domingo, 14 de fevereiro de 2016

Pesquisa do IGC/UFMG estuda as rochas que dão origem aos diamantes



Pesquisa do IGC/UFMG estuda as rochas que dão origem aos diamantes
Passeando pelas ruas de algumas cidades do interior de Minas Gerais, visi-tando igrejas e praças, percebe-se a presença de um de seus elementos históricos mais marcantes: o diamante. Ele já motivou tropeiros e comendadores e tornou famosa a escrava Xica da Silva. Ao lado da importância histórico-cultural e econômica, a pedra preciosa desperta também o interesse da geologia. Mais do que o próprio diamante, o que tem motivado pesquisas nas universidades mineiras é a rocha que encerra o mesmo: o kimberlito. 

O kimberlito é um conduto vulcânico, ou seja, uma estrutura que conecta a superfície da Terra ao seu interior e por onde o magma (material expelido pela parte visível do vulcão) flui, a partir das partes mais profundas, onde ele se forma. Para visualizar seu formato, basta lembrar que, em inglês, conduto significa neck, ou seja, pescoço.

Kimberlitos são objetos de estudos de pesquisadores do Departamento de Geologia do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a coordenação do professor Geraldo Norberto Chaves Sgarbi. Com o apoio da FAPEMIG, o projeto denominado “Identificação de kimberlitos nas regiões Oeste e Central de Minas Gerais” teve início no ano passado e começou abrangendo as cidades da região do Alto Paranaíba, como Carmo do Paranaíba, Patos de Minas, Arapuá, Coromandel, Patrocínio, Lagoa Formosa e Tiros. A segunda fase do projeto, aprovada pela Fundação no final do ano passado, vai aprofundar as pesquisas já realizadas e abranger também a região central do Estado. 

A vegetação indica a presença de rochas vulcânicas
Diamantes mineiros 
O diamante forma-se no interior da Terra, em profundidades de cerca de 150 km, sob altas pressões e temperatu-ras, por átomos de carbono. Segundo o professor Geraldo, o conduto vulcânico atua como uma espécie de “táxi” para a pedra preciosa, visto que o magma, ao subir em direção à superfície, a uma velocidade de aproximadamente 800 km/h, transporta a pedra, que se encontra em estado bruto. Alguns geólo-gos fazem uma analogia desse magma, que sobe em altíssima velocidade, com uma “perfuradeira química”, que dissolve as rochas encontradas durante sua ascensão. 

Todo esse material é submetido a uma pressão muito alta no interior da Terra, a qual é liberada ao atingir a superfície. Nesse momento, o magma kimberlítico geralmente explode, devido à súbita redução da pressão, e se solidifica em uma rocha denominada kimberlito. Quanto aos diamantes, apenas uma ínfima fração resiste a esse transporte até a superfície. 

O processo de formação de kimberlitos ocorreu, no oeste mineiro, há cerca de 85 milhões de anos e, hoje, os pesquisadores se deparam com um “enigma geológico”: no Brasil, temos muitos kimberlitos estéreis, ou seja, sem diamantes. Entretanto, a pedra pode ser encontrada em alguns leitos dos rios dessas regiões. Curiosamente, alguns países de dimensões continentais como a Austrália, África do Sul, Canadá e Rússia produzem diamantes não somente através dos leitos dos rios, como no Brasil, mas direto da fonte, ou seja, através dos kimberlitos. Isso fez com que esses países sejam grandes produtores, ultrapassando o Brasil, que foi o maior produtor mundial no século XIX. 

Por que não fazemos o mesmo? Porque, pelo que se sabe até então, não temos kimberlitos mineralizados em diamantes. É justamente esse o contexto do enigma: não temos kimberlitos mineralizados, mas temos aluviões com diamantes nas mesmas regiões onde se encontram esses kimberlitos. Então, a pergunta correta é: qual a origem dos diamantes mineiros? Um fator que ajuda a compreender a dificuldade na realização dessas pesquisas é o clima brasileiro, pois, em climas tropicais úmidos, a água aumenta consideravelmente a velocidade das reações químicas. Assim, como os minerais que formam a massa principal do kimberlito não são muito resistentes à degradação química, este se transforma e se confunde com outras rochas. 

A pesquisa desenvolvida pela UFMG é pioneira no Estado. Além da importância econômica, que não pode ser desconsiderada quando se trata de diamantes, sobretudo em um país de tradição diamantífera, a pesquisa cons-titui uma base para a geologia, para o conhecimento da terra e dos recursos de que dispomos. 

