quinta-feira, 14 de julho de 2016

GARIMPEIROS E MINERADORA CANADENSE TRAVAM DISPUTA POR OURO DE BELO MONTE

GARIMPEIROS E MINERADORA CANADENSE TRAVAM DISPUTA POR OURO DE BELO MONTE

A APENAS 14 KM DO PAREDÃO ERGUIDO PELA BARRAGEM DA HIDRELÉTRICA, UMA GUERRA FOI DEFLAGRADA APÓS BELO SUN QUERER TRANSFORMAR O LOCAL NO MAIOR PROJETO DE EXPLORAÇÃO DE OURO DO BRASIL

Belo Monte (Foto: Divulgação)
A hidrelétrica de Belo Monte ganhou um forte aliado para alimentar as polêmicas que envolvem a exploração dos recursos naturais da Amazônia. Desta vez, porém, o interesse não está nas águas do Xingu. Agora, o alvo é o ouro. Nos pés da barragem de Belo Monte, a apenas 14 km do paredão erguido pela barragem da hidrelétrica, uma guerra foi deflagrada entre garimpeiros que vivem na região e a empresa canadense Belo Sun. A companhia, que não tem nenhum vínculo com a usina, quer transformar o local no maior projeto de exploração de ouro do Brasil. Mas as ambições minerais viraram caso de polícia.

A Belo Sun denunciou os garimpeiros de terem mexido em terras da região sem a devida autorização ambiental, justamente na área onde a empresa pretende instalar sua planta industrial para extrair ouro nas margens do rio Xingu, no município de Senador José Porfírio (PA). A Polícia Civil abriu inquérito e partiu para cima dos garimpeiros. Há três semanas, a Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema), vinculada à Polícia Civil, convocou 16 garimpeiros para prestarem esclarecimentos na delegacia. Se condenados por crime ambiental, podem ser obrigados a prestar serviços sociais ou a pagar cestas básicas.

A população local ficou indignada. Os garimpeiros, que trabalham no local há mais de 60 anos, acusam a Belo Sun de querer expulsá-los sem direito a indenizações. Cerca de 2 mil pessoas da região vivem do garimpo. "As pessoas só querem ter seus direitos reconhecidos. A empresa não ofereceu nada para o povo. Estamos falando de gente que nasceu e se criou no lugar, e que não sabe fazer outra coisa", disse Valdenir do Nascimento, presidente da Cooperativa dos Garimpeiros da região.
O ouro de Belo Monte está encravado no subsolo de uma região conhecida como Volta Grande do Xingu. A licença ambiental que os garimpeiros tinham para atuar na região venceu em dezembro do ano passado. Eles alegam que pediram renovação do documento para a Secretaria do Meio Ambiente do Pará, mas que esta deu uma autorização de lavra para uma área completamente fora do local onde eles atuavam, um pedaço de terra que não tem ouro. "Quando reclamamos que a demarcação estava errada, disseram que a gente não queria autorização nenhuma e cancelaram a licença. Ficamos sem ter onde trabalhar", afirmou Nascimento.

O delegado Waldir Freire Cardoso, chefe de operação da Dema, disse que a polícia constatou a lavra de ouro sem autorização. "A denúncia envolvia pessoas e pequenas empresas que atuavam numa área que a Belo Sun diz que é dela. Para nós, não interessa se a denúncia vem da Belo Sun ou de quem quer que seja. A autuação foi motivada por conta de constatação do dano ambiental", disse.

Licenças
Há três anos a Belo Sun busca o licenciamento para o seu garimpo industrial, processo que é tocado pelo governo do Pará. A empresa já tem a licença prévia do projeto e se prepara para pedir a licença de instalação, documento que libera efetivamente a extração do ouro. O Ministério Público Federal questionou o Ibama sobre a necessidade de o órgão federal assumir a responsabilidade pelo licenciamento, dada a sua proximidade com a hidrelétrica e a potencialização dos impactos socioambientais por conta da mineração, mas o tema não saiu dos escaninhos da secretaria estadual.

