Lazurite é um tectosilicate mineral com sulfato , enxofre e cloreto com a fórmula:(Na, Ca)8 [(S, Cl, SO 4, OH) 2 | (Al 6 Si 6 O 24)]. É um feldspathoid e um membro do grupo da sodalite. Lazurite cristaliza no isométrica sistema embora cristaisbem formados são raros. Geralmente é enorme e constitui a maior parte da pedra preciosa lápis-lazúli .
Lazurite é um produto de metamorfismo de contato de calcário e normalmente está associada
a calcita , pirita , diopsídio , humite , forsterite , hauyne e moscovite .
terça-feira, 16 de agosto de 2016
MINERAL - EUCLÁSIO
MINERAL - EUCLÁSIO
Euclásio é um mineral composto básicamente por berilo, alumínio e silício. Tem brilho vítreo, grau de dureza bastante alto e cristaliza-se no sistema monoclínico. Sua coloração pode ser : azul-claro, verde-claro ou incolor. É usado como pedra preciosa e ocorre normalmente associado ao berilo e topázio. É encontrado no Brasil, principalmente no estado do Rio Grande do Norte. Ocorre em veios ou cavidades de rochas eruptivas, de origem secundária em pegmatitos. Presente também em veios ou filões metalíferos. Tem o hábito prismático, dureza 7,5, fratura conchoídal.
Diamantes de capa verde: freqüência, distribuição e possível origem nos depósitos diamantíferos de Minas Gerais
Diamantes de capa verde: freqüência, distribuição e possível origem nos depósitos diamantíferos de Minas Gerais
RESUMO
Diamantes mostrando uma ínfima película verde, na forma de manchas irregulares, conhecidos como diamantes de "capa verde", são comuns principalmente em certos depósitos sedimentares de Minas Gerais. Cristais de diamante com essas características foram estudados nas mais importantes áreas produtoras da Província Diamantífera do Espinhaço e, comparativamente, na região de Coromandel. A freqüência de diamantes com capa verde nesses depósitos varia em percentagens, mas elas são relativamente altas na Província do Espinhaço, onde mostram valores sempre superiores a 25%, podendo localmente alcançar 90%. De outra forma, na região de Coromandel, este valor é inferior a 0,5%. São discutidas as duas principais hipóteses para a origem da capa verde: irradiação in situ a partir de minerais radioativos, ou presença de certos elementos cromóforos na parte mais externa dos cristais. A análise dos dados, porém, mostrou que existe uma associação entre os dois fatores, restando determinar a contribuição relativa de cada um deles na intensidade da pigmentação verde.
Palavras-chave: diamante, mineralogia, gemologia, capa verde.
ABSTRACT
Mottled green diamond crystals and green-coated diamonds are common in diamondiferous sedimentary deposits of Minas Gerais. Diamonds with this characteristic were studied in the most significant áreas of the Espinhaço Province and compared with diamonds of the Coromandel region. The frequency of green-coated diamonds in these deposits varies but is relatively high in the Espinhaço deposits with values of 25% or higher, locally up to 90%. On the other hand, in the Coromandel deposits this value is less than 0,5%. We discuss the two main hypotheses for the origin of the green coatings, i.e., radiation damage in situ, or the presence of chromophorous elements in the externai part of the crystals. Analitycal data reveal both factors contributed to the green color. However, the relative contribution of each to the intensity of green coloration has yet to be determined.
INTRODUCÃO
Cristais de diamante mostrando coloração verde são bastante comuns, inclusive nos depósitos brasileiros. Esta coloração pode ser verdadeira, isto é, o cristal inteiro a possui, ou então ela é ocasionada pela existência de um capeamento verde (green coated diamonds), que pode se apresentar de três maneiras distintas (Vance et al., 1973; Orlov, 1977):
(i) capas verdes opacas, grossas e de variada espessura (geralmente em cristais cúbicos zonados);
(ii) capas verdes densas, translúcidas, com cerca de 20 µ de espessura e;
(iii) pontos ou manchas verdes transparentes, também com espessuras em torno de 20 µ.
Diamantes de coloração verde autêntica são raríssimos e o exemplo clássico deste caso é o "Dresden", com 41ct depois de lapidado, originário da histórica região de Golconda, Índia. Os diamantes de capa verde opaca, também conhecidos como da "variedade IV" (Orlov, 1977), apresentam zoneamento interno onde são reconhecidas três faixas com absorções típicas no infravermelho.
Os diamantes com capas verdes translúcida e transparente são largamente comercializados na região de Diamantina (Minas Gerais), onde representam cerca de 50% da produção local e são a principal "fonte" de diamantes deste tipo no Brasil. A capa, ou casca verde como muitas vezes é conhecida comercialmente, desaparece no polimento durante a lapidação, confirmando que essa feição constitui apenas uma película ínfima que pouco prejudica o valor comercial das pedras. O mesmo ocorre quando o diamante apresenta uma capa de coloração marrom clara ou amarelo "palha", que são ainda mais raras do que as capas verdes.
A partir da constatação de que a freqüência de diamantes com capa verde varia fortemente de uma área diamantífera para outra, foi efetuada uma amostragem nos principais centros produtores de Minas Gerais, objetivando determinar a distribuição de diamantes com esta característica e, em associação com informações geológicas complementares, as possíveis causas do percentual relativo de pedras assim coloridas. De acordo com vários autores, a presença da capa verde em diamantes dos kimberlitos africanos é devida a irradiação natural dos cristais por partículas α emitidas por minerais (ou soluções) com tório e/ou urânio (Vance et al., 1973; Harris et al., 1977). Orlov (1979), porém, contestou essa hipótese, preferindo atribuir a coloração verde a certos elementos contidos na parte mais externa dos diamantes. Visando também acrescentar dados a este respeito, em uma tentativa preliminar cinco cristais com variados aspectos de coloração foram estudados quanto ao seu comportamento, depois de irradiados com nêutrons. Esses estudos integram a Tese de Doutoramento de um dos autores (MLSCC), em fase de finalização no IG/USP.
