeiro pegou-a e examinou-a. Para seu espanto, ele descobriu que se tratava de um diamante de quase quatro quilates, ainda sujo do asfalto da rua, e que vale cerca de R$ 20mil, segundo a avaliação do próprio André Fontes.
A pedra foi lavada, pesada, e constatou-se que ela estava no cascalho da avenida Manoel Coelho de Resende, que foi retirado do rio Bagagem para fazer a base do asfaltamento da via. Satisfeito com o presente de Natal antecipado que ele tem guardado desde então, André Fontes disse que “não esperava que a sorte colocasse aos seus pés a pequena joia”, que ainda está in natura.
“No início, até desconfiei. Mas, depois, chamei meu vizinho, que também tem conhecimento sobre este tipo de pedra preciosa, e confirmei que aquela encontrada por mim era mesmo um diamante”, disse o garimpeiro, que somente agora revelou detalhes sobre a história.
André Fontes é garimpeiro em Estrela do Sul há mais de 40 anos. Ele é de uma família conhecida na cidade por fazer “viradas”, um processo de garimpagem existente há até pouco tempo, que desvia o rio de seu leito natural para a retirada e lavagem do cascalho onde são encontrados diamantes.

Avenida pode ter mais pedras

Por enquanto, o garimpeiro André Martins Fontes guarda o diamante que encontrou, por acaso, no fim do ano passado, no Picuá, um canudo de cipó imbé utilizado pelos trabalhadores para guardar os diamantes que eles pegam. Ele afirmou que não pretende vender a pedra preciosa tão cedo, apesar de já ter recebido diversas ofertas.
E, após a descoberta de André Fontes, não só ele e o diamante como também a avenida Manoel Coelho de Resende, onde foi encontrada a pedra, se tornaram populares em Estrela do Sul e na região. Afinal, o asfalto que cobre a avenida pode ter mais diamantes. É que a Cimcop, que asfaltou a via pública na década de 70, em vez de terraplenar o solo para asfaltá-lo, preferiu colocar o cascalho do rio Bagagem para servir de base, sem perceber que nele poderia ter diamantes.

Cidade já teve outra descoberta

Diamante foi achado por acaso
Estrela do Sul é uma cidade do Triângulo Mineiro reconhecida como patrimônio histórico. Ela ficou famosa mundialmente por ter sido o lugar onde foi encontrado, por uma escrava, em 1853, o famoso diamante Estrela do Sul, que dá nome à cidade, famosa também por ser onde está enterrada a personagem mineira Dona Beija.
Ele tem mais de 128 quilates e é o sexto maior do mundo. A pedra ficou desaparecida durante o século passado e foi reencontrada em 1999 nas mãos de um colecionador indiano.
O rio Bagagem, que corta o município, é o provedor de diamantes e de histórias como a do garimpeiro André Martins Fontes.

Há quem se arrisque na terra do diamante

Há quem se arrisque na terra do diamante 

Há quem se arrisque na terra do diamante




Diamante à ufa. Garimpeiros por todos os lados. Chão de cabarés lavados com cerveja. Mulheres lindas recrutadas a dedo em Goiânia. Tresoitão Smith&Wesson na cinta dos donos de garimpos. Cheque nem pensar. Pagamento somente em cash. Aviões comerciais pousando e decolando com capangueiros. Poxoréu burbulhava. Tesouro e Guiratinga, também. O ciclo da garimpagem passou. Melhor, quase passou, porque ainda restam velhos aventureiros sonhadores que não se entregam. Batalham pesado nos monchões e grupiaras em busca da pedra boa que teima em se escafeder deixando todos blefados, de picuá vazio e sem o gosto do bamburro. 

Localizada numa área acidentada, espremida entre morros e o rio Poxoréu, a cidade é uma sequência de ruas sinuosas e permeadas por ladeiras. Por meio século ostentou o título de “Capital do Diamante”, realeza que murchou em meados da década de 1970, quando a extração entrou em declínio e levas de garimpeiros migraram para outras frentes em Nova Marilândia, Alto Paraguai, Arenápolis e Juína.

A Poxoréu do apogeu do garimpo morreu. Renasceu em outra cidade, pacata, exportadora de jovens para o mercado de trabalho e as faculdades, com a economia calcada no agronegócio. Perdeu as correntes migratórias que cruzavam o Brasil de cabeça para baixo e para cima em busca da fortuna fácil nos garimpos. O mesmo destino estava reservado à Tesouro, Guiratinga e Itiquira, na região.

Do mesmo modo que começou, terminou a opulência do ciclo da garimpagem. Poucos fizeram fortuna. Ganhou dinheiro quem comprou o cerrado que, à época, tinha preço de banana. Os milhares de garimpeiros desfrutaram apenas da aventura, da farra. Quem bamburrava gastava para se auto-afirmar junto aos companheiros e às mulheres. Pode ser que alguém tenha acendido charuto com a nota de cem da época, mas também pode ser lenda que isso tenha acontecido. Porém, era tradição lavar chão de cabaré com Brahma, a cerveja que Artêmio Capelotto vendia na região. Poucos tinham automóvel. Era raridade, mas com os bolsos cheios os novos e temporários ricos alugavam os famosos carros de praça – táxi – que normalmente eram Jeep, Toyota Bandeirantes, Rural ou a velha e boa Kombi. Alguns endinheirados se davam ao luxo de viagens de ostentação refestelados nas poltronas vermelho-aveludado dos bimotores DC-3 da Real Companhia Aérea, que fazia rota de Belo Horizonte para os pólos do garimpo na então região leste mato-grossense. 

