domingo, 17 de julho de 2016

Riqueza peculiar que brota do solo de Pedro II, a opala é um símbolo do município

Riqueza peculiar que brota do solo de Pedro II, a opala é um símbolo do município

Riqueza peculiar que brota do solo de Pedro II, a opala é um símbolo do município. Sabendo disso, o apresentador Amadeu Campos, foi até a mina do Boi Morto, tentar garimpar a preciosa gema.
 

Com a ajuda dos trabalhadores Cícero Nascimento e Antonio Ferreira Neto, conhecido como Marola, Amadeu Campos colocou capacete, luvas e pôs suas mãos à obra. Depois de escavar um pouco, o jornalista acabou encontrando uma pedra, que segundo o mineiro, tem boa qualidade.


"Achei é minha, posso levar?", "pode", autorizou o garimpeiro.



Em seguida, Amadeu Campos mostrou o processo de peneiragem, lavagem e preparo para a venda da opala. Marola contou como foi descoberta a primeira opala no Boi Morto. “Um nativo da região ao fazer a capina encontrou uma pedra que chamou a sua atenção pelo brilho e colorido. Uma amostra foi levada ao Rio de Janeiro por um coronel para análise e lá detectaram a existência de opala no Piauí”, destaca o garimpeiro. A mina do Boi Morto é uma das mais famosas do mundo.



De outros pontos da cidade, a repórter Indira Gomes mostrou o ponto importante da cachoeira, ressaltando o potencial do ecoturismo e Dânio Sousa seguiu viagem para a cidade em uma Rural do ano de 1975. Estes veículos são muito comuns em Pedro II.



Alta do ouro reativa produção em minas históricas brasileiras

Alta do ouro reativa produção em minas históricas brasileiras


Mina de ouro em Pilar de Goiás (Foto: João Fellet/BBC Brasil)
Brasil está recebendo investimentos bilionários para voltar à lista dos principais exploradores de ouro
Maior produtor mundial de ouro entre 1700 e 1850, o Brasil está recebendo investimentos bilionários para voltar à lista dos principais exploradores do minério.
Paralelamente, o governo está intensificando o combate ao garimpo ilegal de ouro na Amazônia, foco de atritos em regiões de fronteira, num esforço que também visa formalizar o setor para tirar proveito dos altos preços do minério.
Hoje na 11ª posição do ranking dos produtores, segundo o Serviço Geológico Americano (USGS), o país pode subir ao 7º posto caso os planos do governo de dobrar a extração de ouro até 2017 se concretizem. Para cumprir a meta, espera-se que o setor receba US$ 2,4 bilhões em investimentos entre 2011 e 2015.
A meta do governo, expressa no último Plano Nacional de Mineração, se sustenta nos preços do minério, que dobraram desde o início da crise econômica mundial, em 2008.
Considerado um investimento seguro em tempos de instabilidade nas bolsas e forte oscilação de moedas, o ouro valia cerca de US$ 800 a onça (31 gramas) no fim de 2007. Hoje está cotado em US$ 1.600. A valorização tornou rentáveis minas com baixo teor de ouro e outras já exploradas, antes tidas como esgotadas.
Entre as minas que serão reabertas está a de Serra Pelada, no sudeste do Pará. A mina atraiu milhares de migrantes nos anos 80 e fechou em 1992, em meio ao declínio da produção. Celebrizada pelas fotografias do "formigueiro humano" que abrigava, foi considerada o maior garimpo a céu aberto do mundo.
Outras minas que serão reabertas estão a de Riacho dos Machados, em Minas Gerais, e a de Pilar de Goiás.
Em 2011, segundo o USGS, o Brasil produziu 65 toneladas de ouro. A maior produtora mundial é a China, com 345 toneladas. Na América Latina, a produção brasileira é superada apenas pela do Peru, com 170 toneladas.

