sábado, 13 de agosto de 2016

Mineração de ouro é feita com açúcar em vez de cianeto

Mineração de ouro é feita com açúcar em vez de cianeto


Mineração de ouro verde é feita com açúcar em vez de cianeto
Como acontece com os garimpeiros de sorte, os pesquisadores descobriram sua mina de ouro com açúcar por acaso. [Imagem: Aleksandr Bosoy/Liu et al.]
Encontrar uma mina de ouro nem sempre significa riqueza imediata.
Embora existam os chamados aluviões, locais raros onde o ouro se acumula na forma de pepitas, nas grandes minas o precioso metal não ocorre puro, mas associado com outros elementos, sobretudo o enxofre.
É aí que os problemas começam, porque a separação do ouro desses chamados minérios sulfetados é feita com o supertóxico e perigosíssimo composto chamado cianeto.
Mas as coisas podem começar a mudar.
Zhichang Liu e seus colegas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, descobriram uma forma promissora de substituir o cianeto por um açúcar derivado do amido de milho.
A técnica para a produção de um ouro mais verde não apenas extrai o ouro do minério, como o faz de maneira mais eficiente, deixando para trás outros metais que normalmente contaminam o ouro, exigindo novas etapas de purificação.
Além disso, o novo processo poderá ser usado para extrair ouro do lixo eletrônico, os produtos eletrônicos de consumo que chegam ao fim da sua vida útil - o processo requer uma moagem inicial para que o ouro do minério ou do lixo eletrônico fique em solução.
Garimpo no laboratório
Como acontece com os garimpeiros de sorte, Liu descobriu sua mina de ouro por acaso.
Ele estava tentando sintetizar uma estrutura cúbica tridimensional que pudesse ser utilizada para armazenar gases e pequenas moléculas.
Inesperadamente, ao misturar sais de ouro com uma espécie de açúcar chamado alfa-ciclodextrina - uma fibra alimentar solúvel com seis unidades de glicose -, o pesquisador verificou a formação quase imediata de "agulhas" de ouro.
Mineração de ouro verde é feita com açúcar em vez de cianeto
"Há um bocado de química empacotada nesses nanofios." [Imagem: Liu et al./Nature Communications]
Depois da decepção inicial de não ver seu experimento produzir cristais em forma de cubo, o pesquisador se deu conta de que a reação estava produzindo um resultado muito mais interessante - ela estava extraindo o ouro dos sais de auratos.
Em vez dos perigosos rejeitos da lixiviação por cianeto, o novo processo produz sais metálicos alcalinos que são relativamente benignos em termos ambientais.
E a técnica poderá render também outras aplicações além da mineração - sobretudo na emergente ciência dos nanofios.
Os nanofios supramoleculares produzidos na reação têm, individualmente, 1,3 nanômetro de diâmetro.
Em cada nanofio, o íon de ouro fica no meio de quatro átomos de bromo, enquanto o íon potássio é cercado por seis moléculas de água - todos esses íons estão dispostos de forma entre anéis de alfa-ciclodextrina.

"Há um bocado de química empacotada nesses nanofios," disse o professor Fraser Stoddart, orientador de Liu, indicando que novos estudos poderão revelar quais são as propriedades dessas estruturas até agora desconhecidas.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quanto vale o Quilate?

Quanto vale o Quilate?

