quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Pedra semi-preciosa - Lápis-lazúli

Pedra semi-preciosa - Lápis-lazúli

Lápis-lazúli

força divina e vida infinita
O uso do lápis-lazúli vem dos primórdios da história humana, há mais de 7.000 a.C. ele era usado, no Antigo Egito, em forma de amuletos e ornamentos. Foi encontrado em tumbas egípcias em forma de joias, escaravelhos e esculturas. Acreditavam que essa gema reunia toda a força divina e a vida infinita. Romanos e Gregos utilizavam essa pedra como forma de proteção e de amizade. Em algumas crenças, na Antiguidade, o lápis-lazúli era visto como o símbolo da verdade e, em outras, era visto como um portal para o mundo espiritual.
A primeira parte do nome, lápis, em latim, significa pedra. Lazúli é derivada do persa lazhward, que significa azul. Há também, outras descrições da origem do nome vindo da palavra arábica “azul” (céu) em composição com a latina “lápis”. Lápis-lazúli é uma rocha, e não um mineral, já que é composto por vários minerais em quantidades variáveis: lazurita (25% a 40%), calcita e pirita. Pode conter, ainda, a presença de outros minerais, como sodalita, por exemplo. De cor azul intensa, é utilizada como gema ou como rocha ornamental. A princípio uma simples rocha azul que, depois de lapidada,se torna apreciada por seu azul magnífico e brilho vítreo. Achados em escavações sugerem que o lápis-lazúli também era utilizado como pigmento e maquiagens. Os lápis pulverizados foram usados por egípcias como uma sombra para os olhos. Na Idade Média e Renascença o uso em pinturas por artistas ganhou espaço, com a intenção de criar pinturas com azul brilhante. O pó de lápislazúli, depois de processado para remover as impurezas e isolado o componente lazurita, dá origem ao pigmento ultramarino. Na joalheria, apesar de seu baixo preço, o lápis-lazúli pode ser encontrado em muitas coleções de designers de joias, aumentando seu valor ao ser utilizado com diamantes e ouro. É muito usado em joias masculinas, prendedores de gravata, abotoaduras e anéis com cabochões. É considerada uma pedra clássica, quando associada à prata e pérolas.
Características gemológicas
As variações da composição do lápis lazúli também geram variações nas propriedades descritas abaixo. Sistema cristalino: nenhum (lápis-lazuli é uma rocha). Lazurita, o constituinte principal, é isométrico, Fórmula química: NA8 (Al5 Si6 O24) S2, silicato de alumínio e sódio com enxofre. Dureza: 5 a 6 mohs Densidade: 2,50 - 3,00 Transparência: opaco. Cor: azul, mesclado com branco da calcita e grãos dourados da pirita. Brilho: vítreo, gorduroso a maçante. Fluorescência: branca. Fratura: concóide. Os lápis mais valiosos vêm da área de Badakshan, no Afeganistão. Esta mina é uma das mais antigas do mundo, produzindo continuamente por mais de 7.000 anos. Além dos depósitos afegãos, os lápis são encontrados nos Andes perto de Ovalle, Chile, onde são geralmente mais pálidos que o azul-escuro e manchados com calcita. Outras fontes menos importantes são a região do Lago Baikal na Rússia, a Sibéria, Angola, Myanmar, Paquistão, EUA (Califórnia e Colorado), Canadá e Índia. 

Cor e tratamento
Para o lápis-lazúli, a cor mais apreciada é o azul intenso, com pequenas manchas de pirita dourada.
Não deve apresentar veios brancos de calcita visíveis a olho nu. Pedras que contêm muita calcita ou pirita não são tão valiosas. Mas, os grãos de pirita são importantes para identificar a pedra como genuína. Lápis-lazuli é essencialmente opaco. A porcentagem de lazurita determina a intensidade do azul, quanto mais lazurita, mais escura é a gema. Também é encontrada em outros tons de azul. Sua cor pode variar de violeta profundo e azul royal à azul turquesa ou azul esverdeado. A combinação de diferentes minerais, no total, determina a cor.