Incremento

Responsável por 26 das 65 toneladas de ouro extraídas anualmente no Brasil (17% do total), a mineradora canadense Yamana espera aumentar em 11 toneladas (40%) sua produção até 2014. O incremento virá de três novas minas na Bahia, Mato Grosso e Goiás.
Com o início da operação da última delas, em Pilar de Goiás, a exploração do minério será retomada num município fundado em 1741, durante a primeira corrida ao ouro no Brasil.
Desta vez, porém, a mina será explorada com alta tecnologia, em túneis subterrâneos que ultrapassam 5 quilômetros de extensão.
Segundo a Yamana, a mina terá porte médio, com produção média de 3,7 toneladas de ouro ao ano. Estima-se que cada tonelada de rocha na mina contenha 2 gramas de ouro. O metal será extraído por explosivos e separado por um longo processo de refino.
O comerciante Delfim José de Amorim conta que se assustou com o "inchaço" na cidade. "Nos pegaram com as calças na mão", diz à BBC Brasil.
Segundo ele, os moradores terão de ser qualificados pela empresa para poder pleitear os empregos na mina – a Yamana diz ter como meta usar ao menos 75% de mão de obra local em seus empreendimentos.
"Não estamos preparados para enfrentar o progresso", diz o comerciante. Mas mesmo que não consigam empregos na mina, afirma Amorim, os habitantes de Pilar esperam que a cidade se beneficie dos impostos a serem arrecadados com a atividade.
Conforme os critérios atuais para a divisão desses impostos, conhecidos como royalties, 0,65% do faturamento com a venda de ouro numa mina fica com o município produtor – a União abocanha 0,12%, e o Estado produtor, 0,23%.
O governo pretende levar ao Congresso, porém, proposta para elevar a cobrança de royalties para o ouro e outros minérios.
Refino de ouro (Foto: João Fellet/BBC Brasil)
Ouro é considerado investimento seguro em tempos de instabilidade nas bolsas e forte oscilação de moedas
No entanto, as mineradoras afirmam que alterações podem frustrar os planos do governo de aumentar a produção. "Faz-se investimento com base no que está estabelecido. Mudanças nas regras do jogo sempre preocupam", afirma Portugal, da Yamana.
A falta de mão de obra capacitada é outro entrave ao incremento da produção, ele diz, ecoando o relato de Amorim. "Custa muito investir na formação, e não estamos conseguindo suprir a demanda. É difícil levar um profissional para uma área remota se ele tiver oportunidade de trabalho em Belo Horizonte, São Paulo ou Vitória."

Megaoperação na Amazônia

Enquanto mineradoras correm para tirar seus projetos do papel, o governo atua para frear a mineração ilegal.
Na Amazônia, 8.700 militares participam desde o último dia 2 de uma megaoperação que busca, entre outros objetivos, combater garimpos ilegais nas fronteiras com a Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. A ação, denominada "Ágata 4", mobilizará por um mês 11 navios, nove helicópteros e 27 aviões.
Na operação, os militares fecharam cinco minas ilegais, apreenderam 235 embarcações e destruíram duas pistas de pouso usadas por garimpeiros.
A iniciativa se soma a três operações da Polícia Federal (PF) ocorridas desde o ano passado para combater o garimpo ilegal de ouro na região Norte.
O governo brasileiro vem sendo cobrado especialmente pela Guiana Francesa, Guiana e Suriname para controlar a ação de garimpeiros brasileiros na fronteira com esses países, atividade desenvolvida há décadas, mas que ganhou novo fôlego com a alta dos preços.
No dia 25 de abril, num sinal da crescente tensão na região, cerca de cem mineradores brasileiros foram presos na Guiana.
Ao combater o garimpo ilegal, o governo também busca aumentar a formalização do setor e valer-se dos altos preços do minério para melhorar o balanço comercial.
Em 2011, o ouro foi o segundo minério que mais gerou receitas para o Brasil em exportações. Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a atividade rendeu US$ 2,2 bilhões ao país. Os ganhos só foram superados (ainda que com larga folga) pelos da exportação de minério de ferro, que alcançaram US$ 41,8 bilhões.

Operação apreende 960 toneladas de pedras semipreciosas no RS

Operação apreende 960 toneladas de pedras semipreciosas no RS

Vistoria foi realizada durante a semana na Região Noroeste do estado.
Ação resultou na prisão de três empresários e R$ 2 milhões apreendidos.