Água Marinha
água-marinha é uma gema cristalina que ocorre geralmente em tons pastéis; logo, quanto mais escura, mais rara e valiosa. É a mais tradicional das pedras preciosas brasileiras, sendo muito procurada internacionalmente.
Águas-marinhas de grandes dimensões fazem parte de coleções de jóias especiais.
Cor: azul, com uma nuance azul esverdeada bem característica.
Tom: de muito clara a escura; normalmente azul pastel e muito raramente azul-escuro.
Transparência: cristalina. Normalmente sem inclusões visíveis.
Valor: pequenas variações de saturação de cor refletem consideravelmente no preço. Águas-marinhas com 2 a 6 quilates de tonalidades azul médio valem de US$150 a US$500por quilate. Tons de azul-escuro em tamanhos maiores podem alcançar mais de US$1,000 por quilate.
Ametista
A mais antiga das pedras preciosas usada pelo homem, com registros datando de mais de 25.000 anos. A lapidação correta de um bom cristal de ametista pode prover uma gema violeta de grande beleza. Bela e de preço acessível, a ametista está entre as pedras preciosas mais populares.
Cor: violeta, com nuances azuladas ou avermelhadas.
Tom: de claro a escuro. As muito claras ou muito escuras são menos valiosas. A de cor púrpura intensa é a de melhor qualidade.
Transparência: normalmente sem inclusões visíveis, mas às vezes pode-se perceber a irregularidade típica da distribuição de cor. Uma lapidação correta é essencial para a distribuição da cor.
Valor: ametistas lapidadas de boa qualidade de 2 a 8 quilates oscilam entre US$10 a US$20 por quilate. Pedras de cor muito boa com mais de 10 quilates podem atingir preços superiores aUS$30 por quilate.
Citrino
Amarelos dourados e brilhantes, amarelos avermelhados cor de conhaque são algumas das variedades de cor da irmã da ametista, conhecida como citrino. Às vezes ametista e citrinoocorrem no mesmo cristal e levam o nome de ametrina.
O Brasil é a fonte principal de ametista e citrino e oferece uma inigualável opção de variedades de cor e tamanho.
Cor: amarelo, castanho-amarelo, laranja, vermelho amarronzado ou conhaque. A cor mais valiosa é o conhaque, conhecido como "Rio Grande".
Tom: de claro a escuro. Tons muito claros ou com matizes muito escuros são menos cobiçados.
Transparência: como para a ametista, o primor na lapidação ressalta sua beleza ao máximo.
Tratamento: praticamente todos os citrinos são submetidos a tratamento térmico para exibir permanentemente a intensidade de suas cores potenciais.
Valor: citrinos de boa qualidade de 2 a 8 quilates oscilam entreUS$10 e US$20 por quilate. Pedras grandes com bons tons de conhaque podem valer mais que US$30 por quilate.
Topázio Azul
O brilho e as cores celestiais da variedade azul de topáziocoroaram esta gema como a mais popular e acessível da última década. Com as novas tecnologias de tratamento para adicionar ao topázio natural incolor uma cor permanente azul, o mercado foi agraciado com esta bela gema, de valor muito acessível.
Cor: azul. Nomes comerciais como azul-celeste, azul suíço, azul-cobalto são às vezes mencionados para definir diferentes matizes de azul.
Tom: de claro a escuro.
Transparência: transparente e sem inclusões visíveis.
Tratamento: todos os topázios azuis disponíveis no mercado são o resultado da combinação de tratamentos de radiação e térmico. O processo é seguro, tornando sua cor permanente.
Valor: topázios azuis de boa lapidação variam de US$6 aUS$12 por quilate.
Topázio Imperial
O brilho e a intensidade das cores desta rara pedra preciosa fascinam a quem a conhece. Topázios Imperiais já eram muito apreciados pelas czarinas russas três séculos atrás. O Brasil é o único produtor comercial desta gema, oriunda apenas da região de Ouro Preto. Seu valor certamente se elevará nas próximas décadas pela raridade e demanda crescentes.
Cor: amarelo, laranja, salmão, rosa e conhaque.
Tom: de claros a escuros, mas nunca muito escuros. Os tons mais escuros e as cores mais tendentes ao vermelho são mais raros e, conseqüentemente, mais valiosos.
Transparência: cristalina e normalmente sem inclusões visíveis.
Certificação: o Certificado Amsterdam Sauer para o TopázioImperial é abrangente e exclusivo.
Valor: tons mais claros ou pedras abaixo de 2 quilates valemUS$100 por quilate ou menos. Os tamanhos mais comerciais vão de 2 a 6 quilates. Os matizes laranja podem valer deUS$100 a US$300 por quilate. Preços para tons rosas e pêssegos variam bastante, podendo alcançar mais de US$1,000por quilate. Pedras maiores em tons rosas mais intensos e pedras de cor conhaque podem valer mais de US$2,000 por quilate
Turmalina
A turmalina ocorre numa ampla gama de matizes, cada variedade é batizada por sua cor principal. As mais importantes são: rubelita – a vermelha; indicolita – a azul; verdelita ou simplesmente turmalina – quando a cor verde prevalece. O Brasil é o maior produtor desta gema bela e popular. As turmalinas são muito apreciadas pelos designers, que desenvolvem sua criatividade através de seu amplo espectro de cores.
Cor: todas as cores. A verde é a mais popular; a vermelha e a azul são mais raras.
Tom: variável. Tons muito escuros são menos valiosos.
Transparência: as verdes e azuis normalmente não têm nenhuma inclusão visível e a variedade vermelha quase sempre apresenta inclusões.
Valor: a beleza e raridade de cada turmalina lapidada definirá seu preço. Turmalinas de preço mais acessível podem custar menos de US$100 por quilate. Verdes comerciais de 2 a 6 quilates com boa tonalidade valem entre US$100 e US$300 por quilate. Vermelhos e azuis de muito boa qualidade podem valer mais de US$500 por quilate. A rara variedade Paraíba, de cor azul-néon, tem valor inestimável por sua raridade.

