quinta-feira, 14 de julho de 2016

Entre as pedras exportadas pelo Brasil estão os topázios azuis

Entre as pedras exportadas pelo Brasil estão os topázios azuis

Pedras brutas nacionais se destacam por sua grande variedade de cor

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Topazios Azuis (Foto: Daniela Newman)Entre as pedras exportadas pelo Brasil estão os topázios azuis (Foto: Divulgação/Daniela Newman)
No cenário internacional, o Brasil é conhecido pela produção de grande diversidade de pedras preciosas, sendo, segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), um dos principais produtores de esmeraldas e o único de topázio imperial e de turmalina Paraíba. Também fazem parte do acervo brasileiro outras pedras, que são comercializadas em larga escala, incluindo citrino, ágata, ametista turmalina, água-marinha, topázio e cristal de quartzo. Exceto no que diz respeito à comercialização de diamante, rubi e safira, o país é responsável, atualmente, pela produção mundial de aproximadamente 1/3 do volume de gemas, como são conhecidas as pedras quando lapidadas, ou polidas.
No Brasil, boa parte da produção de pedras preciosas é feita por garimpeiros e pequenas empresas de mineração, localizadas em sua maior parte nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Pará e Tocantins. Segundo ressalta Hécliton Santini Henriques, presidente do IBGM, cerca de 80% das pedras brasileiras têm como destino a exportação, incluindo esmeraldas, turmalinas, ametista, citrino, topázios e, principalmente, os cristais. Os outros 20% são destinados ao mercado interno, mais especificamente às indústrias joalheiras.
O parque industrial brasileiro voltado ao mercado de joias é bem diversificado. Conforme dados do IBGM, estima-se que existam, atualmente, aproximadamente 3.500 empresas, incluindo as de lapidação, de joalheria, de artefatos de pedras, de folheados e de bijuterias, localizadas, em sua maior parte, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. O instituto destaca também o surgimento de novos polos industriais no Paraná, Pará, Amazonas, Ceará e Goiás.“No que diz respeito à produção de pedras, o Brasil é um dos mais importantes do mundo em termos de variedade e volume. O nosso país continua sendo um dos principais produtores e exportadores, mas tem diminuído sua participação devido ao crescimento da África nesse setor. Os preços, tanto das pedras brasileiras, quanto das africanas, cresceram muito nos últimos seis anos, muito devido à entrada da China no mercado de joias, se tornando o principal país importador de pedras brasileiras. De janeiro a maio de 2013, o Brasil comercializou um montante de US$ 64 milhões em pedra lapidada e US$ 21 milhões em pedra bruta, sendo que, neste ano, devemos exportar o total de US$ 200 milhões”, prevê o presidente.
Tendências do mercado mundial
Nos últimos 20 anos, Hécliton ressalta que aumentou a procura por pedras coloridas e com preços mais acessíveis, o que acabou por beneficiar o Brasil. “O mercado tem procurado por mais cor. Hoje em dia, temos pedras rosas, amarelas, champanhe, preta, entre outras cores. Devido a essa tendência, o design de joias também mudou, o que exigiu pedras mais coloridas, chamadas no mercado internacional de ‘colored stones’, sendo um dos nossos principais mercados os Estados Unidos”, aponta o especialista.
Hécliton destaca que do volume total exportações brasileiras, 2/3 são referentes a pedras lapidadas e 1/3 a pedras brutas. “O custo da lapidação no Brasil é elevado em relação ao praticado em países como China e Vietnã, por exemplo. Ou seja, no caso de gemas mais baratas, mandamos as pedras brutas e as compramos lapidadas para termos mais competitividade no mercado nacional. Já as pedras de valor maior são lapidadas no Brasil mesmo. Outras pedras brutas não têm como ser lapidadas, como a druza ametista, conhecida também como ‘capelas de ametistas’”, ressalta.

Mina de turmalina na Paraíba está no centro de fraude internacional


Mina de turmalina na Paraíba está no centro de fraude internacional

Esquema explorava ilegalmente a turmalina paraíba, uma das pedras preciosas mais caras que existem. 

A Coversa:
Rainieri Addario: É bom as pedras?
Sebastião Lourenço: Tem 150 gramas de mercadoria. 
Rainieri Addario: Isso que tirou do passado ou tirou hoje?
Sebastião Lourenço: Hoje, começou hoje.
Rainieri Addario: Glória a Deus. Eu estou falando para você que nós vamos tirar um bilhão de doláres!