REGIÕES DIAMANTÍFERAS DE MINAS GERAIS
No âmbito deste trabalho, foram estudadas as duas principais províncias diamantíferas do Estado de Minas Gerais, que se destacam como produtoras de quase 90% de seus diamantes: a do Espinhaço e a do Alto Paranaíba (Chaves et al., 1993).
A Província do Espinhaço (Fig. 1) corresponde aos depósitos diamantíferos diretamente associados à cordilheira homônima, assim como aos sedimentos mineralizados dela derivados, sejam aqueles de idade cretácica (Karfunkel & Chaves, 1995), sejam os de idade cenozóica (Chaves & Uhlein, 1991). Neste contexto, três principais distritos diamantíferos se destacam: os distritos de Diamantina, de Grão Mogol e da Serra do Cabral, sendo que a região de Diamantina é reconhecida como a mais clássica área produtora de diamantes do Brasil. Cerca de 98% da produção é proveniente da mineração em aluviões cenozóicos, enquanto os restantes 2%resultam da lavra em conglomerados mesoproterozóicos da Formação Sopa Brumadinho, do Supergrupo Espinhaço.
No Distrito de Diamantina, foram selecionadas três localidades para o estudo da freqüência das capas verdes, em combinação com outras características dos diamantes: (1) a Mina do Campo Sampaio, próxima do vilarejo de São João da Chapada, (2) os garimpos situados nos arredores da cidade de Datas e, (3) os depósitos aluvionares do Rio Jequitinhonha (Fig. 1). Nos dois primeiros casos, os diamantes são lavrados em pequenas plantas e garimpos a partir do Conglomerado Sopa, enquanto no Rio Jequitinhonha a lavra se dá por potentes dragas de alcatruzes operadas pelas companhias de mineração Tejucana e Rio Novo.
Na região de Grão Mogol todas as lavras estão em depósitos coluvionares e aluvionares situados na própria serra e originados a partir dos conglomerados proterozóicos da Formação Grão Mogol (Chaves et al., 1996). Toda a produção é comercializada na cidade, facilitando assim estudos a respeito das características dos diamantes. No Distrito da Serra do Cabral, os diamantes são originados dos conglomerados cretácicos da Formação Areado e comercializados na cidade de Jequitaí (Chaves et al., 1994; Karfunkel & Chaves, 1995).
Conforme estudos mais recentes, os diamantes das regiões de Diamantina, Grão Mogol e Serra do Cabral, são em geral de tamanho reduzido, com média aproximada de 0,20 ct mas alcançando uma alta proporção de gemas, em geral na faixa de 90-95% (Karfunkel et al., 1994).
Na Província Diamantífera do Alto Paranaíba (Fig. 1), a principal região produtora de diamantes é centralizada na cidade de Coromandel, sendo que outras áreas menores situam-se ao redor de Romaria e Estrela do Sul. Na atualidade, toda a produção é proveniente de garimpos ou pequenas lavras em depósitos coluvionares e aluvionares recentes, localizados principalmente em afluentes do Rio Paranaíba, como nos rios Santo Antônio do Bonito, Santo Inácio e Douradinho, entre outros. Pela presença de grandes diamantes, muitos deles pesando mais de 100 ct, e da generalizada ocorrência de intrusões ultrabásicas, toda a região tem sido alvo nos últimos 30 anos de intensa prospecção visando a localização de pipes diamantíferos. Até o presente, apenas um únicopipe mineralizado teve seus dados divulgados, a intrusão Três Ranchos-4, situada no Estado de Goiás em município vizinho a Coromandel. O baixo teor desta intrusão, no entanto, da ordem de 0,029 ct/m3 até os 50 metros de profundidade, torna sua lavra anti-econômica (Inhez et al., 1983).
As principais características mineralógicas dos diamantes da região do Triângulo Mineiro, incluindo assim Coromandel, foram estudadas por Leite (1971), o qual, no entanto, não abrangeu a problemática da capa verde. Desta maneira, lotes de diamantes foram estudados naquela cidade visando especificamente a determinação de espécimes com a coloração verde, objetivo principal deste estudo. Apesar de em média serem maiores (0,85ct) que os diamantes do Espinhaço, a relação gema/indústria é bem inferior (35/65%) nos diamantes do Alto Paranaíba.
DIAMANTES DE CAPA VERDE
Características gerais
Os diamantes de capa verde são relativamente comuns em muitos depósitos brasileiros, principalmente nos de Minas Gerais. Este tingimento externo pode apresentar tonalidades que variam do verde claro ou verde limão até o verde escuro, raras vezes neste último caso com um "toque" acinzentado. Capas de coloração marrom são mais raras, variando do marrom escuro até o amarelo "palha".
O presente estudo considerou a existência de dois tipos principais de capeamento verde: (1) denso, cobrindo em manchas parcial até totalmente a superfície do cristal, sendo facilmente perceptível à vista desarmada e (2) transparente, quando o cristal apresenta uma coloração verde tênue que, sob observação na lupa de 10 aumentos, percebe-se que esta é devida a pontos apresentando um núcleo verde mais intenso rodeado por uma nuvem de pontos ainda menores. A importância das capas verde e marrom em estudos de paleogeotermometria foi destacada preliminarmente em Haralyi & Rodrigues (1992).