Do G1 RS
Uma ação conjunta de fiscalização entre Ibama, Polícia Federal e Polícia Ambiental da Brigada Militar realizou durante esta semana vistoria em áreas de mineração de ágata na Região Noroeste do Rio Grande do Sul (Foto: Paulo de Tarso Silva de Menezes/Ibama)Uma vistoria foi realizada em áreas de mineração de ágata (Foto: Paulo de Tarso Silva de Menezes/Ibama)
Cerca de 960 toneladas de ágata, uma pedra semipreciosa usada para a fabricação de joias e objetos de decoração, foram apreendidas durante uma ação conjunta de fiscalização nesta semana em áreas de mineração na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Três empresários foram presos.
Iniciada na segunda-feira (13), a ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Polícia Federal e Polícia Ambiental da Brigada Militar também resultou na apreensão de bens que ultrapassam R$ 2 milhões e multas no valor de R$ 230 mil.
No município de Salto do Jacuíx, a 284 quilômetros de Porto Alegre, um empresário ligado à mineração foi preso no primeiro dia da ação. Dois autos de infração do Ibama foram emitidas, um por descumprimento de embargo (área interditada pelo órgão ambiental) no valor de R$ 100 mil, e outro por extração mineral não licenciada, no valor de R$ 12 mil.
Uma ação conjunta de fiscalização entre Ibama, Polícia Federal e Polícia Ambiental da Brigada Militar realizou durante esta semana vistoria em áreas de mineração de ágata na Região Noroeste do Rio Grande do Sul (Foto: Paulo de Tarso Silva de Menezes/Ibama)Ágatas foram apreendidas em operação
(Foto: Paulo de Tarso Silva de Menezes/Ibama)
Na mesma operação, foram apreendidas 90 toneladas de ágatas e diversos equipamentos, como uma retroescavadeira hidráulica, um trator de esteiras, uma bomba de sucção, uma pá carregadeira e dois caminhões prancha e caçamba. De acordo com o chefe do escritório do Ibama em Santa Maria, Tarso Isaia, estavam sendo exploradas diversas áreas que haviam sido embargadas em 2010  por operarem sem licença ambiental do órgão responsável ou em locais diferentes daqueles previstos nas licenças.
Na terça-feira (14), a Polícia Federal efetuou duas prisões de dois empresários ligados à mineração no município de Campos Borges, também na Região Noroeste do estado. Um multa do Ibama também foi lavrada, por extração mineral não licenciada, no valor de R$ 18 mil. Foram apreendidas 660 toneladas de ágatas, três retroescavadeiras hidráulicas e três caminhões-caçamba, uma bomba de sucção e 4 mil litros de óleo.
Na última etapa da fiscalização, realizada na quarta-feira (15), um auto de infração por extração mineral não licenciada foi lavrado no valor de R$ 100 mil. Além disso, 210 toneladas de ágata e três toneladas de drúzias de ametista foram apreendidas.
Uma ação conjunta de fiscalização entre Ibama, Polícia Federal e Polícia Ambiental da Brigada Militar realizou durante esta semana vistoria em áreas de mineração de ágata na Região Noroeste do Rio Grande do Sul (Foto: Paulo de Tarso Silva de Menezes/Ibama)Na quarta-feira, 210 toneladas de ágata foram apreendidas (Foto: Paulo de Tarso Silva de Menezes/Ibama)