Benitoíte pedra preciosa de rara beleza

Benitoíte pedra preciosa de rara beleza

Pedras de alta qualidade valor mínimo de 6 mil dolares por quilate



Benitoíte pedra preciosa de beleza irretocável


A Benitoíte, cujo nome deriva da localidade de San Benito County, na Califórnia, é um mineral silicatado de cor azulada. Este mineral apresenta fluorescência quando incidido por radiação ultravioleta.
Considerada a pedra símbolo da Califórnia, a benitoíte foi descoberta no começo do século passado. A benitoíte é uma pedra rara composta por titânio e bário e fluorescente na presença de luz ultra-violeta.
Apreciada por colecionadores, seu grau de dureza torna-a adequada para o uso em jóias, mas isso raramente acontece por falta de material utilizável para este fim.
Benitoítes lapidadas têm preços equivalentes aos das safiras de boa qualidade, apesar de serem mais raras. Pedras de alta qualidade entre 1 e 2 quilates podem alcançar preços de 6 mil dólares por quilate.
Ela é muito valorizada por colecionadores que qualificam como as melhores as pedras tem o azul profundo das melhores safiras e o brilho dos diamantes de alta qualidade.
Além da Califórnia, o raro mineral, é encontrado em outras poucas localidades como o estado do Arkansas e o Japão.
A raridade da benitoíte faz dela um meio menor de obtenção de bário e titânio. O seu principal uso é como espécimen de coleção, especialmente quando os seus cristais estão bem delineados ou quando em mistura com os minerais habitualmente associados. A sua dureza também a faz ser utilizada como pedra preciosa.
A benitoíte é um mineral raro, encontrar um mineral de cor azul poderá ser um primeiro passo para a identificação mas outras características importantes deverão ser  levadas em conta.
Primeiramente, o hábito cristalino da benitoíte é pouco usual. Os minerais associados também deverão ser analisados. A benitoíte é normalmente encontrada em combinação com natrolite, joaquinite, neptunite, numa base de serpentinite de cor cinzenta esverdeada. A sua fluorescência também é usada para efeitos de identificação.


GEOLOGIA NAS PRAIAS DE TORRES (RS)

GEOLOGIA NAS PRAIAS DE TORRES (RS)

        Aqui, a gente vê basalto e arenito.

O arenito

            O arenito é uma rocha sedimentar formada pela deposição e compactação de areia (grãos de minerais medindo 0,125 mm a 2 mm de diâmetro). O arenito de Torres tem cor marrom-clara a rosada (foto abaixo) e, como a imensa maioria dos arenitos é formado por grãos de quartzo.  



