sexta-feira, 11 de março de 2016

Principais Regiões produtoras de águas-marinhas no Brasil...

Depois de termos abordado  o tema dos tratamentos em águas-marinhas, neste iremos tratar de sua síntese, substitutos, inclusões e principais regiões produtoras.
Substitutos
Os principais materiais gemológicos utilizados como substitutos da água-marinha são o topázio (com coloração natural ou induzida por irradiação gama, com diversas designações comerciais, tais como "Sky Blue", "London Blue", "Swiss Blue", etc), o espinélio sintético (comercializado desde os anos 20 do último século e amplamente disseminado no mercado internacional de gemas sintéticas) e os diversos tipos de vidros. Menos freqüentemente, são empregados a turmalina e a apatita de tonalidades claras; o zircão (proveniente principalmente do Sri Lanka e raramente visto no mercado brasileiro na cor azul, obtida por tratamento); a cianita, o euclásio - uma valorizada gema de coleção, cujas principais ocorrências brasileiras encontram-se em Minas Gerais (Ouro Preto e São Sebastião do Maranhão) e Rio Grande do Norte (Equador); as gemas compostas e os berilos Maxixe e Tipo-Maxixe, discutidos no artigo do último mês.
Síntese
Desde 1999, a água-marinha sintética produzida na Rússia pelo método hidrotermal tornou-se comercialmente disponível e é, eventualmente, vista no mercado brasileiro de gemas, na forma lapidada e calibrada. O material sintético, por definição, apresenta composição química, estrutura cristalina e propriedades físicas e ópticas iguais às do seu equivalente natural. Distingue-se deste por meio do exame das estruturas ao microscópio (eventualmente mesmo com uma lupa de 10 aumentos), uma vez que a água-marinha sintética apresenta característicos padrões de crescimento com aspecto de "chevron", semelhantes aos observados em muitos outros materiais sintéticos produzidos pelo método hidrotermal.
Inclusões
A água-marinha usualmente apresenta poucas inclusões e uma elevada transparência, o que contribui para realçar sua beleza. Por este motivo, a presença delas, mesmo em pequeno número ou tamanho, desvaloriza acentuadamente esta gema, ao contrário de outras, tais como a esmeralda e a rubelita, nas quais a incidência de inclusões é mais tolerável.
As principais inclusões observadas nas águas-marinhas são os tubos de crescimento ocos ou preenchidos com fluidos, paralelos ao eixo c do cristal ("efeito chuva"); as gotículas fluidas arranjadas radialmente ("estrelas de neve"); e as inclusões minerais, sobretudo de albita, apatita, muscovita, turmalina, quartzo, ilmenita, columbita e monazita.
Principais Regiões Produtoras
O Brasil detém a supremacia histórica como fonte de águas-marinhas, tendo suprido o mercado joalheiro mundial com esta estupenda gema durante todo o último século, além de haver dotado os acervos dos principais museus de mineralogia do mundo com fascinantes espécimes daqui provenientes.
Embora atualmente a produção já não seja tão abundante, o Brasil continua tendo a primazia, seguido de países do continente africano, sobretudo Moçambique, Madagascar, Nigéria, Zâmbia e Tanzânia. Em nosso país, as ocorrências mais significativas encontram-se em Minas Gerais, em diversas localidades nos vales dos rios Jequitinhonha e Mucuri, além da região de Santa Maria de Itabira. Há ocorrências de vulto também nos estados do Espírito Santo (Mimoso do Sul, Itaguaçú, Baixo Guandú, Muqui, Castelo, etc), Bahia (Itanhém, Itambé, Macarani, etc), Rio Grande do Norte (Tenente Ananias e Parelhas) e Paraíba (Taperoá e Frei Martinho).