Multidão atrás do sonho de riqueza em Itabira

Multidão atrás do sonho de riqueza em Itabira

A Mineração Rocha está desativada desde dezembro do ano passado, por causa de problemas entre os sócios, depois de seis anos de pesquisa. Os advogados da empresa entrariam ainda ontem com o pedido de reintegração de posse da área.
A notícia de que alguém “fez dinheiro” na região abandonada atraiu centenas de pessoas e elas não param de chegar, há quase uma semana, vindas de cidades vizinhas a Itabira ou até mesmo de outros estados, em busca do sonho verde: as esmeraldas. Famílias inteiras largaram outros garimpos na busca da riqueza.
Marta Selma Ferreira de Queiroz, de 40 anos, trabalhava até quatro dias atrás como cozinheira do garimpo de Capoeirana, em Nova Era. Quando soube da novidade, não teve dúvidas. Ela, os dois filhos, dois sobrinhos e três irmãos resolveram se aventurar em novas terras. Há quase dois dias sem dormir, ela ainda tinha a esperança de conseguir pelo menos uma pedrinha.
Mas a vontade mesmo era ter pelo menos R$ 100 mil em esmeraldas, o que seria suficiente para comprar a casa e garantir os estudos dos filhos, que saíram da escola para acompanhá-la na extração de minerais. “Estou há 12 anos no garimpo e tudo o que consegui até hoje só deu para comer.
Mas ainda tenho esperança. Isso aqui é igual a um jogo e depende de sorte. Muitos já enriqueceram e penso que o mesmo pode acontecer comigo”, relatou.
Na mina conhecida como rochinha, tem gente virando noite. Os boatos dão conta de alguns que já conseguiram R$ 10 mil, R$ 30 mil e até mais de R$ 100 mil em esmeraldas e, claro, saíram do local. O garimpeiro João da Silva Oliveira, de 34, saiu de São Paulo para explorar as minas no entorno de Itabira. Com uma porção de pedras nas mãos, ele não conseguia ainda calcular o lucro, pois tudo vai depender de futuras negociações. “É uma aventura para correr atrás do que não conseguimos guardar”, disse.
Cleriston Honório Lima, de 64 anos, mais de 50 deles dedicados ao garimpo, preferiu só assistir dessa vez. No porta-malas do carro, ele pôs todo o seu estoque de bebidas – água, refrigerante e cerveja – que servem para refrescar os trabalhadores. “Não aguento mais me aventurar nisso, mas conheço muita gente que ficou rica. A esperança é real”, afirmou. Já Bernardo Vasconcelos, de 27, saiu de Teófilo Otoni de olho em futuros negócios. “Quero comprar as pedras para revender e ter lucro.”

Garimpeiros arriscam a vida em busca do “ouro verde”

Garimpeiros arriscam a vida em busca do “ouro verde”