             A areia que se deposita e depois se torna um arenito pode ser transportada por um rio, pelo mar ou pelo vento. O arenito de Torres é daqueles cuja areia veio trazida pelo vento (arenito eólico). Como se sabe isso? Pela maneira como se distribuem suas camadas. Elas têm certa inclinação num ponto, mas logo acima a inclinação é outra, e para os lados também mostra inclinação (que os geólogos chamam de mergulho) e direção variáveis (próxima foto). Essas mudanças caracterizam a chamada estratificação cruzada e são consequência das mudanças na direção do vento à época da deposição da areia. Se a areia tivesse sido depositada por um rio, também mostraria estratificação cruzada, mas ela seria bem diferente (estratificação cruzada acanalada).
             


             Além disso, os grãos de quartzo do arenito eólico não têm brilho porque o atrito de uns contra os outros, no ambiente desértico, sem água, os deixa foscos.
          Torres faz parte de uma grande porção da América do Sul que era um vasto deserto nos períodos Triássico (251 a 200 milhões de anos atrás), Jurássico e início do Cretáceo (145,5 até 65,5 milhões de anos atrás). E deserto bem típico: arenoso, quente, seco e sem vida. O arenito que ali se vê é chamado pelos geólogos de Formação Botucatu ou Arenito Botucatu, porque foi descrito pela primeira vez no município desse nome, em São Paulo.
            A compactação das areias do antigo deserto formou uma rocha muito porosa e permeável. Por isso, ela absorve muita água, água esta que, através de poços tubulares, pode ser aproveitada facilmente.
Rochas assim, que armazenam e fornecem água com facilidade, chamam-se aquíferos. Já ouviram falar no Aquífero Guarani, a vasta reserva de água subterrânea existente na América do Sul, principalmente no sul do Brasil?  Pois apraz-me me informar-lhes que o Arenito Botucatu é a principal rocha desse famoso aquífero, que é o maior e melhor do Brasil.
Um furo de sonda feito pela CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) 2,5 km ao norte da cidade mostrou esse arenito com 40 metros de espessura.

O basalto

      O basalto é uma rocha vulcânica, formada pelo resfriamento e solidificação de lava e é composto basicamente de cristais de piroxênio e plagioclásio.       
     Lava é o magma que chegou à superfície. Nessas condições, ele resfria muito depressa, por isso os grãos desses minerais são muito pequenos, invisíveis a olho nu, ao contrário dos cristais de feldspato e quartzo que formam o granito da praia da Joaquina. O granito provém de magma que resfriou no interior da costa terrestre, lentamente, a quilômetros de profundidade. 
            O basalto tem a mesma composição do diabásio que se vê na Joaquina, mas as duas rochas diferem no ambiente de formação: ambas são rochas ígneas, mas o diabásio formou-se por resfriamento e consolidação de magma dentro da crosta, não na superfície como o basalto. O basalto é, portanto, uma rocha ígneaextrusiva e o diabásio, rocha ígnea intrusiva.
            Este basalto, chamado pelos geólogos deFormação Serra Geral, ocupa toda a metade norte do Rio Grande do Sul, mais de metade do Estado de Santa Catarina, uns 50% do Paraná, partes de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Uruguai, Paraguai e Argentina. Estende-se por nada menos de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, uma das maiores, se não a maior extensão de basalto continental do mundo todo. Ele começou a formar-se há 120 milhões de anos, no período Cretáceo, quando a América do Sul e a África começaram a se separar. Houve a fragmentação de um protocontinente que reunia todas as massas continentais do planeta, de nome Pangeia, cercado por um único mar, chamado Pantalassa. O vulcanismo cessou há 100 milhões de anos, mas essa separação continua ocorrendo ainda hoje, alguns centímetros por ano.
            Na fragmentação do antigo continente único, formaram-se grandes fendas, por onde saía a lava basáltica. O basalto é assim, ele não extravasa através de cones vulcânicos, mas sim de grandes fendas, chamadas pelos geólogos de geóclases. A cicatriz de uma dessas grandes fendas ainda é visível e passa exatamente por Torres, estendendo-se até Posadas, na Argentina. Ela é chamada pelos geólogos de Lineamento Torres-Posadas. 