Tratamento
O lápis-lazúli tipicamente não é tratado ou reforçado. No entanto, alguns materiais mais leves podem ser tingidos para resultar em azuis mais profundos. O reforço de coloração é usado principalmente quando há muitas inclusões de calcita branca. A impregnação de resina também é usada para melhorar a cor, mas são tratamentos instáveis e tendem a desaparecer com o tempo. Frequentemente são muito escuros e ficam azul-acinzentados.
Sintéticos e imitações
O espinélio sintético azul já foi usado como uma imitação de lápis-lazúli, mas raramente é visto hoje. Várias formas de vidro e plástico também são comumente vistos como imitações. Há lápis-lazúli sintéticos disponíveis conhecidos como “lápis Gilson”. Jaspe tingido é muitas vezes referido como “lápis suíços”
Avaliação
Lápis-lazúli de ótima qualidade são raros. Os preços desta gema dependem, em grande parte, por sua beleza e a intensidade da cor. O mais popular e, consequentemente, mais caro é um azul intenso, profundo. É por isso que os preços de peças de joalheria com lápis-lazúli variam amplamente, de caro e luxuoso para muito simples e barato. Geralmente, as contas redondas, fusos e cilindros tem preço mais baixo e joias feitas com este tipo de lápis-lazúli estão disponíveis em grande variedade, sendo usadas em rosários, por exemplo, há séculos.


Lapidação
O lápis-lazúli é cortado semelhante a outras rochas ornamentais. Cabochões são comuns, assim como chapas polidas planas. Formas redondas, ovais e em forma de coração são populares. No entanto, pedras finas podem ter rachaduras, o que diminui a durabilidade.
Esculturas e figuras também são comuns. Quando usado em anéis, o lápis-lazúli precisa de cuidados especiais por apresentar dureza de 5-6 Mohz, que é equivalente.

Cuidados
Essa gema é mais macia do que muitas pedras mas, com cuidados, as joias e ornamentos feitos de lápis-lazúli podem durar por muitas gerações. Eles são sensíveis à pressão forte, altas temperaturas e produtos químicos agressivos e de limpeza. A maioria dos lápis-lazúli podem ser limpos com água morna e sabão. Se tiverem sido submetidos à tingimento ou tratamento, isso pode desestabilizar a cor. Para lápis-lazúli tingido ou tratado, é melhor testar a limpeza em uma pequena área primeiro para garantir a estabilidade. Limpe as pedras usando apenas um pano macio e não se esqueça de enxaguar bem para remover qualquer resíduo de sabão. Nunca utilize joias com essa gema ao praticar esportes ou tarefas domésticas. Armazená-lo separadamente de outras gemas e joias, envolvido em pano macio para evitar arranhões e fraturas.
Mitos e lendas
Lápis-lazúli é considerado, por muitas pessoas ao redor do mundo, como a pedra de amizade e verdade. Os historiadores acreditam que as crenças ligadas ao lápis-lazúli tem mais de 6.000 anos por ele ter sido altamente valorizado nas civilizações antigas, como a egípcia, mesopotâmica, chinesa, grega e romana. Na Antiguidade e na Idade Média, as pessoas acreditavam que o cosmos se refletiu em pedras preciosas. Esses poderes de cura das gemas continuam a ser uma questão controversa, mas foram mencionados durante séculos pelos curandeiros e xamãs ao redor do mundo. O lápis-lazúli é associado ao planeta Júpiter e acredita-se que ele ajuda a tratar dores de cabeça, de garganta, varizes e problemas de fertilidade.


Coral - um animal marinho primitivo

Coral - um animal marinho primitivo


Coral
um animal marinho primitivo
Sua cor e raridade deram ao coral, durante muito tempo, um status de pedra preciosa. Todavia, recentemente, o uso gemológico do coral começou a ser questionado por questões de agressão ao meio ambiente e por ele ser um animal marinho. Segundo algumas opiniões há desinformação sobre esse aspecto.