O que os olhos vêem, o coração senteTodas as transformações que ocorrem nas camadas internas da Terra, assim como os elementos que ali se formam, produzem efeitos visíveis na superfície do Planeta. Sendo assim, para descobrir kimberlitos, é possível utilizar alguns critérios físicos que funcionam como indicadores. Segundo o pesquisador, a partir dos estudos teóricos, a equipe, composta de um biólogo e três geólogos, foi a campo em busca dos elementos que pudessem dar indícios da presença de kimberlitos. 

Ele destaca o critério geobotâ- nico, que diz respeito à presença das espécies arbóreas Terminalia argentea (capitão), Pseudobombax sp (paineira) e Myrcine sp (pororoca), pois elas utilizam em sua dieta elementos constitutivos do kimberlito. Quanto aos critérios geológicos, tem-se, por exemplo, a presença de uma depressão de formato circular no terreno. Esta pode ter se originado da alteração do conduto vulcânico, considerando-se que, na medida em que essa rocha sobe em direção à superfície, ao longo do tempo, torna-se menos resistente e, portanto, mais suscetível a alterações. Em certos locais, como na África do Sul, a depressão é tão acentuada que o acúmulo de água permite a formação de um lago. Ela é conhecida como cratera “Maar”. 

A água também fornece outro indicativo. As chuvas enfrentam dificuldade para erodir as rochas kimberlíticas, pois as mesmas possuem consistência argilosa. Por isso, é comum a formação de rios ou cursos d’água na zona de contato entre o kimberlito e a rocha não-mineralizada que estiver em contato, chamada de rocha encaixante. Dessa maneira, muitos kimberlitos são, a priori, identificados em função de uma diferença física entre as duas rochas. É preciso considerar que essa zona de contato já vem recebendo um fluxo de água há milhões de anos, o que propicia uma espécie de abertura prévia, um canal natural. Assim, o rio evolui, causando erosão em ambas as rochas.

Outro critério de campo é a ocorrência de uma “capa de canga”, rocha rica em ferro. Essa formação, que possui cor avermelhada, ocorre apenas sobre o kimberlito, porque o mesmo é composto de minerais ricos em ferro, como magnetita e hematita (produto de alteração da magnetita). A existência de ferro condiciona também a presença de cupinzeiros de cor vermelha, ao passo que os cupinzeiros de cor clara são aqueles que se instalam sobre alguns tipos de rochas encaixantes.

A vegetação natural, assim como a agricultura, também pode ser usada para identificar kimberlitos. É que o solo composto por rochas kimberlíticas é mais fértil devido à forte presença de elementos como potássio, cálcio e magnésio. Por isso, as espécies vegetais encontradas sobre o kimberlito são mais saudáveis que aquelas encontradas no entorno. As rochas encaixantes são relativamente estéreis, em decorrência da forte presença de alumínio e sílica. Como pode ser visto na fotografia acima, referente ao kimberlito batizado pelos pesquisadores de “Larissa”, a cor e a textura fazem a diferenciação entre o kimberlito (verde-escuro) e a rocha encaixante (verde mais claro). Ao fundo, existe o vale de um córrego que flui no contato entre o kimberlito e sua encaixante. Essa estrutura encontra-se na cidade de Carmo do Paranaíba. 


Amostra de Kimberlitos, rochas associadas à presença de diamantes
Do campo para o laboratórioUma vez identificados visualmente esses aspectos, os pesquisadores partem para a procuraefetiva do kimberlito, cavando a terra. De acordo com os conhecimentos teóricos sobre a rocha intrusiva, os pesquisadores coletam o material desejado e levam para o peneiramento. Para facilitar a busca, considera-se a presença de pequenos minerais coloridos, como piropo, ilmenita, diopsídio e espinélio, minerais satélites ou indicadores de diamantes que, por sua vez, apontam para a existência de kimberlitos, pois desenvolvem-se junto aos diamantes e são resistentes ao clima tropical úmido. Se o resultado observado na peneira apresentar um aspecto de gradação do claro (borda) para o escuro (centro), com a presença desses minerais indicadores, significa que temos um kimberlito.

Os estudos não param por aí. Com o intuito de refinar a pesquisa, os mine-rais encontrados são levados para análises mineralógicas e químicas na UFMG. A análise mineralógica é feita através de um método denominado Espectroscopia Raman, que visa a identificar o tipo de mineral. Cada amostra é levada até uma sonda, que emite um feixe de laser, fazendo com que o mineral emane energia de acordo com seu sistema cristalino. Cada mineral possui seu espectro próprio, como uma impressão digital, que permite distingui-lo entre os demais. Essa técnica é utilizada para checagem de jóias, a fim de atestar se a mesma é verdadeira ou falsa, natural ou sintética. O próximo passo é a análise química, realizada por meio de uma microssonda eletrônica. Esse aparelho permite determinar os componentes químicos dos minerais. Numa análise direcionada aos kimberlitos, o resultado que indica a possibilidade de se obter diamantes expressa altos teores de cromo e magnésio, e baixos de cálcio. Todos esses equipamentos foram adquiridos com os recursos da FAPEMIG.