O contato arenito / basalto

            O interessante na praia de Torres não é a simples presença das duas rochas, mas o fato de elas estarem em contato direto uma sobre a outra. Isso pode ser visto na praia da Guarita, na Torre Sul e na parte sul da Torre do Centro.
Havia como foi dito, um vasto deserto arenoso. A lava veio e se espalhou sobre a areia. Por isso, é possível ver, na zona de contato, alterações no arenito, promovidas pelo calor da lava. A foto abaixo mostra o arenito rosado sob o basalto cinza. Os pedaços de rocha menores são de basalto também. 


  
Nas fotos a seguir, o arenito, devido ao calor da lava, mostra-se mais compacto e mais difícil de quebrar e com cor também algo diferente.
  





  A próxima foto mostra também o arenito Botucatu (parte inferior) em contato com rochas vulcânicas da Formação Serra Geral, mas em outro contexto. São lajotas de uma calçada existente ao lado do Supermercado Zaffari Higienópolis, em Porto Alegre.



   Nos fundos do mesmo supermercado, pode-se ver o arenito num muro e na calçada, nesta com cor mais escura, devida à sujeira acumulada ao longo do tempo. 



 Como o ambiente desértico persistiu ainda durante um tempo após o início do vulcanismo, e como a lava basáltica se depositava em derrames que se sucediam com intervalos de duração variável, pode-se ver, em vários pontos do estado, camadas de arenito entre duas massas de basalto.  
            As fotos aqui exibidas foram tiradas na praia da Guarita, dentro do Parque Estadual da Guarita. Pode-se observar, na imagem abaixo (esta da Wikipédia), que os basaltos mostram fraturas na direção vertical.

                       

      Isso é comum na parte central e mais espessa de um derrame de basalto e a tendência, por isso, é blocos se soltarem e caírem. Aliás, a foto a seguir mostra exatamente isto: um bloco de basalto caído sobre o arenito da base da torre da Guarita.



              Este basalto que se vê em Torres é a rocha da qual se extrai enorme quantidade de ágata e de ametista no Rio Grande do Sul, a ponto de tornar esse estado o maior produtor mundial das duas pedras preciosas. Infelizmente, ali, nas praias de Torres, elas não são vistas.

O outro lado de Torres

            Se juntarmos o mapa da América do Sul com o da África, veremos que eles se encaixam de modo surpreendente. Segundo o pesquisador Ruy Rubem Ruschel, o ponto onde hoje é Torres estava unido ao atual cabo Cruz, na Namíbia, que ele chamava de o outro lado de Torres.  E assim como Torres é o único ponto do litoral brasileiro aonde os basaltos chegam até à praia, cabo Cruz, afirma ele, é o único ponto do litoral africano onde isso ocorre.
     Na Namíbia, o basalto é chamado de Formação Drakensberg e o arenito, de Arenito Cave.
Os mapas abaixo mostram a enorme semelhança da costa brasileira com a costa ocidental africana. No mapa da direita, uma ampliação do outro, Torres fica onde aparece o nome da pequena (3.800 habitantes) cidade de Karibib, no mapa da Namíbia. 





            A cidade de Torres está no paralelo 29º 20’, que passa pelo extremo sul da Namíbia, fronteira com a África do Sul. Isso mostra que, supondo que a África tenha permanecido imóvel, a América do Sul, ao se separar dela, teria feito um movimento para Sudoeste, girando no sentido horário. Dados atuais mostram que hoje o deslocamento do nosso continente é para Oeste (4 mm/ano) e, sobretudo, para o Norte (14 mm/ano). 
            A propósito, em 2001 a artista plástica sul-africana Georgia Papageorge realizou uma instalação em que, uma série de bandeiras enfileiradas instaladas na praia em Torres continuava com bandeiras iguais instaladas na África, no ponto outrora unido ao daqui. Nesse projeto, chamado Africa Rifting – Lines of Fire. Namibia/Brazil, as bandeiras de Torres foram instaladas no dia 11 de setembro de 2001 (sem saber, conta ela, que, naquela dia, os Estados Unidos sofriam os tristemente famosos ataques da Al Qaeda). 
Abaixo, as bandeiras de Georgia na costa africana. A foto mostra apenas as areias do deserto da Namíbia, na costa do Esqueleto. Nada dos basaltos citados por Ruschel. Quem está certo, ele ou Georgia?  Troquei e-mails com Georgia Papageorge em 2001 e 2002, mas não a conheço. Já Ruy Ruben Ruschel conheci bem e até escrevemos um artigo de História juntos. Por isso, em princípio acredito nele.