Literalmente em forma de árvores, os corais se formam em recifes, atóis e bancos de corais de água pouco profundas. Suas inúmeras ramificações é o que lhes dão o aspecto de árvore.
Ele é formado por pequenos animais chamados pólipos. Crescem sobre os restos de esqueletos calcificados de seus companheiros mortos em águas tropicais quentes. Os corais em árvore são encontrados em cores distintas dependendo do lugar de sua origem e profundidade da água.
Segundo Judith Crowe, em seu livro "The Jeweller´s Directory of Gemstones", existe um alto grau de desinformação quanto ao fato do dano ao meio ambiente causado pela coleta de corais para uso gemológico. Dos 2.000 tipos de corais conhecidos, somente certas variedades estão em risco de extinção e, as mais ameaçadas, não são usadas na indústria de joalheria.
A altura dos corais vão de 20 a 40 cm e a espessura de seus ramos chega a 6cm.
Seria impossível falar de coral sem mencionar Torre del Greco, que fica no sopé do vulcão Vesúvio, na província de Nápolis, na região italiana da Campania, o maior centro de comércio de corais.
O maior recife de coral vivo encontra-se na grande barreira de coral na costa de Queensland na Austrália. Ela é formada por 2.900 recifes e 300 atóis (recífes circulares). Lá vivem cerca de 360 espécies de corais e uma rica biodiversidade completada por peixes, moluscos, crustáceos, estrelas do mar, etc.
Coral sintético e imitações
Por ser uma gema escassa o coral é muito imitado usando diferentes produtos e substâncias. É importante diferenciar os aspectos da imitação e da sintetização de uma gema. No caso das gemas sintéticas, os cientistas e técnicos buscam a reprodução fiel da estutura do material a ser sintetizado. Assim, a gema sintética tem todas as características da gema natural, no entanto, é feita em laboratório. Já no caso das imitações não existe a preocupação com a estrutura do material e, sim, apenas com o aspecto visual. As imitações são feitas com diferentes tipos de materiais como porcelana, vidro, plásticos e resinas. As gemas sintéticas são bem aceitas no mercado mundial de joalheria. Primeiro porque elas mantém as mesmas características da gema original e, segundo, porque são mais baratas. A raridade de muitos tipos de gemas e seu alto custo tem ampliado cada vez mais o mercado de gemas sintéticas. O coral sintético pode ser entalhado, lapidado, polido e gravado, o que se torna difícil com o coral natural que tem baixa dureza e é frágil. Para verificar se um coral é imitação basta submetê-lo ao ácido clorídrico diluído e a frio. As imitações não reagem ao ácido enquanto o coral natural apresenta efervescência muito visível quando submetido à esse ácido.
Características gemológicas
Possuem baixa dureza - 3-4 Mohs. Densidade relativa - 2,60- 2,70. Fratura - irregular, estilhaçada e quebradiça. Sistema cristalino - trigonal, microcristalino. Transparência - translúcido, opaco. Apresenta forma ligeiramente cilíndrica e oca. Sua composição é de 87% de carbonato de cálcio, 7% de carbonato de magnésio e outras substâncias. Os corais vivem em associação, em verdadeira simbiose com algas unicelulares, como é o caso das zooxantelas. Isso dá ao coral a capacidade de crescimento muito rápida e são esses organismos que dão ao coral a cor viva. O coral fica esbranquiçado quando as condições do meio ambiente mudam. Com alterações ambientais desfavoráveis eles expelem as algas de maneira parcial ou total, perdendo assim a sua cor vibrante.  São encontrados nas cores rosa, vermelho, laranja e branco. O branqueamento dos corais tem ocorrido em larga escala nas últimas décadas, dependendo do tempo do desequilíbrio ambiental poderá haver a morte total ou parcial da colônia. O excesso de iluminação e tempo prolongado de exposição à luz ultra-violeta também pode causar o branqueamento. A elevação da temperatura do planeta também afeta a vida dos corais. Na joalheria são usados como gemas nos mais diferentes tipos de joias e ainda como camafeus. Também são usados na joalheria em seu estado bruto. Existem ainda os corais negros e azuis, menos valiosos.
Coral esponja
O coral esponja é encontrado em recifes. Não é um tipo de coral raro nem valioso. Tem um baixíssimo risco de extinção. Em estado natural é encontrado em tonalidade vermelha, púrpura e amarela. No entanto, é comum encontrá-lo tingido e com aplicação de resinas para obtenção de brilho.
Coral nobre (Colallium rubrum)
O coral nobre ou Corallium rubrum é o mais apreciado pelos designers de joias e consumidores em geral. Vive no ecossistema de maior biodiversidade no mundo e é considerado um dos mais vulneráveis. É muito trabalhoso converter o coral bruto em elemento gemológico, o que normalmente lhe dá alto custo. Esse processo é feito por lapidação, entalhe e polimento. Eles são frágeis.