Uma das pedras preciosas mais caras que existem em uma das regiões mais miseráveis do país. O Fantástico mostra como funcionava um esquema internacional para explorar ilegalmente a turmalina paraíba e levá-la para fora do Brasil.
Os repórteres Maurício Ferraz e Alan Graça Ferreira revelam como a turmalina paraíba chegava à Tailândia, em um esquema que teria conexão com um dos grupos terroristas mais temidos do mundo.
Sertão da Paraíba, cidade de Salgadinho, distrito de São José da Batalha. É uma das regiões mais pobres do país, mas guarda um tesouro valioso, 40 metros debaixo da terra.
O Fantástico teve acesso à mina que funcionava até janeiro deste ano sem autorização, sem segurança e com pouquíssima circulação de ar e iluminação.
Maurício Ferraz: Você anda, anda, anda e vai faltando o ar. Em alguns pontos da mina o que liga um túnel ao outro é um buraco de 15, 20 metros. Eles colocam madeiras e a gente tem que confiar.
O lugar está no centro de uma fraude internacional que envolvia empresários do Brasil e compradores estrangeiros, entre eles um homem do Afeganistão, Zaheer Azizi, suspeito de envolvimento com um dos principais grupos terroristas do mundo, a Al-Qaeda.

Apesar da precariedade no trabalho e dos riscos, uma preocupação a empresa tinha: fechar os túneis com grade. As grades são para evitar o roubo da pedra preciosa que era explorada ilegalmente. Os garimpeiros chamam de caolim, um tipo de uma argila. E é geralmente onde eles encontram a turmalina tão preciosa.
A turmalina paraíba é uma das pedras mais raras, mais caras e mais procuradas do mundo. Mais rara até que o diamante. “É umas das gemas mais caras que se tem pela raridade, porque o diamante, na verdade, geologicamente falando, não é tão raro quanto se pensa”, afirma Antônio Luciano Gandini, geólogo da Universidade Federal de Ouro Preto.
“A turmalina paraíba, devido ao seu neon, essa cor com essa grande luz que ela tem, ela impressiona os olhos de todo e qualquer consumidor. Nós podemos ter valores que podem começar de R$ 15 mil, R$ 20 mil e atingir até R$ 200 mil por quilate”, diz a joalheira e gemóloga Lydia Leão Sayeg.

Um quilate corresponde a 200 miligramas. O nome Paraíba vem do estado onde ela foi descoberta. Existem outros tipos de turmalina. Nenhuma tão valiosa quanto esta.

Além da Paraíba, mais três lugares do mundo produzem esse tipo de turmalina: no Brasil, no Rio Grande do Norte; e na África, na Nigéria e em Moçambique. Mas nenhum deles oferece uma pedra de maior qualidade do que São José da Batalha. “São as melhores ocorrências do mundo na Paraíba”, diz o geólogo Antônio Luciano Gandini.

Durante dois anos, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigaram minas da região. Também acompanharam os passos de garimpeiros e empresários no Brasil e no exterior com a ajuda do FBI, a Polícia Federal dos Estados Unidos. Assim, desvendaram o esquema de exploração ilegal das turmalinas paraíbas.

Rainieri Addario: É bom as pedras?
Sebastião Lourenço: Tem 150 gramas de mercadoria. 
Rainieri Addario: Isso que tirou do passado ou tirou hoje?
Sebastião Lourenço: Hoje, começou hoje.
Rainieri Addario: Glória a Deus. Eu estou falando para você que nós vamos tirar um bilhão de doláres!

Duas pessoas falam na gravação, feita com autorização da Justiça em março do ano passado: Ranieiri Addario e Sebastião Lourenço. Ranieri seria um dos donos da empresa Parazul Mineração, que explorava sem autorização a mina do começo da reportagem.
Segundo a investigação, Sebastião era um dos líderes do grupo e o responsável pela venda das pedras. “Essa turmalina, a partir do momento em que ela é extraída, ela é ensacada transportada para Parelhas, município do Rio Grande do Norte”, diz o delegado da Polícia Federal Fabiano Martins.

Em Parelhas, fica a sede da mineração Terra Branca, empresa que tem autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral para extrair pedras preciosas. Sebastião é um dos investidores. O irmão de Ranieri, Ricardo, é um dos donos.