Garimpeiros arriscam a vida em busca do “ouro verde”
BAHIA
No mês em que o mundo parou para ver o resgate de 33 mineiros em Copiapó, no deserto do Atacama, no Chile, a reportagem de Com Ciência Ambiental esteve visitando a Serra da Carnaíba, conhecida também como a “Terra das Esmeraldas”, localizada no distrito que leva o mesmo nome, no município de Pindobaçú, no norte da Bahia. Descoberto no final de 1963, o garimpo da Serra da Carnaíba continua sendo um lugar de cobiça e aventura, e o sonho de ficar milionário da noite para o dia continua vivo. Em cada “corte”, local onde se realiza o garimpo, a esperança de encontrar o veio das esmeraldas mantém homens e mulheres trabalhando 24 horas, alheios aos iminentes riscos de acidentes.
Para chegar até o local de trabalho dos garimpeiros, é utilizado um carretel, guincho usado para alçar e descer pessoas e materiais até o fundo das minas. Preso a um “cavalo”, espécie de cinta confeccionada com pedaço de pneu, os mineradores, chamados de garimpeiros, descem até o fundo das grunas (galerias onde se realiza o trabalho de extração de minérios), que podem chegar a mais de 300 metros de profundidade.
De baixo do chão, onde a temperatura é escaldante, beirando os 40 graus, os trabalhadores manipulam dinamite, respiram fuligem e estão sujeitos a desabamentos o tempo todo. Os garimpeiros reconhecem que o risco de morrer é real, mas segundo eles, pode compensar, uma vez que dois gramas de esmeralda de boa qualidade podem ser vendidos por até 5 mil dólares.
Na maioria dos “cortes” ou “serviços”, a exploração da esmeralda, conhecida também como “ouro verde”, é feita de forma rústica. Por exemplo, o ascensorista é quem controla o que sobe e desce – de pedras a pessoas. A máquina, movida a diesel, tem dois comandos: acelerador e freio. Geralmente a comunicação com o interior da mina é feita por meio de um tubo de PVC, usado como comunicador. 
Para se chegar a um veio de esmeraldas, é preciso cavar buracos verticais com até 300 metros de profundidade no solo rochoso. As minas são cavadas dentro de barracões cobertos, sendo invisíveis para quem anda nas ruas do garimpo. Para iniciar a perfuração de uma mina, é preciso instalar bananas de dinamite em fendas feitas com uma britadeira. À medida que se encontram veios de pedra preciosa e a rocha fica mais solta, os garimpeiros se valem de ferramentas mais "delicadas", como marretas e picaretas.
O trabalho de garimpo é pesado, dificultoso, muito perigoso e, o pior, nem sempre dele se obtém lucros. Milhares de pessoas trabalham no garimpo por necessidade e por não ter outro meio de vida.
Segundo informações da CCGA (Cooperativa Comunitária dos Garimpeiros Autônomos da Bahia), com sede em Pindobaçú, mais de 30 mil famílias têm o garimpo como sendo o único meio de subsistência.
Por meio da Portaria 119 de 19/01/1978 do Ministério de Minas e Energia, os garimpeiros têm autorização para trabalhar e sobreviver das esmeraldas de Carnaíba. Eles esperam do governo federal o reconhecimento da profissão. Por ser uma atividade com renda intermitente (possui intervalos), não há estabilidade, ou seja, não é gerado um fluxo contínuo e permanente de renda. Um dos principais objetivos da classe é lutar para a aprovação do projeto para transformar os garimpeiros em segurados especiais, com direitos previdenciários como aposentadoria.
Conforme dados da CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral), as zonas mineralizadas em esmeralda ocorrem em três áreas, totalizando 1.512,49 hectares, situadas no Distrito de Esmeralda de Carnaíba, em Pindobaçu. A zona mineralizada mais importante, e já investigada com sondagem, situa-se na parte da reserva garimpeira, em uma área com 41,54 hectares. O órgão presume que exista nas reservas de 7 mil a 13,4 mil toneladas de esmeraldas gemológicas e não gemológicas.
A CBPM não só realiza trabalhos de pesquisa em suas áreas, principalmente por meio de sondagem, como também dá apoio técnico aos garimpeiros e micro-empresários da região.
Impactos ambientais 
Os impactos mais comuns são resultados de garimpos de esmeralda sem nenhuma proteção, além do rejeito que é jogado sem tratamento a céu aberto. Ocorre também contaminação dos rios e aquíferos subterrâneos por causa da implantação de fossas em um grande número de casas. Outro fator de contaminação é o lixo jogado na rua e a não existência de esgotamento sanitário, sendo os esgotos domésticos lançados diretamente no rio sem tratamento. Outro grande impacto negativo é o desmatamento em áreas sujeitas à erosão forte provocada pela alta declividade e a composição areno-argilosa dos solos. A partir de estudo realizado, a área foi caracterizada como de risco ambiental para população.
Já a Cooperativa Comunitária dos Garimpeiros descarta a possibilidade de haver riscos ao meio ambiente, alegando que “a reserva garimpeira de Carnaíba fica situada no semiárido baiano, em meio à Caatinga e a lugares formados por muitas rochas”, o que atenua os prejuízos ambientais. 