Coral konojoi
São brancos e, às vezes, com manchas rosa, procedentes do Japão e Filipinas.


Coral secundum
São de cor rosa e branco procedentes do pacífico.

Coral bambu
O coral bambu foi chamado assim porque o crescimento de seus galhos se assemelha com o bambu. Em estado bruto é muito sensível e difícil de ser trabalhado (lapidação).
Coral Japonicum
São vermelhos e vermelho escuro, procedentes do Jãpão.

Coral Elatius
São laranjas, procedentes do Japão e Filipinas.

Cuidados
Assim como toda gema orgânica, o coral é pouco resistente e requer cuidados, tanto na produção da joia quanto no seu uso pelo consumidor. Os corais devem ser mantidos distantes de calor forte. Não devem ter contato com produtos químicos agressivos. Não é aconselhável esfregá-lo com escovas duras, pois, mesmo o coral tratado ainda apresenta fragilidade. É importante evitar contato com peças metálicas que podem arranhá-lo. Para limpeza devem ser lavados com detergente neutro.

Turmalina Sabendo um pouco mais

Turmalina

Sabendo um pouco mais

Se você está pensando em usar Turmalina na sua próxima coleção ou em uma peça isolada, parabéns! Você escolheu uma das gemas mais populares e preferidas dos designers de joias. Ela oferece uma grande variedade de cores muitas vezes encontrada numa única pedra. Se ajusta facilmente às tendências de moda combinando com a maioria dos metais. Mas, você tem que conhecer um pouco mais sobre os aspectos técnicos e comércio de Turmalinas caso não tenha experiência em comprá-las. 
A Turmalina é um mineral de silicato de boro, muitas vezes contendo elentos químicos como alumínio, ferro, magnésio, sódio, lítio, cobre e potássio. São esses elementos químicos que dão cor às turmalinas.
Nem todo tipo de turmalina é usado na joalheria. Devido suas características fisico químicas, muitos tipos de turmalina são usados na indústria.
Dentre as diferentes famílias da turmalina, a Elbaita é a que contém as gemas usadas na joalheria. Seus nomes comerciais estão relacionados com a cor: 
As minas de turmalinas são encontradas em vários países. O Brasil é um dos maiores produtores dessa gema. Dependendo do país os nomes da turmalinas são diferentes. 
Se você ainda não está muito familiarizado com as gemas, deve saber que há quatro itens principais na avaliação de uma gema: lapidação, peso, pureza e cor. 

Lapidação 

Chama-se lapidação o corte feito na pedra bruta deixando-a com facetas que refletem a luz. Esse corte é feito através de desgaste da pedra em disco diamantado. Existem vários tipos de lapidação. As mais comuns podem ser vistas no quadro abaixo “Tipos de lapidações”. Esses cortes ou lapidações são feitos em gemas de diferentes tamanhos. 

Peso e tamanho 

A menor unidade de peso comumente usada é a grama, no entanto, as pedras preciosas usam a unidade quilate “ct” que representa 0,20 gramas. Para certo tipo de lapidação o peso em quilates é associado ao tamanho da gema, como é o caso da lapidação brilhante. Essa associação entre peso e medida pode ser vista no quadro “Tamanho e peso”.

Quando as gemas são lapidadas em tamanhos padrão dizemos que são gemas calibradas. 

Cor 

A cor da gema é resultado dos elementos químicos contídos nessa gema e de fenômenos físico-químicos específico dos minerais. Dependendo da pureza ou tipo de cor as gemas alcançam maior preço. A GIA (Instituto Gemológico dos Estados Unidos) usa uma padrão de comparação visual para conferencia de cores. 

Pureza 

Se você olhar uma turmalina com uma lente de aumento e verificar que seu interior está totalmente livre de impurezas (mesmo as menores) pode acreditar, essa gema é sintética (imitação). Não existe uma gema natural 100% livre de impurezas. A menor quantidade de impurezas de uma gema dá maior valor a ela. 