As turmalinas, raríssimas, eram misturadas com outras de menor valor. De acordo com a investigação, essa fraude era uma forma de tentar legalizar a exploração clandestina.

“Era feito dessa forma porque a organização criminosa não tinha autorização para lavrar turmalina paraíba na mina de São José da Batalha, mas tinha autorização para lavrar em Parelhas”, conta o procurador da República João Raphael Lima.
“De Parelhas elas iam para Governador Valadares, onde elas eram lapidadas e de lá elas eram remetidas para o exterior”, afirma Fabiano Martins.
Imagens feitas por agentes do FBI em fevereiro do ano passado mostram Sebastião vendendo turmalina paraíba extraída ilegalmente em uma feira na cidade de Tucson, no Arizona, Estados Unidos.
Segundo a PF, em apenas cinco dias, o grupo teria faturado US$ 1 milhão. Ranieri e Sebastião estão entre oito pessoas suspeitas de integrar a quadrilha. Sebastião e outros cinco foram presos. Ranieri está foragido. O outro homem que segue livre é um cidadão do Afeganistão: Zaheer Azizi.

“Era um financiador do grupo aqui no Brasil. Aquelas pedras eram enviadas de alguma forma para ele e ele vendia essas pedras em vários locais do mundo”, afirma João Raphael Lima.

O esquema foi denunciado por um brasileiro especialista em pedras preciosas, que prestava serviços ao grupo.
No depoimento, gravado pela Polícia Federal, o homem faz uma afirmação sobre Azizi: “Esse pertence à Al-Qaeda”.

A PF investigou essa alegação. Descobriu que o afegão está proibido de entrar no Brasil desde 2005, quando chegou com passaporte falso. Na época, as embaixadas do Brasil nas duas cidades onde ele tem casas, Islamabad, no Paquistão, e Bangcoc, na Tailândia, enviaram telegramas para o ministério das Relações Exteriores listando as suspeitas contra Azizi.

O texto diz que há alegações de que Zaheer Azizi estaria envolvido com os crimes de lavagem de dinheiro, contrabando de joias, tráfico de drogas e subsídio ao terrorismo. A direção da Polícia Federal diz não ter encontrado provas concretas ligando Azizi a grupos terroristas.
 
“É bom frisar que são apenas suspeitas”, diz o delegado.

“No Brasil não é crime financiar o terrorismo. O Congresso Nacional brasileiro em nenhum momento editou lei que tipifique o crime terrorismo”, afirma o procurador.

O Fantástico viajou até Bangcoc, na Tailândia, para procurar uma das lojas do afegão Zaheer Azizi naquele país. A jornalista Mariana Aldano foi até um centro comercial onde se vendem apenas pedras preciosas. Lá, paraíba é sinônimo de luxo e riqueza.
Maria Aldano: Bastou dar uma voltinha no shopping que a gente já encontrou uma prateleira cheia de turmalina paraíba. Depois de passar pelo controle de segurança, a gente conseguiu chegar até uma das lojas do Azizi e vamos ver se eles dão autorização e mostram para gente a turmalina paraíba.

Após se identificar como jornalista, a repórter é obrigada a apagar o que tinha filmado. Mas ela continua a gravar o áudio. O homem diz que o chefe é o senhor Azizi e que ele não está.

Segundo a investigação, era de escritórios como o citado que Azizi acompanhava seus negócios no Brasil, em tempo real, por câmeras de segurança. Em uma gravação, de novembro do ano passado, Azizi, em Bangcoc, conversa com Sebastião, na Paraíba:

Sebastião: Alô.
Zaheer Azizi: Oi.
Sebastião: Ei, Azizi.

O afegão deixa claro que consegue ver o brasileiro. “Eu posso vê-lo", diz Azizi.

Em nota, o advogado de Sebastião Lourenço afirma que Sebastião e Azizi se conhecem há muitos anos, e que o afegão é um cliente importante. Ele nega que Sebastião comercialize pedras da Parazul, a empresa que extraía ilegalmente a turmalina paraíba.

O advogado de Rainieri Addario também nega as acusações e diz que seu cliente não é mais sócio da empresa. “Ranieri foi vítima também dos que hoje administram a Parazul”, diz Ivanildo Albuquerque Filho, advogado de Rainieri Addario.