A entidade que representa os garimpeiros garante que o trabalho de garimpagem causa pouquíssimo impacto ambiental, pois as minas são subterrâneas e não a céu aberto e também pelo fato de os explosivos usados não causarem efeitos fisiológicos, porque são ecológicos. “Sou ecologista e respeito a natureza. Se devemos ter consideração e cuidados com aves e animais silvestres, muito mais consideração e respeito devemos ter pelo ser humano”, garante Antonio Caldas, presidente da Cooperativa Comunitária de Garimpeiros.
Indianos 
Os indianos são os principais compradores do que é extraído em Carnaíba. Os ‘bagulhos’, pedras de pequeno valor, são denominadas também de “pedras indianadas”, por conta do interesse dos inidianos por esse tipo de material. “As esmeraldas de Carnaíba, em sua maioria, são escórias denominadas de lixo, ou pedras indianadas, cujo mercado brasileiro rejeita para compra. Somente quem se interessa pelas esmeraldas bagulho são os indianos. Eles vêm trazendo o dinheiro da Índia para Carnaíba, o que gera renda e meio de sustentação a mais de 30 mil famílias garimpeiras”, disse Antonio Caldas, rebatendo em seguida a alegação de que o comércio das pedras não gera tributos. “Com aquilo que no Brasil é considerado lixo, geramos tributos fiscais, renda e impostos para os cofres públicos do Estado da Bahia e do nosso país”.
Prostituição 
A presença de vários garimpeiros solteiros ou daqueles que deixam as suas esposas na sede do município, ou em outras cidades, tem atraído prostitutas para os pequenos bordéis existentes na localidade. Segundo Caldas, os problemas do Garimpo da Carnaíba são comuns aos que acontecem na maioria das áreas de exploração mineral. “Claro que é inevitável haver promiscuidade no garimpo. Isso acontece atualmente em qualquer lugar, e em qualquer cidade, povoado e bairros nobres de qualquer capital no mundo. No Garimpo da Carnaíba e Serra da Carnaíba, existem várias igrejas evangélicas e a maioria dos donos de garimpo são evangélicos. Eu mesmo não bebo, não fumo, sou vegetariano e ecologista, além de ser temente ao Deus de Abrão, Isaque e Israel”, ressaltou.
Sobre a existência de trabalho infantil, apesar de a reportagem ter flagrado crianças trabalhando, Caldas garante que denúncia formalizada ocorreu apenas uma vez, ainda na década de 1970, “mas foi corrigido à época e nunca mais aconteceu”.
Histórias 
De sua descoberta até hoje, várias são as histórias que marcaram e ainda marcam a vida de diversos seres humanos que tiveram alguma ligação com o garimpo. São muitos casos de garimpeiros que, em um piscar de olhos, ficaram milionários. Também é comum encontrar muitos desses “milionários” que hoje vivem em dificuldade. “Tem muita gente aqui que ganhou fortuna, mas ficou pobre da noite para o dia. Não soube empregar bem o dinheiro, gastou com carros, viagens, farras e hoje vive trabalhando para outros garimpeiros”, relata o goiano Valter Oliveira, que há mais de vinte anos reside em Carnaíba. “Aqui teve um garimpeiro que ganhou tanto dinheiro que pegava um cordão de náilon e amarrava cédulas no fundo do carro e saía arrastando pelas ruas. Quando alguém perguntava: por que você está fazendo isso? Ele respondia: eu corri muito atrás delas (das cédulas), agora elas é que correm atrás de mim”, conta com humor o garimpeiro.
Alexandro Souza de Santana, 24 anos, é filho de dono de ‘serviço’ e, apesar de novo, comemora a aquisição do primeiro carro, da pequena fazenda e da casa própria. Na opinião de Santana, que tem apenas o ensino fundamental incompleto, o garimpo é o melhor lugar para quem não tem “estudo”. “Mesmo sendo perigoso, o garimpo permite às pessoas que não estudaram ganhar dinheiro. De vez em quando morre gente em acidente com boi”, conta Alexandro.
Reinilde Maria dos Santos, de 50 anos de idade, sustenta os cinco filhos com o dinheiro que ganha com a venda de alexandrita. Segunda ela, um quilo do refugo de pedras pode lhe valer até 600 reais.
Gildean Silva Ribeiro, subgerente da empresa de mineração Beira Rio, comemora a compra do seu Eco Sport e de sua fazenda, com algumas cabeças de gado. Ele diz que a pedra está difícil de ser encontrada, mas acredita que com paciência muita gente ainda vai mudar de vida. Já o proprietário da empresa onde Ribeiro trabalha orgulha-se de dizer que seus funcionários melhoraram suas condições financeiras. Quanto à questão de segurança, diz prezar pela saúde dos garimpeiros. “A segurança é um quesito essencial na nossa empresa. Não trabalhamos sem os equipamentos de proteção individual”, garante o empresário.
O garimpeiro Edemilson Nery de Oliveira, conhecido por Neguinho, de 35 anos, é responsável pelas montagens das gambiarras, instalações elétricas nas galerias. Natural de Jacobina, Bahia, trabalha há 12 anos na Serra da Carnaíba e diz não pensar em voltar para a terra natal. “O garimpo é minha vida”, declarou.
Imprensa nacional 