Subindo o leito do rioA pesquisa desenvolvida vem investigando a existência de diamantes nas crateras kimberlíticas, ou seja, direto da fonte. Mas, como saber se os diamantes encontrados nos leitos dos rios são de fato originados dessas rochas ou vieram transportados de outros locais? De acordo com o professor Geraldo, a próxima etapa da pesquisa é fazer o caminho inverso, ou seja, partir do leito do rio em direção às possíveis fontes kimberlíticas. O objetivo é verificar qual a localização do kimberlito erodido que fez com que os minerais fossem encontrados em determinado rio. O pesquisador conta que, em função dos minerais satélites – pois o diamante em si é muito difícil de ser encontrado –, os pesquisadores começam a subir o rio em direção contrária ao seu escoamento, que é sempre em função da gravidade. Assim, tem-se a rocha fonte dos minerais indicadores e, portanto, do diamante.

Outro aspecto teórico da segunda parte da pesquisa é o cálculo da distância de transporte do mineral, através do formato do grão. Quanto mais longa a distância em que foi transportado por um rio, mais arredondado é o fragmento, pois o atrito ocasiona a perda dos cantos. Além da pesquisa de campo, os geólogos utilizarão um equipamento importado, semelhante a um tambor giratório, que simula a erosão de um rio, para a realização desse cálculo.

O geólogo ressalta, ainda, o interesse que a pesquisa despertou nos garimpeiros, através de divulgação na mídia eletrônica especializada. Muitos entraram em contato com ele através de e-mail para adquirir mais informações sobre o assunto, além de procurá-lo no próprio campo. Ele lamenta, porém, a falta de iniciativas governamentais, como cursos de capacitação, no sentido de preparar melhor esses trabalhadores e conscientizar sobre a preservação do meio ambiente. Para o professor Geraldo, os garimpeiros são pessoas inteligentes e intuitivas, mas que não tiveram oportunidade de estudar. “Se eles tivessem oportunidade de conhe-cer a Geologia, porque, no final das contas, eles estão trabalhando como geólogos, acho que o trabalho seria mais produtivo e traria menos impactos ao meio ambiente”, completa.

Em termos geológicos, Taquaral se localiza numa das áreas mais ricas do mundo em abundância e variedade de gemas