O irmão de Rainieri, Ricardo, também falou. Ele é dono da mineração Terra Branca, empresa do Rio Grande do Norte, onde, segundo a investigação, as pedras eram repassadas como legais. “Nós não temos nenhum vínculo com o que acontece na Paraíba para lá”, afirma Ricardo Addario, dono da mineração Terra Branca

Ele também afirma que não tem nenhum tipo de relação com o irmão. “Não vejo, não vi, ele não frequenta a minha casa", afirma Ricardo Addario. 
“O Ministério Público Federal irá processar essas pessoas por organização criminosa com tentáculos internacionais, crime de usurpação do bem da União, crime ambiental”, afirma o procurador João Raphael Lima.
“Toda essa riqueza ia parar no exterior sem qualquer benefício para comunidade. Eles cavavam de uma forma rudimentar, absolutamente precária”, diz o delegado da Polícia Federal Fabiano Martins.
Situação que o Fantástico registrou, caminhando, com cuidado, pela mina em São José da Batalha.
Maurício Ferraz: Tudo muito improvisado. A fiação, molhada. A madeira que faz escoramento está bem podre, úmida. Eram nessas condições que os garimpeiros trabalhavam.

PEDRAS PRECIOSAS AINDA MANTÊM A ECONOMIA DE MUITAS CIDADES DO VALE DO JEQUITINHONHA

PEDRAS PRECIOSAS AINDA MANTÊM A ECONOMIA DE MUITAS CIDADES DO VALE DO JEQUITINHONHA

Peças em miniaturas ( cristais com turmalinas) encontradas em Taquaral no municipio de Itinga MG
Peças do comerciante de pedras preciosas José Maria Martins

  O município de Itinga, na região do vale do jequitinhonha que a cada ano, nota-se que a agricultura e a pecuária vem sofrendo devido a diminuiçao das chuvas na região, os seus trabalhadores encontraram no garimpo a sua alternativa para tirarem a seu sustento, e o distrito de Taquaral, no municipio de Itinga e um ponto de pedristas de Teofilio Otoni para comprar turmalinas, cristais e outros minérais que a natureza agraciou esse povo sofrido.
 Em Taquaral, o ex-garimpeiro, José Maria Martins, profundo conheçedor de minérios e gemas, juntamente com o seu filho Carlos Francisco Martins e  o seu sócio José Donizeti, há muitos anos comercializam pedras preciosas e ornamentais(veja fotos), eles dispoe de uma variedade de pedras e coleções. A região do vale do jequitinhonha certamente produz cerca de 80% das gemas encontadas na capital das pedras preciosas (Teofilio Otoni), e, Taquaral e Jenipapo no municipio de Itinga têm grande peso sobre esses numeros. É esse rico chão, que além da beleza das gemas, também e riquissímo em feldspato, petalita, albita, espodumênio, lepidolita entre tantos outros minérios industrias.
 Nestes últimos anos aumentou bastante a retirada de granito em Itinga e região, o municipio tem grandes jazidas de granito que são bem cotados no mercado interno e principalmente no externo, mas ainda são as gemas (turmalinas) o sonho de muitos garimpeiros que es

Garimpeiros trabalham até 12 horas para garantir renda na Paraíba


Garimpeiros trabalham até 12 horas para garantir renda na Paraíba

Cooperados extraem, beneficiam e lapidam as pedras em Nova Palmeira.
Investimentos permitirão analisar a pureza e confeccionar joias na cidade.

Do G1 PB, 

“O garimpeiro sempre viveu uma escravidão moderna”. É assim que João de Deus Oliveira se refere à rotina de trabalho dele e de outros 85 homens que fazem parte da Cooperativa de Garimpeiros da cidade de Nova Palmeira, na região do Seridó paraibano. João, que trabalha há 40 anos dentro das minas, explica que encara uma jornada de mais de 12 horas diárias para extrair da terra as pedras e minérios que garantem a sustentação dos cooperados.
Em seu depoimento à TV Paraíba, João avalia que “fala-se que a escravidão foi abolida, mas o garimpeiro sempre viveu uma escravidão moderna". "Na nossa sociedade, em que o sistema está monopolizado na mão de poucas pessoas, um cara como eu que não tive oportunidade de estudar, não tem oportunidade. A gente imagina outra coisa, mas o mercado não abre as portas por conta da limitação que é o estudo, daí acabamos no garimpo”, explica.
Segundo os dados da cooperativa, num dia bom de trabalho, os garimpeiros conseguem extrair até 200 kg de mica, um mineral brilhante utilizado na indústria eletrônica. Cada quilo deste minério é vendido ao preço de R$ 0,45 para o atravessador e 10% dos lucros são entregues aos donos das terras. O valor das pedras brutas é baixo em comparação ao mesmo minério após ser lapidado. O quartzo rosa, também encontrado no local, vale de R$ 1 a R$ 5, mas a pedra lapidade pode custar mais de R$ 50.