A Norte Energia, dona da hidrelétrica, evita falar publicamente sobre os planos da Belo Sun, mas sabe-se que sua diretoria torce o nariz sobre a possibilidade de ter bombas explodindo no subsolo do Xingu, bem ao lado de sua barragem. A Belo Sun foi insistentemente procurada para comentar o assunto, mas não retornou ao pedido de entrevista. A empresa, que pertence ao grupo canadense Forbes & Manhattan, um banco de capital fechado que investe em projetos de mineração, tem planos de aplicar US$ 1,076 bilhão no projeto "Volta Grande", de onde sairão 4,6 mil quilos de ouro por ano, durante duas décadas, a região é a mais rica do Brasil em reserva de ouro, e só foram pesquisados 20% da região portanto essa reserva vai aumentar e muito, disse um geólogo da Belo Sun.

"A Belo Sun não tem mais direito de estar naquela área do que os garimpeiros artesanais, que estão ali há seis décadas. Só duas minerações atuaram na região, a OCA MINERAÇÃO LTDA E A MINERAÇÃO ALTEROSA LTDA, mas as duas deixaram os garimpeiros em paz, pois estavam explorando ouro primário na serra do Itatá. Apesar disso, a empresa age como se fosse proprietária da região, constrangendo os moradores do local e pressionando sua saída", disse Leonardo Amorim, advogado do Instituto Socioambiental (ISA). "Trata-se de uma mineradora com um mero pedido de lavra e uma licença ambiental sub judice, numa terra pública."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Jantar mais caro do mundo custa US$ 2 milhões e inclui anel de diamante

Jantar mais caro do mundo custa US$ 2 milhões e inclui anel de diamante

Experiência tem duração de 8 horas e conta com 10 mil rosas frescas, 18 pratos e vinhos de 44 a 55 anos
É para poucos. A empresa ‘World of Diamonds’ lançou uma experiência de jantar por nada menos que US$ 2 milhões. Concebido para duas pessoas, o pacote inclui um passeio de helicóptero, 10 mil rosas, 18 pratos no restaurante Ce’ La Vi em Cingapura, vinhos de 44 e 55 anos, além de um anel de diamante de 2.08 quilates. A experiência será vendida uma única vez, a “indivíduos qualificados”, que serão escolhidos pela World of Diamonds Group e pelo restaurante Ce’ La Vi. Os detalhes de como será a seleção não foram divulgados.
O jantar começa com um voo de helicóptero com duração de 45 minutos sobre Cingapura, e segue com um trecho de Rolls-Royce até um cruzeiro privado de luxo. Depois, os dois clientes são levados ao restaurante Ce’ La Vi, no topo do Hotel Marina Bay Sands, decorado com 10 mil rosas. Com a linda vista da cidade, o jantar, de 18 pratos e inspiração asiática moderna, é servido – durante o pôr do sol.
O menu conta com lagostins da Nova Zelândia, ostras com espuma de champanhe, caviar Almas, salmão selvagem do Alasca, e é acompanhado por vinhos envelhecidos, champanhe Salon ‘S’ 1988, além de outras bebidas conhecidas mundialmente. A comida é servida com chopsticks enfeitados com diamantes e com o nome de cada cliente gravado. Há, também, a opção de incluir na experiência uma diária no hotel para passar a noite.
Música ao vivo também faz parte da experiência, e o jantar será servido parte na área externa e parte na área interna do restaurante. À meia-noite, os clientes ganham o anel Jane Seymour de presente.
Anel de diamante Jane Seymour (Foto: Divulgação)
O anel é feito de uma pedra de diamante azul de 2.08 quilates, que fica sobre uma base de platina banhada de ouro rosé 18 quilates com motivo floral. O anel foi usado uma vez pela atriz Jane Seymour, que inspirou o design da joia. Quando o anel for entregue aos clientes, será servido o conhaque Louis XIII de Rémy Martin, enquanto são lançados fogos de artifício.
“Essa é a experiência de jantar mais cara do mundo, e será a mais exclusiva possível”, disse Karan Tilani, diretor do World of Diamonds Group, à Forbes. “Esperamos que a resposta seja extremamente positiva, mas apenas duas pessoas terão o privilégio de participar da experiência”. Tilani ainda afirmou que “considerando tudo que será oferecido, o jantar é uma barganha”.