Freqüência nos depósitos
A freqüência dos diamantes com capa varia fortemente nos depósitos de Minas Gerais. A Tabela 1 mostra os percentuais de capas verde e marrom nas principais áreas diamantíferas do Estado, que serão discutidos a seguir:
Campo Sampaio: um lote de 525 cristais, totalizando 375,6 ct procedentes da mina do Campo Sampaio, situada a oeste do vilarejo de São João da Chapada (Município de Diamantina), foi estudado graças à cortesia do então proprietário da concessão de lavra (1986), Sr. Victor Siau. Neste local a mineralização ocorre associada a conglomerados e brechas da Formação Sopa Brumadinho, que variam de espessura de 5 a 8 metros. A maior parte dos diamantes do Campo Sampaio apresenta formas simples (octaedros, rombododecaedros e transições entre eles) e um capeamento verde muitas vezes intenso, o que tem sido descrito desde Derby (1879). Assim, cerca de 90% das amostras examinadas mostraram esta característica, entre capas verdes transparente (14,8%) e densa (74,3%).
Datas: esta localidade é um exemplo clássico em que os diamantes estão relacionados ao Conglomerado Sopa, onde a garimpagem ocorre tanto nos vários corpos desta rocha situados logo a leste da cidade, quanto em coluviões e aluviões próximos. Na atualidade, em vista da quase exaustão dos depósitos aluvionares, têm objetivado principalmente os conglomerados, já que vários níveis associados podem alcançar até 25 m de espessura, e também aos depósitos coluvionares. Diversos pequenos lotes estudados ao longo de 1995, de compradores locais, permitiram obter um perfil quanto às principais características dos diamantes desta área. Das 597 pedras examinadas (208 ct), cerca de 40% apresentaram um capeamento verde, sendo que apareceram ainda alguns poucos diamantes com capa marrom clara, totalizando apenas 1,0% de todo o conjunto.
Rio Jequitinhonha: provavelmente mais da metade dos 16 milhões de quilates já produzidos no Distrito de Diamantina (Chaves & Uhlein, 1991) se originou deste rio, onde ainda hoje a mineração ocorre em grande escala. Os diamantes são lavrados de um cascalho com cerca de 3-4 m de espessura, basal de um aluvião que tem no topo uma camada de areia estéril com quase 10 m de espessura. De um lote contendo 6931 pedras (1398,5 ct), extraído da área dragada pela Mineração Rio Novo, 1254 delas foram estudadas nos escritórios desta firma com a colaboração do Dr. Ronald Fleischer. Os dados obtidos são semelhantes aos da área de Datas, apresentando cerca de 36% de diamantes com capa verde. Capas marrons são raríssimas no Rio Jequitinhonha.
Grão Mogol: nesta região do Espinhaço Central, localizada a quase 150 km ao norte de Diamantina, os diamantes ocorrem em delgadas lentes conglomeráticas (2-3 m de espessura) encaixadas nos quartzitos pré-cambrianos da Formação Grão Mogol, ou de coluviões e aluviões derivados (Chaves et al., 1995). A produção atual é pequena, não ultrapassando 120 ct/mês. Por esta razão os 384 cristais de diamantes estudados (42,24 ct), obtidos de compradores e garimpeiros, representam bastante satisfatoriamente a produção local. Da mesma maneira que nas áreas de Datas e do Rio Jequitinhonha, um percentual expressivo de cristais apresentam capeamento verde (26%), sendo que as capas marrons (0,78%) são tão raras como no Espinhaço Meridional.
Jequitaí: diamantes ocorrem nesta área devido a processos de reconcentração a partir de sua fonte secundária, os conglomerados cretácicos da Formação Areado (Karfunkel & Chaves, 1995), que afloram reliquiarmente nas porções altas da Serra do Cabral. Depósitos fanglomeráticos, diamantíferos, ocorrem assim por toda borda norte serrana; a garimpagem é efetuada principalmente nas proximidades de Jequitaí e Francisco Dumont. Foram estudados na primeira localidade 408 cristais (171,4 ct), que mostraram a mais alta relação gema/indústria da região do Espinhaço, ou seja 98/2%. A área se caracteriza ainda por uma anômala proporção de diamantes com capas de cores marrom clara e amarelo "palha" (9,3%), em relação aos diamantes com capa verde (4,6%).
Coromandel: a geologia da região diamantífera do Alto Paranaíba é caracterizada pela presença de inúmerospipes intrusivos, de natureza ultrabásica, incluindo kimberlitos e kamafugitos, a grande maioria deles porém estéreis ou com teores muito baixos para serem considerados de importância econômica (Svisero, 1994). A ocorrência destas rochas nas proximidades dos principais depósitos diamantíferos, sejam eles coluvionares ou aluvionares, em associação a uma baixa proporção de cristais com qualidade gema em relação aos industriais (35/65%), são fortes evidências de que pipes mineralizados podem existir na própria região, apesar de que, provavelmente, a maioria deles já deva estar erodida (Chaves, 1991). A presença de capas verdes também é totalmente desigual em relação às verificadas no Espinhaço, não atingindo 1% dos 352 cristais estudados (287,2 ct) na cidade e em garimpos do Rio Santo Antônio do Bonito.
DISTRIBUIÇÃO REGIONAL x MINERAIS RADIOATIVOS NOS DEPÓSITOS
Os dados fornecidos na Tabela 1 evidenciam a existência de um nítido controle geográfico e, conseqüentemente, da geologia das áreas com a freqüência dos diamantes de capa verde. Na principal localidade onde ocorrem diamantes com esta característica, a Mina do Campo Sampaio, um percentual de cerca de 90% de cristais tingidos incluindo significante parcela de capas densas, indica que a coloração foi adquirida no próprio depósito secundário (kimberlitos e lamproítos são normalmente pobres em tais diamantes).