Tratamentos

Como você viu, são vários elementos que definem o valor de uma gema. Como as gemas perfeitas são cada vez mais raras e caras, as disponíveis são submetidas a vários tipos de tratamento para melhorar sua qualidade e valor. A maioria das gemas disponíveis no mercado foram submetidas a algum tipo de tratamento.
Gema tratada é aquela que tem uma de suas propriedades físicas modificada para lhe dar maior valor. Em alguns casos o tratamento é feito apenas para realçar uma propriedade como é o caso da cor, por exemplo.
Os principais tratamentos das gemas são: tingimento, tratamento térmico, impregnação, irradiação, difusão, preenchimento de fraturas, remoção de inclusões, clareamento e HPHT(high pressure high temperature).
Independente de conhecer os detalhes de cada um dos tipos de tratamento das gemas é importante que seu fornecedor esclareça a que tipo de tratamento a gema que você está comprando foi submetida.
Alguns tipos de tratamento podem ser nocivos à saúde, principalmente aqueles feitos com produtos químicos e instalações inadequadas. Essa é uma prática comum no mundo inteiro, onde comerciantes utilizam recursos improvisados para tratar gemas. Somente um gemólogo experiente pode fazer avaliações de tratamento. A confiança no seu fornecedor é o melhor caminho na compra de pedras.

Imitações

A sintetização das gemas é um recurso importante para muitos segmentos industriais. Ferramentas diamantadas é um exemplo disso. A industria elétrica e eletrônica também se beneficiaram da sintetização das gemas, principalmente porque elas tem sido produzidas com alto padrão de qualidade.
O mercado joalheiro também foi beneficiado com esse processo permitindo que muitas gemas sintéticas atendessem as necessidades do mercado de bijuterias, por exemplo. No entanto, o cuidado que deve ser tomado é o de não comprar gema sintética no lugar de gema natural.
Como fazer essa identificação é assunto para nossas próximas edições. Até lá! 

Turmalina Paraíba uma das gemas mais raras

Turmalina Paraíba


Turmalina Paraíba
uma das gemas mais raras
Há cerca de 600 milhões de anos, um acontecimento geológico único criou a mais espetacular variedade de gema do grupo das turmalinas - a Turmalina "Paraíba".
A descoberta
A Turmalina Paraíba foi encontrada pela primeira vez no Brasil nos anos 80, na Região da Paraíba, no distrito de São José da Batalha - por isso seu nome -, depois na Nigéria em 2000 e, mais tarde, em 2004 em Moçambique. A gema é encontrada em apenas cinco minas ao redor do planeta; três delas no Brasil, de onde saem os exemplares mais valiosos. A produção, entretanto, é muito escassa, quase extinta, tornando-a cada vez mais cara e cobiçada. As principais joalherias do país têm algumas peças com a pedra preciosa, guardadas a sete chaves, e o valor de uma dessas exclusivas joias pode chegar a R$ 3 milhões.
No início, os brasileiros não deram muita atenção à nova descoberta, mas os japoneses ficaram fascinados com as gemas e começaram a comprar e revender na Ásia, fazendo com que alcançassem preços inacreditáveis. A produção da Turmalina Paraíba é diminui a cada ano. Meros 20 mil quilates por ano, contra 480 milhões dos diamantes.
A cor
As turmalinas são encontradas em muitas cores, incluindo a azul (indicolita), mas o fator determinante para se afirmar que se tratava de uma pedra, até então desconhecida, foi a sua composição química, pois em virtude da presença de pequenos traços de cobre e manganês, a Paraíba tem essa cor azul neon ou azul esverdeada, uma cor brilhante e única.
Mesmo que não sejam mais caras que os diamantes, as gemas raras conferem exclusividade às joias. Para calcular a qualidade de uma pedra preciosa, especialistas usam o critério dos quatro Cs, adaptado da língua inglesa: lapidação (cut), pureza (clarity), quilate (carat) e, o mais importante, cor (color). Além disso, a raridade de uma gema e o design exclusivo de uma joia podem fazer o seu preço se multiplicar rapidamente.
A Turmalina Paraíba cativou desde o início o mundo das pedras preciosas, por sua beleza e cores eletrizantes. Elas tornaram-se populares quase que instantaneamente e, hoje, estão entre as mais procuradas e valiosas gemas do mundo.
Lapidação
Como são muito raras, os joalheiros não costumam partir as pedras, mas sim trabalhar com elas mais ou menos no formato em que aparecem. Isso faz com que seja difícil, por exemplo, fazer brincos, o que requer pedras bastante parecidas. A lapidação, no entanto, é fundamental para intensificar o brilho da pedra, ela é facetada em ângulos determinados, de forma que a luz possa penetrar nela e voltar aos olhos com a maior beleza possível. A lapidação aprimora cor e brilho, tirando da pedra seu melhor potencial.
É amor à primeira vista: a gema tem um brilho interior só seu, um esplendoroso azul neon que toca o coração. É pura emoção! Quando a gente coloca uma dessas pedras no escuro, ela parece estar acesa, como se fosse um neón. É a única gema transparente que possui cobre em sua composição, o que confere essa cor vibrante, iluminada e elétrica. Diz-se que, assim como o sol, essa gema tem luz própria!

