quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Brasil pode estar deixando de ganhar milhares de dólares por não conhecer melhor os tratamentos aplicados em gemas

O Brasil pode estar deixando de ganhar milhares de dólares por não conhecer melhor os tratamentos aplicados em gemas e por ainda existir o mito de que pedra irradiada (comumente chamada de "bombardeada") perderia a cor com o tempo ou poderia causar danos à saúde de quem a usa. 
O assunto é polêmico e, para esclarecer as várias dúvidas, entrevistamos o gemólogo Maurício Favacho, da Empresa Brasileira de Radiações - (EMBRARAD):

Jóia br – É verdade que as gemas irradiadas perdem a cor?
Maurício Favacho -
 Esta generalização é péssima para o mercado brasileiro de gemas, só reflete a falta de conhecimento de quem a menciona. O que acontece é que gemas como a hidenita - uma espécie de espodumênio - que após irradiação torna-se verde, perde esta cor com o passar do tempo sem qualquer exposição ao sol. Isso também acontece com algumas ametistas irradiadas, e também com um tipo específico de berilo que fica azul após a irradiação. No caso da EMBRARAD, estes fatos são divulgados e esclarecidos ao cliente e de modo algum esta gema é comercializada. Por outro lado, gemas como topázio azul, rubelitas, berilos amarelos, fluoritas, kunzitas, morganitas e quartzos, dentre outros tipos de gemas, apresentam excelente estabilidade em sua cor. A única generalização que deve ser feita é: "Existem gemas com excelente estabilidade em sua cor e que são passíveis de comercialização e gemas como baixa estabilidade em sua cor que, de modo algum, podem ser comercializadas". Assim sendo, é tarefa de todo gemólogo conhecer a fundo o assunto, antes de expressar qualquer opinião sobre irradiação em gemas.
Jóia br – Você diz que o processo de tratamento por irradiação gama corresponde a uma aceleração do processo natural. Poderia explicar melhor?Maurício Favacho  O tratamento gama aplicado pela EMBRARAD para melhoramento da cor está muito ligado à composição química do mineral, e isto é muito interessante. Por exemplo, é fato que tratamento aplicado em determinados topázios incolores de regiões de Minas Gerais ficam com um azul muito exuberante após o procedimento. Por outro lado, também é fato que em determinados topázios de algumas regiões do norte a cor não fica muito boa, e todo mundo sabe disso. Novamente, não podemos generalizar; pode existir no norte determinada lavra cujo topázio incolor após o tratamento gama apresente muito boa qualidade, fato este relacionado intimamente com a composição química do mineral. Assim sendo, recomendamos testar sempre o material gemológico na Embrarad. 
Uma outra questão dentro desta sua pergunta é que a gema irradiada não é considerada artificial e sim uma gema natural tratada com gama. Assim sendo, jamais se usa o termo artificial para gemas naturais tratadas, qualquer que seja o processo.
Jóia br – E quanto à questão da saúde, é verdade que gemas irradiadas podem causar doenças como o câncer?Maurício Favacho  Esta é mais uma questão polêmica que tentarei esclarecer. As gemas tratadas com radiação gama pela Embrarad não ativam os elementos radioativos existentes nas mesmas, logo seria impossivel causarem qualquer tipo de dano à saúde. Existe esta possibilidade, ainda que remota, com gemas irradiadas com neutrons, que seria uma atividade energética mais intensa, e feita em reatores nucleares. Mesmo assim, o controle de saída deste material é super rigoroso, e a liberação só acontece depois do decaimento, ou seja, depois que não exista qualquer resquício radioativo. Vale ressaltar que a Embrarad não trabalha com neutrons, porém de modo algum discrimina este tratamento. A única coisa que sei é que, em se tratando de economia de tempo, o melhor é irradiar com gama.
Jóia br – Qual o valor agregado com o tratamento aplicado pela Embrarad?Maurício Favacho - É muito grande, só daria para estimar pelo tipo de cada pedra que é tratada, ou seja, o valor agregado com o quartzo tratado não pode ser comparado com o valor agregado com o tratamento de rubelitas. Este estudo tem que ser feito para cada tipo de pedra. A questão de valores agregados com o tratamento realizado pela empresa é tão importante, que o governo de Minas Gerais (Ciência e Tecnologia) tem no seu programa "Gemas e Jóias" interesse em conhecer pormenores sobre o tratamento, o que é tarefa não muito fácil. Poderia afirmar que cerca de 90% dos comerciantes de gemas do Brasil testam e comercializam pedras tratada pela Embrarad.
Jóia br - Existe aceitação internacional para o tratamento aplicado pela EMBRARAD?Maurício Favacho  É claro que sim, apesar da maior parte dos clientes serem do Brasil, em particular de Minas Gerais, gemas oriundas de outros países chegam a todo momento na empresa para serem testadas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O topázio imperial é uma das mais belas e raras gemas do mundo.