O estudo dos concentrados de minerais pesados amostrados nesta mina e em aluviões próximos, mostrou a presença constante de monazita [Ce,La,Y,Th(PO4)] e zircão [ZrSiO4], que poderiam ser os responsáveis pela irradiação no nível mineralizado. A presença de cério nas capas verdes, conforme será discutida no próximo capítulo, parece comprovar esta hipótese. Raal (1969) descreveu diamantes recolhidos no conglomerado uranífero de Witwatersrand (República Sul Africana), onde 100% deles apresentavam um capeamento verde que foi explicado pela emissão de radiação por partículas alfa ou beta de alta energia.
No Rio Jequitinhonha, o transporte fluvial de algumas dezenas de quilômetros desde a área fonte na serra e a conseqüente diminuição do percentual de capas verdes para cerca de 36% (a maioria composta de capas transparentes), é indício de uma provável mistura com diamantes provenientes de outras localidades onde ocorreriam menores volumes de pedras tingidas. Não se acredita em desgaste mecânico das capas, pois os diamantes apresentam figuras de corrosão de todos os tamanhos e profundidades, que neste caso também deveriam ter sido erodidas.
Assim sendo, um exemplo típico é o Campo de Datas, que apresentou em torno de 40% de diamantes com capa verde. No estudo do concentrado de minerais pesados recolhidos em uma das minas da região (Datas de Cima), foi constatada a presença raríssima de monazita na matriz do conglomerado diamantífero, apesar do zircão aparecer em volume semelhante ao verificado em Campo Sampaio. Como a presença de elementos radioativos é muito inferior no zircão em relação à monazita, e explicaria assim a diminuição do volume da população de cristais atingidos pela radiação.
Em Grão Mogol, o conglomerado da "Pedra Rica" foi estudado para seus minerais pesados, objetivando uma comparação com os casos precedentes. Nesta área, uma parcela significativa de diamantes possui capeamento verde (±26%), porém a monazita não foi verificada e os zircões são raros, indicando assim que esses minerais não são os únicos responsáveis pelo capeamento verde.
Analogamente aos estudos desenvolvidos na Serra do Espinhaço, um corpo de rocha conglomerática do Cretáceo Superior, a qual se considera a principal fonte de espalhamento dos diamantes na Província do Alto Paranaíba (Barbosa et al., 1970), foi pesquisado visando seus minerais pesados. Apesar de possuir uma variedade muito maior de minerais, a monazita não foi identificada entre eles (apenas zircão), sendo verificada uma concentração ínfima (<1%) de diamantes com capa verde.
DISCUSSÃO SOBRE A ORIGEM DA CAPA VERDE
Experimentos realizados
Com o intuito de conhecer o comportamento à radioatividade de diamantes com e sem capeamento, cinco cristais procedentes de Grão Mogol foram irradiados com nêutrons, no Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN), em Belo Horizonte. O reator utilizado foi um Triga Mark IIPR-R1, de potência máxima de 100 kw e fluxo de nêutrons da ordem de 4,4x1012 cm-2s-1 (máximo). Os cristais possuíam originalmente diferentes características quanto às suas cores e capeamento, que são mostradas junto com outras propriedades na Tabela 2.
De início os espécimes foram irradiados por alguns minutos, visando a detecção de nuclídeos com meias-vidas curtas. A medição do espectrogama, com detector intrínseco de estado sólido de germânio, não acusou nenhuma anomalia.
Visando posteriormente nuclídeos com meias-vidas longas, o mesmo material foi irradiado por 4 horas, com fluxo de nêutrons térmicos da ordem de 2,0x1011 cm-2s-1. A análise do espectrograma permitiu a detecção dos seguintes isótopos radioativos:
-141Ce, de energia γ = 145,4 kev e meia-vida aproximada de 32,5 dias,
-46Sc, de energias γ= 889,4 e 1120,3 kev, com meia-vida de 83,9 dias,
-152Eu, de energias γ = 121, 244 e 344 kev.
Todos os diamantes tornaram-se verdes, com tonalidade e intensidade semelhantes, após o procedimento. Para saber se a coloração abrangia os cristais inteiros ou apenas suas zonas mais externas, dois deles (MC-CV-02/05) foram seccionados diametralmente segundo o plano (110). Desta maneira, observou-se que ambas as amostras tornaram-se totalmente verdes. Uma das metades da amostra MC-CV-02, porém, foi ainda polida para biselar uma pequena "ponta" que restou do serramento imperfeito, e o fragmento inteiro retornou à sua coloração original (incolor). Como o disco de polimento atinge altas temperaturas, este aquecimento pode ser admitido como a razão do retorno do mineral à sua antiga cor. A outra metade do cristal foi posteriormente aquecida em uma mufla elétrica que determinou a mudança de coloração na faixa de 450-500ºC.
Uma vez demonstrado que o método de ativação por nêutrons mostrou-se útil na determinação de elementos-traço nos diamantes, as mesmas amostras foram novamente irradiadas, uma a uma, para equacionar o problema surgido: os elementos detectados estariam em todas as amostras ou em alguma(s) em particular? Os resultados foram os que se seguem (tempo de contagem = 12.000 segundos):
-MC-CV-01, nenhum elemento detectado,
-MC-CV-02, detectado escândio,
-MC-CV-03, detectados cério, európio e escândio,
-MC-CV-04, detectados cério, európio e escândio,
-MC-CV-05, nenhum elemento detectado.
Considerações genéticas
Os resultados experimentais indicaram que os nuclídeos determinados estavam presentes apenas nas porções externas dos cristais: só as três amostras que apresentavam algum capeamento verde original mostraram a existência dos elementos-traço. Visando a confirmação desses dados, análises adicionais estão em andamento. A coloração verde no cristal inteiro após a irradiação com nêutrons tem sido descrita anteriormente por vários autores, porém não é ainda bem entendida (p.ex., Lenzen, 1973; Collins, 1982). Interessante também observar que nenhuma das cinco amostras ficou radioativa após os procedimentos, apresentando no exame com o detector Geiger-Müller apenas o dobro da radiação de fundo do ambiente.