Passagens da história do velho garimpeiro e de sua inseparável esposa



Passagens da história do velho garimpeiro e de sua inseparável esposa com a qual ele enfrentou a dura lida da vida, visitas de onça e tentações assombrosas 

Seu Marão é um diamante. À primeira vista é bruto como a pedra. Bastam, no entanto, alguns segundos de convívio para a impressão se desfazer rio abaixo. É um homem carismático, atencioso, muito, muito engraçado. Gosta de visitas. Adora conversar, contar histórias de onça e assombração. Seus olhos brilham quando lembra da noite em que uma “pé-fofo” cheirou-lhe os pés na loca onde dormia (leia O caso da onça, abaixo) e das aventuras com dona Lia, por quem se apaixonou quando menino. Tinha 11 anos. O pai era conservador, não dava folga à filha. Namorar, nem pensar. Conversavam com os olhos – adivinhavam um ao outro.

Mário cresceu e virou garimpeiro. Filho de agricultor, preferiu a pedra à planta. “O diamante é mais ligeiro”, alega. Em meados do século passado, o garimpo entrou em baixa e ele pegou a estrada para São Paulo. Voltou dez anos depois – cansara da cidade grande e morria de saudades da menina, então moça formosa. Homem feito, alto, “reforçado”, com fama de valente, impressionava as mulheres. Assim, casou com Lia, discreta, miudinha, uma figura – finge que não presta atenção mas não perde uma palavra do marido. “Ela bicou pra mim”, diz ele, às gargalhadas. Dona Lia o ajudava na lavra, fazia café, “quentava” a bóia, cuidava da loca onde passavam as noites. “Foi de lá que ele veio”, conta, cabeça baixa, voz sumida, referindo-se a Zé Mário, herdeiro da paixão do pai pelas pedras. “Sabe tudo”, diz Maria Luiza, falando do irmão.

Segundo ambos, o pai poderia ter ficado rico com o que ganhou no garimpo. No entanto, gastou quase tudo em farras e nos forrós que organizava em sua casa, debruçada no ribeirão. Suas festas ficaram famosas. A folia seguia até o nascer do sol. Vez em quando dona Lia substituía o sanfoneiro com seu “pé-debode” – sanfoninha de oito baixos – mas gostava mesmo era de dançar. Seu Marão não tolerava casais agarradinhos. Falta de modos. Respeito. Um dia, alguns jovens o confrontaram, aconchegando demais as meninas. Enfurecido, ele correu à cozinha, pegou um facão e voltou num pulo à sala, riscando o chão ao redor. Não deu outra! Um disparou porta afora, outros, pela janela, sumiram todos no breu da noite.

O VELHO GARIMPEIRO, com sua bateia de madeira no Ribeirão Vermelho e num raro instante de seriedade, ao lembrar do passado (à direita)

Contam muitas histórias sobre ele. Dizem que atirava nos santos que não o atendiam. Certa vez, implorou a santo Antônio uma pedra grande no garimpo. Dona Lia sempre o esperava na janela – ele sempre vinha pelo rio. Naquele dia, voltou de cara amarrada e espingarda na mão. Temendo que destroçasse a imagem de sua predileção, de quase um metro de altura, com adornos dourados, ela a substituiu por outra, menor. Seu Marão foi direto ao oratório, engatilhou a espingarda mas..., refugou. Olhou, coçou a cabeça e disse: “Olhe, menino! Vá chamar seu pai que eu quero ter uma conversa com ele”.

Valente com os homens, arrojado com os santos, ele não é o mesmo com as “coisas da noite”. Evita locais ditos assombrosos, sempre passa ao largo da gameleira sob cuja fronde, segundo ele, “o coisa-ruim concede audiência”. Seu Marão viu muita coisa estranha na vida: “Um homão torto na cabeceira da ponte, um vulto esquisito na tapera do Deodato, um menino passando por mim na direção do espantoso. Não sei o que o menino viu. Só sei que o chapéu dele inchou tanto que caiu da cabeça”. À parte o oculto, ele é respeitado pelo caráter, honestidade, coragem.

“Meu pai passou 70 anos atrás de ouro e diamantes, mas a maior riqueza que ele nos legou foi o exemplo. Mostrou que não é preciso muito para ser feliz.” Seu Marão sabe que os tempos de garimpo já se foram, embora de vez em quando fuja de casa com a bateia na mão. É alguém que viveu intensamente. Um homem em paz consigo mesmo, com os seus e os outros. Não reclama de nada. Não trocaria a sua vida por outra. Não mudaria nada do que fez. Não quer saber de outro lugar além de Grão Mogol. É a sua terra natal, um lugar bonito, com gente hospitaleira, prédios coloniais, ruas estreitas, cortado pelo Ribeirão Vermelho. O acesso é difícil. Quando chove é um barro só e quando não, um poeirão. A cidade fica escondida no fundo do vale, ao pé da montanha. Quem chega vê mais telhados do que muros. Em todo lugar se respira pedra. Alguma coisa brilha.