O topázio imperial é uma das mais belas e raras gemas do mundo. A designação 'imperial' para este tipo de topázio tem origem na Rússia, local das primeiras jazidas, exauridas durante o período czarista. Atualmente apenas a região de Ouro Preto (MG) é fornecedora desta gema em escala comercial, abastecendo joalherias de todo o planeta. É no distrito ouropretano de Rodrigo Silva que se situa a Mina do Capão, a maior do mundo, de propriedade da empresa TIMCIL - Topázio Imperial Comércio e Indústria Ltda. Para nos falar sobre esta fascinante gema, entrevistamos o Dr. Wagner Colombarolli, um dos sócios da empresa, engenheiro metalurgista formado pela Escola de Minas de Ouro Preto, onde foi professor por 11 anos e também diretor.
Jóia br - É correto afirmar que o topázio imperial somente ocorre no Brasil ? 
Wagner Colombarolli -
 A única área economicamente viável se encontra em nosso país, na região do município de Ouro Preto, em Minas Gerais. A ocorrência se dá em três macro-regiões: Saramenha, Rodrigo Silva – Dom Bosco e Antônio Pereira - próximo à Mariana, mas ainda pertencente ao município de Ouro Preto.
Jóia br - Algumas vezes acontece do topázio imperial ser confundido com outras gemas, como o citrino...
Wagner Colombarolli - Isto pode acontecer, tanto por má-fé quanto por ignorância, na ponta do varejo, com pessoas que compram uma pedra ou uma jóia montada com pedra de cor amarela. Do ponto de vista mineralógico, o citrino é um quartzo amarelo. Mesmo que possa haver um topázio na cor próxima a do citrino, eles diferem por outras características, tais como a raridade, estrutura, variedade e, sobretudo, valor. Quem conhece o topázio não se confunde, pois são pedras diferentes.
  