As expectativas apontam sempre para preços mais altos, visto que a demanda cresce a passos mais largos que a oferta. Valores de cinco dígitos por quilate não são incomuns para gemas azul neon de boa qualidade e, para as azuis esverdeadas, de mais de 5 quilates.

     

Valores
Como já dissemos, as joalherias que adquiriram as pedras no auge da extração aproveitam e guardam seus tesouros em forma de Turmalina Paraíba, pois a escassez só aumenta seu valor.


A ágata sempre foi muito valorizada, desde a antiguidade, por egípcios e sumérios

Ágata
poder energizador
A ágata sempre foi muito valorizada, desde a antiguidade, por egípcios e sumérios. Diversas crenças acreditam que ela tenha o poder de energizar quem a usa e promover curas.

Como todas as outras gemas, diversos tipos de poder e propriedades místicas são atribuídos à ela. Porém, é uma gema notável por suas bandas multicoloridas ou de nuances da mesma cor. Na joalheria, proporciona uma aplicação versátil em vários tipos de design.
É caracterizada pela variedade de cores, geralmente dispostas em faixas paralelas. Quando são cortadas transversalmente, exibem uma sucessão de linhas paralelas, com padrões de cores e nuances extremamente fascinantes. Esses padrões fazem com que a ágata seja uma pedra única e original.
Por muito tempo, foi usada para compor peças de decoração, ornamentos e utilidades como cinzeiros, cabos de talheres e saboneteiras. Em construções antigas, não é raro encontrar maçanetas de ágata.
A história da ágata está intimamente ligada à cidade alemã de Idar-Oberstein. Nela, foram encontradas ágatas e jásper. Essa região evoluiu como um importante centro de pedras preciosas.
É considerado o maior centro de lapidação e polimento de ágatas do mundo. Até o início do século XIX, Idar-Oberstein possuía as mais importantes jazidas de ágata, porém, a partir desta data, elas estão esgotadas.

Por volta de 1800, foram descobertos depósitos enormes de ágata no Rio Grande do Sul, aqui no Brasil, por imigrantes de Idar-Oberstein. Imediatamente, as pedras foram enviadas à Idar-Oberstein para corte e polimento.
Como um centro importante de corte e polimento, seus artesãos executam verdadeiras obras de arte. Hoje, as jazidas mais importantes, além das brasileiras, se encontram no norte do Uruguai.