Município depende da mineração
Nova Palmeira tem aproximadamente 5 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e cerca de 90% da renda do município vem da mineração. Após extraídas, as pedras passam pela usina de beneficiamento, onde são divididas por tamanho, e as que são selecionadas seguem para o centro de lapidação, onde ganham a forma de jóias. Segundo a cooperativa, neste setor trabalham 36 mulheres que são cooperadas.
De acordo com Ruthinea Dilenna, presidente da cooperativa dos garimpeiros, a previsão é de em breve seja construído um centro de análise de pedras, para determinar a pureza das gemas, e uma usina de fundição, que vai permitir a confecção de semi-jóias. “Daqui a uns três meses já estaremos agregando valor aos minérios. A jóia já tem condição de sair pronta de Nova Palmeira”, explicou Ruthinea.
Medo de acidentes
Apesar do trabalho árduo, muitos garimpeiros continuam a trabalhar no local, como é o caso de Antônio Vieira, que é garimpeiro há 30 anos e já chegou a perder um dedo em uma explosão errada em uma das minas. “A dificuldade que a gente tem é o medo de cair as pedras em cima de nós, mas eu acho muito bom o trabalho no garimpo”, diz Antônio.
Já Renildo da Silva, de 28 anos, trabalha em busca da riqueza. Ele já chegou a ganhar dinheiro com uma pedra de tantalita, também usada na indústria eletrônica, mas não perde a esperança de conseguir algo mais valioso, como a turmalina paraíba, que é uma das pedras mais raras do mundo, sendo encontradas em apenas cinco minas em todo o planeta. “Ganho o dinheiro que mantenho minha família e já está bom. Mas quem sabe um dia eu não acho uma pedra preciosa e mudo de vida? O sonho permanece”, completa Renildo.