A relevância do garimpo na geração de renda sempre foi um fator preponderante para o desenvolvimento e manutenção da economia, da sociedade e da identidade do Povoado de Taquaral. Contudo, a exploração desenfreada dos recursos naturais ali existentes, resulta em diversos riscos socioambientais, com destaque para as implicações que a atividade garimpeira acarreta na saúde dos moradores do Povoado que nela trabalham. Os riscos associados a tal atividade, principalmente aqueles que afetam a qualidade de vida do trabalhador, constituem fatores determinantes na vulnerabilidade do indivíduo, o que acentua a ocorrência de doenças relacionadas ao processo de extração. Em trabalho que enfatiza os riscos ocupacionais que afetam a saúde do trabalhador, Colacioppo (2005) ressalta:
Na realidade brasileira, mesmo com os grandes avanços da ciência, ainda há diversas situações em que um trabalhador ao realizar uma atividade pode ficar exposto a um agente agressivo e, consequentemente, apresentar efeitos imediatos, como no caso de acidentes, ou ainda, após algum tempo, como nas doenças ocupacionais. Em determinadas situações o trabalhador pode não receber atenção médica, por estar fisicamente distante das equipes de saúde, como no caso de garimpeiros ou trabalhadores rurais. (COLACIOPPO, 2005, p. 521).
Pela similitude com o objeto analisado, várias obras oportunizaram subsídios teórico-metodológicos à investigação então realizada. Os trabalhos mais alinhados com a presente pesquisa foram os de Marques (2011), um pioneiro estudo, ainda que genérico, sobre a degradação ambiental provocada pelos garimpos no Povoado de Taquaral; a referencial dissertação de Nascimento (2009), que analisou conjuntamente impactos socioambientais e as consequências na saúde do trabalhador nos garimpos de esmeraldas no município de Campo Verde, em Goiás; a publicação de Oliveira e Vieira (2012) sobre as condições socioeconômicas dos garimpeiros de Diamantina, MG, numa perspectiva metodológica da história oral temática, portanto baseada em narrativas dos próprios trabalhadores; o feito por Milanez e Puppim (2009), que investigou o arranjo produtivo local na área de extração de opalas em Pedro I, no Piauí, relacionando economia, trabalho e contexto socioambiental em pequenas minerações; e o estudo de Tavares et al. (2007), que faz também uma análise sistêmica – economia, trabalho e meio ambiente – nos garimpos de gemas da região do Médio Jequitinhonha.
Caracterização da área estudada
O Povoado de Taquaral está localizado no município de Itinga, a sudoeste do distrito-sede, na mesorregião do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais. Encontra-se na margem direita do rio Jequitinhonha (figura 1) e conta com uma população absoluta estimada em 2.364 habitantes conforme consta no Mapa Epidemiológico de 2014 consultado no Posto de Saúde da Família (PSF) de Taquaral.
Figura 1- Povoado de Taquaral. Fonte: Acervo Fotográfico da Prefeitura Municipal, Itinga - MG, 2014.
Em termos geológicos, Taquaral se localiza numa das áreas mais ricas do mundo em abundância e variedade de gemas, a Província Pegmatítica Oriental do Brasil, que se estende pelo nordeste e leste de Minas Gerais, sobretudo ao longo dos vales dos rios Doce e Jequitinhonha, onde afloram os seus principais corpos rochosos. Nesse contexto regional se destaca as cercanias do município de Araçuaí – MG, que dá nome a um dos distritos minerais da referida província gemológica, subdivisão territorial que engloba ainda os municípios de Coronel Murta, Itinga, Virgem da Lapa e Rubelita. Esse distrito apresenta abundância de elementos químicos raros como o lítio e o boro em pegmatitos, que mediante as alterações geradas pela atuação dos processos geológicos transformaram-se em depósitos com um grande número de minerais valiosos, situações estas muito especiais e existentes em poucos lugares da Terra (PEDROSA, 2005). Esse distrito mineralógico é assim uma das principais áreas produtoras de minerais gemas do planeta, além de apresentar também significativa diversidade de minerais industriais e de rochas ornamentais.
Há registros da extração de gemas no local onde é hoje o Povoado que remontam o início do século X. Contudo, foi somente na década de 1950, com a vinda da família Gonçalves, que a atividade garimpeira se intensificou na localidade, constituindo-se numa das principais atividades econômicas locais, aliada à criação de animais e cultivos, atividades estas muito prejudicadas pelo baixo índice pluviométrico regional, o menor de toda a bacia do rio Jequitinhonha (FERREIRA e SILVA, 2012).
O surgimento do Povoado se deu as margens do rio Jequitinhonha, fato comum aos núcleos de povoamento originados próximos aos cursos d’água. Atraídos pela quantidade e qualidade dos recursos gemológicos retirados no local, diversos garimpeiros provenientes de outras regiões passaram a ser residentes fixos. Taquaral sempre atraiu indivíduos que, com a utopia do enriquecimento rápido, exploram as terras e diversas lavras (há cerca de trinta garimpos nas imediações do Povoado, entre ativos e inativos).