Certas considerações devem ser levadas em conta, a respeito das duas principais hipóteses sobre a formação das capas verdes dos tipos estudados:
(1) A primeira considera que a pigmentação verde resultou da ação da radioatividade natural (Meyer et al., 1965; Vance et al., 1973), tendo uma série de evidências a favor. Em destaque, o fato de que todos os diamantes recuperados no conglomerado uranífero de Witwatersrand apresentam esta característica (Raal, 1969). A ocorrência de diamantes com capas verde e marrom é constante, principalmente em áreas onde se conhecem fontes secundárias metamorfizadas (Urais, Costa do Marfim, Witwatersrand, Espinhaço, etc.), onde poderiam estar presentes minerais radioativos provenientes de outras fontes que não kimberlíticas.
(2) De outra forma, está demonstrado que kimberlitos são muito pobres em minerais radioativos, embora sejam conhecidos vários pipes com um razoável volume de cristais pigmentados (Orlov, 1977). Assim sendo, este último autor, considerou difícil que a radiação natural possa ocasionar uma coloração manchada na forma de pontos circulares, preferindo explicar a pigmentação verde pela existência de certos elementos cromóforos espalhados nas zonas mais externas dos cristais. Esses elementos, incluindo Ni, Cu, Mn, Cr e Terras Raras (demonstrados experimentalmente), poderiam se concentrar em centros de defeitos estruturais explicando assim sua posição localizada. A origem desses elementos, por sua vez, estaria no "autometamorfismo" dentro do próprio kimberlito, manifestado durante sua ascenção para níveis crustais.
CONCLUSÃO
As análises efetuadas pelos autores (Tab. 2) evidenciaram que os diamantes com algum tipo de coloração verde externa apresentaram elementos traços como impurezas, indicando nitidamente o relacionamento entre ambos. Porém, a radioatividade natural do meio não pode ser desconsiderada, uma vez que nos conglomerados do tipo Sopa ocorrem sempre minerais que podem conter elementos radioativos. O exemplo clássico deste fato é a monazita associada aos depósitos de São João da Chapada, região de Diamantina. Assim sendo, nos parece que a associação entre os dois fatores citados é a melhor explicação para a origem da pigmentação verde. A contribuição relativa de cada um desses fatores, porém, é um assunto inconclusivo que deve ser ainda melhor pesquisado.
Berilos Be3Al2(SiO3)6
Berilos Be3Al2(SiO3)6

Seu nome tem origem no grego beyllos que significa bela cor azul-esverdeada da água do mar. O berilo é um mineral (ciclossilicato de berílio e alumínio) com fórmula quéimica Be3Al2(SiO3)6. O tamanho dos cristais hexagonais de berilo variam desde minúsculo até a dimensão de alguns metros. Os cristais terminados são relativamente raros. O berilo exibe fratura concoidal, tem dureza de 7, 5-8, um peso específico de 2,63-2,80. Possui brilho vítreo podendo ser transparente ou translúcido. Clivagem basal fraca, com hábito bipiramidal diexagonal. O berilo é puro e incolor, porém é freqüentemente matizado por impurezas que tornam possíveis as colorações verde, azul, amarelo, vermelho, rosa, alaranjado e branco.
* Big Gold Beryle Stone
Algumas variedades do berilo são consideradas preciosas desde a pré-história. Pode-se encontrar as seguintes variedades deste mineral:
O berilo verde, devido a presença de crómio e vanádio, conhecido por esmeralda;
O berilo vermelho, esmeralda escarlate ou bixbite;

O berilo azul ou água-marinha, devido a presença do ferro;

A morganita, berilo rosa ou alaranjado devido ao manganês, ferro e titânio;

O berilo amarelo brilhante e límpido chamado berilo dourado ou berilo amarelo;


E o amarelo-esverdeado ou heliodoro, devido a presença do manganês, ferro e titânio.

Comumente o berilo é encontrado em pagmatitos graníticos, mas ocorre também em micaxistos nos Montes Urais, estando muitas vezes associados a depósitos de minérios de estanho e tungstênio. Além de muitas ocorrências na Europa como na Áustria, Alemanha, Irlanda, Portugal entre outros, é encontrado também em várias regiões da África, como Madagascar (especialmente a morganita) e Trasvaal (esmeraldas), e também na América do Sul, como no Brasil (Minas Gerais) e Colômbia, na qual se situa a maior fonte de esmeraldas no mundo em Muso, onde o berilo pode ser excepcionalmente encontrado em calcários. Esmeraldas também são encontradas perto de Mursinski, Sibéria. Na América do Norte os pegamitos de Nova Inglaterra produziram alguns dos maiores cristais de berilo conhecidos, incluindo um de 5,5m (18 pés) por 1,2m (4 pés) pesando 18t. Outras localidades incluem Dakota do Sul, Colorado e Califórnia.
O elemento químico berilo, um metal alcalino terroso, é obtido do minério de berilo. Uma das formas mais comuns na natureza é a esmeralda, uma pedra preciosa de cor característica verde. Os druidas (membros das religiosidades celtas e bretãs) utilizavam o berilo como cristal divino. Os antigos escoceses a chamavam pedra do poder. As primeiras bolas de cristal eram feitas de berilo, mais tarde foram substituídas por cristal de rocha.