A lenda da Esmeralda ...Colheita de uma só safra

A lenda da Esmeralda ...Colheita de uma só safra

                                       Coleção de canudos gigantes em formação de esmeraldas Carnaíba na rocha mãe



A  "Pessoa  de Pedra" em forma de canudos gigantes de esmeraldas na imagem acima,  congela um último carinho e palavras  de despedida.
Estamos em 1998, nosso "stand" na Feira livre de Pedras Preciosas. Acabava de vendê-las e estavam para serem cuidadosamente embaladas (todo um know-how) para a viagem, juntamente com as outras  peças  menores ao total de 4 peças, por 150 mil dólares. 
Durante uma semana convivi intensamente com estas preciosidades, ficava horas a fio a  registrar na memória cada canudo que ela continha, o cromo de seu vanádio, seus pontos cristalizações, terminações, formas de inculsões, trincas...As energias ocultas que moravam nelas. 
Iriam segundo seus compradores, um casal de gemólogos austríacos, morar num museu de mineralogia em Viena.
Esclarecemos que foi ex-work nosso tipo de venda, cabendo de nossa parte um certificado de origem do Sindicato dos Garimpeiros. Nas transações de exportações ex-work, quem cuida de todos os procedimentos como GE (guia de exportação, transporte, etc)  é o  COMPRADOR. 
Na transação a mim restou 5% de comissão e um pequeno canudo de esmeralda como um mimo do vendedor (Sr Assis) de não mais de 10 gramas, que tenho como pedra de estimação.
Referimos xamânicamente "Pessoa de Pedra"  indo no post, tudo explicadinho com um monte de dicas sobre como usar a energia das gemas minerais, mas volta aqui  tá? :  Metagemologia "A ciência oculta das gemas".
Esta magnífica "Pessoa de Pedra" que mnc está mergulhada na apreciação e reverência na foto,  especialmente por ter reconhecido nela  sua beleza, raridade, energia emanada. Sabia que nunca mais iria encontrar outra similar...
 Vulgarmente os comerciantes denominam peças como esta acima de "CANGA",   conteúdo da cangalha  imposta aos burros...Não ao acaso, é uma estratégia dos compradores nominar gemas minerais com nomes depreciativos, facilita a "Bacia das Almas", metáfora usada pelos garimpeiros quando vendem a um preço irrisório seus "cambalachos", muitas vezes por uma feira de feijão, toucinho e querosene. 
Cambalacho é também  outra palavra criada para depreciar lotes de gemas minerais, enquanto estão na mão do "Cambalacheiro"  profissional nativo que as vendem. Depois já nas grandes Joalherias , transformam-se e multiplicam   ao infinito o valor... "Ametista rose du France",   "Quarzos Green Gold" , "Água Marinha Marta Rocha (pela cor dos Olhos da Miss)" , Safira Lady Diana....
Durante muitos anos trabalhamos no árduo ofício de  intermediária e intérprete no Gem trading, do qual era carinhosamente apelidada  "Rainha dos cambalacheiros", posto meu trabalho de secretária executiva  uma das  criadoras da "ACOMPEDRAS", ass dos corretores do comércio de pedras preciosas de Teófilo Otoni. O saudoso Gemólogo Horizon começou com esta brincadeira por minha atitude aguerrida em relação às mazelas do ramo...Um reino que abdiquei por uma vida simples á beira mar em Arraial d'Ajuda no trem dos 500 anos, após inúmeros dissabores, canos levados. Me faltava brilho de cifrão nos olhos.
Infelizmente no Brasil nossas riquezas minerais saem pelo ralo obscuro do contrabando, para brilharem e enriquecerem terceiros especuladores, que não pagarão o impacto ambiental causado pela sua exploração.  Nas áreas  gemíferas do Brasil não vemos nenhum retorno da riqueza produzida, muito pelo contrário,  quanto mais rico suas entranhas, mais  miserável é sua população.
Por esta e outras é que deixamos de trabalhar nesta área, ao apreciar uma gema como esta acima o brilho dos olhos viam da admiração pelas maravilhas que a alquimia no interior da Terra gerou, num remotíssimo passado, há centenas de milhares de anos, as tramas que o Arquiteto do Universo revela. temos agora uma outra relação não comercial com elas...Como o HD de safira que dura 10 milhões de anos e que vai armazenar dados para gerações futuras...
Em nosso labutar, estivemos em inúmeros garimpos, Veja aqui, post "As pedras do caminho", inclusive no Garimpo de Carnaíba, berço de esmeraldas, de onde saíram estas da imagem acima e a que está causando o maior frisson na Mídia desde 2009. Avaliada em 2 bilhões de dólares, voltou á pauta das head lines pelo Fantástico que contou a história da Esmeralda Baiana...
Foi na Carnaíba, Campo Formoso, encravado no agreste baiano que aprendi uma lição daquelas que vão para o resto da vida. Estava acompanhando um Inglês comprador, e na casa de um rico proprietário de garimpo, que ao longo de sua vida tirando a cabeceira de diversos lotes de esmeraldas, juntou um lote de 4 milhões de dólares em  canudos cristalizados, de verde musgo, para lapidação(a pedra mais difícil de comprar em bruto).  Ao canto uma criança de uns 6 anos de idade, fiz uma gracejo tentando conversar com a garotinha, não havia percebido ainda... O pai, proprietário do rico tesouro exposto à minha frente, chamou a Mãe para que a retirasse do recinto...Disse a ele, que a presença da menina a nada nos incomodava. Num desabafo nos contou, a menina,  faltou oxigênio quando nasceu, naquele lugar sem nenhuma recurso, nunca iria andar, falar, entender...Daria toda aquela fortuna para que pudesse ver sua filha normal como as outras crianças...
Em  parâmetros gemológicos comparativos, a denominada  bafhônica"Esmeralda Baiana"   centro de disputa e a que acariciamos na imagem acima, é infinitamente maior sua qualidade, não só pela quantidade e qualidade  dos canudos (Mais verdes e terminados), pelo tamanho e pelo peso. Tire sua conclusão também comparando as 2.  Analisando com olhos técnicos, nota-se que a esmeralda bafhônica tem muito mais xisto (matriz), do que canudos, e os canudos estão danificados, sem terminação, tem muito carvão e trincas. Não se pode lapidá-las, só algumas partes mínimas, biriba para indiano tratar. 
Em termos comercias, a esmeralda baiana foi penhorada como moeda de troca para consignação de um lote de diamantes, 
supomos que o dono do lote de diamantes desconhecia o exato valor da peça. Como frisamos, esmeralda bruta é a pedra mais difícil de ser avaliada, só experts lapidários sabem avaliar o porvir, posto que são frágeis e suas trincas se rompem com facilidade...Teve até uma época da esmeralda cabo de escova de dente, em que o pessoal moia as de cor verde esmeralda e introduziam nas fendas, quando o pobre ia lapídar, esfarelava tudo, foi a ruína de muito gringo distraído, que mesmo sendo especializado em esmeralda lapidada se metia a comprar bruto
Claro que foi um golpe, o lote de diamantes valia 400 milhões de dólares e o Thomas adquiriu por 50 mil a Pessoa de Pedra dele. 