Dentre os recursos valiosos encontrados destacam-se as turmalinas, que são tecnicamente um grupo de minerais ou então variedades deste. Os garimpos de Taquaral produzem turmalinas nas variedades indicolita (todos os matizes de azul, muito valorizada no mercado e de rápida comercialização), verdelita (matizes de verde), rubelita (rosa e/ou vermelha), schorlita (preta), acroíta (incolor), além das elbaítas com bicoloração, como a melancia (verde e vermelha). Também são encontrados na área variedades gemológicas do mineral berilo, como a água-marinha (azul), a morganita (rosa) e o heliodoro
(amarelo dourado). Além das gemas, outro importante recurso procurado pelos garimpeiros são as chamadas peças de coleção1.
A atração de garimpeiros e investidores mediante descoberta de novas áreas potenciais alavancou o comércio de gemas nas últimas décadas. A lavra do Pirineu, de difícil acesso, foi reconhecida mundialmente pela qualidade dos recursos gemológicos extraídos. Tradicionalmente as denominações peculiares de cada lavra são relacionadas aos garimpeiros descobridores ou então associadas a algum aspecto fisiográfico (vegetação, relevo etc.) da área onde se deu a ocorrência, como Lavra da Jurema, da Malva, do Baixão, da Pitomba e do Maxixe.
No trabalho desenvolvido foram oito as lavras visitadas e analisadas:
Lagoa da Malva, Manguinha, Bode, Lajedo, Jurema, Lavra de Zá, Lavra do Piauí e Lavra da Faixa. A figura 2 indica a localização destas lavras e a situação geográfica de cada uma em relação ao Povoado de Taquaral.
Figura 2: Localização e situação geográfica dos garimpos visitados Fonte: Elaborado pelas autoras, 2014.
1 “Variedades dos minerais pegmatíticos com ou sem valor gemológico que exibem espécies minerais com belas feições, incrustações ou cristalizações perfeitas. (...) A produção dessa variedade mineral tem gerado bons dividendos aos garimpeiros, pois algumas vezes determinada peça pode valer mais que o próprio mineral gema”. (TAVARES et al., 2007, p. 61).
Métodos
A metodologia adotada no presente trabalho caracterizou-se por uma pesquisa de campo de caráter qualitativo e quantitativo, com base na coleta de dados oriundos da aplicação de questionários e da realização de entrevistas com os trabalhadores garimpeiros do Povoado de Taquaral. A pesquisa se caracterizou como qualitativa por seu caráter exploratório objetivando traduzir e expressar o sentido dos diversos fenômenos do mundo social, o que reduz a distância entre o indicador e indicado, entre teoria e dados, contexto e ação (MAANEN, 1979). O aspecto quantitativo objetivou “quantificar opiniões, dados, na forma de coleta de informações e empregar recursos e técnicas estatísticas” (OLIVEIRA, 2002).
Em função da inexistência de estudos mais acurados quanto à avaliação dos impactos ambientais gerados pelos garimpos de gemas em lavras das imediações do Povoado de Taquaral e a escassez de dados e registros epidemiológicos sobre doenças relacionadas ao trabalho garimpeiro na área analisada, métodos “Ad Hoc”2 foram adotados como uma linha-mestra na pesquisa. Reforçou também a referida adoção o pioneirismo da proposta no que tange ao recorte espacial estudado e o fato do trabalho ter desde a sua concepção um caráter de análise panorâmica no escopo da Gestão Ambiental.
Bastos e Almeida (2009, p. 89) defendem que
Estas metodologias, se utilizadas isoladamente, deverão desenvolver a avaliação dos impactos ambientais de forma simples, objetiva e de maneira dissertativa. São adequadas para casos de escassez de dados, fornecendo orientação para outras avaliações.
Os mesmos autores ponderam ainda sobre a vantagem e a desvantagem na adoção desses procedimentos metodológicos.
Apresentam como vantagem uma estimativa rápida da avaliação de impactos de forma organizada, facilmente compreensível pelo público. Porém, não realizam um exame mais detalhado das intervenções e variáveis ambientais envolvidas, geralmente considerando-as de forma bastante subjetiva, qualitativa e pouco quantitativa (BASTOS e ALMEIDA, 2009, p. 89).
2 Métodos “Ad Hoc” “são aqueles baseados no conhecimento empírico de especialistas no assunto e/ou da área em questão” (BASTOS e ALMEIDA, 2009, p. 89).
A princípio a abordagem se desenvolveu mediante um estudo de caso, com recorte espacial definido, e que com base em André (2005) respeitou três fases principais, a exploratória, a fase de coleta de dados e a fase de análise sistemática dos dados. Assim, para alcançar os objetivos propostos pelo trabalho a metodologia a ser adotada no mesmo seguiu as etapas elencadas a seguir.
garimpos nas esferas federal, estadual e municipal
A primeira fase da pesquisa baseou-se em uma revisão bibliográfica feita entre os meses de fevereiro a setembro de 2014 acerca das concepções teóricas quanto ao universo dos riscos na atividade mineradora de pequena escala, bem como do levantamento de trabalhos acadêmicos já publicados e relacionados aos impactos ambientais e na saúde dos trabalhadores no cotidiano dos garimpos. Além de permitir a fundamentação conceitual do projeto de pesquisa proposto, tal procedimento também contribuiu no entendimento de abordagens metodológicas já empregadas em casos similares ao objeto de estudo aqui definido. Ainda nessa fase foram consultadas as principais legislações que buscam normatizar o trabalho minerador em