Novas ocorrências de euclásio em Minas Gerais
RESUMO
Desde o século XVIII o Brasil tem sido o principal produtor mundial de euclásio, proveniente das jazidas situadas nos arredores de Ouro Preto, Minas Gerais. Recentemente, três novos depósitos deste mineral foram descobertos no mesmo Estado: (1) Em 1979-80, garimpeiros explotaram cerca de 10 kg de material gemológico e de coleção. A situação geográfica deste depósito permaneceu desconhecida na literatura geológica; ele está localizado próximo do vilarejo de Olhos d'Água, município de Bocaiúva, noroeste de Minas Gerais. (2) Pouco tempo após, uma outra ocorrência foi descoberta na mesma região, a cerca de 25 km NNW da cidade de Itacambira, de onde foram extraídos 3 kg de euclásio, a maior parte para coleção. (3) As ocorrências de Gouveia foram detectadas pelos autores, durante prospecção aluvionar sistemática visando o conhecimento de minerais "satélites" do diamante na região, mas os espécimens encontrados têm somente importância mineralógica. Em todas as situações descritas, o mineral ocorre disseminado e/ou concentrado em bolsões relacionados a uma estreita zona feldspática de veios de quartzo pegmatóides, cortando quartzitos do Supergrupo Espinhaço (Bocaiúva e Itacambira), ou xistos e rochas graníticas do Complexo Pré-Espinhaço (Gouveia).
Palavras-chave: euclásio, mineralogia, gemologia, aluviões diamantíferos.
ABSTRACT
Since the 18th century euclase in Brazil has been mined mainly in the reknowed mineralogical district of Ouro Preto, Minas Gerais. Three new deposits were more recently discovered in the same state: (1) In 1979-80garimpeiros exploited about 10 kg of yellow gem-quality material and specimens for collectors, but the location of the source remained unknown in the geologic literature. It is situated near the small village of Olhos D'Água, in Bocaiúva district, northwestern Minas Gerais; (2) Soon after the first exploitation, another euclase occurrence was discovered in the same region, some 25 km NNW of Itacambira. About 3 kg de grey-blue euclase, mostly collection specimens, have been produced. (3) Occurrences in the Gouveia district were detected by the authors during alluvial diamond prospecting. In this area the specimens have only mineralogical importance. In all localities, the mineral occurs disseminated and/or concentrated in pockets in the small feldspathic zone of pegmatoid quartz veins truncating quartzites of the Espinhaço Supergroup (Bocaiúva and Itacambira deposits) or schist and granitic rocks of the pre-Espinhaço Complex (Gouveia occurrences).
INTRODUÇÃO
O euclásio [BeAl(SiO4)0H] é um mineral bastante raro na natureza, apresentando com freqüência propriedades gemológicas. Desde o século XVIII, o Brasil destaca-se como o principal produtor mundial de euclásio. Em Minas Gerais, as jazidas clássicas deste mineral estão associadas às jazidas de topázio imperial na região de Ouro Preto. Euclásio de origem pegmatítica ocorre principalmente próximo de São Sebastião do Maranhão, na Fazenda Santana do Encoberto.
Recentemente os autores, pesquisando a natureza dos minerais pesados que acompanham o diamante na região centro-norte de Minas Gerais, descobriram três novas ocorrências de euclásio, localizadas em áreas dos municípios de Bocaiúva, Itacambira e Gouveia. Vários espécimens encontrados nas duas primeiras ocorrências apresentaram características gemológicas.
O presente estudo objetiva a descrição geológica e mineralógica destes três depósitos, assim como discutir sobre a presença desse mineral em áreas de contexto estratigráfico bastante diferentes, demonstrando assim o ainda limitado conhecimento acerca da metalogenia regional.
EUCLÁSIO NO BRASIL
Os depósitos de topázio imperial, incluindo provavelmente os de euclásio, foram descobertos na região de Ouro Preto por volta de 1760. O célebre mineralogista Haüy descreveu primeiramente o euclásio em 1792 a partir de amostras da região, mas apenas Echwege (1822) localizou a proveniência do mineral ao identificá-lo em meio a um lote de topázios oriundos daquela área. Na atualidade são conhecidas oito áreas produtoras de euclásio no Brasil, algumas delas com várias ocorrências distintas. A maioria dos depósitos está situada no Estado de Minas Gerais (Fig. 1)
As ocorrências clássicas e melhor conhecidas do Brasil e do mundo são aquelas localizadas em uma faixa linear de aproximadamente 10 km a oeste da cidade de Ouro Preto (MG). Nesta região o euclásio é recuperado como subproduto da garimpagem de topázio imperial em pelo menos sete lavras: Boa Vista, Trino, Ranchador, Capão do Lana, Fundão, Morro do Gabriel e Cachambu. O mineral ocorre em cristais isolados, transparentes a levemente azulados ou esverdeados, quase sempre de comprimento inferior a 1 cm. Saldanha (1939) descreveu um espécime pesando 128 g (10 cm de comprimento) achado em 1922, provavelmente o maior cristal já conhecido. Descrições geológicas e mineralógicas sobre o euclásio de Ouro Preto foram apresentadas por Cassedanne (1970, 1991), mas sua gênese, assim como a do topázio, é objeto de amplas discussões.
Euclásio de origem pegmatítica ocorre em três principais localidades. Na região de São Sebastião do Maranhão (Fazenda Santana do Encoberto), também em Minas Gerais, o mineral se encontra em pequenos bolsões ricos em mica, perto do contato com o núcleo quartzoso do pegmatito (Cassedanne & Cassedanne, 1974). Os cristais, com freqüência biterminados, são incolores ou amarelados, transparentes a translúcidos, alcançando vários centímetros de comprimento. Este depósito já forneceu excelentes espécimes de qualidade-gema, descritos mineralogicamente por Bank (1974) e Graziani & Guidi (1980). Proveniente de Cachoeiro de Santa Leopoldina, Estado do Espírito Santo, Saldanha (1941) relatou um cristal de euclásio, hialino e perfeitamente formado, mas sua jazida nunca foi descrita.