Jóia br - Também é muito comum as pessoas associarem o topázio somente à cor azul. Sua empresa recebe consultas deste tipo?
Wagner Colombarolli - Não, o que às vezes acontece é sermos procurados por mineradores ou garimpeiros, sobretudo da região norte e oeste do País, que encontram o topázio branco e nos oferecem para compra. O topázio azul é o topázio branco irradiado. O topázio de cor azul também pode ser encontrado na natureza, mas tem a tonalidade mais clara e sua ocorrência é menos freqüente.
topázio imperialJóia br - O topázio imperial pode ser encontrado em várias cores. Qual é a mais valiosa?
Wagner Colombarolli - Como todo produto, ele tem suas nuances, sua raridade e, conseqüentemente, seu valor. No topázio, nós partimos do menos valioso, que é o amarelo, para o laranja, vermelho, rosa, cereja, salmão e o lilás, que é o mais caro e mais valioso.
Jóia br - Pode–se ‘melhorar’ a cor da gema?
Wagner Colombarolli - O topázio imperial não aceita a radiação. Se isto é feito, há uma alteração sensível, mas quando exposto à luz do sol ele retorna imediatamente à cor original - não como no azul, que fica com cor permanente. Existe a queima do topázio, em que ele adquire uma cor violeta - pink topaz, como é denominado no Japão. Eu particularmente não gosto, prefiro o natural.
Jóia br - A procura é maior por parte de brasileiros ou estrangeiros? 
Wagner Colombarolli - Mais por estrangeiros, embora existam pessoas no Brasil que prefiram a jóia com topázio imperial. Temos conhecimento de peças muito boas e valiosas vendidas aqui. Acontece que o poder aquisitivo de nosso povo é menor e, conseqüentemente, como o topázio imperial é uma gema mais cara, isto faz com que ela seja mais procurada no exterior. Atualmente, vende–se muita jóia com topázio imperial no Brasil para estrangeiros.
Nossa empresa vende as gemas diretamente para alguns joalheiros e para pedristas, que irão serrar e formar a pedra, lapidar - cada um de acordo com sua técnica - e daí repassar a seus clientes. No caso dos joalheiros, aconselhamos que usem os serviços de pedristas e lapidários que estejam familiarizados com o topázio imperial, pois estes saberão a melhor forma de lapidação da gema e aproveitamento da cor. Já as pedras de coleção geralmente são poucas e nós preferimos manter em nosso acervo e exibi-las ao público em feiras e exposições.
Jóia br - O que mais influencia no consumo? É a raridade?
Wagner Colombarolli - Penso que é a beleza, o conjunto. Mesmo o topázio amarelo ou alaranjado, desde que bem trabalhado, fica lindo colocado numa jóia.
Jóia br - Além da participação em feiras e de campanhas para divulgar o topázio imperial na mídia, a empresa pensa em mais alguma ação institucional?
Wagner Colombarolli - Temos viabilizado o desenvolvimento de coleções de jóias com o topázio imperial, por solicitação de alguns designers que irão realizar mostras no Brasil e no exterior. Estamos também estudando a realização de um concurso de jóias com topázio imperial, provavelmente para o próximo ano.

História real de uma mina de esmeraldas......

Sonhando Acordado
Água, muita água se desprendia das nuvens naquela noite quente e poluída de São Paulo. Estático e cabisbaixo sob o teto barulhento de um posto de gasolina, eu viajava em pensamentos profundos, acompanhando no reflexo de uma poça d`água suja, a mudança de cores de um sinaleiro. As cores se embaralhavam de tal forma com o arco-íris formado por resíduos de petróleo que acabei esquecendo por um instante que estava estressado. Estava totalmente exausto pelo ano inteiro de estudo e trabalho na pesada metrópole. Se há uma coisa que eu detesto de verdade, é cidade grande. Por mim, preferiria mil vezes ter nascido há cem anos, o que seria bem menos doloroso. Não sei por que cargas d’água me puseram no mundo bem na beirada do século vinte e um. Tem gente que acha isso uma dádiva de Deus, poder ver os maiores avanços industriais e tecnológicos que a humanidade já presenciou. Grande merda. Mais máquinas e menos amigos. Mais trabalho e menos tempo para pensarmos e fazermos coisas que vêm na telha. Fui então me aproximando vagarosamente até pisar na poça. O reflexo de minha imagem foi ficando assombroso. Podia ver, ao invés da imagem de um garoto saudável, um velho corcunda. Sentia que tinha um piano em cima de meus ombros e o meu maxilar parecia tão rígido que se alguém encaixasse um diamante entre meus dentes seria esmigalhado em fração de segundos. Minha vontade momentânea era de chupar com um canudo toda aquela água colorida pela goela abaixo para ver se a droga da minha vida dava uma guinada sei lá pra onde. Esse pensamento fez-me rir e com a risada caí verdadeiramente na real de que aquele turbilhão de carros e caminhões estava prestes a sumir de minha vista. Iria sair de viagem naquele momento. Mas mesmo assim não estava conseguindo relaxar. Não tinha escoado definitivamente do mundaréu de concreto da terceira maior cidade do planeta. Comecei a olhar de um lado para o outro, praguejando baixo, com medo de algum ladrão ou outra coisa qualquer. Foi quando ouvi a firme voz de Rodolfo ecoar pelo posto:

Nem acreditava que de um dia para o outro tinha mudado completamente os meus planos e ao invés de estar indo para o Guarujá novamente, rumava para o norte do Brasil. A vida tem dessas coisas, e com essas e outras indefinições é que fazem dela um delicioso mistério. Nunca se sabe o que virá amanhã e o que importa é deixar ser levado para cada surpresa. Afinal de contas já tinha ido o ano inteiro para o litoral paulista, e no final de ano é um martírio ainda maior - pegar trânsito e praias poluídas. Mas dessa vez quando soube que dois amigos trilhariam o asfalto cinzento até a Bahia entrei um tanto de penetra na viagem sem pensar muito no assunto. Garantido que para eles era até melhor. Mais uma cabeça para rachar os gastos do combustível, sem contar a companhia de mais um paulista estressado na trupe.
Porta-malas abarrotado, tanque do carro repleto de combustível e muita esperança em passar o Reveillón do ano de 2000 em pleno sossego no litoral baiano, precisamente em Itacaré.
Deixamos São Paulo na luxuosa caminhonete de Rodolfo num dia abafado e chuvoso de final de dezembro. Me lembro como se fosse hoje. Enquanto ia deitado folgadão no banco traseiro, Renato trabalhava de co-piloto na frente, pois já era madrugada e tudo o que mantivesse o motorista acordado e atento tinha imenso valor. Os dois puseram-se a conversar animadamente. Não paravam um só instante de falar a respeito de um garimpo em algum lugar da Bahia em que seus pais tinham a posse de uma mina. Enquanto tentava pegar no sono, estirado no espaçoso banco de couro, ouvia antenado o papo deles. Eles estavam com planos de prosseguir a viagem, após a passagem do ano, até tal garimpo para verificarem como as coisas estavam andando por lá. Rodolfo era o mais empolgado:
--- Renato, você deve estar sabendo que eles estão quase lá. O buraco já está com 70 metros de profundidade. Régis telefonou ontem para o meu pai e disse que já acharam indícios e isto significa que as esmeraldas brotarão muito em breve.
--- Eu sei Rodolfo. Estamos indo para a Bahia em boa hora. - respondeu o co-piloto, com a voz mais sonolenta do que a de um bêbado na sarjeta.

Minha cabeça girava como uma centrífuga. Não tinha noção de qual seria meu destino quando fossem para lá. Voltaria de avião ou de carona com algum idiota conhecido que encontrasse em Itacaré. Era isso o que imaginava. Tinha uma importante reunião de trabalho já agendada para o começo de janeiro e não podia largar de uma hora para outra o meu trabalho numa empresa de Internet bem conceituada de São Paulo. Mas ao mesmo tempo tinha muita vontade de conhecer um garimpo de verdade. Sempre foi um sonho de infância andar livremente pelas galerias de uma mina, seja lá de que minério fosse. Queria apenas sentir o prazer de procurar um tesouro. Mesmo não encontrando-o não iria ficar chateado. Só de estar próximo dele, sonhando todos os dias com ele, já seria uma satisfação. Pelo menos era o que achava. Esse dilema foi remexendo de tal forma minha mente que consegui ir arrastando na viagem somente um sono superficial.
Não bastou algumas horas de marcha para a educada e séria Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro mandar o nosso veículo encostar. Levantei a cabeça assustado achando que algo de pior havia acontecido. O relógio digital do carro já reluzia duas horas da manhã. Os meus dentes ainda estavam tão grudados de tensão que me escondi pensando que o policial poderia imaginar que eu estava rindo de sua cara. Foi apenas mais uma investigação corriqueira que os guardas fazem quando visualizam algo de anormal nos veículos. Isso estava ocorrendo somente devido ao chamariz que carregávamos no rack da caminhonete: uma prancha de surf. Culpa daquele paradigma besta de que todo surfista é maconheiro. Não passou de um susto. Eles revistaram bolsas e bolsos, cheiraram os dedos de todo mundo, mas ficou só nisso. Não demorou mais que 15 minutos para o paspalho do guarda carioca dizer com aquela feição ainda desconfiada: Boa viagem!
Depois de muita estrada esburacada e sem acostamento chegamos em Porto Seguro para descansarmos um pouco de uma viagem desgastante e interrupta. Assim como fez Pedro Álvares Cabral, encostamos nossa embarcação naquele local para o primeiro contato com o ambiente baiano. Quem disse que dá para ficar no hotel em uma noite quente de janeiro em Porto Seguro? Acabamos varando a noite em claro com direito a vários drinks de capeta em Arraial d´Ajuda!
Passada a ressaca dos viajantes prosseguimos para Itacaré para desfrutar alguns dias do final do ano em paz. Foi tudo uma maravilha, melhor do que esperávamos, pois não faltaram boas surpresas. Foi lá em Itacaré que ocorreram três fatos marcantes.
O primeiro foi o convite de um professor que nasceu lá, mas lecionava em São Paulo para minha sala de faculdade. Sempre no final de ano voltava para a casa para visitar os pais e irmãos que sobreviviam pescando no verde mar baiano. E eu sabia que iria encontrá-lo numa cidade praiana tão pequena como Itacaré e não deu outra. O convite foi para um banquete de bacana após a noitada do dia 29 de dezembro na qual nos encontramos no forró. Eram seis e vinte da manhã quando entramos em sua acanhada casa. Parece loucura mas a essa hora da manhã sua mãe costumava encostar a barriga no fogão. Não acreditei - era peixe ensopado, pirão, cuscuz, muita pimenta, farinha da boa... Tudo ao ar livre no verdejante quintal, ao som dos passarinhos que estavam acordando e arriscando suas primeiras melodias matinais. Tive ali a primeira real impressão de que o povo baiano é especial. Eles conseguem fazer sentirmos totalmente em casa naquela terrinha!
O segundo fato foi encontrar e passar o Reveillón com uma menina show de bola. Era uma paulista. Uma princesa sem frescuras. Muito diferente de uma paulista convencional. Não ligava em estar de chinelos, com o pé na lama, roupas desgastadas, sem chamar a atenção de todos. O que importava eram seus olhos azuis, uma tatuagem de um índio no braço e um sorriso eterno. Muita pena que estava acompanhada do namorado. Talvez ela tenha sentido algo, pois eu senti. E senti que ela sentiu. Nossos olhares se cruzavam quase a todo o momento em que estávamos próximos. Foi um lance meio diferente e tive que respeitá-la por estar com o namorado. Sei que a vida é curta. Mas sei também, que o mundo é pequeno. Um dia hei de encontrá-la novamente, solteira da silva, pela força do bondoso destino! Mas, também, se não encontrá-la... ou se encontrá-la acompanhada novamente, não será para o meu bico naquele momento. Destinos! - foi o que pensei.