Tema de matéria publicada na edição de número 49 da extinta revista O Cruzeiro, em 7 de dezembro de 1968, o Garimpo da Carnaíba de Cima teve sua história abordada pela primeira vez por um meio de comunicação de circulação nacional. O texto evidenciava o início da garimpagem, ocorrido entre os anos de 1960 e 1963. Naquele momento a população passava por dificuldades financeiras por conta da falta do Ouricuri e Babaçú (espécies de cocos), produtos de onde se extraiam suas amêndoas para comercialização. Por esse motivo, a atividade de garimpagem de esmeraldas passou a ser o principal meio de trabalho, sobrevivência e única fonte de sustento das famílias.
Estrutura e funcionamento do garimpo*
Não existe discriminação étnica, de gênero ou de classe social no garimpo. Todos trabalham juntos. A extração mineral é a principal atividade econômica do município. Apesar disso, não há investimento, como se deveria, na extração desses minerais e na segurança de quem os procura. A extração mineral é peculiar aos garimpos e em galerias subterrâneas, normalmente sem uma análise prévia. No garimpo de Carnaíba, a técnica de mineração é feita ainda artesanalmente. A desorganização começa desde o local escolhido para instalar uma mina, pois o processo de escavação da galeria é na encosta, onde os garimpeiros montam o serviço de extração, até a sua estrutura interna e o seu modo de funcionamento. 
Nessas encostas, os garimpeiros constroem barracões cobertos e ao centro cavam um buraco vertical até encontrarem o veio de esmeraldas, sendo invisíveis para quem anda nas ruas do garimpo. O garimpeiro compra um corte, isto é, um lote, e contrata alguns trabalhadores para furar a mina. O poço cavado verticalmente é geralmente chamado de frincha. Para iniciar a perfuração de uma mina, precisa-se instalar bananas de dinamite em fendas feitas com uma britadeira. Os trabalhadores descem e sobem clipados em um cavalo. O pó do xisto se espalha no chão, na boca do serviço, e, ao misturar-se com a água que brota da rocha, deixa o piso liso, provocando acidentes. Garimpeiros já caíram de uma altura de aproximadamente 60 metros. 
O garimpeiros acompanham esse veio, formando uma gruna, que pode conter ou não as gemas. A estrutura das grunas também é um risco, pois na maioria das vezes os trabalhadores têm de andar quase que agachados, pelo fato de o teto ser baixo e em algumas partes ficar caindo pedras. Por isso, colocam esbirro em algumas grunas. 
Sob a terra do garimpo, esses serviços parecem um formigueiro. A estrutura interna de uma mina é composta por vários equipamentos fundamentais ao serviço. As minas funcionam 24 horas diárias. O número de guinchos depende do número de porões, para cada porão um guincho, no “Brasil” (parte externa) tem o primeiro, que é acompanhado de um compressor de ar para a britadeira realizar a perfuração das rochas, a ventoinha para retirar a fumaça das explosões, um padrão de luz para realizar a detonação e um cano de PVC que os garimpeiros utilizam para fazer a comunicação com o “Japão” (parte interna), onde o guincheiro dá uma assoprada no cano e no fundo da mina os trabalhadores respondem com outro assopro, realizando-se a comunicação. A maioria dessas escavações, ou cortes, acompanha o sentido do riacho que se despeja de uma altura de mais de dez metros da serra.
O garimpo está divido em dois trechos de exploração. Sendo trecho velho e trecho novo. Em parte do trecho velho, em 1969, houve um desabamento resultado da infiltração de água na encosta que provocou o deslizamento. Testemunhas contam que só ouviram o forte barulho e a grande nuvem de fumaça subir. Alguns corpos foram resgatados, mas até hoje não se sabe ao certo o número de pessoas que morreram. O acidente ainda é muito comentado entre os moradores locais. 
Glossário de alguns dos termos utilizados no garimpo de esmeralda
Arroio - entulho. Deriva da corruptela de roia, rolha. Rocha que impede o acesso ao veio do mineral procurado 
Bagulhos - esmeraldas brutas de baixo valor
Berilo - exemplar de esmeralda bruta com forma prismática bem definida
Bestunta - na bestunta: ao acaso, de forma aleatória
Biriba - esmeralda lapidada de baixo valor
Boi - grande bloco de rocha ou de mineral extraído do garimpo
Canga - exemplar de mineral para coleção. Corruptela de ganga
Carretel - guincho para alçar e descer pessoas e material da gruna
Cavalo - espécie de cinta confeccionada com borracha na qual o garimpeiro senta ou se engancha para descer ou ser alçado da gruna
Corte/Serviço - local onde se realiza o garimpo. Conjunto de grunas de onde se extraem esmeraldas e outros minerais. O mesmo que serviço
Desarroiador - garimpeiro encarregado de remover o arroio que bloqueia o acesso ao mineral buscado
Estanho - subproduto da extração de esmeraldas, cujo quilo é vendido em média por 25 reais; 
Gruna - galeria onde se realiza o trabalho de extração de minérios
Malado - quem ganhou muito dinheiro
Vazar - encontrar esmeraldas