Os  parâmetros acima descritos, no trading de espécimes minerais para colecionadores é motivo de desvalorização. Este tipo de prospecção tem de ser elaborada na base da picareta, sem explosivos, exatamente para se preservar a forma exata que a Mãe Terra lapidou, este é valor eixo. Os colecionadores de espécimes raras consideram um heresia lapidar ou colar, remendar, qualquer pedacinho que seja...São muito experientes e reconhecem imediatamente alguma possível fraude. 
Em termos de sustentabilidade, o garimpo artesanal de gemas minerais, causam um impacto infinitamente menor do que os das grandes mineradoras, que usam dinamites e maquinário pesado, e à medida que o mercado de gemas raras e mineral speciments  cresce, o cuidado em cavar o solo torna-se maior. 
Vale lembrar que todo garimpo para ser regulamentado pelo IBAMA  precisa de estudo de impacto ambiental e um plano de manejo sustentável, depois de explorado o veio, é obrigação fechar o buraco e reflorestar a área. 
No garimpo de gemas minerais não se usam mercúrio, nem produtos químicos.
Em nossos próximos posts,  aprofundaremos mais na História da produção de esmeraldas no Brasil e entrevistas com seres lendários do garimpo e seus cauzos, nas ondas sonoras de  nosso blog-radiotube.
Um grande abraço a todos e muito obrigada pela visita! 