O terceiro fato foi o mais maluco. Recebemos a fabulosa notícia de que as pedras verdes haviam sido encontradas pelos operários no dia 30 de dezembro. E a mina ficaria fechada apenas aguardando os meus dois amigos para o início da garimpagem. Em plena euforia Rodolfo me convidou para conhecer a mina, dizendo que eu tinha o perfeito perfil para atuar como fiscal. As poucas palavras que ouvi fizeram com que minha coluna cervical congelasse. No fundo, se já estava pensando em conhecer um garimpo, imaginem sabendo que a mina estaria produzindo esmeraldas! Num piscar de olhos, eu aceitei.
Bem quando já estava me divorciando dos últimos resquícios da sensação do stress voltei a macetar uns dentes aos outros. Nunca irei esquecer esse dia. Eram duas horas da tarde. Estávamos na areia quente da praia da Tiririca descansando a vista no imenso mar. Meninas bronzeadas passando pra lá e pra cá. E nós, cada qual com um copo de cerveja, a beliscar uma mega tigela de camarões, feito três Gremlins. Em cima da mesa branca de plástico também haviam algumas ferramentas necessárias para a ocasião: um maço de cigarro de Renato, meus óculos de natação e o telefone celular de Rodolfo. Bem quando Rodolfo espetou o camarão mais sarado da tigela o telefone rugiu. Brrrrrrr, brrrrrr... .
--- Rapaz, é meu pai. Será que ele está de olho gordo no meu camarão? Esse desgraçado nunca me liga! - disse Rodolfo, observando os números de casa no visor do aparelho.
Renato no mesmo instante cuspiu na areia uma casca de camarão e fez uma cara de apreensão olhando fixamente as reações do amigo.
--- Pai, você tá brincando, pai? Rapaz do céu! É lógico! Fique tranqüilo. E de resto, o Palmeiras contratou alguém?
Rodolfo mesmo antes de desligar ergueu uma das mãos e apontou para o céu. Renato desde que soube que a ligação era da casa de Rodolfo já presumia do que se tratava a conversa e acompanhando as boas reações de Rodolfo levantou da cadeira aos pinotes. Eu permaneci sentado simplesmente por que ainda não tinha sido convidado para ir para lá e principalmente por que minhas pernas tremiam demais. A comprovação da magnífica surpresa veio logo em seguida pelas palavras entusiasmadas de Rodolfo:
--- Hoje de manhã, deram de cara com muita esmeralda! Dispensaram os garimpeiros até o início do ano, trancafiaram a boca da mina e daremos linha para lá somente depois do Reveillon. Alguém quer um
Até a maldita hora de virar o ano o tempo passou inexoravelmente. Não conseguia mais beber cerveja e não me concentrava mais para acabar de ler um livro, mesmo sabendo que faltavam apenas vinte páginas. História nenhuma tinha mais graça. Só pensava na caça ao tesouro e matutava no que iria dizer para o meu chefe. O desgraçado acharia, indubitavelmente, que eu estava completamente louco ou embriagado. Tinha a plena convicção de que se me arrependesse mais tarde do garimpo seriam poucas as chances dele me aceitar novamente. Ficaria com a fama de desertor e, além disso, a minha total desatualização do mundo tecnológico, decretaria o meu fim naquela empresa.
Nunca vi dois dias demorarem tanto para passar. Nem mesmo a princesa sem frescuras fazia-me esquecer do novo desafio. Após a alucinante lentidão das horas colocávamos finalmente os pés na areia, na última noite do ano de 1999. Quando alguns rojões começaram a iluminar o céu da pacata praia a qual estávamos, ao redor de uma fogueira, em frente de um aconchegante bar improvisado por uma moçada mineira, eu, Rodolfo e Renato nos abraçamos e juntamos nossas cabeças, arrancando do fundo de nossas mentes um positive vibration para o incerto ano que estava por vir. Exatamente, quando os relógios batiam meia noite, pronunciei baixinho uma sábia frase de Raul Seixas que ele mesmo batizou-a de Prelúdio – (Raul Seixas)
"Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade"
Sabíamos que sem forças interiores unidas não seria nada fácil encarar os perigos de uma mina de esmeraldas, de um garimpo e principalmente da gentalha que o cerca. Ainda não tinha a menor idéia de como seria fiscalizar os garimpeiros para não roubarem nada. Chegaria lá como uma espécie de inimigo! Isso seria outro desafio, bem mais complicado do que apenas estar nesse trabalho de risco. Mas que empreitada perigosa! São essas aventuras da vida que filhos e netos irão gostar de ouvir, pensei orgulhoso.
a notícia melhor? Um brinde ao tesouro! Estão vendo aquela lanchinha branca ancorada ali? Então, aguardem!
 Aqui sai um kilo de esmeralda boa por dia, uma média de 100 mil dólares, (na época).As outras minas vizinhas, estavam retirando menos,metade e eles queriam pegar a nossa mina na marra, ofereceram um milhão de dólares e não vendemos e então nos ameaçaram a vender ou o pior podia acontecer, mas isso é outra história, enfim, vendemos e saimos com uma boa grana, mas os INDIANOS ESTÃO NA NOSSA MINA, PELO MENOS ESTAMOS VIVOS.Garimpo é perigo constante.

"OS GARIMPEIROS SÃO SERES INCOMPARÁVEIS

"OS GARIMPEIROS SÃO SERES INCOMPARÁVEIS. SÃO HOMENS QUE FOGEM DA VIDA REAL EM BUSCA DO IMAGINÁRIO, NÃO MEDINDO CONSEQUÊNCIAS FINANCEIRAS OU DE SAÚDE, DISPOSTOS A NEM COMER O PÃO QUE O DIABO AMASSOU, E A DAR SANGUE, SUOR, PULMÃO, FÍGADO..., PARA ENRIQUECER DO DIA PRA NOITE."
(Carvalho, Fábio L. 2001)
"PEDRAS PRECIOSAS: UMA COLHEITA QUE JAMAIS SE REPETE"
( Sauer, Jules Roger 1982)
"A VERDADEIRA CONSTITUIÇÃO DAS COISAS GOSTA DE OCULTAR-SE"
(Éfeso, C. 500 a.C.)

As principais técnicas decorativas na Joalheria através da História 1ª parte

As principais técnicas decorativas na Joalheria
através da História
1ª parte



Na joalheria artesanal, existem várias técnicas para decoração de joias, empregadas há centenas ou milhares de anos e ainda utilizadas hoje. Algumas delas têm seus nomes em francês, italiano ou inglês.
ESMALTAÇÃO
Técnica decorativa usada para trazer cores às joias, sem a necessidade das gemas - pode ser decoração secundária ou o foco principal da joia. O esmalte é um composto transparente vítreo colorido com a adição de óxidos metálicos. Em forma de pó, o composto é colocado em cima da superfície metálica a ser decorada e então aquecido, até que derreta e seja fixado na área escolhida. Apesar de ter um alto grau de aderência ao metal, o esmalte é uma forma de vidro e, consequentemente, propenso a rachar ou até mesmo descolar do metal se não aplicado corretamente. Geralmente, uma superfície plana esmaltada terá seu reverso também esmaltado de maneira a balancear as forças de expansão e contração produzidas no metal.
- Cloisonné (do francês cloison = célula, compartimento): técnica de esmaltação criada pelos antigos gregos na qual o desenho a ser decorado na peça de joalheria (em geral em ouro) é feito por células formadas a partir de pequenas grades, nas quais o esmalte é depositado e depois aquecido. As células podem ser niveladas à superfície metálica ou somente polidas, dando ao desenho um aspecto vítreo.
- Champlevé: técnica de esmaltação onde, em vez das células da técnica anterior, o metal é escavado (ou gravado), fazendo com que o esmalte seja depositado nas depressões e, depois de aquecido, permaneça no mesmo nível da superfície metálica. Técnica criada na Antiguidade.
- Basse-taille (baixo-relevo): Variação da técnica champlevé, onde a área escavada do metal é decorada com um design em padrão, podendo ser ele gravado ou em baixo-relevo, e depois recoberto com esmalte translúcido, assim fazendo com que o design seja visto através do composto vítreo. Técnica muito usada pelos antigos romanos.
- Plique à jour: Talvez a técnica de esmaltação mais difícil e também a mais frágil. Diminutas células recortadas na superfície metálica são preenchidas com esmalte transparente, proporcionado o mesmo efeito dos vitrais. Desenvolvida na França e na Itália durante o século XIV e muito usada por artistas durante a Renascença.
Limoges: Técnica de esmaltação que requer conhecimentos de pintura. O esmalte é reduzido a um pó finíssimo e, com um pincel, aplicado à superfície metálica. Como são usadas várias cores de esmaltes, o processo passa por vários estágios de aquecimento. Técnica criada na cidade francesa de Limoges, durante o século XII.
Grisaille: Técnica de pintura com esmalte que usa somente dois tons. O design é feito em esmalte branco sobre uma superfície metálica esmaltada em preto ou azul. Popularizada durante a Renascença, especialmente na França.