Pertencendo à Província Pegmatítica Nordestina do Brasil, são conhecidas ocorrências de euclásio associadas a quatro corpos pegmatíticos da região de Equador, Estado do Rio Grande do Norte. A presença de euclásio nesta área foi primeiramente referida por Silva & Santos (1961), no denominado Alto dos Mamões. Outros corpos pegmatíticos mineralizados são os "altos" do Giz, Santino e Jacu, onde ele ocorre com berilo junto ao núcleo de quartzo (Cassedanne, 1970). É característico dos cristais de euclásio de Equador uma listra azul escura central, paralela ao eixo c, permitindo belas amostras para coleção.
Hussak (1917) descreve ainda a presença de euclásio nos cascalhos diamantíferos de Santa Izabel do Paraguassu, atual Mucugê (Estado da Bahia). Os espécimes, de interesse apenas mineralógico, eram cristais incolores e fragmentos de comprimento não superior a 3 mm.
DESCRIÇÃO DOS DEPÓSITOS
Bank (1980), em pequena nota, descreveu um euclásio gema "declarado" ser da região de Diamantina, e Cassedanne (1991) citou que "pequenos cristais de euclásio bege a cinza foram recentemente extraídos na região de Buenópolis". Durante pesquisas incluindo o estudo de minerais pesados de cascalhos diamantíferos a leste de Bocaiúva, os autores foram informados de uma jazida desativada de euclásio na região, localizando assim o depósito que pelas amostras obtidas parece ser o mesmo relatado por H.Bank e J.Cassedanne. A partir de informações locais, chegou-se ao depósito de euclásio de Itacambira, explorado pelos mesmos garimpeiros descobridores da jazida anteriormente mencionada. Já as ocorrências de euclásio situadas próximo de Barão de Guaicuí, Gouveia, foram achadas diretamente pelos autores, durante prospecção aluvionar sistemática voltada para os minerais "satélites" do diamante; os depósitos primários estão sendo ainda pesquisados.
Contexto geológico regional
As três ocorrências de euclásio ora descritas estão relacionadas geologicamente à Serra do Espinhaço, onde este mineral nunca havia sido antes reportado. A serra é sustentada por quartzitos e filitos do Supergrupo Espinhaço, do Mesoproterozóico, localmente aflorando xistos e rochas granitóides de idade mais antiga (Complexo Pré-Espinhaço). A Faixa Móvel Espinhaço é uma entidade geotectônica evoluída durante o Meso e Neoproterozóico, com o clímax dos dobramentos, incluindo a intrusão de inúmeros veios de quartzo, tendo ocorrido no Ciclo Brasiliano (Dossin et al., 1990).
Jazida do Buriti das Porteiras
Situada a cerca de 12 km a SW do povoado de Olhos d'Água, Município de Bocaiúva (Fig. 2), a jazida do Buriti das Porteiras foi descoberta casualmente em 1979, durante a exploração de um veio de quartzo hialino, do tipo "coleção". Foi explorada em dois períodos (1979-80 e 1983) pelo garimpeiro Marcolino Pereira da Silva (vulgo "Pingo"), de Bocaiúva.
Ocorrem na área quartzitos avermelhados, fortemente recristalizados e silicificados, atribuídos à Formação Galho do Miguel, do Supergrupo Espinhaço (Schmidt, 1970). O euclásio está associado à zona de borda, caolinizada, de um veio de quartzo com hematita, de cerca de 10 m de comprimento por 2 m de largura, cortando os quartzitos. O mineral ocorre disseminado e/ou concentrado em pequenos bolsões. O material secundário, elúvio-coluvionar, foi também objeto de exploração.
O euclásio aparece em cristais euédricos a subédricos, de coloração amarelada clara a média, raramente terminados. Espécimens de qualidade gema são comuns, tendo Bank (1980) destacado que o depósito forneceu uma pedra com 50 ct, depois de lapidada O maior cristal observado media b cm de comprimento ao longo do eixo c (55,6 g). A clivagem (010) perfeita é característica de todas as amostras estudadas. O peso específico, medido em 8 amostras, é de 3,095±0,010 g/cm3, e os índices de refração menor e maior são 1,651 e 1,671±0.001 com uma birrefringência de 0,020±0,001.
Ainda não está bem caracterizada a gênese da jazida do Buriti das Porteiras. A presença de feldspatos caolinizados junto ao veio de quartzo sugere atividade pegmatítica, muito embora esta seja bastante incomum ao longo da Serra do Espinhaço. Nenhum outro mineral pegmatítico foi observado. O potencial do depósito é também pouco conhecido, já que as escavações não ultrapassaram 1,5 m de profundidade. Informações obtidas do garimpeiro "Pingo" indicaram uma produção total de 12 kg (9 kg em 1979-80 e 3 kg em 1983, estes em parte recuperados a partir dos rejeitos anteriores).
Jazida de Itacambira
Este depósito está situado a cerca de 25 km norte-noroeste da pequena cidade de Itacambira, próximo às cabeceiras do Rio Congonhas. Em 1980, o mesmo decobridor da jazida do Buriti das Porteiras chegou a este local partindo da informação de um companheiro de garimpo, dizendo ter conhecido material "semelhante" ao lhe mostrado, enquanto procurava quartzo naquela porção da Serra do Espinhaço.
Geologicamente a região é conhecida como Espinhaço Central, tendo sido mapeada por Karfunkel & Karfimkel (1976). Predominam na área quartzitos brancos, finos e bem selecionados, atribuídos à Formação Resplandecente. O euclásio ocorre em uma cascalheira coluvionar de espessura inferior a 1 m, junto com quartzo e hematita.
