sábado, 13 de fevereiro de 2016

MARAVILHAS DA JOALHERIA CELTA Os broches Roscrea e Tara

MARAVILHAS DA JOALHERIA CELTA
Os broches Roscrea e Tara


Broche RoscreaOs celtas, renomados artesãos e mestres decorativos de peças em metal, chegaram à Irlanda em torno do ano 500 aC, vindos da Europa Central através da Gália e da Bretanha , provavelmente expulsos de suas terras pela expansão da civilização romana. Devido ao frio e aos ventos cortantes da extremidade da ilha nomeada de Britannia pelos conquistadores romanos, para este povo mediterrâneo, esta região parecia um lugar impossível para a existência de vida civilizada e, portanto, foi deixada de lado. Assim, a arte celta encontrou seu refúgio por vários séculos que se seguiram e contribuiu enormemente para o desenvolvimento artístico da Irlanda.
A partir do século VI da nossa era, os broches, uma das mais importantes peças da joalheria medieval, passaram a ser mais luxuosos, decorados de forma a declarar o nível social de quem o portava. O Broche Roscrea, encontrado no Condado de Tipperary, é um belo exemplo de como os joalheiros celtas adaptaram técnicas estrangeiras ao seu trabalho. As técnicas decorativas da joalheria saxônia que chegaram à Irlanda por volta do século VII, eram admiradas pela beleza do uso de gemas brilhantemente polidas, da filigrana e da gravação em metal. Ao adaptarem estas técnicas, em vez de utilizarem grandes gemas para decorar suas jóias, os celtas optaram pelo contraste simples mas elegante da decoração feita por detalhes diminutos em meio a espaços lisos: o Broche Roscrea, confeccionado em prata, é rico em detalhes como fileiras de diminutas espirais e intrincados entrelaces, contrastando com partes lisas.
Entre os séculos VII e IX, a joalheria celta na Irlanda atingiu seu ápice e a mais bela peça que representa este período é o Broche Tara. Apesar do nome, o broche não foi encontrado em Tara, local dos antigos reis irlandeses, mas foi assim nomeado por causa do seu inigualável esplendor, próprio da realeza. O broche, datado do início do século VIII, foi descoberto em uma caixa de madeira na praia de Boyne, no Condado de Meath.
Broche TaraTodas as técnicas de joalheria da época foram usadas em sua criação, como a gravação, a filigrana, o intaglio e a fundição. Vidro moldado, esmaltes e âmbar foram circundados e também banhados em ouro contra um reverso de prata onde figuram bestas e pássaros inspirados pela arte saxônia: filigranas e entrelaces de minúsculos grãos de metal compõem a figuras. Ao broche está presa uma corrente de prata, sugerindo a possibilidade de que fazia par com um outro broche, infelizmente nunca encontrado. Esta corrente , maravilhosamente confeccionada com milhares de anéis de prata, está fixada de cada lado do corpo do broche por duas presilhas em forma das garras de dois dragões. Entre os dragões estão duas diminutas contas de vidro, esculpidas com faces humanas. Estes detalhes individuais mostram o virtuosismo do ourives, que os utilizou para formar uma figura maior: a cabeça de uma serpente, com as contas de vidro como olhos e a corrente de prata como cauda. O verso e o anverso do broche compõem diferentes técnicas de ourivesaria e de decoração, num entrosamento perfeito. A frente do broche é refinada e sofisticada, com vidros coloridos e âmbar incrustados na filigrana, asseverando o alto status de seu portador. A parte posterior da peça é decorada com animais contorcidos que dão a impressão de se debaterem para sair das molduras que os confinam.

DIAMANTES FAMOSOS Parte II

DIAMANTES FAMOSOS
Parte II




  • Olho do TigreO Olho do Tigre, 61,50 quilates – Este diamante distingue-se pela sua cor marrom - dourada que, ao refletir a luz, lembram as cores presentes nos olhos de um tigre. Descoberto no rio Vaal, perto de Kimberley – África do Sul - em 1913, seu peso bruto era de 178,50 quilates. A gema lapidada em um talhe derivado do brilhante, foi montada em jóia em forma da aigrette de um turbante, em 1934. Atualmente, faz parte de coleção privada.


  • O Banjarmasin, 40 quilates – Este diamante é um dos maiores diamantes encontrados em Bornéu. A mina onde foi encontrado pertencia ao sultão Adam de Banjarmasin e o diamante passou a fazer parte do tesouro real a partir de 1824. Após a morte do sultão, a região entrou em uma guerra civil que só terminou com a intervenção colonialista holandesa. Consequentemente, o diamante e outros tesouros reais foram confiscados e levados para Rotterdam em 1862. Atualmente, integra a coleção do Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda.


  • DutoitspanO Dutoitspan, ou O Diamante SeisUmSeis, 616 quilates – Esta maravilhosa gema é o maior diamante conservado bruto. O Grupo De Beers optou por não lapidá-lo, para o conservar como um tesouro de história natural. Este cristal, encontrado em abril de 1974 na mina de Dutoitspan, em Kimberley - África do Sul - possui uma bela forma octaédrica. Coleção DTC.


  • O Tavernier, 56,07 quilates – Para comemorar o século XXI, a Maison Cartier revelou este diamante ao mundo. Montada em uma jóia desenhada por Micheline Kanoui, sua aparição pública causou sensação. O Tavernier é um diamante de um tipo muito raro, chamado de "camaleão", pois sua cor muda de acordo com a qualidade da luz. De um delicado marrom-amarelado à luz artificial, adquire nuances azuladas à luz solar e ainda podem-se descobrir nele tons marrom-rosados. O nome da gema é uma homenagem ao explorador e comerciante de diamantes francês Jean-Baptiste Tavernier (1605-1689). Foi na Índia que Tavernier adquiriu o famoso Diamante Azul que fez parte das jóias da Coroa da França. Roubado em 1792, reapareceu no século XIX sob o nome de Hope, montado em jóia pela Maison Cartier. Atualmente o Hope faz parte da coleção do Instituto Smithsonian em Washington, EUA.

DIAMANTES FAMOSOS Parte I

DIAMANTES FAMOSOS
Parte I



História, perfeição e dimensão são alguns dos fatores que serviram para transformar alguns diamantes em jóias excepcionais e místicas:
  • Diamante Tiffany , 128, 5 quilates - Este célebre diamante é considerado como um amuleto para a famosa maison norte-americana. Encontrado nas minas do Cabo da Boa Esperança (atualmente Kimberley) através da prospecção da Companie Française des Mines de Diamants na forma de um octaedro de 287,42 quilates, em 1877 ou 1878, foi enviado á Paris para ser lapidado, trabalho que demandou um ano de estudos da gema. O resultado é um magnífico trabalho de lapidação com 82 facetas que destacam a cor amarela do diamante. O diamante é peça principal da jóia Bird on a Rock , criada pelo designer francês Jean Schlumberger e faz parte da Coleção Tiffany & Co.

  • Belo Sancy, 35 quilates – Menos conhecido do que o diamante Sancy, ou Grande Sancy, que se encontra no Museu do Louvre, o Belo Sancy (também chamado de Pequeno Sancy) é uma gema excepcional, por sua história. O diamante apareceu em registros, pela primeira vez, em 1595, quando o Seigneur de Sancy, Nicolas Harlay de Sancy, futuro Ministro das Finanças do rei francês Henrique IV, o coloca à venda. Em 1604 ele é finalmente comprado pela rainha Maria de Médicis por uma soma de 25.000 escudos de ouro, apesar de ter sido estimado pelo dobro deste valor. A rainha o porta na sua coroa. Em 1642, após a morte de Maria de Médicis, suas jóias são postas à venda e o Belo Sancy é comprado por Frederico-Henrique de Orange Nassau, príncipe holandês. Em 1702, a gema passa, por herança, a Frederico II de Hohenzollern, primeiro rei da Prússia. O diamante, qualificado de "belo" em razão da perfeição de sua lapidação, faz parte até hoje da família Hohenzollern , na Alemanha.

  • O Incomparável, 407,48 quilates – A gema foi encontrada na República Democrática do Congo na década de 80 do século passado. Depois de quatro anos de trabalho, os profissionais encarregados da lapidação finalmente decidiram remover as partes que continham impurezas e, assim, obter um diamante menor, mas perfeito. O Incomparável, oficialmente, é o terceiro maior diamante conhecido no mundo e pertence à companhia ZALE Corporation, dirigida pelo diamantário nova-iorquino Marvin Samuels. O maior diamante do mundo , classificado na mesma categoria de cor do Incomparável, a champagne, é o Golden Jubilee, que pesa 545,67 quilates e embeleza o cetro do rei da Tailândia.

  • O Mouna, 112,53 quilates – Este diamante, cujo nome vem de sua antiga proprietária, Mouna Ayob, é, dentre as gemas de grande talhe, um dos diamantes amarelos de cor mais intensa que existem. Sua maravilhosa coloração é de um intenso amarelo-alaranjado, foi montada em jóia pela maison Bulgari e faz parte de uma coleção privada.

O SUBSEQÜENTE TRATAMENTO TÉRMICO DE GEMAS IRRADIADAS POR COBALTO-60 (RADIAÇÃO GAMA)

O SUBSEQÜENTE TRATAMENTO TÉRMICO DE GEMAS IRRADIADAS POR COBALTO-60 (RADIAÇÃO GAMA)


Saber tratar termicamente as gemas submetidas primariamente ao tratamento por radiação gama (cobelto 60) é uma tarefa muito importante. Muitos comerciantes de gemas já dominam técnicas de aquecimento, que de um modo geral são realizadas em fornos casieros (ou tipo mufla), em temperaturas que não ultrapassem os 500ºC.
Aqui veremos alguns minerais irradiados e seu subseqüente tratamento térmico.

TOPÁZIOS
Topázios incolores quando submetidos ao tratamento por radiação gama voltam ao cliente com a cor fumê. A cor azul tão desejada vai aparecer após subseqüente tratamento térmico em temperaturas na faixa dos 150º a 180ºC, aplicado em fornos convencionais. Essa temperatura não é uma regra. Irá depender da origem do topázio, porém valores mais elevados tendem a deixá-lo esbranquiçado.
Se depois de passar por irradiação gama o topázio venha a apresentar tons de “coca-cola”, já é uma garantia que após o tratamento térmico ele obterá um azul excelente. O Topázio azul irradiado com gama é o preferido dos joalheiros, pois possui o tom similar ao da água-marinha, em contraste com os topázios irradiados por outros métodos como aceleradores de elétrons e neutrons.
QUARTZOS
Quartzos irradiados tipo green-gold, quartzos conhaques e quartzos beer, apresentam tratamento térmico em temperaturas variáveis entre 180 a 360ºC. O tempo de exposição ao calor deste material também é variável: cerca de 15 minutos em aquecimento rápido até aquecimentos que envolvem cerca de duas horas com resfriamento lento e gradual.

Quartzos green-gold, conhaque e beer tratados por radiação gama e subseqüente tratamento térmico (180 a 350ºC)
Diferentemente, a prasiolita (ametista verde - que também é uma espécie de quartzo irradiado abundantemente), após a aplicação da radiação gama, necessitará apenas da simples exposição aos raios ultravioletas do sol ou de lâmpadas especiais que contenham este tipo de luz, procedimento que deixa a gema com verde mais puro e acentuado, sem tons acinzentados. Um grande diferencial no tratamento de prasiolitas é que o tom verde já pode ser observado logo após a irradiação do material, o que não acontece com o quartzo green-gold, conhaque e beer, que voltam da radiação gama totalmente escuros. Em relação à prasiolita, é necessária a exposição ao sol durante três dias no mínimo. Todos os quartzos apresentam excelente estabilidade de cor após os referidos processos.
BERILOS
Grande parte dos berilos incolores (Goshenitas) submetidos à radiação gama apresentam cerca de quatro possibilidades:
1- podem tornar-se amarelos (heliodoros),
2- podem tornar-se berilos verdes,
3- podem tornar-se berilos róseos (morganitas)
4- podem tornar-se berilos azuis (maxixe - não comercial).

Nos berilos incolores que após irradiação apresentam-se amarelos, tons fumês indesejados entram no seu escopo e a filtragem com a simples exposição ao sol é necessária em alguns casos. O amarelo transforma-se em laranja; berilos incolores que adquirem cor verde já voltam no tom desejado; berilos róseos (morganitas) podem ser conseguidos após a queima de berilos verdes irradiados ou depois da queima de berilos azuis (maxixe) em temperaturas entre 240ºC - 280ºC.

Berilos amarelos após irradiação e suseqüente tratamento térmico à baixa temperatura ou simples exposição ao sol
Na maioria dos casos em que berilos incolores culminam no aparecimento de berilos verdes após irradiação, estes não necessitam de subseqüente tratamento térmico. Alguns comerciantes de gemas preferem vendê-los com esta cor; outros os submetem à queima, para transformá-los em róseos.
Berilos azuis (maxixe) originados através de aplicação de radiação gama.
Tal material apresenta baixa foto-estabilidade e não deve ser comercializado; esta cor é perdida em alguns dias. No entanto, em alguns casos, berilos deste tipo podem ser aquecidos a temperaturas de 240ºC, passando para morganitas com cores estáveis termicamente.
TURMALINAS (RUBELITAS e TURMALINAS ROSA)
Turmalinas róseas, como as da foto ao lado, saem da natureza com um tom desbotado; as cores mais intensas observadas em joalherias são produtos de radiação gama. O procedimento é o seguinte: gemas deste tipo devem ser submetidas primariamente a um desbotamento completo a uma temperatura de aproximadamente 600ºc antes de serem submetidas à radiação gama. Após o tratamento, em geral, a gema já volta na cor.
---> Brincos em ouro 18k, turmalinas rosa e topázios
(design by Hamilton Miranda - patrocínio: Manoel Bernardes - foto: Almir Pastore)
Rubelitas são casos mais específicos. Geralmente, elas saem da natureza também rosadas, porém pode-se preferir que se tornem vermelhas por se tratar de uma variedade de turmalina de valor mais acentuado quando comparada com as rosadas. Ou seja, há uma agregação fantástica de valores quando tal material é susceptível ao processo com raios gama. Cores cinza (indesejadas) podem vir após a radiação.
Seu tratamento térmico também não é muito simples para deixá-la com o vermelho sangue de pombo. Para tal, deve-se aquecer lentamente este material durante três dias em forno com temperatura controlada.
1- Deve se aquecer durante 1 dia até chegar em 150ºC
2- No segundo dia passar para 250ºC
3- No terceiro dia subir para a temperatura de 275ºC


KUNZITAS
Após ser submetido à radiação gama, o mineral espodumênio (incolor ou levemente rosado) pode originar o aparecimento da kunzita - ou também da hidenita (espodumênio verde). Neste último caso, a cor verde é instável e o mineral torna-se “não comercial”. Entretanto, algumas hidenitas irradiadas com gama podem originar a cor rósea das kunzitas (cor estável), a aproximadamente uma temperatura de 240ºC.
Espodumênios da região de Itamarandiba-MG e espodumênios do Afeganistão têm sido tratados na Embrarad com excelente resultados em suas cores, como mostra a foto ao lado. Uma dica para o tratamento de kunzita é comprar o espodumênio incolor com topo do cristal levemente azulado.

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS: NOVA TENDÊNCIA

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS:
NOVA TENDÊNCIA




O mineral quartzo pode ser considerado um verdadeiro “camaleão” em se tratando das variedades de cores alcançadas com a aplicação da radiação gama (tratamento em pedras preciosas comumente conhecido como “bombardeio”). Entre eles, grandes destaques para os quartzos fumê e morion irradiados a partir do quartzo natural incolor. Nos últimos tempos, tais variedades vêm ganhando espaço e ocupando seu lugar no comércio de gemas e jóias. Em função desta nova tendência de mercado, grandes quantidades de quartzos naturais incolores oriundos de diferentes regiões brasileiras têm chegado às unidades de radiação da EMBRARAD (Empresa Brasileira de Radiações), para transformá-los em quartzos destas tonalidades.
 
O quartzo fumê ou enfumaçado (Smoky quartz) é uma das variedades mais populares do mineral quartzo. Sua cor é facilmente reconhecida pelo público em geral - quando apresenta certa transparência o nome quartzo fumê é mais corretamente aplicado. Apesar de existir na natureza, o quartzo fumê pode ser obtido facilmente a partir da aplicação de radiação gama em seu correspondente natural e incolor. A cor fumê após bombardeio deve-se à presença do elemento químico alumínio.
 
Quando o mineral quartzo (após irradiado pela natureza ou laboratório) não apresenta nenhuma transparência, o nome mais correto seria morion ou black quartz - ou seja, quartzo completamente preto e opaco. Alguns quartzos morion são tão escuros que se tornam similares ao ônix (agregrado microcristalino de quartzo) e difíceis de serem encontrados. Portanto, seu correspondente irradiado tornou-se preferido pelos designers de jóias, devido a sua perfeita combinação com brilhantes incolores e ouro branco, além de ser mais facilmente encontrado. Quartzos morion são estremamente enriquecidos em alumínio, elemento fundamental na formação de “centros de cor” com a aplicação da radiação gama, que faz com que este mineral fique saturado na cor preta.
 
Quartzos enfumaçados com tonalidades laranja-amarronzados, conhecidos no comércio como quartzos conhaque, são obtidos a partir da aplicação de radiação gama em quartzos naturais incolores enriquecidos em Fe e Al. Esta é outra variedade preferida pelos designers. Vale ressaltar que o correspondente natural do quartzo conhaque é extremamente raro e poucas lavras deste tipo de material são conhecidas.
 
Fotos:
- quartzo fumê irradiado (acervo do autor)
- anel e brincos em quartzo fumê e diamantes (designer Sonaya Cajueiro)
- anel ouro branco e quartzo black (Brüner)
- conjunto em quartzo conhaque (Manoel Bernardes)

Quartzo - Para este que é sem sobra de dúvida o mineral mais abundante da crosta terreste, a aplicação da radiação gama nos seus espécimens incolores, em particular realizada  pela EMBRARAD, vem funcionando como “ peça-chave” na agregação de valores para a indústria brasileira de gemas e jóias.