A segunda etapa, mais pragmática, envolveu a coleta de dados e foi realizada nos meses de fevereiro, outubro, novembro e dezembro de 2014. Foram pesquisados registros demográficos sobre Taquaral e registros de ocorrências de doenças e atendimento médico disponíveis nos bancos de dados no posto de saúde do Povoado. De maneira paralela, foram realizadas visitas na área em estudo e que atenderam a diferentes interesses. Para observação e registro fotográfico das características geobiofísicas da área (clima, geologia, solo, geomorfologia, vegetação e hidrografia), para interpretação “in loco” das condições de trabalho dos garimpeiros nas áreas de lavra e, com uso de um aparelho receptor manual do sistema GPS3, definição das coordenadas geográficas das lavras visitadas. Posteriormente foi feita a implantação das coordenadas das lavras numa base cartográfica da área disponível no “software” GPS TrackMaker. Após ser convertida para um arquivo compatível, gerou-se o produto final apresentado na figura 2.
3 GPS: Global Position System. Em português, Sistema de Posicionamento Global.
As visitas ocorreram em três momentos distintos: a primeira realizouse no dia 21/02/14 no garimpo Lajedo. A segunda visita ocorreu no dia 03/10/2014 nos garimpos Lagoa da Malva, Manguinha, Bode, Lavra de Zá e Jurema. A terceira e última se deu no dia 12/12/2014 na Lavra do Piauí, na do Lajedo (pela 2ª vez) e na da Faixa. Todas as visitas às lavras foram com o objetivo inicial do conhecimento de como se dá o processo de extração de gemas na região e das condições de risco a que se submetem os garimpeiros em seu cotidiano laboral.
Com específico foco nas condições de trabalho existentes nas áreas definidas, foram realizadas duas entrevistas semiestruturadas4 com dois garimpeiros experientes do Povoado (os senhores “J. e E”.) e que ainda trabalham na atividade de extração de gemas. As entrevistas foram destinadas à obtenção de respostas livres, possibilitando obter dados ou informações mais ricas e variadas a respeito dos objetivos de investigação do estudo em questão.
Foram aplicados de vinte e cinco questionários5 no Povoado de
Taquaral a indivíduos de ambos os sexos e diferentes faixas etárias indivíduos estes que atuam ou já atuaram na atividade garimpeira. O objetivo dessa aplicação era de obter informações relacionadas aos mecanismos de extração de gemas e dos níveis de percepção e aceitabilidade dos riscos por parte destes trabalhadores em relação à própria saúde e exercício da profissão. Os questionários foram compostos por 4 perguntas fechadas (estruturadas) e semiestruturadas, caracterizadas por sua padronização, facilidade de análise e interpretação, questões estas direcionadas à descrição do perfil inicial dos garimpeiros. Os dados foram coletados, posteriormente tabulados e transformados em gráficos com o intuito de facilitar as análises quantitativas e qualitativas posteriores.
4 Segundo Manzini (1990/1991, p. 154) “a entrevista semiestruturada está focalizada em um assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista”.
5 Como não foi possível mensurar o universo dos trabalhadores que atuam nas oito lavras pesquisadas, adotou-se Amostragem Não Probabilística a Esmo (MATTAR, 1996) que estabelece a probabilidade de que um elemento da população pertença à amostra não podendo, da mesma forma, informar ou estimar o erro amostral.
Tendo em vista a grande mobilidade da população garimpeira em seu dia-a-dia, a aplicação dos questionários se deu a esmo, ora por visita à residência dos pesquisados, ora por encontros ocasionais durante as visitas nas áreas de lavra. Mattar (1996) afirma que esse procedimento obedece a uma lógica na qual os participantes da pesquisa são selecionados por acaso ou “acidentalmente”, sem qualquer critério estatístico ou probabilístico.
A fase da análise sistemática dos dados obtidos em campo permitiu, ainda que panoramicamente, um melhor entendimento dos problemas ambientais existentes nos garimpos visitados e das situações de risco observadas em relação à saúde e condições de trabalho da população garimpeira do povoado de Taquaral.
Processo de Extração de Gemas e Riscos Associados
Em função da ocorrência relativamente comum de minerais corados nas imediações do Povoado, o “espirito garimpeiro” está presente na maior parte da população lá residente, constituindo um traço cultural local transmitido de geração em geração. A maioria dos garimpeiros desloca-se a pé até o local de trabalho, sendo que alguns dispõem de moto ou bicicleta como transporte. Esse fácil acesso é explicado pela inúmera quantidade de lavras próximas às residências ou nas imediações de Taquaral (Bode, Lajedo, Jurema e Zá). Já em outras situadas em distâncias mais expressiva (Malva, Manguinha, Faixa e Piauí) exigem que o transporte seja feito por veículos, motocicletas ou mesmo a cavalo em alguns casos.

Economia Mineral e Geologia Exploratória

Economia Mineral e Geologia Exploratória

Os trabalhos desenvolvidos pela Divisão de Economia Mineral e Geologia Exploratória - DIEMGE compreendem a gestão do patrimônio mineral ainda pertencente ao Serviço Geológico do Brasil - CPRM, incluindo o resgate efetivo e a validação dos dados originais desses projetos, a modelagem geológico-estratigráfica e dos depósitos minerais conhecidos, as estimativas de recursos e as análises econômicas e de mercado sobre bens minerais.


Carteira de Direitos Minerários
A CPRM possui direitos minerários relativos a importantes áreas portadoras de bens minerais, tais como caulim, zinco, cobre, ouro, carvão, níquel e outros bens minerais.
Carteira de Direitos Minerários - Mapa de Distribuição das Áreas
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Welcome to CPRM

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I would like to thank you for visiting our website and to express my hope that you find everything you need while you are with us and that any feedback you can provide will help us clear up any mistakes or technical hitches in the site. CPRM is legally bound to act as Brazil’s official agency for gathering data and information on Brazilian geology, minerals and water resources. We manage a complex set of databases and theme-based georeferenced information systems, as well as a vast collection of documents, maps and images, which we put at the general public’s disposal to the best of our means. We are the Geological Survey of Brazil, or simply CPRM, which is the acronym for the company’s official name in Portuguese: Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais.

CPRM was set up in 1969 with a mix of state and private ownership. With the onset of challenging circunstances in the nation, especially as of the second half of the 1980s, CPRM underwent deep-rooted institutional changes that culminated in Law number 8,970, of December 27, 1994, which made it entirely state owned. This changed things on a practical level because all private service provision ceased and the company took on its current role as the Nation’s Geological Survey. The focus shifted to basic geology and hydrology, with the concomitant development of different applications, such as environmental geology, hydrogeology and geological hazards. All corporate activities were halted and institutional partnerships with other federal, state and local government agencies became the order of the day. Today, we are about 1,180 professionalsl, of whom some 500 are geologists, hydrogeologists, hydrology engineers and mine engineers. A third hold a masters or doctoral degree. This body of highly specialized professionals, whose knowledge on Brazilian geology and hydrology is unmatched, is unquestionably our greatest asset.

CPRM has operational offices throughout Brazil. There are eight regional offices in Manaus (Amazonas), Belém (Pará), Recife (Pernambuco), Goiânia (Goiás), Salvador (Bahia), Belo Horizonte (Minas Gerais), São Paulo (São Paulo) and Porto Alegre (Rio Grande do Sul). These are where projects are carried out and where most of the institution’s operations are centered. We also have three smaller operations facilities in Porto Velho (Rondônia), Teresina (Piauí) and Fortaleza (Ceará). There are three support centers, or small offices that provide representation and operational support, in Natal (Rio Grande do Norte), Cuiabá (Mato Grosso) and Criciúma (Santa Catarina). The company’s political headquarter is in Brasilia, while the main administrative office and technical departments are in Rio de Janeiro. CPRM’s three training centers are in Apiaí (São Paulo), Morro do Chapéu (Bahia) and Caçapava do Sul (Rio Grande do Sul).

This is the Geological Survey of Brazil. Please browse through our site at your leisure and should you not encounter the information you require or if the tools available do not permit a suitable selection of data, please contact our customer service (seus@rj.cprm.gov.br) and we will get back to you as soon as possible.

CPRM Estuda Rochas Portadoras de Diamantes Kimberlitos e Garimpos em Todo o País

CPRM Estuda Rochas Portadoras de Diamantes Kimberlitos e Garimpos em Todo o País

Com o intuito de desenvolver estudos abrangendo os principais aspectos da geologia do diamante no país, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) iniciou, em 2008, por meio do Projeto Diamante Brasil, um trabalho sistemático de pesquisas voltado para o estudo de rochas portadoras de diamantes kimberlitos e garimpos em todo o país. O projeto tem como meta integrar as características da geologia do diamante incluindo fontes primárias e secundárias. Outra vertente do projeto diz respeito à discussão geológica dos garimpos de diamante, que ainda desempenham um papel de destaque na economia brasileira e possuem importante valor histórico. Para o coordenador responsável pelo Diamante Brasil, geólogo Valdir Silveira, as pesquisas desenvolvidas dentro do projeto são importantes para todas as esferas da sociedade. “É fundamental gerar dados na área de diamantes para fomentar pesquisas por empresas do setor e também suprir o governo com informações sobre o tema”, diz. O processo de execução é desempenhado por técnicos da CPRM situados nas regiões diamantíferas. A equipe responsável pelo trabalho nessas áreas conta com técnicos capacitados e até mesmo consultores internacionais especializados no tema. O prazo de entrega está previsto para o final de 2010, porém, devido a algumas pesquisas específicas, poderá ter continuidade nos anos seguintes, estendendo- se até 2014. O projeto é uma ação da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais da CPRM, por meio do Departamento de Recursos Minerais (Derem), e entre o público alvo estão gestores, universidades, empresas com atuação na área de garimpo e órgãos governamentais como a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação do Ministério de Minas e Energia (SGM-MME), o Departamento de Produção Mineral (DNPM) e o Ministério da Justiça. Segundo Silveira, em maior ou menor escala, diversos setores da sociedade serão beneficiados.
 Treinamento
Para dar continuidade à capacitação dos profissionais envolvidos no Projeto Diamante Brasil, no período de 07 a 11 de junho, ocorrerá, na sede da CPRM em Brasília, um treinamento para capacitação profissional que contará com a participação de técnicos canadenses e brasileiros com mais de 30 anos de experiência na área de diamantes. Outras informações sobre o treinamento serão divulgadas brevemente.
 Técnicos em missão de pesquisa na Provincia kimberlítica alto Apiaú-RR
Técnicos em missão de pesquisa na Provincia kimberlítica alto Apiaú-RR