Tamara Audi, The Wall Street Journal – VALOR


Pouco antes do Natal, investigadores do Departamento de Polícia de Los Angeles, na Califórnia, desmontaram um caixote de madeira do lado de fora de um depósito para encontrar o que procuravam há meses: uma esmeralda brasileira de quase 400 quilos que teria sido roubada.
Agora, a tarefa deles é descobrir quem é o dono da pedra. Até agora, pelo menos cinco pessoas reclamam a propriedade.
“Parece que quanto mais eu falo com as pessoas, mais pessoas alegam ser donas disso”, disse o tenente Thomas Grubb, que chefia o time de investigação do caso. “Ainda não conseguimos saber quem não é suspeito, de verdade.”
Diante da dificuldade de determinar quem é o verdadeiro dono da esmeralda, Grubb decidiu mantê-la trancada enquanto a investigação prossegue. Enquanto isso, uma corte civil de Los Angeles planeja ouvir vários reclamantes amanhã.
Grubb, que passou a maior parte dos 26 anos de carreira investigando o narcotráfico, tomou conhecimento do caso em setembro passado. Um homem chamado Larry Biegler ligou para a delegacia dizendo que sua esmeralda gigante havia sido roubada de um depósito na área de Los Angeles. A pedra vale perto de US$ 400 milhões, disse ele.
Os detetives de Grubb começaram então a investigação. Eles descobriram que a esmeralda estava sob a posse de dois empresários, Todd Armstrong e Kit Morrison, que foram encontrados numa pequena cidade no oeste do Estado de Idaho, chamada Eagle. Quando os detetives chegaram lá, Armstrong estava tentando vender a esmeralda. “Topamos com um imprevisto”, Armstrong diz ter falado a seu comprador.
Os homens de Idaho disseram que a esmeralda lhes pertence. Eles afirmaram ao Wall Street Journal que pagaram a Biegler US$ 1 milhão por diamantes que nunca receberam. Segundo eles, Biegler colocou a esmeralda como garantia dos diamantes. Como essas pedras não foram entregues, eles tiraram a esmeralda do depósito de Los Angeles. Eles mostraram aos detetives uma pilha de documentos que, segundo eles, sustentariam seus argumentos.
Biegler, um comerciante de pedras preciosas e investidor imobiliário, nega a afirmação dos empresários de Idaho. Ele diz que cumpriu sua parte no negócio com os diamantes e que os dois homens concordaram em pagar US$ 80 milhões, preço aceito por ele.
A dupla de Idaho aceitou deixar a esmeralda com os investigadores até que a questão fosse resolvida. Mas a pedra preciosa nem estava em Idaho. Armstrong e Morrison a haviam colocado num armazém de segurança em Las Vegas.
Grubb passou então a preparar a viagem a Las Vegas. Na manhã em que os investigadores saíram para pegar a esmeralda, ele lhes disse: “Vamos parar no caminho e fazer um bom café da manhã. Vamos pegar uma prova de US$ 400 milhões. Não vamos parar na volta”.
Quando Grubb finalmente colocou os olhos na pedra, ele disse: “Nem parecia de verdade”.
Quem a viu a descreve como um bloco negro com cilindros de cristal verde que saem dele como braços. Especialistas em pedras preciosas dizem que cristais brutos com essas dimensões são raros. Uma esmeralda como essa normalmente não seria quebrada em pedaços para a fabricação de jóias. O mais provável é que seja vendida intacta para um colecionador privado ou um museu. Uma avaliação feita no Brasil fixou o preço da pedra em US$ 372 milhões, de acordo com documentos apresentados ao tribunal de Los Angeles.
No entanto, George Harlow, curador de minerais e gemas do Museu de História Natural de Nova York, diz que os espécimes minerais mais interessantes podem levar o preço para alguns milhões de dólares. “Mas centenas de milhões? Desconheço qualquer tipo de pedra preciosa que tenha chegado a esse preço.”
Até agora, a esmeralda baiana não chegou a ser vendida por nenhuma fortuna. Mas, certamente, está perto disso. Ela foi extraída de uma mina na Bahia, em 2001. As esmeraldas do Estado estão entre as mais antigas da Terra, formadas dois bilhões de anos atrás, segundo o Instituto de Gemologia da América.
Os primeiros donos da pedra foram Elson Alves Ribeiro dono da empresa de exportação Folheados Paulista, e seu sócio Ruy Saraiva, de acordo com documentos apresentados ao tribunal por Ken Conetto, um empresário de San Jose, na Califórnia.
Em 2005, Ribeiro e Saraiva mandaram a esmeralda para Conetto, nos EUA, que diz ter mantido a pedra guardada em San Jose enquanto tentava achar um comprador. Ele disse que não pagou pela pedra, mas concordou em dividir o lucro com os brasileiros.
De San Jose, Conetto enviou a gema para New Orleans, onde julgou ter um comprador certo. Quando o furacão Katrina chegou, ele inundou o armazém onde a esmeralda estava guardada, diz Conetto. A pedra ficou submersa durante semanas, e a venda não foi concluída. A esmeralda voltou a San Jose.
Conetto recrutou Biegler para ajudá-lo a vender a pedra.
Eles achavam que poderiam encontrar possíveis compradores em Los Angeles. Então, em junho passado, puseram a pedra numa perua e foram eles mesmos dirigindo, disse Conetto. No meio do caminho, o carro quebrou, deixando os dois homens e sua esmeralda no meio de uma autoestrada. Eles empurraram a van até um hotel. Conetto disse que pagaram à dona do hotel e ao namorado dela para ajudar a botar a esmeralda em outra van.
Finalmente, a pedra chegou ao condado de Los Angeles, onde ficou num armazém.
Mas as relações começaram a deteriorar entre Biegler e Conetto, segundo ambos. Biegler disse ter tomado posse da pedra depois que Conetto a usou como garantia de um empréstimo que não pagou.
Conetto diz que, de fato, nunca pegou o dinheiro e que a esmeralda ainda lhe pertence.
Não é raro que gemas sejam usadas como instrumentos financeiros para acordos de negócios, passadas para lá e para cá em papéis entre corretores mesmo sem nunca sair do cofre. Isso pode levar a que várias partes usem um maço de documentos para reivindicar direitos sobre a mesma gema.
Enquanto isso, outros reclamantes continuam a surgir. Anthony Thomas, um comerciante de gemas dos arredores de San Jose, diz que é o dono porque pagou US$ 60.000 pela pedra aos brasileiros, em 2001. Thomas também deu entrada numa ação no tribunal de Los Angeles.
Amanhã, o tribunal vai comçar a ouvir as histórias das partes que disputam a propriedade da pedra. A esmeralda, contudo, continua tracafiada sob a custódia da polícia.