A mística e o fascínio que gemas como diamante, esmeralda, rubi e safira


A mística e o fascínio que gemas como diamante, esmeralda, rubi e safira



A mística e o fascínio que gemas como diamante, esmeralda, rubi e safira exercem em quase todos nós são notórios e compreensíveis. Os gemólogos costumam lamentar, no entanto, o fato de que a maior parte dos apreciadores e consumidores de jóias tenham poucas oportunidades de conhecer e lidar com outras tantas belíssimas gemas, que não as de uso tradicional e consagrado.
Ficamos intrigados pelo fato de que gemas naturais menos conhecidas e de menor valor, mas de cor ou aspecto parecido ao de outras mais valiosas, sejam ainda pouco utilizadas como alternativas mais econômicas, principalmente em cortes e formas menos usuais, ainda que grande parte delas seja produzida regularmente em nosso país.
Porque não vemos com mais freqüência a apatita azul, de tons neon e ultra-marinho, substituindo a turmalina da Paraíba e a safira ? Ou o quartzo amarelo-mel com chatoyance ao olho-de-gato ? A iolita à tanzanita ? O diopsídio à granada tsavorita ? A safira com mudança de cor à alexandrita ? A jarina ao marfim ?
Gostaríamos de ver mais andaluzitas, morganitas, heliodoros, espessartitas, kunzitas, opalas, pedras-da-lua, berilos verdes, esfênios, peridotos e muitas outras gemas menos usuais nas grandes coleções e não restritas apenas a pequenas linhas ou a peças exclusivas de designers mais inovadores.
A aceitação e popularização de tais gemas é, evidentemente, um processo lento, mas cabe a todos os segmentos envolvidos na produção de jóias contribuir para a conscientização quanto a sua existência, sobretudo agora que a disseminação da informação pela internet criou uma nova geração de consumidores dotados de mais conhecimentos (mas não necessariamente melhores) e, portanto, mais curiosos, exigentes e ávidos por novidades.
Para tanto, faz-se necessário também que os vendedores de jóias possuam um conhecimento gemológico básico, que lhes permita melhor informar e esclarecer ao público consumidor a respeito das principais características, propriedades, particularidades e cuidados no uso e conservação dessas gemas menos comuns.
Em nossa opinião, o aumento da demanda pelas gemas alternativas elevaria seus preços, estimulando um aumento nos investimentos em prospecção e lavra, assim como o desenvolvimento de novas técnicas de tratamento para intensificação de suas cores e o aprimoramento das já existentes.
Deixando um pouco de lado as gemas naturais e nos acercando às sintéticas, nos perguntamos porque estas não vêm sendo mais amplamente utilizadas como materiais alternativos, desde que devidamente revelada a sua origem, uma vez que a obtenção de gemas de igual composição, estrutura, propriedades físicas e ópticas ao de suas equivalentes naturais, a custos bastante inferiores, é uma fabulosa conquista dos laboratórios de síntese.
Estas têm a vantagem adicional de serem produzidas em larga escala, possibilitando aos fabricantes suprir confortavelmente uma provável demanda crescente, com maior uniformidade de tamanhos, cores e pureza. Além disso, é de se esperar, a médio prazo, que o avanço tecnológico na produção de cristais sintéticos de aplicação em alta tecnologia leve a uma maior compreensão e melhoria nos métodos de síntese, trazendo para o setor joalheiro gemas sintéticas de maior tamanho e qualidade, cada vez mais parecidas com as naturais e mais difíceis de serem delas diferenciadas, no que se converterá em mais um grande desafio para os gemólogos.


OURO COLORIDO

OURO COLORIDO 


Com o avanço da tecnologia e a facilitação na produção do ouro rosa/vermelho, HOJE, sinto que as joalherias se dividem entre as cores do metal precioso, o que, muitas vezes gera dúvidas em relação a que cor apostar: o tradicional e muito em alta amarelo, o clássico e eterno parceiro dos diamantes, o branco ou o revival do rosa/vermelho?
Enquanto a maioria dos joalheiros se concentra nestas cores, outros, muito ousados, brincam com as mais diversas tonalidades de ouro. Sabemos que as “receitas” das ligas de ouro colorido existem há muito tempo, mas a sua produção, principalmente em escala industrial, não é tão simples, o que deixava as peças coloridas restritas às jóias de autor e pequenos ateliers.
A empresa Aspial - com o apoio do World Gold Council e em parceria com um metalúrgico da universidade politécnica de Cingapura, desenvolveu uma liga comercial de ouro púrpura. As joalherias Aspial, LeeHwa e Goldheart desenvolveram coleções usando a novidade. A cor é maravilhosa! Chamam a atenção tanto pela beleza como pela intensidade. Os diamantes ganham um destaque inusitado pela coloração. Esta nova cor abre novas possibilidades para a joalheria, mas sua liga está patenteada e é de distribuição exclusiva da Aspial Corporation.
 