O caso da onça


Onça é com seu Marão. Tem 25 no currículo. Umas, viu de relance. Outras, só o rastro. Das demais, ouviu somente o esturro ou algum grunhido breve na noite. A que chegou mais perto de acabar com ele foi a que cheirou-lhes os pés quando dormia numa lapa rasa, nos áureos tempos do garimpo. “Não sei como ela chegou. O teto era baixo, não pude fazer cama alta. Tava rente ao chão. Tinha dado chuva cedo. Fiz a janta, ajeitei as coisas e me enfiei no pano. Dormia quando senti coceira no pé e um cheiro esquisito no ar. Virei devagarinho e vi um vulto se mexendo. Pensei: é um cachorro, mas era grande demais pra ser cachorro. Aí enxerguei os olhos dela faiscando no escuro. E arrepiei. Ela tava olhando pra mim! Eu tava desarmado, só com o facão, Deus e Nossa Senhora. Gritei, mas o grito não saiu. Gritei de novo e aí ecoou alto, ela assustou e foi embora. Era rajada. Uma onça comedeira – devia ter comido muita criação. Era feia demais

TOTÔCA E SEU velho escafandro enfim aposentado:


Fotos João Marcos Rosa



TOTÔCA E SEU velho escafandro enfim aposentado: “O garimpo acabou no norte de Minas Gerais. Diamante agora é água”
Para Belmiro, a PLG é relativamente simples de se obter. As exigências, porém, são impraticáveis: o garimpeiro, mesmo o tradicional, é obrigado a descrever o tipo de minério procurado e indicar o local exato onde pretende lavrar. A descrição e o plano de trabalho devem ser detalhados em documento e assinados por um geólogo. Para complicar a coisa, a permissão legal autoriza lavra de 50 hectares, no máximo (no caso das cooperativas, 200), área pequena demais para quem sempre trabalhou solto no mundo, sozinho ou com algum companheiro. Segundo ele, garimpeiro não tem cultura associativa. Muitos desistiram, outros conseguiram alvarás, mas acabaram vendendo-os. “Diamantina já não tem TOTÔCA E SEU velho escafandro enfim aposentado: “O garimpo acabou no norte de Minas Gerais. Diamante agora é água” mais o mesmo brilho”, lamenta Toninho, ourives da Joalheria Pádua, a mais antiga do país, instalada no centro histórico desde 1883. Além da produção própria de diamantes e cristais, a joalheria recebia pedras de todos os cantos do país. “Nós lapidávamos quatro mil gemas por mês. Agora, trabalho sozinho, nem todo o dia sento na banca e não faço quatro mil nem num ano”, compara. Ele calcula que por volta de 1970 havia três mil bombas em pleno funcionamento no município. “Hoje, não têm quase nenhuma.” Em sua opinião, a cidade empobreceu. Depende agora do funcionalismo público, do turismo e de serviços.

ANTONIO PÁDUA em sua banca de trabalho com uma ametista roxa encanetada (no detalhe): “O brilho da cidade não é o mesmo sem o garimpo”
Totôca é taxativo. Em sua opinião, o garimpo acabou de vez no norte de Minas. “Diamante agora é água”, diz ele, referindo-se ao Alegre de Baixo e outras 46 comunidades ribeirinhas afetadas pela barragem de Irapé, maior usina do país, com 208 metros de altura e 5,9 bilhões de metros cúbicos de água de capacidade máxima, construída pela Cemig no Alto Jequitinhonha – o alagamento atingiu núcleos urbanos e áreas rurais numa extensão de 115 quilômetros do Jequitinhonha e 50 quilômetros do Itacambiraçu, um de seus afluentes. Até recentemente, Totôca caçava diamantes com seu velho escafandro de bronze – um anacronismo nesses tempos de busca desenfreada de produtividade. “Era penoso demais. Eu trabalhava agachado no fundo do rio pegando cascalho e pondo num balde enquanto um companheiro na balsa lá em cima bombeava ar por uma mangueira. Se ele quisesse se livrar de mim, era só parar que eu morria.” A idade, a dor no “espinhaço” (sem qualquer alusão à cordilheira), o cansaço e os perigos inerentes ao trabalho acabaram afastando-o da beira do Itacambiraçu, agora um lago quase dentro de casa.

Ele talvez tenha sido o derradeiro garimpeiro da região a usar escafandro. Os poucos em atividade em “bombas” trajam roupas de neoprene, de pesca submarina, e usam tubos de sucção para retirar o cascalho. Seu Marão também parou por problemas de saúde. Aos 84 anos de idade, já não tem a força de antes e a surdez avança. Ele lastima o estertor do garimpo em nome do antigo rebuliço na cidade e dos amigos de função – cadê Geraldo Mariquinha, Suetônio, Ferro Velho, Abiné, Zé Boquinha e Tonho da Marciana? Seu Marão... Bem, seu Marão é um caso especial. Saiba mais sobre ele clicando no link abaixo. 

FAISQUEIRO do município de Datas



FAISQUEIRO
 do município de Datas examina o “pretume” emborcado numa banca de apuração
“É um jogo de sensação”, compara seu Ida. Há que se ter sorte, observar indícios naturais de ocorrência e respeitar as manias das pedras. Ele afirma que os diamantes têm lá suas extravagâncias: só se revelam quando querem e a quem os mereça. Para achá-los, os garimpeiros se guiam principalmente por “satélites”, pedrinhas com feitios e cores diversos denominadas cativo, ovo de pombo, palha de arroz, sericória, fava, osso de cristal, tinteiro (preto reluzente, parecendo pólvora), cabeça de macaco, agulha, etc. Dependendo do tipo e da concentração de satélites, sabem se estão perto ou não de tirar uma pedra e, eventualmente, “bamburrar” – ficar rico.

Na lida desde os 12 anos de idade, ele vem trabalhando no Ribeirão do Guinda, a nove quilômetros de Diamantina, em parceria com Belmiro Luiz do Nascimento, idealizador do Projeto Garimporeal, de resgate da cultura garimpeira. “Os velhos estão morrendo e, com eles, a tradição, o conhecimento. Os jovens não querem saber de garimpo”, justifica Belmiro, referindo-se à iniciativa, lançada em abril. O projeto é eminentemente educativo. Ele recebe turistas, muitos dos quais estrangeiros, e os leva à beira do Guinda para mostrar o que é garimpo “verdadeiro” e provar que não é nocivo ao meio ambiente. Seu Ida se encarrega das “aulas práticas” e ele, das “teóricas”

Belmiro concorda com as exigências legais como forma de coibir a clandestinidade e proteger a natureza, mas contesta a generalização. “O garimpo tradicional não desbarranca nem faz desmonte com explosivos, como é comum na mineração. Os mineradores nacionais ou internacionais não causam estragos maiores, mesmo com permissão legal?”, questiona, observando que a maioria dos garimpeiros não tem condições de arcar com os custos de licenciamento – cerca de cinco mil reais, considerando apenas a PLG – Permissão de Lavra Garimpeira, documento fornecido pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, órgão do governo federal.

Diamantes de sangue
O Protocolo Kimberley, ou KCPS – Sistema de Certificação do Processo Kimberley, é uma tentativa conjunta de 40 países de coibir o terror perpetrado por grupos rebeldes na África. Quem viu o filme Diamante de Sangue, com o ator Leonardo Di Caprio, tem noção da barbárie, financiada, em grande parte, pelo contrabando de diamantes, negócio altamente lucrativo. A indústria movimenta anualmente 6,7 trilhões de dólares, segundo a ONU.

Desde janeiro de 2003, nenhuma pedra bruta pode ser comercializada sem a certificação, emitida pelos respectivos governos assegurando sua origem legal. Em 2004, 29 garimpeiros foram mortos na reserva indígena Roosevelt, na fronteira de Mato Grosso com Rondônia. Território dos cintas-largas, a reserva abriga grandes depósitos diamantíferos ainda não totalmente mensurados. Pronto! O Brasil passou a integrar a lista dos países com “diamantes de conflito”. Paralelamente, surgiram indícios de que o país estava sendo usado como ponte para as pedras africanas, vendidas no mercado internacional como se fossem brasileiras.