Sem o garimpo a cidade perdeu o quê de aventura que foi sua grande marca na época em que o farmacêutico Amarílio de Britto tinha, sempre em mãos, uma fórmula homeopática para curar malária, gonorréia, asma e até mesmo ressaca implacável. O som do serviço de alto-falante “A Voz de Poxoréu” silenciou-se. Os ônibus da Transportes Baleia sumiram na curva da estrada, que também levou para Cuiabá um velho conhecido de todos, Prisco Menezes, um milionário que socorria – bem remunerado, é claro – o gerente do Banco do Brasil, quando não havia numerário na tesouraria para grandes saques. Ficou o passivo ambiental. Montanhas de rabo de bica. Assoreamento dos rios e riachos. Resta um gosto amargo de saudade.

O garimpo manual cedeu lugar às dragas. À escala comercial com enormes retroescavadeiras, caminhões basculantes, intervenção nos cursos d’água, GPS, equipamentos de última geração e gerenciamento profissional. Mesmo assim o faturamento do gigantismo das empresas mineradoras, nem de longe lembra o barulho dos garimpeiros anônimos que se espalhavam por Alto Coité, Raizinha e por onde mais se possa imaginar.



Profissão não dá segunda safra


Saturnino José do Nascimento, baiano de 84 anos, é nome estranho em Alto Coité, distrito de Poxoréu. Porém, se alguém perguntar por ‘seo’ Satu, o povoado inteiro sabe quem é. Afinal, ele garimpa naquelas bandas há 40 anos, todos os dias; todos os dias, não, porque guarda o sábado santo do Senhor, em obediência aos ensinamentos bíblicos pregados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Satu é um poço de saúde. Trabalha o dia inteiro. Pega no pesado com a mesma disposição da juventude. Conversa pouco e escuta com dificuldade. Não toma medicamento. Usa roupas surradas e sandálias de couro costuradas por suas mãos calejadas. É casado, mas a patroa dona Severina Campos do Nascimento, septuagenária, mora em Anápolis (GO), “vende roupas”, revela. Matrimônio para ele é coisa sagrada, mas não faz segredo que mantém uma namorada de trinta e poucos anos na vila, “eu banco ela. Homem não pode ficar sem mulher”, mostra verbalmente uma virilidade que a faixa octogenária não derruba e que os 11 filhos que tem atestam.

O Garimpo da Onça, onde Satu trabalha, fica perto da margem do córrego do Coité – que dá nome ao lugar - mas ele paga renda de 10% ao dono da área, muito embora o mesmo não tenha titularidade no subsolo. Garimpeiro que é garimpeiro não discute questão legal, direito. Simplesmente paga o que deve e ponto final.

Pedra boa mesmo, Satu pegou somente cinco; uma com 12 quilates. Ajuizado não fez esbórnia com a mulherada nem bebeu. Comprou uma casa em Alto Coité e outra em Anápolis, onde sua mulher mora com a filharada.

Cansado sim, porém sempre disposto. Esse é o estado de espírito de Satu, que não aceita outra vida senão a que leva. Distante do mundo, o velho garimpeiro não sabe quase nada do que se passa ao seu redor. O nome do governador de Mato Grosso desafia sua memória. “Já ouvi; acho que é ‘Maurio’ ou qualquer coisa assim...” - mostra seu distanciamento.

Há 10 anos o governo federal em parceria com Mato Grosso montou dois projetos Casulo em Poxoréu, para assentar em parcelas próximas à cidade ex-garimpeiros. Satu foi sondado por assistentes sociais e técnicos, se gostaria de receber uma parcela. Refugou. “Profissão de garimpeiro não dá segunda safra, tenho que continuar onde estou”, disse aos que o procuraram.

Ex-garimpeiros aposentados entre aspas que aceitaram a proposta dos  Casulo quebraram a cara. O projeto foi por água abaixo com sua meta de produzir maracujá que seria destinado à indústria de sucos e concentrados Maguary, em Araguari, Minas Gerais.

A balbúrdia nos Casulo foi grande. Nunca o pessoal, oriundo do garimpo, colheu um maracujá sequer. Para salvar as aparências, quando o governador Dante de Oliveira visitava o projeto, técnicos providenciavam o fruto em supermercados na vizinha Rondonópolis, para que fossem mostrados como safra do lugar.

Satu não foi o único garimpeiro a virar as costas aos Casulo. Outros também tiveram a mesma reação. Alguns deles foram vencidos pela idade e doenças. Saíram do batente. Foram empurrados pela circunstância para o Abrigo da Associação dos Garimpeiros de Poxoréu.

Mês passado, 29 garimpeiros sem força para o trabalho e minados por doenças, sobretudo respiratórias, ocupavam as enfermarias do abrigo, que é dirigido pela filha de garimpeiro Maria Aparecida dos Santos, mais conhecida por Cida Caburé – apelido que aceita com naturalidade.