O mecanismo da produção natural da ágata ainda não é bem compreendido, acredita-se que há um preenchimento, em ciclos, das lacunas de rochas vulcânicas, por fluídos ricos em sílica ou dióxido de silício. Esse preenchimento pode ser parcial ou total, a partir da borda para o centro, através de microfissuras ou canais de infiltração. O padrão e largura das zonas depende da concentração de sílica nos fluídos, da temperatura, pressão, e do tempo dos fluxos desses fluídos.
Há, também, a teoria que as gotas de silícia fluída se resfriam, simultaneamente à rocha, na lava, formando uma cristalização em zonas a partir do seu exterior.
Além das minas do Brasil e Uruguai, a ágata pode ser encontrada na Austrália, China, Índia, Rússia, Egito, EUA, México, entre outros.
Os depósitos onde são extraídas as ágatas são, geralmente, muito grandes, proporcionando que esta gema tenha um preço acessível. No entanto, quando ela apresenta um padrão de faixas finas e bem delineadas e uma coloração natural forte, seu valor aumenta naturalmente. Estas são mais difíceis de encontrar.
Variedades
A cada variedade e forma, a ágata apresenta um nome.  Algumas por localidades geográficas específicas ou por padrões e cores, também específicos, como a ágata de fogo e a ágata olho. Algumas espécies de calcedônia recebem o nome ágata, porém não são verdadeiras cientificamente porque não apresentam as bandas ou faixas. As mais comuns são: ágata dendrítica, ágata paisagem, pedra mosquito e ágata musgosa. Apesar disso, são tradicionalmente chamadas de ágata e reconhecidas como tal por comerciantes e colecionadores. Como alguns tipos de cornalina, sardônica e ônix, que apresentam as faixas, também são chamados e classificados, comercialmente, como ágatas. Muitas vezes um mesmo exemplar de ágata pode ser classificado com dois ou mais nomes comerciais. A seguir você verá alguns tipos de ágata.




Materiais orgânicos agatizados

Lapidação e Aplicação
As ágatas podem ser encontradas em tamanhos grandes e em uma grande variedade de formas. São, na maioria, lapidadas em cabochões para realçar sua beleza. São, também, encontradas em formas de placas com cortes simples, que normalmente são usados ​​para desenhos ornamentais, como camafeus e outras esculturas.
Essa gema pode ser usadas em qualquer tipo de design de joia, em brincos, anéis, colares, pingentes e pulseiras. Por isso, é considerada uma gema versátil, além da possibilidade de tingimento, que dá à ela diversas cores e tons. Tem alta durabilidade por sua dureza.

Cor e Tingimento
As ágatas alemãs eram mundialmente conhecidas e apreciadas devido à suas cores que variavam de um delicado vermelho, róseo a castanho, separadas por capas intermediárias de cor cinza luminosa. Hoje, as encontradas em outras jazidas, revelam tons de cinza a cinza azulado, algumas, principalmente as brasileiras, apresentam tons de branco, preto, marrom, vermelho, amarelo, entre outros.
Em torno de 40% das ágatas brasileiras são submetidas à tingimento e, em outros países, os números chegam a passar dos 50%. Como ela é porosa, aceita facilmente os processos de tingimento, além disso, é resistente ao calor e aos ácidos. Pode-se obter lindas cores como rosa, roxo, verde e azul. Estima-se que pelo menos 90% das ágatas vendidas no mundo são tingidas. Como conseqüência das exigências dos lapidadores estrangeiros, a extração de ágata concentrou-se nas margens do Rio Jacuí - RS.
No processo de tingimento, a ágata é colocada numa solução de ferrocianeto de potássio, ácido crômico com cloreto de amônio, açúcar ou percloreto de ferro com ácido nítrico e sucata de ferro.
O tingimento frio é mais lento que o tingimento com aquecimento.
Como o grau de porosidade é variável nas ágatas, algumas absorvem mais o corante, isso proporciona um maior contraste entre as cores.
Essa solução não tem grande penetração na gema, por isso o tingimento é feito depois da peça ser cortada e desbastada e antes do polimento, pois ele obstrui os poros, dificultando a penetração do corante.
O tingimento não altera o preço das ágatas, porém, se os corantes usados forem inorgânicos, a cor será estável. Já com corantes orgânicos (usados, por exemplo, para obter cor rosa ou verde), a cor ficará enfraquecida com o tempo.

Cuidados
Ágatas podem ser limpas com água morna, sabão neutro e uma escova macia. Deve-se evitar a exposição prolongada ao calor extremo. Armazene as joias com ágatas em caixas forradas com tecido de veludo. Evite que entre em contato com outras pedras para não ocorrer riscos ou fraturas. Mesmo sendo uma gema durável e resistente não é indicado o uso de  produtos químicos. Evite que sua ágata fique exposta à luz por muito tempo pois, dependendo do processo de tingimento que ela foi submetida, poderá ter a cor enfraquecida.