Ousadíssima, a Jarretiere tem revolucionado a produção de jóias coloridas. A marca italiana conquistou, pela quarta vez consecutiva, o prêmio Town and Country na categoria Best in Gold. As criações abusam das possibilidades de cores de ouro: verde, azul, preto, além de tons de rosa, amarelo e branco.
*Christina Termine, representante exclusiva da Jarretiere nos EUA, declarou à RevistaNational Jeweler que o ouro colorido atrai as clientes “fashion conscientes” tanto na faixa dos 30 como dos 40 anos.
Vejo a busca por um diferencial marcante o motor da criação de jóias de ouro colorido. Talvez este movimento seja uma das maiores inovações da joalheria nos últimos tempos. De uma forma indireta, uma maneira de joalheiros e designers  entrarem em sintonia com as inovações de produto, na medida que são todas propiciadas pelos avanços da tecnologia e podem criar desejos nunca antes imaginados. A liberdade de cores nas jóias, reflete liberdade de expressão e como tal, é  luxo extremo!

OXIGÊNIO: O GRANDE VILÃO

OXIGÊNIO:
O GRANDE VILÃO

Prata não oxida, reage com o enxofre, o que enegrece consideravelmente a peça. Então... e o oxigênio?
Ele continua sendo o grande vilão das ligas de prata!
A prata absorve muito oxigênio quando líquida, e essa é a principal causa de bolhas no material. Ao esfriar, nem todo o gás absorvido é devolvido ao ambiente e a parte dele permanece no interior da liga. Quando há recozimento, essas bolhas chegam à superfície causando uma série de transtornos.
O cobre oxida, e a prata é ligada com cobre. O oxigênio absorvido pela prata liquefeita une-se ao cobre formando o óxido de cobre, estável em seu estado sólido. Não solúvel na liga, o óxido (Cu2O) se transforma em pequenas inclusões em forma de cristais pontiagudos. As inclusões se espalham comprometendo a plasticidade da liga e causando problemas de acabamento.  Os cristalitos de óxido de cobre são arrancados durante o polimento; isto fica evidente com o aparecimento de  vários riscos. Esse problema é muito desagradável, pois se evidencia em peças quase prontas e não há o que se possa fazer - quanto mais o material é polido, pior fica!
Durante o recozimento, o cobre também sofre oxidação, nesse caso na superfície da liga, e eis que surge a indesejada mancha azul (fantasma).
Como minimizar o problema quando não se tem acesso a uma fundição à vácuo?

Com carbono (C), fácil assim! Ele se apresenta em forma de carvão, grafite e diamante, mas ficaremos com as duas primeiras. Quando for fundir uma liga de prata com cobre*, dê preferência a cadinhos de grafite ou utilize um lápis (ou lápis integral) para dar umas mexidas na prata. Descasque o lápis de modo a deixar um pedaço de ponta de grafite grande o suficiente para não queimar a madeira. O grafite absorverá parte do oxigênio da liga.
Quando recozer ou soldar, faça-o sobre um pedaço de carvão. Além de absorver oxigênio, o carvão irradia calor, reduzindo o tempo de exposição às altas temperaturas e de trabalho.

As primeiras ligas de ouro branco foram desenvolvidas na Alemanha

As primeiras ligas de ouro branco foram desenvolvidas na Alemanha, como uma alternativa à Platina, por volta de 1912/1913. Após uma série de tentativas e erros, passou-se a utilizar ligas com níquel.
O níquel (Ni) possui três grandes vantagens: confere à liga maior dureza, maior  elasticidade e reduz o preço. Mas muitas são suas desvantagens: a liga é quebradiça, tem pouca expansibilidade, mas o principal inconveniente é o fato de causar alergia em muitas pessoas.
Atualmente, as ligas com paládio (Pd) invadiram o mercado. Essas ligas são menos propensas a rachaduras e não oxidam, dada a nobreza do próprio paládio. Muito fácil de se trabalhar, possui apenas os inconvenientes da pouca dureza e elasticidade, e o custo agravado pela alta densidade. O paládio ainda confere grande expansibilidade, tornando a liga muito boa para se trabalhar com cinzel e melhora aparência. Sua cor é mais bonita e sua superfície mais homogênea, sendo ainda altamente durável dispensa assim o banho de ródio.
O ouro branco (com Ni ou Pd) não pode ser aquecido quando em contato com carvão ou gesso; ele reage com o enxofre presente nesses materiais.
Um detalhe importante deve ser observado: uma peça com liga de níquel após ser recozida não deve jamais sofrer choque térmico. Já em ligas de paládio, o choque térmico é necessário.