Dados mineralógicos de amostras aparentemente "limpas" são os seguintes: peso específico (5 amostras) de 3,065±0,02 g/cm3 e índices de refração 1,650 e 1,670±0,001 com uma birrefringência de 0,020±0,001. A coloração é sempre cinza-azulada, ao que parece como resultado de micro-inclusões de turmalina preta (D.Hoover, 1993, comunic. verbal). E comum a presença de "bandas" preenchidas com quartzo segundo o plano (100); nestes casos o peso específico decai para 2,937±0,05 g/cm3.
Os cristais são sempre prismas euédricos tabulares, com 0,5-1,0 cm e sem terminação, possivelmente devido a um pequeno rolamento sofrido com ruptura na clivagem proeminente (010).
Estudos adicionais tornaram-se impossíveis, pois ao final da década de 80 a área de ocorrência foi recoberta com o plantio de eucaliptos para reflorestamento.
Ocorrência de Barão de Guaicuí
Durante prospecção aluvionar sistemática, desenvolvida na região de Diamantina com a finalidade de pesquisar minerais "satélites" do diamante (como parte da Tese de Doutoramento de um dos autores - M.L.S.C.C.), cristais de euclásio foram descobertos em dois locais: no Córrego do Capão e no Rio Pardo Pequeno. Eles estão situados a norte da cidade de Gouveia, nas proximidades do lugarejo de Barão de Guaicuí. Posteriormente à descoberta, entrevistas com garimpeiros locais permitiram constatar que o mineral é freqüente nestes aluviões diamantíferos, mas são confundidos com quartzo, apesar da densidade muito diferente. Alguns compradores de pedras admitiram mesmo terem comprado euclásio rolado como diamante, provavelmente devido ao forte brilho daquele mineral.
Nesta região afloram rochas pertencentes ao Complexo Pré-Espinhaço (sericita xistos e granitóides), além de metassedimentos da base do Supergrupo Espinhaço (formações São João da Chapada e Sopa Brumadinho). O Córrego do Capão, diamantífero, nasce na própria área, sendo por isso escolhido para a pesquisa de minerais pesados. A partir da detecção de euclásio no local, pesquisa suplementar efetuada na drenagem maior, Rio Pardo Pequeno, que já corre em terrenos da Formação Galho do Miguel (estratigraficamente superior), mostrou que a mineralização é persistente e que o maior aluvionamento permitiu também uma maior concentração do mineral (Fig. 3).
No aluvião estreito do Córrego do Capão, não ultrapassando 10 m de largura, o euclásio aparece em prismas relativamente bem preservados do desgaste mecânico, ainda exibindo com nitidez o estriamento paralelo ao eixo c. O maior exemplar observado mediu 0,8 cm, sendo hialino como todos os cristais observados no local. Outros minerais presentes no depósito são mostrados na Tabela 1.
No Rio Pardo Pequeno, os flats com larguras de 50 a 100 m permitiram a maior concentração de pesados. Os grãos de euclásio são mediana a totalmente rolados, mostrando sempre um achatamento característico segundo o plano principal de clivagem (010). O maior cristal observado mediu 1,2 cm de comprimento. Em geral eles são incolores, transparentes e macroscopicamente "limpos"; em apenas um grão muito rolado observou-se uma tonalidade rosada.
O peso específico, obtido de 5 amostras do Córrego do Capão, mostrou valores em torno de 3,09±0,02 g/cm3. Dados ópticos determinados com refratômetro mostraram valores limites de 1,650 e 1,671, com uma dupla refração de 0,021. Os índices de refração superiores àqueles do quartzo, associado ao brilho perláceo nas proximidades dos planos de clivagem (open cleavage), é a razão do mineral já ter sido confundido com diamante. Amostras roladas de euclásio do Rio Pardo Pequeno foram também confirmadas por difratometria de raios X.
Os euclásios das duas localidades descritas demonstraram uma associação de características que permitem considerá-los de mesma origem. No Córrego do Capão, as amostras muito pouco roladas evidenciam sua fonte próxima, o contrário acontecendo no Rio Pardo Pequeno. Pesquisas procurando a possível rocha fonte na área do Córrego do Capão, indicaram a existência de veios pegmatóides de porte inferior a 1 m, cortando principalmente micaxistos do Complexo Pré-Espinhaço. Amostragem efetuada na massa caolinizada dos veios revelou apenas a presença de quartzo, mica e turmalina preta. Porém, o pequeno volume amostrado, associado à raridade do euclásio e às semelhanças com os depósitos de Bocaiúva (aqui descrito) e o de Santana do Encoberto (Cassedanne & Cassedanne, 1974), permitem associar a gênese dos depósitos aos veios pegmatóides encaixados no Complexo Pré-Espinhaço.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presença de euclásio de origem pegmatítica em áreas com pouca ou nenhuma referência da presença desse tipo de atividade magmática, demonstra o ainda limitado conhecimento acerca da metalogenia regional. As pesquisas até então desenvolvidas permitem que sejam reconhecidos três tipos de depósitos primários de euclásio no Brasil:
(1) Na designada "litomarga" do distrito de Ouro Preto, uma argila marrom escura, de origem controvertida, associado ao topázio imperial,
(2) Em pegmatitos heterogêneos, bem zonados e relacionados a uma fase de magmatismo bem conhecida, datada no final do Brasiliano (550-450 Ma), como nos casos de Santana do Encoberto (MG), Cachoeiro de Santa Leopoldina (ES) e nos depósitos do Rio Grande do Norte, e
(3) Em veios pegmatóides, relacionados a processos magmáticos ainda pouco estudados na região da Serra do Espinhaço, dos quais são exemplos os depósitos de Bocaiúva, Itacambira e Gouveia, Minas Gerais, além de, provavelmente, as pouco conhecidas ocorrências da Chapada Diamantina, no centro-norte baiano.
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