Principais objetivos do Projeto Diamante Brasil
- Produzir mapas mineralógicos das áreas alvos com nota explicativa;
- Realizar guias contendo procedimentos técnicos para prospecção do diamante (amostragem; química mineral e estudo de diamante);
- Utilizar textos técnicos contendo o estado da arte da geologia do diamante no Brasil, em forma de livro;
- Desenvolver estudos mineralógicos, geoquímicos e isotópicos de minerais das áreas (estudos geodinâmicos);
- Caracterizar quimicamente kimberlitos
- Atualização e consistência da shape kimberlito no Mapa Geológico do Brasil na escala 1:1.000.000;
- Elaborar o projeto em Sistema de Informações Geográficas (SIG), contendo os dados geológicos e geoquímicos (mapas, fotos de afloramentos, imagens de satélite e tabelas);
- Sugerir alternativas para gestão, extração das matérias-primas e produtos derivados de forma sustentável, minimizando os danos ambientais;
- Produzir estudo morfológico das populações de diamantes brasileiros para subsidiar a certificação de diamantes através do Kimberley Process.

A importância do Projeto Diamante Brasil para o país
Iniciado em meados de 2008, o Projeto Diamante Brasil vem desempenhando um papel social, econômico e geológico fundamental para os diferentes setores da sociedade. Segundo o chefe do Departamento de Recursos Minerais da CPRM, Reinaldo Brito, os reflexos dos anos de estudo podem ser melhor sentidos agora, uma vez que os estudos executados pela CPRM são de grande importância para a soberania nacional. “O projeto faz com que o Estado assuma o papel de soberano sobre o real potencial diamantífero do Brasil, resgatando para a sociedade o direito de conhecimento sobre o seu solo”, disse. De acordo com Brito, antes do projeto apenas empresas privadas tinham conhecimento das áreas onde os diamantes estavam localizados, a quantidade e qualidade dos mesmos. Hoje, a CPRM possui todas essas informações. “Agora se sabe onde está o ouro, o urânio e até o diamante. Antes, ficava um vazio em relação aos diamantes, não havia informações precisas”, comenta Brito. “O projeto serviu até mesmo para dizimar conflitos oriundos do diamante”, lembrou. Por ser uma atividade com alto grau de informalidade, muitos garimpos eram ilegais, principalmente em áreas indígenas e de conservação ambiental. Com esse trabalho, foi possível identificar essas regiões e o governo pôde dar subsídio nessas localizações. 
Banco de Dados
Uma das metas do projeto é realizar um banco de dados de ocorrências diamantíferas no Brasil e vinculá-lo a pólos produtores, distritos e províncias diamantíferas. Haverá um banco físico com amostras de rochas e gemas que serão caracterizadas. Além disso, todos esses dados também estarão disponíveis no Geobank da CPRM para consulta pública.

Investimentos
O Projeto Diamante Brasil é executado com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e até o ano de 2012 serão investidos cerca de R$ 2,7 milhões. Para este ano, R$ 740 mil estão previstos para dar continuidade ao projeto.

 Uma das equipes de campo recebendo treinamento sobre o kimberlito Redondão-PI
Uma das equipes de campo recebendo treinamento sobre o kimberlito Redondão-PI
 Técnicos da CPRM em trabalho de campo na Província kimberlítica Rosário-RS
Técnicos da CPRM em trabalho de campo na Província kimberlítica Rosário-RS
 Prospectores fazendo coleta de cascalhos em drenagens da Folha Pará de Minas-MG
Prospectores fazendo coleta de cascalhos em drenagens da Folha Pará de Minas-MG