Torres hoje

            Cessado o vulcanismo, Torres e todo o litoral gaúcho foram palco de vários avanços (transgressões) e recuos (regressões) do mar. Atualmente, estamos numa fase de regressão marinha, iniciada há 2.000 anos. Essa é a razão de haver tantas lagoas no litoral do Rio Grande do Sul, inclusive dentro da cidade de Torres.


            Finalizando, convido os amigos a dar uma olhada mais cuidadosa nas rochas de Torres quando forem tomar um banho de mar naquela cidade. E lembrem: a distante África já esteve coladinha à mais bela praia gaúcha. 

CRISTAIS QUE NÃO SÃO CRISTAIS


 

CRISTAIS QUE NÃO SÃO CRISTAIS



Como foi dito, o cristal PODE ter faces planas. O exemplo da foto acima é um cristal euédrico, mas, mesmo com estrutura interna regular, externamente o cristal pode ser totalmente irregular (cristal anédrico) ou possuir algumas faces planas, mas não todas (cristal subédrico). Alguns minerais frequentemente formam cristais euédricos. Outros, raramente.
     Abaixo, cristal subédrico de quartzo enfumaçado e cristal anédrico de bornita.
 


 
 Isso decorre das condições de formação; a falta de espaço pode impedir que o cristal se desenvolva de modo completo.
 
Muitas vezes se ouve a palavra cristal sendo usado como sinônimo de cristal de rocha, que é o nome dado ao quartzo incolor. Essa simplificação não está correta e deve se evitada.
 
Mas, eu quero aqui falar é de materiais que são chamados de cristal e que não o são.
 
Um deles, bem conhecido, é o cristal da Boêmia. Esse material é chamado de cristal, mas trata-se, na verdade, de um vidro de alta qualidade, rico em chumbo, que é usado em obras de arte, vasos, cálices, etc. Sendo um vidro, não tem estrutura cristalina e, portanto, não deveria ser chamado de cristal.
A foto a seguir mostra peças feitas com esse material. (Fonte: pragaturismo.com).
 


Outro exemplo de material erroneamente chamado de cristal é o Murano. Murano é um arquipélago de sete ilhas da cidade de Veneza (Itália), famoso pela qualidade das obras de arte em vidro que produz. O vidro de Murano (foto abaixo) não contém chumbo, como o da Boêmia, e sim soda. Por isso, seus produtores enfatizam que ele deve ser chamado de vidro de Murano, porque, além de não ter estrutura cristalina ele não é igual ao chamado cristal da Boêmia.
 



Por fim, há o igualmente famoso cristal Swarovski.  Este nome é uma marca registrada conhecida internacionalmente e que identifica um vidro de alta qualidade criado em 1895 na Áustria, por Daniel Swarovski, para imitar o diamante. A partir de 1976, a empresa, até então apenas fornecedora de matéria-prima, desenvolveu seu própriodesign e desde então abriu pelo menos seiscentas lojas em todo o mundo, seis delas no Brasil. 
  Ao contrário dos anteriores, muito usados em objetos decorativos, na decoração de interiores, este material é largamente empregado para adorno pessoal. 
Abaixo, exemplo de produtos da Swarovski. (Foto:Wikipédia)
 


Portanto, os chamados cristais da Boêmia, Swarovski e Murano são todos vidros, ainda que de alta qualidade.
 
  
 

 Fonte: